Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

Daniela Nogueira de Moraes Garcia · Capítulo 10 de 15

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Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

2.3. O teletandem: conceitos, parcerias e pesquisas

Assim, mediante tais princípios que se entrelaçam e dialogam, os próprios parceiros passam a gerenciar sua experiência e vivenciar a reflexão e, em conjunto, de forma recíproca, a partir de seus objetivos de aprendizagem, negociar os procedimentos a serem adotados em termos de condução das sessões, mecanismos de correção, avaliação e práticas extrainteração (GARCIA, 2010).

As ações em tandem, que se diferem de meras conversas entre estrangeiros ou aulas de línguas, possuem características que lhes são peculiares, como a regularidade. São, também, permeadas por propósitos pedagógicos e por um feedback entre os pares ao final. Observa-se que, uma parceria engloba um falante nativo ou proficiente e um aprendiz que realizam trocas linguísticas e que, no revezamento dos turnos entre as línguas de proficiência e a língua alvo, são oferecidos andaimes (HARTMAN, 2002) para que o par menos proficiente atinja seus objetivos de aprendizagem.

 

2.3. O teletandem: conceitos, parcerias

 

e pesquisas

 

As restrições aos povos e suas culturas no Brasil se dão por razões geográficas, dada a grande extensão territorial, e razões de ordem financeira, visto os altos custos de cursos, intercâmbios e viagens ao exterior. Assim, considerando o panorama das atividades pedagógicas em tandem descrito e o impacto das TDICS, o teletandem é proposto por Telles (2006) vislumbrando o potencial da CMC para a interação e colaboração virtual no ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras (SOUZA, 2003; LEFFA, 2006; FIGUEIREDO, 2006; PAIVA, 2005; VASSALLO; TELLES, 2006; TELLES e VASSALLO, 2006).

Atentando para as nomenclaturas dispostas no quadro 1, percebese a transitoriedade do teletandem, esbarrando em várias características das abordagens à Educação a Distância com suporte das tecnologias com suas mídias, aplicativos e ferramentas.

Segundo proposta, o Projeto Teletandem Brasil: línguas estrangeiras

para todos 7 (TELLES, 2006) é definido como um contexto virtual e autônomo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras que faz uso dos recursos de tecnologia VOIP, com os recursos de imagem, voz e texto que permitem que o usuário estabeleça interações interculturais e linguísticas com um parceiro de forma síncrona (TELLES, 2006, 2009, 2011, 2015; TELLES e VASSALLO, 2006; VASSALLO; TELLES, 2006, 2009; BENEDETTI; CONSOLO; VIEIRA-ABRAHÃO, 2010).

Telles e Vassallo (2009) se engajaram em ações em tandem face a face na aprendizagem de português e italiano. A experiência pessoal foi inspiradora e determinante para a criação do contexto teletandem quando se depararam com a barreira geográfica para dar sequência ao tandem iniciado. Seis princípios foram articulados pelos referidos autores para caracterizar o teletandem e permitem uma ampla compreensão do contexto.

 

1. O teletandem é uma nova modalidade de aprendizagem a

distância assistida pelo computador que utiliza, simultaneamente, a produção e compreensão (oral e escrita) e imagens em vídeo dos participantes por meio de uma webcam;

2. As atividades do teletandem são realizadas com base em

princípios comuns de reciprocidade e de autonomia, negociados e compartilhados pelos dois parceiros;

3. Os participantes de teletandem são pessoas interessadas em

aprender um a língua do outro, a distância, de forma relativamente autônoma. Usamos a expressão “relativamente autônoma” porque eles podem usufruir de uma mediação profissional por parte de um professor, se assim o desejarem ou precisarem.

4. Os participantes de teletandem são falantes (razoavelmente)

competentes das respectivas línguas. Podem ou não ser falantes nativos da língua-alvo do parceiro e não são professores licenciados.

5. Os processos de aprendizagem do teletandem são realizados por

meio do desenvolvimento de sessões regulares, voltadas para fins didáticos, de livre conversação a distância, em áudio e em vídeo.

6. Essas conversações livres são seguidas de uma reflexão

compartilhada, na qual são revisadas as anotações feitas durante a sessão. Portanto, nesta fase, são praticadas, também, as habilidades de leitura e escrita. A reflexão pode enfocar o conteúdo da conversa, a cultura, a forma, o léxico e o próprio processo da interação de teletandem. Às práticas de teletandem, podem, também, serem associadas práticas de e-tandem, tais como a

troca de tarefas de casa por e-mail, baseadas nas novas informações lexicais ou gramaticais que surjam durante a interação com o parceiro (TELLES; VASSALLO, 2009, p. 46-47).

 

Para Consolo (2006, p. 3), no teletandem os aprendizes vivenciam uma experiência que ultrapassa o aprender línguas:

 

[…] proporciona contato e conhecimento entre pessoas situadas nos diversos

países nos quais falantes de ao menos duas línguas diferentes interagem à

distância, por meio dos recursos da tecnologia e do uso dessas línguas para

experiências de comunicação autêntica. E nessa comunicação eletrônica

aprendem-se não somente línguas, mas também sobre esses países e sobre

esses interagentes.

 

Zakir (2011) reconhece que "o contexto de aprendizagem proporcionado pelo teletandem é reiterado como um lugar onde questões que nem sempre seriam abordadas numa sala de aula tradicional emergem" (p. 29). As sessões de teletandem promovem o enriquecimento linguístico e o contato real com a cultura e modo de vida dos estrangeiros de forma criativa, interativa e, principalmente, colaborativa. Destaco, assim, a experiência intercultural que é fomentada a partir de parcerias de teletandem (GARCIA; LUVIZARI, 2009).

