Perícias em Locais de Morte Violenta: Criminalística e Medicina Legal

Capítulo IV Traumatologia Forense

8.7 Submetralhadora

Ao contrário das metralhadoras, que necessitam de um suporte, tripé, as submetralhadoras são armas portáteis, longas, de repetição, automáticas e de alma raiada, utilizadas pelas forças de segurança.

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1 CBC. Companhia Brasileira de Cartuchos. Informativo Técnico. 38. Cartuchos para Armas Longas Não Raiadas. 2004; Informativo Técnico.39.Rifles Semiautomáticos 7022. 2004; Informativo Técnico.42.Família .22 de Fogo Circular. 2004; Informativo Técnico.44. Pólvoras CBC. 2005;Informativo Técnico.32.Munições para Uso Policial. 2009;Informativo Técnico. 6.Pump CBC 12 Policial (Modelo 586.2). 2004; Informativo Técnico.43.Munição para Armas Curtas. 2005; Informativo Técnico.50.Carabinas de Pressão Montenegro GII. 2008; Manual de Aperfeiçoamento Profissional; Disponível em: <http://www.cbc.com.br>. Acesso em: 03/04//2010.

2 BOITO. E R Amantino Armas. Disponível em: <http://www.eramantino.com.br> e <http://www.armasboito.com.br>. Acessado em: 03/04/2010. 3 TOCHETTO, Domingos; WEIGAERTNER, João A.Taurus uma garantia de segurança. Porto Alegre, 1994.

4 ROSSI. Forja Taurus S.A.. Site. Disponível em: <http://www.rossiusa.com>. Acessado em: 03/04/2010.

5 FORJA TAURUS. Site. Disponível em: <http://www.taurusarmas.com.br>; <http://www.taurususa.com>. Acessado em: 03/04/2010.

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Ilustração 17 18 Encontro de cadáver lançado nas águas do rio Iguaçu. Foto: Vanderlei Portela. Capítulo IV

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Traumatologia Forense

Traumatologia é a parte da medicina que se ocupa dos ferimentos e contusões.

Ferida ou lesão é uma alteração fisiológica sofrida pelo organismo como resultado de uma ação externa. É o resultado de um ferimento.

Ferimento é a ação de ferir, a produção de uma ferida.

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1 Reação Vital

Conjunto de fenômenos fisiopatológicos que se verificam no organismo, em vida, como reação contra um agente agressor ou em consequência da ofensa física por ele provocada. 2

Os sinais indicadores de reação vital são os seguintes: hemorragia, coagulação do sangue, equimose, crosta hemática, retração dos tecidos, reações inflamatórias, calo de fratura, espasmos cadavéricos, equimose periorbitária e otorragia.

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Sua presença distingue as lesões intra vitam das

lesões post mortem.

──────────────────────────────────────────────── Hemorragia

Saída do sangue dos vasos sanguíneos para as cavidades do corpo ou para o exterior, tanto maior quanto for o tempo de sobrevida da vítima.

A hemorragia pode não se produzir ou ser mínima nas feridas puctórias, nos arrancamentos e nos traumatismos nos centros nervosos, os quais inibem a circulação sanguínea e fazem cessar a hemorragia.

A infiltração do sangue nos tecidos das feridas é pequena quando o sangue flui facilmente pelas artérias secionadas. 1

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Uma ferida post mortem pode sangrar se

localizada nas

regiões hipostasiadas, sobremodo nos asfixiados e afogados. Coagulação do Sangue

Após a morte o sangue perde, progressivamente, suas propriedades coagulantes. Os coágulos são muito aderentes aos tecidos das feridas, dando-lhes o "aspecto sanguinolento", em vida, tornando-se pouco aderentes nas reações post-mortem.1

Equimose

Mancha avermelhada, mais ou menos escura, localizada na pele ou nas mucosas, constituída por sangue extravasado e infiltrado nos tecidos.

Pode-se apresentar no local do traumatismo ou não, como a equimose palpebral por fratura de crânio; pode não ser visível exteriormente, como a equimose óssea, das mucosas digestivas ou das vísceras. Geralmente de origem traumática ou senão, do tipo espontânea, como em casos de asfixias, envenenamentos, certos estados patológicos, ou devido a injeções ou punções de ordem terapêutica.

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A equimose das conjuntivas tem o aspecto de hemorragias puntiformes ou sufusões sanguíneas estendidas. Produzem-se no curso das asfixias, violências sobre os olhos, fratura da base do crânio ou congestões violentas e repetidas da cabeça.

Ilustração 19

Equimose no terceiro dia em pele caucasiana.

Ilustração 20 Equimose de um dia

em pele morena.

 

Ilustração 21 e 22 Edema

traumático com equimose sobrejacente localizada na região orbitária, consequente de traumatismo craniano (projetil de arma de fogo).

As equimoses no couro cabeludo são observadas no reverso deste, durante a autopsia, com a abertura do crânio. Na forma de pequenos grãos é chamada de sugilação e na forma de estrias, víbices. 1

A equimose pode se confundir com a hipóstase ou

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enquanto que esta

é de natureza post-mortem.

Quadro 7. Espectro equimótico.

Tempo (dias) 1 2 a 3 4 a 6 7 a 12 13 a 17 Cor Vermelha preta azul verde amarela ──────────────────────────────────────────────── Espectro Equimótico

Conforme Legrand Du Saulle, não ocorrendo a morte, a equimose muda sua coloração com o passar dos dias, como mostra o quadro 7, desaparecendo em cerca de 25 dias.

Crosta Hemática

Ou crosta purulenta ou seco-hemática, trata-se de um exsudado ressequido que cobre as feridas não tratadas. Reação vital, se a ferida não se localiza nas partes declives, caso contrário fica de caráter indeterminado.

No cadáver a formação é da placa pergaminácea, estrutura de aspecto coriáceo, que reveste uma escoriação, pelo apergaminhamento da derme.

Ilustração 23 e 24 Crosta hemática

sobre escoriação (esquerda) e entrada produzida por projétil de arma de fogo (direita). Retração dos Tecidos

As feridas que se produzem em vida têm as bordas afastadas, após a morte a pele perde a elasticidade e seus bordos não mais se afastam.

Espasmo Cadavérico

O espasmo cadavérico ou rigidez cadavérica cataléptica é um tipo de rigidez que pode se instalar de imediato após a morte em casos de morte súbita violenta, nas agressões dos ──────────────────────────────────────────────── centros nervosos superiores, nas fadigas musculares, nas crises convulsivas.

Ilustração 25 e 26 Vegetação do local presa às mãos do cadáver é uma importante evidência de que a morte se deu no local do encontro do cadáver, independentemente do lugar onde tenham sido praticadas as agressões.

Nos casos mais frequentes, e de grande importância para se determinar quando a morte se dá no local do encontro do cadáver, o espasmo cadavérico faz com que a vítima se agarre a objetos próximos, como as gramíneas da região imediata a esta.

Reações Inflamatórias

Reação local do organismo vivo contra agentes estranhos, que se caracteriza pela vermelhidão, dor, calor etc., da parte infetada.

Calo de Fratura

 Camada protetora que se forma em torno de um osso fraturado

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2 Ferida Contusa

Contusão ou traumatismo fechado é ferida produzida por ação contundente. Apresenta as bordas irregulares, equimosadas ou escoriadas, sem o rompimento total dos tecidos.

──────────────────────────────────────────────── Muitas vezes as rugosidades do instrumento ficam "tatuadas" sobre a superfície lesionada.

Hematoma

Lesão contusa, de cor azul-violácea, devido à tumefação dos tecidos pelo sangue extravasado em hemorragia subcutânea. O sangue não é absorvido pelos tecidos como na equimose, mas fica preso entre estes, formando uma bolsa de sangue com limites mais nítidos do que aquela e de desaparecimento mais lento.

Estigma Ungueal

 

Ilustração 27

Ilustração 28

Estigma ungueal em morte por esganadura.

É o conjunto de equimoses e escoriações dispostas irregularmente nas regiões agredidas produzidas pela pressão dos dedos, e particularmente, das unhas.

A localização dos estigmas ungueais é de grande interesse criminalístico. Localizadas em torno da boca e das narinas podem indicar uma ação de sufocação; no pescoço podem indicar esganadura; nas mamas, nos genitais externos, nas faces internas das coxas e nas nádegas podem indicar violência sexual; nas mãos e antebraços da vítima caracterizam as lesões de defesa; igualmente serão lesões de defesa se aparecerem nos membros, face, pescoço do agressor.

──────────────────────────────────────────────── Bossa Sanguínea

 Saliência volumosa na superfície da pele e sempre sobre um plano ósseo. Popularmente conhecida como “galo”. Beliscão, Beliscadura

Ação de comprimir a pele com os dedos, ou simultaneamente torcer, obtendo como resultado uma equimose, podendo conter também estigmas ungueais.

Fratura

 Quebra ou ruptura de um osso ou de uma cartilagem dura. Diz-se fratura exposta quando o tecido ósseo se exterioriza.

 

Ilustração 29 e 30 Fraturas

produzidas por projetis de arma de fogo.

Luxação

 Deslocamento entre dois ossos nas suas extremidades articuladas. Rupturas Viscerais

Rompimento dos órgãos internos por ação contundente externa. Muitas vezes os resultados externos são menos graves que os internos.

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2.1 Sulco

Depressão alongada, de profundidade variável, que se forma por compressão, na pele ou na superfície de um órgão. ──────────────────────────────────────────────── Sulco de Enforcamento

É de disposição oblíqua em relação à coluna cervical, ascendente em direção ao nó, tanto mais profundo quanto mais estreito for o instrumento constritor e mais afastado do nó, descontínuo na região do nó, se localiza na região suprahioidéia (acima do osso hióide).

 

Ilustração 31

 

Ilustração 32

Sulco de enforcamento.

O aspecto do fundo é de grande importância para se determinar se a suspensão do corpo foi em vida ou após a morte, pelo surgimento ou não das reações vitais.

Produzido em vida, apresentará o fundo equimosado, podendo apresentar escoriações decorrentes da rugosidade do elemento constritor, com surgimento de gotículas de sangue e líquidos intracelulares extravasados, o que lhe dará uma tonalidade escura.

Sulco de Estrangulamento

Difere do sulco de enforcamento por ser transversal em relação à coluna cervical, apresentar profundidade uniforme, ser contínuo em torno do pescoço e localiza-se na região infrahioidéia.

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3 Ferida Incisa

Ferida produzida por ação cortante sobre os tecidos. Apresenta formato linear ou curvo, com bordas regulares e lisas, com o comprimento maior que a profundidade.

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A extremidade em que o instrumento deu início ao ferimento apresenta maior profundidade e largura, as quais vão diminuindo à medida que se aproxima da extremidade oposta, chamada cauda, culminando muitas vezes por simples escoriação linear.

Ilustração 33 e 34 Lesões incisas.

 Algumas vezes, quando o instrumento incide obliquamente à superfície, a ferida é talhada em bisel. Incisão é a ação de produzir uma ferida incisa.

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4 Ferida Corto-contusa

 

Ilustração 35 e 36 Lesão corto-

contusa produzida por golpes com estacas de concreto.

Ferida produzida por ação corto-contundente que produz esmagamento e corte dos tecidos. Apresenta as bordas irregulares, onduladas, invertidas e equimosadas com o comprimento maior que a profundidade.

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5 Ferida Pérfuro Incisa

 

Ilustração 37 Ferida pérfuro-incisa.

 

Ilustração 38 Feridas pérfuro-

incisas.

Ferida produzida por ação pérfuro-cortante sobre os tecidos. Apresenta bordas regulares e lisas, formando ângulos agudos em correspondência com o gume cortante do instrumento com a profundidade maior que o comprimento.

Instrumentos pérfuro-cortantes com um gume, como a haste de uma tesoura comum ou uma faca de ponta, produzem feridas em formato de botoeiras, já para aqueles com dois gumes cortantes, como os punhais, o formato será de uma "boca entreaberta".

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6 Ferida Pérfuro Contusa

Ferida produzida por ação pérfuro-contundente que produz o esmagamento e rompimento dos tecidos. Apresenta as dimensões da entrada bastante reduzidas em relação à profundidade, com as bordas irregulares, invertidas e equimosadas (hastes, ponta de guarda-chuva, projétil de arma de fogo).

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7 Ferida Punctória

Ferida produzida por ação perfurante que produz o afastamento dos tecidos. Caracteriza-se por apresentar as dimensões da entrada bastante reduzidas em relação à profundidade (pregos, agulhas, alfinetes).

Em caso de instrumentos mais calibrosos (hastes de metal ou madeira) poderá apresenta as bordas irregulares, rugosas, invertidas e equimosadas.

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8 Ferida Lacerada

Lesão lacerada ou dilacerada é ferida produzida por ação dilacerante ou lacero-contundente que produz rasgadura e retalhamento dos tecidos. Apresenta as bordas irregulares, com avulsão da pele e de outros tecidos e perda de matéria orgânica.

São lesões características as escoriações e as feridas produzidas por coronha de arma de fogo.

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9 Feridas Específicas

Ferida Mutilante

Amputação ou mutilação é uma ferida produzida por ação cortante, dilacerante, corto-contundente, tratora ou compressora que resulta perda total ou parcial de um segmento do corpo.

Degolamento

 Degolação ou degoladura é lesão corto-contusa ou incisa, profunda, na região da nuca.

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Ilustração 39 e 40 Amputação da

polpa da falangete do dedo mínimo da mão esquerda decorrente de luta com instrumento de corte serrilhado.

Ilustração 41 Ferida

mutilante. Ilustração 42

 

Ilustração 43 Mutilação acidental.

──────────────────────────────────────────────── Esquartejamento

Ou espontejamento é a fragmentação do corpo, comumente separando a cabeça e os membros do tronco. Geralmente tem com o objetivo a ocultação do cadáver.

Decapitação

 Secionamento do pescoço, separando completamente a cabeça do tronco. Mordedura

Mordida ou dentada é uma ferida contusa ou cortocontusa produzida pelo ato ou efeito de morder.

A mordedura humana pode ter uma conotação de defesa, aparecendo nas áreas descobertas, faces, nariz, orelha, membros superiores, ou ser de caráter sexual, frequentemente nos seios, pescoço e regiões genitais.

Escoriação

Ilustração 44 Escoriação

 

recente produzida por projetil de arma de fogo.

 

Ilustração 45 Escoriação anterior ao

evento do qual resultou a morte.

Ou esfolamento é uma lesão dilacerada caracterizada pelo levantamento da epiderme, deixando a derme a descoberto. Esfolamento leve (falando de pele ou mucosa). Em vida, se

──────────────────────────────────────────────── reveste de uma crosta hemática purulenta e no cadáver há formação da placa pergaminácea.

Ferida Cavitária

Ou ferida penetrante é uma lesão profunda que atinge uma cavidade natural do corpo, como o abdome, o tórax ou o crânio.

Evisceração

 Exposição das vísceras em decorrência de lesão cortocontusa ou incisa.

 

Ilustração 46

Evisceração.

Ferida Transfixante

Ilustração 47 Evisceração.

Ferida que traspassa de lado a lado uma região do corpo. Empalamento

É a presença de um instrumento perfurante, de comprimento significativo, no interior de um orifício natural do corpo, causando ou não lesões. O mais comum é o enpalamento anal.

──────────────────────────────────────────────── Encravamento

Caso particular de uma ferida causada por uma ação perfurante em que o instrumento não é removido após a ação, mas permanece no interior da ferida.

Ilustração 48 Encravamento de

haste metálica na região da nuca.

Arranhão

 

Ilustração 49 Encravamento de

projetil de arma de fogo no crânio.

Arranhadura ou unhada, são lesões traumáticas cutâneas causadas pelas unhas. As lesões geralmente são múltiplas e aproximadamente paralelas, nem sempre com a mesma extensão.

Na execução do ferimento, as unhas aplicam sobre a pele duas forças simultâneas, uma ortogonal, exercendo compressão e dando profundidade à lesão, e outra tangencial, que dará extensão à ferida. Se prevalecer a força ortogonal, o resultado será uma unhada, uma ferida incisa, de formato semicircular, com a dimensão da unha que a produziu. Se ambas as forças produzirem efeitos, o resultado será um arranhão ou arranhadura. Se o resultado do ferimento for superficial, a ação traumática será apenas uma escoriação.

Gilvaz

 Ferida incisa ou cicatriz extensa na face.

──────────────────────────────────────────────── Escalpação

 Ou escalpamento é a ação de cortar ou arrancar o couro cabeludo do crânio. Lesão de Defesa

 

Ilustração 50 e 51

Lesões de defesa.

Lesão localizada no

antebraço ou na mão quando a vítima tenta se defender das agressões sofridas.

Esgorjamento

 Lesão corto-contusa ou incisa, profunda, das partes laterais ou anterior do pescoço (garganta, gorja).

A morte pode ser decorrente de hemorragia (quando atingidos os vasos sanguíneos), instantânea, por ato reflexo (se secionados os nervos frênico e pneumogástrico), de embolia gasosa (penetração de ar nos vasos secionados) ou asfixia (penetração de sangue nas vias respiratórias).2

Quando de natureza suicida, a incisão clássica se inicia na lateral do pescoço oposta à da mão utilizada para empunhar o instrumento, seguindo em direção à região anterior do pescoço, ──────────────────────────────────────────────── apresentando a extremidade de saída mais baixa que a da entrada do instrumento, com pouca profundidade.

 

Ilustração 52 Corto-contusa.

 

Ilustração 53 Incisa.

Esgorjamento.

De etiologia homicida tende a ser mais profunda, partindo da região anterior do pescoço para a lateral correspondente à mão utilizada pelo autor, estando a vítima de costas para o autor.

Quadro 8. Relação entre a Lesão e a Ação - Arma branca e instrumentos traumatizantes.

Ação

Agente físico Gume ou ponta Lesão/ferida Dimensão principal Abertura da derme Efeito nos tecidos Bordas

Cortante

Deslizamento Gume

Incisa

Comprimento Aberta

Corte

Regulares

Nomes específicos Esgorjamento, Evisceração, Amputação

Instrumento Navalha, bisturi, faca, lâmina de barbear, caco de vidro Contundente Pressão Sem

Contusa

Largura

Fechada

Esmagamento Irregulares

Equimose,

hematoma, edema, fratura e luxação, bossa sanguínea, rupturas viscerais, beliscão Martelo, bastão, barra de metal, mãos e pés, pedra, taco de bilhar Perfurante Pressão

Ponta

Punctória Profundidade Aberta

Afastamento Regulares

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Agulha, mordida de cobra, prego, estilete

Ação Dilacerante Constritora Agente físico

Gume ou ponta Lesão/ferida Dimensão principal Abertura da derme Efeito nos tecidos Bordas Deslizamento Sem

Lacerada

Comprimento Aberta

Rasgadura Irregulares Pressão

Sem

Sulco

Comprimento Fechada

Esmagamento Irregulares

Nomes específicos Escoriação

Corto

contundente

Pressão

Gume

Corto-contusa Comprimento

Aberta

Corte

Irregulares Degolamento, Esgorjamento, Decapitação, Amputação, Mordedura

Instrumento Garras, chifres, projétil de arma de fogo em tiro tangente, instrumento áspero ou rugoso Corda, cinto, cabo ou fio condutor de energia elétrica, lençol enrolado. Instrumentos lineares e flexíveis, acionados por força de tração.

Machado, facão, foice, dente

--Ação Pérfuro-cortante Pérfuro-contundente Agente físico

Gume ou ponta Lesão/ferida Dimensão principal Abertura da derme Efeito nos tecidos Bordas Pressão

Ponta e Gume Pérfuro-incisa Profundidade Aberta

Corte

Regulares

Nomes específicos Pressão

Sem

Pérfuro-contusa Profundidade Aberta

Rasgadura

Variável

Projétil de arma de fogo, ponta de guarda-chuva ou taco de bilhar, cabo de vassoura, ponta de bastão Lacero

contundente Deslizamento Ponta

Lacerada Variável

Aberta

Rasgadura Irregulares

Instrumento Faca de ponta, punhal, espada, tesoura

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Garras, chifres, coronha de arma de fogo

Ação

Agente físico Gume ou ponta Lesão/ferida Dimensão principal Abertura da derme Efeito nos tecidos Bordas

Nomes específicos Tratora

Tração e/ou torção Sem

Arrancamento Variável

Aberta

Rasgadura

Irregulares

Compressora Pressão

Sem

Contusa

Largura

Fechada

Esmagamento Irregulares

Instrumento Pneus, paredes, estruturas grandes e pesadas.

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10 Precipitação

Queda de nível ou precipitação é o lançamento ou queda livre de um corpo no espaço, sujeito à ação da gravidade e do impulso.

Nos traumatismos por queda de nível ou precipitação o solo funciona como instrumento traumatizante, cujos resultados são os seguintes:

Externamente

A pele, devido à sua elasticidade, apresenta, relativamente, poucos sinais de traumatismos, equimoses e escoriações.

Internamente

Os danos são maiores, com rupturas viscerais, do cérebro, fígado, baço e rins. No fígado, se observam rachaduras múltiplas, fendas com os bordos desgarrados e separados; nos rins, o parênquima esta fissurado; existem equimoses subcapsulares; no baço, se produzem focos hemáticos intraparenquimatosos, fissuras e derrames de sangue subcapsulares; o cérebro não se fissura; achata-se, se

──────────────────────────────────────────────── desmilingue; a contusão cerebral se manifesta por um ponteado hemorrágico bem visível, prévia ressecção meníngea. Os órgãos ocos se rompem, estouram. Os traumatismos torácicos alcançam o coração mais ou menos gravemente. Em certos casos, as lesões consistem de pequenas hemorragias na musculatura do coração, sob o pericárdio e o endocárdio; são, às vezes, originárias de transtornos cardíacos ulteriores. Múltiplas fraturas ósseas. 1

Defenestração

 É uma forma de precipitação em que o corpo se lança no espaço passando por um vão de janela.

A necropsia, nos casos de queda, raramente pode diferenciar quanto à etiologia, se suicida, acidental ou homicida, pesando sobre o exame de local a responsabilidade de se fazer esta diferenciação, ou seja, determinar a causa jurídica da morte. Entretanto, se a queda se deu após a morte por causas naturais, a necropsia será o exame que fará toda diferença.

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11 Atropelamento por Trem

A decapitação ou o esquartejamento da vítima por atropelamento ferroviário pode ser uma dissimulação de um homicídio, ser de etiologia suicida ou acidental.

A presença de reações vitais nas lesões produzidas pelos rodados do trem mais as evidências de que a vítima não se encontrava imobilizada são essenciais para conotação do suicídio, já as ausências destes sinais apontam para um possível homicídio. O desalinho com que se procede ao esquartejamento é uma característica dos atropelamentos acidentais ou suicidas.

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Ilustração 54, 55, 56 e 57 Atropelamento por trem.

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12 Ferimento por Projétil de Arma de Fogo

As feridas produzidas por disparo de arma de fogo apresentam características próprias, podendo-se avaliar muitos aspectos concernentes à arma e à posição do atirador, apesar de serem muitos os fatores que interferem nesta morfologia, o tipo e conservação da munição e da arma, o tipo da pólvora e dos projéteis, os obstáculos transpassados e muitos outros.

Para dificultar ainda mais a avaliação, as armas de fogo providas de compensador de recuo, orifícios produzidos no cano das armas de fogo ou em adaptadores que permitem a saída dos gases, podem produzir lesões desprovidas das características clássicas.

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O método mais seguro de se estimar a distância do disparo é o de se estabelecer um padrão, usando-se a mesma arma e o mesmo tipo de munição (residuogramas).

A ferida produzida por arma de fogo pode apresentar um orifício de entrada, um trajeto e um orifício de saída.

O orifício de entrada nem sempre é tão evidente, pois, pode coincidir com um dos orifícios naturais do corpo, boca, ouvido, fossas nasais, anus, ou em regiões pouco comuns, como as axilas, ângulo interno do olho, sob o seio; por outro lado, pode não haver uma entrada propriamente dita, mas a formação de uma escoriação produzida por um projétil que incide tangente a pele.

Trajetória e Trajeto

 Trajetória é o caminho percorrido pelo projétil antes de atingir o alvo. Trajeto é o caminho percorrido pelo projétil no interior do corpo.

O trajeto de um projétil único nem sempre é único, pois, após a entrada, com a resistência dos tecidos, principalmente dos ossos, pode se dividir em múltiplas partes, sendo alguns projéteis fabricados para isto, como os de ponta oca, ou aqueles preparados através de sulcos cavados na ogiva, ou ainda, pela separação entre a blindagem e o corpo de chumbo.

Na parte inicial do trajeto se pode encontrar resíduos de materiais próprios da munição ou pertencentes ao obstáculo que fora atingido antes da penetração no corpo, como madeira, vidro, caliça e parte das vestes.

Quanto à direção do trajeto, pode não ser retilíneo, pois, à medida que o projétil avança, diminui sua energia cinética, facilitando seu desvio pela resistência dos tecidos.

Sua profundidade depende principalmente do formato do projétil e da sua energia total. Um projétil de ponta oca

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quando atinge as regiões da cabeça, quando dotado de baixa quantidade de energia, pode penetrar a pele, se deformar ao atingir o osso e não penetrá-lo; um projétil dotado de alta quantidade de energia pode produzir um orifício de saída muitas vezes maior do que o seu diâmetro.

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12.1 Entrada de Projétil Único

 

Ilustração 58 Entrada

de tiro a distancia sobre as vestes.

Ilustração 59 Entrada de tiro a distancia

sobre a pele.

Para o estudo dos sinais característicos vamos considerar que o projetil ainda mantem seu eixo longitudinal alinhado com a trajetória, o que deixa de ocorrer quando o projetil perde sua energia de rotação ou atinge um obstáculo antes de atingir a pele nua.

──────────────────────────────────────────────── 12.1.1 Entrada em Tiro à Distância

Ilustração 60 Entrada de tiro à

 

distancia sobre as vestes.

 

Ilustração 62 Entrada de tiro a distancia no crânio. À esquerda, duas sobrepostas e a direta uma isolada.

Ilustração 61 Entrada de tiro a distancia sobre jaqueta de couro, com aréola erosiva evidente.

 

Ilustração 63 Entrada de tiro a

distancia sobre a região labial.

A boca do cano se encontra acima de 50 cm do alvo. Apresenta orla de contusão e enxugo, também chamada de orla detersiva, equimótica, erosiva ou zona apergaminhada, surge com a contusão do projétil contra a epiderme, que, devido à elasticidade desta, reveste-o enquanto este avança até rompê-la, formando nas bordas do orifício uma orla contundida e escoriada (anel de Fisch) que, no caso de óbito, se apergaminha em cerca de seis horas.

Simultaneamente, prossegue seu caminho atritando-se contra a derme, deixando sobre esta os resíduos de pólvora e

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outras sujidades que carregava consigo, formando uma orla escura, sobre a orla de contusão, chamada de orla de enxugo, de Chavigny, de Carrara, Romanese ou de Canuto e Tovo. 12.1.2 Entrada em Tiro à Curta Distância ou Próximo

A boca do cano se encontra entre 15 cm e 50 cm do alvo, apresenta orla de contusão e enxugo, zona de tatuagem, zona de esfumaçamento (menor que 30 cm) e zona de queimadura (menor que 15 cm).

Ilustração 64 e 65 Tiro próximo

obliquo com esfumaçamento e chamuscamento sobre as vestes. Zona de Tatuagem

É a região em torno do orifício de entrada de projétil de arma de fogo atingida pelas partículas de pólvora incombusta, fragmentos de chumbo e outros resíduos sólidos que penetram na pele, ou causam micro contusões, deixando marcas que não podem ser removidas com uma ação de limpeza. Este efeito varia com o tipo de pólvora e projétil utilizados.

──────────────────────────────────────────────── Zona de Esfumaçamento

É a região em torno do orifício de entrada de projétil de arma de fogo onde se deposita a fuligem resultante de combustão da pólvora, determinando uma área enegrecida que se sobrepõe à zona de tatuagem, excedendo aos limites desta, podendo ser removida com uma ação de limpeza. Este efeito varia com o tipo de pólvora utilizada.

Zona de Queimadura

Zona de chama ou de chamuscamento é a região em torno do orifício de entrada de projétil de arma de fogo atingida pelos gases inflamados e resíduos incandescentes resultantes de combustão da pólvora. Este efeito é observado em tiros ditos "à queima roupa", produzindo queimaduras de 1º grau ou queima parcial dos tecidos das vestes.

Ilustração 66 Área de tatuagem.

 

Ilustração 67 Área de

esfumaçamento.

12.1.3 Entrada em Tiro Encostado Quando a boca do cano da arma se encontra junto à pele, conhecido como “tiro à queima roupa”. O refluxo dos gases através dos bordos do orifício de entrada, evertendo-os, dá à lesão um aspecto de orifício de saída.

──────────────────────────────────────────────── Câmara de mina ou buraco de Hofmann

... a força de expansão do gás provoca uma ferida contusa com orifício irregular, estrelado, com uma cavidade anfractuosa devida ao afastamento dos tecidos; é o quarto de mina, cujas paredes estão impregnadas por resíduos negros de esfumaçamento, partículas metálicas, grãos de pólvora, mesclados com sangue e fibras de tecido.1

 

Ilustração 68

Ilustração 70

 

Ilustração 69

Ilustração 71 Tiro com revolver,

encostado, com pequeno recuo da arma, sobre as vestes, em ação suicida. Sinal de Werkgartner

É uma lesão erosivo-escoreativa, com o formato da boca do cano e da massa de mira, produzida sobre a pele, em torno do orifício de entrada do projétil de arma de fogo, no caso de tiro encostado. Para produzi-lo é necessário que haja uma

──────────────────────────────────────────────── sequência de tiro, aquecendo a boca do cano, seguida de um tiro encostado pressionando a pele.

 

Ilustração 72 e 73

Sinal de WerKgartner

Tiro Tangente

 

Forma uma escoriação de formato alongado, mais larga na extremidade de aproximação do projétil e estreitando-se na extremidade de afastamento deste.

Quanto ao Formato da Entrada

O formato da entrada varia do circular, quando incide ortogonalmente à pele (ângulo de incidência de 90o), passando pelo formato oval, quando a trajetória é obliqua à superfície da pele, se alongando até que se torna uma escoriação de formato linear, sem entrada, trajetória tangente á pele (ângulo de incidência de 0 o).

A zona escoriada (anel de Fisch), diretamente proporcional à inclinação da trajetória, diminui no ponto de saída e torna-se cada vez mais evidente no ponto de entrada, até se tornar a própria escoriação no trajeto tangente à pele, determinando desta forma o sentido da trajetória.

Outro elemento dinâmico que interfere na largura da área de escoriação é a velocidade do projétil, que quanto maior for menor será a área detersiva.

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Ilustração 74 Tiro encostado com pistola sobre o edredom em ação suicida, chamuscando e esfumaçando o tecido.

 

Ilustração 75 Escoriação produzida por tiro tangente à pele 1h após a morte.

Ilustração 76 Lesões de estrada de projeteis de arma de fogo em trajetórias obliquas, da esquerda para a direita, após

transpassarem vestimentas leves.

Ilustração 78

Tiro próximo.

Ilustração 77 Lesões de estrada de projeteis de arma de fogo em trajetórias obliquas, da direita para a esquerda, após transpassarem jaqueta de

náilon e camiseta de malha.

 

Ilustração 79

Tiro encostado no interior da cavidade bucal.

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12.2 Saída de Projétil Único

 

Ilustração 80 Lesão de saída de

projétil de arma de fogo.

Ilustração 81 Duas saída de projetil de arma de fogo com a pele apoiada sobre o piso; a inferior apresentando o projetil alojado no orifício de saída.

Ilustração 82 e 83 Saída de projetil

de arma de fogo, encamisado, ponta oca, em tiro encostado no ouvido direito em ação suicida.

Ilustração 84 e 85 A extravasão da

massa encefálica (direita) foi facilitada pela pressão da água da chuva que penetrou pelas entradas dos projeteis de arma de fogo (esquerda).

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É única, se não houver fragmentação deste durante o trajeto; é de tamanho variável, geralmente maior que o orifício de entrada, apresentando as bordas irregulares e evertidas.

Passagem de projetil pelo crânio

A passagem de um projétil pelos grandes ossos do crânio produz um cone de fragmentação que se abre para a face interna (orifício de entrada) ou para a face externa (orifício de saída), análogo ao que ocorre com uma lâmina de vidro. Geralmente apresenta massa encefálica localizada na região periférica do orifício de saída.

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12.3 Saliência não Anatômica

 

Ilustração 86 e 87 Saliência não anatômica produzida por projétil de arma de fogo localizado sob a pele.

Quando o projétil, após transfixar uma parte do corpo, já sem energia, não consegue vencer a elasticidade da pele, se alojando abaixo dela, o qual fica envolvido por esta, formando uma saliência que mantém a forma aproximada do projétil e pode ser confirmada através de apalpação do local.

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12.4 Tiro Transfixante

Ferida transfixante produzida por projétil de arma de fogo.

 

Ilustração 88 Tiro a distancia

transfixante sobre as vestes.

Ilustração 89 Tiro a distancia transfixante

sobre a pele.

 

Ilustração 90 Entradas Ilustração 91 Saídas Três entradas de projeteis de arma de fogo e suas respectivas saídas: uma saliência não anatômica produzida pelo projetil sob a pele; duas saídas em que a pele estava apoiada sobre o piso, apresentando uma extensa região equimosada em torno de cada uma.

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Ilustração 92

 

Ilustração 93

Tiro a distancia transfixante sobre o couro cabeludo (entrada à esquerda e saída acima).

OceanofPDF.com 12.5 Lesões de Entrada de Balins

Múltiplas lesões pérfuro-contusas produzidas por balins provenientes de disparo de arma de fogo.

 

Ilustração 94 Tiro a distancia com balins.

Ilustração 95 Tiro encostado com espingarda calibre 12 na região glútea.

Os sinais característicos são os mesmos do projétil único, com a diferença que, neste tipo de tiro, os projéteis lançados formam um cone de dispersão, com a base no plano do alvo e o vértice na boca do cano, cujo diâmetro da base varia com a distância entre o alvo e a boca do cano, o diâmetro dos balins (calibre da arma), a velocidade inicial dos balins (poder da carga

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de projeção - pólvora) e do uso de cano com choque (estreitamento da boca do cano). Para estimar a distância de tiro é necessário realizar um teste padrão, utilizando-se a mesma arma e o mesmo tipo de munição.

Tiro Distante com Balins

O orifício central tende a diminuir com o aumento da distância do tiro e os orifícios periféricos tendem a aumentar em número e distância do centro, até que os balins se afastam uns dos outros, produzindo lesões individualizadas.

Tiro Encostado com Balins

A lesão tem aspecto semelhante à do projétil único, onde todos os elementos produzidos pelo tiro, seguindo os múltiplos projéteis, penetram pelo orifício de entrada; as partículas de pólvora incombusta, fragmentos de chumbo, a fuligem, os gases inflamados e resíduos incandescentes resultantes da deflagração da pólvora, além da bucha e dos discos divisórios.

Tiro Próximo com Balins

 

Ilustração 96 e 97 Tiro encostado

com espingarda calibre 12, parietal esquerdo.

A lesão apresenta um orifício maior, no centro, produzido pelas entradas dos balins agrupados, com vários orifícios periféricos, produzidos pelos balins mais afastados do eixo do cone de dispersão, além das zonas de tatuagem, esfumaçamento e chamuscamento.

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12.6 Lesões de Saída de Balins

São várias lesões semelhantes à lesão produzida por projétil único. Considerações

Nem sempre os sinais acima descritos aparecem claramente no exame das lesões no local, sem instrumento ótico, podendo ser menos intensos ou desaparecerem quando o projetil transfixa um obstáculo anterior, como as vestes, uma cortina ou, quando ocorrem marcas falsas de tatuagem produzidas por fragmentos de vidro.

Uma entrada de um projetil em ricochete ou num tiro encostado pode parecer uma saída.

Por estas razões e outras aqui não citadas, deve-se tomar cuidado para que estes sinais não venham a ser referidos de modo automático, justificando a entrada ou a saída, nos laudo de exame de local de morte.

Se houver qualquer dúvida, o perito criminal deve deixar os detalhes das lesões para o médico legista descrevê-los no laudo de necropsia.

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1 SIMONIN, Camilo Leopoldo. Medicina Legal Judicial, edição espanhola, Barcelona, Editorial JIMS, 1966.

2 ZACHARIAS, Manif; ZACHARIAS, Elias. Dicionário de Medicina Legal. Curitiba, Educa, 1988. GOMES, Hélio. Medicina Legal. 26 ed. Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1989. SANTOS, José Wilson Seixas.Léxico Médico-Legal, São Paulo, Julex Livros, 1987 ────────────────────────────────────────────────