No Rumo do Mundo de Regeneração
19. A Linha de Frente
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A LINHA DE FRENTE
E nquanto a pandemia ressurgiu no planeta, quando parecia em extinção, e uma segunda onda reapareceu com as mesmas perversas características, aproveitando-se das populações cansadas e rebeldes que teimavam em não saber aproveitar a ocorrência lamentável para a recomposição da economia de muitos países, as sequelas da enfermidade cruel, as revoluções sociais e morais surgiam no planeta simultaneamente com diversos países em total desajuste.
Em algumas dessas nações os jogos políticos interessados na sustentação dos seus partidos e dos seus membros, enriquecendo vergonhosamente, apareciam com violência em combates de aparente justiça, utilizando toda forma de repúdio a raças e etnias consideradas inferiores, a comportamentos tidos como alienados, formação de grupos reacionários e desrespeito a qualquer ética moral, assim como sistemática revolta contra as doutrinas religiosas, especialmente as denominadas cristãs.
Aparentando uma sede incomum, as pessoas experimentavam incontidos e sórdidos desejos de desordem e rebeldia, quais detidos por longo tempo, que agora podiam desfrutar a volúpia dos prazeres em abundância em aguerridos lances de extravagâncias.
Prevalecendo as forças motrizes do sexo em desalinho, em razão das mentes atormentadas por desvarios próprios de uma conduta que esteve retida quase à força, agora se apresentavam em torrentes de luxuria intérmina. As pessoas passaram a vivenciar na mente e nos atos toda forma de aberração, a fim de experimentar o que antes era considerado como imoral, perverso, abominável. Passou-se a divulgar e viver tudo que a mente propunha como experiência de vida.
Os seres humanos não eticamente preparados deixam-se consumir pelo gozo que não satisfaz e, em consequência, o número de deprimidos, frustrados, insatisfeitos, descontentes com a existência aumenta de maneira surpreendente, procurando soluções que estão dentro deles próprios, mas se negam a buscar no interior. É uma terapêutica pessoal, em que o paciente é o responsável por quase todo o esforço que deve ser investido na reconstrução do equilíbrio emocional.
Naturalmente, em razão dos baixos níveis psicológicos de anseios íntimos, essa alegria festeira e atordoante que oferece a ilusão do bem-estar, quando não encontrada, porque não existe, é uma ficção lúdica do período infantil que prossegue no adulto, faculta sintonia com os Espíritos do mesmo nível moral e passam a viver em conúbio obsessivo avassalador.
Eis por que são os desencarnados que influenciam os residentes no corpo físico à preservação desse estágio de vileza moral e morbidez de sentimentos, lutando com ferocidade contra os postulados da dignidade, da honradez e do proceder de acordo com as Leis da Natureza em ordem, fomentando a espiritualidade das paixões ancestrais do processo evolutivo.
As obsessões, em consequência, aumentam em escala surpreendente, de modo que na raiz de cada distúrbio e desconcerto encontramos o fenômeno da parasitose espiritual.
Estão ainda relativamente distantes os dias do amor e da decência que vigerão na Terra, a partir da grande mudança que se está operando, e um mundo de regeneração e ordem será estabelecido pelas próprias criaturas saudosas de paz e de equilíbrio, de ternura e respeito por si mesmas e pelo seu próximo.
As operações de transferência da área expurgatória para outra dimensão já tiveram início e podíamos ver máquinas, algumas das quais muito utilizadas na Terra em construções e demolições, programadas para alguns meses. Concomitantemente, os processos de reencarnação nos departamentos de seleção das comunidades produziam renascimentos em massa, quando os incidentes no mal teriam a sua oportunidade de libertar-se das pesadas mazelas íntimas e se adaptarem aos novos padrões de honra que já vigiam no planeta graças à evolução natural e ao Cristianismo restaurado nas bênçãos incomparáveis do Espiritismo.
Por efeito, a Doutrina dos Espíritos é vista pelas Entidades abomináveis como inimiga a ser combatida com todas as armas, de fora da grei para dentro e, principalmente, dentro das fileiras, onde as torpezas morais de cada um que ainda não se evangelizou são estimuladas ao dissídio, ao separatismo, à desunião, às ofensas recíprocas.
Precatem-se os sinceros trabalhadores do bem contra a maledicência, o amor-próprio, o egoísmo insano, as exigências de pureza exterior, as infâmias e acusações ao seu irmão na seara da fraternidade e da união.
Que se considerem aprendizes da Boa-nova e refugiem-se na Doutrina de amor, demonstrando em atos ao invés de palavras untuosas de autoengrandecimento.
Os verdadeiros servidores que merecem destaque são aqueles que servem de exemplo pelo que fazem em favor da Causa, e não aqueles que estão preocupados com as casas nas quais laboram e nas pessoas que as dirigem. Todos merecem nosso respeito e consideração, mas a liderança honorável encontramos em Jesus e no Seu discípulo Allan Kardec, bem como todos aqueles que se dedicam com abnegação e destemor.
Este é um momento muito grave na seleção da semente boa e do escalracho que medra facilmente na área que está sendo trabalhada.
Simplicidade de coração, pureza de sentimentos, abnegação no serviço e alegria na obra do Senhor são alguns dos requisitos que definem os verdadeiros servidores da última hora.
As tempestades provacionais rugem, os ventos devastadores sopram em todas direções, mas o verdadeiro espírita sabe a direção que deve seguir e a sinceridade da sua entrega Àquele que o convidou e o ampara.
Naqueles dias recebemos novos companheiros para o trabalho de mudanças que se integraram às equipes, enquanto nosso grupo permaneceu em atividade desobsessiva na sede em que nos hospedávamos.
Embora houvesse sempre atividades a atender, desde o início da nossa participação junto às equipes de médicos e paramédicos, que se dedicavam a atender a pandemia, chamou-nos a atenção o denominado grupo linha de frente –aquelas pessoas mais vulneráveis à contaminação, por diversas razões: a idade avançada, alguma enfermidade desgastante, os médicos e atendentes –, todos aqueles que lidavam diretamente com os enfermos ou que cuidavam da limpeza e manutenção do hospital...
A pouco e pouco, fomos acompanhando o contágio em diversos médicos que, embora atendidos de imediato, não resistiam e desencarnavam com as mesmas dores e aflições dos seus pacientes.
Estávamos diante do colossal programa de investimento na mudança vibratória dos habitantes da Terra e da própria morada que oferecerá melhores condições às futuras edificações da família universal unida.
Aqueles trabalhadores encarregados do socorro imediato e posterior, todos que trabalhavam sob o risco do contágio, por estarem mais perto dos enfermos, corriam mais risco de enfermarem que os demais. Qual a razão por que se encontravam expostos num exemplo de abnegação e fidelidade à profissão abraçada?
Conheciam os riscos e perigos expondo as suas existências ao vírus letal, mas muitos ignoravam e desconhecem que, ao contraírem a doença e desencarnarem, estão resgatando crimes que praticaram contra a Humanidade nos passados dias dedicados à ilusão...
Sempre haverá mártires, conscientes ou não, em todos processos evolutivos da nossa casa planetária.
Candidataram-se antes do berço para socorrer os irmãos, mesmo que ao preço alto da vida física e do Além-túmulo, para onde retornam sob carinhoso amparo, prosseguem auxiliando os demais enfermos nos diversos estágios da doença.
Fosse a sociedade mais consciente da sua origem divina e dos incontáveis recursos espirituais que podem auxiliar o ser humano a prosseguir na indumentária carnal, as forças dos dois planos da vida se uniriam em benefício da causa comum – a conquista do progresso moral! –, preservando-se, assim, do desgaste doloroso das condições inferiores de sofrimento, sendo mais saudável do que se encontra.
Todos nós, Espíritos interessados no bem da Humanidade, diligentemente estamos em contínuas tentativas de comunhão recíproca, evitando-lhe, assim, danos e amarguras mais afligentes.
No caso em tela, estamos ao lado de cada enfermo para confortar-lhe a alma, atenuar-lhe o pavor da morte e ajudá-lo, quando necessário, a libertar-se da realidade das células em decomposição para adquirir a harmonia essencial à felicidade.
De imediato ao decesso, conduzimo-los aos nosocômios espirituais onde se refazem e se recompõem espiritualmente.
A vida e os seus impositivos não cessam nunca. Tudo vibra, movimenta-se e desenvolve-se no Universo sustentado pelo Hálito Divino.
As nossas atividades nos acampamentos hospitalares de emergência no momento são muito complexas e bem diferentes daquelas que ocorrem nas unidades de terapia de urgência ou nos recintos menos favoráveis onde expungem as suas dívidas.
Credores do nosso carinho pelas lições de sacrifício a que se expõem, são aqueles que desencarnam enquanto salvam vidas que devem permanecer nas paisagens físicas.
Os que se recuperam nem sempre se recordam daquelas existências que se sacrificaram para que a sua pudesse permanecer... Eles propiciam tempo para que vacinas salvadoras possam ser conseguidas e superem as etapas experimentais para salvação do futuro, qual ocorre com anteriores epidemias e calamidades hoje sob controle.
Não podemos olvidar do estoicismo humanitarista do doutor Albert Bruce Sabin, que renunciou a quaisquer benefícios econômicos da patente da vacina a fim de banir da Terra o vírus da poliomielite, que ceifou milhões e deformou número incontável de vidas.
Graças à sua grandeza moral e renúncia, a paralisia infantil logo mais terá desaparecido, porque todos têm direito ao uso do medicamento salvador gratuitamente.
Quando os vieses políticos e os interesses econômicos cederem lugar ao amor e ao dever, aos direitos dos descobrimentos desses fenomenais auxílios dos laboratórios, a Humanidade estará no esplendor da regeneração.
Compreendíamos isso na clínica em que estagiávamos, auxiliando os médicos e seus enfermeiros no correto atendimento do produto que debela a doença e que tem ajudado grupos experimentais e servido de base para a ampliação terapêutica de combate à doença exterminadora.
Descem ao planeta, nestas horas amargas, verdadeiras legiões de Filhos da Luz, a fim de que o sol do amor continue diminuindo as sombras do egoísmo perverso e dominador.
Comentávamos a respeito do esforço dos nossos companheiros no auxílio aos irmãos comprometidos com a ignorância – vitimados por perseguidores cruéis que se comprazem em atormentá-los na etapa final –, em tentativas de libertá-los.
Afã semelhante aos hospitais sobrecarregados de pacientes na Terra, também cuidávamos do melhor atendimento ao número daqueles que desencarnavam necessitados de urgente socorro para evitar-lhes vários comprometimentos, entre eles o da vampirização...
A linha de frente do amor e da caridade se encontrava amparada ao máximo, mas alguns dos seus membros deveriam passar como cobaias para auxiliar o processo de entendimento da conduta do vírus, especialmente nos pulmões e coração...
Felizmente já se desenham na Terra técnicas para a medicina espiritual, na qual a terapia dos passes, da oração, da água magnetizada é recomendada aos pacientes, especialmente na área da cardiopatia.
Desse modo, os grupos em tarefas espirituais estão contribuindo eficazmente para a formação da sociedade fraternal e amiga que se pretende alcançar desde agora.
Numa visão espírita-cristã, todos nos encontramos na linha de frente, os irmãos encarnados, porque a desencarnação é apenas fenômeno orgânico de mudança de posição vibratória no rumo da imortalidade.
Esses mensageiros da esperança, que não se poupam aos esforços de atendimento aos seus pacientes e enfrentam a desencarnação com ética e grandeza moral, sem queixar-se dos fatores que lhes propiciaram o sacrifício humano, volverão ao mundo melhor, onde fruirão as bênçãos que ora agasalham, contribuindo em favor da saúde terrestre.
Como alguns se encontram comprometidos com longínquos ou próximos dias de alucinação, apresentam-se teleguiados pelos adversários aos quais não souberam conquistar e recebem como recompensa ao seu martírio a liberação desses enfermos espirituais que já não os alcançam psiquicamente em razão do seu labor em favor da Humanidade, mesmo que ignorando o gesto da morte resignada.
Num dos momentos em que nos encontrávamos juntos comentando exatamente esse tópico, nosso Eudalbo, que permanecia estudioso dos vírus no além da vida terrena, explicou-nos a gravidade que paira sobre a Humanidade, considerando alguns países que se têm dedicado a criar vírus perigosos ante a possibilidade de uma guerra biológica, utilizando-se dos estoques armazenados de muitos deles, que são mais poderosos do que quaisquer outros instrumentos de destruição convencional ou nuclear.
Com as atuais perspectivas filosóficas e morais que campeiam na cultura hodierna e a exaltação do crime, das perversões que incluem a legalidade de tudo que se pretenda fazer, não será difícil uma ruptura diplomática entre países com laboratórios poderosos e muito bem armazenados.
Dirigidos por homens e mulheres inescrupulosos que perderam o respeito a si mesmos e à Humanidade, por extensão a Deus e ao Espírito imortal que todos somos, num momento passam das ameaças bombásticas às ações covardes e subterrâneas, como talvez prefiram...
Enquanto os sentimentos humanos estiverem sob os conflitos da negação divina e as aberrações das filosofias de ocasião, destrutivas da dignidade e do equilíbrio da criatura em relação ao Universo e às suas Leis Soberanas, haverá a proliferação dos males que a mente propicia e os tormentos interiores necessitam para estar em constante variação até a cessação da vontade e o alheamento da realidade no abismo da cegueira espiritual.
Os nossos grupos, no entanto, visitavam as entidades hospitalares procurando auxiliar esses servidores devotados, encorajando-os e transmitindo-lhes forças nos momentos de desfalecimento pelas largas horas de vigilância e trabalho, que não lhes permitiam o repouso ou a renovação das energias.
Também havia os amigos especializados em atender os pacientes de emergência que necessitavam de entubação e os hospitais não dispunham de equipamentos em suficiência, aplicando-lhes os nossos recursos e afastando os seus adversários desencarnados que os pioravam com os seus fluidos tóxicos e as infelizes obsessões, sem qualquer espírito de humanidade ou de compaixão.
Nossos cuidados com os desencarnados da linha de frente era muito grande, a fim de que o despertar não os levasse ao desespero ou ao desânimo em razão das tarefas concluídas e que não tinham conhecimento durante a doença que os surpreenderam na ajuda aos delirantes e sem esperança.
Informávamo-nos com frequência das atividades em que se encontravam os subgrupos nossos, de forma que a harmonia devesse ser preservada em todos os momentos de ação e de estudos e planejamentos.
A ação de deslocamento das áreas que seriam transplantadas para outras dimensões continuava sem qualquer perturbação de um ou outro labor. Todas as equipes funcionavam sob a direção de sábios administradores e especialistas, o que nos oferecia uma sensação de paz e de alegria sob o magnânimo socorro de Jesus.
Os nossos compromissos nestes dias estão adstritos ao acompanhamento dos enfermos da Covid-19, simultaneamente aturdidos por interferências obsessivas.
Como nos encontramos sob os ataques programados pelos infelizes desencarnados para dificultar as ações do Cristo de Deus, nestes significativos dias de transição planetária, procuramos especializar-nos nas desobsessões e guardiães de áreas que devem permanecer sob especial amparo.
Em um momento de reflexão, nosso mentor explicou-nos que um simulacro de exército está na psicosfera do planeta inspirando muitos dos seus membros, ora reencarnados, nestas últimas levas preparatórias da etapa final, cuja sintonia permite que estabeleçam conflitos de comportamento entre minorias e a grande massa humana, para que se transforme em movimentos de violência. Pessoas que se equiparam de ódio no Além estão em muitos grupos de justiçapela igualdade de valores e de direitos, mas também deveriam ser de deveres morais e sociais, o que vem gerando batalhas diárias, qual uma bola de neve crescendo na sua descida e tudo levando de roldão. Entre estes, estão líderes fanáticos e ociosos, estimuladores de anarquia e baderna, a fim de estimular os tumultos e causar prejuízos incalculáveis. Afinal, muitos desses lutadores não têm objetivos superiores, mas simplesmente dispõem da ignorância e da impiedade para gerar e exaltar ânimos mais exacerbados.
Olvidam que o Senhor dos Mundos vela pelo Universo e as suas vitórias são semelhantes às de Pirro, de significação quase nenhuma.
Tudo se movimenta em direção à harmonia e todo movimento em contrário, após momentos de poder e glória, são consumidos pela marcha inexorável do tempo, que a todos arrebata pelo fenômeno da morte e das sucessivas reencarnações.
Cabia-nos, portanto, porfiar no mister em que nos especializávamos, dando mínima contribuição ao grandioso programa da construção do mundo novo.
As nossas reuniões mediúnicas além do corpo faziam parte da habitual programação das instituições espíritas, no mister de praticar a caridade mediante a iluminação de consciências e mudanças dos propósitos maléficos para o trabalho do progresso geral.
Agora, quando deveríamos programar o encerramento das nossas narrativas, no que tange ao novo mundo de regeneração, após as recomendações dos nobres programadores, continuamos auxiliando a implantação do bem em toda parte e disseminando o amor sob todas as formas possíveis, de modo que logo amanhecessem os dias de sol e de esperança.
Em a noite próxima teríamos uma avaliação por um dos responsáveis da nossa área e receberíamos novas diretrizes para o prosseguimento da nossa assistência enquanto a pandemia esteja como a grande selecionadora dos elementos humanos no empenho do bem.
“O Espiritismo deve ser vivido integralmente em todos os
instantes da existência humana pela transformação que
impõe ao seu estudioso, de maneira a torná-lo um cidadão
de bem, sempre atento aos seus deveres para com a vida.”
Manoel Philomeno de Miranda • Divaldo Franco