No Rumo do Mundo de Regeneração
8. Em Pleno Campo de Batalha
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EM PLENO CAMPO DE BATALHA
T erminado o majestoso encontro, unimo-nos a alguns grupos emocionados, em grande expectativa de servir naquele momento extraordinário e caracterizados pelas incertezas que a pandemia estava deixando em toda parte por onde passava.
Em alguns países alcançava a linha máxima da contaminação para o natural recuo e até mesmo arrefecimento que já se podia perceber em alguns lugares.
As providências e recomendações dos órgãos de saúde geravam muitos conflitos, em razão da forma de cada governo considerar o recolhimento das pessoas em vigorosa quarentena ou a liberação controlada, a fim de evitar-se outros danos, os de natureza econômica.
Empresas sem patrimônio de sustentação começaram a demitir funcionários, gerando maior soma de dificuldades para a sustentação familiar, e caso a quarentena se prolongasse e a falta de produção alimentícia caísse, o surgimento de um novo problema.
Indivíduos perversos e organizações internacionais que sempre se contentaram com a desgraça dos países pobres começaram a semear insegurança, e os dias que viriam estavam semeados de sombras inquietas com ameaças de perturbação da segurança pública.
O esforço de todos nós tinha por impositivo demonstrar que o Amor de Deus nunca cessa, bastando que o necessitado se coloque em posição de beneficiar-se e saiba submeter-se às condições vigentes.
Infelizmente, porém, nesses momentos terríveis, aventureiros desumanos aproveitam-se para ganhar benefícios ilegais.
Os intrigantes políticos, sempre desinteressados do povo que os elegeu e agora o trai de forma cruel, movimentavam-se nas casas de leis, especulando vantagens, comportando-se de forma turbulenta, enquanto a morte continuava ceifando as vidas deixadas em plano secundário.
Após ouvirmos diversos grupos de diferentes áreas do país, retornamos preocupados à nossa sede de trabalho para mergulharmos na ação que não poderia ser postergada.
Todos estávamos conscientes das magnas responsabilidades que nos diziam respeito.
Em profundo silêncio de meditação, recordei-me de quando Jesus chamou os amigos e os enviou, dois a dois, à Galileia e seus arredores, a fim de prepararem o solo para a ensementação do Evangelho.
Guardando as distâncias próprias, éramos os Seus novos discípulos visitando os grupamentos que O iriam receber.
Uma onda de alegria desconhecida me invadiu o ser, e assim que chegamos à nossa sede, busquei o repouso com a imaginação incendiada de expectativas e ansiedades.
O dia abençoado raiou brilhante em convite à ação do bem em triunfo. Jamais as sombras logram vitória, porque basta um raio de luz para diluir a treva, assim como o exemplo de amor para vencer os bastiões da ignorância e ali implantar as bênçãos da esperança e da paz.
Permanecia a psicosfera densa e cinza-escura, que nos confirmava o desequilíbrio dos pensamentos humanos.
As conversações, com as compreensíveis exceções, eram de baixo nível, algo que a sociedade se acostumara com facilidade, entremeando os diálogos com expressões chulas, num modernismo vulgar, típico da vida moral de cada qual, e o número de Espíritos viciosos, vulgares, zombeteiros e vingadores era expressivo, preocupante. A grande maioria havia sido libertada das regiões de pânico e expiações sórdidas, facultando que essas populações antes prisioneiras dos refúgios punitivos pudessem agora conviver com os reencarnados de mais ou menos mesmo quilate emocional, dando vaza a vinculações perigosas, por se tratar de um outro tipo de epidemia, a de natureza moral.
Os grupos humanos invariavelmente se encontravam enleados nas teias mentais e emocionais desses desencarnados que se lhes agudizavam as preocupações, os problemas em que se encarceravam de natureza servil.
Certamente, outros grupos destacavam-se, formando uma psicosfera saudável, demonstrando que no pântano os lírios são mais perfumados e que uma faixa imensa da sociedade mantém valores éticos e comportamento compatíveis com as suas crenças religiosas, todas muito respeitáveis, ou mesmo filosofias comportamentais edificantes.
Na Comunidade onde nos hospedamos, podíamos distinguir perfeitamente a aura brilhante dos dedicados trabalhadores, como de um grande número de assistidos que se mantinham vinculados à beleza, aos aspectos sadios da existência.
O setor educacional infantil era o que ostentava mais belas vibrações e mesmo considerando-se que quase todos os estudantes e beneficiados dos setores de atendimento vinham do bairro muito pobre e violento, onde os vícios mais cruéis não se compadeciam de ninguém, notamos Espíritos nobres interessados na sua formação de cidadania, inspirando os professores, mesmo aqueles com menor interesse pelo trabalho, que o conduziam como um fardo desagradável.
A diretoria providenciava constante contato com excelentes educadores, que anelavam por uma grade escolar bem trabalhada e própria para a existência futura dos alunos, víamos que estes se encontravam muito bem inspirados e lutando em favor de uma educação completa e não apenas da instrução quase desdenhada pelos próprios professores.
Infelizmente, ainda não se desejou compreender que a educação é a alma da vida para todas as criaturas e que é o instrumento mais valioso da existência humana para o êxito e o progresso do ser humano e do mundo em geral.
Também notava o ódio de alguns obsessores vinculados a crianças que pareciam ter distúrbio de aprendizagem, autismo, agressividade, sendo mais atenazados pelos seus adversários que tentavam impedi-los de desenvolver-se, tornando-se difíceis de serem mantidos nas salas de aulas.
Porque a Instituição sustenta suas bases na Doutrina Espírita, orienta os mestres e os educandos à terapia do Evangelho, aos passes e à água fluídica, resistindo a todas provocações dos perversos algozes.
Com o tempo, é claro, esses inimigos ferozes terminavam por modificar o comportamento, libertando suas vítimas, que passavam a cultivar ideais e objetivos superiores aos muito debatidos nos lares e bairros onde viviam.
Depois de assistirmos a um grupo de adultos que se beneficiava de passes matinais, rumamos ao hospital onde deveríamos continuar com a nossa atividade.
Quando chegamos, o movimento era inusual. Aquela manhã havia sido uma das mais severas, porquanto o número de pessoas com sintomas que pareciam proceder da Covid-19 aumentou significativamente, mas nem todos o eram, realmente.
Chamou-nos a atenção uma paciente afrodescendente que fora trazida em um táxi e apresentava sinais típicos da doença: febre alta com sudorese, tosse seca com tremores, dores de cabeça e muito perturbada.
Encaminhada à sala de atendimento, debatia-se contra os enfermeiros que a conduziam, afirmando estar muito bem e que a doença era de outra natureza... Pela aparência, tudo afirmava a contaminação, mas notamos a presença de um adversário desencarnado, que se lhe vinculava ao centro mental, irradiando as suas energias enfermiças ao aparelho respiratório, que desciam pelo trato digestivo em sucessivas ondas escuras, que ela deglutia, constituídas por energia deletéria que exteriorizava um odor nauseabundo como de um cadáver.
Nosso irmão Spinelli convidou o nosso passista Cláudio, que lhe aplicou a bioenergia com unção e conseguiu desalojar o vampirizador, deixando-a quase extenuada, com abundante sudorese.
Atendido pelo irmão Eudalbo que o manteve em seu campo vibratório, após explicar-lhe a providência tomada, ele reagiu informando que estava perfeitamente consciente do que estava acontecendo e era o responsável pela sua doença, que vinha de uma bronquite crônica e exaustiva.
A paciente que apresentava condições de pobreza quase extrema, ao sentir-se livre da constrição a que era submetida pelo vingador, foi acometida de choro e lamento, abordando a sua situação de miséria econômica e social. Morava num bairro denominado Alagados, porque as águas das marés sempre inundavam o pântano onde se erguia a imensa área de pobreza e vergonha humana.
Examinada no momento, a febre parecia haver baixado um pouco, a tosse seca diminuiu, assim como o tremor do corpo; foi rotulada como provável portadora da Covid-19... Deram-lhe uma substância para tomar e voltar dentro de 14 dias...
Ela suplicou pelo internamento, pelo menos para poder comer, ter como descansar, chorou, implorou...
O irmão Spinelli aproximou-se de uma enfermeira e sensibilizou-a com palavras de compaixão. Ela tomou-lhe a mão e levou-a a uma saleta, oferecendo-lhe uma xícara de café com leite e uma côdea de pão.
Eu acompanhava o drama com lágrimas... Num mundo tão rico de extravagâncias e o tremendo vírus da fome igualmente estava matando.
A jovem aconselhou-a a ir para o seu barraco, onde estaria talvez mais garantida do que no hospital e conseguiu acalmá-la. O irmão Cláudio aplicou-lhe energia extraída da Natureza, mesclada com os seus fluidos de amor, e ela reanimou-se, logo saindo acompanhada pela pessoa que a trouxera.
O irmão Spinelli acercou-se do Espírito que permanecia agitado e falou-lhe com imensa doçura a respeito da sua influência obsessiva junto à paciente, que merecia compaixão pelo estado de penúria em que se encontrava e a situação de possível portadora do novo coronavírus...
Sarcástico e sem nenhum sentimento humano de misericórdia ou de amor, ele reagiu com violência:
– Isto é o mínimo que programo para submeter esta infeliz aos meus caprichos. Matá-la-ei em poucos dias, asfixiando-a por intermédio da doença e das minhas forças de ódio, aguardando-a cá, assim que chegue, antes mesmo que se desembarace das carnes abjetas...
A um sinal, Cláudio acercou-se e aplicou-lhe energias entorpecentes, com movimentos especiais, e em pouco tempo ele adormeceu.
Foram chamados dois padioleiros que o transferiram para a nossa sede, para providências posteriores.
Fiquei perplexo ao observar que os pacientes que chegavam, invariavelmente, estavam acompanhados por Espíritos vulgares, alguns dos quais se adentravam na sala de consulta, enquanto outros, mais hábeis ou perversos, afastavam-se e ficavam em atitudes de deboche e sarcasmo em relação às pessoas que vinham ao nosocômio. Assim, aguardavam o resultado dos exames e prosseguiam no comportamento a que estavam acostumados. As suas interferências na conduta das pessoas eram visíveis e lamentáveis, parecendo que se nutriam reciprocamente um do outro. Logo entendi que era resultado da convivência habitual e da falta de disciplina mental do reencarnado, que se comprazia com esse tipo de companhia.
Era uma estranha azáfama, na qual predominavam as interferências espirituais.
Existiam, também, exceções, porém, em menor quantidade, em razão dos interesses humanos ali em jogo ou em alternativa de saúde e doença.
O hospital, graças à sua finalidade, mantinha um grupo de Espíritos gentis que procuravam manter a ordem nos arredores, assim como na entrada. Havia umas catracas portadoras da capacidade de medir as vibrações dos desencarnados que se adentravam, assim evitando determinada ordem de Espíritos malévolos que não conseguiam acompanhar as suas vítimas e eram expulsos pelos guardiães da casa de saúde.
De vez em quando, percebia-se a notícia devastadora de que determinado paciente internado, ao realizar o exame específico, constatou a infecção. Ao choque da notícia, a esperança, de alguma forma remota, de que a cura já estava sendo possível.
Mesmo durante o dia era possível observar o surgimento de raios luminosos que saíam da Terra em direção do Infinito. Eram as preces dos servidores fiéis do Evangelho, das mães abnegadas e famílias dedicadas ao bem, dos seres resignados e dos trabalhadores da linha de frente, especialmente enfermeiros e auxiliares de enfermagem que, atentos aos cuidados que deviam manter, sempre eram surpreendidos pelo cansaço, pelo desconforto, pela angústia ambiental.
Num momento de conversação edificante, no jardim principal do belo hospital, o venerando Eurípedes, que, embora não pertencesse ao nosso grupo, visitava-nos diuturnamente, entreteceu considerações que nos surpreenderam.
Referia-se o apóstolo que se cogitava entre os meios de investigação científica a possibilidade de negar-se assistência médica às pessoas idosas, assim facilitando a diminuição de habitantes do planeta, uma das teses do comunismo...
A Humanidade já acostumada com a eutanásia, em determinados casos com a anuência do paciente, permitindo-se o odiento crime, agora estendia a medida à consumpção dos idosos. Por outro lado, os suicídios assistidos por médicos, legalizados em diversos países, igualmente facilitam o estudo e o interesse da morte dos idosos. A ciência médica, tentando oferecer maior conforto às idades avançadas, parece que desagrada ao grupo de assassinos legais, que veem na velhice somente decadência, e não sabedoria, nem ternura, nem afeto, nem conquista de valores para a própria imortalidade.
