Morte no Teatro La Fenice
Capítulo 19
Na manhã seguinte, bem cedo, Brunetti, ainda tonto de sono, foi à cozinha enquanto Paola dormia e começou a fazer o café. Foi ao banheiro, molhou o rosto e secou-o com a toalha, evitando os olhos do homem que estava no espelho. Antes do café, não confiava em ninguém.
Ele voltou à cozinha no exato momento em que a cafeteira entrava em ebulição. Nem se deu ao trabalho de praguejar, apenas tirou-a do fogo e desligou o gás. Em seguida despejou o café numa xícara, pôs três colheres de açúcar e foi com ela para o terraço, do lado oeste, na esperança de que o frio da manhã o acordasse caso o café não conseguisse.
Com a barba hirsuta, amarfanhada, Brunetti postou-se no terraço e fitou um ponto no horizonte onde começavam os Alpes Dolomitas. Devia ter chovido muito à noite, porque as montanhas surgiram como se tivessem se aproximado de mansinho, aproveitando a escuridão, para se tornarem magicamente visíveis no ar límpido. Elas iriam com certeza se encapotar e desaparecer antes do anoitecer, escondidas pelas nuvens de fumaça expelidas incessantemente pelas fábricas do continente ou pela névoa que vinha da laguna.
Do lado esquerdo, os sinos de San Paolo chamavam os fiéis para a missa das seis e meia. Lá embaixo, na casa do outro lado da calle, as cortinas se abriram e um homem despido apareceu na janela, ignorando totalmente que Brunetti o via do alto de seu apartamento. De repente surgiram por trás do homem duas mãos, de unhas vermelhas, abraçando-o por trás. O homem sorriu, afastou-se da janela e as cortinas se fecharam novamente.
O frio da manhã começou a incomodar Brunetti, obrigando-o a voltar para a cozinha, feliz por sentir o seu calor e por ver que Paola estava lá, sentada à mesa e com uma aparência muito melhor do que a que devia ser permitida antes das nove da manhã.
Ela lhe deu um alegre bom dia e ele respondeu com um resmungo. Ele pôs a xícara vazia na pia e pegou uma outra, cheia de leite quente, que Paola colocara no balcão para ele. A primeira xícara começara a transformá-lo num ser humano; essa segunda completaria a tarefa.
“Foi Michele que ligou ontem à noite?”
“Hum.” Ele esfregou o rosto; tomou mais café. Ela pegou uma revista da ponta da mesa e começou a folhear, tomando café em sua caneca. Ainda não são sete horas e ela está olhando casacos Giorgio Armani. Ela virou uma página. Ele coçou o ombro. O tempo passava.
“Foi Michele que telefonou ontem à noite?”
“Sim.” Ela ficou contente de ter conseguido extrair uma palavra dele e não perguntou mais nada. “Ele me contou sobre Wellauer e Santina.”
“Há quanto tempo aconteceu o caso?”
“Há uns quarenta anos, depois da guerra. Não, foi pouco antes, portanto faz mais de cinquenta anos.”
“O que aconteceu?”
“Ele engravidou a irmã dela, e ela morreu depois de ter feito um aborto.”
“Santina lhe contou isso?”
“Nem uma palavra.”
“O que você vai fazer?”
“Vou ter que falar com ela novamente.”
“Esta manhã?”
“Não; tenho que ir à Questura. Esta tarde. Amanhã.” Ele se deu conta de quanto hesitava em voltar àquele frio e àquela miséria.
“Se você for, use os sapatos marrons.” Eles o protegeriam do frio; nada o protegeria, nem a ninguém, da miséria.
“Sim, obrigado”, disse ele. “Não quer tomar banho antes de mim?”, perguntou, lembrando-se de que naquela manhã ela teria aula logo cedo.
“Não, pode ir você. Vou fazer mais café quando terminar de tomar este.”
Ao passar por ela, Brunetti se inclinou para beijar-lhe a cabeça, perguntando-se como sua mulher conseguia se manter gentil, e mesmo amistosa, com aquele ser resmungão em que ele se transformava de manhã. Ele aspirou o perfume de flores de seu xampu e notou que os cabelos um pouco acima das têmporas estavam levemente grisalhos. Era a primeira vez que o notava, e se inclinou para beijá-la novamente, trêmulo diante da fragilidade daquela mulher.
Quando chegou ao escritório, juntou todos os documentos e relatórios sobre a morte do maestro e começou a reler um por um, de ponta a ponta, alguns pela terceira ou quarta vez. Os relatórios traduzidos do alemão, com sua excessiva preocupação com o detalhe — como a lista dos objetos levados da casa de Wellauer nos dois assaltos —, verdadeiros monumentos à eficiência germânica, eram de enlouquecer. A sua quase total falta de informação sobre as atividades do maestro, pessoais ou profissionais, durante a guerra, também evidenciava uma habilidade igualmente germânica em escamotear uma verdade simplesmente ignorando-a. Consi derando a personalidade do então presidente da Áustria, Brunetti era obrigado a reconhecer que a tática era bastante eficiente.
Fora o próprio Wellauer que descobrira o cadáver de sua segunda esposa. Antes de se enforcar no porão, ela dera um telefonema a uma amiga convidando-a para tomar um chá, atitude que traía uma mescla de macabro e de mundano que perturbava Brunetti toda vez que lia o relatório. A mulher se atrasou e só chegou depois que Wellauer já tinha encontrado o corpo e telefonado para a polícia. Isso significa que ele podia muito bem ter encontrado, e destruído, qualquer coisa que ela pudesse ter deixado — um bilhete, uma carta.
Paola lhe dera o telefone de Padovani e lhe disse que o jornalista pretendia voltar a Roma no dia seguinte. Sabendo que as despesas do almoço podiam ser lançadas em seu relatório de gastos como “entrevista com uma testemunha”, Brunetti ligou para Padovani e o convidou para almoçar no Galleggiante, um restaurante de que gostava muito, mas a que raramente podia ir. Padovani concordou em encontrar com ele à uma.
Ele ligou para o escritório de tradução e pediu que a tradutora encarregada dos documentos em alemão fosse procurá-lo. Quando ela chegou, uma jovem a quem costumava cumprimentar nos corredores do edifício, ele lhe explicou que precisava ligar para Berlim e que precisaria de sua ajuda se seu interlocutor não falasse inglês ou italiano.
Brunetti ligou para o número que a sra. Wellauer lhe dera. Depois do quarto toque, uma voz de mulher atendeu rispidamente — os alemães sempre lhe pareciam ríspidos. “Steinbrunner.” Passou o fone para a tradutora e entendeu o que ela falou o bastante para deduzir que o médico não estava em casa, que era para onde tinha ligado, mas no consultório. Fez sinal para que a tradutora fizesse a ligação seguinte e a ouviu explicar quem era e por que estava ligando. Ela ergueu a mão pedindo que esperasse, passando-lhe depois o telefone. Brunetti pensou que acontecera um milagre e que o dr. Steinbrunner estaria atendendo à chamada em italiano. Em vez de uma voz humana, ele gastou vários segundos ouvindo uma música melosa e insípida que atravessava os Alpes num telefonema pago pela cidade de Veneza. Ele passou o telefone para a tradutora e ficou observando-a batucar ao ritmo da música enquanto esperava.
De repente ela aproximou mais o telefone do ouvido e falou alguma coisa em alemão. Pronunciou mais algumas frases e depois voltou-se para Brunetti. “A recepcionista está transferindo a ligação para ele. Ela disse que ele fala inglês. Quer falar com ele, então?”
Ele aquiesceu. Pegou o telefone, mas fez sinal para que ela ficasse. “Espere para ver se o inglês dele é tão bom quanto o seu alemão.”
Antes que conseguisse terminar a frase, ouviu uma voz profunda do outro lado da linha. “Aqui é o doutor Steinbrunner. Posso saber com quem estou falando?”
Brunetti se apresentou e fez sinal à tradutora de que podia ir embora. Antes de ir, ela se inclinou sobre a mesa e empurrou em sua direção um bloco de notas e um lápis.
“Sim, comissário, em que posso ajudá-lo?”
“Estou investigando a morte do maestro Wellauer e a esposa dele me falou que o senhor era muito amigo dele.”
“Sim, era. Minha mulher e eu éramos amigos dele há muitos anos. Sua morte foi um choque para nós.”
“Não tenho dúvida quanto a isso, doutor.”
“Eu queria ir ao funeral, mas minha mulher está muito mal de saúde e não pode viajar, e eu não queria ir sem ela.”
“Tenho certeza de que a senhora Wellauer entende a sua situação”, disse ele, surpreso com o caráter internacional das banalidades.
“Falei com Elizabeth”, disse o médico. “Parece que ela está reagindo bem.”
Alguma coisa no tom de voz de Steinbrunner levou Brunetti a comentar: “Ela pareceu-me um pouco... Não sei como dizer. Tive a impressão de que ela não queria que eu falasse com o senhor, doutor”. Como o médico não respondeu, ele acrescentou: “Talvez a morte ainda seja recente demais para ela querer se lembrar de tempos mais felizes”.
“Sim, é possível”, respondeu o médico secamente, como se pensasse que a verdade era bem outra.
“Doutor, posso lhe fazer algumas perguntas?”
“Claro.”
“Examinei a agenda do maestro e vi que nos últimos meses ele se encontrou com o senhor e com sua esposa muitas vezes.”
“Sim, jantamos juntos umas três ou quatro vezes.”
“Mas algumas vezes ele se encontrou só com o senhor, de manhã bem cedo. Imaginei que se tratasse de um encontro profissional — isto é, que ele procurou o senhor como médico e não como amigo.” Depois de uma pausa, acrescentou: “Doutor, se me permite, posso saber se o senhor é...”. Ele parou, não querendo ofendê-lo perguntando se era apenas clínico geral. “Desculpe-me, esqueci a palavra em inglês. Pode me dizer qual a sua especialidade?”
“Nariz, ouvido e garganta. Mas principalmente garganta. Aliás foi por causa disso que vim a conhecer Helmut, há anos. Há muitos anos.” A voz dele ficou mais calorosa ao dizer isso. “Sou conhecido aqui na Alemanha como o ‘médico dos cantores’.” Brunetti se perguntou se ele se surpreendera de ter que informar alguém disso.
“Ele o procurou porque algum de seus cantores estava com problemas de voz? Ou ele próprio?”
“Não, ele não tinha nenhum problema de garganta ou de voz. Na primeira vez ele quis que almoçássemos juntos, mas para falar sobre uma de suas cantoras.”
“Depois disso, doutor, houve outros encontros matinais, anotados na agenda.”
“Sim, encontrei-me com ele duas vezes. Na primeira, ele veio ao meu consultório e me pediu que o examinasse. Uma semana depois, dei-lhe o resultado dos exames.”
“Pode me dizer que resultados foram esses?”
“Antes de responder, pode me dizer por que acha que isso é importante?”
“Parece que o maestro estava muito preocupado, angustiado com alguma coisa. É o que me disseram várias pessoas com quem conversei aqui. Por isso estou tentando descobrir o porquê disso e saber de tudo o que pudesse estar influenciando o seu estado de espírito.”
“Não consigo ver que importância isso poderia ter.”
“Doutor, estou tentando descobrir o máximo sobre o estado de saúde dele. Lembre-se, qualquer informação que obtiver pode me ajudar a descobrir o responsável por sua morte e fazer que seja punido.” Paola costumava lhe dizer que a única maneira de convencer um alemão era invocar a lei. A rapidez com que o homem reagiu parecia provar que ela tinha razão.
“Sendo assim, tenho todo o interesse em ajudá-lo.”
“Que tipo de exame ele fez?”
“Como lhe disse, ele não tinha nenhum problema de voz e de garganta. Visão perfeita. Havia, contudo, uma pequena perda de audição, e fora isso que o motivara a submeter-se aos exames.”
“E qual foi o resultado desses exames, doutor?”
“Como já disse, uma pequena perda de audição. Mínima. O tipo de coisa que se pode esperar num homem de sua idade.” Imediatamente o médico se corrigiu. “De nossa idade.”
“Quando o senhor o examinou, doutor? Os encontros registrados na agenda são de outubro.”
“Sim, foi nesse mês, sim. Tenho que consultar minhas anotações para lhe dar as datas exatas, mas foi mais ou menos nessa época.”
“E o senhor se lembra exatamente do resultado dos exames?”
“Não, não lembro. Mas com certeza a perda era de menos de dez por cento, do contrário eu me lembraria.”
“E uma perda significativa, doutor?”
“Não, não é.”
“É perceptível?”
“Perceptível?”
“Ela poderia interferir em sua atividade de regente?”
“Era exatamente o que Helmut queria saber. Eu lhe disse que não se tratava de nada muito grave, que a perda mal podia ser mensurada. Ele confiou na minha palavra. No mesmo dia, porém, tive que lhe dar outra notícia, e essa o perturbou.”
“De que se tratava?”
“Ele me encaminhou uma jovem cantora porque ela estava tendo problemas vocais. Descobri que ela estava com nódulos nas cordas vocais que deviam ser removidos cirurgicamente. Disse a Helmut que ela só poderia voltar a cantar seis meses depois. Ele estava querendo que ela cantasse com ele em Munique na primavera, mas seria impossível.”
“O senhor se lembra de mais alguma coisa?”
“Não, nada em especial. Ele me disse que quando voltasse de Veneza iríamos nos encontrar, mas entendi que seria um encontro social, em que nossas mulheres também estariam presentes.”
Brunetti percebeu uma leve hesitação na voz do inter locutor e perguntou: “Mais alguma coisa, doutor?”.
“Ele me perguntou se eu conhecia alguém em Veneza que pudesse recomendar. Um médico. Eu lhe disse que deixasse de ser bobo, que estava saudável feito um cavalo. Se ele ficasse doente, a ópera conseguiria os melhores médicos. Mas ele insistiu, queria saber se eu podia indicar alguém.”
“Um especialista?”
“Sim. Terminei por lhe dar o nome de um médico a quem eu tinha consultado algumas vezes. Ele dá aulas na Universidade de Pádua.”
“Seu nome?”
“Valerio Treponti. Ele tem um consultório particular na cidade, mas não tenho o seu telefone. Helmut não me pediu o número, contentando-se com a indicação do nome.”
“O senhor lembra se ele anotou o nome?”
“Não, não anotou. Na verdade, na ocasião pensei que ele estava sendo apenas teimoso. Além do mais, a verdadeira razão do nosso encontro era discutir o caso da cantora.”
“Uma última pergunta, doutor.”
“Sim?”
“Das últimas vezes em que o viu, o senhor notou alguma mudança nele, algum indício de que estava ansioso ou preocupado com alguma coisa?”
A resposta de Steinbrunner só veio depois de um longo silêncio. “Talvez houvesse alguma coisa, mas não saberia dizer o quê.”
“O senhor perguntou a ele sobre isso?”
“Esse tipo de pergunta ninguém ousaria fazer a Wellauer.”
Brunetti conteve-se para não dizer que uma amizade de quarenta anos permitiria isso. Em vez disso, ele perguntou: “O senhor tem alguma ideia do que poderia ser?”.
O silêncio do médico foi tão longo quanto o anterior. “Acho que tinha algo a ver com Elizabeth. Foi por isso que não perguntei nada a Helmut. Ele sempre se mostrou hipersensível no que dizia respeito a ela, à diferença de idade entre eles. Mas talvez o senhor possa perguntar a ela, comissário.”
“Sim, doutor. Pretendo fazer isso.”
“Ótimo. Mais alguma coisa? Se não, tenho que voltar aos meus pacientes.”
“Não, nada mais. Foi muita gentileza de sua parte falar comigo. O senhor ajudou muito.”
“Espero que sim. Espero que consiga descobrir o cul pado e que ele seja punido.”
“Pode estar certo de que farei o que puder para isso, doutor.” Brunetti disse isso para ser gentil, sem acrescentar que estava interessado em descobrir o culpado e não se preocupava nem um pouco quanto à punição. No entanto, talvez os alemães encarassem a coisa de outro ângulo.
Logo em seguida, Brunetti ligou para a telefônica e pediu o número do doutor Valerio Treponti, em Pádua. Quando conseguiu ligar para o consultório, disseram-lhe que Treponti estava em consulta com um paciente e não podia atender o telefone. Brunetti explicou quem era, disse que era urgente e que iria esperar na linha.
Enquanto esperava, aproveitou para folhear os jornais do dia. A morte de Wellauer saíra dos grandes jornais do país; estava presente no Gazzetino, na segunda página da segunda seção, porque estava sendo criada uma bolsa com seu nome no conservatório de música.
Houve um pequeno estalido na linha e ele ouviu uma voz profunda e sonora. “Treponti.”
“Doutor, aqui é o comissário Brunetti, da polícia de Veneza.”
“Já me disseram. O que o senhor deseja?”
“Gostaria de saber se no mês passado o senhor atendeu um paciente alto, já idoso, que falava italiano muito bem mas com sotaque alemão.”
“Que idade ele tinha?”
“Cerca de setenta anos.”
“O senhor está se referindo a um austríaco. Como é o nome dele? Doerr? Sim, acho que é Hilmar Doerr. Ele não era alemão; era austríaco. Na verdade, não faz muita diferença. O que o senhor gostaria de saber sobre ele?”
“O senhor pode descrevê-lo, doutor?”
“Tem certeza de que é importante? Tenho seis pacientes na sala de espera e tenho que estar no hospital dentro de uma hora.”
“O senhor não poderia descrevê-lo para mim?”
“Já não descrevi? Alto, olhos azuis, na casa dos sessenta, setenta.”
“Quando o senhor o atendeu?”
Brunetti ouviu, do outro lado da linha, uma voz dizer alguma coisa. Depois não ouviu mais nada, porque o médico cobriu o fone com a mão. Passou-se um minuto, e então ele voltou, parecendo ainda mais apressado e impaciente. “Comissário, não posso falar com o senhor agora. Tenho coisas importantes a fazer.”
Brunetti ignorou a objeção. “O senhor pode me receber hoje, doutor, se eu for ao seu consultório?”
“Às cinco da tarde. O senhor terá vinte minutos. Aqui.” Ele desligou antes que Brunetti pudesse lhe perguntar o endereço. Com toda a paciência, tentando manter a calma, ele discou novamente e perguntou à mulher que atendeu se podia lhe fornecer o endereço do consultório. Quando ela o fez, Brunetti agradeceu com toda a gentileza e desligou.
Ficou por alguns instantes pensando em qual seria a melhor maneira de ir a Pádua. Patta, ele o sabia, requisitaria um carro, um motorista e talvez uma escolta de dois motociclistas para o caso de haver muitos terroristas na estrada. O posto de Brunetti lhe dava direito a um carro, mas como queria economizar tempo ligou para a estação a fim de saber o horário de partida do próximo trem para Pádua. O trem para Milão lhe permitiria chegar ao consultório do médico às cinco. Ele teria que ir diretamente para a estação depois do almoço com Padovani.
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