Manual do Xavequeiro
Xaveco na Rua 2 67
Esse é um bom exemplo de um xaveco que vai ainda exigir de você uma excelente performance (e sorte) quando você for dar o telefonema -- caso ela tenha lhe dado o número. Se você pegou o tel da brota, ok, fique contente, mas saiba que o trabalho não acabou aí (pág. 158).
DICA DO RAMPA:
Quando for admitir que conhece a rua e se declarar, não deixe de mencionar que achou a menina charmosa ou coisa que o valha. Dizer apenas "linda" pode soar fútil e previsível.
DICA DO ISMÁ:
Se ela souber onde fica a rua e começar a explicar, interrompa-a e se declare. Não a deixe terminar a explicação. Isso dará autenticidade à sua postura e vai surpreendê-la ainda mais.
XAVECO NA RUA 2
Interpretação - ●
Risco - ●
Ousadia - ●●
Vai aqui uma dica aparentemente óbvia, mas que não poderia deixar de ser mencionada num manual de xavecos que se preze. Pois é, tô falando do nosso melhor amigo, o cachorro. Esse papo de que passear por aí com seu dog ajuda a arrumar mulher -- que é batata, infalível --, pois então, isso não é papo, é fato. Se você tem um cão, já deve saber disso. A mulheradinha vem mesmo.
A partir daí. nem há muito que ser dito. Diferente dos demais xavecos, nesse não é você que faz o approach, é a mina que vem falar com você. "Ai, que lindo, de que raça é?"; "é macho ou fêmea?"; "como ele chama?"; "quantos aninhos? Ai, que gracinha..." Amigão, meio caminho andado.
O que pode ser dito aqui na tentativa de auxiliá-lo são os seus objetivos e os passos básicas que você deve seguir. Bom, o objetivo: pegar o tel da brota. Não tem nem o que pensar. Agarrar a mina no meio da rua é surreal, no mínimo, arriscado; pra que bancar o apavorado? Mesmo se rolar um papo legal, não pegue na mãozinha dela, não aja como se estivesse numa balada. Sair com o telefoninho do pitéu já é um golaço, ok? E para obter isso, ora, honestamente, a coisa é bem simples. Vocês estão conversando sobre seu lindo cão, e no meio do papo você salpica perguntinhas pessoais. Como ela se chama? Mora no bairro? Estuda? Trabalha? Sai à noite? Vai ao cinema? Teatro? Enfim, suas opções são infinitas, e, lembre-se, foi ela quem veio falar com você.
Ao final da conversa, peça o telefone. Se ela vai dar o número ou não é um outro problema. Mas seu procedimento deve ser esse. E, convenhamos, ela tem tudo pra dar esse crédito a você. Afinal, você tem um cãozinho fofo, é um cara preocupado, que gosta e cuida de animais. Mostre-se amigo do dog na presença da gata, chame-o pelo apelido, use o dialeto que só você e seu cão conhecem. Evite piadinhas do tipo "fica à vontade, esse é um cachorro que gosta de uma gatinha". Por favor, sem trocadilhos infames, você não está lá pra ser galanteador. Você foi passear com seu cão. Não saia dessa realidade, nunca se esqueça completamente do animal para ficar falando de você. No máximo faça uma graça do tipo "ei, amigão, fala um oi pra Malu, fala!" -- se o cachorro latir, bingo! Agindo dessa maneira vocês devem voltar pra casa satisfeitos: o dogão porque deu seu rolê tão desejado e aliviador, e você porque conseguiu o número de uma princesinha do seu bairro. Veja os procedimentos para esse telefonema na página 158. E vamos que vamos! Nós e o seu cachorro estamos na torcida!