O vício dos livros

Afonso Cruz · Capítulo 23 de 33

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O vício dos livros

O poeta que foi assassinado pelos próprios livros

O poeta que foi assassinado

pelos próprios livros

Vejo a morte de Séneca como exemplo da morte filosófica: na banheira, com os pulsos cortados. O mesmo pode dizer-se da morte de Sócrates, com cicuta. Como exemplo da morte literária, imagino a do sábio árabe Al-Jahiz, que foi morto pelos próprios livros: caíram-lhe em cima e esmagaram-no. Não foi o único a sucumbir ao peso dos livros: leio em Biblioteca Cheia de Fantasmas, de Jacques Bonnet, que o pianista e compositor Charles-Valentin Alkan morreu a 30 de Março de 1888 esmagado pela sua biblioteca.

Qualquer bom leitor, quanto maior for a sua biblioteca, mais sente o peso esmagador do que leu e, principalmente, do que não leu (nem sempre é mau, como se verá adiante) e nunca poderá ler, ainda que, felizmente, o faça de forma menos literal do que os exemplos antes referidos.

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