No Rumo do Mundo de Regeneração

Divaldo Pereira Franco · Capítulo 17 de 21

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No Rumo do Mundo de Regeneração

16. Prosseguem as Providências

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PROSSEGUEM AS PROVIDÊNCIAS

 

E u continuava profundamente emocionado com tudo de que participara, especialmente com a coragem da fé e do amor do abnegado irmão Eurípedes.

Acercando-se de Spinelli, disse-nos:

– A visita fazia parte do nosso programa; nada, porém, deveríamos anunciar antes, em razão de muitas dificuldades que poderiam impedir a sua execução.

Neste momento, em diversos conglomerados dessa natureza, nossos grupos estão realizando algo semelhante e a continuar, por todo o planeta preparando os acontecimentos do futuro.

A mudança planetária será radical, porque o progresso é inabordável e ninguém pode detê-lo, porquanto está entre as maravilhosas Leis de Deus.

Que saibamos executar as tarefas que nos competem e servem de auxílio aos serviços de mais alta magnitude.

Logo ouvimos o resultado da visita dos engenheiros espirituais e de outros grupos que visitaram especificamente setores que lhes diziam respeito.

Eu não tinha ideia da hora em razão das sombras dominantes.

Sem identificar a origem, repentinamente percebemos uma claridade diáfana que se espraiava por toda parte, deixando-nos ver os pântanos à sombra das montanhas altaneiras.

Agora captávamos mais o coaxar dos batráquios com as lamentações humanas hórridas que escapavam das águas lodacentas entre papoulas-do-brejo, ninfeias, juncos e outras, com seus longos caniços...

Era um espetáculo comovedor e terrível, porque ali estavam afogando-se sem cessar muitos Espíritos infelizes. Nas bordas, alguns onzenários revolvendo a lama como se fossem lâminas de ouro, imundície que a sua mente viciosa enxergava de maneira diferente.

A luz branda que os permitia serem vistos constrangia-nos pelos seus aspectos horripilantes e degradações da forma da face. Os apelos eram em gritos e revolta, reclamações e justificativas. Também se agrediam mutuamente, num espetáculo deprimente e intérmino.

Surgiu do outro lado em que nos encontrávamos um grupo espiritual, formando uma fila indiana, que avançava pelo tremedal. Alguns carregavam lanternas antigas, que derramavam uma claridade avermelhada, enquanto outros seguravam redes brilhantes, que se destacavam nas sombras.

Spinelli esclareceu-nos que era a Rainha Santa Isabel de Portugal no seu ministério sublime de arrancar daquele paul os Espíritos que se encontrassem em condições de mudanças de vibrações, tomados pelo arrependimento e necessitados sinceros de amparo.

A figura da senhora deslizava à frente, adornada por um fio dourado sobre a cabeça e o pescoço, como uma auréola sublime.

Fizemos silêncio e, magnetizados pela beleza do amor, vimo-la e ouvimo-la dizer:

– Almas sofredoras que buscais a redenção!

Vossas súplicas estão sendo ouvidas.

A Magnanimidade do Pai Celestial e o Amor de Nosso Senhor Jesus Cristo chegam até vós, a fim de atenderem vossas necessidades de redenção.

Sabeis por que vos encontrais neste reduto de penitência e punição escolhido por vós próprios. Senti-vos cansados e arrependidos, compreendendo as ilusões do corpo frágil e putrescível ante o Espírito viciado e rebelde.

Vimos buscar-vos sob a ternura da nossa Mãe Santíssima, a Senhora dos Anjos, que se compadeceu das vossas dores.

Esta é uma oportunidade última que não deve ser desconsiderada, pois que logo mais uma chuva de mais rudes sofrimentos cairá sobre vós na grande mudança para outras paisagens mais primitivas.

O Pai, todo misericórdia, não deseja o aniquilamento dos maus, porém o desaparecimento do mal que ainda reside em nós.

Deveria haver um amplificador de voz para mim desconhecido, porque a emissão da nobre garganta era em um tom harmônico e musical, repercutindo em toda região, pois o número de cabeças que se erguiam das águas pútridas era cada vez maior, assim como os gemidos e brados de socorro.

A fila adentrava-se cada vez mais, enquanto ela falava iluminada, e numa ou outra oportunidade atirava uma rosa brilhante no escuro pântano, de imediato as redes brilhavam no ar e caíam formando claridade de pirilampos que pulsavam.

Os aflitos seguravam-se fortemente nos cordéis que as sustentavam, enquanto outras rompiam-se, devolvendo ao lodo o candidato que tentava libertar-se do local terrível.

Posteriormente, soubemos que estes que não logravam sair em verdade não estavam arrependidos, mas amedrontados, e as vibrações da teia salvadora não os seguravam por falta de energia correspondente.

Eram retirados, como na comum rede de pescar, e conduzidos por auxiliares preparados que os transferiam para macas e eram colocados numa área de grama acolhedora a regular distância. Dali eram transferidos para câmaras de recuperação próprias, reiniciando a existência malograda.

Continuava a canção de amor na dúlcida voz da Senhora da Caridade:

– Nunca podereis afastar-vos da verdade, que é semelhante ao ar que nutre o corpo, a onda que mantém o Espírito. Onde quer que vades lá a encontrarei com diferente indumentária verbal ou realidade inabitual, porque é o Psiquismo do Pai vitalizando o Universo.

Arrependei-vos dos vossos erros. Mergulhai no íntimo e lá vereis as razões das vossas dores, ouvireis a consciência clamar, enquanto a anestesiáveis com os vossos enganos e alucinações.

As Sublimes Leis não convêm com os desastres morais que praticamos, seja qual for a justificativa, sempre falsa.

Recomeçai, pensando em Jesus, no Seu Calvário e Sua dedicação total a nós, sofrendo sem motivo, somente para que pudéssemos compreender que a evolução é inevitável e a dor é um dos seus instrumentos.

Dai-vos a vós mesmos outra oportunidade. A grande noite, que se arrasta com pesadelos, já se dilui ao nascer de um novo dia, o da redenção.

Oferecemos o nosso amor maternal para que tenhais forças de libertar-vos das rudes paixões destrutivas que permanecem asfixiando-vos nos seus tenazes.

Agora é momento muito desejado.

Vinde pensando na libertação a fim de seguirdes o rumo da felicidade.

Jesus vos espera, e nós também.

À medida que a sua voz chegava ao lamaçal, as multidões aflitas escutavam alguns pensamentos de renovação, que lhes assomavam à mente e ao sentimento, diminuindo a densidade do chavascal, agora banhado por uma claridade que diminuía a densidade do lugar hórrido.

Detendo-nos a olhar o grupo de servidores, notávamos as luzes que conduziam, mas também o brilho que exteriorizavam com delicada tonalidade.

O espaço onde eram colocados os que foram alcançados pelas redes estava abarrotado em muito boa organização.

Ali mesmo se providenciava a aplicação de terapêuticas próprias, como passe, hipnose, palavras de acolhimento e transmissão de energias saudáveis com o objetivo de desencharcá-los dos miasmas de que se nutriam.

Logo depois, em veículos especiais que não pude bem identificar, assim como em macas, um grande número de pacientes foi transferido, e a benfeitora e o seu séquito desapareceram na claridade de onde surgiram.

Confesso que emoções incomuns visitavam-me, falando-me da grandeza do Amor do Pai Celestial e do Mestre Jesus, buscando as ovelhas tresmalhadas e aprisionadas nos sofrimentos sem paredes.

Lágrimas desciam-me pela face, em oração sem palavras, que expressavam gratidão e entrega total ao Amor sublime.

Fomos alertados de que outros membros que estavam conosco demandavam os seus núcleos de serviço e que também era chegada a hora de retornarmos à nossa sede.

Não havia em nenhum de nós qualquer cansaço, mas um sentimento de profundo carinho por tudo e todos, que não sabíamos explicar.

Alguns minutos depois, alcançamos nosso lar temporário.

Amanhecia vagarosamente. Os primeiros raios de sol coloriam as nuvens escuras, que pareciam correr perseguidas pela luz.

Eram muitas experiências incomuns que necessitavam ser carinhosamente guardadas para reflexões posteriores e aplicação futura.

Alguns de nós optaram pelo repouso, enquanto preferi aguardar a chegada do Astro-rei, que iluminava o novo dia.

O movimento espiritual em nossa Comunidade era expressivo. Participantes de atividades mediúnicas retornavam ao corpo ou seguiam em direção ao Mais-além.

Dentro em breve, os residentes despertaram e as atividades tiveram início, porque o trabalho faz parte do progresso e é bênção de Deus para o desenvolvimento intelecto-moral das criaturas humanas.

Nesse comenos, o amigo Spinelli acercou-se-me e, com o semblante sério, que expressava alguma preocupação, fez uma síntese feliz da atividade de que participáramos e elucidou:

– Necessitamos comunicar aos bons trabalhadores reencarnados em chamadas de advertência o que vem ocorrendo em nossa Esfera causal. Convidá-los à manutenção de comportamento moral severo e à ação da caridade como normativa de equilíbrio existencial.

A maioria dos espiritistas tem conhecimento da gravidade destes dias e está esclarecida quanto às mudanças profundas que se estão apresentando à sociedade terrestre. A transição planetária vem sendo trabalhada com afinco desde o fim do século passado, e a luta entre o dever e a negligência, assim como os testemunhos espirituais que a todos quase afetam, representa o significado do momento cada vez mais grave.

Como vimos, algumas comunidades infelizes da Erraticidade inferior equipam-se de legiões para invadir os grupamentos sociais e penetrar nas organizações humanas, criando situações embaraçosas e perturbadoras, com dissídios, agressividade, obsessões coletivas e descida moral pelas valas desditosas das condutas irrefreadas.

Não faltam em nossos grupamentos doutrinários do Espiritismo adeptos invigilantes que ainda não se permitiram influenciar moralmente pelos maravilhosos conceitos emanados da Codificação. Não raro, quando por ocasião das advertências sobre conduta moral ou relacionamento, comentarem que há muito exagero nas informações que procedem da nossa Esfera de vida. Outros, mais afoitos, rotulam-nas de animismo, quando são gentis, ou acusam com facilidade de tratar-se de mistificação de Espíritos zombeteiros ou mesmo dos médiuns... E preferem adotar as “modas”, as “novidades de comportamento”, denominando os fiéis como ortodoxos e a eles mesmos como evoluídos...

Todos irão fatalmente desencarnar e constatarão de visu, arrebanhados pela realidade que se negaram aceitar.

O benfeitor sorriu numa expressão de quem lamenta ocorrência de tal natureza e continuou:

– Somos, quase todos, devedores ante as Leis Soberanas da Vida, portanto, sujeitos aos impositivos da evolução. O Espiritismo repete Jesus, e a Sua Mensagem encontra-se ínsita em todos postulados com que os embaixadores do Evangelho compuseram a Codificação com a sensatez e o equilíbrio de Allan Kardec.

Como é natural, a revelação é sempre lenta, e passado o período, chamemos revolucionário, da sua apresentação e divulgação nos séculos XIX e XX, chega o momento da vivência das suas elucidações e máximas, exigindo de todos nós grande seriedade e devotamento nos “negócios do Senhor”.

É inegável o desenvolvimento intelectual, industrial da civilização, nada obstante se chafurda no crime e no desdém às questões ético-morais, considerando-as ultrapassadas e indignas por não se ajustarem à nova ordem de devassidão em nome da igualdade, da aceitação de tudo, para não passar como perturbador da ordem e fanático...

Somos todos, inevitavelmente, inspirados por seres equivalentes às nossas aspirações e sonhos.

O certo e inevitável é que todos devemos preparar-nos para amar e servir sem medida e sem dimensão. A dor atinge-nos a todos mais cedo ou mais tarde, e os indivíduos fortes e líderes da desordem, quando atingidos pela fatalidade dos acontecimentos, rebelam-se, tombando na depressão ou na revolta, nas drogas aditivas ou no suicídio direto.

O amigo preocupado fez uma pausa, deixando-se banhar pela claridade solar, e após um suspiro jovial concluiu:

Façamos a nossa parte e, como o apóstolo Paulo, cumpramos o nosso dever.

Vamos trabalhar!

Seguimos ao hospital e ali encontramos um verdadeiro caos, com informações ilegítimas, condutas estranhas e pacientes que chegavam em estado deplorável, necessitados de serem atendidos na unidade de terapia intensiva, superlotada, com falta de aparelhos para facilitar-lhes a respiração, mediante a entubação, enquanto o Anjo da Morte os arrodeava e alcançava algum em situação mais dolorosa.

O único recurso de que dispúnhamos eram os passes aplicados por Cláudio, que se desdobrava, enquanto Eudalbo assistia os mais desesperados.

Aumentara significativamente o número de Espíritos perturbadores e obsessores tentando ampliar o sofrimento das suas vítimas, somando à Covid-19 os seus fluidos pestíferos que lhes ampliavam a falta de ar e a lucidez mental, levando os padecimentos ao desespero e angústia.

Certamente, Espíritos generosos também eram vistos atendendo a diversos outros, cujas vibrações de fé e esperança na oração facilitavam o concurso de familiares e benfeitores desencarnados.

Adentrei na UTI e pude acompanhar o socorro de equipes espirituais de nosso plano, auxiliando os pacientes a não sofrerem interferências morbíficas, ao mesmo tempo sendo atendidos com imenso carinho.

As orações adentravam-se no recinto como suaves melodias cujas vibrações envolviam aqueles aos quais eram direcionadas.

Movimentavam-se também auxiliando médicos e enfermeiros, aqueles benfeitores anônimos expostos, muitos dos quais não puderam fugir à fatalidade da contaminação e viriam a desencarnar em todos os lugares...

Preparávamo-nos para seguir à Instituição que nos albergava, quando um Espírito de elevada condição moral aproximou-se-nos e solicitou ao amado Spinelli a sua cooperação e a do nosso grupo. Ele deveria realizar um tratamento especial em favor de um paciente que recém-chegara àquela unidade de urgência e necessitava desse socorro.

Carinhosamente atendido pelo benfeitor, expôs em breves palavras que se tratava de uma revigoração de energias com a finalidade de ampliar-lhe o tempo no corpo físico.

Dirigimo-nos com ele ao enfermo, que já se encontrava entubado e quase em choque. A respiração era-lhe muito difícil e entrecortada, com o organismo desgastado em convulsões periódicas. O pavor da morte dominava-lhe a face suarenta e a asfixia minava-lhe as últimas resistências físicas. O Espírito debatia-se nas escassas energias em dolorosa angústia.

Devotado enfermeiro ajudava-o e orava com fervor em seu benefício, irradiando vibrações saudáveis, que se mesclavam com as que eram eliminadas em tonalidades mais baixas e quase sem vitalidade.

O benfeitor que acorreu em seu favor solicitou ao nosso passista que lhe aplicasse a bioenergia no chacra coronário, enquanto o Espírito em lento processo de desprendimento adormeceu, sendo colocado em um leito do nosso campo espiritual.

De imediato, vimos um equipamento especial que terminava em dois tubos transparentes tendo duas agulhas na parte final. Aplicada uma delas na artéria do braço esquerdo, passou a derramar um líquido quase vaporoso que vinha de um recipiente colocado acima e transparente, no qual víamos os fluidos em movimentação, mesclando-se para alcançar uma unidade, desde que pareciam ser diferentes individualmente.

Eudalbo, nosso passista, igualmente se deitara ao lado do enfermo e tivera o braço direito, na mesma artéria, aplicado com a outra agulha que levava a sua energia vital ao vasilhame acima.

Concomitantemente, pareciam descer num tubo com maior calibre energias diferentes, entre as quais as carreadas pela Natureza, cuidadosamente canalizadas para o referido recipiente. Mais tarde, soubemos que se tratava de energias de árvores frutíferas das proximidades e do plancto do mar...

O especialista abriu-lhe o peito e trabalhou em algumas artérias com o objetivo de desbloqueá-las, massageou o coração, havendo logrado êxito.

Nesse ínterim, o fluxo sanguíneo visível movimentava-se no ritmo equilibrado da saúde.

O atendimento prosseguia, quando o enfermeiro que assistia o doente pôs-se a pedir socorro ante a parada cardíaca e de imediato começou a golpear o peito, seguido por choques elétricos.

O órgão delicado volveu a sua sístole-diástole para a alegria do jovem auxiliar.

A parada, no entanto, fora provocada desde o nosso lado, enquanto haviam sido realizadas as terapêuticas de desobstrução e a aplicação da energia no órgão vital.

Cessada a aplicação das forças vitais que lhe prolongariam a existência, foram retirados os tubos e tomadas providências específicas que o acalmaram, diminuindo a aflição anterior graças ao respiradouro que o auxiliava com segurança.

Uma hora depois, o enfermo apresentava sinais visíveis de recuperação, a caminho de posterior recuperação.

Ele acabara de receber moratória da existência física em razão de atividades de benemerência a que se dedicava e das orações dos seus beneficiários, que intercediam à Providência Divina em seu favor.

Logo após, soubemos que o excelente benfeitor era o doutor Carneiro de Campos, cuja existência fora um Evangelho de feitos cirúrgicos que salvaram vidas incontáveis durante a jornada terrestre.

Estava ali com a sua equipe dando prosseguimento aos labores exercidos na Terra, que a desencarnação não conseguiu interromper.

As emoções a todos nos tomaram, constatando sempre a presença do Amor e da Sabedoria do Pai Celestial.

Imediatamente, após breves comentários, rumamos para o nosso grupo, onde nos aguardava a programação central da nossa agenda.

“A luz brilha mais

quando a treva

é mais densa.”

Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco