O Homem Duplo
Capítulo 12
12
Dois dias depois, Fred, desnorteado, observou o Holoescanner 3 quando seu suspeito, Robert Arctor, puxou um livro, evidentem ente ao acaso, de sua estante na sala de estar da casa. Tinha droga escondida ali?, perguntou-se Fred, e deu um zoom na lente do scanner. Ou um núm ero de telefone ou endereço escrito no livro? Ele pôde ver que Arctor não tinha pegado o livro para ler; Arctor acabara de entrar em casa e ainda estava de casaco. Havia um j eito peculiar nele: ao m esm o tem po tenso e deprim ido, num a espécie de urgência em botada.
As lentes de zoom do scanner m ostraram a página com um a foto em cores de um hom em m ordiscando o m am ilo direito de um a m ulher, os dois nus. A m ulher estava evidentem ente tendo um orgasm o; os olhos dela estavam entreabertos e a boca se abria em um gem ido m udo. Talvez Arctor estivesse usando a foto para ficar excitado, pensou Fred enquanto observava. Mas Arctor não deu atenção à foto, em vez disso recitou de form a chiada algo m isterioso, parcialm ente em alem ão, obviam ente para confundir qualquer um que o estivesse ouvindo. Talvez ele im aginasse que os am igos estivessem em algum lugar da casa e quisesse que eles aparecessem , especulou Fred.
Ninguém apareceu. Luckm an, com o sabia Fred por estar vendo os scanners por um bom tem po, tinha tom ado um m onte de verm elhas m isturadas com Substância D e desm aiou totalm ente vestido no chão do quarto, a alguns passos da cam a. Barris tinha saído.
O que Arctor está fazendo?, perguntou-se Fred, e anotou o código de identificação dessas seções. Ele ficava cada vez m ais estranho. Agora posso entender o que quis dizer o inform ante que fez a denúncia telefônica.
Ou, conj ecturou ele, aquelas frases que Arctor dizia em voz alta podiam ser um com ando de voz para um aparelho eletrônico que ele instalara na casa. Ligar ou desligar. Talvez até criar um cam po de interferência contra um a varredura com o essa. Mas ele duvidava disso. Duvidava de que houvesse nisso qualquer coisa de racional, prem editada ou significativa, a não ser para Arctor.
O cara está pirado, pensou ele. Está m aluco m esm o. Desde o dia em que descobriu o cefscópio sabotado — certam ente desde o dia em que chegou em casa com o carro todo fodido, fodido de tal form a que quase o m atou — ele vem pirando. E de certa form a antes disso, pensou Fred. De certa form a, desde o “dia da m erda de cachorro”, com o Arctor o cham ava.
Na verdade, ele não podia culpá-lo. Isso, refletiu Fred enquanto via Arctor tirar o casaco de um j eito cansado, acabaria com a cabeça de qualquer um . Mas a m aioria das pessoas pararia aos poucos. Ele não, ele ficava pior. Lendo em voz alta, para ninguém , m ensagens que não existem e em línguas estranhas.
A não ser que ele estej a m e enganando, pensou Fred com inquietude. De algum j eito, deduziu que está sendo m onitorado e está... acobertando o que realm ente está fazendo? Ou só brincando de j ogos m entais conosco? O tem po, concluiu ele, vai dizer.
Eu digo que ele está nos enganando, decidiu Fred. Algum as pessoas podem saber quando estão sendo observadas. Um sexto sentido. Não é paranóia, m as um instinto prim itivo, que um cam undongo tem , qualquer coisa que é caçada tem . Sabe que está sendo perseguido. Sente que está. Ele está fazendo essas m erdas para nós, para nos ludibriar. Mas não se pode ter certeza. Existem tram óias por cim a de tram óias. Cam adas e m ais cam adas.
O som de Arctor lendo obscuram ente acordou Luckm an, de acordo com o scanner que cobria o quarto dele. Luckm an se sentou, grogue, e prestou atenção. Depois, ouviu o barulho de Arctor deixando cair um cabideiro ao tentar pendurar o casaco. Luckm an deslizou suas pernas com pridas e m usculosas e, em um só m ovim ento, pegou um a m achadinha que m antinha na m esinha ao lado da cam a; ele se levantou e m ovim entou-se com a suavidade de um anim al até a porta do quarto.
Na sala, Arctor pegou a correspondência da m esa de centro e com eçou a repassá-la. Atirou um grande envelope de propaganda na lixeira. E errou.
No quarto, Luckm an ouviu isso. Ele se enrij eceu e ergueu a cabeça com o quem farej a o ar.
Arctor, lendo a correspondência, de repente franziu o cenho e disse: “Vou tom ar um a.”
Em seu quarto, Luckm an relaxou, baixou a m achadinha com um tinido, passou a m ão no cabelo, abriu a porta e saiu. “E aí? O que está rolando?”
Arctor disse: “Passei pelo prédio da May lar Microdot Corporation.”
“Tá de sacanagem com igo.”
“E”, disse Arctor, “eles estava recebendo um estoque. Mas um dos em pregados evidentem ente tinha seguido o estoque de perto. Então eles estavam todos lá fora, no estacionam ento da May lar Microdot Corporation, com um par de pinças e um m onte de lentes de aum ento. E um saquinho de papel.”
“Algum a recom pensa?”, disse Luckm an, bocej ando e batendo as palm as das m ãos na barriga reta e dura.
“Tinha um a recom pensa que eles estavam oferecendo”, disse Arctor. “Mas eles perderam essa tam bém . Era um a m oedinha m uito pequena.”
Luckm an perguntou: “Você vê m uitos acontecim entos dessa natureza enquanto dirige por aí?”
“Só no Condado de Orange.”
“Qual é o tam anho do prédio da May lar Microdot Corporation?”
“Uns três centím etros de altura”, disse Arctor. “Quanto você acha que ele pesa?”
“Incluindo os em pregados?”
Fred avançou a gravação rapidam ente. Quando se passou um a hora, de acordo com o m ostrador, ele parou por um m om ento.
“... uns cinco quilos”, estava dizendo Arctor.
“Bom , com o você pode saber, então, quando passa por lá, se só tem três centím etros de altura e pesa cinco quilos?” Arctor, agora sentado no sofá com os pés para cim a, disse: “Eles têm um a placa bem grande.”
Meu Deus!, pensou Fred, e novam ente avançou a fita. Parou apenas dez m inutos depois, por palpite.
“... com o é a placa?”, dizia Luckm an. Ele estava sentado no chão, lim pando um a caixa de erva. “Néon, essas coisas? Cores? Será que eu j á vi? É bem visível?”
“Olha, vou te m ostrar”, disse Arctor, colocando a m ão no bolso da cam isa. “Eu trouxe pra casa com igo.” Novam ente Fred avançou a fita.
“... sabe com o pode contrabandear m icropontos para um país sem que eles saibam ?”, estava dizendo Luckm an.
“Quase de qualquer form a que você queira”, disse Arctor, recostando-se, fum ando um baseado. O ar estava enevoado.
“Não, quero dizer de um a form a que eles não percebam ”, disse Luckm an. “Foi o Barris que m e sugeriu isso outro dia, confidencialm ente; eu não devia contar a ninguém , porque ele vai contar no livro dele.”
“Que livro? Drogas Caseiras Comuns e..."
“Não. Um jeito simples de contrabandear objetos para os EUA e outros países, dependendo do rumo que você tomar. Você contrabandeia o troço com um a partida de drogas. Com o faz com a heroína. Os m icropontos ficam dentro dos pacotes. Ninguém ia perceber, eles estão m uito pequenos. Eles não...”
“Mas aí um viciado ia tom ar um pico de m etade heroína e m etade m icropontos.”
“Bom , aí ele ia ser o j unkie m ais educado que você viu na vida.”
“Depende do que estava nos m icropontos.”
“O Barris tem outra m aneira de contrabandear droga pela fronteira. Sabe com o os caras da alfândega te pedem para declarar o que você tem ? E você não pode dizer drogas, porque...”
“Tá, com o?
“Bom , olha só, você pega um bloco enorm e de haxixe e cava um buraco no form ato de um hom em . Depois tira o m iolo de um a parte e coloca um m otor a vento, com o um m ecanism o de corda, e um a pequena fita cassete, e fica atrás dele e depois, pouco antes de ele passar pela alfândega, você gira a corda e vai até o cara da alfândega, que pergunta: ‘Tem algum a coisa a declarar?’, e o bloco de haxixe diz: ‘Não, não tenho’, e continua andando. Até que chega do outro lado da fronteira.”
“Você podia colocar um a bateria solar nele, em vez de um a m ola, e podia ficar andando por anos. Para sem pre.” “Que utilidade teria isso? Um dia ia chegar ao Pacífico ou ao Atlântico. Na verdade, ia andar pela beira da Terra, feito um ...”
“Im agina só um a aldeia esquim ó e um bloco de haxixe de um e oitenta de altura que vale... Quanto ia valer o bloco?”
“Tipo um bilhão de dólares.”
“Mais. Dois bilhões.”
“Os esquim ós estão m ascando couro e entalhando lanças de osso, e o bloco de haxixe de dois bilhões de dólares aparece andando pela neve dizendo sem parar: ‘Não, não tenho.’” “Eles iam se perguntar o que isso significava.”
“Iam ficar confusos para sem pre. Viraria um a lenda.”
“Dá para im aginar dizer aos seus netos: ‘Eu vi com m eus próprios olhos o bloco de haxixe de um m etro e oitenta aparecer da névoa ofuscante e passar andando, desse j eito, valendo dois bilhões de dólares, dizendo: Não, não tenho.’ Os netos dele iam m andar o velho ao m édico.”
“Não, olha só, as lendas crescem . Depois de alguns séculos, eles iam dizer: ‘No tem po dos m eus antepassados, um dia um bloco de haxixe afegão de alta qualidade, com uns trinta m etros de altura, valendo oito trilhões de dólares, apareceu, cuspiu fogo e gritou: Morram , cães esquim ós!, e nós lutam os sem parar contra ele, usando nossas lanças, e no final ele m orreu.”’
“As crianças não iam acreditar nisso tam bém .”
“Crianças nunca acreditam em nada.”
“É deprim ente contar algum a coisa a um a criança. Um a vez, um a criança m e perguntou: ‘Com o é que foi ver o prim eiro autom óvel?’ Que m erda, cara, eu nasci em 1962!” “Meu Deus”, disse Arctor, “um a vez teve um cara que eu conhecia, todo ferrado de ácido, que m e disse isso. Ele tinha 27 anos. Eu só era três anos m ais velho do que ele. Ele não sabia de nada, não sabia m ais. Mais tarde ele tom ou outras doses de ácido... ou o que ele vendeu com o ácido... e depois disso m ij ou e cagou no chão, e quando você dizia algum a coisa pra ele, tipo ‘Com o você está, Don?’, ele só repetia o que você tinha dito, com o um passarinho: ‘Com o você está, Don?”’
Silêncio, então. Entre os dois hom ens que fum avam um baseado na sala de estar. Um silêncio longo e som brio.
“Bob, sabe de um a coisa...”, disse Luckm an por fim . “Antigam ente eu tinha a m esm a idade de todo m undo.” “Acho que eu tam bém ”, disse Arctor.
“Não sei o que rolou.”
“É claro, Luckm an”, disse Arctor, “que você sabe o que rolou com todos nós.”
“Bom , não vam os falar nesse assunto.” Ele continuou inalando ruidosam ente, o rosto com prido am arelado à luz fraca do m eio-dia.
* * *
Um dos telefones do apartam ento seguro tocou. Um traj e m isturador atendeu, depois estendeu o fone a Fred.
— Fred.
Ele desligou os holos e pegou o fone.
— Lem bra quando você esteve no centro na sem ana passada? — disse um a voz. — Fazendo o teste FF?
Depois de um intervalo de silêncio, Fred disse:
— Sim .
— Você devia voltar. — Um a pausa depois disso tam bém . — Processam os m ais m aterial recente sobre você... Eu m esm o m e encarreguei de m arcar para você um a bateria com pleta de testes de percepção, além de outros testes. Está m arcada para am anhã, às três da tarde, na m esm a sala. Vai levar quatro horas no total. Lem bra o núm ero da sala?
— Não — disse Fred.
— Com o está se sentindo?
— Bem — disse Fred, estoicam ente.
— Algum problem a? Em seu trabalho ou fora dele?
— Eu briguei com a m inha nam orada.
— Algum a confusão? Está passando por algum a dificuldade para identificar pessoas ou obj etos? Algum a coisa que você vej a e pareça invertida ou ao contrário? E, j á que estou perguntando, algum a desorientação espaço-tem poral ou de linguagem ?
— Não — disse ele, carrancudo. — Nenhum a das anteriores.
— Vam os ver você am anhã na Sala 203 — disse o agente psicólogo.
— Que m aterial m eu vocês acharam que era...
— Vam os falar disso am anhã. Estej a lá. Está bem ? E, Fred, não fique desanim ado. — Clique.
Bom , clique para você tam bém , pensou ele e desligou.
Irritado, sentindo que eles o estavam provocando, levando-o a fazer um a coisa de que ele se ressentia, ele ligou os holos em m odo de im pressão outra vez; os cubos se acenderam com cenas coloridas e tridim ensionais anim adas. Das gravações de áudio m ais inúteis e frustrantes — para Fred — surgiu um a tagarelice:
“A tal garota”, disse Luckm an m onotonam ente, “acabou engravidando e se candidatou a um aborto porque quatro m enstruações não tinham vindo e era visível que ela estava inchando. Ela não tinha grana para pagar pelo aborto e não conseguiu assistência pública por algum m otivo. Um dia, eu estava na casa dela e um a am iga da garota dizia que ela só estava com um a gravidez histérica. ‘Você só quer acreditar que está grávida, tagarelava a garota para ela. ‘É um a trip de culpa e o aborto, e a grana preta que vai te custar, é um a trip de penitência.’ E aí a garota... eu gostava de verdade dela... olhou calm am ente e disse: ‘Tá legal, então, se é um a gravidez histérica, vou fazer um aborto histérico e pagar por ele com dinheiro histérico.”’ Arctor disse: “Qual será a cara na nota de cinco dólares histéricos?”
“Bom , quem foi nosso presidente m ais histérico?”
“Bill Falkes. Ele só achava que era presidente.”
“Quando foi que ele governou?”
“Ele im aginava ter governado em dois m andatos por volta de 1882. Depois de m uita terapia, ele passou a im aginar que só teve um m andato...”
Tom ado de fúria, Fred avançou nos holos m ais duas horas e m eia. Até onde ia essa porcaria?, perguntou-se ele. O dia todo? Para sem pre?
“... e aí você leva seu filho ao m édico, ao psicólogo e diz a ele que seu filho grita o tem po todo e tem ataques de raiva.” Luckm an tinha dois m ontes de erva diante dele na m esa de centro, além de um a lata de cervej a; estava exam inado a m aconha. “E m ente; a criança m ente. Inventa histórias exageradas. E o psicólogo exam ina a criança e o diagnóstico dele é: ‘Senhora, seu filho é histérico. A senhora tem um filho histérico. Mas eu não sei por quê.’ E depois você, a m ãe, m e sai com esta: ‘Eu sei por quê, doutor. É porque eu tive um a gravidez histérica.’” Luckm an e Arctor riram , e Jim Barris tam bém ; ele tinha voltado em algum m om ento naquelas duas horas e estava com eles, trabalhando no cachim bo de haxixe estranho, enrolando um a corda branca.
Novam ente Fred avançou um a hora inteira na fita.
“... esse cara”, dizia Luckm an, preparando um a caixa cheia de m aconha, curvado sobre ela enquanto Arctor estava sentado diante dele, m ais ou m enos olhando, “apareceu na TV afirm ando ser um im postor fam oso no m undo todo. Ele disse ao entrevistador que de vez em quando fingia que era um grande cirurgião da Faculdade de Medicina Johns Hopkins, um físico teórico que pesquisava partículas subm oleculares de alta velocidade com um a verba federal em Harvard, um rom ancista finlandês que ganhou o prêm io Nobel de literatura, um presidente deposto da Argentina casado com ...”
“E ele se deu bem em tudo isso?”, perguntou Arctor. “Ele nunca foi apanhado?”
“O cara nunca bancou nada disso. Nunca bancou nada, a não ser que era um im postor m undialm ente fam oso. Isso apareceu depois no Tim es de Los Angeles... eles verificaram . O cara é gari da Disney lândia, ou era, até ler a autobiografia de um im postor fam oso no m undo todo... existiu um m esm o... e ele decidiu: ‘Que droga, posso fingir que sou todos esses caras exóticos e m e dar bem com o ele.’ E depois ele resolveu: ‘Que droga, por que fazer isso? Vou só fingir que sou outro im postor.’ Ele ganhou um m onte de grana desse j eito, segundo o Tim es. Quase tanto quanto o verdadeiro im postor m undialm ente fam oso. E ele disse que foi m uito m ais fácil.”
Barris, desligado em um canto, enrolando a corda, disse: “Encontram os im postores de vez em quando. Na nossa vida. Mas não bancando físicos subatôm icos.”
“X-9, quer dizer”, disse Luckm an. “É, X-9. Eu m e pergunto quantos dedos-duros a gente conhece. Com o é um X-9?”
“Isso é o m esm o que perguntar: Com o é um im postor?”, disse Arctor. “Um a vez eu falei com um grande traficante de haxixe que tinha sido apanhado com cinco quilos da droga. Perguntei a ele com o era o X-9 que dedurou ele. Sabe com o é, o... com o é que cham am m esm o?... o agente de com pra que apareceu e fingiu que era am igo de um am igo e conseguiu que ele vendesse algum haxixe.”
“É parecido”, disse Barris, enrolando a corda, “com a gente.”
“Mais até”, disse Arctor. “O traficante de haxixe, ele j á tinha sido sentenciado e ia pra cadeia no dia seguinte; ele m e disse: ‘O cabelo deles é m ais com prido do que o da gente.’ Então eu acho que a m oral da história é: fique longe dos caras que parecem com a gente.”
“Tem X-9 m ulher tam bém ”, disse Barris.
“Eu queria conhecer um X-9”, disse Arctor. “Quer dizer, conscientem ente. Onde eu pudesse ser positivo.”
“Bom ”, disse Barris, “você pode ser positivo quando ele fechar as algem as em você, quando esse dia chegar.”
Arctor perguntou: “Quer dizer, os X-9 têm am igos? Que tipo de vida social eles têm ? As m ulheres deles sabem ?”
“Os X-9 não têm m ulher”, disse Luckm an. “Eles m oram em cavernas e aparecem de carros estacionados quando você passa. Com o os trolls."
“O que eles com em ?”, disse Arctor.
“Gente”, disse Barris.
“Com o um cara pode fazer isso?”, disse Arctor. “Bancar o X-9?”
“Com o é que é?", Barris e Luckm an disseram j untos.
“Que m erda, eu tô doidaço”, disse Arctor, sorrindo. “Bancar o X-9... caram ba.” Ele sacudiu a cabeça e fez um a careta.
Encarando-o, Luckm an disse: “BANCAR UM X-9? BANCAR UM X-9?”
“Meu cérebro está em baralhado hoj e”, disse Arctor. “É m elhor eu ir dorm ir.”
Nos holos, Fred interrom peu o m ovim ento das fitas; todos os cubos congelaram e o som cessou.
— Dando um tem po, Fred? — disse um dos traj es m isturadores para ele.
— É — disse Fred. — Estou cansado. Depois de algum tem po essa porcaria acaba com a gente. — Ele se levantou e pegou os cigarros. — Não entendo nem m etade do que eles dizem , estou tão cansado! Cansado — acrescentou ele — de ouvir esses caras.
— Quando você realm ente está lá com eles — disse um traj e m isturador — não é assim tão ruim , sabia? Com o eu acho que você esteve... na própria cena até agora, sob disfarce. Não é?
— Eu nunca devia andar com essa gente esquisita — disse Fred. — Falando as m esm as coisas o tem po todo, com o uns prisioneiros velhos. Por que eles fazem essas coisas, sentados ali, falando de nada?
— Por que a gente faz o que faz? É terrivelm ente m onótono, quando se pensa no assunto.
— Mas tem os de fazer, é nosso trabalho. Não tem os opção.
— Com o os prisioneiros — assinalou um traj e m isturador. — Não tem os opção.
Bancar o X-9, pensou Fred. O que isso significa? Ninguém sabe...
Bancar, refletiu ele, um im postor. Um im postor que m ora debaixo de carros estacionados e com e terra. Não um cirurgião, rom ancista ou político fam oso no m undo todo: nada que alguém fosse se dar ao trabalho de ouvir na TV. Nenhum a vida que alguém em seu j uízo perfeito...
Eu pareço aquele verm e que rastej a na terra,
Mora na terra, com e terra,
Até ser pisado pelo pé de alguém .
Sim , isso expressa a questão, pensou ele. Esse poem a. Luckm an deve ter lido para m im ou talvez eu tenha lido na escola. É engraçado o que aparece na cabeça da gente. Lem branças.
As estranhas palavras de Arctor não desgrudavam de sua m ente, em bora ele tivesse desligado a gravação. Queria poder esquecer, pensou ele. Eu queria poder, por algum tem po, esquecer Arctor.
— Tenho a sensação — disse Fred — de que às vezes sei o que eles vão dizer antes m esm o que digam . As palavras exatas.
— É o cham ado déj à-vu — concordou um dos traj es m isturadores. — Deixa eu te dar um as dicas. Avance a fita por intervalos de tem po m aiores, não um a hora, m as um as seis horas. Depois volte, se não houver nada, até chegar a algum a coisa. Volte, está entendendo, em vez de avançar. Assim você não entra no ritm o do fluxo deles. Seis ou até oito horas à frente, depois pule de volta... Você vai pegar o j eito bem rápido, conseguirá sentir quando está passando quilôm etros de nada ou quando pegou algum a coisa útil.
— E você não quer m esm o ouvir tudo — disse outro traj e m isturador — até conseguir realm ente algum a coisa. Com o um a m ãe quando está dorm indo... Nada a acorda, nem um cam inhão passando pela rua, até que ela ouve o bebê chorar. Isso a acorda, isso a alerta. Mesm o que o choro sej a fraquinho. O inconsciente é seletivo, quando se aprende a ouvir.
— Eu sei — disse Fred. — Eu tive duas crianças.
— Meninos?
— Meninas — disse ele. — Duas garotinhas.
— Que legaaaaal — disse um dos traj es m isturadores. — Eu tenho um a filha de um ano.
— Nada de nom es, por favor — disse outro traj e m isturador e todos riram . Um pouco.
Mas de qualquer form a há um a inform ação, disse Fred para si m esm o, a ser extraída de toda a gravação e transm itida. Aquela declaração m isteriosa sobre “bancar um X-9”. Os outros hom ens na casa com Arctor — isso os surpreendeu tam bém . Quando eu for am anhã, às três, pensou ele, vou levar um a cópia disso — só o áudio j á vai bastar — e discutir com Hank, j unto com o que eu obtiver até lá.
Mas m esm o que sej a só o que eu puder m ostrar a Hank, pensou ele, j á é um com eço. Mostra, pensou ele, que essa varredura de Arctor 24 horas por dia não é um desperdício.
Isso m ostra, pensou ele, que eu tinha razão.
Aquela observação foi um deslize de Arctor.
Mas o que significava ele ainda não sabia.
Mas vam os saber, disse ele a si m esm o, vam os descobrir. Vam os ficar de olho em Bob Arctor até ele cair. Em bora sej a desagradável ter de vê-lo e ouvi-lo, a ele e aos am igos, o tem po todo. Aqueles am igos, pensou Fred, são tão ruins quanto ele. Com o é que eu fico sentado naquela casa com eles tanto tem po? Que j eito de viver; com o disseram os outros policiais agora, que nada interm inável!
Lá no fundo, pensou ele, nas trevas, as trevas da m ente e as trevas tam bém do lado de fora; trevas em toda parte. Graças ao que eles são: esse tipo de gente.
Levando os cigarros, ele foi até o banheiro, trancou a porta e depois, de dentro do m aço, pegou dez tabletes de m orte. Enchendo um a caneca de água, ele tom ou os dez tabletes. Fred queria ter trazido m ais tabletes. Bom , pensou ele, posso tom ar um pouco m ais quando term inar o trabalho, quando voltar para casa. Olhando o relógio, tentou calcular quanto tem po ainda faltava. Sua m ente parecia de porre. Quanto faltava m esm o?, perguntou-se ele, im aginando em que se transform ara seu senso de tem po. Ver os holos estava fodendo com tudo, percebeu ele. Não sei m ais que horas são.
Parece que tom ei ácido e depois passei por um lava- j ato, pensou ele. Montes de escovas titânicas cheias de sabão zum bindo para m im , arrastadas por um a corrente em túneis de espum a preta. Que j eito de ganhar a vida, pensou Fred, e destrancou a porta do banheiro para voltar — com relutância — ao trabalho.
Quando ligou o aparelho m ais um a vez, Arctor estava dizendo: “... pelo que eu sei, Deus está m orto.”
Luckm an respondeu: “Eu não sabia que Ele estava doente.” “Agora que m eu Olds está parado indefinidam ente”, disse Arctor, “decidi que tenho de vender e com prar um Henway .”
“O que é um Henway ?”, disse Barris.
Para si m esm o, Fred disse: “Tipo um quilo e m eio.”
“Tipo um quilo e m eio”, disse Arctor.
Na tarde seguinte, às três horas, dois agentes m édicos — não os m esm os — aplicaram vários testes em Fred, que estava se sentindo ainda pior do que na véspera.
— Em rápida sucessão, você verá vários obj etos com os quais deve estar fam iliarizado, passando em seqüência diante, prim eiro, de seu olho esquerdo e depois do direito. Ao m esm o tem po, no painel ilum inado bem na sua frente, vão aparecer sim ultaneam ente reproduções em perfil de vários desses obj etos conhecidos e você precisa com binar, com o lápis, o que considera visível naquele m om ento. Agora, esses obj etos vão se m over com m uita rapidez, então não hesite por m uito tem po. Seu tem po será m arcado, assim com o a sua precisão. Tudo bem ?
— Tudo bem — disse Fred, o lápis a postos.
Todo um m onte de obj etos conhecidos passou rapidam ente por ele e ele apontou as fotos ilum inadas em baixo. Isso aconteceu para o olho esquerdo e depois tudo foi novam ente feito para o direito.
— Agora, com seu olho esquerdo coberto, um a im agem de um obj eto conhecido vai aparecer para seu olho direito. Você deverá estender a m ão esquerda, repito, a m ão esquerda, para um grupo de obj etos e encontrar aquele que corresponde à im agem que você viu.
— Tudo bem — disse Fred. Apareceu um a foto de um dado; com a m ão esquerda, ele procurou entre pequenos obj etos colocados diante dele até encontrar um dado de j ogo.
— No próxim o teste, várias letras que form am um a palavra estarão disponíveis para a sua m ão esquerda, sem ser vistas. Você deverá senti-las e depois, com a m ão direita, escrever a palavra com as letras.
Ele fez isso. As letras diziam QUENTE.
— Agora diga que palavra é.
Então ele disse.
— Quente.
— Em seguida, você vai colocar a m ão nesta caixa absolutam ente escura e, com os olhos cobertos, ponha a m ão esquerda em contato com um obj eto, para identificá-lo. Depois nos diga o que é o obj eto, sem que o tenha visto. Depois disso você m ostrará três obj etos que tenham algum a sem elhança entre si e vai nos dizer qual dos três, que você vê, m ais se parece com o obj eto que tocou.
— Tudo bem — disse Fred e ele fez esse e outros testes, por quase um a hora. Tatear, falar, olhar com um dos olhos, escolher. Tatear, falar, olhar com o outro olho, escolher. Escrever, desenhar.
— No teste seguinte, novam ente com os olhos cobertos, você tocará e sentirá um obj eto com cada m ão. Você vai nos dizer se o obj eto apresentado à sua m ão esquerda é idêntico ao obj eto apresentado à m ão direita.
Ele fez isso.
— Aqui, em rápida sucessão, estão im agens de triângulos em várias posições. Você vai nos dizer se é o m esm o triângulo ou...
Duas horas depois, eles o fizeram encaixar blocos com plicados em buracos com plicados e cronom etraram . Ele se sentia novam ente na escola e se dando m al. Saindo-se pior do que naquela época. A srta. Finkel, pensou ele, a velha srta. Finkel, a professora de inglês. Ela costum ava ficar de pé, m e vendo fazer essa m erda na época, m ostrando-m e m ensagens em inglês: “Die!", com o dizem em análise transacional. Die. Dado de j ogo. Ou m orrer. Não existir. Que m ensagens. Todo um m onte delas, até que eu finalm ente m e fodia. Agora a srta. Finkel devia estar m orta. Provavelm ente alguém conseguiu m ostrar a ela a m ensagem “Die!” e acertou em cheio. Ele esperava que sim . Talvez acontecesse com ele. Com o nos testes psicotécnicos agora, talvez ele visse m ensagens assim .
Isso não parecia estar adiantando. O teste continuou.
— O que há de errado com esta im agem ? Um obj eto que não com bina com os outros. Você deve m arcar...
Ele m arcou. E depois foram obj etos de verdade, um dos quais não com binava; ele devia estender a m ão e retirar o obj eto transgressor, e depois, quando o teste acabasse, pegar os obj etos transgressores de um a variedade de “conj untos”, com o eles cham aram , e dizer as características, se houvesse algum a, que todos os obj etos transgressores tinham em com um : se eles constituíssem um “conj unto”.
Ele ainda estava tentando fazer isso quando eles contaram o tem po, a bateria de testes term inou e lhe disseram para tom ar um a xícara de café e esperar do lado de fora até ser cham ado.
Depois de um tem po — que pareceu longo dem ais para ele —, um dos agentes do teste apareceu e disse:
— Mais um a coisa, Fred... querem os um a am ostra de seu sangue. — Ele lhe deu um a folha de papel: um a requisição de laboratório. — Desça o corredor até a sala com a placa “Laboratório de Patologia”, entregue isso a eles e, depois que colherem um a am ostra de seu sangue, volte aqui e espere.
— Claro — disse ele, taciturno, e saiu com a requisição. Vestígios no sangue, percebeu ele. Eles vão exam inar isso. Quando estava de volta à Sala 203, vindo do laboratório
de patologia, ele procurou um dos exam inadores e disse:
— Haveria algum problem a em subir para conversar com seu superior enquanto estou esperando pelos resultados? Ele vai em bora daqui a pouco.
— Afirm ativo — disse o exam inador. — Com o decidim os tirar um a am ostra de sangue, vai dem orar m ais antes de fazerm os nossa avaliação; sim , vá em frente. Vam os telefonar lá para cim a quando estiverm os prontos para você. Hank é o nom e dele, não é?
— Sim — disse Fred. — Vou subir e falar com Hank.
O exam inador disse:
— Certam ente você parece m uito m ais deprim ido hoj e do que quando o vim os pela prim eira vez.
— Com o? — disse Fred.
— Na prim eira vez em que veio aqui. Na sem ana passada. Você estava brincalhão e risonho. Em bora estivesse m uito tenso.
Olhando para ele, Fred percebeu que esse era um dos dois agentes m édicos que ele encontrara antes. Mas ele não disse nada, apenas resm ungou e saiu da sala, indo para o elevador. Que coisa deprim ente, pensou ele. Tudo isso. Qual dos dois agentes m édicos será?, ponderou ele. O do bigode de pontas viradas ou o outro... acho que é o outro. O que não tem bigode.
— Você vai sentir esse obj eto com a m ão esquerda — disse ele a si m esm o — e ao m esm o tem po vai olhar para ele com a direita. E depois, em suas próprias palavras, vai nos dizer... — Ele não conseguiu pensar em nada m ais absurdo. Não sem a aj uda deles.
Quando entrou na sala de Hank, encontrou outro hom em , não no traj e m isturador, sentado no canto, olhando para Hank.
Hank disse:
— Este é o inform ante que telefonou sobre Bob Arctor usando a grade... eu falei dele com você.
— Sim — disse Fred, parado ali, im óvel.
— Este hom em ligou novam ente, com m ais inform ações sobre Bob Arctor; ele nos contou que teve de se apresentar e se identificar. Com binam os com ele de vir aqui e ele veio. Você o conhece?
— Claro que sim — disse Fred, encarando Jim Barris, que estava sentado sorrindo e rem exendo em um a tesoura. Barris parecia pouco à vontade e feio. Muito feio, pensou Fred, com repulsa. — Você é Jam es Barris, não é? — disse ele. — Já foi preso?
— A identidade dele m ostra que é Jam es R. Barris — disse Hank — e que ele é quem afirm a ser. — E acrescentou:
— Ele não tem registro de prisão.
— O que ele quer? — Para Barris, Fred disse: — Qual é sua inform ação?
— Eu tenho provas — disse Barris em voz baixa — de que o sr. Arctor faz parte de um a grande organização secreta, bem financiada, com arsenais de arm as à sua disposição, usando palavras em código, provavelm ente dedicada à destruição de...
— Esta parte é especulação — interrom peu Hank. — O que você acha que pode fazer? Quais são suas provas? Não nos dê nada que não sej a de prim eira m ão.
— Já foi m andado a um hospital psiquiátrico? — disse Fred a Barris.
— Não — disse Barris.
— Vai assinar um a declaração j uram entada e autenticada no escritório da prom otoria — continuou Fred — com relação a suas provas e a suas inform ações? Estará disposto a aparecer em j uízo sob j uram ento e...
— Ele j á indicou que sim — interrom peu Hank.
— Minhas provas — disse Barris —, que eu não trago com igo hoj e, m as que posso trazer, consistem em gravações que fiz de conversas telefônicas de Robert Arctor. Quer dizer, conversas quando ele não sabia que eu estava ouvindo.
— Que organização é essa? — disse Fred.
— Acredito que sej a... — com eçou Barris, m as Hank sinalizou para ele se calar. — É política — disse Barris, suando e trem endo um pouco, m as parecendo satisfeito — e contra o país. Do exterior. Um inim igo dos Estados Unidos.
Fred disse:
— Qual é a relação de Arctor com a fonte da Substância D?
Pestanej ando, depois lam bendo o lábio e sorrindo,
Barris disse:
— Está em m inha... — ele se interrom peu. — Quando exam inarem todas as inform ações que trarei... isto é, m inhas provas... sem dúvida vão concluir que a Substância D é produzida por um a nação estrangeira decidida a destruir os Estados Unidos e que o sr. Arctor está profundam ente envolvido com a m aquinaria dessa...
— Pode nos dar especificam ente o nom e de m ais alguém dessa organização? — disse Hank. — Pessoas com quem Arctor se encontrou? Você sabe que dar inform ações falsas a autoridades legais é um crim e e, se assim for, você pode e provavelm ente será intim ado.
— Eu sei disso — disse Barris.
— Com quem Arctor conversava? — disse Hank.
— Com um a tal srta. Donna Hawthorne — disse Barris. — Usando várias desculpas, ele vai à sua casa e conspira com ela regularm ente.
Fred riu.
— Conspira. O que quer dizer com isso?
— Eu o tenho seguido — disse Barris, falando lenta e distintam ente — em m eu carro. Sem que ele saiba.
— Ele vai lá com freqüência? — disse Hank.
— Sim , senhor — disse Barris. — Com m uita freqüência. E sem pre com o...
— Ela é nam orada dele — disse Fred.
Barris disse:
— O sr. Arctor tam bém ...
Virando-se para Fred, Hank disse:
— Acha que há algo de substancial nisso?
— Sem nenhum a dúvida, devem os ver as provas dele — disse Fred.
— Traga suas provas — Hank instruiu Barris. — Todas elas. Querem os principalm ente nom es... nom es, placas de carro, núm eros de telefone. Já viu Arctor profundam ente envolvido com um a grande quantidade de drogas? Mais do que de usuário?
— Certam ente — disse Barris.
— De que tipo?
— De vários tipos. Tenho am ostras. Eu peguei am ostras com todo o cuidado, para que vocês analisem . Posso trazer tam bém . Bastantes e variadas.
Hank e Fred olharam -se.
Barris, olhando cegam ente para a frente, sorriu.
— Há m ais algum a coisa que queira nos dizer agora? — perguntou Hank a Barris. Para Fred, ele disse: — Talvez devam os m andar um agente com ele para pegar as provas. — O que significava: ter certeza de que ele não vai entrar em pânico e sum ir, não vai tentar m udar de idéia e pular fora.
— Há m ais um a coisa que gostaria de dizer — disse Barris. — O sr. Arctor é um viciado, viciado em Substância D, e a m ente dele agora está perturbada. Há algum tem po, vem ficando perturbado, aos poucos, e ele é perigoso.
— Perigoso — repetiu Fred.
— Sim — declarou Barris. — Ele j á teve episódios com o os que acontecem com danos cerebrais por Substância D. O quiasm a ótico deve estar deteriorado, um a vez que um com ponente ipsolateral fraco... Mas tam bém ... — Barris pigarreou. — Deterioração tam bém no corpo caloso.
— Esse tipo de especulação sem fundam ento — disse
Hank —, com o j á o inform ei, j á o alertei, não tem valor algum . De qualquer form a, vam os m andar um agente com você para pegar suas provas. Tudo bem ?
Dando um sorriso forçado, Barris assentiu.
— Mas naturalm ente...
— Vam os usar um policial à paisana.
— Eu posso... — Barris gesticulou — ser assassinado. O sr. Arctor, com o eu disse...
Hank assentiu.
— Tudo bem , sr. Barris, nós agradecem os por isso, pelo risco extrem o que está correndo e, se isso der certo, se suas inform ações forem de valor significativo na obtenção de um a condenação no tribunal, naturalm ente...
— Eu não estou aqui por esse m otivo — disse Barris. — O hom em está doente. Com danos cerebrais. Da Substância D. O m otivo para eu vir aqui...
— Não ligam os para os seus m otivos — disse Hank. — Só nos im porta se suas provas e o m aterial significam algum a coisa. O resto é problem a seu.
— Obrigado, senhor — disse Barris e m anteve um sorriso forçado interm inável.