Perícias em Locais de Morte Violenta: Criminalística e Medicina Legal

Capítulo IX Tanatologia Forense

13 SADOCK, BJ, SADOCK,V.A. Cap.12 p. 412-506. In: SADOCK, BJ, SADOCK,V.A. Compêndio de Psiquiatria – Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. ARTMED. Porto Alegre, 2007.

14 CORDEIRO, D.C. “Tratamento Farmacológico da Intoxicação por Anfetaminas e Metanfetaminas”. In: Tratamentos Farmacológicos para Dependência Química. Diehl, A., Cordeiro, D.C., Laranjeira, R., Artmed, Porto Alegre, 2010.

15 http://www.unodc.org/southerncone/pt/frontpage/2010/04/07-mefedrona-umadrogalegal-e-potencialmente-letal.html. Acessado em 15 de maio de 2010. 16 XAVIER, C.A.C. et al. Êxtase (MDMA): efeitos farmacológicos e tóxicos, mecanismo de ação e abordagem clínica. Rev. Psiq. Clín 35 (3); 96-103, 2008. 17 SILVA, FCC, et al. Ketamina, da anestesia ao uso abusivo: artigo de revisão. Rev Neurocienc 2010;18(2):227-237

18 http://www.pos.ufsc.br/arquivos/41010037/TextoCaderno79.pdf Acesso em 15 de maio de 2010.

19 LANARO, Rafael; COSTA, José Luiz; ZANOLLI FILHO, Luiz Antonio and CAZENAVE, Silvia Oliveira Santos. Identificação química da clorofenilpiperazina CAZENAVE, Silvia Oliveira Santos. Identificação química da clorofenilpiperazina 729. ISSN 0100-4042.

20 http://www.portalcse.ufsc.br/gecon/coord_mono/2008.2/Vinicius.pdf Acesso em 15 de março de 2010.

21 SPINOSA, H.S.; GORNIAK S. L.; PALERMO-NETO, J. Toxicologia Aplicada à Medicina. Veterinária. Barueri, SP: Manole, 2008.

22 PETERSON, M. E.; TALCOTT, P. A. Small animal Toxicology. 2nd ed. Philadelphia: Elsevier/Saunders, 2006.

23 NICHOLSON, S. S. Toxicologia. In: ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária – Doenças do Cão e do Gato. V 1. E. 5. p 375- 381. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 2004.

BRASIL. Secretaria Nacional Antidrogas. Glossário de Álcool e Drogas. Tradução e notas: J. M. Bertolote. Brasília: 2006.

Capítulo IX

OceanofPDF.com

Tanatologia Forense

Tanatologia Forense é o nome dado à parte da Medicina Legal que trata da morte, dos fenômenos cadavéricos e da legislação relacionados a ela.

OceanofPDF.com

1 Morte Encefálica, Cerebral ou Neurológica

Quando os órgãos encefálicos, em especial o cérebro, por qualquer motivo, por um período de 3 a 5 minutos, sofrem anoxia (deficiência de oxigênio ao nível dos tecidos orgânicos), acarretando a perda da consciência, a incapacidade de respiração e circulação autônomas, hipotonia geral do organismo, perda da sensibilidade geral e da motricidade, imobilidade dos globos oculares, midríase, abolição dos reflexos pupilares à luz e de acomodação, abolição do reflexo corneano, arreflexia cutânea plantar e osteotendinosa, incontinência dos esfíncteres, ausência do reflexo de deglutição, desregulação térmica com queda de temperatura entre outras, o diagnóstico é de morte cerebral, devendo, sempre que possível ser confirmado por um eletroencefalograma, uma angiografia cerebral e uma pesquisa e dosagem de enzimas no líquor.1

──────────────────────────────────────────────── Tanatognose

 É o diagnóstico da morte; determinação do conjunto de sinais que caracterizam o estado de morte real.

Resolução CFM N° 1.480/97

RESOLVE:

Art.1°. A morte encefálica será caracterizada através da realização de exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis, próprio para determinadas faixas etárias.

Art. 2°. Os dados clínicos e complementares observados quando da caracterização da morte encefálica deverão ser registrados no “termo de declaração de morte encefálica” anexo a esta resolução.

Parágrafo único. As instituições hospitalares poderão fazer acréscimo ao presente termo, que deverão ser aprovados pelos Conselhos Regionais de Medicina da sua jurisdição, sendo vedada a supressão de qualquer de seus itens.

Art. 3°. A morte encefálica deverá ser consequência de processo irreversível e de causa conhecida.

Art. 4°. Os parâmetros clínicos a serem observados para a constatação de morte encefálica são: coma aperseptivo com ausência de atividade motora supra espinhal e apneia.

Art. 5°. Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa etária, conforme abaixo especificado:

a) de 7 dias a 2 meses incompletos - 48 horas

b) de 2 meses a um ano incompleto - 24 horas c) de 1 ano a 2 anos incompletos - 12 horas

d) acima de 2 anos - 6 horas

──────────────────────────────────────────────── Art. 6°. Os exames complementares a serem observados para a constatação de morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca: a) ausência de atividade elétrica cerebral ou,

b) ausência de atividade metabólica cerebral ou, c) ausência de perfusão sanguínea cerebral.

Art. 7°. Os exames complementares serão utilizados por faixa etária, conforme abaixo especificado:

 a) acima de 2 anos – um dos exames citados no Art. 6°., alíneas “a”, “b” e “c”;

b) de 1 a 2 anos incompletos: um dos exames citados no Art. 6°., alíneas “a”, “b” e “c”. Quando optar-se por eletroencefalograma, serão necessários 2 exames com intervalos de 12 horas entre um e outro;

c) de 2 meses a 1 ano incompleto – 2 eletroencefalograma com intervalo de 24 horas entre um e outro;

 d) de 7 dias a 2 meses incompletos - 2 eletroencefalograma com intervalo de 48 horas entre um e outro;

Art. 8°. O Termo de Declaração de Morte Encefálica, devidamente preenchido e assinado, e os exames complementares utilizados para diagnóstico da morte encefálica deverão ser arquivados no próprio prontuário do paciente.

Art. 9°. Constatada e documentada a morte encefálica, deverá o Diretor-Clínico da instituição hospitalar, ou quem for delegado, comunicar tal fato aos responsáveis legais do paciente, se houver, e à Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos a que estiver vinculada a unidade hospitalar onde o paciente se encontra internado.

Art.10°. Esta Resolução entrará em vigor nada data de sua publicação e revoga a Resolução CFM n° 1.346/91.

────────────────────────────────────────────────

OceanofPDF.com

2 Fenômenos Abióticos

Fenômenos observados após a morte sem a ação de microrganismos.

OceanofPDF.com

2.1 Perda da Consciência

A perda da consciência se dá de 8 a 10 segundos após a anoxemia cerebral (privação de oxigênio).

OceanofPDF.com

2.2 Perda da Sensibilidade

Perda das sensações tátil, térmica e dolorosa.

OceanofPDF.com

2.3 Perda do Tono Muscular e da Motilidade

Imobilidade do corpo, relaxamento dos esfíncteres (em particular a midríase), semiabertura das pálpebras, dilatação das pupilas e queda da mandíbula.1

 

Ilustração 137 e 138 Semiabertura

das pálpebras.

OceanofPDF.com

2.4 Parada da Respiração

Ausência de fluxo de ar nas vias respiratórias.

OceanofPDF.com

2.5 Parada da Circulação

Ausência de fluxo de sangue nas vias cardiovasculares. ────────────────────────────────────────────────

OceanofPDF.com

2.6 Rigidez Cadavérica

Rigidez Cadavérica ou Rigor Mortis é um fenômeno cadavérico abiótico consecutivo, determinado pela retração e endurecimento de todos os músculos do organismo, em resultado das alterações físico-químicas post-mortem, acidificação combinada à desidatração.1

Ilustração 139 e 140 Rigidez cadavérica.

Fatores que Aceleram o Processo de Rigidez Cadavérica:1 • Alta temperatura ambiente.

• Morte súbita em plena atividade física.

• Desidratação orgânica.

• Hemorragias agudas.

• Eletrocussão.

• Enfermidades convulcivantes (epilepsia, tétano, eclampsia). • Envenenamento pela estricnina.

• Idade tenra e senilidade.

Fatores que Retardam o Processo de Rigidez Cadavérica:1 • Baixa temperatura ambiente.

 • Morte da pessoa em repouso.

────────────────────────────────────────────────

• Enfermidades crônicas, caquexia.

• Edemaciação do corpo.

• Morte por afogamento.

