Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

Daniela Nogueira de Moraes Garcia · Capítulo 7 de 15

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Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

Capítulo 2 – O uso do computador: difusão e ações pedagógicas

Capítulo 2 – O uso do

 

computador: difusão e aplicação

 

de tecnologias

 

A globalização tem impulsionado mudanças de naturezas variadas em toda a sociedade e, como consequência, interconectividade e contextos de aproximação dos povos por meio das TDICS. Conforme Schenker (2012, p. 449), é observado um deslocamento e desaparecimento de divisas ao passo que as culturas emergem e as relações internacionais se tornam a base de um amanhã. As transmutações perpassam áreas e competências, segundo a autora:

 

[v]iver em uma era de globalização exige competências mais diversificadas de

todos e, concomitantemente, requer que o sistema educacional foque em

ensinar aos alunos as habilidades necessárias para dominar, com sucesso, as

necessidades desse mundo novo e em constante mudanças.

 

Nesse sentido, destacamos o papel facilitador das tecnologias nas pontes que estabelecem entre pessoas e conteúdos com vistas a um cenário promissor segundo as necessidades do mundo atual. Compactuo com Moran (2018, p.11) quando declara que “[…]é absurdo educar de costas para um mundo conectado, educar para uma vida bucólica, sustentável e progressista baseada só em tempos e encontros presenciais e atividades analógicas (que são, também, importantes).

A Comunicação Mediada pelo Computador (CMC) e a Aprendizagem de Línguas Assistida pelo Computador (CALL) acentuaram as possibilidades e os contextos educacionalmente profícuos (PHILP; ADAMS; IWASHITA, 2014; MEANS; BAKIA; MURPHY, 2014; O’DOWD, 2014; DOOLY; O’DOWD, 2012; WARSCHAUER, 2011; WARSCHAUER; LIAW, 2010) como sinalizam os estudos conduzidos.

O quadro seguinte apresenta termos com referência ao uso do computador na comunicação ou aprendizagem recorrentes na literatura.

Quadro 1 - O computador e a educação de línguas estrangeiras -

alguns termos

Sigla Significado Tradução Referências

CMC Computer Comunicação Meskill e

Mediated mediada pelo Anthony, 2007 Communication computador Celani e Collins,

2005 Wu et al,

2014 Kim e

Brown, 2014

Monteiro, 2014

Chik, 2014

CALL Computer Aprendizagem de Chapelle, 1998

Assisted línguas assistida por Olson, 2014 Language computador Jung, 2014 Learning Chao, 2015 Tai,

2015

SCMC Synchronous Comunicação Warschauer,

Computer síncrona mediada 2001 Khamis, Mediated pelo computador 2010 Lloret, 2011 Communication Sauro, 2011

Vandergriff, 2013

Darhower, 2014

ACMC Asynchronous Comunicação Warschauer,

Computer assíncrona mediada 2001 Khamis, Mediated pelo computador 2010 Sauro, Communication 2011

TML Technology- Aprendizagem Shield, 2002

Mediated mediada pela Murphy, 2013 Learning tecnologia

CSCL Computer- Aprendizagem Stahl et al, 2006

Supported colaborativa com o Cress et al, 2015 Collaborative apoio do computador Learning

NBLT Network-Based Ensino de línguas Kern e

Language baseado na rede Warschauer, Teaching 2000 O’Dowd e

Ritter, 2006

Fonte: Adaptado de Garcia (2010).

Sigla Significado Tradução Referências

TELL Technology- Aprendizagem de Villegas, 2007

Enhanced línguas maximizada Kranthi, 2017 Language pela tecnologia Learning

WELL Web-Enhanced Aprendizagem de Villegas, 2007

Language línguas maximizada Learning pela rede

ICFLL Intercultural Aprendizagem Thorne e Payne,

Foreign intercultural de 2005 Language línguas estrangeiras Learning

ICALL Intelligent Aprendizagem Thorne e Payne,

Computer- inteligente de 2005 Amaral e Assisted línguas assistida Meurers, 2011 Language pelo computador Learning

ICFLE Internet- Educação de língua Belz e Thorne,

Mediated estrangeira 2006 Intercultural intercultural mediada Foreign pela internet Language

Education

NCI Networked Interação Belz e Thorne,

Collaborative colaborativa na rede 2006 Trentin, Interaction 2010

CALLT Computer Ensino e Telles e Vassallo,

Assisted aprendizagem de 2006 Language línguas assistidas Learning and pelo computador Teaching

SNSLL Social Networks Sites de rede social Liu et al, 2015

Sites for para aprendizagem Alvarez, 2016 Language de línguas Learning

 

Fonte: Adaptado de Garcia (2010).

Sigla Significado Tradução Referências

MALL Mobile Assisted Aprendizagem de Valarmathi, 2011

Language Línguas mediada por Alda e Leffa, Learning dispositivos móveis 2014 Hassan Taj

et al, 2016

Fonte: Adaptado de Garcia (2010).

 

O quadro revela uma trajetória que vai se consolidando no que diz respeito ao emprego do computador em ações pedagógicas. Reforço que, apesar de muitas modalidades enfocarem o ensino de línguas, diversas áreas e prismas do cenário educacional têm sido contempladas com o suporte de aplicativos, mídias e tecnologias. A literatura mundial debruça-se para uma compreensão mais ampla acerca dos benefícios e desafios do advento tecnológico mediante necessidades de internacionalização e inclusão.

Há mais de uma década, Telles (2006) discorria sobre tais questões e considerava a potencialidade de recursos tecnológicos no contexto das línguas estrangeiras. Conforme o pesquisador,

 

[a]tualmente, com o aparecimento de aplicativos ligados à web, tais como o

SKYPE e o MSN MESSENGER, as ligações internacionais abrem o acesso

democrático à comunicação entre os povos – é possível interagir, em múltiplas

modalidades (oral, visual e escrita), na nossa língua ou em uma determinada

língua estrangeira, com os mais variados povos da Terra, a um custo quase zero

(TELLES, 2006, p. 5).

 

Estudos pautados no uso do computador, tecnologias e mídias no processo de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras têm se expandido. Aponto, aqui, algumas das temáticas que despontam ao enfocar ferramentas de mundos virtuais tridimensionais disponíveis na rede com benefícios para CALL (DALTON; DEVITT, 2016; PETERSON, 2011), uso de dispositivos móveis (ROCKEY TIEGS; FERNÁNDEZ, 2020; JUNG, 2014; KIM RUECKERT; KIM; SEO, 2013; HOVEN; PALALAS, 2011), projetos de contação de histórias digital (OSKOZ; ELOLA, 2016; CASTAÑEDA, 2013), jogos digitais (BLUME, 2019; CHIK, 2014; REINHARDT; SYKES, 2012) e sites de rede social (WINANS, 2020; WARNER; CHEN, 2017; WODZICKI; SCHWÄNNLEIN; MOSKALIUK, 2012; WEIR TOOLAN; SMEED, 2011; ROBLYER et al., 2010).