Manual do Xavequeiro
Xaveco no Ambiente de Trabalho 1 91
DICA DO RAMPA:
Ok, o tel já é uma boa, mas nossa torcida é para que você tome seu banhinho nesse dia cantarolando o encontro já marcado. Esse é o objetivo inicial do xaveco. Diga coisas como "eu achei que você lava lá, só que me enganei, me confundi. Mas depois pensei que aquela balada tem a sua cara, não perca essa oportunidade, vai! Vamos? Combinado?".
DICA DO ISMÁ:
É prudente que você realmente já tenha ido à Bienal ou já tenha visto a peça ou filme caso seus exemplos tenham sido esses. Se não viu, informe-se bem sobre esses eventos antes da abordagem. Não dê sopa para o azar, ok?
XAVECO NO AMBIENTE DE TRABALHO 1
Interpretação - ●
Risco - ●●●
Ousadia - ●●●●●
Essa é aquela situação em que você vidrou numa gatinha do seu trampo sem que ela ao menos saiba da sua existência. Não importa muito a freqüência com que você costuma topar com a boneca -- seja todo dia, na hora do almoço, seja só um dia da semana, porque você visita uma cliente --, o fato é que você ficou a fim.
Lembre-se de que essas situações exigem um pouco mais de cuidado de sua parte, ela não é uma completa desconhecida. Mas, se você é um cara que prefere ousar, há uma investida clássica para esses casos. Essa mulher, que você vê com certa freqüência, admira a roupinha que ela usa nos dias de calor, o jeito como ela mexe no cabelo ou a delicadeza com que cruza as pernas, mas que mal sabe de sua existência, pois bem, essa mulher vai receber um presentinho seu.
Calma, você não vai lhe dar rosas, muito menos um perfume. Sua investida será discreta e mais inteligente Não importa o estilo que você faça, dê-lhe um livro. Chegue perto -- ela não vai estranhar tanto, pois também o conhece de vista --, pergunte seu nome e diga que tem uma coisa que gostaria que ela lesse. Na mesma hora, entregue o livro, que NÃO vai estar embrulhado, de forma alguma! Não é Natal nem o aniversário dela, não faça escândalo. Faça, sim, a coisa parecer informal. Também não escreva nenhuma dedicatória. Seja direto, evite correr riscos desnecessários. Dar o livro já é um grande passo.
Chegue com ele na mão, troque algumas palavras com a moça, mas frise alguns tópicos como "observei você algumas vezes e esse livro me veio à cabeça, não sei por quê, mas acho que você vai gostar". Não se prolongue muito, entregue o livro e, educadamente, puxe o cano. Você já plantou a semente, não seja um cara chato, não busque atenção. Deixe-a confusa e intrigada. "Quem é esse homem? Por que ele me deu um livro?". A partir desse dia você deixou de ser um desconhecido e virou um cara. Detalhe: um cara imprevisível, generoso, observador. Algum tipo de admiração essa mulher vai nutrir por você, isso é certo. No próximo encontro ela o verá como "o cara do livro", você será notado, haverá toda uma mística a seu respeito. "O que será que ele pode me dar hoje? Ele é sempre assim, ou foi só aquele dia?". O mais importante é que você terá alguns dias para pensar no seu próximo passo. Você pode, por exemplo, abordá-la dias depois e pedir seu telefone Você tem liberdade e moral para isso, ora essa. Você conquistou esse espaço e ela vai dizer o número. Mas você pode, ainda, pensar em algo mais sofisticado, de acordo com seu estilo de vida e com o que você perceber na moça depois de lhe ter dado o livro. As manhas são essas. O fato é que, como já foi dito, você plantou a semente. Não arregue, negue!
DICA DO RAMPA:
Se ela tiver o livro ou já o tiver lido, e disser isso na hora em que você o mostrar, não se desespere. Insista para que ela aceite assim mesmo (presente não se recusa), e diga algo como "então eu não me equivoquei em minhas observações, hã?". Fora isso, nenhuma mudança. O ato continuou original.