• Robustez física

Lei de Nysten

A rigidez se instala de modo geral no sentido descendente, nos músculos mandibulares, pescoço, tórax, membros superiores, abdome e membros inferiores, e desaparece na sequência inversa.

Esfriamento do Cadáver (Algor Mortis)

Equilíbrio térmico entre o cadáver e o meio, geralmente de menor temperatura, salvo exceções geográficas ou ocasionais. A temperatura corpórea (36,5°C) se iguala à do ambiente (20 a 25°C) cerca de 15 a 24 horas. Muitos fatores interferem no fluxo de calor entre o cadáver e o ambiente, pois, quanto maior for a diferença de temperatura, maior será o fluxo, e quanto mais isolante for o meio intermediário, menor será o fluxo de calor, em outras palavras depende da estação do ano, da quantidade de vestes, do tecido adiposo do cadáver (gordura), meio aquoso ou seco, entre outros.

Coagulação do Sangue Após a morte o sangue perde, progressivamente, suas propriedades coagulantes. Os coágulos são muito aderentes aos tecidos das feridas, dando-lhes o "aspecto sanguinolento", em vida, tornando-se pouco aderentes nas reações post mortem.2

Faz-se intensa após enfermidades prolongadas, enquanto que nos casos de morte rápida ou por asfixia o sangue permanece líquido.2

──────────────────────────────────────────────── Livores, Hipóstases ou Lividez Cadavérica

Manchas de cor azul-violáceas, podendo variar do róseo claro ao roxo enegrecido, dependendo da causa mortis, localizadas nas partes declives do cadáver, decorrente da migração de sangue sob a ação da gravidade, acompanhadas

OceanofPDF.com

algumas vezes de vibices (rompimento dos

capilares formando

pequeninas manchas de aspecto equimótico). Começam a aparecer cerca de 20 a 30 minutos após a morte, alcançando a máxima extensão em aproximadamente 15 horas. Podem migrar de região se a posição do cadáver for alterada antes de 12 horas, fixando-se definitivamente após este tempo.1

 

Ilustração 141 A parte declive do corpo que é

pressionada por qualquer objeto deixa em si o

formato deste circundado pela lividez

cadavérica.

Ilustração 142 Hipóstases nas extremidades dos membros de uma vítima de enforcamento.

Nestas áreas declives do cadáver, os pontos da pele que se encontram pressionados pelo solo ou por objetos, tais como marcas do piso, pedras, uma arma ou qualquer outro objeto, não permitem a formação dos livores, formando, por contraste, desenhos onde se pode claramente identificar estes objetos. Uma arma de fogo que fora, indevidamente, removida do local, pode se encontrar desenhada na região das hipóstases cadavéricas, sem que o irresponsável por esta ação tenha se dado conta disto.

────────────────────────────────────────────────

OceanofPDF.com

2.7 Desidratação do Corpo

A perda de água depende do grau de hidratação: 60% no homem velho, 56% no adulto, 80% no recém-nascido e 97% no embrião. O valor médio é de 10 a 18 g por quilograma por dia, dependendo da umidade do ar, da temperatura ambiente e da pressão atmosférica. Torna-se visível pelo pergaminhamento da pele, pelo dessecamento das mucosas e pelos sinais oculares (tela viscosa).2

Nos afogados se observa o contrário, pois aumenta 14% de sua massa corpórea do 9o o o o ao 14 dia; perde 3 kg nos 14 e 15 dias; e aumenta novamente a massa por conta da decomposição.2

Pergaminhamento, Apergaminhamento

 Aspecto seco, enrugado, semelhante ao pergaminho. Fenômeno cadavérico resultante da desidratação corpórea. Quando a desidratação é rápida e extensa ocorre a mumificação.

Mumificação

Fenômeno cadavérico transformativo conservativo, devido à desidratação intensa, em condições favoráveis.

São estas condições:1

• Permanência do cadáver, inumado ou insepulto, em ambiente quente, seco e ventilado.

• Terrenos arenosos, por serem mais absorventes. • Terrenos ricos em nitrato de potássio, pela ação antisséptica deste sal. • Pessoas magras e idosas.

• Recém-nascidos, devido sua reduzida fauna microbiana intestinal. • Hemorragia aguda, face à espoliação de considerável massa líquida do organismo.