Apesar de o Projeto Teletandem Brasil (TTB) ter se encerrado enquanto Projeto Temático FAPESP em abril de 2010, as sessões em teletandem permanecem extremamente ativas até os dias de hoje, nos laboratórios de teletandem da UNESP em Assis, São José do Rio Preto e Araraquara, onde são ofertados os Cursos de Letras. Dadas as parcerias formadas e as demandas dos Departamentos de Língua Portuguesa de universidades estrangeiras, é possível identificar um longo caminho percorrido, desde 2006, contando com uma razoável rotatividade de professores e instituições e significativo atendimento a

estudantes de línguas estrangeiras. O quadro 2 retrata algumas instituições que já estabeleceram ações em teletandem com a UNESP, ressaltando que algumas permanecem até dias atuais.

 

Quadro 2 - Parcerias de teletandem dos três Campi da UNESP

País Instituição

 

Fonte: Do autor.

País Instituição

Alemanha Albert-Ludwigs-Universität

Freiburg, Karlsruher Institut für

Technologie, Westsächsische

Hochschule Zwickau, Technische

Universität München

Canadá University of British Columbia

Colômbia Pontifícia Universidad Javeriana,

Universidad del Valle

Estados Unidos Georgetown University, University

of Georgia, Kennesaw State

University, University of Miami,

Yale University, Harvard University,

Colgate University, Indiana

University, University of

Washington, Hobart and William

Smith Colleges, The New School

for Public Engagement - New York,

Virginia Commonwealth University,

Princeton University, Howard

University, Tufts University,

University of Arkansas, Tulane

University, Fairfield University,

University of Hawaii, Truman State

University, Skidmore College, San

Diego State University, University

of Iowa, University of

Massachusetts, Florida

International University, Baylor

University

França Sorbonne-Nouvelle, Université

Lumiére Lyon II, Université

Clermont Auvergne

Inglaterra University of Sheffield, University of

Southampton

 

Fonte: Do autor.

País Instituição

Itália Università degli Studi Roma Tre,

Università del Salento, Università

di Bologna, L’Università degli Studi

di Napoli “L’Orientale”

México Universidad Nacional Autónoma de

México

Paraguai Universidad del Valle

Romênia Universitatea Babes Bolyai

Suécia Stockholms Universitet

Tailândia Chulalongkorn University

Uruguai Instituto de Portugués de

Montevideo, Universidad Técnica

de Uruguai

Fonte: Do autor.

 

O Projeto Teletandem Brasil já percorreu um longo caminho. De 2007 em diante, é possível identificar uma literatura mais consistente sobre a temática, considerando que, com o fomento recebido, laboratórios foram equipados para que a prática e as pesquisas pudessem ser mais sistematizadas. Antes disso, as interações eram realizadas da própria casa dos estudantes brasileiros ou em lan-houses. Emergem, assim, três grandes áreas de investigação: 1. Teletandem como ferramenta de aprendizagem; 2. A interação entre parceiros de teletandem; 3. O teletandem como contexto de formação de professores de língua estrangeira (TELLES, 2006).

Os estudos da Pós-Graduação que se ocuparam do teletandem contemplam a autonomia (CAVALARI, 2009; LUZ, 2009; BONFIM, 2014); avaliação (FURTOSO, 2011; FRESCHI, 2017); os processos de acordos e negociações entre os parceiros (GARCIA, 2010); os conflitos e relações de poder (VASSALO, 2010); os choques de culturas e línguas e competência intercultural (MENDES, 2007; SALOMÃO, 2012); estratégias de aprendizagem e comunicação (SILVA, 2008; CAMPOS, 2018); crenças e representações sociais (BEDRAN, 2008; FUNO, 2011; MESQUITA, 2008); sessões de mediação e o professor mediador (CÂNDIDO, 2010; SALOMÃO, 2008; ELSTERMANN, 2016); ensino de língua (KFOURI-KANEOYA, 2009); material para ensino de português como língua estrangeira (BROCCO, 2009); interações (ROSSI DOS SANTOS, 2008; LUVISARI-MURAD, 2011; PICOLI, 2019); motivação (KAMI, 2011); parcerias (LUZ, 2012; ARAÚJO, 2012); contatos entre os parceiros (SOUZA, 2012); comunidades (SILVA, 2012), performatividade e gênero (COSTA, 2015); gênero e sessão oral (RAMPAZZO, 2017), aspectos linguísticos (FRANCO, 2016); dimensão cultural (ZAKIR, 2015); identidades culturais e sessões de mediação (FUNO, 2015); comunicação intercultural (SOUZA, 2016), produção escrita (BROCCO, 2014), estereótipos (FREITAS, 2015), organização de banco de dados (LOPES, 2015), sem mencionar produções relevantes de autores de outros países.

A partir das pesquisas mais robustas que vêm sendo desenvolvidas, um novo prisma foi incluído e, envolvendo conceitos como transculturalidade (WELSH, 1994), interculturalidade e multiculturalidade, o projeto vigente denomina-se Teletandem: Transculturalidade na comunicação on-line em línguas estrangeiras por webcam (TELLES, 2011). A supracitada inclusão nas investigações possibilitará que aprendizes e professores tenham maiores subsídios no desenvolvimento da competência transcultural no contato constante entre os povos e suas línguas.

 

Quadro 3 - Eixos temáticos e perguntas gerais do projeto

PERGUNTAS GERAIS DO

EIXOS TEMÁTICOS

PROJETO DE PESQUISA

Modos de compreender o estudo, a (a) Que representações os aprendizagem e a prática das parceiros de teletandem trazem a

línguas estrangeiras respeito de currículo, dos

processos de aprendizagem e da

importância do estudo e da prática

online de uma língua estrangeira?

Que impacto têm essas

representações sobre as relações

construídas durante o processo de

teletandem e que referências são

criadas por cada um dos

parceiros?

 

Fonte: Telles (2011, p. 12).

PERGUNTAS GERAIS DO

EIXOS TEMÁTICOS

PROJETO DE PESQUISA

Modos de compreender a cultura (b) Que representações o do parceiro e seus impactos sobre praticante de teletandem traz de a aprendizagem e sobre a relação seu próprio país, de seus próprios com o parceiro hábitos e dos seus próprios modos

de vida, assim como aqueles de

seu parceiro? Como essas

representações afetam o

estabelecimento das relações

online e que referências são

produzidas a partir dos encontros

transculturais?

A contribuição do teletandem para (c) Que relações são estabelecidas a educação do aprendiz para se pelos participantes, por meio dos

relacionar com outros povos contatos intercontinentais,

culturais, linguísticos e

acadêmicos, via teletandem? A

partir dos contatos online via

teletandem, que referências são

produzidas que possam contribuir

para o desenvolvimento das

habilidades dos jovens de se

relacionar com outros povos do

planeta?

Diferentes visões de (d) Diante de diferenças implementação institucional de contextuais, culturais, educacionais

teletandem e curriculares encontradas, como

os pesquisadores e

administradores do projeto

estabelecem contato com os

colegas pesquisadores e

administradores no exterior? Que

novas referências são produzidas

a partir do contato transcultural

entre eles?

Fonte: Telles (2011, p. 12).

Segundo o autor:

 

[a] tese que fundamenta o novo projeto temático repousa sobre fatos culturais e

tecnológicos da contemporaneidade, tais como as TICs – Tecnologias de

Informação e Comunicação e o hibridismo presente nas culturas de vários

países com os quais o Projeto Teletandem está em contato. Tais fatos nos

apresentam desafios epistemológicos para se pesquisar as interações em

teletandem e, também, um novo panorama dos contatos entre pessoas de

diferentes países, facilitados pelas TICs (TELLES, 2011, p. 3).

 

Optei por compartilhar, aqui, variados prismas do teletandem para que se perceba a pluralidade que circunda as ações de intercâmbio virtual. Dessa forma, possibilidades podem ser despertas para outras áreas com vistas ao incremento do processo de ensino/aprendizagem.

Apresento, a seguir, um panorama superficial da logística e de procedimentos necessários entre as instituições (UNESP e exterior).

 

2.3.1. Teletandem: desenhando a trajetória histórica

 

Para retratar os primórdios das ações em teletandem, estabeleço meu olhar do Brasil, UNESP, Departamento de Letras Modernas, Câmpus de Assis, onde a implementação do teletandem se iniciou, de maneira informal e tímida, sob idealização do Dr. João A. Telles do Departamento de Educação da mesma instituição, na época.

Em 2005, a proposta, ainda não bem delineada, contemplou estudantes brasileiros de Língua Inglesa do Curso de Letras que, interessados em aprofundar conhecimentos na referida língua, praticavam o teletandem de lan houses ou de suas casas. Não havia laboratórios equipados de modo a oferecer um ambiente adequado e específico às interações dentro da própria instituição. Assim, o acompanhamento desses alunos se dava de maneira esporádica quando compartilhavam informações acerca da experiência, em sala de aula, com alguns dos poucos professores envolvidos com o teletandem.

As parcerias eram formadas a partir de contatos isolados com professores de português nos Estados Unidos, sem o envolvimento formal das instituições ou departamentos. No exterior, alguns professores mais propensos à inovação sugeriam a prática a seus alunos que, de forma independente e, sem comprometimentos institucionais, agendavam suas interações e se encontravam virtualmente com os brasileiros via Messenger (MSN).

Elenco algumas questões que marcaram o início das atividades em teletandem como: (a) o pouco envolvimento de professores e departamentos de Língua Portuguesa das instituições estrangeiras; (b)

a diferença de agendas8 entre alunos brasileiros (voluntários, extremamente motivados com o contato intercultural e desejosos pela aprendizagem de língua inglesa) e alunos estrangeiros (voluntários, aprendizes de língua portuguesa, com participação desvinculada de suas aulas); (c) impossibilidade de acompanhamento e eficaz suporte aos alunos dada a ausência de laboratórios com recursos de áudio e vídeo dentro da universidade; e (d) a escassez e pouca familiaridade (com posterior evolução) com aplicativos de mensagens instantâneas ao longo dos anos (MSN, Windows Live Messenger, ooVoo, Skype, Zoom e Facebook).

É possível afirmar que o início das ações em teletandem foi marcado por um envolvimento prático no Câmpus de Assis e teórico no Câmpus de São José do Rio Preto, ambos Campi da UNESP que se engajaram, inicialmente. Destaco que, em Assis, a equipe inicialmente formada tinha por coordenação o idealizador do Teletandem Brasil (TTB) e poucos professores e pesquisadores engajados nas ações do projeto. Além disso, destacava-se uma grande demanda pela aprendizagem de língua inglesa entre os alunos da instituição, localizada em uma cidade de aproximadamente cem mil habitantes e com um contato muito reduzido a contextos internacionalizados. Em São José do Rio Preto, era possível identificar um forte suporte para ações de pesquisa reforçado pelo seu Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e corpo docente pesquisador/colaborador comprometido com o TTB. Apesar de o Câmpus de Araraquara ter incorporado, por último, o teletandem como parte de suas atividades, tem demonstrado grande engajamento e atua de forma muito expressiva.

As parcerias iniciais foram constituídas a partir de escassas indicações de professores estrangeiros por meio do website inicialmente criado para o Projeto Teletandem Brasil. Os pareamentos foram realizados de forma manual mediante preenchimento de

cadastro on-line por alunos interessados, conforme ilustra a figura 7.

Figura 7 - Inscrição pelo site do TTB

 

Fonte: Página web Teletandem Brasil (2014).

 

Garcia (2010) discorre acerca dos procedimentos para inscrição:

 

[a]o se inscrever no website do TTB, inicialmente, o aluno fornece informações

como nome, sobrenome, e-mail, universidade e curso que frequenta, ano, país

em que reside, língua que quer aprender e língua materna, e horários

disponíveis para praticar teletandem. Em seguida, preenche as lacunas com

informações de cunho pedagógico, como o nível gramatical que possui da LE, o

melhor nível de atuação, se escrito ou falado, na referida língua, os objetivos

estabelecidos, quantidade de horas que irá dedicar ao teletandem e a duração

desejada para parceria (GARCIA, 2010, p. 113).

 

Sob responsabilidade da Equipe do TTB, ocorria a análise das informações submetidas em busca de possíveis compatibilidades de horários, línguas e interesses de modo a efetivar o emparelhamento. Uma vez estabelecida a parceria, os dois aprendizes recebiam um e-mail, em suas línguas, com orientações, sugestões e dicas para que realizassem o primeiro contato com o parceiro. A partir daí, exercitavam a autonomia e agendavam suas sessões de interação em datas e horários de suas preferências/disponibilidades para a realização do teletandem (sem o acompanhamento de um professor/pesquisador).

Os contatos com as universidades e a adesão ao TTB foi ocorrendo mediante árduo trabalho do Coordenador em visitas às instituições estrangeiras.

Em 2007, como já comentado, o Projeto foi contemplado com auxílio e fomento FAPESP para pesquisa. Foram instalados dois laboratórios na universidade (em Assis e São José do Rio Preto) e as atividades ganharam maior visibilidade. Os trabalhos de pesquisa inauguravam resultados preliminares em dissertações e teses e as ações em teletandem, no Brasil, começavam a compor um quadro mais robusto.

Com os laboratórios, a prática de teletandem estabelecia-se melhor, já que os recursos de áudio e vídeo estavam assegurados. Os alunos, mediante o princípio da autonomia, realizavam seus agendamentos de sessão e envolviam-se em processos de negociação de frequência, dias e horário de interações, como elucida Garcia (2010). Com os laboratórios, garantia-se, ainda, uma estrutura organizacional mais apropriada e a possibilidade de oferecer acompanhamento e suporte por parte de professores/pesquisadores/mediadores.

É importante esclarecer as partes que compõem uma sessão de

teletandem. Assim, observe a figura 8, abaixo disposta.

 

Figura 8 - Sessão prototípica de teletandem

 

Fonte: Adaptado de Garcia (2013).

 

Uma sessão prototípica contempla o momento da interação, com igual tempo destinado a cada uma das línguas e o feedback que pode ocorrer ao final ou, conforme acordos entre os pares, de forma recorrente ao longo da sessão. O encontro virtual se dá, geralmente, nos laboratórios das instituições brasileira e estrangeira com o grupo de estudantes envolvidos. As parcerias em teletandem sempre foram

individuais9, reafirmando a prática entre um parceiro nativo, proficiente em sua língua materna e um parceiro estrangeiro, interessado em aprender a língua do outro e compartilhar conhecimentos de sua própria língua. Os aprendizes se conectam e, cada qual com seu par,

iniciam a interação, como se pode observar nas fotografias 1 e 2 que retratam os parceiros brasileiros na realização de teletandem na UNESP, Câmpus de Assis. É possível observar cada estudante em uma cabine com fone/microfone em interação com seus parceiros estrangeiros.

 

Fotografia 1 - Sessão de interação em teletandem- fase inicial

 

Fonte: Do autor.

Fotografia 2 - Sessão de interação em teletandem- fase atual

 

Fonte: Do autor.

 

As fotografias 1 e 2 demonstram sessão de interação de teletandem em andamento. Ressalto a recente atualização e modernização de máquinas realizada. Como é possível observar pelo formato do equipamento, antes agregavam monitores e CPU (em português, unidade central de processamento) e agora passa a ser integrada no próprio monitor em modelo all-in-one.

Os aprendizes recebem a orientação de observar e atentar para a língua em que iniciam o teletandem para que, na interação seguinte, alternem. Dessa forma, exercita-se o princípio da reciprocidade para que ambos sejam contemplados com as mesmas oportunidades na sessão. Geralmente, a interação na língua II tende a ser menos produtiva dado o cansaço. Assim, há a alternância das línguas de início ao longo das sessões e os parceiros se beneficiam da mesma forma nas interações.

Com parcerias sólidas no exterior, os professores iniciaram a implementação do teletandem em suas aulas de Língua Portuguesa, como parte das atividades pedagógicas e institucionais do currículo. Assim, a partir de listagens de interesse recebidas do exterior (às quais retornarei em breve), no Brasil, iniciam-se as inscrições para que alunos voluntários se inscrevam e, dessa forma, se organize um grupo brasileiro de aprendizes que comparecerá ao Laboratório de Teletandem, fora de seu horário de aula, para realizar a parceria em teletandem com um estrangeiro que estará, também, em um Laboratório, no horário de sua aula de Língua Portuguesa, acompanhado de seu professor e sua classe.

Em outros Campi, as ações em teletandem podem ocorrer de forma integrada ao currículo das aulas de línguas estrangeiras. Nossa experiência contempla, ainda, o formato realizado entre instituições de

ensino mas como atividade extra-curricular10 para os participantes brasileiros. Cabe a estes o gerenciamento de seus horários, adaptando-se às opções oferecidas pelo exterior. Assim, os brasileiros assumem o compromisso, de forma voluntária, de se engajar em uma parceria de teletandem ainda que ocorra em horário diferente de suas aulas. Trata-se de uma modalidade institucional semi-integrada (ARANHA; CAVALARI, 2014). Ainda que se constitua dessa maneira, sem créditos oficialmente atribuídos, é importante frisar que há grande demanda e, consequente, comprometimento e motivação dos

estudantes brasileiros para realizar as sessões11. Apesar de lhes ser gerado um certificado de participação, para muitos dos voluntários, a experiência em si já lhes traz contribuições à formação e aprendizagem.

Os professores/pesquisadores/mediadores observam, com atenção, as interações e indicam aos aprendizes os assentos a tomar, a língua de início (alternando com a da semana anterior, como já explanado), o limite de tempo disponível e o momento de troca de língua. Auxiliam, também, com problemas técnicos que possam surgir, como ilustra a

fotografia 3.

Fotografia 3 - Pesquisadora/Mediadora auxilia participante

durante interação

 

Fonte: Do autor.

 

Em Assis, em geral, as interações têm se mantido como conversações de tema livre. Todavia, muitas instituições estrangeiras pedem que seus alunos utilizem e aprofundem, nas interações, temáticas desenvolvidas durante as aulas de língua portuguesa. Não vejo isso como um problema desde que não engesse as interações. Estabelecer um fio temático condutor se faz interessante até mesmo para que os pares se organizem e se preparem, com pesquisas, em busca de informações e materiais suplementares interessantes para compartilharem nas interações subsequentes.

O sucesso das parcerias de teletandem, porém, não pode ser garantido. A partir do momento em que há a disposição dos pares para o ensino e aprendizagem, é interessante que pensemos em estratégias para a maximização do processo. Assim, deparamo-nos com o conceito de mediação. Trata-se de uma sessão de reflexão atualmente oferecida, logo após o término das interações em teletandem realizadas no Laboratório. Na mediação, o

professor/pesquisador/mediador incentiva os participantes a discorrerem sobre suas experiências, enfocando questões positivas ou negativas, orienta-os diante de dificuldades, fomenta reflexão, sugere assuntos a serem abordados nas parcerias e instiga a autoavaliação. Dessa forma, ele oferece andaimes aos aprendizes na experiência telecolaborativa.

A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um elemento de grande pertinência na teoria vygostkyana e se define como a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes (VYGOTSKY, 1978). Entende-se, assim, que, no teletandem, a mediação na aprendizagem, apoiando-se nas figuras do aprendiz mais proficiente e no

professor/pesquisador/mediador, transforma-se em auxílio. Retorna-se à base vygostkyana que contempla um mediador para maximizar o processo de aprendizagem.

Segundo Salomão:

 

[a] ideia de mediação ao invés de aconselhamento trazida pelo projeto

teletandem entende o auxílio prestado pela figura do mediador não somente

como conselhos sobre como proceder para aprender melhor, mas como uma

pessoa que se insere na relação de ensino e aprendizagem colaborativos da

parceria de interagentes para auxiliálos a refletir sobre sua própria prática

enquanto aprendizes da língua do outro e professores de sua própria língua. O

termo mediador é usado, desse modo, por estar intimamente ligado às ideias de

Vygotsky (1994) em sua teoria social do conhecimento (SALOMÃO, 2012, p. 20).

 

Compreende-se, dessa forma, que o mediador “[s]e coloca para o interagente como um parceiro de discussão, fazendo, assim, a intermediação da aprendizagem segundo pressupostos vygotskyanos, de desenvolvimento por meio da interação social e por meio do oferecimento de andaimes” (SALOMÃO, 2012, p. 19).

Como se pode notar, a mediação constitui-se um avanço ao longo da trajetória do TTB, visto que, inicialmente, não havia uma estrutura de acompanhamento para as sessões realizadas. Com a criação dos Laboratórios e da modalidade institucionalizada em grupos, possibilitouse a oferta das sessões de mediação de forma mais sistematizada.

Funo (2015) reconhece que a história da mediação ainda se encontra em construção, mediante registro acadêmico, já que a prática é atual, recorrente e passa por constantes redefinições. A autora apresenta características e definições, atuais e anteriores, das sessões de mediação, como: (a) apoio à aprendizagem de alunos em Teletandem; (b) encontros presenciais ou virtuais, em grupos ou apenas entre um interagente e seu mediador, previamente agendados ou solicitados sem agendamento prévio; (c) um contexto profícuo para a formação de aprendizes autônomos, cabendo ao mediador “[f]ornecer a preparação necessária para o aluno atuar entre os extremos” do ensino tradicional de línguas estrangeiras ao contexto Teletandem, no qual a autonomia é um dos princípios norteadores das interações (SIMÕES; LIMA, 2009, p. 226, apud FUNO, 2015); (d) oportunidade para que as diferenças e os conflitos entre indivíduos que se representam como pertencentes a diferentes culturas fossem “superados” (FUNO, 2015). Muito interessante se faz o estudo da referida autora ao elucidar uma trajetória histórica das ações de mediação em teletandem.

Várias universidades no exterior integram o teletandem em seus planos de ensino - o que chamamos de contexto integrado - e têm um momento de reflexão reservado para o final das interações, em aulas subsequentes, via plataformas virtuais ou blogs. Elstermann (2011) descreve procedimentos adotados para as sessões de interação e mediação, além de teleconferências realizadas com os grupos inteiros dos aprendizes brasileiros e alemães que, segundo a autora, proporcionaram ajuda e motivação.

Nos Campi de Araraquara e São José do Rio Preto, os procedimentos para o feedback e a mediação podem variar e serem realizados sob diferentes formatos, dependendo do professor responsável. Em Araraquara, uma das formas de realizar a mediação pauta-se na utilização de um diário reflexivo no Moodle, a ser postado pelos parceiros brasileiros no final de cada interação, como forma de reportar questões que possam exigir a atuação do mediador.

Brammerts e Calvert (2003) identificam, no aconselhamento (entendido, aqui, mediação, mesmo que este conceito tenha significados diferentes para o que é realizado no Projeto Teletandem), o conhecimento oferecido aos aprendizes, a responsabilidade de trabalhar de perto, em nível pessoal, auxiliando-os a assumir a responsabilidade e a tomar decisões relacionadas às condições e necessidades individuais dos aprendizes, reforçando a condição a especialista.

A mediação, também, é um espaço importante para o professor/pesquisador/mediador abordar a dimensão intercultural dessas interações, o que exige um certo preparo teórico e prático para tal. Funo (2015, p.37) reconhece as sessões de mediação como:

 

[…] contextos intrigantes, nos quais há uma maior abertura para o inusitado e,

sendo assim, são contextos para os quais (c) o planejamento de atuação

docente e pedagógica também é deslocado, afinal, um docente não se prepara

para uma aula convencional da mesma forma como se prepara para uma

sessão de mediação, não há plano pedagógico rígido, mas há uma política de

aprendizagem de línguas em construção que orienta a ação pedagógica do

mediador.

 

Atualmente, no Câmpus de Assis, o TTB dispõe de duas salas equipadas com computadores com áudio e vídeo, como já descrito, onde também podem ser alocadas reuniões e, ainda, uma Secretaria gerenciada por alunos voluntários e um técnico (estudante de informática de uma outra instituição de ensino da cidade que recebe um bolsa pelo trabalho prestado junto ao laboratório). Há um bom entrosamento entre os alunos que se revezam em turnos e contribuem para a manutenção e administração das atividades. A mesma Secretaria abrange as atividades de Teletandem e do Centro de

Línguas e Desenvolvimento de Professores12 da UNESP.

A fotografia 4 mostra a pesquisadora/mediadora no Laboratório durante sessão de interação. Há um laptop na mesa em que ela se encontra em conexão com o professor da instituição estrangeira. Dessa forma, durante as sessões, essa comunicação é fundamental para que se agilizem as conexões, se resolvam pendências ou imprevistos.

Fotografia 4 - Pesquisadora/Mediadora durante sessão de

interação

 

Fonte: Do autor.

 

Com o término das interações, o momento posterior é registrado na

fotografia 5, na qual duas professoras/pesquisadoras/mediadoras conduzem sessão de mediação junto aos participantes brasileiros.

Fotografia 5 - Professoras/Pesquisadoras/Mediadoras durante

sessão de mediação

 

Fonte: Do autor.

 

2.3.2. Descrevendo a logística- contatos,

inscrições, acompanhamento

 

A organização é fundamental para o bom andamento das atividades. São necessários agilidade, comprometimento e um eficiente canal de comunicação para atender as etapas de logística e os desafios que se colocam no caminho. Trata-se de um exercício de desenvolvimento de competência intercultural para alunos, docentes e pesquisadores envolvidos. Apesar da exigência de tempo e dedicação, já que muitos docentes/pesquisadores trabalham isoladamente em suas instituições e nem sempre se tem uma equipe de apoio, ressalto que, uma vez envolvido no processo, os benefícios se destacam, reforçando que a educação pode ser enriquecida, maximizada e motivadora. Apoio-me em Moran (2013, p. 17) e na compreensão de que o retorno do tempo investido se manifestará de forma primorosa de conhecimento agregado. Para ele: “[v]ale a pena investir nas pessoas, na esperança de mudança, e oferecer-lhes instrumentos para que se sintam capazes de caminhar por si mesmas, de realizar atividades cada vez mais interessantes, complexas, desafiadoras e realizadoras”.

Como forma de melhor compreender procedimentos de logística do teletandem, compartilho mecanismos e procedimentos de comunicação, inscrição e acompanhamento das sessões desenvolvidos pela Secretaria e Equipe TTB, Câmpus de Assis.

Os quadros13 a seguir ilustram modelos de fichas utilizadas em anos anteriores no Laboratório de Teletandem de Assis para organização, inscrição e controle das interações com as diferentes instituições estrangeiras parceiras. Compartilho-os, aqui, porque foram primordiais no início das atividades e porque sinalizam um crescimento inspirador de uma equipe que foi se especializando, tornando-se até, ouso dizer, referência de expertise na área. Como forma de modernizar, agilizar e potencializar o compartilhamento de dados, atualmente, as informações são geradas em documentos eletrônicos via Google Drive.

O quadro 4 retrata uma agenda de interações, ou seja, um panorama geral dos compromissos definidos para o segundo semestre de 2012. Após contato com as instituições estrangeiras, é elaborada uma listagem com as datas de início e término, dias e horários previstos, diferenças de fuso entre os países. Ressalto a presença de um calendário, ao final, destacando os feriados para melhor orientar os professores/pesquisadores responsáveis pelo acompanhamento das interações de cada uma das instituições. Para uso interno, esse tipo de organização visa melhor orientar a equipe que irá atuar no acompanhamento das sessões de modo a evitar contratempos como nos agendamentos de máquinas e nos horários de interações.

Quadro 4 - Modelo de agenda de interações em 2012- UNESP-

Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

Os quadros 5 e 6, a seguir, contemplam a compilação de informação de uma mesma instituição de interações conduzidas em 2011 e 2012, respectivamente. É possível notar, ao longo dos formatos aqui apresentados, diferenças e melhorias na coleta dos dados dos participantes e das sessões.

Quadro 5 - Modelo de ficha utilizada em 2011 para registro das

parcerias e controle de sessões de teletandem na UNESP-

Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

Quadro 6 - Modelo de ficha utilizada em 2012 para registro das

parcerias e controle de sessões de teletandem na UNESP-

Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

O quadro 7 ilustra o registro das parcerias (nome do parceiro, identificação no Skype e e-mail) e o controle semanal da realização das sessões de interação pelo professor mediador, classificando-as como realizadas, não realizadas, transferidas ou independente (quando ocorre em comum acordo entre os pares, fora do laboratório e sem acompanhamento do professor/pesquisador/mediador).

Quadro 7 - Modelo de ficha utilizada em 2011 para registro das

parcerias e controle de sessões de teletandem na UNESP-

Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

No quadro 8, observa-se um modelo similar de ficha de inscrição, disponibilizada na Secretaria do Laboratório de teletandem da UNESP -Câmpus de Assis. Mediante as informações de datas e horários de interações, os alunos brasileiros fornecem nome e e-mail e aguardam o início das sessões. A mesma ficha é utilizada para controle por parte

dos professores/mediadores brasileiro e estrangeiro. Como no quadro

6, é possível perceber que a identificação do Skype dos participantes brasileiros era institucional e buscava-se padronizar número da máquina e de login no Laboratório, de modo que, na máquina 1, se logava a identificação unespassis1. Apesar de parecer um mero detalhe, no momento das sessões, essa informação era relevante pela ágil identificação, pela listagem, de qual participante encontrava-se em qual máquina e com qual login estava conectado, ressaltando que todas as máquinas são visivelmente enumeradas. No momento de imprevistos ou mal funcionamento de equipamentos, tal padronização mostrava-se muito benéfica.

Quadro 8 - Modelo de ficha de inscrição de 2012

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

A rotina e a experiência no acompanhamento e organização das sessões de teletandem permitem que a Equipe TTB aperfeiçoe procedimentos com vistas ao desenvolvimento de estratégias e

maximização do trabalho realizado. O quadro 9 revela um acréscimo de dados na ficha, como a identificação do curso por parte do participante estrangeiro e um quadro suplementar apontando datas, horários e total de sessões. Destaco que a exposição das datas e horários, em quadro à parte, reforça informações de modo que mal-entendidos não causem transtornos à realização das sessões.

Quadro 9 - Modelo de ficha utilizada em 2014 para inscrições e

controle na UNESP- Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

O quadro 10, a seguir, mostra um modelo similar das fichas e processos de organização aqui compartilhados com informações referentes à instituição estrangeira. São apresentados dados como turmas que serão atendidas e professores responsáveis, número de alunos, horários (contemplando diferenças de fuso entre os países), identificação dos professores/pesquisadores/mediadores de ambos países e local de interação no Brasil. Destaco a utilização dos logos, apresentando a UNESP, o Centro de Línguas e Desenvolvimento de Professores e o Teletandem, como podem ser abaixo observados.

Quadro 10 - Modelo de ficha utilizada em 2015 para inscrições e

controle na UNESP- Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

O quadro 11 apresenta um modelo de ficha enviada pelo parceiro estrangeiro, contemplando as interações previstas e, também, os feriados de ambos países. Trata-se de informação importante já que prevê as datas nas quais há impedimento de agendamentos de sessões, evitando transtornos futuros.

Quadro 11 - Modelo de ficha enviada por parceiro para indicar

feriados

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

Saliento informação presente no final do quadro 11 que se constitui um lembrete para professores e mediadores em relação ao preenchimento da tabela para controle de realização das sessões e, também, emissão de certificados para os participantes brasileiros.

Como no quadro 7, há, também, a informação de sessões realizadas (ou não), transferidas ou conduzidas de forma independente que deve ser indicada nas quatro colunas finais.

O quadro 12 retrata e-mail enviado oficialmente pela Equipe TTB para professores/pesquisadores/mediadores do Brasil e para as parcerias recorrentes do exterior antes do início do ano letivo brasileiro para organização das atividades no semestre.

 

Quadro 12 - Mensagem TTB e CLDP de 15 de janeiro de 2018

 

Prezados(as) professores(as) e mediadores(as), Gostaríamos, primeiramente, de desejar a todos um ótimo 2018! É com muita satisfação que entramos em contato com vocês, nossos parceiros institucionais, para informar nossa programação para o 1º semestre.

 

O início das atividades do Teletandem no CLDP (Centro de Línguas e Desenvolvimento de Professores) da UNESP-Assis compreende o período de 12 de março a 22 de junho de 2018. Pedimos que nos enviem as informações dos grupos previstos até o dia 23 de fevereiro. Aproveitamos para lembrá-los que teremos o IMFLIT, entre 22 e 24 de março. Para essa semana, podemos negociar entre os mediadores a viabilidade de realização das interações previstas, tendo em vista que grande parte dos professores e mediadores estarão participando do evento. Para quem ainda não se inscreveu, segue o link:

http://www.as.miami.edu/mll/department-events/imflit/

 

Se houver interesse em realizar parcerias de Teletandem neste semestre, por favor, solicitamos que entrem em contato conosco e nos enviem as informações necessárias, por meio do formulário em anexo.

 

Para cálculo do fuso horário recomendamos o site:

http://www.timeanddate.com/worldclock/converter.html. Teremos vários feriados neste semestre, mas para evitar o cancelamento de muitas interações, os mediadores de cada grupo podem negociar com os alunos a viabilidade de realização das interações. Lembramos que grupos nos horários do almoço no Brasil não são recomendados, porque temos dificuldades para conseguir alunos e conduzir a mediação.

 

Estamos à disposição para o processo de planejamento e gerenciamento das turmas. Agradecemos se nos enviarem uma indicação prévia de interesse para as interações nesse período, para nos organizarmos em relação à divulgação, à formação dos grupos e às sessões de mediação.

 

Atenciosamente,

 

P. B.

M. S.

Equipe Teletandem e CLDP

teletandemassis@gmail.com

Skype: Teletandem Brasil

Facebook: Teletandem Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

Como mencionado, a celeridade e eficiência na comunicação são essenciais para ações de intercâmbio virtual entre diferentes países. Isso permite um alinhamento importante para a condução dos trabalhos, denotando comprometimento, responsabilidade, organização, ciência das etapas e metas a serem alcançadas. Com um tom de acolhimento, o contato entre os

professores/pesquisadores/mediadores, desde o início, demonstra pertinência da necessidade da logística estabelecida entre instituições.

O formulário, citado na mensagem da Equipe TTB, está disposto no

quadro 13, podendo ser visualizado abaixo.

Quadro 13 - Formulário a ser preenchido e enviado juntamente

com o e-mail de abertura do ano letivo

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

De posse dos formulários preenchidos, é possível seguir com ações subsequentes da organização, como providenciar agendamento de laboratório, iniciar a abertura de inscrições para participantes, definir o professor/pesquisador/mediador que acompanhará o grupo e assumirá a responsabilidade pelos próximos contatos com a instituição do exterior.

O quadro 14 retoma o supracitado formulário em fase de preenchimento por uma instituição do exterior, a título de ilustração.

Quadro 14 - Formulário em fase de preenchimento- 2018

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

A próxima mensagem, retratada no quadro 15, contém informações do segundo semestre. Ela convida os parceiros à organização da próxima temporada de interações em teletandem, agradece as parcerias do primeiro semestre e desculpa-se pelas intercorrências que possam ter sido geradas em função de uma greve estudantil, questão recorrente nas universidades públicas e que pode interferir em cronogramas pré-estabelecidos. É necessário bom senso para contornar situações dessa natureza e minimizar os transtornos aos participantes.

Quadro 15 - Mensagem TTB e CLDP de 16 de julho de 2018

 

Prezados professores e mediadores,

 

Esperamos que estejam todos bem! É com muita satisfação que entramos em contato com vocês, nossos parceiros institucionais, para informar que estamos nos organizando para mais um semestre de interações em Teletandem.

 

Primeiramente, gostaríamos de agradecer a todos que se mobilizaram para a realização das parcerias de Teletandem neste primeiro semestre (março a junho de 2018) e nos desculpar por possíveis descompassos em relação ao nosso calendário que devido à greve estudantil, em nosso campus, sofreu pequenas mudanças.

 

Em segundo lugar, gostaríamos também de informar que o início das atividades do CLDP (Centro de Línguas e Desenvolvimento de Professores) da UNESP-Assis para este semestre compreende o período de 20 de agosto a 30 de novembro de 2018 (com adaptações de calendário sujeitas aos feriados dos países envolvidos).

 

Assim, se houver interesse em realizar parcerias de Teletandem nesse período, por favor, solicitamos que entrem em contato conosco e nos enviem as informações necessárias, preenchendo a tabela em anexo.

 

Para cálculo do fuso horário recomendamos o site:

https://www.timeanddate.com/

 

Por fim, estamos à disposição para o processo de planejamento e gerenciamento das turmas. Reforçamos a necessidade de nos enviarem uma indicação prévia de interesse para as interações nesse período, para nos organizarmos em relação à divulgação, à formação dos grupos e às sessões de mediação. Obs: esta é uma mensagem referente à organização inicial das parcerias. Caso já estejam em contato com os respectivos mediadores da UNESP-Assis, pedimos que continuem essa organização e, em caso de dúvidas, nos consultem.

 

Atenciosamente

 

J. R. L. E. Equipe

Teletandem Brasil

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

A mensagem do quadro 15 ilustra grande profissionalismo por parte da Equipe TTB, apresentando presteza nos procedimentos e a ampla consciência dos procedimentos a serem realizados para atender as demandas organizacionais.

No quadro 16, está compilada mensagem de confirmação da Equipe TTB aos participantes inscritos no teletandem. Além de confirmar a participação, orientações são, também, enviadas como, por exemplo, a notificação da presença de um mediador no Laboratório, a necessidade de chegar com antecedência ao local de forma a assegurar a pontualidade. Em caso de primeira experiência, a mensagem cita ‘regrinhas’ a serem observadas pelos participantes que incluem o uso separado de línguas, sugestão de conduta temática, aviso da presença do mediador para suporte e auxílio com o horário/troca de língua, alerta para o compromisso assumido e pontualidade, desencorajamento à rotatividade de parceiros, disposição para ajudar em caso de problemas, estímulo à cordialidade e processos de negociação.

 

Quadro 16 - Mensagem TTB e CLDP de 14 de novembro de 2019

 

Prezados e Prezadas,

 

Confirmamos sua participação nas interações com Fairfield University que se iniciam na quinta-feira (14/11), às 14h30min. Haverá sempre um Mediador no Laboratório de Teletandem (dentro do Centro de Línguas) na referida data esperando por vocês, ok? Por favor, cheguem com no mínimo 10 minutos de antecedência para podermos nos alinhar quanto ao início das interações e realiza-las pontualmente.

 

Aos que não fizeram interação antes deixo algumas regrinhas:

 

1. A interação dura 1h, sendo 30min em português e 30min em

inglês. Evitem misturar as línguas;

2. Nesse primeiro encontro tragam curiosidades sobre a

universidade, sobre o curso, sobre o parceiro e façam sua apresentação;

3. Haverá um mediador (professor) na sala avisando a hora de trocar

de línguas. Fiquem à vontade para começar tanto no inglês quanto no português;

4. Evitem atrasos, pois, para os alunos de lá a interação faz parte da

aula deles;

5. Tentaremos evitar trocas de parceiros para que a interação ocorra

de maneira produtiva, mas, havendo qualquer problema nos escreva que resolvemos;

6. Seja cordial e esteja disposto a ajudar seu companheiro e a

aprender com ele. Combinem filmes, séries, músicas para ouvirem/assistirem durante a semana até o próximo encontro.

 

Qualquer dúvida, estamos à disposição!

 

Att.

Equipe Teletandem Assis

 

Fonte: Equipe Teletandem Brasil.

 

A relevância da mensagem acima exposta deve ser salientada como forma de oferecer detalhado suporte e segurança aos participantes. A necessidade de receber confirmação/lembrete acerca de uma inscrição realizada ou de horários agendados é muito significativa, podendo evitar percalços como faltas, desistências ou atrasos. Retomo informação que é apresentada no item 4 e, aqui já discutida, a interação em teletandem integra as atividades pedagógicas da instituição estrangeira, ou seja, sob a modalidade semi-integrada, os estudantes estrangeiros estarão presentes no Laboratório sob orientação do professor da disciplina/curso e serão avaliados por tal, o que, em vários casos, diminui a ausência nas sessões. No caso dos brasileiros, que se inscrevem, de forma voluntária, para a prática, é necessário reforçar datas e horários e, também, o comprometimento e respeito para com o parceiro. Sugere-se que, em caso de grande necessidade, a impossibilidade de comparecimento seja exposta ao professor/pesquisador/mediador com antecedência de modo que seja providenciado um parceiro substituto para a referida sessão ou ainda que seja realizado um remanejamento de horário.

Entendo que a trajetória histórica aqui apresentada, considerando a implementação e as ações desenvolvidas em dias atuais, iluminam e inspiram práticas futuras e, por tais razões, reforço o percurso que optei percorrer no presente livro. A complexidade de procedimentos e volume de atividades de cunho logístico sobressaem-se nos dados aqui compartilhados. Tal complexidade desmitifica-se, todavia, quando do burburinho de um laboratório repleto de estudantes em comunicação intercultural com um parceiro do exterior. As trocas linguísticas que se dão de forma simultânea potencializam a compreensão de uso significativo da língua e de co-construção de significado, questões primordiais no cenário educacional.