Desse modo estranho e extravagante, há quem defenda a ideia de deixar morrer o paciente idoso, ante a presença de um mais jovem que necessitar da UTI, dando ao médico o divino poder de selecionar quem deve ou não viver, como tem ocorrido com governos arbitrários e sandeus.
A notícia de nossa presença espiritual cooperando no hospital passou ao conhecimento de outras comunidades de desencarnados, e, naquela tarde, fomos buscados por abnegado benfeitor para um atendimento especial.
Tratava-se de um drama familiar. Um grupo constituído pelos pais idosos e dois filhos, respectivamente com 23 anos, a filha, auxiliar de enfermagem, e um irmãozinho de 16 anos.
A auxiliar de enfermagem conduziu ao lar o vírus terrível, sendo ela assintomática, e contaminou o irmão e os pais. Primeiro os pais apareceram com os sinais da doença, que foi confirmada, e internaram-se; logo depois, o irmãozinho também. O genitor estava com 62 anos, e a mãezinha com 54 anos.
O senhor era portador de um distúrbio cardíaco e sofria muitas alterações na pressão arterial, e não foi bem-sucedido no tratamento da Covid-19, sucumbindo por falta de aparelho para auxiliar na respiração.
A esposa teve alta, dias depois. Nem ela nem a filha puderam ver o desencarnado, ficando muito abatidas com a ocorrência da enfermidade e o sofrimento do enterro, praticamente em uma vala comum.
Ainda não se haviam refeito do choque, quando o irmãozinho começou a apresentar os terríveis sintomas que confirmaram a doença.
Nessa angústia e desespero, a irmãzinha fez conflito de culpa, acreditando-se haver sido a responsável pela morte do pai e agora pela possível perda do irmão jovem, que se encontrava em estado lamentável.
A informação que nos deram é que se estava preparando para suicidar-se e, por efeito do desespero, atraiu algumas Entidades perversas que acompanhavam a história da família e desejavam auxiliá-la a realizar o autocídio.
Fomos em grupo, de modo que pudéssemos auxiliar outros enfermos, aplicando-lhes os passes benéficos e animando-os com vibrações edificantes.
Encontramo-la na unidade de terapia intensiva, que estava quase lotada com pacientes portadores de outras enfermidades e, inclusive, o novo coronavírus. Todos os pacientes estavam entubados, inclusive o jovenzinho.
Em uma análise rápida, o Dr. Eudalbo verificou que o jovem não teria resistências nem forças imunes para vencer o vírus devorador. Encontrava-se com os pulmões dominados pela virose perversa e, apesar do aparelho, a sua era uma respiração difícil, entrecortada. Já tinha as marcas do anjo da desencarnação numa palidez impressionante, resultado do depauperamento das forças. A medicação aplicada, em fase experimental – enquanto se discutia nas casas de leis qual a melhor aplicação para atenuar o quadro ou salvar o paciente –, produzia sequelas a que o organismo não resistia. A morte era iminente num quadro muito doloroso de asfixia.
A irmãzinha tentava pedir-lhe que reagisse e desejasse a cura, mas em razão de múltiplos problemas espirituais na família, o assessoramento espiritual era lamentável, em face da presença de dois Espíritos que o vampirizavam com crueldade.
O irmão Cláudio aplicou passes que conseguiram romper os liames perispirituais, afastando ambos os exploradores das poucas energias do rapaz, e Spinelli encarregou-se de dialogar com eles, conduzindo-os a uma sala próxima, acompanhado pela nossa Amália, cuja mediunidade bastante sensível produziu a fixação de ambos ao seu perispírito.
Outros pacientes também estavam em situação semelhante, vitimados por acompanhamentos perniciosos, e a sala transpirava energias mefíticas exteriorizadas por pacientes, alguns médicos e auxiliares de enfermagem, desacostumados às fixações espirituais mais elevadas.
Alguns demonstravam cansaço e temor, cuidando-se mais em detrimento daqueles que os necessitavam.
Após haver fixado os sofredores vampiros de formas repugnantes nos fluidos da nossa médium, o jovenzinho começou a agitar-se angustiosamente.
Nesse momento, alteando a voz, Spinelli pôs-se a orar profundamente comovido.
