No Rumo do Mundo de Regeneração
11. Os Justiceiros
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OS JUSTICEIROS
D urante todo o tempo, nosso grupo esteve em atividades no hospital, inclusive inspirando os terapeutas e auxiliando-os no esforço gigantesco de atender aos pacientes que estavam chegando em número expressivo.
Alguns eram reencaminhados ao lar, a fim de aguardar o pronunciamento mais significativo da doença, devendo retornar dentro de alguns dias, mas outros necessitavam de atendimento urgente.
Enquanto se discutia quais os medicamentos de urgência para aplicar, num terrível combate entre políticos infelizes, indiferentes ao sofrimento do próximo, os médicos tinham ordens perturbadoras dos diretores dos nosocômios, que ora atendiam as exigências de uma como de outra autoridade diferente.
Enquanto isso, uns pacientes pioravam e outros morriam... O desespero atingia as massas, e as vibrações que invadiam o hospital eram de muito baixo nível, fazendo parte a raiva, o medo, a insegurança e as paixões desoladoras.
Cumpria-nos inspirar os médicos na aplicação daquele remédio que estava dando melhores resultados, mesmo que pudessem apresentar depois algum efeito colateral. A verdade é que alguns medicamentos, embora não sejam os ideais, mesmo porque ainda não se pôde produzir uma vacina preventiva, que é a melhor solução, restabelecem os pacientes com mais rapidez. Se tomados aos primeiros sintomas, impedem o prosseguimento da virose, o que constitui uma verdadeira bênção.
Cada momento aplicado na ação de crescimento interior no cumprimento dos deveres retos constitui valiosa aquisição para o processo de crescimento interior.
Dessa forma, em atividades contínuas, com dias mais turbulentos e outros nem tanto, passamos o primeiro mês em nosso labor realizando as sessões mediúnicas para atendimento dos dramas obsessivos mais perturbadores, como também das agressões de baixo nível à nobre Instituição que nos albergava, acompanhávamos preocupados o desenrolar dos acontecimentos.
Enquanto baixavam os índices de contaminação em diversos países europeus, no Brasil a virose perversa encontrava campo aberto mais amplo para o seu mister.
Em reuniões sucessivas, o nosso irmão Spinelli apresentava os melhores caminhos para o nosso trabalho, e não descurávamos de manter contato com outros grupos espalhados pela nacionalidade brasileira, como também realizávamos reuniões de discussão de resultados, a fim de alterarmos comportamentos e tomarmos atitudes compatíveis.
Aprendíamos a cada dia como atender condutas tão diferentes numa sociedade em desenvolvimento, cujos valores éticos são sempre postos de lado em face dos interesses inferiores que predominam.
As comunicações virtuais ofereceram uma grande contribuição na propaganda das informações que necessitavam alcançar as massas. Mesmo aí, o mau uso que se passou a fazer desse notável instrumento de comunicação facultou prejuízos inestimáveis, levando o pavor a pessoas desequipadas de discernimento, a outras fracas na fé religiosa e na Humanidade, havendo campeonatos de fake news (notícias falsas) em que se destacam a difamação, a tragédia, as informações mais astuciosas e as denúncias que desarvoram os internautas.
Quando passar a imensa tempestade, teremos problemas muito graves no comportamento dos sobreviventes, com preferência em torno da autenticidade das informações e da dignidade humana. Transtornos emocionais e obsessivos, resultantes destes dias de isolamento social para aqueles que não estão acostumados com a vivência no lar e sempre optaram por festas, balbúrdias e ações constrangedoras, contribuindo para sofrimentos espirituais muito graves.
Nosso compromisso com o dever também incluía os cuidados de natureza preventiva em relação ao período vindouro, embora ainda demore um pouco de estabelecer-se, criando bases de segurança conforme o Espiritismo para servir de apoio à construção da nova ordem social.
O emérito Allan Kardec, fazendo uma análise quanto aos diversos períodos do Espiritismo, elucidou que o quinto e último seria o da renovação social, exatamente este a que nos estamos referindo.
No período de agravamento da doença e dos comportamentos, muitas pessoas surgiram desejosas de ajudar, mas sem preparo cultural e doutrinário, em nossos arraiais, utilizaram da Internet para apresentar consolo e diretriz, notícias do Mundo espiritual em mensagens destituídas de legitimidade, com maior objetivo de aparecerem, de chamarem a atenção para o ego, do que auxiliarem no esclarecimento e socorro aos necessitados.
Quaisquer notícias e oportunidade sempre oferecem espaço para os aventureiros que anelam pela promoção de si mesmos, sem nenhum compromisso com o Evangelho, formando grupos de desinformados e de inspirados pelas trevas, numa competitividade de uns contra os outros verdadeiramente lamentável.
É compreensível que isto aconteça, mas é muito preocupante constatarmos que nem mesmo o sofrimento nestes momentos desperta a sensatez, o respeito, a conduta severa e ideal.
Os interesses mesquinhos suplantam no indivíduo imaturo e o atiram às lutas doentias do exibicionismo e competitividade.
O espírita verdadeiro é discreto nas suas atividades, sempre vigilante com as suas más inclinações.
Faz questão de ser simples e gentil, poupando-se aos comentários elogiosos e nem sempre edificantes.
Tal ocorrência, no entanto, somente é possível quando se tem convicção da imortalidade da alma e do destino que cada qual está construindo para amanhã.
Especialmente os médiuns devem precatar-se de revelações de pavor, porém, sempre contribuindo em benefício da esperança e da paz, de modo a estimular todos a um comportamento digno, mesmo diante de situações muito embaraçosas. A fé verdadeira sempre está presente em todos os momentos no crente, orientando-o na direção do bem e da fraternidade que deve viger em todos os relacionamentos.
A atual pandemia tem isso, é uma grande instrutora das massas, mesmo quando propicia dores inomináveis. Mas se trata de precioso recurso da Vida a fim de demonstrar a transitoriedade do corpo e a perenidade do ser.
Mantendo em pauta os compromissos que nos diziam respeito, não deixávamos de atender o abençoado programa de desobsessão dos indivíduos, especialmente daqueles que se dedicam ao bem e atraem a animosidade dos Espíritos impiedosos e perversos, que se comprazem em afligir e degradar.
Observávamos, na Instituição onde nos hospedávamos, o esforço contínuo dos benfeitores espirituais, dirigido à imensa clientela que acolhia, mas principalmente aos responsáveis encarnados pelas bem dirigidas atividades do seu programa doutrinário fiel às diretrizes da Codificação.
Observamos, por exemplo, que o presidente, verdadeiro homem de bem, era perseguido com inclemência por um grupo de Espíritos que se denominavam como justiceiros.
Eram muitos aqueles que se homiziavam no grupo e se diziam injustiçados pela Divindade.
Através dos tempos, reuniram-se em uma comunidade de nível inferior, estruturando-se com os elementos de que podiam dispor, a fim de colimarem os objetivos que acalentavam nos sentimentos desvairados.
Imitando o Inferno tradicional, elegeram umas furnas próximas a uma região pantanosa, que eliminava miasmas doentios, portadores de elementos tóxicos da matéria em decomposição e de muitos elementos deletérios, baseando-se nas velhas informações religiosas do passado. Ali construíram recintos dedicados a punições, prisões terríveis, instrumentos punitivos, ambiente apavorante e elegeram os mais perversos entre eles para formarem o tribunal de justiça. Não lhes faltou a ideia infeliz de também organizar um tipo de polícia e, à semelhança do que se realiza no planeta, elaboraram técnicas de perseguição contínua em programas muito bem elaborados, com todos os detalhes que facilitam os constrangimentos e domínios sobre aqueles que têm o dissabor de serem eleitos pela sua alça de mira.