──────────────────────────────────────────────── • Intoxicação por substâncias que impedem a proliferação microbiana, como arsênico, estricnina e antimônio. Este processo completa-se de seis meses a um ano após a morte. 1

Sinais nos Globos Oculares

• Turvação da córnea - fenômeno cadavérico, resultante da desidratação corpórea, que se dá cerca de cinco horas após a morte, em que a córnea perde sua transparência, adquirindo aspecto turvo. • Perda da tensão do globo ocular como resultado da parada da circulação e desidratação cadavérica, que aparece cerca de cinco horas após a morte (StenonLouis).

• Mancha enegrecida, de forma circular ou ovalar, às vezes triangular, que costuma aparecer na esclerótica, após a morte (Sommer-Larcher).

OceanofPDF.com

2.8 Saponificação

Decomposição das gorduras, por hidrólise, formando glicerina e ácido graxo, que, em seguida reagem com um álcali, com formação de sais de ácido graxo, os sabões.

A saponificação cadavérica é um fenômeno transformativo conservador, que ocorre quando o corpo permanece por longo tempo em meio líquido ou é inumado em terreno úmido e sem ventilação, mais comumente em solo argiloso ou em águas estagnadas. O resultado da saponificação cadavérica é a adipocera, substância branco-amarelada, de consistência mole, semelhante à cera, sabão ou queijo, de odor rançoso. Quanto mais antiga, mais escura se torna, endurecida e quebradiça. Inicia-se este processo cerca de um a dois meses após a morte, completando-se ao final de um ano. 1

────────────────────────────────────────────────

Ilustração 143, 144, 145 e 146 Cadáver de mulher encontrado num banhado apresentando a reação de saponificação na região do quadril, onde as mulheres armazenam maior quantidade de tecido adiposo; na fotografia inferior direita se pode observar a região pubiana compatível com a

de uma mulher.

OceanofPDF.com

3 Putrefação

Decomposição das matérias orgânicas por ação de microrganismos, transformando estruturas complexas em estruturas simples, através de processos físicos e químicos.

Mancha Verde Abdominal

Localiza-se na fossa ilíaca direita, região correspondente ao segmento ceco-apendicular do intestino grosso, onde se inicia o processo putrefativo e que, pela distensão gasosa, comprime-se contra a parede abdominal. Tem como causa a formação da sulfemoglobina, substância esverdeada, combinação da hemoglobina com o gás sulfídrico. Nos natimortos inicia-se ao redor da boca e do nariz, e nos afogados costuma iniciar-se na

──────────────────────────────────────────────── região esternal. Recobre o corpo em 7 a 12 dias, adquirindo tonalidade mais escura. 2

Circulação Póstuma de Brouardel

Fenômeno observado no período enfisematoso da putrefação cadavérica, em que, por efeito da compressão gasosa intra-abdominal, o sangue é impelido para a periferia do corpo, ocasionando a turgescência da rede venosa superficial, que se torna saliente e nitidamente visível. 1

Parto Post-Mortem

É o parto que ocorre após a morte da gestante. Ocorre no período gasoso da putrefação cadavérica, devido à pressão gasosa intra-abdominal, acompanhado pelo prolapso ou eversão de útero. 1

OceanofPDF.com

4 Fenômenos Microbianos

O corpo humano se compõe, 34,5% de matéria orgânica, 4,5% de matérias minerais e de 60 a 80% de água, donde 2/3 são intracelulares. Somente os ossos, os cabelos e as unhas escapam da putrefação.

Os microrganismos que já habitam o corpo humano, sobremodo os intestinos, transpassam as mucosas transformadas pela morte, invadem os tecidos e as vísceras, seguindo pelas vias sanguíneas e linfáticas. Os aeróbios (proteus vulgaris, bacterium coli, mesentéricus vulgaris, micrococcus albus, liquefians, ...) absorvem o oxigênio dos tecidos, os alcalizam e os preparam para a ação dos anaeróbios (coli putreficus, principalmente). Os micróbios patogênicos desaparecem cerca de 2 a 10 semanas.2

────────────────────────────────────────────────

OceanofPDF.com

4.1 Fauna Cadavérica

 

Ilustração 147, 148, 149 e 150 - Calliphora – ovos, (www.dpi.vic.gov.au, 29/03/2010) larva, ninfa (www. wijkmark.com, 19/09/2010) e adulto (www. bugguide.net, 29/03/2010).

 

Ilustração 151, 152, 153 e 154 - Aglossa larva (www.insecte.org, 29/03/2010) e adulto, Dermestes adulto e suas larvas (www.zin.ru, 29/03/2010).

 

Ilustração 155, 156, 157 e 158 - Piophila (www.aramel.free.fr, 29/03/2010), Necrobia adulto e sua larva, Nicrophorus (www. bugguide.net, 29/03/2010).

Ilustração 159, 160, 161 e 162 - Tenebrio e sua

 

larva, Ptinus e Tineola (www. bugguide.net, 29/03/2010).

Ilustração 163, 164, 165, 166 e 167 - Ácaro Uropoda

(www.species.wikimedia.org, 29/03/2010), Attagenus adulto e sua larva, Anthrenus adulto e sua larva (www. bugguide.net, 29/03/2010).

────────────────────────────────────────────────

A matéria orgânica em decomposição torna-se alimento para mais de vinte espécies de insetos, ditos necrófagos, além de prover condições ideais para seus ciclos de reprodução. Conforme as substancias vão se alterando e surgindo, umas após as outras, da mesma forma, grupos de insetos, atraídos por estas substancias, vão se sucedendo durante os diversos períodos da putrefação. Como estes ciclos reprodutivos apresentam uma razoável regularidade, podem ser usados como parâmetro para se estimar o tempo decorrido da morte - cronotanatognose.

Entretanto, alguns fatores interferem na velocidade destes ciclos assim como nos períodos da putrefação de maneira mais ampla, tais como as condições do meio no qual se desenvolve a putrefação, ao ar livre, no cadáver submerso em água doce ou salgada, no cadáver inumado, a estação do ano, a temperatura, a umidade relativa, o pH do meio, a região geográfica, a forma como se deu a morte, por meios físicos, químicos ou biológicos, entre outros.

O Primeiro Grupo

 Formado por insetos necrófagos que atacam o cadáver ainda recente, é formado pelas moscas (fauna califoriana), a

OceanofPDF.com

mosca doméstica Musca domestica, Muscina

stabulans e as moscas azuis do gênero Calliphora,

que se alimentam de carne,

colocando seus ovos, de 100 a 150 a cada postura, nas pregas da pele, angulo dos olhos, narinas, lábios, ouvidos, cujas larvas vorazes eclodem dos ovos após 8 a 12 horas. O ciclo (ovo, larva, ninfa, adulto) se completa de 12 a 30 dias, sendo, portanto necessários, de 8 a 12 dias, no verão, para se encontrar casulos vazios sob o cadáver, entre as vestes ou no solo imediato. 2

Um cadáver que apresenta larvas de moscas pode ter seu tempo de morte bastante elástico para que um perito criminal, por ocasião do exame de local, possa precisá-lo.

──────────────────────────────────────────────── Segunda Legião

 Surge atraída pelos primeiros odores cadavéricos e permanecem de 15 a 20 dias, formada por moscas dos gêneros

OceanofPDF.com

Lucilia, SarcophagaeCynomya(fauna

sarcophagiana).2

Terceiro Grupo

No terceiro período da putrefação (1 a 6 meses), o cadáver é atacado pela fauna dermestiana, formada por insetos que se alimentam dos tecidos graxos ou adipocera, como um

OceanofPDF.com

besouro do gênero Dermestes e uma mariposa do

gênero Aglossa.2

Quarta Turma

 Entre 3 a 10 meses, surgem os insetos que se alimentam dos produtos da fermentação gasosa, a fauna corinetiana,

OceanofPDF.com

representada por uma mosca do gênero Piophila e

os besouros do gêneroNecrobia.2

Quinto Grupo

 Aparecem na fase da liquefação enegrecida e é formado

OceanofPDF.com

por moscas dos gêneros Phora e Ophyra e por

besouros do gêneroNicrophorus(fauna silfiana).2

Sexta Legião

 Absorvem as últimas serosidades e dissecam ou mumificam o cadáver. Representada por ácaros de vários gêneros

OceanofPDF.com

e espécies, Uropoda, Tyroglyfus, Glyciphagus,

Trachynotus e Serrator(fauna acariana).2

──────────────────────────────────────────────── Sétima Legião

 Aparecem de um a dois anos, consomem os ligamentos

OceanofPDF.com

e os tendões, formada pelas mariposasAglossa,

Tineola, Tineae pelos besourosAttagenus e

Anthrenus.1

Oitava Legião

 Após o terceiro ano surgem as espécies de besouros

OceanofPDF.com

Tenebrio e Ptinusque consomem as sobras

deixadas pelas demais

legiões além dos insetos por elas deixados.1

OceanofPDF.com

4.2 Flora Cadavérica

Os fungos se sucedem em determinados grupos, e os insetos necrófagos e suas larvas finalizam a decomposição. Os fungos aparecem em três etapas:1

• Início do período coliquativo: aspergillus, mucor, penicillium, oospora; • Final do período coliquativo: oospora, aspergillus, eurotium, stemphilium, chetomices, entre outros;

• Período de esqueletização: tricoderma, cylindrium, monosporium, sterigmatocystis, entre outros.

OceanofPDF.com

5 Circunstâncias da Morte

Morte Agônica

(= Lenta) Tipo de morte natural, opõe-se à morte súbita, que se processa em tempo prolongado. Vem de maneira esperada, devagar, significando a culminação de um estado mórbido, isto é, de uma doença ou da evolução de um traumatismo.

──────────────────────────────────────────────── Morte Súbita

(= Rápida) Tipo de morte natural, assim chamada desde que: seja imprevista, se processe rapidamente, seja clinicamente indeterminada e ocorra em estado de aparente saúde. Pela brevidade de instalação do processo - desde segundos até horas não possibilita que seja realizada uma pesquisa profunda e uma observação acurada da sintomatologia clínica, hábil a ensejar um diagnóstico com certeza e segurança, nem poder instituir um tratamento adequado, e muitas vezes, sequer elidir se houve ou não violência. 1

Docimasias

São exames realizados em alguns órgãos para se determinar a ocorrência de morte súbita ou agônica, ou entre nascimento vivo ou natimorto.

Contudo, do ponto de vista médico-legal, e em persistindo dúvidas, o diagnóstico diferencial entre morte rápida e morte lenta, se baseia na pesquisa do glicogênio e da glicose no fígado (docimasia hepática) e na constatação da adrenalina ou do pigmento feocrômico nas suprarrenais (docimasia suprarrenal). As várias provas que existem em tal sentido se embasam no maior consumo ou gasto de citadas substâncias durante o demorado processo agônico, gasto este que se não observa, dada a rapidez do processo, na morte súbita. 1

Morte Duvidosa Súbita, sem assistência, suspeita. Causa Indeterminada da Morte: São aqueles casos em que, nem as informações colhidas, nem os achados da necropsia, apontam para uma causa provável que determinara a morte. Daí que se diga que a morte resultou de causa indeterminada. Corresponde às denominadas coloquialmente de autópsias brancas. As maiores dúvidas que suscita este tipo de óbito se relacionam com o fato de ocorrer sem testemunhas, em locais isolados ou em pessoas que moram

──────────────────────────────────────────────── sozinhas ou, pelo menos, que no momento da morte não havia ninguém na residência, e que tampouco procuraram por auxílio.

Nestas circunstâncias, não há qualquer orientação diagnóstica e via de consequência deverá proceder-se à necropsia como forma possível de determinar a "causa mortis", tanto médica quanto jurídica, elucidando se se trata de morte de causa natural ou foi produzida mediante violência.

Por estas razões, a medida mais correta, é proceder ao exame necroscópico, incluindo o exame toxicológico das vísceras, desde que nenhuma outra causa de morte natural exsurja, quer da perinecroscopia, quer da própria necropsia.

Rotula-se como morte suspeita aquela que, mesmo com testemunhas, e com alguns dados de orientação diagnóstica, se mostra duvidosa quanto à sua origem, logo desde a investigação policial sumária, quer por atitudes estranhas do meio ambiente, quer por indícios que impedem descartar de plano a violência (possibilidade de intoxicação, presença de ferimentos etc.).

A necropsia deve ser precedida da colheita de informações, anamnese familiar, exame das vestes e dos documentos, onde se podem encontrar dados de valor diagnóstico (carta de suicídio, bilhetes anônimos, contas a pagar) que ajudem a orientar se estamos em presença de um caso de morte súbita, de causa natural ou violenta.

Morte por Inibição Morte súbita por síncope cardíaca reflexa, que segue a uma ação traumática ou irritativa, exercida sobre determinadas áreas, particularmente sensíveis, do organismo. Há necessidade que um conjunto de condições desfavorável esteja predisposto para uma determinada pessoa, uma vez que a ação traumática ou irritativa não é compatível com o resultado, não se podendo verificar em exame de necropsia.1

────────────────────────────────────────────────

OceanofPDF.com

6 Cronotanatognose

Parte da Tanatologia que estuda a determinação do tempo decorrido entre a morte e o exame cadavérico.

Tal cronologia não apresenta exatidão devido à quantidade inumerável de variáveis que interferem nos fenômenos cadavéricos, como a idade e estado de nutrição da vítima, umidade, temperatura e aeração do ambiente, condições do solo, exposição do corpo, entre outros.

Quadro 15. Calendário Tanatológico.

Aparecimento dos primeiros livores, no pescoço. Mandíbula e nuca semirrígidas.

1 hora Perda da transparência da córnea (estando o olho aberto). Temperatura retal: 36,5ºC. Coagulação do sangue.

Confluência dos livores no pescoço.

2 horas

Rigidez da mandíbula e da nuca.

Esfriamento do cadáver, das mãos, pés e face. Temperatura retal: 36ºC. Livores bem visíveis.

3 horas Rigidez iniciando-se nos membros superiores. Esfriamento sensível da pele. Temperatura retal: 35,5ºC.

4 horas

Rigidez total dos membros superiores e parcial dos membros inferiores. Temperatura retal: 34ºC

5 a 8 h Rigidez de todo o corpo. Temperatura retal : 32ºC.

8 a 12 Fixação dos livores nas partes declives, não mais desaparecendo à pressão nem horas às mudanças de posição do cadáver. Presença precoce de larvas vivas de moscas sobre o cadáver.

14 horas

Livores com a máxima extensão e intensidade. Mancha verde na fossa ilíaca direita (em tempo quente).

15 a 24 h

Temperatura igual à do ambiente.

Hipóstases pulmonares.

1o Período da putrefação

Período Cromático

18 a 24 h

Mancha verde abdominal.

Hemoconcentração do sangue no coração.

24 Perda da transparência da córnea (estando o olho fechado). horas Coloração verde escura na face inferior do fígado e na face cólica do baço. Presença de transudato com hemoglobina na cavidade abdominal.

──────────────────────────────────────────────── 24 a 36 Presença de transudato com hemoglobina na cavidade pleural.horas 48 Início do desaparecimento da rigidez.

horas Desaparecimento do líquido cefalorraquidiano.

3 dias

Desaparecimento da rigidez.

Mancha verde atingindo 70 % do abdome .

4 dias Mancha verde espalhando-se por todo o tórax e abdome. 6 dias Presença precoce de casulos. 6 a 8 Cadáver totalmente tomado pelas manchas verdes.dias

2o Período da putrefação Período Enfisematoso, Gasoso ou Deformativo Fetidez intensa.7 a 8 Rede venosa superficial.dias Presença precoce de casulos vazios. 10 a 14 Presença de crisálidas.dias

Flictenas.

Tumefação generalizada (face, pescoço, abdome e genitália externa) Protrusão dos globos oculares e da língua.

15 a 30 Face negróide.

dias Circulação póstuma de Brouardel.

Expulsão, pelo ânus, das matérias fecais. Parto post-mortem.

Aparecimento de putrescina e cadaverina à pesquisa laboratorial.

1 a 2 Início da Saponificação (havendo condições favoráveis). meses Início da Mumificação (havendo as condições favoráveis). 3o Período da putrefação.

Período Coliquativo ou de redução dos tecidos. 1 a 6 Coliquação dos órgãos e tecidos. meses Fauna sarcofagiana.

3 a 9 Fauna dermestiana.meses

4 a 6 Cor pardo-esverdeada do cadáver .meses

6 a 12 Final da Saponificação ou da Mumificação, em condições favoráveis.meses 10 meses Fauna corineteana.

2 a 3 anos Faunas silfiana e acariana. Aparecimento de fungos.

4o Período da putrefação - Período de Esqueletização. 3 anos Desaparecimento das partes moles: esqueletização. 5 anos Desaparecimento de ligamentos e cartilagens.

──────────────────────────────────────────────── 10 a 15 Início da alteração da estrutura óssea.anos

50 anos As superfícies ósseas se tornam porosas.