Houve uma parada cardiorrespiratória, e os desencarnados detiveram-se, enquanto o corpo médico e auxiliar continuou as atividades, sem dar-se conta do que ocorria fora da sua esfera ambiental, agora com uma desconhecida energia que os envolveu.
As palavras de súplica do mentor ao Divino Médico das almas ressoavam canoras e vibrantes, e percebemos uma aragem benéfica que limpava as construções tóxicas e alcançava os desencarnados, alguns tomados de emoção até às lágrimas, logo mais, respirava-se um ar saudável. Alguns amigos espirituais surgiram e, de imediato, começaram a auxiliar todos os pacientes com bioenergia especial saturada de plâncton e clorofila, carreados por uma brisa muito suave, trazendo-os do mar e das árvores vetustas do jardim. Miríades de pontos luminosos pequeníssimos entravam pelas janelas e portas, dando-me conta que o hospital estava sendo beneficiado pela Excelsa Misericórdia do Sublime Terapeuta.
O ambiente fez-se menos desagradável e, nesse momento, o abençoado mentor que nos foi buscar começou a deslindar o Espírito do seu jovem e sofrido corpo.
Era mais uma vitória do vírus na sua missão de redimir a Humanidade dos seus graves delitos morais.
A irmãzinha não pôde extravasar o que estava represado no íntimo, porque o corpo foi de imediato retirado e colocado em um envoltório plástico e transferido para a necrópole, a fim de ser logo sepultado...
Coube-me a tarefa de acercar-me dela e, acariciando a área cardíaca, falar ao seu ser muito sofrido.
Nesse momento, ela não estava em sintonia com o adversário espiritual, porque percebendo a desencarnação do irmãozinho, envolveu-se numa linda oração da sua crença religiosa, de imediato atendida por uma jovem de elevados recursos morais.
Com a permissão da benfeitora desencarnada, inspirei-lhe coragem e fé, animando-a a cuidar da mãezinha, agora mais sofrida e solitária. A lembrança da genitora levou-a a um pranto convulsivo de compaixão e ternura que comoveu algumas colegas, que a conduziram para fora da sala, onde poderia acalmar-se ante o que se denominava como fatalidade.
Alguns minutos transcorridos e o jovem recém-desencarnado era conduzido a um outro núcleo hospitalar em nosso plano.
O Espírito responsável pelo nosocômio acercou-se-nos para apresentar os seus sentimentos de afeto e gratidão à nossa equipe, no que foi gentilmente acolhido pelo Spinelli, sinceramente emocionado.
Ele havia fundado o hospital enquanto na Terra, e, após a desencarnação, foi convidado a continuar administrando-o com esmero. Não havia sido religioso, mas era um crente fervoroso em Deus e, quando pensou na casa hospitalar um pouco mais de 40 anos passados, melhor compreendeu os Desígnios Divinos e a finalidade essencial da existência, que é a prática do bem.
Havia sido eminente mestre da Faculdade de Medicina, na qual ensinava Fisiologia e Cirurgia, demonstrando como a maquinaria orgânica não se explica a si mesma. Sempre que tentava uma laparotomia, deslumbrava-se com a ordem dos elementos que se transformam em vida, pensamento e ação.
Em consequência da sua existência médica missionária, conseguira muitos amigos que ora se encontravam cooperando do Mais-além com a casa de saúde.
Ficamos de atender, ainda naquele dia pelo amanhecer do próximo, a jovem auxiliar de enfermagem, libertando-a das tenazes que a empurravam para o suicídio.
Observei que aquele anoitecer estava algo nebuloso, de tal forma denso que transmudava a névoa, esparzindo odor tóxico de carne em putrefação que a brisa lenta tentava diluir.
Como o pensamento voltado para as viciações impregna o ambiente com o odor das vísceras orgânicas em decomposição!
Os amigos do nosso grupo experimentavam emoções variadas, em decorrência dos trabalhos a que cada um de nós se vinculava.
Chegando ao nosso reduto, passamos a fruir as ondas balsâmicas do amor e da caridade, das mensagens, como se uma aragem de luar formoso conduzisse o doce perfume de rosas desabrochando ao amanhecer.
“A mediunidade é uma experiência de amor na prática,
especialmente por ser posta a serviço de necessitados
totalmente desconhecidos, fazendo recordar o
ensinamento de Jesus sobre o dar com a mão direita sem
que a esquerda o saiba...”
Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco