Manual do Xavequeiro
Xaveco na Happy Hour 38
DICA DO RAMPA:
No seu pedido para saírem juntos do banco, para a menina aguardá-lo caso termine o atendimento antes, se houver uma recusa -- provavelmente ela vai alegar pressa --não insista, mas peça o telefone ali mesmo. É a chance que lhe resta de conseguir algo mais tarde.
DICA DO ISMÁ:
Tenha claro com você, caso opte pelo beijo na boca na hora de se despedir, que este é um passo arriscado que pode não dar certo. Isso nunca é o fim do mundo (levar um fora), mas cogite, sim, vivenciar a triste cena do rostinho virando na hora do seu ataque.
XAVECO NA HAPPY HOUR
Interpretação - ●●●
Risco - ●●
Ousadia - ●●●●
Tudo bem que a happy hour é propícia pra você chegar mais perto daquele pitéu que trabalha com você, mas bares com esse perfil revelam mais surpresas do que imaginamos. E as gatinhas que trabalham em outros lugares?
Ótimo, mas aí você poderá dizer "É, mas essa aí está sempre com os marmanjos do trabalho dela!". É verdade. E é aí que está o diferencial. Você é um desconhecido para ela. E é por esse viés que seu xaveco vai enveredar. A rapaziada do escritório ela já conhece, vê o dia inteiro, você é a novidade. Para o melhor uso deste xaveco, evite flertar de longe, é bom que você nem seja visto por ela antes da aproximação. O importante aqui é você fazer um tipo decidido, é por aí que sua postura vai se nortear. Comece sua ação pedindo uma bebida qualquer, alcoólica ou não, mas uma bebida diferente. Vale desde a caipirinha de kiwi ao suco de umbu. Beba um quarto do copo, levante-se com ele na mão e vá em direção à brota. Chegue perto, com uma simpatia sutil, pare na frente dela e chame-a. Mesmo que ela esteja junto de "todo mundo", chame-a. Se ela vier de cara, excelente. Senão, insista, dizendo que tem algo importantíssimo e urgente para dizer. Quando ela chegar, afastem-se um pouco do grupo (não muito, para não assustar a moca) e diga: "Oi, tenho uma dúvida e só a sua opinião vai me servir". Ela deve responder algo como "mas você nem me conhece!". Sinta-se feliz e diga que isso é ótimo. Prossiga: "Pôxa, que bom que eu não te conheço. Toda sexta eu venho aqui com o pessoal do trabalho, eu curto eles, claro, mas hoje eu queria algo diferente, sempre peço suco de morango, hoje pedi de umbu. Pois é, umbu. E o interessante é que eu nunca tinha conhecido ninguém diferente por aqui e queria oferecer um gole do meu suco de umbu para alguém desconhecido, que não fosse do meu trabalho. Pode até ser viagem minha, mas... aceita um gole? E me diz o que você achou do suco?". A não ser que a mocinha seja um cubo de gelo em forma de mulher, ela vai provar. Depois do gole diga, meio comovido, meio irônico: "Ainda não sei o seu nome, nem você o meu. E hoje eu estou aberto ao novo. Na boa, me fala seu nome e seu telefone, não quero atrapalhar a sua balada, mas adoraria te ligar e conversar com você um dia". Se ela vacilar, diga com bom humor: "Até do meu suco você bebeu... Que mal tem um telefonema? Vamos lá, diz". Sensibilize-a com frases engraçadinhas como "pô, dois trabalhadores, nada mais justo. E tem outra, vou ficar feliz da vida se terminar meu suquinho de umbu com seu telefone no bolso!". Se mesmo assim ela não der o telefone, não insista mais e volte para a sua mesa com tranqüilidade. Peça outro suco, dessa vez de cajá-manga. Volte à mesa da brota e repita o procedimento.
DICA DO RAMPA:
Caso a gatinha nem se levante para ouvir o que você tem a dizer, te deixando ali, de copo na mão, bem, considere isso um fora. Sim, ela foi grossa, zero de sensibilidade, mas é um direito dela. Não vá derramar o suco na brota por causa disso. Diga baixinho, quase que para si mesmo, algo como "então tá, azar seu", e volte ao seu lugar. Não foi dessa vez. Beba o suco.