Manual do Xavequeiro
Xaveco na Balada 5 21
DICA DO RAMPA:
Quando mencionar que tem uma surpresa para ela, deixe claro que você já está de posse do tal presentinho. Esconda as mãos para trás, ou dentro do bolso, mostre a mão fechada ocultando a balinha, enfim, crie essa dramaticidade. Pode ser divertido. Um bom começo.
DICA DO ISMÁ:
Tente só entregar o presentinho depois que ela tiver topado o trato. Ou seja, só entregue o chiclete se ela consentir conversar exclusivamente com você, por no mínimo cinco minutos. Isso fará da sutil balinha, ou chiclete, ou coração de papel, um doce começo de conversa. Mas isso é uma jogada, não uma regra; se ela não quiser fechar o trato sem antes ver o tal presente, entregue-o mesmo assim.
XAVECO NA BALADA 5
Interpretação - ●●●
Risco - ●
Ousadia - ●●●
Fala, meu brother baladeiro, aqui vai mais uma agradável investida para ser usada, essencialmente, em danceterias, boates ou festas com pistas de dança. Isso porque para a utilização deste xaveco é necessário que a brota esteja dançando. Assim, lá está você, curtindo o som da pista, bebendo ou conversando com seus amigos, e eis que vê, no meio da multidão dançante, aquele anjo. Sua bebida perde o gosto, você não escuta mais seu brother, o mundo pára ante aquela rosa, sem espinhos, que insiste em dançar, dançar, dançar. Peça licença a quem estiver ao seu lado, procure um lugar privilegiado e observe-a. Sim, apenas observe-a. Note se ela dança de olhos fechados, se sorri, acompanhe a trajetória de seus cabelos no ar, procure alguma gota de suor naquele rostinho angelical, sinta como a música invade mente e corpo daquela menina fazendo-a dançar, dançar, dançar. Toda essa análise, apesar de estar sendo orientada aqui, deve se dar de maneira absolutamente natural. Verdadeira. Só dessa forma você conseguirá imbuir-se do desejo e emoção necessários para uma abordagem sincera e convincente. Espere que ela pare de dançar, nem que seja uma rápida pausa para descansar ou arrumar o cabelo, vá até ela e faça, no seu ouvidinho, o seguinte discurso: "Eu tô te observando dançar faz uns quinze minutos, e juro pra você, fiquei emocionado. O jeitinho como você pisca os olhos, o quase-sorriso em algumas partes da música, suas mãos, sua entrega ao som, tudo isso mexeu muito comigo e, de verdade, já valeu minha noite. Obrigado, brigado mesmo". Faça essa abordagem mesmo se a menina estiver no meio de amigas, e espere o comentário dela. O que se espera é que ela também se emocione, de alguma maneira, depois do que ouviu. E para isso ela tem de sentir verdade no seu discurso. E para isso ele tem de ser verdadeiro. Daí toda a instrução do início do xaveco. Vá também à página 142 do seu Manual e leia o ensaio "A arte do elogio". Vai ajudá-lo a entender a necessidade da verdade nos seus atos. Se tudo o que você disse foi sincero, se você viu realmente tal encantamento na menina dançando, nem mesmo uma grosseria da parte dela vai te perturbar -- não se esqueça, em balada dá de tudo. Retomando o xaveco, espera-se uma boa recepção da menina, o que, naturalmente, pode desencadear um bom papo entre vocês e, claro, bons beijos na boca, que ninguém é de ferro. Se for o caso, depois de seu discurso e de uma agradável troca de palavras, pergunte apenas o nome dela e saia. Suma. Lembre-se, ela ainda está na pista, talvez queira dançar mais. Nesse caso, deixe explícito que quer muito conversar assim que ela parar de dançar Depois, nessa conversa, além de temas óbvios e corriqueiros (o que faz, onde mora, quantos anos tem, do que gosta), retome sempre a magia que tomou conta de você ao ver a pequena dançar. Não seja muito repetitivo, mas não abandone nunca esse trunfo. Faça-a se sentir especial, como, aliás, de fato ela é.