Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 31 de 50

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Manual do Xavequeiro

Xaveco na Praia 1 60

DICA DO RAMPA:

É importante que você fortaleça seus laços com as amigas dela. Mostre-se um cara legal, na acepção da palavra. Até porque elas, as amigas, podem te ajudar no caso de alguma eventual dificuldade com a gatinha almejada.

 

DICA DO ISMÁ:

Use o bom senso para identificar sua conveniência e sua aceitação junto ao grupo de meninas. Não gaste todo o potencial de seu dia com um só foco; se vir que o clima está estranho, parta pra outra e curta o parque.

 

XAVECO NA PRAIA 1

 

Interpretação - ●●

Risco - ●

Ousadia - ●●

 

Ok, vamos trabalhar aqui com uma hipótese mais específica, menos provável, mas perfeitamente possível. Você está na praia, dando um rolê com sua charanga, vidro aberto, cotovelo apoiado, sonzera rolando e o sol a pino.

Eis que uma, duas, três ou quatro gatinhas lhe pedem uma carona. A cena que você está lendo pode soar fantástica, mas ela é, em praias, mais corriqueira do que parece. Não duvide, amigo! Você pode ser pego de surpresa!

Mas a real é que esse é um xaveco mais específico e casual, como já foi dito. Você tem que estar de carro e, obviamente, tem que ter acordado com o pé direito nesse dia. Quatro pitéus à sua mercê não é toda hora que acontece. Voltando à cena, seja realista e não se empolgue tanto. Quem disse que há outras intenções nas lindas cabecinhas das meninas? Elas querem uma carona, pura e simples. Mas você quer mais. Comece perguntando pra onde elas vão. Faça um charme, um suspense, e finalmente tope dar a carona sem dizer nada, apenas abra a porta do passageiro, pelo lado de dentro (não cabe, nesse caso, a gentileza de descer do carro para abrir a porta). Se as meninas -- ou mesmo uma delas -- forem realmente belezas incontestáveis, impressionantes, segure a onda. Não deixe que as loucurinhas que passarem pela sua cabeça transpareçam em seu rosto e muito menos em seus diálogos. Diálogos que, aliás, serão raros e estudados cuidadosamente. Responda às eventuais perguntas que lhe fizerem, mas não faça monólogos. Elogie a menina de quem você mais gostou, mas não sua beleza, e sim algum acessório que ela esteja usando. Crie esse pequeno vínculo, demonstre, mesmo que discretamente, esse interesse por ela. Mas seja, sobretudo, um cara discreto. Esse é o melhor jeito de chamar a atenção. Ficar com blablablá, trocar a marcha e relar na coxa da moça, exibir seu som, seu carro, são babaquices que você tem que evitar. Lembre-se de que isso é uma carona, não um acontecimento. Uma postura discreta vai lhe dar o status de um cara autêntico, tranqüilo e até digno. Contudo, este é um caso muito específico, e as variáveis começam a surgir. Por exemplo, você deve estar se perguntando se deve ou não pedir o telefone, se vai ou não levar as gatinhas à porta de casa. Genericamente falando, sim, pegue o telefone (veja página 158); e não, não desvie seu caminho por causa delas. Mas há casos e casos. Se for só uma mulher e estiver anoitecendo, um pequeno desvio de seu itinerário poderá render futuros beijos e pontos no céu. Ou, se as meninas garantirem que irão à tal balada naquela noite, a mesma à qual você certamente também irá, deixar o tel de lado e esperar pelo encontro futuro e fortuito pode ser a melhor jogada. Portanto, analise bem seu terreno e proceda de acordo. O importante é que você deu a carona da melhor maneira que podia, parabéns!

 

DICA DO RAMPA:

Ao buscar, em sua musa da carona, algo para ser elogiado, evite coisas como o cabelo ou os olhos. Na ausência de um objeto bacana, diga que ela tem a voz bonita.