No Rumo do Mundo de Regeneração

Divaldo Pereira Franco · Capítulo 5 de 21

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No Rumo do Mundo de Regeneração

4. Estudo das Atividades

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ESTUDO DAS ATIVIDADES

 

N aquela mesma noite, elegemos a linda copa de uma árvore conífera e, sob o céu nimbado de astros refulgentes, fizemos a reunião de estudos a respeito das atividades que deveríamos desenvolver na Terra, durante os dias afligentes da pandemia.

Após uma oração silenciosa, em que nos nutríamos da exteriorização do prana e das árvores em festa de luar, o Dr. Eudalbo usou a palavra, esclarecendo-nos:

– Aqui estamos num grupo especial ao lado dos trabalhadores da luz e do amor, com o objetivo de auxiliar nossos irmãos em luta no processo da evolução.

Mais cruel do que uma guerra, a pandemia em tela ceifará centenas de milhares de vidas, algumas em razão do natural processo de mudança moral do planeta para mundo de regeneração, e outras que deverão partir para o exílio, após o período de convalescença nas respectivas comunidades às quais se vinculam.

Já não respirarão a atmosfera da Mãe-Terra, que envenenaram com o seu comportamento extravagante e rebelde.

Desde há alguns anos que os estudiosos em virologia identificaram em animais o que passou a ser denominado coronavírus.

Os vírus são um dos capítulos mais complexos entre os organismos que existem na Terra. Muitos desconhecidos até o século XIX, quando Louis Pasteur, estudando a raiva, constatou que havia um micro-organismo que era transmitido após a dentada do animal afetado e que não se tinha como melhor conhecê-lo. Iniciava-se, então, uma das mais belas investigações na busca da identificação dos agentes microscópicos das doenças. Embora mais tarde se haja constatado que alguns parecem com fitas simples e duplas, um pouco longas para as suas proporções, existem hoje mais de 200 mil desses terríveis agentes infecciosos.

A sua formação é muito simples na sua estrutura e posteriormente descobriu-se que podem ser manipulados em laboratórios, apresentando mutações que geram dificuldades imensas para que sejam fabricadas as vacinas que os podem dizimar.

Em si mesmos são inócuos, necessitando de células de que se nutrem e se reproduzem com uma velocidade impressionante, por isso são considerados como parasitas intracelulares.

No caso em tela, o novo coronavírus, assim denominado pela sua forma de coroa, é de fácil contágio direto, através das vias oral, nasal e ocular do futuro paciente.

As investigações logo concluíram que se pode evitar a contaminação, quase sempre através das mãos, que recebem as partículas de espirros, tosse, contato direto, mas que as lavando muito bem com água e sabão, complementando a higiene com álcool em gel, consegue-se matá-lo.

Mantendo-se a distância em relação aos enfermos, pode-se precatar do contágio, porque a sua existência é relativamente breve, especialmente em ambientes quentes e com as substâncias químicas do sabão.

Eis por que se recomendam cuidados especiais, a fim de evitar-se o contágio, facilitando a extinção ou pelo menos a virulência terrível.

Pelo fato de se levar os dedos, as mãos aos olhos, nariz e boca, ele passa para o outro organismo e se adentra na corrente sanguínea, na busca da célula que o alojará, especialmente do pulmão, e prossegue na sua multiplicação incessante, levando o paciente à asfixia e à morte.

Pode ficar incubado até quinze dias, e o melhor período para o seu tratamento é quando surgem os primeiros sinais do contágio. Em outras vezes, pode contaminar sem produzir sintomas, tornando o seu portador alguém que contagia e não sente nada.

Quando instalado no organismo humano, produz muitas dores e sensações estranhas, desgastantes e cruéis.

Os muitos detalhes técnicos não nos interessam, por não fazerem parte do objetivo dos nossos estudos.

Seus grandes comparsas são o pânico, a irreverência de não se acreditar na sua letalidade, questões imunológicas, outras doenças, particularmente o diabetes, derrames cerebrais, problemas cardíacos, e a idade avançada, pelos óbvios motivos da falta de resistência orgânica. No entanto, atinge a todos, nos mais diferentes níveis de vida, desde a infância, passando pelos diversos períodos cronológicos.

Estávamos sinceramente interessados em conhecer mais este adversário da vida física, que encontra energia mantenedora nas condutas morais e espirituais dos seres humanos.

– Curiosamente – ele prosseguiu com a voz calma –, não é fatal nos animais, que muitas vezes podem ser o seu veículo, como no caso do morcego, no histórico da tragédia atual.

O equilíbrio mental, a irrestrita confiança em Deus, a oração ungida de amor, os esforços de caridade dão origem a anticorpos que impedem a fácil contaminação. Assim mesmo, ocorrem alguns dolorosos e lamentáveis contágios em médicos, enfermeiros, familiares amados, em decorrência dos impositivos das Leis Soberanas da Vida.

Silenciando, o nosso amigo Spinelli esclareceu-nos:

– O nosso labor é de inspirar as pessoas às condutas saudáveis, ao abraço das diretrizes de segurança propostas pelas autoridades da saúde, manutenção do comportamento moral e da convivência doméstica, desenvolvimento dos sentimentos de solidariedade e respeito, cooperação e vinculação com o Mundo espiritual, desde que a viagem carnal é sempre temporária.

Desnecessário elucidar que, neste momento de provações coletivas e testemunhos programados pela Vida, abrem-se os portões das regiões espirituais de sombra e dor, onde os grandes sofrimentos lapidam os Espíritos desassisados que volvem à Terra e se entregam a vinganças infundadas, a perseguições dilaceradoras e estimulam crimes e condutas perversas.

Cruéis obsessões que não puderam realizar antes, agora se utilizam do mundo em desorganização para que seja piorada a situação psíquica dos seres humanos e prossigam sob as suas injunções penosas em processos de depauperamento das energias e desencanto das existências.

Teremos que unir a compaixão e a caridade ao amor que disciplina e à justiça que não falha, de modo a apressar esses dias, tornando-os menos tormentosos, em demonstração vigorosa da proteção de nosso Pai aos Seus filhos transviados da estrada que conduz à Verdade.

Estaremos numa guerra: a nossa, pela paz; a deles, os irmãos infelizes, pela loucura que agita as regiões infernais onde residem e terão que deixar, a fim de que a psicosfera do planeta seja beneficiada e possa alcançar um patamar de progresso mais elevado.

Lamentavelmente, as criaturas frívolas estão debatendo-se na revolta ante as injunções e regras impostas por autoridades inquietas, inseguras nas decisões corretas, disputando compensações nos cargos que exercem, sem a real preocupação com a saúde das pessoas. Estatísticas incorretas, atitudes e propaganda do mal se alastrando, mediante a urdidura de informações falsas, com o objetivo de colheitas extravagantes para ganhos absurdos, sementeira do pânico e, ao lado da enfermidade perversa, danos psicológicos de complexa recuperação.

À medida, porém, que haja a queda da infecção no seu auge, temos que pensar nas consequências quando se normalize a situação. Com certeza, não mais teremos dias semelhantes aos passados. Novos comportamentos serão necessários, inusitados instrumentos serão colocados a serviço da sociedade e o mundo novo sairá dos escombros deste que irá desaparecer inevitavelmente.

Fazemos parte dos trabalhadores que estão preparando o futuro para a Humanidade, nós mesmos de retorno ao planeta querido e, por isso, todo o esforço e abnegação fazem-se necessários para instalar o Reino de Deus na Terra em regeneração.

Como se contemplasse o futuro anelado por todos nós, o querido amigo sorriu com suavidade e adiu:

– Quantas bênçãos vertem dos Céus na direção das consciências humanas com o conhecimento da imortalidade da alma e das Leis que regem o Universo!

Podermos unir-nos aos irmãos reencarnados e transmitir-lhes coragem e valor nesta hora difícil e noutras mais graves que, possivelmente, virão é uma honra que reconheço não merecer. Diante, porém, da Divina Concessão, hei de empenhar-me para trabalhar nesta seara e vê-la verdejante e luminosa, abençoada pelo Mestre de Nazaré.

No silêncio de reflexão que se fez naturalmente, um dos nossos membros, o irmão Cláudio, que era especializado na aplicação da bioenergia e portador de valores inestimáveis, inquiriu:

– Certamente encontraremos a problemática virótica em almas emaranhadas em processos obsessivos sutis ou graves, entre tormentos físicos e psíquicos lamentáveis. Como deveremos nos comportar em nosso trabalho de equipe?

O nosso querido Spinelli respondeu, gentil:

– Os nossos irmãos enfermos são as heranças do Calvário de Nosso Senhor Jesus Cristo, que os traz até nós, os herdeiros do Evangelho, a fim de que, acima de qualquer labor, amemos como se fossem filhos do nosso coração.

Buscaremos acalmá-los com passes reconfortantes e inspiração que lhes possam socorrer, evitando os pensamentos autodestrutivos e de violência, que pioram o seu estado de enfermos.

Em muitos lares nos quais nos adentraremos, convidados pelo pensamento espírita, nos louváveis estudos do Evangelho, de modo a criar vibrações defensivas para a família, buscaremos inspirar a confiança em Deus e o trabalho de auxílio material, especialmente aos esfaimados e desiludidos do caminho, em pesadelos de largo porte.

Havia uma psicosfera de ternura e de paz entre nós, ansiosos como nos encontrávamos para o serviço no amanhecer do dia imediato.

Nosso diretor, constatando que não havia mais indagação e compreendendo que o tempo urgia, solicitou à nossa irmã Malvina, médium portadora de belas faculdades que sempre foram colocadas a serviço do bem, para que exaltasse o Amor perene de Jesus, encerrando as experiências do dia.

Ela fazia parte do nosso grupo de trabalho e estava preparada para atividades pertinentes às suas possibilidades de intercâmbio mediúnico.

A nossa Malvina desencarnara com menos de 50 anos de idade, vitimada por insidiosa tuberculose no Rio de Janeiro, onde trabalhara ao lado da abnegada Aura Celeste, nos abençoados anos do século passado.

Era a sua primeira excursão conosco abraçando o objetivo que nos unia e nos trouxe às paisagens queridas do planeta, aqui ficando por um largo período, enquanto se fizesse necessário.

Antes de ser espiritista, a querida amiga fora católica sincera e cantara no coro da igreja que frequentava, especialmente alguns solos durante as solenidades da sua crença religiosa.

A gentil servidora levantou-se e, com uma voz de cristal, cantou Ave Maria, de Gounod, a todos comovendo.

Encerrada a atividade, demoramo-nos um pouco contemplando a Natureza no seu esplendor de noite enluarada.

Deveríamos buscar os nossos aposentos, a fim de meditar e repousar o pensamento, a fim de atender os deveres que teriam lugar na madrugada próxima na Comunidade.

Estávamos eufóricos e em grande expectativa de logo iniciar as tarefas programadas.

“A pandemia é muito mais séria do que pensam ou agem

no planeta, explorando-a ou criando embaraços para a

libertação dos seus males. Os descuidos e desrespeitos aos

cuidados estabelecidos para evitar-se a contaminação têm

aumentado os prejuízos causados, e surgem ameaças para

a intemporalidade do seu término.”

Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco