O vício dos livros
Mas a poesia também salva cidades e liberta escravos
Mas a poesia também salva
cidades e liberta escravos
Conta Plutarco que, depois da devastadora derrota da expedição ateniense à Sicília (415 a 413 a.C.), muitos dos que sobreviveram saudaram Eurípides com enorme gratidão. Os sicilianos, que eram grandes admiradores da poesia de Eurípides, regozijavam com a aprendizagem de versos que os prisioneiros atenienses lhes ensinavam. Por isso, alguns dos prisioneiros foram libertados pelos seus captores. Outros, que deambulavam perdidos depois da derradeira batalha, receberam comida e bebida dos sicilianos, por cantarem hinos corais da autoria de Eurípides.
Plutarco conta ainda que Erianto de Tebas, após a guerra antes mencionada, quis destruir Atenas e transformá-la em pasto para o gado. Estando ele reunido com outros líderes num banquete, um actor fociano cantou o primeiro coro de Electra, de Eurípides, que gerou tanta emoção entre os comensais, que estes, de imediato, decidiram abandonar o plano de destruição de Atenas, pois seria «uma enorme crueldade destruir a cidade que produziu poetas daquela qualidade».
OceanofPDF.com