O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização

Humberto Mariotti · Capítulo 9 de 23

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O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização

VI — A Realidade Viva do Pensamento Espírita

Humberto Mariotti ◆ O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização ◆ PENSE - Pensamento Social Espírita

 

Capítulo VI

A REALIDADE VIVA DO

PENSAMENTO ESPÍRITA

 

1) Necessidade Ideológica do Estudo da Filosofia

É indiscutível que, para o estudo do Novo espiritualismo,

faz-se necessário conhecer os princípios essenciais da filosofi-a. Mas por que é necessário este conhecimento? Porque o kar-decismo está estreitamente ligado à filosofia espiritualista, sem a qual não poderíamos compreender exatamente os valores e o alcance da teoria e prática do espiritismo. 16

Torna-se indispensável o conhecimento filosófico para a refu-

tação com êxito das falsas imputações feitas ao espiritismo, pelas correntes eclesiásticas e materialistas. Mas o que é a teoria filosófi-ca? Segundo o critério geral, é aquela que abrange a própria essên-cia do Conhecimento; sem uma teoria filosófica amplamente de-senvolvida na mente e na consciência, será de todo impossível che-gar-se a compreender o sentido real da concepção kardecista.

E o que é a prática filosófica? É o ato volitivo de conver-

ter a teoria em fatos, mas fatos reais e positivos. Sem a prática filosófica, não haveria uma filosofia objetiva do espiritualismo espírita, nem a ação social e espiritual do kardecismo.

Na filosofia, é indispensável conjugar a teoria com a práti-

ca. É necessário que o ideal se aposse do real. Do contrário, ha-veria desvinculação entre o espírito e a forma, isto é, entre a es-sência e a existência. Mas é exequível a teoria espírita? Sim, a teoria espírita é exequível, porque é uma realidade espiritual, cuja finalidade é ordenar e transformar a ordem imperfeita da existência, isto é, da sociedade e de toda a humanidade. A práti-ca do espiritualismo, através do kardecismo, é a melhor demons-

16 Veja-se o n°1, “Espiritismo e Espiritualismo”, na “Introdução da Doutrina espírita”, em O Livro dos Espíritos. (Nota de J.H. Pires).

 

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tração da objetividade que se consegue alcançar, com referência à espiritualidade do homem e da natureza. Desta maneira, fica desmentida a negação assacada contra o idealismo pelo materia-lismo, porém, sempre e quando o idealismo apoiar-se no espiri-tualismo espírita. É por isso que todo homem ativo deverá co-nhecer os princípios fundamentais da filosofia, único meio de passar do espiritualismo teórico ao kardecismo prático.17

2) Em Que se Baseia a Filosofia?

A filosofia baseia-se no conhecimento da essência que in-forma as coisas, a individualidade e a personalidade do homem. É um método para reflexionarmos sobre a própria existência e a existência dos demais; para observarmos de que maneira essa existência está vinculada ao semelhante e ao dessemelhante, fundando-se especialmente neste fio essencial que unifica a todo o existente. É por meio desta noção ideológica que a filosofia espiritualista se fortifica, mediante o kardecismo, passando a ser uma filosofia prática da realidade. A teoria filosófica se trans-forma em ação e prática da existência espiritual, única forma de evidenciar a convicção ideológica que emana da realidade espíri-ta. A filosofia se torna prática, além disso, ao demonstrar a es-sência real do Ser encarnado e do seu espírito imortal, o que ainda se reafirma pelos fenômenos da mediunidade.

3) O método Kardecista Como Fundamento do Espiritualismo Positivo

O kardecismo constitui, no novo desenvolvimento do espíri-to filosófico, o método racional pelo qual se poderá estabelecer, — como já se vem fazendo, — a realidade do espiritualismo espí-rita e positivo. O antigo espiritualismo está viciado, como se sabe,

17 Embora Kardec recusasse a expressão kardecismo, por humildade, Mari-otti a emprega, como vemos nesta frase, num sentido de objetivação da teoria espírita. Realmente, a teoria objetivou-se através da ação prática de Kardec. (Nota de J.H. Pires).

 

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por crenças e supostos metafísicos que não se conformam com o pensamento científico dos novos tempos. Seu conteúdo é uma mixórdia de ideias sustentadas no passado, que não se apresentam harmônicas nem uniformes. A mentalidade moderna busca uma doutrina baseada na verdade, mas concorde e objetiva em relação ao mundo. O espiritualismo antigo foi apenas um desejo de co-nhecer o passado, mas nunca poderá aspirar a apresentar-se como uma real filosofia espiritualista, já que sua parte essencial está recoberta por uma carapaça impenetrável.

O espiritualismo positivo nasce, entretanto, com o método

kardecista, e se expressa vivamente através de uma filosofia que prepara o espírito, fazendo-o penetrar a fundo nos problemas da existência. Isso se deve ao fato de ser o espiritualismo espírita a consequência natural do fenômeno metapsíquico, cuja realidade fundamentou o conhecimento filosófico da Terceira Revelação. Daí a conclusão de que o verdadeiro espiritualismo deve estar apoiado no método kardecista, pois todo espiritualismo proveni-ente de tradições e lendas, mescladas caoticamente, não chegará jamais ao grau de veracidade necessária, e não passará nunca de um pensamento espiritual híbrido e desvitalizado.

No antigo espiritualismo predominou sempre, por mais adi-

antado que se apresentasse, o método eclesiástico e ritualístico, por sua absoluta adesão ao passado. Ao contrário, o espiritualismo espírita é a resultante de uma evolução mental e espiritual do ho-mem. Por isso é que o método kardecista nos leva do espiritua-lismo ao espiritismo, revelando-nos que este último é a concepção espiritual mais adequada para penetrarmos no conhecimento do Espírito, e como dizia o filósofo e biólogo alemão Hans Driesch, no mundo dos espíritos. O antigo espiritualismo, por não avançar para a concepção espírita, mantém-se em sua ambiguidade filosó-fica; admite o insustentável, por temor ao espiritismo; mas tarde ou cedo o realismo metapsíquico o fará aproximar-se da concep-ção kardecista, para transformar-se em espiritualismo positivo.

 

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4) A Dialética Palingenésica do Kardecismo

O método kardecista baseia-se na dialética palingenésica do progresso e da evolução, enquanto o antigo espiritualismo se funda numa concepção fatalista, no que respeita à lei de causalidade ou de causas e efeitos. A dialética de Hegel é o grande instrumento com que se pode conhecer o fenômeno palingenésico, a que está sujeito o Ser em sua ascendente evolução. Além disso, é por meio da dialé-tica que se poderá transformar a ideia de reencarnação, que nos vem do Oriente, em renascimento ou palingenesia dinâmica, para a civilização do Ocidente. Sem o método dialético e kardecista, a reencarnação continuará sendo um exotismo oriental, sem ligação nem entrosamento com o processo histórico.

Quem velou sempre, com seu conceito quietista, a reencarna-ção, foi esse antigo espiritualismo, inspirado, por assim dizer, na ideologia eclesiástica a que já nos temos referido. O kardecismo, ao contrário, apresenta-se como uma consequência das três etapas que presidem à revelação espiritual: a mosaica, a crística e a mediúnica. Como se sabe, a Terceira Revelação é o produto desse espírito invi-sível que passou através da história, até sintetizar-se no método kardecista, que está elaborando a nova consciência religiosa da humanidade por meio do espiritualismo espírita e cristão.

O professor Asmara, destacado filósofo espanhol, dizia que o espiritismo dialético havia nascido no Congresso Espírita de Barcelona; mas os pregadores do espiritismo, posteriores a Denis e Delanne, esqueceram-se desse aspecto original da filo-sofia espírita, que nada mais era do que a reafirmação do karde-cismo. Outro que também realizou uma ampla interpretação dialética do espiritismo foi o nosso compatriota Manuel S. Por-teiro, com seu livro Espiritismo Dialético,18 no qual se observa

18 Espiritismo Dialético, de Manuel S. Porteiro, Editorial Victor Hugo, Buenos, Aires, 1960, aparecerá também na Coleção Filosófica Edicel. Porteiro e Mari-otti participaram do Congresso de Barcelona, em 1934. (Nota de J.H. Pires). Esse livro, traduzido por José Rodrigues, foi lançado pelo Pense em edição digital, em 2001 e pelo CE João Barroso, em formato de livro. (Nota do Pense).

 

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como a filosofia espírita determinou a aparição de um espiritua-lismo positivo, em relação com os fenômenos históricos.

Na ideologia dialética do kardecismo o processo palinge-

nésico do Ser revela uma evolução incessante, que nos coloca em novos ambientes espirituais, determinando ainda uma nova visão religiosa para a consciência humana. Com efeito, se o processo dialético da história se interpretasse em sua exata rea-lidade, seria preciso aplicar-lhe o sentido palingenésico do es-pírito, mas recorrendo ao kardecismo, que nos fará ver a inter-venção do mundo espiritual no referido processo.

5) Oposição da Ideologia Dogmática ao Kardecismo

A ideologia dogmática coloca-se decididamente contrária

ao kardecismo e ao espiritualismo espírita, do que se deduz que essa ideologia está em crise, e que já não resiste ao transfor-mismo espiritual que o método kardecista realiza no social e no espiritual, juntamente com o fenômeno mediúnico, sobre o qual se baseia a realidade espírita.

Se o espiritualismo espírita fosse um erro, não haveria

motivos para temê-lo nem para sair-lhe ao encontro. Entretan-to, a ideologia dogmática bem sabe que o kardecismo é uma realidade positiva e que avança conduzida pelo Espírito da Verdade. Por isso o enfrenta e combate, tratando de preservar os seus domínios espirituais. Mas o espiritismo proclamou esta sentença histórica: Os tempos estão chegados, e isso é o que está motivando um novo ideal nas consciências, ao calor de um novo espírito religioso. Já não haverá uma só ideologia religio-sa; futuramente, o ideal deísta será um imperativo da consciên-cia, visto que o aparecimento desse novo espírito religioso não dependerá da exterioridade do indivíduo, mas do fundo de seu inconsciente. Isto quer dizer que o progresso religioso provirá da zona interna do Ser, estando assim no próprio inconsciente do homem o maior adversário da ideologia dogmática.

 

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Oprimir o mundo interno do homem, por meio de ideias já superadas, seria provocar uma rebelião anímica e espiritual, capaz de fazer desmoronar violentamente as antigas formas religiosas. Não se deve esquecer que a opressão do inconsciente significaria, além disso, uma oposição obstinada ao que tem que vir: o novo mundo religioso, que é um mundo do espírito, o que vale dizer que surgirá, apesar dos obstáculos, das profundas raízes do Eu.

Do seu mundo inconsciente dependerá o verdadeiro sen-timento religioso do homem. Nesta realidade psíquica do Eu é que jazem os germes da nova consciência religiosa, elaborada, como sabemos, pelo processo palingenésico a que ele está su-jeito. Isto nos está indicando que o Ser espiritual não é a con-sequência do corpo físico: o Eu é a divina essência que avança através das idades, levando consigo todo o saber adquirido. Resulta, assim, num resumo das múltiplas existências vividas pelo espírito. Daí que a Divina Sabedoria surgirá ao desenvol-vimento da consciência, sendo o obstáculo principal do dogma o inconsciente do indivíduo, de cujas profundezas surgirá a religião-Sabedoria, que fará vibrar unissonamente com o Uni-verso o corpo psíquico da humanidade.

No mistério interno do Eu radica-se a chave das novas ideias religiosas que vão aparecendo. A psicologia do Ser agora se rees-tuda através de introspecções e explorações íntimas. Nestes novos tempos, o Espírito está-se libertando das influências dogmáticas, para sentir-se na plenitude de si mesmo. É por essa evolução que o Eu se vai afirmando como independente e indi-vidual, livrando-se de falsos instrutores para entrar nas profun-das regiões da sua natureza imortal e conseguir, por ele mesmo, a luz e a sabedoria de que tanto necessita.19

 

19 Leia-se o Cap. I de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Com os novos tempos, surge a religião em espírito e verdade, livre de exigências materi-ais e de sectarismo, como Jesus anunciou à mulher samaritana. João, 4:5-24. (Nota de J.H. Pires).

 

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6) Que é a Filosofia Espiritualista?

A filosofia espiritualista do kardecismo é a prova feno-

menológica da realidade espiritual do espiritismo. Não nos esqueçamos de que o espiritismo é o clímax da filosofia espi-ritualista, e que se apóia positivamente no método kardecista. Sem espiritismo, o espiritualismo resulta numa utopia filosó-fica; mas, como o espiritismo, os seus princípios se nutrem da realidade espiritual. De maneira que todo espiritualismo filo-sófico, que aspire a objetivar sua ideologia, deverá apoiar-se no espiritismo e em seu método kardecista.

A verdadeira filosofia espiritualista é uma consequência

iniludível do fenômeno espírita e metapsíquico, constituindo uma interpretação normal e supranormal do homem e do Universo, se é que não abandonamos a lógica irrefutável do kardecismo.

7) Relações Entre o Espiritualismo e o Kardecismo

A realidade do espiritualismo deverá basear-se na obje-

tividade filosófica; sem esta objetividade o espiritualismo será uma metafísica irreal, com vida temporária. Se é certo que se relaciona subjetivamente com o homem, sem objeti-vidade não penetrará no âmbito real do Ser e por essa razão terá de assimilar o kardecismo, um dos melhores métodos para reconhecer a realidade existente nas diversas utopias espirituais. Repetimos que o espiritualismo só se afirmará quando se transformar em espiritismo e se afastar das nebu-losidades metafísicas.

A filosofia do kardecismo é um método lógico para captar

a realidade espiritual do mundo. Disto se deduz que o Espírito imortal está demonstrado pelos mesmos espíritos comunican-tes, que têm expressado o seguinte entimema: Existo: logo, o

 

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nada não existe. Por conseguinte, qualquer espiritualismo dogmático, que não esteja demonstrado por esse realismo me-diúnico-comunicante, está viciado em suas bases e se acha frente à possibilidade de ser anulado pelas ciências materialis-tas. Pelo contrário, no espiritualismo espírita existe uma certeza racional, um idealismo lógico e objetivo, cujo testemunho fa-vorável se encontra na comunicação espírita. Por isso, o méto-do kardecista é o resultado de uma experiência metapsíquica do fenômeno mediúnico.

O espiritualismo espírita, condicionado pelo kardecismo, é a resultante de uma verdade substancial emanada do próprio processo evolutivo da inteligência. Esta é a razão de suas sóli-das bases ideológicas, e porque resiste filosoficamente às con-tradições da existência.

8) Transformação do Fenômeno Mediúnico em Comunicação Espírita

A tríade dialética constitui o método sobre o qual se ba-seia a filosofia palingenésica do kardecismo. O fenômeno me-diúnico veio confirmar o antigo conceito de Heráclito: “Tudo passa e se transforma”, pois a matéria, ao ser movida pelo refe-rido fenômeno, revelou o estado vibratório do mundo atômico e a possibilidade de sua fusão nuclear.21

Esse primeiro efeito do fenômeno mediúnico resultou re-almente extraordinário, visto haver determinado a transforma-ção do espiritualismo em espiritismo. Esta transformação dialé-tica determinou, por sua vez, uma evolução do sentido espiri-tual da filosofia. O espiritualismo dogmático possuía apenas um vago sentido do Espírito. Com o fenômeno mediúnico e a ação dos espíritos comunicantes, transformou-se em espiri-

20 Allan Kardec, A Gênese, cap. I. 21 Vejam-se as pesquisas de Friedrick Zollner, em Provas Científicas da Sobrevivência, Coleção Científica Edicel, 1966. (Nota de J.H. Pires).

 

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tismo, isto é, produziu o enlace e a relação entre o visível e o invisível. Com o kardecismo, essência pura da filosofia espíri-ta, revelou-se a influência do mundo dos espíritos sobre a his-tória e a natureza.

O fenômeno mediúnico foi considerado, desde o início,

como perigoso pelo espiritualismo dogmático. Não obstante essa apreciação, ao lado do mesmo se fez presente um númeno espiritual que, com a dialética kardecista, expressando: Todo efeito inteligente possui uma causa inteligente, trocou o seu primeiro sentido de fenômeno pelo de comunicação. Foi desta maneira que se teve consciência da mensagem dos espíritos, os quais fundaram o método kardecista do espiritualismo.

Com o fim de refutar os erros e contradições do materialis-

mo, o fenômeno mediúnico continua sendo uma necessidade. Mas, nos tempos atuais, é justamente avaliado como uma evolu-ção para a revelação e comunicação dos espíritos superiores. Esta etapa alcançada pela mediunidade corresponde a um grau superior da consciência religiosa e filosófica da humanidade. Por isso é que o espiritualismo espírita é como uma síntese de todo o antigo espiritualismo, depurado e renovado pelo kardecismo.

A única esperança do espiritualismo dogmático, de vencer o

espiritismo, consistia em mostrá-lo como uma causa do demônio, à base da irrealidade da comunicação dos espíritos. Mas o caso é que esta comunicação ou revelação se acentuou cada vez mais, a ponto de se tornar impossível contê-la e proscrevê-la. Sua cons-tante e crescente atualização está mostrando, aos antigos espiritua-listas, que o espiritismo não é uma invocação dos mortos pelos homens, como eles o afirmavam até há pouco, mas um chamado espiritual dos mortos ao homem, para que este se faça consciente da realidade do além-túmulo e da ligação constante que existiu, existe e existirá sempre, entre o visível e o invisível.

 

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9) Do Espiritualismo Inconsciente

ao Espiritualismo Consciente

O espiritualismo inconsciente, adequada definição do espiritualismo dogmático, foi superado pelo kardecismo, isto é, pela forma consciente do novo espiritualismo expresso na filosofia espírita. Gustave Geley confirmou cientificamente o kardecismo, este notável método que permitiu a transforma-ção do espiritualismo em espiritismo. A partir desse momen-to, a consciência espiritual do homem se fez consciente de sua ideologia espiritualista, que se afastou inteiramente das velhas crenças religiosas. Assim se une o Ser com a grandeza do Uni-verso, sentindo-se ator consciente no grande processo da evo-lução, e reconhecendo que Deus está presente e atua no próprio seio do Cosmos.

Pelo espiritualismo consciente, seu ideal filosófico se a-justa com a amplitude do Universo: o homem encara a Terra como uma estação de parada, mas sabendo que no espaço exis-tem outras, onde ainda voltará a deter-se, para recolher novos ensinamentos que auxiliem o desenvolvimento de sua natureza divina, e assim prosseguir em sua carreira infinita.

Podemos dizer que o espiritualismo consciente é uma consequência do método kardecista, que une o Espírito com a vida Universal e o maravilhoso Plano Divino, sob cuja influên-cia se desenvolve a evolução palingenésica dos seres e das formas.

 

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