Manual do Xavequeiro
Xaveco na Fila do Banco 36
DICA DO ISMÁ:
Para pegar o telefone da brota você também pode se valer do argumento inicial da voz dela. Como seria aquela vozinha ao telefone? Que coisa legal que deve ser apenas ouvir a voz da gatinha! Faça essas brincadeiras como reforço no seu pedido do número. Se der certo, opa! Página 158.
XAVECO NA FILA DO BANCO
Interpretação - ●●●●●
Risco - ●
Ousadia - ●●●●
Aqui está um xaveco para ser usado por quem tirou a sorte grande.
Trombar uma brota na fila do banco é maravilhoso. Primeiro porque uma parte chata do seu dia ganhou pelo menos uma bela paisagem. E segundo que a gatinha não tem escolha, vai ter de ficar por ali até chegar ao caixa Ou seja, você tem tempo de sobra para desenvolver sua investida. E a manha aqui é encarar. De que jeito? Encarando, até incomodar a menina. A distância entre vocês dois é pequena o bastante para ela te sacar rapidinho. Dê um tempo curto entre sua encarada e o ataque. Você vai notar que ela te percebeu através de uma olhada, ou se ela começar a se mexer demais ou de menos. Pode ser também que ela não esboce reação alguma, mas o importante é você deixar claro que está olhando. Ela deve concluir que você vai abordá-la com uma bobagem qualquer, então, surpreenda-a. Solte um sorriso debochado, só para você, mas faça com que ela perceba. Volte à sua seriedade e, poucos segundos depois, outro sorrisinho. Faça parecer que ela é o motivo da chacota, e, antes mesmo de terminar esse segundo sorriso, dirija-se a ela e diga: "Desculpa, foi inevitável, é que passou uma história pela minha cabeça...". Receptiva ou não, ela vai ficar curiosa. Prossiga: "Qual é o seu nome?... Não, não precisa responder, melhor eu explicar antes. É que eu imaginei "pô, nada fácil, nos dias de hoje, conhecer alguém bacana... mas e se, pois é, e se essa pessoa bacana estiver bem aqui, na minha frente (ou atrás)?''. É isso, nem te conheço e concluí, numa boa, que das duas, uma: ou você é uma pessoa muito legal ou é uma chata. E essa regra vale pra qualquer pessoa, né? Que louco... O problema é que, depois de pensar isso tudo, fiquei curioso. Como é o seu nome?".
Você foi um cara esquisito, tudo bem, mas o acontecimento foi inusitado. E você mostrou seu bom humor sem babar o ovo, afinal, cogitou até a possibilidade de a menina ser uma chata. O raciocínio aqui é fazê-la provar o contrário. Continue o discurso, ela dizendo ou não o nome, e não pense que está falando demais, você só está fazendo o gênero "filósofo em surto".
Faça perguntas cuja resposta ela não terá como sonegar, por exemplo, se é ou não correntista daquela agência. Comente o óbvio, algo como a precariedade dos serviços bancários (quem não fica puto com uma boa fila?). Faça-a falar por que está ali e, dependendo da resposta, comente e trace paralelos com a sua vida. Por exemplo, se ela foi pagar a conta de telefone, meta o pau na companhia telefônica responsável e em seus preços abusivos. Diga que também não agüenta mais. Em algum momento, descontraia o papo e elogie algum detalhe na gatinha (pág. 142). Brinque com a vaidade dela. Se o papo estiver bom, quando o caixa estiver próximo, peça para ela esperar e saiam juntos do banco. Se você terminou antes as suas burocracias, espere-a, óbvio. Na hora da despedida, elogie o papo agradável que tiveram, peça o telefone e beije-a no rosto. Mas, se você viu brecha para um vôo mais alto, se está disposto a arriscar tudo em nome do desejo inadiável, depois de pegar o tel da menina, lance o seguinte: "Lembra como começou nosso papo?... Pois é, a curiosidade, ser bacana ou chato... Então, mesmo, estou com outra curiosidade aqui'. Faça um suspense, crie um clima de tensão e mande ver: "Como será o gosto ao seu beijo?". Se ela for muito receptiva, se der risadinhas ou responder com alguma piadinha instigante, bem, demorou, ataque e beije-a. Mas se a resposta for mais fria ou muito espantada diante da sua ousada proposta, diga algo como "mas vamos manter essa curiosidade por mais tempo", dê um sorriso e diga que vai ligar qualquer dia desses. Na hora do telefonema, vale uma passada pela página 158 do Manual. É isso aí, e vivam as filas de banco!