No Rumo do Mundo de Regeneração

Divaldo Pereira Franco · Capítulo 3 de 21

Páginas do PDF

No Rumo do Mundo de Regeneração

2. Estabelecendo Tarefas

2

 

ESTABELECENDO TAREFAS

 

O nosso pequeno grupo era constituído por cinquenta Espíritos, logo sendo dividido em subgrupos.

De imediato, quando todos estávamos reunidos na sala nova, tomamos conhecimento do responsável pelas atividades que seriam distribuídas conosco.

Ele apresentou-se utilizando-se de palavras simples e sem referências que pudessem adorná-lo de valores que não interessavam.

Simpático, com a aparência de desencarnado aos sessenta anos, elucidou que se chamara Francisco Spinelli, de origem napolitana e que trabalhara no Espiritismo no Estado do Rio Grande do Sul.

A Doutrina Espírita fascinou-o desde quando veio residir em cidade relativamente modesta dos pagos gaúchos, acompanhado de irmãos devotados ao bem, que deveriam colocar no Estado sulino do Brasil os pilotis para a ingente obra de cristianização das massas.

Elucidou que até hoje continua vinculado a esse solo e aos corações que o habitam, mantendo intercâmbio constante, especialmente nas nobres atividades de unificação dos espíritas e das instituições orientadas pela Codificação Kardequiana.

Irradiava peculiar luminosidade, e o seu sorriso tranquilizador desenhava em sua face a ternura e a bondade do verdadeiro líder.

Foi proferida uma prece com unção especial e, logo após, leu-nos a pauta para o trabalho.

Com muita gentileza, apresentou a cada grupo o mentor encarregado das atividades no plano físico, elucidando que a jornada dizia respeito à preparação da Era Nova, cognominada como de Regeneração da Humanidade.

Unimo-nos todos dos diferentes grupos, enquanto os seus responsáveis aproximaram-se de delicada mesa e sentaram-se à sua volta.

Uma suave melodia, parecendo trazida por brisa muito delicada, criou uma psicosfera de paz e alegria interior que nos enriqueceu intimamente.

A Mãe-Terra, com os seus filhos em sofrimento, iria passar por uma rude provação, qual ocorrera em épocas transatas, sentindo no seio o clamor das multidões alcançadas pela enfermidade implacável que deveria convidar os seus habitantes a repensarem a respeito das questões transcendentes da existência orgânica.

O excesso de tecnologia, propiciador de conforto a grande número de residentes no corpo somático, era responsável pela decadência espiritual que se permitiam, exceção feita, naturalmente, àqueles que se vinculavam aos nobres objetivos da evolução.

Depois de comentários generalizados, o nobre irmão Francisco Spinelli anunciou que a Misericórdia Divina possuía várias opções para a promoção do planeta a nível superior de evolução, sem a necessidade das lágrimas, como várias vezes, no passado, havia ocorrido.

Nada obstante, as criaturas deixaram-se alienar pela busca da liberdade para o prazer, sem qualquer respeito pela Vida, nas suas sagradas manifestações.

O desrespeito à Natureza, com o envenenamento da atmosfera, dos rios e nascentes, enquanto o mar estava reduzido a depósito de desperdícios que vêm destruindo a sua fauna e flora, e o adensar da psicosfera geral pela emissão de ondas contínuas de ódio e de degradação moral, chegando a níveis brutais de conduta, com o aumento dos feminicídios e crimes de características primitivas, respondiam pela tragédia que então se aproximava do planeta querido.

Quando os seres humanos compreenderem que o mundo é feito de ressonâncias, os seus pensamentos e condutas obedecerão a diferente critério seletivo.

A tarefa que a todos nos estava destinada objetivava diminuir a intensidade da epidemia, agora se transformando em pandemia, pelo fato de encontrar-se espalhada pelo orbe planetário, em razão da facilidade de contágio, por decorrência dos múltiplos recursos de locomoção e transportes velozes que vencem as distâncias continentais.

Esse labor seria realizado através das construções espirituais nas regiões-foco de contaminação, auxiliando os indivíduos à manutenção de comportamento sereno, abstenção das extravagâncias que desconectam o equilíbrio emocional e as reflexões mentais no dia a dia existencial.

As comunidades que trabalhariam no Brasil, sob o comando de Ismael, obedeciam à programação específica, qual ocorreria nas diversas nações, conforme suas tradições e costumes, ética e confissões religiosas ou não.

Entidades elevadas que contribuíram para o progresso da Humanidade na área da saúde no passado participariam dos laboratórios de pesquisa, inspirando os seus devotados companheiros encarnados.

Outros Espíritos, igualmente especializados na área da saúde, hospedar-se-iam nos nosocômios tradicionais e improvisados, considerando-se o volume de pacientes que necessitariam de apoio e terapêutica especializada.

Seria um intercâmbio mental e emocional muito significativo entre os obreiros do Mais-além e os missionários do amor na Terra.

Alguns dos subgrupos permaneceriam numa das capitais do país, com especificidades nas regiões Sul, Centro e Nordeste, sob a supervisão de Eurípedes Barsanulfo, em homenagem à sua desencarnação em 2 de novembro de 1918, pela gripe espanhola.

O subgrupo no qual me encontrava permanecia na região Nordeste e contaria com a cooperação de Espíritos que mourejaram nessa área em sua última existência e, de alguma forma, são responsáveis pelas atividades superiores que dizem respeito a cada grupo social.

Ouvimos as considerações com respeito e emoção, porque se tratava de algo pior do que uma guerra, deflagrada a ação quase de improviso, embora as notícias sempre repetidas pelos comunicantes espirituais a respeito dos tempos chegados.

Ainda não se espalhara o terror, conforme iria acontecendo, com os estágios iniciais, de pico e de continuidade menor de contaminação.

Habituadas aos comportamentos liberais e irresponsáveis, autoridades invigilantes e infiéis aos deveres abraçados postergaram providências que deveriam ser urgentes, enquanto países europeus eram sacrificados, e ainda a má imprensa, imantada aos interesses sórdidos, procurava mascarar a realidade com fantasias, ou, sob o comando de organizações de corrupção, ao invés de orientar o povo, intimidava-o. Tal atitude era programada para facilitar ainda mais a desgraça social, os malabarismos em torno das leis violadas e da política assassina em que as criaturas humanas passavam a ser números e jamais pessoas...

Pode-se imaginar a frieza desses capitães do poder em toda parte, absolutamente conscientes da gravidade da pandemia, desfazendo-lhe os perigos reais, e outra parte, também dominada por outra classe de interesse, gerando pânico, mediante informações apavorantes e expedientes criminosos.

Era necessário que nos deixássemos conduzir por uma profunda compaixão não somente pelas vítimas da situação vexatória, mas principalmente pelos criminosos de colarinho branco,amealhando riquezas superlativas com a miséria e o sofrimento incalculável da Humanidade.

A desfaçatez das suas informações nos veículos de comunicação de massa e virtual provocavam mais inquietação que tranquilidade, enquanto tramavam transformar o padecimento de milhões em jogo de interesses políticos venais lucrativos para eles, sem se darem conta do perigo real que os ronda e aos seus familiares.

Em geral, o ser humano ainda transita pelo instinto de preservação da sua vida e dos seus bens, distanciado dos sentimentos de solidariedade humana e de deveres honoráveis.

A Deus rendemos graças pelos exemplos de indústrias, empresas de vária especialidade, famílias e pessoas verdadeiramente humanas, oferecendo-se para diminuir a tragédia do cotidiano, para ajudar nos comportamentos preventivos e nos cuidados em nome da ética, da civilização, do amor.

Os cristãos, especialmente os espíritas, sentiram-se convocados a contribuir com o devotamento e os recursos próprios para melhorar a situação dramática, num esforço de demonstrar a finalidade da existência na Terra e que o importante no mundo é a satisfação de servir, de ser irmão do sofrimento e poder diminuí-lo onde se homizie.

Mantendo a conduta nas diretrizes do Evangelho de Jesus na sua interpretação espírita, são mais responsáveis pelos atos nos momentos desta natureza, e estabelecem sintonia com as Forças Vivas do Universo e o Mundo transcendental, de onde vieram e para onde retornarão.

A gravidade que se constatava na pandemia devoradora era de alta responsabilidade, mesmo após a diminuição da sua virulência, nas vidas ceifadas, nas consequências do mundo que parou e tudo quanto constituía razão para lutar.

As demissões em massa dos servidores de toda natureza, pela falta do intercâmbio comercial, deixarão feridas morais, econômicas e humanas inimagináveis, com certeza levando pessoas desestruturadas ao suicídio, ao transtorno do pânico, aos denominados vícios sociais, do alcoolismo, do tabagismo, da drogadição... O medo, tornando-se um gigante para a alma, paralisaria as pessoas propensas à depressão e facilmente se lhes instalaria, ao tempo em que crimes inabituais iriam surgir ante as massas esfaimadas numa sociedade retalhada pelo sofrimento e pelas incertezas.

Nunca se haviam reunido fatores dissolventes de uma vez como naquele instante em que a pandemia começava o seu cortejo fúnebre e devastador.

Todos compreendíamos a seriedade do momento e a falta de estrutura emocional dos seres humanos, acostumados mais às leviandades do que às responsabilidades de alto coturno.

A dor dos irmãos terrestres chegara às nossas comunidades espirituais, conclamando-nos ao esforço de auxílio, à renúncia das próprias satisfações, a fim de que a fé na Divina Providência fosse restaurada e a solidariedade voltasse a reinar entre todos.

Mergulhados em reflexões, aguardávamos o anúncio para descer ao planeta amado e acender as luzes da esperança e da coragem, assim como a confiança em Deus e nos Seus mensageiros, encarnados e deslindados da matéria.

Foi-nos concedido retornar aos nossos lares e organizarmos o material de emergência para o mergulho nas névoas que envolviam a Terra.

Às 23h, reunimo-nos no local adrede assinalado para o ministério de amor e de caridade sob as bênçãos de Jesus.

Era uma noite transparente, e as estrelas pareciam sentir as nossas emoções, brilhando como gemas preciosas engastadas no Infinito em um grandioso espetáculo de luz e de paz.

“Um educandário nobre, um templo de fé, um laboratório

 

de pesquisas, quaisquer lugares onde se observem

serviços de edificação da sociedade são abençoados

redutos de amor e de construção do bem, preservado por

Espíritos gentis que são colocados como guardiões, para

evitar a baderna dos ociosos, burlões e perturbadores.”

Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco