Manual do Xavequeiro
Xaveco na Rua 4 71
DICA DO ISMÁ:
Salvo exceções em que, circunstancialmente, o local de sua abordagem favoreça uma conversa mais longa, tente ser breve no seu papo com a mulher. Conversar meia hora com ela pode ofuscar o grande ato de entrega da rosa. A entrega da flor é o mais importante. Não deixe essa magia se perder. Seja sucinto e saia com um sorriso no rosto.
XAVECO NA RUA 4
Interpretação - ●●
Risco - ●●
Ousadia - ●●●
Esse é para aqueles que têm a vizinhança florida, cheia de piteizinhos brotando pelas ruas e esquinas. Sabemos que há bairros e regiões onde a incidência de gatinhas é maior. E você, quantas vezes, no caminho para a farmácia ou padaria, não se deparou com aquela brotinha, feliz e desavisada? Ou não ficou maravilhado quando, em uma simples ida à banca de jornal do bairro, deu de cara com a mulher da sua vida? Pois é, companheiro, às vezes um grande amor ou uma desvairada aventura pode estar bem ali, debaixo de nossos narizes. Para esse xaveco funcionar, precisamos despertar em você, amigo conquistador, a veia dramática. Pense nos mais esdrúxulos galãs de novelas mexicanas e vamos à ação.
Ao cruzar com a gatinha e concluir que ela merece ser xavecada, respire fundo, umedeça os lábios e vá até ela com a pergunta simples e precisa: "Você mora ou trabalha por aqui?". Se ela está por ali sossegada, caminhando, é porque tem algum vínculo com o bairro. Ou mora. ou trabalha, ou, no mínimo, conhece alguém que mora ou trabalha por ali. E aí é que vai residir toda a estrutura de seu drama. Aguarde a resposta e, não importa como ela vier, emende a segunda indagação: pergunte o nome dela, mesmo que seja num tom de inquérito. Vista a camisa do herói desbravador, inquieto e comunicativo, tudo bem mostrar-se afoito, seja um cara visceral, curioso. E se a brota realmente morar nas redondezas, no instante em que ela fizer o questionamento inevitável, "por que você quer saber tudo isso?", responda, com a maior simplicidade do mundo: "Ué, nada mais justo ao que eu conhecer minha vizinha". Mesmo que ela more a algumas quadras de sua casa, chame-a de vizinha. Diga essa frase com simpatia, mostre-se carinhoso. Ela, ainda assim, deverá achar a situação estranha. Ataque novamente e até emende um blefe dizendo: "Pois é, perguntei isso porque já te vi passar por aqui algumas vezes, e, como moro logo ali, pensei: por que não conhecer essa pessoa tão próxima?'". É importante que você mencione o local onde mora, já é alguma referência sobre você e pode ajudar a tranqüilizá-la. Mesmo que ela não esteja sendo a Miss Simpatia nesse papo, sublinhe o fato de que vocês irão se encontrar novamente. São vizinhos, ora! Diga que quer saber seu nome porque "no caso de te ver de novo, quero poder no mínimo te dar um oi".
Dê uma importância dramática ao fato de vocês habitarem o mesmo bairro. Conhecer gente! Sua própria vizinhança! Fazer amigos! Enalteça o valor e a naturalidade disso. Não se importe se for meio exagerado; se ela não se sensibilizar com isso, pode até te achar engraçado, o que também é bom. Após esse primeiro contato, passe a fazer perguntas óbvias, como há quanto tempo ela mora ou trabalha no bairro, onde exatamente ela mora, se estuda na região. Ao mesmo tempo, salpique informações sobre você, tome-se familiar, confiável. Não se prolongue muito e já peça o telefone. No caso de um vacilo dela, engate o discurso: "Sei que essa situação não é muito normal. Pode ser que eu seja um louco, sei lá, não dá para confiar mais em ninguém hoje em dia, você está coberta de razão. Mas, moramos tão perto, não vejo nenhum mal em dois vizinhos se conhecerem e trocarem telefones". Torça por uma reação positiva, você tem grandes chances de descolar o telefone da brota