Quanto às suas vítimas resistentes pela oração e pela conduta, seguidas e vigiadas com grosseria e continuidade, dispuseram-se a interagir com elementos psicológicos e técnicos contra elas dirigidos, tornando-se uma organização maléfica de efeitos danosos contra a sociedade por um todo e os espíritas especialmente.
A questão contra os espiritistas fundamentava-se, normalmente, num sentimento de ódio espontâneo, porque nesses viam inimigos, isto é, pessoas que, dedicadas ao Mestre de Nazaré e à ética do amor, da verdade e do bem, arrastavam muitos daqueles contra os quais eram hostis. Investiam, portanto, com rancor e violência, atacando os seus calcanhares de aquiles, o ponto vulnerável que existe em todos nós, perseguindo-os com inclemência.
As Divinas Leis permitiam tal injunção, porque os obreiros do Senhor são ainda Espíritos em processo de expiação, de purificação de muitos agravos ao equilíbrio cósmico, que devem reajustar. Por sua vez, permaneciam amparados na medida em que se permitiam agir com elevação cristã ou não se deixavam induzir pelos antigos vícios, nos quais eram estimulados, ou pelas chagas morais resultantes do seu comportamento atual.
Muitos indivíduos possuem sentimentos nobres e desejam reabilitar-se, mas, por indisciplina e comodidade, não lutam com o mesmo empenho para superar as tendências primitivas e tombam nas armadilhas bem elaboradas desses estranhos personagens que se atribuem o direito do mal para a vitória e comando das vidas terrestres, uma das suas utopias, filha do orgulho e do horror.
Neste momento de aflições variadas, eles próprios, os justiceiros, denominaram o período como sendo de libertação, atacando com ferocidade os a quem chamavam adversários, muitos dos quais têm caído nas várias ciladas em que foram atirados, vitimizando-se por descuidos morais e espirituais.
Por outro lado, merece reflitamos que todos procedemos de um pretérito nebuloso em que a opção do erro foi a nossa constante, diante das incomparáveis bênçãos a que todos nos chegaram no transcurso do tempo.
Número expressivo que hoje está tentando refazimento nas hostes do amor e da Verdade, trazemos as chagas não cicatrizadas dos gravames que nos permitimos, mesmo quando advertidos e comprometidos em reencarnações formosas que não soubemos aproveitar.
Essa mancha no caráter abre campo vibratório para sintonizar com esses elementos maldosos, que, sem dar-se conta, são transformados em instrumento das Leis de Justiça, que fingem conhecer. Igualmente, estamos no momento anunciado para a mudança do planeta para ordem superior e nos encontramos informados muito bem deste período de transição para o mundo melhor. Enquanto nos renovamos e contribuímos para a mudança da psicosfera da amada Terra, nossa multimilenária genitora, teremos que melhorar vibratoriamente ou, alucinados e sem a decisão de avançar, sermos eLivross para outro domicílio em nosso Sistema Solar, conforme já vem ocorrendo.
Criminosos cruéis, liberados de regiões infelizes para desfrutarem de sua última oportunidade, estão renascendo desde há alguns anos e infectando mais o mundo, tendo a dita de poder escolher o melhor comportamento, o que equivale a dizer, o seu futuro espiritual.
Quando vemos a hediondez, o cinismo, os crimes disfarçados que os indivíduos vêm praticando, especialmente neste momento de luzes e sombras, não temos dúvida de que uma terrível geração de Entidades infelizes, quase demoníacas, encontra-se no cenário do planeta reencarnada, que ainda prefere a manutenção dos desaires e crimes hórridos em que se comprazem.
Leis absurdas elaboram, a fim de tornarem legítimos os tremendos e inomináveis crimes de destruição da família, de corrupção da juventude, de desrespeito à ética e a qualquer procedimento digno, em favor da leviandade e do mentiroso prazer sensual e degenerativo, levando a um retrocesso de conduta que já foi vencido pela evolução moral. É lamentável ver-se o vazio existencial, a falta de interesse das questões nobres da existência e a preferência pelas drogas, pelo sexo desalinhado, pela miséria e vitimismo, assim como a desconsideração por si mesmo, através de esportes suicidas, mas exaltadores da loucura egoica, ao lado das perversões e dos seus efeitos nos transtornos emocionais e doenças psiquiátricas que se permitem.
Retornados de regiões muito primitivas e sem qualquer princípio de equilíbrio e de ordem, estabelecem as mesmas regiões nos imundos recintos que vão habitar por espontânea vontade, agredindo-se e afligindo a sociedade com o seu estado de carência e de decomposição pessoal.
Verdadeiros fantasmas deambulam pelas ruas, saindo dos monturos, em busca de mais uma dose, enquanto outros estão em funções administrativas e são extravagantes, irresponsáveis, geradores das situações às quais os primeiros se atiram sem pensar.
Antigos soberanos e senhores poderosos na maldade e nas dissipações, devassos que degradaram nações e povoados, multidões e vassalos, soldadescas desarvoradas que incendiaram aldeias ou escravizaram outros povos, para se manterem na luxúria e na crueldade, voltam a administrar sob os mesmos estilos, inspirados por esses inditosos comparsas que estão no Além na condição de justiceiros.
A paisagem mental de todos eles, os na miséria econômica e os outros na moral, é densa e chocante, em face do número de vampiros que os assessoram, ovoides e outros indefiníveis demônios que a imaginação desequilibrada pode mentalizar e construir de maneira fluídica.
A limpeza espiritual, portanto, está sendo feita, já desde há algum tempo, agora no seu apogeu, sob o amparo da pandemia e de outras convulsões físicas do planeta em ordenamento das suas camadas e equilíbrio do seu eixo...
Logo depois, porém, o sol do amor voltará a brilhar, a ordem substituirá o desalinho, o bem que sempre existe sobrepujará qualquer tipo de maldade, e o ser humano, no seu habitat querido e feliz, cantará hosanas e loas ao Senhor de nossas vidas.
Cabe-nos, pois, agora e sempre, permanecermos vigilantes e ativos na ensementação dos valores que constituem e mantêm a vida em todas as formas de expressão.
Em consequência, a população espiritual do momento é compacta e constituída por muito sofrimento, esperando que as bênçãos do Consolador diluam as faixas densas de ódio e dor num amanhecer de alegria e ventura, conforme nos está prometido e assim será.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, foram destruídos alguns campos de concentração e de extermínio do nazismo, e se teve a ideia de que as pessoas voltariam à sensatez, ao equilíbrio. Entretanto, o monstro das guerras continuou destruindo vidas e culturas, novos campos de desespero têm sido criados, e os pensamentos de angústia, desespero e ausência de fé passaram a construir a psicosfera hoje mais intoxicada pelas edificações mentais dos desditosos variados.
Os intelectuais da desgraça coletiva das massas funcionam como antenas desses Espíritos que semeiam na filosofia as ideias de perversão, de anarquia, de destruição e de prazeres degradantes, aos quais se atiram os seus aficionados, e são responsáveis pelos infinitos males que corrompem a sociedade e os conceitos de viver.
Teledirigidos por Espíritos equivalentes, a eles semelhantes, que ficaram na Erraticidade, enquanto eles retornaram ao palco terrestre, são geradores dos infinitos problemas na Humanidade.
Felizmente, acima de todos eles, encontra-se Jesus e a Sua filosofia do amor, que corrige e ampara, sem nunca deixar a sós aqueles que O buscam na sua ânsia de serem felizes.
“A predominância dos instintos primitivos caracteriza
estes dias, porém, defronta os sentimentos de beleza e
amor que vicejam, embora muitas vezes asfixiados pela
crueza dos atormentados.
É certo que marchamos para a vitória da luz sobre a
escuridão, do equilíbrio sobre o destrambelho das
emoções, e a Vida está sempre encarregada de perpetuar-
se conforme o princípio insuperável da sua origem.”
Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco