O vício dos livros
O poeta que foi assassinado pelos próprios livros
O poeta que foi assassinado
pelos próprios livros
Vejo a morte de Séneca como exemplo da morte filosófica: na banheira, com os pulsos cortados. O mesmo pode dizer-se da morte de Sócrates, com cicuta. Como exemplo da morte literária, imagino a do sábio árabe Al-Jahiz, que foi morto pelos próprios livros: caíram-lhe em cima e esmagaram-no. Não foi o único a sucumbir ao peso dos livros: leio em Biblioteca Cheia de Fantasmas, de Jacques Bonnet, que o pianista e compositor Charles-Valentin Alkan morreu a 30 de Março de 1888 esmagado pela sua biblioteca.
Qualquer bom leitor, quanto maior for a sua biblioteca, mais sente o peso esmagador do que leu e, principalmente, do que não leu (nem sempre é mau, como se verá adiante) e nunca poderá ler, ainda que, felizmente, o faça de forma menos literal do que os exemplos antes referidos.
OceanofPDF.com
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