Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração
2.5. Olhando para as sessões de telecolaboração: inglês x português e inglês x inglês …
2.5. Olhando para as sessões de
telecolaboração: inglês x português e
inglês x inglês
Nesse momento, apresento um recorte de dados advindos de interações de teletandem e da telecolaboração inglês como língua franca discutidas no presente livro. Entendo que um debruçar sobre a voz dos participantes e dos professores/pesquisadores/mediadores pode materializar questões e perspectivas importantes. Não pretendo contrastar as modalidades já que, cada uma com suas especificidades, as duas se mostram muito enriquecedoras. Pretendo, assim, buscar temas e situações que emergem desse contato entre os povos e suas culturas e que se colocam como possíveis contribuições para o cenário educacional. Para tal, abordo o teletandem e, posteriormente, a telecolaboração aqui discutida.
2.5.1 Teletandem- inglês x português
Os dados selecionados para esta seção referem-se às sessões de teletandem realizadas em português e inglês com duas universidades dos Estados Unidos nos anos de 2015 e 2016.
Os dados inicialmente expostos são originários de relatos escritos de participantes brasileiros que fizeram sessões de interação em teletandem no primeiro semestre de 2016. Destaco que, a partir de nomes fictícios, os trechos podem apresentar intervenções para omitir identificação dos participantes e preservar-lhes o anonimato.
Na condição de professora/pesquisadora/mediadora (doravante PPM), acompanhei o grupo e, em uma das sessões de mediação, solicitei que, ao invés de conversarmos em conjunto como costumeiramente feito, eles me apresentassem um breve relato escrito. Dessa forma, os textos produzidos pelos participantes contemplam informações sobre as temáticas abordadas, as parcerias, dificuldades e estratégias, dentre outras, como revelam os excertos.
Carine relata vários aspectos de sua interação, como se pode
observar no excerto 1.
Excerto 1 - Relato de Carine - 11/4/2016
Fonte: Do autor.
Nas linhas de 1 a 7, a participante apresenta uma descrição bem detalhada de seu parceiro (idade, família, área de estudos, habilidades, planos futuros e sua afinidade com a língua portuguesa). Carine aponta dificuldades relacionadas à conexão (“transmissão de áudio e vídeo”), o que, segundo ela, prejudicou a interação, abreviando os diálogos. Os temas abordados na comunicação perpassaram preferências musicais, facilidade/dificuldade de deslocamentos e interferências climáticas nos
hábitos (linhas 13 a 28).
Como já apontado aqui, a autonomia entre os pares deve ser conjuntamente construída de modo que, por meio de processos de negociação, as formas de proceder não passem por interpretações errôneas como, por exemplo, no contexto da correção de erros. Corrigir o parceiro, dependendo da forma como é realizado, pode soar como ofensa. É por tal razão que frisamos que, neste contexto de aprendizagem, os acordos iniciais entre os parceiros podem trazer reflexos (positivos ou negativos) para as sessões subsequentes. No caso de Carine, ela entende que a sutileza do parceiro aliada às questões culturais interferiu na correção de erros, que deixou de ser
realizada por ambos (linhas 29 a 33).
Dentre as categorias aqui estabelecidas, Carine traz vários detalhes, o que permite a inferência de que a comunicação foi bem estabelecida, apesar dos desafios tecnológicos enfrentados.
O relato de Jonas é retratado no excerto 2. São abordadas dificuldades, temáticas e estratégias utilizadas na interação.
Excerto 2 - Relato de Jonas - 11/4/2016
Fonte: Do autor.
Uma questão mencionada por Jonas, nas linhas de 1 a 6, reporta a diferença da proficiência linguística entre os pares, que pode ocasionar desconforto e, se muito acentuada, gerar desmotivação. No caso deles, o estudante aponta para o fato de ‘estar bem mais à vontade’ para interagir, o que pode significar que o sentimento de desconforto foi superado na troca de línguas.
É importante que o professor/pesquisador/mediador esteja atento para intervir, caso seja necessário. A proficiência, como posta por Jonas, pode interferir na reciprocidade considerando um balanceamento no tempo de produção na língua estrangeira/língua materna e nos ganhos de aprendizagem. Para a sessão subsequente, o início deverá ser na língua inglesa considerando a sugestão para alternância, o que permite que os parceiros demonstrem maior engajamento e entendam melhor como se auxiliarem mutuamente. Entende-se que os dois estudantes devem se beneficiar igualmente na experiência intercultural e esse é um fator importante que influencia na motivação, sucesso e continuidade das sessões de intercâmbio virtual.
As temáticas relatadas por Jonas (linhas 7 a 22) dizem respeito aos dois países, demonstrando inclusão e envolvimento dos estudantes. O brasileiro expõe vontade em participar, contribuir e incluir em vários momentos de seu relato. Os verbos em primeira pessoa do singular denotam muita iniciativa de Jonas como, nas seguintes passagens, quando afirma “Eu tentei saber o que ela sabia sobre o Brasil e, senti
que ela sabe bem pouco” (linhas 7 e 8), “Tentei puxar um assunto
"gourmet"” (linhas 8 e 9), “Mandei foto de um pão de queijo e de uma
feijoada pra ela ver” (linha 10), “perguntei se ela acreditava ou não”
(linha 13), “fiz perguntas sobre pronúncia…” (linha 15), “Falei o quanto
era complicado para nós brasileiros pronunciarmos o TH deles” (linha
16 e 17), “também já comentei sobre algumas palavras” (linha 18). Essa desenvoltura pode se justificar pelo fato da proficiência e sua familiaridade com a língua inglesa e, também, com o teletandem.
Nas linhas de 23 a 28, Jonas expõe estratégias utilizadas junto à parceira para amenizar o (possível) desconforto gerado pela diferença na proficiência linguística. Entendo ser pertinente compartilhar aqui um pouco do perfil de Jonas. Trata-se de um estudante do Curso de Letras, professor em formação, com ótima desenvoltura e proficiência em língua inglesa e atuante junto à Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI). Tais fatos podem se alinhar à postura estabelecida por ele no sentido de auxiliar, ao máximo, sua parceira, adotando estratégias
como explicação, repetição, digitação como ações de suporte (linhas
23 a 28).
Observa-se que o perfil de Jonas agrega bastante à parceria e, dos relatos aqui compartilhados, é o único que, aparentemente, busca e retrata suas estratégias.
O próximo relato é de Marcelo, como mostra o excerto 3.
Excerto 3 - Relato de Marcelo- 11/4/2016
Fonte: Do autor.
Os destaques no relato de Marcelo foram aqui realizados para demonstrar a interação, de fato, promovida entre os parceiros. Os verbos em negrito reportam um diálogo que perpassa assuntos variados. Apenas pelo relato não é possível dizer se houve um aprofundamento nas discussões ou se os assuntos foram superficialmente abordados, já que constam, aqui, em breve sequência. O fato de Marcelo não mencionar dificuldades/desafios não significa que não ocorreram, porém já considero um avanço a não menção dos mesmos. E a interação se faz bastante perceptível no fluxo da conjugação dos verbos, ora em primeira ou terceira pessoa do singular, ora em primeira do plural.
Os relatos aqui abordados não demonstram uma totalidade da experiência dos referidos estudantes já que se tem, apenas, a voz deles de uma das interações das quais participaram. Entendo que essa possa se constituir uma limitação mas, para o momento, a intenção era de retratar um pouco do que os participantes abordam em seus relatos escritos.
É interessante variar os instrumentos e procedimentos de acompanhamento das sessões de intercâmbio virtual. Faço tal afirmação com base na superficialidade dos relatos ora apresentados que, dada a pouca abertura dos participantes, apenas foca no conteúdo de suas interações. Assim, destaco o papel fundamental da sessão de mediação, na qual professor/pesquisador/mediador poderá fomentar reflexão acerca da experiência, sondar desafios/dificuldades e, ainda que as temáticas emerjam como nesses relatos, poderá explorar questões relacionadas à cultura e a estereótipos, por exemplo.
Os dados agora apresentados se referem às gravações orais de sessões de mediação conduzidas por uma
professora/pesquisadora/mediadora (PPM) e uma pesquisadora/mediadora (PM). As sessões foram realizadas presencialmente, no laboratório, junto ao grupo de participantes do teletandem, gravadas em áudio e, posteriormente, transcritas. Foram 4 encontros promovidos e compartilho trechos que se destacam.
O trecho a ser comentado abaixo refere-se à mediação do dia 07 de novembro de 2016, com a presença de seis estudantes e as duas mediadoras.
Excerto 4 - Transcrição de mediação- 07/11/2016
Fonte: Do autor.
Uma das participantes expõe, ao grupo, uma dificuldade e a estratégia adotada para driblá-la. Segundo ela, mímica e explicações são utilizadas de forma a buscar compreensão de vocábulos desconhecidos e evitar a zona de conforto de uso da língua materna
em momento inadequado (linhas 1 a 6).
Nota-se que a mediadora demonstra agilidade, experiência e sabedoria de modo a aproveitar as oportunidades e oferecer suporte e
orientação (linhas 7 a 16). Ela aproveita a fala da participante sobre ‘zona de conforto’ para demonstrar que a flexibilidade e o bom senso devem permear as sessões, como a contínua interrupção do fluxo da conversa. Ela oferece estratégias aos participantes, de modo a contornar as incompreensões geradas na interação, como pedir para o parceiro repetir ou escrever ou para o próprio estudante repetir o que lhe foi dito para se certificar da compreensão. As estratégias implicam, também, processos de correção. Sendo assim, observa-se o fundamental papel do professor/pesquisador/mediador na condução da sessão de mediação assim como a participação do grupo que pode compartilhar experiências, desenvolver autonomia e reflexão, identificar-se com questões postas pelos demais participantes. Assim, percebe-se a riqueza de processos que podem ser simultaneamente desencadeados a partir de uma sessão de mediação.
O excerto 5 demonstra a relevante presença e atuação da PPM para utilizar o momento da mediação para alavancar a autonomia e uma postura crítico-reflexiva.
Excerto 5 - Transcrição de mediação - 21/11/2016
Fonte: Do autor.
A conduta e movimentação do professor/pesquisador/mediador no laboratório, acompanhando os participantes, fazem muita diferença. Há um sentimento de segurança que é reforçado quando os estudantes notam que há um ponto de suporte, uma figura conhecida, em caso de necessidade. Cabe ao PPM circular pelo espaço, observar as parcerias e estar atentamente conectado ao andamento das sessões de interação, quer para prestar algum tipo de auxílio técnico ou linguístico imediato ao estudante que interage, quer para coletar questões que serão, posteriormente, retomadas na mediação. Isso fica claro na fala
da PPM, excerto 5, linha 1, quando afirma: “mas eu estava ouvindo
algumas questões interessantes, né?” e, na sequência, linhas 2 a 5, ela busca o diálogo, questiona e fomenta a reflexão acerca da experiência por ter percebido que o nome do atual presidente dos Estados Unidos foi mencionado na interação.
Observa-se uma intervenção do Participante A e, em seguida, o Participante R discorre acerca de sua experiência com a parceira sob a temática de eleições, protestos, etc. Entendo que a temática seja um tanto complexa e delicada sob vários prismas, mas, apesar disso, o Participante R faz comentários muito positivos da interação, demonstrando engajamento, segundo ele, “a gente conseguiu sair mais do… só da tela do conversar, sabe? Ela, às vezes, quis me mostrar alguma coisa que ela viu, ela me mandava o link, eu abria e via e
comentava alguma coisa” (linhas 16 a 21).
Empatia entre os pares é um ponto importante para a relação de aprendizagem que é construída por meio do intercâmbio cultural. Nos dados aqui selecionados, o fato de a estudante estrangeira ter compartilhado a foto do cachorrinho demonstra intimidade e conforto para fazê-lo, podendo ser considerado um avanço na parceria e no comprometimento com a telecolaboração. A avaliação que o Participante R faz é importante e, da mesma forma, denota avanços: “Então eu achei, assim… que foi mais natural, sabe? Do que da última vez que eu achei mais engessado, não conhecia direito e não sabia até
onde eu posso falar sobre ela, né?” (linhas 19 a 21). As barreiras linguísticas e culturais vão sendo transpostas ao passo que a competência intercultural vai sendo desenvolvida. Como reconhece o Participante R, o desconhecimento da parceira e do que e como abordar nas interações é importante para que o bom senso perpasse as sessões de telecolaboração diante de distintos modos de viver e pensar.
O excerto 6 versa sobre os processos de negociação (GARCIA, 2013) que podem ser fundamentais na manutenção da harmonia e potencialização da aprendizagem nas ações de intercâmbio virtual.
Excerto 6 - Transcrição de mediação - 28/11/2016
Fonte: Do autor.
O foco do trecho selecionado no excerto 6 recai na correção (ou não) de erros cometidos durante as sessões de interação. A PPM reconhece que a negociação entre os pares acerca das maneiras de se abordar a correção deva ocorrer em momento inicial, quando do estabelecimento da parceria. Entende-se negociação, já que cada estudante pode apresentar suas preferências e, em comum acordo, realizarem os procedimentos, demonstrando respeito mútuo. Desde que acordadas, as correções serão bem-vindas de modo a evitar constrangimentos. O Participante W expõe seu ponto de vista considerando a disponibilidade
dos pares e o foco e objetivos pensados para a experiência (7 e 8). Ele parece afirmar que a comunicação e os propósitos de fazer-se entendido ou entender poderia dispensar correções. A correção de erros constitui-se situação muito comum nas parcerias e nem sempre ocorre como os pares esperam/gostam já que isso poderia soar como intromissão, prepotência do falante mais proficiente ou interrupção no fluxo da conversa. É por isso que a PPM aborda tal questão na mediação e a considera como medida inicial. Ela ainda aproveita a oportunidade para expandir algumas perspectivas sobre como proceder
em relação aos erros (linhas 12 a 20), como auto-monitoramento, solicitação de feedback sobre pronúncia ou digitação, utilização do chat, requisição de pronúncia ou sinônimos. Fica nítido o propósito de oferecer suporte e alternativas com vistas à maximização da aprendizagem e da experiência telecolaborativa por parte da PPM, reforçando, assim, os benefícios da condução da sessão de mediação para todos os envolvidos, para a professora/pesquisadora/mediadora, para a pesquisadora/mediadora, para os participantes que externam suas experiências e para os participantes que acompanham a exposição do colega e, muitas vezes, se identificam com os relatos. Depreende-se crescimento a todos no referido contexto.
No excerto 7, o Participante R comenta acerca da evolução na língua e na importância de se arriscar na prática, com persistência.
Excerto 7 - Transcrição de mediação - 05/12/2016
Fonte: Do autor.
Como se pode observar, a PPM, no excerto 7, elogia a postura do Participante R e traz à tona suas experiências anteriores, comentando o progresso de alunas e lados positivos da colaboração on-line em termos linguísticos e pessoais. A professora/pesquisadora/mediadora ainda, ao longo de seu comentário, reforça a questão das estratégias, já abordadas em mediação anterior. Há um tom encorajador em seus apontamentos que se solidificam em contribuições muito positivas para o bom andamento das parcerias e do processo de ensino/aprendizagem. A PPM incentiva os participantes à preparação, ao auto-desafio, à consulta a dicionários ou imagens para conduzir uma conversa em língua inglesa. Incentiva, ainda, a aproveitar a oportunidade e flexibilizar-se para a negociação com o par mais proficiente de modo a buscar apoio e conforto para desenvolvimento próprio.
No próximo excerto, de número 8, os Participantes D e R discorrem sobre a possibilidade de dar sequência ao intercâmbio virtual iniciado.
Excerto 8 - Transcrição de mediação - 05/12/2016
Fonte: Do autor.
É possível depreender que a experiência em teletandem mostrouse muito pertinente para ambos estudantes, já que comentam, com empolgação, sobre a continuidade, de forma autônoma. Por teletandem autônomo, entende-se que os próprios participantes responsabilizar-se-ão pelo gerenciamento das sessões de interação, sem o acompanhamento de um professor/pesquisador/mediador. Há ocasionalmente uma oferta da referida modalidade como indicação de professores estrangeiros ou, como aqui notado, uma organização por conta própria dos estudantes diante de parcerias bem sucedidas. Destaco o fato de que a Participante D menciona, ainda, uma parceria
complementar, agora em língua espanhola (linha 5). O interesse e a motivação são bastante visíveis, sugerindo que o teletandem já se mostrou benéfico para ela. Finaliza, afirmando que “Se eu conseguir
manter esse contato e expandir, eu ia adorar!” (linhas 6 e 7).
O Participante R, também, comenta tentativa realizada junto à
parceira15 para continuidade. Afirma que ofereceu seu endereço de Facebook como forma de contato e, também, suporte para dúvidas na aprendizagem de português. Finaliza sua exposição junto ao grupo
destacando a gratidão expressa diante do suporte oferecido (linha 13).
Os dados aqui compartilhados (excertos 4 a 8) seguem procedimentos classificados como padrão na telecolaboração em teletandem, ou seja, sessões de interação e mediação realizadas em laboratório com a presença do grupo e de
professor/pesquisador/mediador.
Abordo, agora, os dados referentes à coleta realizada no ano de 2015 e justifico não tê-los apresentado antes. Eles inovam pela flexibilidade de condutas mediante situações adversas, considerando o formato institucional semi-integrado (UNESP/Câmpus de Assis) e as diferenças de fuso horário entre os países.
A parceria aqui compartilhada realizou os oito encontros previstos, atendendo a trinta estudantes, sendo quinze brasileiros e quinze da instituição estrangeira. Os três primeiros encontros ocorreram às doze horas, horário considerado crítico no Brasil e no meio universitário devido ao horário de almoço. Como muitos estudantes almoçam no próprio restaurante universitário que possui suas regras de horário e número de refeições servidas, com o término das interações por volta das treze horas, não foi possível realizar a sessão de mediação presencial com os participantes no laboratório. Assim, foi acordado com o grupo que, após a interação no laboratório, com a minha presença como PPM, eles seriam dispensados para o almoço e a mediação ocorreria, de forma escrita, em grupo fechado do Facebook, de forma assíncrona. Para tal, eles se comprometeram a participar e realizar as tarefas lá postadas. Segundo o calendário das sessões, o acompanhamento de forma remota teve a duração de três semanas, já que, para os demais encontros, o horário de início se deslocava para as treze e, depois, para as catorze horas e a mediação pôde, assim, ser retomada presencialmente com o grupo dos brasileiros no
laboratório, como pode ser observado no quadro 20.
Quadro 20 - Teletandem- Interações e mediações condu
Data 1/10 8/10 15/10 22/10 29/10 5/11
Horário 12:00- 12:00- 12:00- 13:00- 13:00- 14:00-BR de 13:00 13:00 13:00 14:00 14:00 15:00 interação
Tipo de Remota Remota Remota Presencial Presencial Presen mediação pelo pelo pelo no no no
Facebook Facebook Facebook Laboratório Laboratório Laborat
Fonte: Do Autor.
Como já afirmado, é necessário bom senso e agilidade para driblar adversidades que possam surgir ao longo das ofertas de intercâmbio virtual. As situações, como descritas aqui, que são notadas quando do início da organização, já podem ser pensadas e, antecipadamente, administradas. Para os imprevistos que, também, venham a ocorrer, as orientações são as mesmas e a busca pela exequibilidade deve ser constante.
O recorte aqui estabelecido se volta para a mediação realizada de forma assíncrona com o grupo de participantes brasileiros pelo Facebook, procedimento, também, retratado por Garcia e Souza (2018).
As postagens objetivam contemplar as solicitações da professora/pesquisadora/mediadora acerca do andamento das experiências virtuais em teletandem. Dessa forma, são criadas condições para intervenções e oferta de suporte, ainda que de forma remota. Destaco que, praticamente, todas as postagens dos estudantes são comentadas pela PPM e revistas pelos estudantes que elaboraram os comentários e, também, pelos outros participantes. Como já comentado, os grupos fechados do Facebook dispõem de mecanismo que sinaliza a visualização das mensagens (quantas pessoas e quem). Dessa forma, pensando no acompanhamento, ficam expostos, para o professor/pesquisador/mediador, os participantes mais e menos engajados ou aqueles que precisam de um lembrete acerca de atividades pendentes e isso é muito comum que os mediadores façam. Há postagens que se constituem lembretes sobre datas e horários de interações, por exemplo, principalmente, como nesse caso de três trocas por conta de fuso horário durante o mesmo semestre.
Os próximos excertos, de 9 a 12, compilam mensagens emitidas pela PPM no grupo do Facebook. As temáticas envolvem boas vindas e
orientações (excerto 9), lembretes para os participantes (excerto 10),
vocabulário (excerto 11), avaliação de mediação presencial realizada
(excerto 12).
É interessante observar o tratamento carinhoso no começo das mensagens e o uso de um emoticon, às vezes, ao final, constituindo-se formas acolhedoras para com o grupo de participantes. Com um ambiente mais amistoso, os estudantes brasileiros encontram segurança para compartilhar suas experiências.
A primeira postagem, diferente das demais, foi realizada em língua inglesa, como orientação para a comunicação futura, para que os participantes discorressem sobre suas experiências, com a opção de escreverem em inglês ou português. Apesar de todos estarem aptos a tal, observaremos que a língua materna foi a de preferência, na maioria das mensagens, pela zona de conforto, possivelmente, e pelas postagens serem públicas aos demais estudantes. Assim, como poderá ser percebido, também, a resposta da PPM, da mesma forma, seguirá a língua escolhida pelo participante.
Excerto 9 - Sessão de mediação via Facebook
Fonte: Do autor.
No excerto 9, uma questão merece destaque pela recorrência nas sessões de mediação: colocar-se à disposição dos participantes, para
ouvilos e ajudá-los (linha 4) e, ainda, incentivá-los a compartilhar e
ouvir os demais colegas e experiências (linhas 5 a 7). Dessa forma, participantes e professora/pesquisadora/mediadora iniciam uma caminhada de companheirismo no processo de ensino/aprendizagem via telescolaboração.
O próximo excerto retrata lembretes enviados aos participantes, como se pode observar abaixo.
Excerto 10 - Sessão de mediação via Facebook
Fonte: Do autor.
No excerto 10, a professora/pesquisadora/mediadora reforça
informações já repassadas aos participantes. Nas linhas 1 e 2, observam-se referências aos participantes que ainda não enviaram suas postagens acerca de suas interações em teletandem. A PPM apenas frisa a orientação e os alerta para um prazo de fazê-lo.
A situação de ausências sem prévia comunicação é o motivo da
postagem retratada das linhas 3 a 6. Há uma informação que é retomada acerca da modalidade de telecolaboração realizada que é a semi-integrada como já exposto aqui, ou seja, os participantes estrangeiros participam das sessões de interação durante suas aulas de língua portuguesa no exterior. Dessa forma, em caso de faltas no Brasil, os participantes estrangeiros deixam de interagir caso não seja possível gerenciar o imprevisto. Intensifica-se, assim, a perspectiva de um compromisso assumido pelos participantes brasileiros que se inscrevem para interagir, de forma voluntária, e que deve ser honrado, sempre que possível.
A PPM reforça a agenda prevista para as sessões nas linhas de 7 a
15. São postagens de dias diferentes, mas que retomam datas/horários, principalmente, considerando as três mudanças decorrentes de fuso horário entre Brasil e Estados Unidos, no segundo
semestre de 2015. Nas linhas 14 e 15, além da mudança de horário, é reforçado o fato de que será possível para os participantes almoçarem e dirigirem-se para o laboratório depois da refeição, condição não possibilitada até então. Isso significa, também, que a sessão de mediação passaria a ocorrer, presencialmente, e não mais de forma remota via Facebook. Esse tipo de mensagem visa dirimir dúvidas e confusão, considerando as grandes e frequentes alterações.
O excerto 11 reporta uma dúvida trazida e o retorno oferecido pela PPM.
Excerto 11 - Sessão de mediação via Facebook
Fonte: Do autor.
Nota-se que o objetivo é oferecer um esclarecimento de vocabulário e compartilhar com todo o grupo, apontando a explicação e tradução de horário de verão, situação vivenciada por todos eles.
As tecnologias impactam a interação humana e, dessa forma, também a linguagem, conforme observa Paiva (2016, p. 379), “[u]m desses fenômenos é o uso de emojis, figuras geradas pelo sistema Unicode para representar emoções, e os stickers usados para o mesmo fim em redes sociais como o Facebook”. Segundo a autora, em um estudo conduzido acerca da história dos emojis e sua circulação nas interações por tecnologia móvel, o acréscimo de sentido se dá por funções sintáticas e discursivas. Assim, supondo a intenção de tornar a interação e a oferta de suporte para os participantes de teletandem,
destaco, inicialmente, nos excertos 9 a 11, a frequente utilização de um emoji nas postagens da PPM no Facebook. Como se pode observar
adiante, os dados retratam a utilização de emojis, como em suas postagens por outros participantes, também, que acabam sendo uma forma de feedback para a PPM. Para Paiva (2016), “os gestos se transformam em emojis” (p. 382) e aqui, possivelmente, buscam uma aproximação com os participantes e vice-versa, reforçando a disponibilidade para auxiliá-los na experiência virtual.
O excerto 12, apesar de apontar para a sessão de mediação presencial, optei por trazê-lo aqui porque demonstra alinhamento com o
excerto 9.
Excerto 12 - Sessão de mediação via Facebook
Fonte: Do autor.
Os propósitos da mediação e o discurso da PPM mostram-se condizentes no momento inicial e ao longo das sessões, quer de forma remota, quer de forma presencial. Ela ainda faz uma avaliação muito positiva da experiência, reforçando a questão de falar e ouvir, já comentada aqui, e o contexto para desenvolvimento da reflexão.
Nesse momento, os dados incluem a participação dos estudantes integrados a este grupo de teletandem. Dos quinze participantes, opto por compartilhar os comentários produzidos por Cecília, estudante da UNESP/Assis que não é da área de Letras e nem está envolvida com a formação de professores, como comumente presenciado nas sessões. Minha escolha se dá com a finalidade de retratar a diversidade e os benefícios do intercâmbio virtual para diferentes áreas de atuação.
Cecília (CCL) exala felicidade e motivação diante de uma parceria e de um processo de ensino/aprendizagem bem-sucedidos. A seguir são retratadas suas postagens e da PPM, constituídas como forma de mediação e acompanhamento das sessões em teletandem.
Excerto 13 - Sessão de mediação via Facebook (05/10/2015)
Fonte: Do autor.
Considerando o primeiro relato produzido desde a realização da primeira sessão, há muitas questões sobressalentes no relato de Cecília e que serão retomadas na fala da PPM como, por exemplo, o fato de ser sua quinta experiência em teletandem, denotando satisfação e compreensão dos benefícios da colaboração on-line. Na
linha 3, ela elege, na frequência de uma vez por semana (regularidade habitual no teletandem), o fato de sua tristeza. Depreende-se com isso que ela estaria disposta a interagir com uma maior frequência.
Cecília expõe seu objetivo que recai no intercâmbio cultural (linha 4), apresenta uma avaliação, considerando sua trajetória “Já aprendi tanto”
(linha 6) e segue para a descrição da atual parceira (linhas 6 a 9). Com esses apontamentos, ela demonstra um certo amadurecimento em relação à telecolaboração, expondo seu propósito de aprendizagem e buscando melhorias com base nas experiências anteriores.
Das linhas 10 a 14, a estudante manifesta um desafio advindo de suas práticas de intercâmbio virtual com estrangeiros, parceiros falantes ou aprendizes de língua espanhola e que trazem referências dessa língua para a aprendizagem de português, fato que, segundo ela, inibe o processo de correção de erros. Segundo Cecília, “sempre
me sinto desconfortável para corrigi-los” (linhas 13 e 14). Ela espera uma experiência mais desafiadora ainda considerando o pouco tempo de estudo de língua portuguesa de sua parceira, GR. A motivação de Cecília parece ser grande, dado seu empenho que transparece ao longo do comentário para superar dificuldades. Apesar de não cursar Letras, sugerindo que quem o faz tenha habilidades diferenciadas, ela mostra disposição para aprender e para auxiliar.
Cecília demonstra consciência acerca do processo no qual está envolvida, o teletandem extrapola a conversa entre estrangeiros e adquire contornos pedagógicos que perpassam a comunicação. Nas
linhas de 18 a 20, a participante manifesta suas metas futuras: “perguntar para ela o que ela espera dessa parceria e combinar a forma de correção que vamos adotar”. Dessa forma, Cecília demonstra compreensão de que os acordos iniciais podem maximizar a experiência. Na resposta da professora/pesquisadora/mediadora, nas
linhas de 27 a 37, observa-se a retomada da importância dos arranjos relativos a objetivos e correção e a sugestão de buscar ajustes junto à parceira. A PPM reconhece, também, a questão da interferência do espanhol e confirma a recorrência do fato em parcerias português x inglês, reafirmando o caráter positivo das correções.
Ao final de seu comentário, CCL reconhece algumas de suas limitações de pronúncia e vocabulário e discorre sobre um episódio referente ao momento de prática de língua inglesa na interação, envolvendo a sutil pronúncia das palavras slip e sleep. A PPM
responde nas linhas 35 e 37, orientando CCL para receber orientações e explicações de sua parceira no que diz respeito às dificuldades que acabou de reconhecer. Encerra, desejando uma ótima experiência para Cecília.
É interessante observar o tom motivador e amistoso que emerge da postagem de Cecília e da resposta da
professora/pesquisadora/mediadora. As duas parecem vibrar com as informações, no desejo de muito sucesso para a experiência. Apesar de ser a quinta parceria de Cecília, transparece uma grande motivação, um sentimento de novas coisas a serem descobertas e aprendidas como se fosse desbravar esses caminhos pela primeira vez.
O excerto 14 retrata postagem de Cecília e a professora/pesquisadora/mediadora (CL e PPM) após a realização da segunda interação em teletandem.
Excerto 14 - Sessão de mediação via Facebook (8/10/2015)
Fonte: Do autor.
O relato de Cecília é bastante completo e oferece um panorama relevante sobre a experiência em teletandem conduzida com a parceira GR. Da forma como o faz, Cecília permite que os leitores (PPM e demais participantes do grupo do Facebook) acompanhem sua trajetória de forma vívida. São várias as questões tratadas como (a) avaliação da sessão, (b) estabelecimento de acordos iniciais, (c) busca e definição de estratégias de aprendizagem, (d) exposição dos assuntos discutidos, (e) demonstração de compreensão do caráter pedagógico da interação e (f) expressão de empenho para ajudar a estrangeira.
Ao descrever sua experiência, CCL reforça a perspectiva da conjugação do teletandem à aula de português no exterior, já que afirma, no momento da prática da referida língua, terem conversado
sobre comida, proposta da aula de GR (linhas 11 e 12). Observa-se, assim, a modalidade institucional semi-integrada sendo confirmada no relato de Cecília.
A partir da exposição de CCL, a professora/pesquisadora/mediadora retomando as questões expostas de forma bastante positiva, elogia a maneira pela qual a brasileira está conduzindo a experiência e prevê
resultados promissores. Nas linhas 23 e 24, CCL agradece a PPM e afirma: “Estou animada para ver os resultados” e recebe a devolutiva dela, “Eu tbm!!!!”. Há um entrosamento explícito nesse acompanhamento e na comunicação estabelecida entre a participante e a professora/pesquisadora/mediadora que transparecem. A construção de uma atmosfera como a descrita certamente atribui segurança para o compartilhar e refletir sobre as experiências de intercâmbio virtual. Destaco, porém, a necessidade de um comprometimento de tempo por parte da PPM, já que atenção é demandada como forma de suporte à experiência. Para tecer considerações, enviar lembretes, observar as visualizações e estabelecer a conexão com o grupo, faz-se importante um acompanhamento regular. Entendo que essa postura seja pertinente para evitar ansiedades e preocupações desnecessárias sobre mensagens não respondidas ou solicitações não atendidas.
No excerto 15, CCL compartilha um feedback muito positivo da terceira interação de teletandem realizada com GR.
Excerto 15 - Sessão de mediação via Facebook (15/10/2015)
Fonte: Do autor.
Nas linhas de 1 a 4, Cecília comemora e justifica uma interação muito produtiva, em suas palavras: “A interação de hoje foi a melhor até agora. Saí da sala sorrindo e compartilhando com os colegas as coisas legais que conversamos. Foi a melhor porque nesse ponto já estamos mais confortáveis uma com a outra, e mais seguras na hora de falar, já acordamos os ajustes e encontramos interesses em comum”.
O relato de CCL expressa um bom entrosamento entre as estudantes, o desenvolvimento e uso de estratégias de aprendizagem, a abordagem de temas variados e, a partir disso, até avalia o desempenho da parceira estrangeira. Ela finaliza, prevendo perspectivas de progresso: “Rimos bastante, e foi ótimo. Estou muito feliz com a parceria, e, se nos mantivermos assim, vamos progredir
bastante” (linhas 15 e 16).
Em sua resposta, a professora/pesquisadora/mediadora reconhece o entusiasmo de Cecília e elogia a estratégia adotada de buscar a leitura e possibilidades que poderão advir desta. A PPM ainda elogia o fato dos progressos notados pela brasileira e a incentiva a continuar com a cessão de feedback. Observando uma lacuna da aprendizagem de língua inglesa no relato de CCL, questiona: “E do inglês? Consegue
perceber as mesmas coisas?” (linha 20). A participante, em seguida, complementa a postagem retomando a orientação dada sobre o feedback que, segundo ela, está sendo bem vista por sua parceira. E, sobre a língua inglesa, comenta que ainda não fez sua leitura, mas o fará em breve. Comenta, também, suas estratégias, procedimentos acordados e conteúdos (vocabulário e pronúncia) que aprendeu.
Segundo o cronograma e as alterações de fuso horário, em 22 de outubro, as sessões de teletandem seriam regularmente realizadas no laboratório, porém a mediação passaria a ser conduzida presencialmente e não mais de forma remota já que o horário se deslocava da hora crítica do almoço. Dessa forma, para contextualizar,
os dados presentes no excerto 16 referem-se à pergunta realizada pela professora/ pesquisadora/ mediadora no grupo fechado do Facebook no dia 21 de outubro, ou seja, um dia antes do início da mediação presencial. Assim, para a pergunta “Em termos de expectativas, como você descreveria sua experiência até o momento? Tudo vai como você achou que seria? Está aquém/além do que você pensava?”, cinco participantes expuseram suas opiniões e, para todos, a professora/ pesquisadora/mediadora apresentou seu retorno. Para este momento, todavia, opto por trazer a voz dos participantes apenas. Esperava-se, com as respostas, obter um mapeamento acerca da experiência de forma a seguir com os procedimentos até então conduzidos ou buscar melhorias a partir de um olhar mais apurado para possíveis dificuldades ou desafios. Destaco que esse tipo de informação pode ser obtida e compartilhada entre os professores/pesquisadores/mediadores de ambas instituições de modo a trazer aprimoramentos para a prática e minimizar percalços.
Excerto 16 - Postagem no Facebook (21/10/2015)
Fonte: Do autor.
Nos comentários de CCL, AL, JL, PV e AG, nota-se que, em geral, a descrição da experiência é condizente com expectativas muito positivas.
No caso de Cecília, ela faz comparações com experiências anteriores e parceiros do sexo oposto e destaca pontos muito relevantes para a parceria atual: “as conversas são ótimas, temos muito em comum e estamos aprendendo e melhorando a língua ao
mesmo tempo” (linhas 7 e 8).
Para PV, a experiência é classificada como divertida e proveitosa. O participante destaca seu nervosismo/ansiedade antes das interações, o que se constitui em um fato recorrente nas parcerias. Entretanto, afirma que “estou impressionado comigo mesmo, pois pela primeira vez estou
treinando meu inglês e ensinando português” (linhas 17 e 18). Esse sentimento relatado pelo participante PV é inspirador, pois, driblando suas dificuldades, o participante consegue vislumbrar mudanças em si em prol de benefícios para ele próprio e, também, para seu parceiro.
Os participantes AL, JL e AG classificam a experiência como além do esperado demonstrando satisfação (e até surpresa) diante de ‘bons’ parceiros, conversas que fluem e maior segurança para se expressar diante de suas dificuldades. Para JL e AG, a observação de uma certa isonomia na proficiência linguística traz conforto para o processo de ensino/aprendizagem ao notarem que seus parceiros apresentam dificuldades na língua portuguesa assim como eles apresentam na língua inglesa. Essa percepção pode impulsionar a experiência de colaboração on-line.
Observam-se, assim, no excerto 16, pontos positivos e potencialidades apontadas nas sessões em teletandem, que se constituem informações importantes para que o professor/pesquisador/mediador prossiga nas atividades com o grupo.
Os próximos excertos referem-se a uma postagem feita pela professora/pesquisadora/mediadora em 16 de novembro de 2015, tratando-se de uma solicitação de um relato avaliativo para todos os participantes do grupo, após sete semanas de interação. Nove estudantes apresentaram seus comentários. Apesar de, nesse período, a mediação já estar sendo conduzida presencialmente, o registro escrito dos participantes faz-se pertinente, também, e passível de ser abordado pela PPM quando da sessão de mediação presencial, se necessário. Destaco que não houve resposta dessa postagem via Facebook pela professora/pesquisadora/mediadora.
Assim, nos excertos de 17 a 19, as avaliações são apresentadas na ordem em que foram sendo produzidas pelos participantes no grupo fechado.
Como se pode observar, no excerto 17, estão dispostos os relatos de CCL, AL e JL, os três primeiros participantes que realizaram suas postagens.
Excerto 17 - Postagem no Facebook de CCL, AL, JL
(16/11/2015)
Fonte: Do autor.
Nas linhas de 1 a 9, consta a avaliação realizada por CCL, participante já abordada anteriormente e que demonstrou engajamento e uma postura muito favorável em relação à experiência. Neste breve trecho, Cecília ressalta questões positivas com vistas à troca de conhecimento e ao funcionamento da internet que lhe propiciaram uma “boa interação”. O destaque negativo que faz, em tom jocoso, é em relação à duração e período de interação, que os julga curtos para a amplitude de assuntos que ainda teria a abordar com sua parceira GR. Na realidade, entende-se que seu destaque negativo se constitui muito positivo, já que o fato do tempo passar rápido/parceria durar pouco remete ao bom relacionamento que foi construindo junto à sua parceira na condução do intercâmbio virtual.
No caso de AL, nas linhas de 10 a 15, a descontração é apontada como um ponto de destaque da experiência. O participante aponta, ainda, a temática enfocada (gírias) e estratégias adotadas para a aprendizagem que trouxeram satisfatórios resultados. Conclui, de forma positiva, destacando características de sua parceria que lhe ajudaram a aprender.
Ainda no excerto 17, o participante JL avalia as interações como muito produtivas e destaca avanços na aprendizagem. Comenta sobre as temáticas e a maneira como as sessões foram conduzidas. Este
participante aborda um ponto já comentado no excerto 8 que é a tentativa de estabelecer contato posterior com o parceiro estrangeiro, após o final das interações previstas, o que denota uma parceria e experiência muito satisfatórias.
O próximo excerto, 18, explicita os relatos de AG, SS e NV, como se pode notar.
Excerto 18 - Postagem no Facebook de AG, SS e NV
(16/11/2015)
Fonte: Do autor.
O participante AG, como AL no excerto anterior, destaca a descontração nas conversas como fator que influenciou positivamente em sua aprendizagem, expressando o desejo, inclusive, de repetir a experiência telecolaborativa diante dos resultados alcançados. O ponto
crucial no relato de AG está explicitado nas linhas de 4 e 5 quando afirma: “Os encontros também ajudaram para aumentar minha confiança para falar em inglês, antes disso eu tinha muita vergonha”. Detecta-se, aqui, uma grande contribuição do teletandem para este participante, envolvendo ganhos significativos que extrapolam a língua e agregam na formação do ser humano. AG, enquanto aprendiz, reconhece, na telescolaboração e na parceria estabelecida, a confiança aprimorada e fortalecida para se expressar na língua estrangeira, questão essa que nem sempre pode ser fomentada da mesma forma quando em trabalho em sala de aula. Entendo, assim, que o cenário tecnologizado pode contribuir com as aulas e conteúdos presencialmente desenvolvidos.
A participante SS reconhece uma experiência positiva de ensinar/aprender e aponta a diversidade de parceiros em suas
interações (linhas 7 e 8). Este fato não é muito recorrente nas colaborações on-line mas, em caso de ausências, realocações podem ser necessárias. Entende-se que a frequente troca possa impossibilitar um aprofundamento e progressão nas conversas já que, a cada novo parceiro, as introduções e perguntas triviais (família, estudos, rotina, etc) se repetem. Para SS, porém, o fato foi positivo para, segundo ela, “compreender diferentes formas de conversar, visto que cada pessoa
era de uma região” (linhas 8 e 9).
A participante destaca a questão da influência da população mexicana nos Estados Unidos e, possivelmente, em suas interações, situação muito comum nas parcerias de teletandem com o referido país. Dessa forma, os participantes se deparam com a interferência do espanhol em suas interações de português x inglês. SS reconhece nesse fato, também, uma perspectiva positiva que lhe auxiliou a lidar com sua insegurança quando afirma “Foi bom para eu perder o medo
de me arriscar nas palavras, e na pronúncia” (excerto 18, linhas 11 e
12).
No caso de NV, aspectos de crescimento são mencionados em seu relato, como interações interessantes, uma agradável parceria, avanços em várias áreas da língua (para ela e para a parceira) e uma diversidade de temáticas abordadas durante as sessões de interação.
Questões relacionadas a contratempos de ordem técnica foram
mencionados por AG, SS e NV, no excerto 18. Infelizmente, questões de conexão podem ser imprevisíveis, já que extrapolam nosso controle e, aqui especificamente, há uma interconectividade estabelecida entre os demais Campi da UNESP.
O excerto 19 apresenta os relatos dos participantes SC, PN e ZJ.
Excerto 19 - Postagem no Facebook de SC, PN e ZJ
(16/11/2015)
Fonte: Do autor.
Vassallo e Telles (2009, p. 33) reconhecem que “[a] sexta peculiaridade do tandem é seu potencial para incentivar o prazer da interação intercultural”. Em um breve relato, mas muito pertinente, SC
afirma que suas interações foram muito prazerosas (linha 1). A partir daí, é possível depreender aspectos que foram se aflorando na trajetória desta parceria com reflexos benéficos ao processo e ensino/aprendizagem. A participante destaca qualidades positivas acerca de sua parceira e especificidades que as aproximaram. Segundo SC, a interferência do espanhol (já mencionada por outros participantes) foi transformada em um passo para a melhoria do português da parceira. Por fim, reconhece contribuições para a aprendizagem do inglês, retomando questões já estudadas, proporcionadas pela colaboração on-line.
Para PN, a avaliação das sessões telecolaborativas junto à sua parceira é muito boa, reconhecendo avanços linguísticos e também pessoais, concernentes a uma maior confiança para produzir na língua estrangeira. A participante elenca variadas temáticas abordadas que pautaram as sessões. Apesar de dificuldades com a internet e ruídos no áudio, a postura da parceira é apontada como forma de contribuir para o bom andamento da experiência.
O relato avaliativo de ZJ diferencia-se dos demais por estar na língua-alvo. Apesar de não haver nenhuma orientação específica para tal, considero muito interessante a iniciativa do referido participante, denotando desprendimento e motivação, já que a maioria das postagens no grupo fechado do Facebook, para visualização de todos os participantes brasileiros, foi realizada em português. Destaco que ZJ é bastante ativo nas diversas ofertas de teletandem disponibilizadas ao longo do ano e contribuições positivas já foram alcançadas em sua
trajetória de aprendizagem. Em seu relato, linhas 14 a 17 do excerto
19, tece elogios à parceria e à facilidade de comunicação encontrada entre eles. Reconhece o teletandem como forma de interagir com falantes nativos do inglês e estabelecer amizades. Por fim, agradece às pessoas que lhe ajudaram e espera novas oportunidades. Devo dizer que ZJ integra o quadro de servidores técnico-administrativos da universidade e pertence a uma minoria que frequenta o laboratório e se inscreve para ações de intercâmbio virtual disponibilizadas. Sua participação é exemplar assim como seu engajamento e, em tempos de internacionalização e de melhoria da proficiência linguística na universidade, sua presença e esforços merecem muito destaque.
Findada a exposição do recorte de dados das interações em inglês x português por meio do teletandem, passo à telecolaboração realizada em inglês x inglês.
2.5.2. Telecolaboração - inglês x inglês
Os dados aqui compartilhados referem-se às interações realizadas no segundo semestre de 2019, no período de três semanas. Esclareço que as intervenções ou recortes feitos dizem respeito à preservação do anonimato, mantendo-se a língua de produção e possíveis deslizes gramaticais.
Como já mencionado, é primordial um engajamento entre a equipe ou professor/pesquisador das instituições mediante um eficiente canal de comunicação. No caso da telecolaboração em inglês x inglês ou inglês língua franca (ILF) aqui apresentada, um professor/mediador do Reino Unido (LL), uma professora/pesquisadora/mediadora (PPM) e uma pesquisadora/mediadora (CB) do Brasil se colocam na responsabilidade de gerenciar a logística para viabilizar os encontros de intercâmbio virtual. Minha atuação como professora/ pesquisadora/ mediadora na condução desta experiência me permitiu avançar no aprimoramento de mecanismos a partir das ações em teletandem e, assim, estabeleço na minha voz e expertise, os pontos de partida para adentrar este contexto parcialmente conhecido.
Avançando para a descrição dos procedimentos, encontra-se o início
das trocas de mensagens por e-mail16 em 07 de agosto, como mostra o
excerto 20.
Excerto 20 - Troca de e-mails entre LL e PPM (07 a 14/08/2019)
Fonte: Do autor.
Considerando que as parcerias de telecolaboração em ILF são conduzidas entre os mesmos professores, com frequência, desde 2016, a objetividade transparece em mensagens amistosas, frequentes, curtas, em inglês ou/e português visando o ajuste das interações.
As datas e horários foram aqui retratados no intuito de evidenciar a frequência e agilidade em que ocorreram e, também, reforçar a necessidade de comunicação inicial entre as instituições.
A informação sobre o número de estudantes a serem convidados a
participar da telecolaboração consta nas linhas 11 e 13 e é retomada
na linha 18. Os professores, assim, pretendem atender 10 alunos interessados na comunicação transcultural em língua inglesa.
Nas linhas 5 e 6, observa-se uma questão muito recorrente nas parcerias de intercâmbio virtual que é a diferença de horário entre os países, que, em alguns casos, se modifica por medidas de economia
de energia elétrica. Após um lapso, na linha 14, o horário é acertado para a abertura das inscrições para alunos interessados.
Dessa forma, após troca de e-mails, o quadro 21 compila os próximos passos para o estabelecimento das sessões de colaboração online em ILF.
Quadro 21 - IFL- Interações e mediações conduzidas - 2019
Data 22/08 29/08 05/09
Horário BR de 13:30-14:30 13:30-14:30 13:30-14:30 interação
Horário UK de 17:30- 18:30 17:30- 18:30 17:30- 18:30 interação
Tipo de mediação Presencial no Presencial no Presencial no e comunicação Lab e via Lab e via Lab e via BR Facebook Facebook Facebook
Fonte: Do autor.
O excerto 21 descreve o processo de inscrição já iniciado nos dois países e, por um desacerto no Moodle no Reino Unido (doravante UK), há um número excedente de alunos inscritos.
Excerto 21 - Troca de e-mails entre LL, PPM e CB (07 a
14/08/2019)
Fonte: Do autor.
Na linha 1, LL escreve “Bom dia de Londres para Assis”, tal cumprimento reforça a parceria e amizade estabelecidas. Nas linhas subsequentes, revelam-se os procedimentos de inscrição para contornar o overbooking, gerado por uma falha no sistema da plataforma. Do número de 10 participantes, inicialmente, acordado, as mensagens revelam 9, 18, 21 e, finalmente, 23 inscritos no exterior. No
Brasil, o processo se inicia em 7 (linha 9), passa a 13 (linha 21) e,
finalmente, 20 (linha 31). Destaco a comemoração do professor
estrangeiro (“Que maravilha”, linha 30) que, por sinal, comunica-se muito bem em português. Penso que essa familiaridade e apreço pelo português/inglês é que aproximou as instituições para a realização
dessas sessões telecolaborativas que têm se mostrado tão profícuas17.
O excerto revela também que, com a disparidade no processo de inscrição, LL cogita, até, uma parceria entre mais de duas pessoas, todavia, logo é reconhecida a improdutividade de tal procedimento e a ideia é abortada.
Nas linhas 25 e 26, LL menciona que o pareamento se dará mediante o número de inscritos no Brasil e fará uma lista de espera
para os demais interessados (linhas 31 e 32). Essa medida é pertinente. Reforço a importância, também, da eficiente comunicação entre professores/equipe e estudantes que manifestaram interesse mediante inscrições. Eles precisam ter segurança, ciência e clareza dos procedimentos e, também, receber orientações acerca dos encontros de telecolaboração.
Nas linhas 27 e 28, é ressaltada a diversidade de nacionalidades que integrará as parcerias. Tal fato demostra que a transculturalidade se faz presente nas ações que envolvem o inglês como língua franca
O excerto 22 revela a comunicação realizada entre o professor/mediador do exterior (LL) e a pesquisadora/mediadora (CB) do Brasil que acompanha as sessões.
Excerto 22 - Troca de e-mails entre LL e CB (22/08/2019)
Fonte: Do autor.
A comunicação entre eles, como aponta o excerto 22, pauta-se na confirmação, organização dos participantes e procedimentos de checagem horas antes do primeiro encontro virtual. O arquivo,
mencionado na linha 12, pode ser observado na figura 9.
Figura 9 - Planilha organizada por LL e CB
Fonte: Do autor (2019).
Preservadas por questões de ética, as informações estão dispostas na planilha da seguinte maneira:
Quadro 22 - Distribuição de dados na planilha
A B C D E F G
Vagas Nome Sobrenome Número de E-mail Classe/Aula N contempladas, (UK) (UK) identificação Institucional (UK) C em amarelo e (UK) (UK) ( lista de
espera, em
branco
Fonte: Do autor (2019).
Um documento de texto ou planilha Google, também, podem ser disponibilizados on-line de forma que ambas instituições acessem e editem, mantendo a listagem de participantes atualizada, registrando presenças/ausências/substituições.
Ainda em termos de comunicação assíncrona, por e-mail,
compartilho, no excerto 23, uma última mensagem trocada entre LL e CB antes do término das interações previstas.
Excerto 23 - Troca de e-mails entre LL e CB (28/08/2019)
Fonte: Do autor.
Observa-se um alinhamento entre LL e CB no sentido de lembrar os estudantes acerca da interação do dia seguinte (a última do bloco), das faltas anunciadas e agendamento da reposição e, também, da certificação que será emitida aos participantes. Essa sintonia entre os professores/pesquisadores/mediadores é de inquestionável relevância para maximizar a experiência de intercâmbio virtual em qualquer área do conhecimento. Isso não garante ou nos esquiva de contratempos mas pode contribuir demasiadamente para a ágil resolução dos mesmos, se for o caso.
Como já mencionado, o contato com os participantes brasileiros se deu, presencialmente, quando das sessões de interação e mediação e, também, de forma remota, pelo Facebook, na modalidade de grupo fechado. Dessa forma, abordo, em seguida, questões interessantes para o presente trabalho.
Antes de compartilhar os dados, retomo o processo de inscrição e o número excedente de interessados, ultrapassando o limite inicialmente cogitado por ambas partes. Empenharam-se esforços na tentativa de atender a todas as pessoas interessadas, já que a compreensão dos benefícios do intercâmbio virtual é amplamente reconhecida por ambas instituições aqui em questão. Na UNESP/ Assis, depois de menção ao ruído externo como interferência na interação, acionaram-se dois laboratórios como forma de maximizar o espaço físico e proporcionar um certo distanciamento entre as cabines na tentativa de reduzir o barulho produzido pelas próprias interações. Todavia, é necessário mencionar que, ainda que com a ampliação, o fato mostrou-se incomodativo por vários participantes.
Na primeira interação, a participante brasileira RN, mediante impossibilidade de acesso ao seu Facebook pelo computador, interagiu pelo próprio celular, dada sua conexão automática à referida rede social.
Fotografia 6 - Participante RN em interação via celular
Fonte: Do autor.
A interação por meio do celular não é encorajada, mas ocorreu como forma de sanar necessidades emergenciais mediante impossibilidade de acesso pelo computador.
A presente experiência de intercâmbio virtual que apresentou overbooking, ainda que realizada com sucesso, alerta para um maior cuidado em relação à capacidade do laboratório. Ainda que existam máquinas disponíveis, é necessário repensar a oferta de interações com grupos maiores (o que se constitui exceção, na maioria dos casos).
O excerto 24 refere-se à sessão de mediação presencial realizada junto ao grupo de brasileiros pela PPM e CB. Ao compartilhar sua experiência, NT aponta questões interessantes, como se pode observar abaixo.
Excerto 24 - Trecho de mediação (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
O participante NT relata suas percepções a respeito de duas sessões realizadas, mostrando avanços na postura de sua parceira de uma
semana para outra. Nas linhas 3 e 4, ele afirma que “nessa interação foi muito melhor porque ela já se sentiu mais confiante”. Tal sentimento se faz comum nas colaborações internacionais, já que a insegurança vai se dissipando com a ajuda do parceiro. Em seguida, ele menciona o acesso a websites como estratégia adotada que, como se poderá observar adiante, proporciona uma experiência robusta para os pares. O participante NT retrata a surpresa da parceira em relação ao assunto abordado e o interesse despertado: “Na hora que eu mostrei a mesa de doces pra ela, ela falou assim ‘nossa, que pena, meu aniversário foi há
duas semanas atrás e eu queria uma festa brasileira’” (linhas 9 a 11). As parcerias e o trânsito entre as culturas pautadas na utilização da língua franca proporcionam uma intensa troca de conhecimentos de multifacetadas naturezas, linguística, cultural, pessoal, educacional.
É sobressalente, como a teoria nos mostra, a riqueza de assuntos e questões que emergem do intercâmbio virtual. A comunicação se solidifica a partir da autenticidade e promove uma envolvente atmosfera de conforto para explorar, como aqui, uma língua (ILF), povo(s) e cultura(s). Rizvi (2014) reconhece que vivemos em uma era em que as culturas não existem de formas separadas, mas que, constantemente, se esbarram umas nas outras. Reconhece, ainda, que, em um mundo que, crescentemente, se torna móvel, as trocas culturais tornam-se imprescindíveis. Assim, um caráter mais real e significativo é observado no ensino/aprendizagem.
Observando, durante a interação, o compartilhamento de imagens na tela e acesso a diferentes websites, no grupo do Facebook, a professora/pesquisadora/mediadora solicitou que os participantes descrevessem tudo que haviam acessado em seus computadores na comunicação com o parceiro estrangeiro. Essa estratégia, que se pauta na utilização e compartilhamento de links da internet para intermediar a comunicação, mostrou-se recorrente no grupo.
Percebemos o participante NT e suas considerações como apontam os seguintes excertos e imagens. No caso do primeiro link, são apresentadas, em inglês, 24 comidas típicas do Brasil, como: coxinha, brigadeiro, pão de queijo, bolinho de chuva, dentre outras. Para cada um dos itens, há uma imagem ilustrativa e, em seguida, a definição do prato, explicação do gosto (com o que se assemelha), uma opinião da autora da postagem no site e, finalmente, uma receita para a execução.
Excerto 25 - Postagem de NT no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
Imagem 1 - Culinária brasileira18.
Fonte: BuzzFeed (2018).
As imagens a seguir referem-se aos links compartilhados e reforçam
o comentário de NT expresso no excerto 24. A fotografia 7 demonstra dois momentos diferentes da interação nos quais NT e a parceira estrangeira da China, que está estudando na instituição do Reino Unido, exploram o website de culinária brasileira.
Fotografia 7 - Interação de NT- 05/09/2019
Fonte: Do autor.
Excerto 26 - Postagem de NT no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
Imagem 2 - Mesa de festa19
Fonte: Caixas & Mimos.
Excerto 27 - Postagem de NT no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
Imagem 3 - Naked Cake 20
Fonte: Clube da Ana.
Excerto 28 - Postagem de NT no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
Imagem 4 - Comida chinesa 21
Fonte: Wikimedia.
Excerto 29 - Postagem de NT no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
A estratégia mencionada por NT para buscar suporte linguístico por meio de um tradutor on-line foi, também, utilizada por outro participante, conforme imagem abaixo.
Fotografia 8 - Interação de PJ - 05/09/2019
Fonte: Do autor.
Observa-se, na tela de PJ, que o tradutor está aberto enquanto interage com o parceiro estrangeiro. O procedimento é recorrente e alguns participantes optam por fazê-lo para que a segurança seja reforçada em termos linguísticos.
Em relação às questões culturais e links compartilhados, há uma situação que merece destaque no presente grupo de colaboração on-
line aqui retratado, como ilustra a fotografia 9.
Fotografia 9 - Interação de DM- 05/09/2019
Fonte: Do autor.
Conforme fotografia 9, em interação do dia 05 de setembro, a parceira estrangeira de DM lhe mostra, pela câmera, uma embalagem de Moreninha do Rio. Pelo grupo fechado do Facebook, o participante TF expõe um link que compartilhou durante a interação com seu parceiro.
Excerto 30 - Postagem de TF no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
O link compartilhado por TF diz respeito ao website abaixo disposto
na imagem 5 que retrata festa junina.
Imagem 5 - Festa junina22
Fonte: Google (2019).
Pelo grupo fechado do Facebook, a participante GS comenta que, quando questionada sobre a definição de Moreninha do Rio, pesquisou no Google e descobriu que se tratava de uma marca de paçoca, como
explana o excerto 31.
Excerto 31 - Postagem de GS no Facebook (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
Após pesquisa, a imagem com que GS se deparou é ilustrada na
imagem 6.
Imagem 6 - Moreninha do Rio23
Fonte: Google (2019).
Na sessão de mediação, a conversa sobre a paçoca surgiu, também,
como se pode acompanhar pelo excerto 32.
Excerto 32 - Trecho de mediação (05/09/2019)
Fonte: Do autor.
A professora/pesquisadora/mediadora aborda a questão da paçoca na sessão de mediação presencial com o grupo todo e, após conversa com o professor do exterior, elucida a curiosa situação. Após encontrar uma loja com produtos brasileiros, o referido professor decidiu comprar o item e distribuí-lo para sua turma de participantes do intercâmbio virtual. Todos os participantes brasileiros atribuem cuidado e atenção no ato afetuoso do professor em materializar e trazer, do contexto virtual para seu laboratório, algo tão simbólico do Brasil para seus participantes. E, certamente, que vários estudantes realizaram pesquisa e trouxeram o assunto à sessão a partir da distribuição do doce. Percebe-se, assim, o rico contexto e as conexões estabelecidas a partir da colaboração virtual.
A imagem 7 abaixo disposta reporta a tela do computador de GR, participante deste grupo, depois de findada a interação.
Imagem 7 - Tela de GR após a interação
Fonte: Google (2019).
A tela do computador no qual estava o participante GR, após sua interação, detalha caminhos e informações compartilhadas durante a sessão. É possível identificar, assim, o acesso ao Google Maps e o nome da cidade chinesa que emergiu na conversa com sua parceira e, também, a imagem de um Guzheng. Graças à condução da sessão de mediação, foi possível compreender a tela e o percurso de GR, como
se pode observar no excerto 33 que apresenta a intervenção da professora/pesquisadora/mediadora e da pesquisadora/mediadora CB.
Excerto 33 - Trecho de mediação (22/08/2019)
Fonte: Do autor.
A partir das orientações dadas pela PPM, ao iniciar a sessão de mediação, ressaltando o grande grupo atendido, as questões técnicas referentes ao ruído e perspectivas de resolução para a semana seguinte, GR apresenta seu relato. O participante expõe as dificuldades técnicas encontradas concernentes ao som. Ele, também, aponta a baixa proficiência de sua parceira chinesa como um desafio e, como forma de lidar com os empecilhos, a estratégia de digitação e de uma fala mais detida.
Saliento a necessidade e relevância da presença dos professores/pesquisadores/mediadores para acompanhar e oferecer suporte, se necessário. A circulação pelo laboratório constitui-se um diferencial para, de imediato, sanar dificuldades e, até mesmo, captar questões que possam ser, posteriormente, abordadas na sessão de mediação com o grupo todo. É o caso de CB, pesquisadora/mediadora
que questiona o participante sobre o uso do Google (linha 18) e, assim,
a tela retratada na imagem 7 é explicada na fala de GR (linhas 19 a
21). O participante explica que Guzheng é um instrumento musical que a parceira toca e, dessa forma, emergiu na interação. A partir daí, um laço foi estabelecido e o interesse dos estudantes despertado, já que GR integra a banda musical da universidade. A agilidade de CB merece destaque para a compreensão das ações desenvolvidas na parceria, já que esse feedback é importante para a boa condução da colaboração on-line.
Os excertos e imagens acima apresentados expressam o exercício da autonomia entre os pares e a adoção de estratégias para que alcancem os objetivos pensados para a experiência em ILF, além de lidar com empecilhos que envolvem a tecnologia. Os caminhos traçados pelos estudantes denotam motivação e troca de conhecimentos, perpassando língua e cultura. As informações e telas compartilhadas demonstram engajamento, uso significativo e materialização do processo de ensino/aprendizagem como complementação e maximização do trabalho desenvolvido em sala de aula.
Telles; Zakir e Funo (2015, p. 374) articulam um estudo muito pertinente ao enfocar o teletandem e episódios de cultura. Afirmam que:
[é] importante ressaltar a natureza interativa, colaborativa e recíproca do
teletandem como um contexto que, como já mencionamos, difere da sala de
aula tradicional, na qual, muitas vezes, o professor tenciona ensinar cultura aos
alunos através de exemplos retirados de textos didáticos ou mesmo de
experiências pessoais. Nosso intuito, neste artigo, não é, portanto, o de afirmar
se há ou não “aprendizagem cultural”, tal como é frequentemente compreendida
no ensino de línguas, mas apenas demonstrar que o teletandem é um contexto
no qual ocorrem trocas interativas sobre, dentre outros assuntos, cultura.
Assim, em consonância com os autores, aqui não me deterei com profundidade às questões culturais que emergem, mas as trago à baila de modo que se evidenciem diversos prismas da experiência transcultural, transcontinental via colaboração on-line em ILF.
Passo, agora, a dados que contemplam uma breve avaliação realizada pelo professor/mediador do exterior junto aos participantes estrangeiros como forma de obter feedback sobre a experiência. Foi aplicado um questionário ao longo das semanas para todos os participantes para que, brevemente, discorressem sobre a experiência telecolaborativa em ILF.
Como nem sempre há acesso às expectativas e considerações dos participantes do exterior, entendo que as respostas aqui compartilhadas possam oferecer um panorama pertinente do trabalho conjuntamente realizado (BR e UK).
A pergunta 1 enfocou as expectativas sobre a experiência, como
demonstra o excerto 34 com resposta dos Participantes 7, 8 e 11.
Excerto 34 - Feedback sobre expectativas (P7, P8 e P11)
Fonte: Do autor.
As três respostas selecionadas refletem, também, o perfil do grupo em melhorar a proficiência linguística, conhecer uma pessoa de outra
cultura/país, fazer amizade, como se pode observar nas linhas de 1 a
5.
Destaco, na linha 4, a demonstração de P8 no intercâmbio de experiência de vida e estudo, temáticas que despertam interesse e pautam muitas parcerias de intercâmbio virtual. No caso de P11, chama-nos a atenção o desejo de ‘confiança para falar e ouvir em
inglês’ (linha 5). Muitos parceiros, não apenas aqui, relatam a insegurança, compreensívelmente desencadeada pela nova experiência, pelo desconhecimento do par, pela pressão de se comunicar em uma outra língua e estar suscetível a erros e julgamentos. Todavia, observa-se que, uma vez compartilhados o desejo de interagir e de aprender, os pares têm demonstrado suporte, empatia e compreensão nas ações de colaboração on-line. No caso do ILF, ambos participantes, engajados no processo de aprendizagem do inglês, que não lhes é a língua materna, dividem a sensação de conforto por estarem em situação de equidade, não fragilizados pelo julgamento de superioridade já que a língua, por exemplo, não “pertence” a nenhum dos dois.
A pergunta 2 se volta para problemas, como se pode observar no
excerto 35.
Excerto 35 - Feedback sobre expectativas (P3, P4, P9 e P10)
Fonte: Do autor.
Dentre as respostas selecionadas, as linhas 1 e 3 reportam as dificuldades concernentes ao ruído no laboratório e conexão à internet, já apontadas antes. São necessários cuidados e atenção para as questões que mais facilmente/localmente podem ser resolvidas, considerando que os problemas que ocorrem em uma das instituições acabam por interferir nas duas.
As linhas 2, 4 e 5 reportam problemas relacionados à língua. Os participantes comentam sobre sotaque e baixa proficiência, temores que podem trazer interferências para a comunicação com o parceiro brasileiro. Tais questões serão, na prática, abordadas entre os pares e, em caso de persistente dificuldade, o professor/mediador pode oferecer suporte no intuito de minimizar desconfortos. A questão do sotaque merece destaque já que se sobressai e se contextualiza na experiência ILF aqui retratada, diferentemente do teletandem. Como os participantes na instituição do Reino Unido são estrangeiros de variados países, essa questão é recorrente e muito característica desta modalidade de colaboração on-line.
No excerto 36, é apresentada a terceira pergunta que busca uma reflexão acerca da experiência após o primeiro encontro virtual.
Excerto 36 - Feedback sobre expectativas (P3, P5, P8 e P12)
Fonte: Do autor.
A questão do desconforto (conexão ruim e ambiente com ruído) é
trazida, mais uma vez, no relato de P3 (linhas 1 e 2), P5 (linha 4) e P8
(linha 11). Mas, apesar disso, a avaliação é muito positiva, e os empecilhos não excluem a motivação para prosseguir na colaboração.
Para P3, a experiência é avaliada com surpresa, constituindo-se melhor do que o esperado. P5 faz um relato favorável, também, e
destaco a linha 3, quando afirma que não estava mais nervoso ao encontrar o parceiro. Como comentado anteriormente, a experiência em ILF permite que, gradativamente, os pares desenvolvam a confiança para se relacionarem no intercâmbio virtual. Ele discorre acerca da parceira, dos vários assuntos que possuem a serem abordados e finaliza, afirmando que está ansioso pela próxima conversa.
Nas linhas 7 a 11, o P8 retrata sua experiência como muito legal. Afirma que ele e a parceira conversaram sobre diferenças culturais, abordando China, Reino Unido e Brasil e isso demonstra grande potencial da telecolaboração, em consonância com Costa et al. (2018, p. 21),
[…] a telecolaboração é um claro exemplo de como é possível articular o ensino
de língua estrangeira em sala de aula com experiências de contato com outros
aprendizes, que podem ser extremamente enriquecedoras, tanto no nível
linguístico quanto (inter) cultural. Afinal, o impacto das relações que se
estabelecem (tele)colaborativamente proporciona à aprendizagem de línguas
novas oportunidades de explorar as possibilidades de atuação entre os
envolvidos no mundo globalizado, constituindo-se, assim, de modo cada vez
mais efetivo o campo da telecolaboração transcultural e transcontinental.
No caso do ILF, vislumbramos muito bem as perpectivas transcultural e transcontinental se consolidando nas parcerias, sob uma avaliação muito positiva de brasileiros e estrangeiros.
Os autores a seguir reconhecem, também, o potencial catalisador das experiências virtuais e, apesar de tecerem suas considerações a respeito do teletandem, entendo-os como pertinentes para o intercâmbio em ILF, também.
Segundo Consolo (2006, p. 3), no teletandem os aprendizes vivenciam uma experiência que ultrapassa o aprender línguas:
[…] proporciona contato e conhecimento entre pessoas situadas nos diversos
países nos quais falantes de ao menos duas línguas diferentes interagem à
distância, por meio dos recursos da tecnologia e do uso dessas línguas para
experiências de comunicação autêntica. E nessa comunicação eletrônica
aprendem-se não somente línguas, mas também sobre esses países e sobre
esses interagentes.
Aqui, é possível vislumbrar, no relato dos participantes estrangeiros, um processo que expande o uso de uma língua em comum e envoca questões nem sempre tratadas em uma sala de aula tradicional (ZAKIR, 2011).
Ainda no excerto 36, a avaliação de P12 descreve uma experiência muito nova e ótima. Apesar de alguns deslizes observados em sua escrita em inglês, o participante se mostra muito motivado, compartilhando informações sobre a vida em Londres e a cultura
brasileira. Nas linhas 14 a 16, retrata o suporte que ofereceu à participante brasileira e afirma que isso lhe trouxe muita satisfação. Observa-se, assim, o auxílio ao parceiro como um ponto muito positivo da interação. P12 finaliza, classificando a experiência como ‘memorável’, o que sugere muita motivação e a expressão de sentimentos positivos.
Em um momento anterior à realização da segunda interação, o professor/mediador questiona o grupo sobre expectativas e receios
para a sessão. As respostas de P1, P4, P10 e P11 constam no excerto
37.
Excerto 37 - Feedback sobre expectativas (P1, P4, P10 e P11)
Fonte: Do autor.
A menção à conexão/equipamento é feita por P1 e P4, mas expressa o sentimento do grupo. Para a segunda interação, no Brasil, um laboratório extra foi providenciado como forma de ampliar o distanciamento entre os participantes e diminuir ruídos. O microfone, apesar de individual, realiza a captação do som do ambiente com muitas pessoas reunidas, em comunicação simultânea, o que lhes causa desconforto.
Todos os participantes aqui registrados, P1, P4, P10 e P11, demonstram similar preocupação referente à comunicação. Observa-se uma manifestação de baixa proficiência (“my vocabulary can be more
abundant to support our communication”- P1, linhas 1 e 2 e “I fear that I
am not good enough sometimes”- P10, linhas 7 e 8), fluência e clareza (“I wish to speak fluently and clearly in order to make myself easiy
understood”- P4- linhas 4 e 5). No caso de P11, quando manifesta seu
receio de pausas na comunicação (linha 10), é possível compreender tal apontamento como falta de fluência ou interesse entre os pares ou apenas como um integrante do processo. O silêncio nem sempre é considerado de todo negativo, muitas vezes, se faz componente do ensino/aprendizagem como forma de processamento do conhecimento. Para os pares, porém, ele se mostra desafiador e, nem sempre, como transparece na fala de P11, bem quisto na interação.
Destaco, ainda, na exposição de P10, a expectativa da relação de
uma amizade sincera junto à sua parceria (linha 7). Tal componente, muitas vezes, impulsiona a experiência de colaboração on-line e fomenta a segurança dos participantes para interagir e utilizar a língua em questão. Isso pode se confirmar, por exemplo, nas parcerias que, de forma autônoma, se alongam para além dos vínculos institucionais, como já mencionado.
O excerto 38 exibe os comentários dos alunos estrangeiros após a realização da segunda sessão de telecolaboração em inglês como língua franca.
Excerto 38 - Feedback sobre expectativas (P3, P9 e P15)
Fonte: Do autor.
Após a realização da segunda interação, apesar de uma avaliação positiva da experiência, é possível observar que problemas técnicos
ainda persistem para alguns participantes (linhas 1, 9 e 10). Como já comentado, a oferta de intercâmbio virtual para grupos grandes (acima de 15 participantes) deve ser atentamente considerada, de forma que imprevistos e desconfortos sejam minimizados.
Ainda que com deslizes na expressão escrita em inglês, P3 afirma que a sessão foi muito melhor que da primeira vez e se mostra surpreso e empolgado. O compartilhamento da aprendizagem da língua inglesa, em andamento, é o que aproxima os participantes neste tipo de telecolaboração, os motiva e os torna seguros para prosseguirem, driblando seus medos e erros com maior determinação. O mesmo pode ser observado nos relatos de P11 e P15 que reconhecem dificuldades, mas, também, o potencial da experiência. Segundo P15, a falta de vocabulário que não permite uma expansão ou aprofundamento na conversa constitui-se motivação para se dedicar mais aos estudos da língua.
Telles et al (2015) reconhecem que “a aprendizagem de línguas colaborativa e as trocas culturais em ambientes mediados pela tecnologia tendem a fazer parte da realidade de cada vez mais pessoas que têm a oportunidade de praticar a língua alvo de maneira autêntica e síncrona, como no caso do teletandem” (p. 386). Apesar da menção ao teletandem, as ações em ILF dialogam de forma muita intensa, como já demonstrado aqui e, assim, a autenticidade de uso da língua e as trocas culturais se delineiam de forma vigorosa nos dados aqui enfocados.
O excerto 39 explicita comentários tecidos com antecedência acerca de um planejamento para a última sessão.
Excerto 39 - Feedback sobre expectativas (P16 e P18)
Fonte: Do autor.
Em geral, os participantes apresentaram a intenção de compartilhar questões relativas à vida cotidiana, a livros e filmes, aspectos do Brasil e sua própria cultura. Destaco, dessa forma, o comentário de P16 que explicita o conteúdo planejado para a interação final e, também, expressa o desejo de prosseguir a parceria, de forma independente. Já P18, não demonstra o conteúdo pretendido para a sessão, mas reafirma o objetivo de aprendizagem de língua, juntamente com seu parceiro.
Diante das questões aqui expostas acerca da telecolaboração em inglês como língua franca, ressalto a importância dos processos de negociação entre os pares (GARCIA, 2013) ainda mais em contexto onde as nacionalidades são muito diversificadas e questões culturais mais emergentes ainda. Para evitar ofensas, incompreensões e desconfortos, a comunicação deve ser clara, pautada em ética e respeito, e os procedimentos (correção, temáticas, por exemplo) acordados de maneira recíproca e autônoma. Em geral, a experiência de intercâmbio virtual tem apresentado resultados muito satisfatórios ao fomentar a comunicação e desenvolvimento de um olhar crítico e responsável para com a cultura do outro.
As fotografias a seguir são provenientes de diferentes fases do intercâmbio virtual desenvolvido na UNESP/ Câmpus de Assis. São retratados os Laboratórios, participantes em sessões de interação ou mediação na prática de teletandem e telecolaboração em ILF, conforme trajetória aqui exposta.
Fotografia 10 - Sessão de mediação no Laboratório principal-
fase inicial
Fonte: Do autor.
Fotografia 11 - Sessão de teletandem no Laboratório principal-
fase inicial
Fonte: Do autor.
Fotografia 12 - Sessão de teletandem no Laboratório principal -
fase atual
Fonte: Do autor.
Fotografia 13 - Sessão de telecolaboração ILF em Laboratório
secundário- fase intermediária
Fonte: Do autor.
Fotografia 14 - Sessão de telecolaboração ILF em Laboratório
secundário- fase intermediária
Fonte: Do autor.
Fotografia 15 - Sessão de telecolaboração ILF em Laboratório
principal- fase atual
Fonte: Do autor.
Fotografia 16 - Participantes em intercâmbio virtual com seus
parceiros em Laboratório principal- fase atual
Fonte: Do autor.
Fotografia 17 - Participantes em intercâmbio virtual e suas telas
de computador
Fonte: Do autor.
Fotografia 18 - Participantes em intercâmbio virtual e suas telas
de computador
Fonte: Do autor.
As fotografias (10 a 18) aqui compartilhadas visam retratar um pouquinho do ambiente que se estabelece quando os participantes se engajam em trocas linguísticas e culturais por meio do intercâmbio virtual. Por questões de ética e privacidade, busca-se preservar a identidade dos participantes nas imagens e, por questões de suporte e mídias, infelizmente, não é possível compartilhar, aqui, todo o burburinho e a atmosfera de empolgação que se estabelece nas trocas linguísticas de intercâmbio virtual. A tentativa foi de materializar o cenário aqui abordado pelas fotografias, dados e falas dos participantes e dos professores/pesquisadores/mediadores, salientando benefícios e desafios.
A intenção é a de empreender, com as tecnologias, ações com vistas a uma educação plena, como sustenta Moran (2018), buscando nas conexões fomentar competências, acesso, comunicação e oportunidades de crescimento.
Reforço que, ainda que as ações aqui abordadas se estabeleçam no processo de ensino/aprendizagem de línguas, todas as áreas do conhecimento podem ser contempladas já que ilustramos a possibilidade de teletandem com trocas em português e outra língua ou na telecolaboração com o uso de inglês na modalidade de língua franca. As possibilidades podem ser variadas, dependendo do contexto no qual o professor/pesquisador/mediador estiver inserido.
Reforço, ainda, a recente ação da UNESP na promoção de intercâmbio virtual em diversas áreas do conhecimento, conforme o
projeto BRaVE 24 (Brazilian Virtual Exchange), em fase de implementação. Objetiva-se criar uma modalidade de aprendizagem colaborativa on-line de forma a conectar alunos com instituições de ensino superior do mundo todo para estabelecer uma rede de profissionais interconectados mediante demandas atuais na educação. Focado na aprendizagem global, o BRaVE pretende promover a troca de conhecimento por meio do intercâmbio virtual, do contato intercultural e da conexão entre turmas. Para isso, com o suporte das tecnologias, busca articular um contexto de construção conjunta de conhecimento por meio de interações síncronas ou assíncronas, ou de forma híbrida, entre estudantes de graduação ou pós-graduação. A nova iniciativa de parceria com o exterior, impulsionada pelo Projeto Teletandem Brasil, empreende perspectivas promissoras e, institucionalmente, reconhece a importância das ações de colaboração on-line frente a tendências educacionais pautadas na globalização, internacionalização e compartilhamento de conhecimento.
Expostas práticas e possibilidades do processo de ensino/aprendizagem com o suporte das tecnologias, encaminho-me, agora, à questão do papel do professor para atuar em contextos de colaboração on-line.