Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 49 de 50

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Manual do Xavequeiro

Xaveco no Ambiente de Trabalho 2 93

DICA DO ISMÁ:

Que livro você vai dar? Não corra risco nessa escolha, evite temas específicos, livros de auto-ajuda ou coisas do gênero. Seja simples, clássico. Um livrinho de poemas ou um bom romance de um escritor brasileiro são boas opções. O mais importante aqui (e isso precisa ficar claro) não é o livro, mas o ato de presentear. Lembre-se disso.

 

XAVECO NO AMBIENTE DE TRABALHO 2

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●●●

Ousadia - ●●●●●

 

Vamos cogitar aqui a happy hour como opção para chegar naquela gatinha que trabalha com você. É sabido que quando a galera se reúne para aquela cervejinha depois do expediente tudo pode acontecer. Você, amigão, que rala a semana inteira e está acostumado a trombar com aquele pitéu pelos corredores, entre uma sala e outra, encontros sempre recheados de formalidades, tem aqui uma oportunidade de ouro para desvendar toda a humanidade que existe naquela mulher. Mas é importante sublinhar como primeiro e fundamental passo a preparação. Avalie-se no dia-a-dia do batente, tente descobrir quem é você para as outras pessoas. E a partir daí, crie, ao seu redor, um ar de mistério. Mas com simplicidade.

Por exemplo, apareça com algum livro interessante e esqueça-o no escritório. No dia seguinte, pergunte para todo mundo, inclusive para o pitéu, se alguém viu o objeto perdido. Em outra ocasião, vá de fones de ouvido escutando uma música nada óbvia. Deixe a caixinha do CD sobre a mesa durante a hora do almoço. Faça com que notem suas sutilezas, mas lembre-se: não invente manias que não tem, você pode ser desmascarado. Assim, dentro de sua realidade, deixe pistas nítidas de que sua vida fora do escritório é bacana, que você é um cara que lê, ouve boa música, enfim, é um cara descolado.

Esse preparo é fundamental, você deve despertar curiosidade nas pessoas; com ela não será diferente. No dia da balada, da happy hour, você vai à forra. Programe-se para fazer parte da turma dos homens. Esqueça a idéia de ficar na turminha das meninas, não seja uma figura cotidiana para elas. Esse é o momento de se soltar, todos os reprimidos do horário comercial estão a fim de se desprender, encher acara. Seja o mais divertido, sugira assuntos, faça sucesso também entre a rapaziada. Quando você perceber que está agradando, vá até o banheiro, cheque o visual, confira se o sorriso está em ordem e lance aquela balinha de hortelã.

Na volta, sem vacilo, puxe uma cadeira e sente-se ao lado da gatinha almejada. Escale-a para uma conversa privada, demonstre autoridade. Vá logo fazendo uma pergunta absolutamente pessoal e ousada, tipo: "Pois é, hoje, durante lodo o dia no escritório e desde que chegamos nesse boteco (é bacana chamar barzinho de boteco) fiquei tentando descobrir uma coisa a seu respeito..,". Faça um pequeno suspense, tome um gole da bebida dela e continue: "Será que a sua meia é três-quartos ou sete-oitavos?".

Não espere a resposta; emende, com uma boa pitada de malandragem, antes que ela diga qualquer coisa: "Engraçado como você sorri mais bonito fora do escritório. Nossa! Desculpa a exigência, mas quero ganhar esse sorrisinho de novo". É óbvio que essa frase só deve vir se ela realmente sorrir. O que é bem provável, pois sua pergunta foi incomum. Ou por achar graça, ou por ficar sem graça, ela deve sorrir, aí você emenda e já rasga o elogio. A partir daí, sinta o clima, veja se dá para engatar um papo mais longo, mas em hipótese alguma alugue a mulher. Volte para a turma dos homens, deixe algo no ar. Se não der esquema para agarrá-la nessa mesma noite, lembre-se de que ela vai estar no escritório no dia seguinte. Peça o telefone. De repente ela pode se sentir mais à vontade em um encontro a dois. Use a sensibilidade e mande brasa!