O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização

Humberto Mariotti · Capítulo 6 de 23

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O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização

III — Marx e Kardec

Humberto Mariotti ◆ O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização ◆ PENSE - Pensamento Social Espírita

 

Capítulo III

MARX E KARDEC

Karl Marx e Allan Kardec encarnam, nos tempos atuais, as duas grandes inquietudes do pensamento: o fenômeno social e o fenômeno espiritual. Marx traçou uma imagem do homem em desacordo com a realidade espiritual. Entretanto, no campo social, expressou verdades que, postas em prática, dariam solu-ção à mais renhida luta de classes que, atualmente, em seu con-junto, chamamos capitalismo e comunismo.

Marx viu o homem como um composto físico-químico, isto é, como um organismo material, governado e conduzido pelos modos de produção. Kardec, pelo contrário, compre-endeu o homem como um espírito encarnado num corpo físico, para demonstrar sua evolução e sua realidade espiritu-al. Mas o homem de Marx e o homem de Kardec, iguais en-tre si quanto ao aspecto material e diferentes na sua realidade espiritual, constituem agora uma pessoa humana ou entidade existencial, com novos direitos e iguais deveres, diante dos progressos da sociedade moderna.

Nessa pessoa existencial e humana, onde cabem tanto o homem marxista como o homem kardecista, devemos buscar a verdadeira filosofia Social. Nela se encontram os elementos indispensáveis para estabelecermos uma relação entre o pro-blema social e o problema espiritual. Entretanto, Marx nos mos-trou um homem melhor que o homem velho dependente do regime capitalista. O homem de Marx é um ser liberto da exploração econômica, mas sem perspectivas metafísicas. Suas dimensões espirituais estão sujeitas ao terrestre, o que vale dizer que desaparecem com o corpo. Disso resulta ser o ho-mem de Marx um Ser incapaz de satisfazer o anseio de imorta-lidade que o Espírito leva em seu íntimo.

 

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Marx, com efeito, legou-nos um homem sem espírito.

Não obstante, exigiu-lhe mais do que podia dar. Esqueceu-se de que um homem chamado a efetuar a transformação do mundo, em todos os seus aspectos, não deveria morrer, co-mo sustenta a desoladora teoria do materialismo histórico, sobre a qual fundamentou todo o seu sistema social. Como se verá, o homem de Marx morre para sempre, depois de sacrificar-se pela instituição de um mundo melhor. É um tipo de homem que não tem vinculações palingenésicas com o processo histórico: nasce e morre sem saber qual o sentido do drama do planeta.

Apesar do erro no tocante ao Ser do homem, Marx teve

acertos extraordinários ao julgar o regime capitalista e com ele a “exploração do homem pelo homem”. Seu gênio demonstrou à inteligência humana que o sistema de propriedade privada está obrigado a transformar-se em sistema de propriedade cole-tiva. Fez ver à humanidade que o socialismo, ou regime de propriedade coletiva, corresponde a um novo sentido da vida, e assim o admite a doutrina social espírita, considerando-o como um avanço para o verdadeiro advento do cristianismo. Porque no dia em que a sociedade cristã for uma realidade, ela estará assentada sobre as bases da propriedade coletiva. Vejamos o que diz o Evangelho: “Em verdade vos digo que um rico — ensinava Jesus a seus discípulos, — dificilmente entrará no Reino dos Céus. E em verdade vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus.” (Mateus XIX, 23-24).

O homem velho, que geralmente está representado no

rico de que falava o Nazareno, é o que resiste à evolução do sistema social, e deverá ler e meditar profundamente este ensinamento do Divino Mestre. Porque são os ricos e pode-rosos, mesmo sendo cristãos, os menos concordes com a essência revolucionária do cristianismo. Recordemos o se-

 

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guinte ensinamento evangélico: “Certa vez, um jovem rico perguntou a Jesus o que deveria fazer para conquistar a vida eterna, e o Mestre lhe respondeu: Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. Ouvindo o jovem esta pala-vra, retirou-se tristemente, porque tinha muitos haveres”. (Mateus XIX, 21-22).

Esta a razão pela qual o cristianismo nunca poderá ser a doutrina ou a religião dos ricos, potentados, latifundiários e poderosos. O cristianismo, tal como o interpreta a sociologia espírita, é uma ideia que jamais se acomodará com os inte-resses das classes poderosas, nem com a exploração dos hu-mildes e o luxo desmedido dos endinheirados.

O cristianismo possui em si mesmo tudo o que Marx a-tribuiu (por culpa dos próprios cristãos) ao socialismo de tipo materialista. No dia em que o cristianismo se dedicar totalmente à organização social do mundo, a própria revolu-ção comunista, tão temida na atualidade, aparecerá como um acontecimento insignificante e sem transcendência.

A comunhão de bens ou propriedade coletiva, antes do socialismo, pertenceu ao cristianismo, como sistema social. Nos Atos dos Apóstolos lê-se o seguinte: “E todos os que a-creditavam estavam juntos; e tinham todas as coisas em co-mum (11-44). E não havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam herdades e casas vendiam-nas e depunham o valor aos pés dos apóstolos, para ser distribuí-do a cada um, segundo as suas necessidades.” (IV-34-35).

Esta doutrina do cristianismo primitivo mostra-nos que a ideia de propriedade coletiva, principal instrumento do socialismo moderno, já era praticada pelas primeiras comu-nidades cristãs. Portanto, a cristandade deverá renovar a pre-sente estrutura social, aplicando o ideal econômico ensinado

 

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por Jesus e seus apóstolos, e evitando assim a implantação de um conceito materialista do homem e da sociedade.

Marx esboçou um indivíduo sem vinculações com o

espiritual e o eterno. Acreditou que o Espírito constituía um embaraço para o advento de uma sociedade sem classes, porque tanto o filósofo como o religioso aplacavam as reivin-dicações dos oprimidos, falando-lhes de uma felicidade ultra-terrena. Deste modo, o poderoso se livrava das reclamações de servos e servidores, hoje trabalhadores e obreiros em geral.

O autor de O Capital, conhecedor deste jogo, desliga-se

do Espírito e atém-se unicamente à realidade objetiva das coisas. Concebe por isso um homem material, cujo destino termina com sua morte física. Sente repulsa pelo espiritual e metafísico, porquanto a oligarquia e a opressão de todos os tempos têm submetido os homens, prometendo-lhes recom-pensas no além.

Daí o homem marxista estar desvinculado de todo con-

ceito espiritual e religioso. Marx acreditava que a verdade jamais escraviza o homem, mas o eleva e melhora nas condi-ções da vida social. Viu, entretanto, que a verdade espiritual praticada por cristãos, clérigos, sociólogos e filósofos, até meados do século 19, era uma verdade espiritual que exalta-va o poderoso e lhes submetia os humildes e deserdados, isto é, a todos os que seguiam a Jesus. O cristianismo eclesiásti-co, que não é o cristianismo do Espírito de Verdade, hoje proclamado pela Terceira Revelação, prestou-se a esse jogo aviltante, que consistia em sufocar toda ideia de rebeldia entre os explorados. E Marx, por essa razão, negou aquela verdade espiritual, chegando à conclusão de que a única reali-dade se acha no mundo físico e na vida material do homem. Terminou sustentando que a verdade sempre libertará os indi-víduos, e que toda ideia religiosa, que tratasse de subjugá-los com promessas ultraterrenas, representaria uma falsa verdade ou

 

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um argumento das forças reacionárias, para impedir a justiça social e a democracia.

Hoje, é reconhecida a razão de Marx, no que respeita ao socialismo, mas quanto à interpretação materialista do homem e da história, como se vem comprovando, Marx permanece num plano de absoluto equívoco. É este o motivo que dá argumentos aos misoneístas para combaterem Marx, não tanto com o fim de refutar sua ideologia materialista, mas para defender o re-gime capitalista, onde seus instintos possessivos possam conti-nuar a obra de avareza e de egoísmo.

Se Marx nos legou uma falsa imagem do homem, foi devido ao procedimento moral, que já assinalamos, dos que se chamaram espiritualistas e cristãos, e que em vez de estarem com a mensagem do Cristo, e consequentemente com os po-bres, despojados e explorados, estiveram com os poderosos e os afortunados. Em nosso tempo, continua ainda este jogo de religiosos, espiritualistas e cristãos, que se protegem sob poder estatal para defender seus interesses de classe afortunada. Esta atitude dos poderosos frente aos humildes destrói, a cada mo-mento, na vida dos povos, a ideia de Deus e do Espírito, a ponto de serem consideradas inexistentes, e, repetindo o que dizia Marx, continua-se a considerá-las como instrumentos mentais para aplacar os anseios de justiça.

Mas se o homem marxista é um erro em seu aspecto espi-ritual, e uma verdade em sua face social, o homem kardecista é uma verdade integral: o homem de Kardec é verdadeiro tanto no espiritual como no social. Estes mundos, na concepção es-pírita, não se excluem entre si, segundo afirma a mentalidade religioso-materialista. Para Kardec, esses dois mundos estão representados por dois elementos: o material e o espiritual, que deverão unir-se para revelar uma única realidade: a da vida universal.

 

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Kardec nos assinala que esses elementos, o material e o

espiritual, constituem as duas realidades através das quais deverá passar o Espírito do homem. Essa concepção nos con-firma que a justiça social e a justiça espiritual deverão desen-volver-se em forma paralela, já que tanto o processo visível como o invisível do homem e da história contribuem no pro-cesso que conduz ao amor e à fraternidade sociais. Isso nos mostra que o mundo material e o mundo espiritual se relacio-nam mutuamente, e que o desenvolvimento histórico se efetua mediante essas relações materiais e espirituais, ao lado do desenvolvimento da forma e da vida.

Para Kardec, o fenômeno social tem suas bases no fe-

nômeno espiritual: não existe separação entre essas duas reali-dades; pelo contrário, o conflito da luta de classes se desdobra, penetrando desse modo nas realidades do mundo invisível. De maneira que o homem kardecista é um Ser que relaciona, mediante o perispírito, instrumento psíquico que não possui o homem de Marx, o mundo corporal com o mundo espiritu-al e moral. O perispírito é o elo perdido, que relacionará sub-sequentemente os modos de produção com os modos de evo-lução, isto é, a luta de classes com as classes de luta. Porque a evolução do espírito, para ser equilibrada e harmônica, tem necessidade de meios e formas econômicas justas e equitati-vas, já que sua própria palingenesia fará que o instrumento social seja empregado novamente pelo mesmo Ser, através de seu incessante avançar espiritual. Com razões de sobra dizia Kardec: “Risquem-se das leis e das instituições, das religiões e da educação, os últimos restos da barbárie e os privilégios; destruam-se por completo todas as causas que dão vida e de-senvolvimento a estes eternos obstáculos do verdadeiro pro-gresso e que, por assim dizer, aspiramos por todos os poros na atmosfera social, e então os homens compreenderão os deve-

 

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res e benefícios da fraternidade, e a liberdade e a igualdade se estabelecerão por si mesmas de qualquer forma. 7

As palingenesias individuais e sociais são, para o ho-mem kardecista, o resultado dos fatos sociológicos determi-nados pelo Espírito, através de sua incessante evolução. Para Kardec, ao contrário de Marx, o progresso é uma sucessão de fatos morais e sociais, determinados pelas relações entre o ele-mento espiritual e o material. A nova sociedade, segundo o codificador da doutrina espírita, será determinada pelo modo de vida espiritual alcançado pelos homens. Corpo e Espírito, isto é, Sociedade e Alma, deverão desenvolver-se harmonica-mente; deste modo, com o homem kardecista, a transformação social será integral: compreenderá o aspecto material e espiritu-al. Ao contrário, a evolução socialista de Marx só modificará uma parte da realidade: afetará unicamente o sistema econômi-co da sociedade, deixando o Espírito do homem tal como es-tava no regime chamado capitalista.

Se a imagem do homem kardecista se reflete nas profun-dezas do mundo espiritual, isso nos indica que ele não verá apenas uma vez os alcances e resultados do processo social, mas que passará muitas vezes através desse processo, razão pela qual deverá trabalhar insistentemente em prol de melho-res sistemas sociais. O sistema socialista, segundo a ideia do homem kardecista, será revivido e reencontrado pelos mártires do socialismo, porque o Ser que a filosofia espírita nos apre-senta é uma entidade eterna, que vai e vem no curso e recurso palingenésico da história, sem jamais fenecer.

O homem, para Kardec, é um espírito encarnado, que reconhecerá o seu passado histórico, à medida que ilumine sua visão e intuição espirituais. É por isso que, com a doutrina

 

7 Ver Obras Póstumas, Kardec, capítulo Liberdade, Igualdade e Fraternidade e O Livro dos Espíritos, capítulo sobre o mesmo assunto.

 

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social espírita, podemos falar de um homem-que-reencontra-a-história, isto é, de um homem que construirá um mundo melhor para reencontrar-se a si mesmo, segundo tenham sido seus atos para construí-lo e edificá-lo. A nova sociedade do futuro, segundo o homem kardecista, se emancipará do re-gime social baseado na propriedade individual, porque o estado de evolução espiritual alcançado pelo Ser o obrigará a aperfeiçoar-se, segundo o princípio espírita da lei de igual-dade. E este estado de evolução fará que os homens perce-bam o mundo e os bens econômicos unicamente como obje-tos de encarnação.

Em resumo, podemos afirmar que a comunidade socia-

lista não é o resultado de um sistema imposto por um proces-so político, mas uma realidade social dependente da evolu-ção avançada do homem; é, pois, o fruto do progresso, tanto externo como interno, da humanidade. Por isso, Kardec dizia que os sistemas sociais variam com a evolução dos espíritos; sustentar, portanto, um regime social que esteja em pugna com a evolução espiritual, é colocar-se em oposição à pró-pria lei de progresso. A esse respeito, escreveu Kardec: “A aspiração do homem para uma ordem de coisas melhor que a atual é um indício certo da possibilidade de que chegará a ela. Cabe, pois, aos homens amantes do progresso, ativar este movimento pelo estudo e a prática dos meios que se julguem mais eficazes.” 8

Se a filosofia espírita não abranger o estudo das ques-

tões sociais, o homem marxista terá sempre maior vantagem sobre o homem kardecista, porque o tema da luta de classes é a grande realidade individual e coletiva dos tempos moder-nos. Como temos visto, o espiritismo não é individualista; pelo contrário, abarca por igual a face pessoal e social do

 

8 Allan Kardec, Obras Póstumas, capítulo citado atrás.

 

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homem. Contudo, esta integralidade da filosofia espírita tem sido, pode-se dizer, postergada, por receio de cair no políti-co. Muito se tem falado do espiritismo, quase sempre como de um comércio entre vivos e mortos; tem-se dado preferên-cia aos seus fenômenos, em detrimento de sua doutrina espi-ritual e filosófica, que constitui um verdadeiro humanismo revolucionário e “abrange tanto o homem físico (o social), como o homem moral (o espiritual)”, segundo o sentir escla-recido de Allan Kardec.

Louis Fourcade, notável espírita francês, em uma carta dirigida de Paris à revista La Idea, referindo-se ao sentido social da filosofia espírita, dizia o seguinte: “Por não haver militado no domínio social, o espiritismo francês é insufici-entemente conhecido das massas. Tem atraído para si uma desconfiança inexplicável, mesmo no mundo intelectual; da parte de alguns cérebros lúcidos e orgulhosos de seu conhe-cimento, atraiu um desprezo cínico e sistemático que, alen-tado pelo clero, tem conseguido reduzi-lo e circunscrevê-lo a simples reuniões de associações timoratas, onde frequen-temente degenera em corrupção e charlatanismo, ou tráfico

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mercenário.”

Enquanto fizermos do espiritismo uma questão de mé-

diuns, provas e experiências, não sairemos do estreito círculo em que o têm encerrado psiquistas de toda espécie. Kardec apresen-tou a filosofia espírita com um caráter absolutamente diferente daquele que lhe deram os registradores de fenômenos. Ela en-carna, como se sabe, uma nova visão espiritual do homem e do Universo apresentando-se como uma sociologia espiritualista, tanto do homem físico como do homem moral. O espiritismo, segundo Kardec, é a restauração dos valores essenciais do cristia-nismo e o instrumento filosófico e religioso destinado a dar for-

 

9 Revista La Idea, Buenos Aires, n.° 275, abril de 1947.

 

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ma a um novo tipo de sociedade humana. Consequentemente, a filosofia espírita deverá socializar-se, se quisermos que avance ao lado do progresso, sem ser ultrapassada em sua militância pelas novas ideias.

A alma dos tempos modernos está eivada de transforma-

ções gerais. Se queremos impulsionar o progresso dos homens, teremos de penetrar no social, onde pulsa o coração das reali-zações futuras. Não nos esqueçamos de que é nas massas que estão encarnados os tristes e deserdados. Foi nessa perspectiva que Kardec viu o sentido social do espiritismo, a ponto de che-gar a sustentar que é a eles, “mais que aos felizes da Terra”, que se dirige o seu ideal religioso ou de redenção humana. A mensagem que o espiritismo proclama é a mesma que se ouviu há vinte séculos no Sermão da Montanha, encarnando-se outra vez na história, conforme fora anunciado; através da divina presença do Espírito da Verdade.

 

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