Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração
2.4. Telecolaboração língua franca
Olhar para a modalidade de colaboração on-line em inglês como língua franca é instigador, já que se insere em um cenário de dinâmicas em ascensão. Constituindo-se recente no contexto aqui apresentado, parte-se das experiências com o teletandem e o ensino/aprendizagem da língua inglesa como estrangeira para elucidar suas perspectivas e pertinência. Assim, busca-se um diálogo com o referencial teórico sobre teletandem, intercâmbio virtual e língua franca com o objetivo de alcançar uma sólida compreensão para melhor orientar e atuar como professores e mediadores quando da condução de sessões entre estudantes brasileiros e estrangeiros.
Dessa forma, a referida modalidade começou a ser praticada na UNESP/Câmpus de Assis a partir de agosto de 2016. Deparamo-nos, então, com um novo cenário de intercâmbio virtual e avançamos para um formato de colaboração on-line que (a) não prevê a utilização de duas línguas e (b) nem um falante mais proficiente que ajuda o outro de sua zona de conforto linguística com o uso de sua própria língua e, ainda, (c) a não utilização do Skype como aplicativo de comunicação síncrona.
A experiência aqui compartilhada tem base nesta colaboração, de perspectivas inovadoras, e, ainda, em estudo para um melhor entendimento e caracterização. Para sua realização, o recurso de ligação por vídeo da rede social Facebook foi empregado já que a versão de Skype utilizada na instituição estrangeira mostrou-se incompatível com a, atualmente, empregada na UNESP. Em relação às línguas, o inglês foi estabelecido como língua franca de comunicação entre participante brasileiro e participante estrangeiro durante toda a sessão, considerando que o público-alvo definido pelo exterior são alunos estrangeiros, de países variados, matriculados em instituição da Inglaterra, cuja língua oficial, como sabido, é o inglês. Esta língua, então, passa a intermediar as trocas linguísticas entre participantes que a estudam e a praticam como modalidade de língua estrangeira.
A utilização do Skype, por conta pessoal ou institucional, não imprime a mesma aproximação entre os pares como o Facebook o faz. Considere-se que o acesso ocorre por meio de contas pessoais e, dessa forma, uma certa familiaridade começa a ser estabelecida já que é possível visualizar as publicações e postagens nesta rede social, uma vez que a solicitação de amizade é enviada e aceita.
Um interessante desafio que merece ser aqui mencionado em termos de pareamento é que, tanto para o professor/pesquisador/mediador quanto para os estudantes brasileiros, alguns dos nomes dos estudantes estrangeiros, principalmente de países orientais com diferentes alfabetos, tornava-se difícil de ser localizado no Facebook, consumindo um certo tempo para efetivar o pareamento. Assim, muitas vezes, o contato da rede social do estudante brasileiro era enviado ao professor da Inglaterra que se encarregava de distribuir aos seus alunos. Reforço a importância de um gerenciador dessas ações que se consolida na figura do professor/pesquisador/mediador. Retomo, também, a importância da prévia comunicação e dos preenchimentos das fichas, agora compartilhadas de forma eletrônica, permitindo edições, atualizações e acessos simultâneos.
Ressalto que as diversas modalidades de intercâmbio virtual têm empreendido novas possibilidades de transformar a educação, a relação ensino/aprendizagem e professor/alunos. Ressalto, ainda, que o cenário tecnologizado e globalizado tem permitido um desbravar pedagógico de forma a envolver ensinadores, aprendizes e conteúdos numa relação significativa e modificadora.
Em relação às duas formas de intercâmbio virtual que aqui compartilho, a saber teletandem e telecolaboração em língua franca, destaco que compreender semelhanças e distinções se faz relevante para robustecer a experiência e seus ganhos e, ainda, se necessário, para desenvolver metodologias de apoio. O intuito é oferecer agilidade na preparação dos ambientes/suportes computacionais e na logística que envolvem as sessões para professores no Brasil e no exterior e,
também, estudantes participantes. O quadro 17 compila algumas características que merecem atenção.
Quadro 17 - Características das duas modalidades de intercâmbio Modalidade de Intercâmbio virtual Modalidade de Intercâmbio virtual Teletandem em Teletandem em Cola Cola
inglês como inglês como online online
língua língua como como
estrangeira estrangeira fr fr
Países das instituições Brasil/Estados Brasil/
Unidos/Canadá
Línguas de interação Português/Inglês In
Duração da Sessão 50-60 minutos 50-60
Divisão das línguas Metade do tempo Não há
para cada lín
Frequência anual Duas vezes Três
v
Número de encontros 4 a 10 encontros 2 a 3 e
Frequência de encontros 1 ou 2 por 1 por
semana
Local de interações Laboratório Labo
Presença de professor/pesquisador Sim S
Função do professor/pesquisador Ajudador, Aju
organizador, orga
mediador, me
articulador de articu
contextos, con
fomentador de fomen
reflexão ref
Comunicação entre as instituições Deve ser De
constante e cons
eficiente efi
Fonte: Do autor.
Modalidade de Intercâmbio virtual Teletandem em Cola
inglês como online
língua como
estrangeira fr
Nível de proficiência entre os pares Equivalente, a Equiv
partir de pré- partir
intermediário. A interm
diferença no nível Estu
pode gerar brasilei
grandes atritos. inscre
esta m
já dem
raz
familiar
a língu
Vínculo com o currículo de lingua Não teve no Não
Brasil/Parte do nenh
currículo nos insti
EUA
Formato/Participantes Grupos de Gru
estudantes estu
voluntários no volunt
Brasil/Grupos de duas in estudantes de
uma mesma
disciplina/curso
nos EUA
Orientações a serem seguidas Princípios da Não
aprendizagem em especi tandem previsto
(autonomia, primei
reciprocidade, estabe
uso separado de colab
línguas) online
fra
pro
estr
Fonte: Do autor.
Modalidade de Intercâmbio virtual Teletandem em Cola
inglês como online
língua como
estrangeira fr
so
ativ
escrita
platafor
institui
atua
am
estud
‘guia’
intera
propos
muito
pelos b
ao ‘en
princ
auton
tan
exper
po
anterio
única r
até e
colab
on
Aplicativo utilizado Skype pessoal ou Fac
institucional do pessoa
Laboratório bate-
víde
incomp
de ve
Skype
insti
Fonte: Do autor.
Modalidade de Intercâmbio virtual Teletandem em Cola
inglês como online
língua como
estrangeira fr
Sessões de mediação para os brasileiros Sim (presencial, Sim (pr
via Whatsapp, via via Fa
Facebook)
Pareamento Realizado Rea
previamente por previa
meio de (a) na p
divulgação de interaçã
vagas no Brasil e bra
(b) envio de lista comp
de uma turma de seus u estudantes da de Face instituição profes
estrangeira comu
consta
medi
proced
con
Formas de avaliação Avaliação Ava
continuada pelo contin
acompanhamento acompa do progresso do do pro
aluno durante as aluno d
interações e inter
mediações. med
Tempo de utilização da modalidade Desde 2006 Desd
Cancelamento/Reposição/Reagendamento Sim S
de sessões
Fonte: Do autor.
Em relação às características elencadas, percebe-se que o teletandem, enquanto prática de colaboração on-line para atender demandas linguísticas e culturais, construiu uma importante trajetória em cenário brasileiro e mundial, comprovada pelas pesquisas e estudos desenvolvidos e, neste momento, embasa as práticas de inglês como língua franca.
Algumas questões são sobressalentes no quadro 16 como, por exemplo, o uso do inglês como língua única de comunicação. Tal fato implica o esforço dos pares em se comunicar apenas em uma língua (que não é a materna de nenhum deles) e em não poder recorrer à própria língua como ponto de apoio, se necessário. Ambos parceiros se afastam da zona de conforto que a língua materna lhes proporciona e se lançam a uma nova experiência que lhes exige foco e concentração.
Retomando os princípios da aprendizagem em tandem, é possível observar que a autonomia e reciprocidade mantêm-se nesse formato e são de extrema relevância para a maximização da prática. A autonomia vai se delineando nas parcerias de modo que os próprios aprendizes delimitam seus assuntos, escolhem suas estratégias para atingir seus objetivos e se esforçam para incluir o parceiro nas sessões.
A possibilidade de oferta desse intercâmbio virtual em inglês língua franca durante algumas vezes no ano, contando com rotatividade de turmas, é interessante, pois permite que os alunos brasileiros acessem diferentes nacionalidades e culturas a cada nova turma oferecida pela instituição da Inglaterra. A diversidade de países e áreas de estudo fomentam as trocas estabelecidas e permite profícua construção de conhecimento, extrapolando a aprendizagem de língua com fim em si mesma.
A experiência com a utilização do inglês como língua franca, ainda que incipiente, já nos sinaliza potencial a ser empregado em áreas diversas do conhecimento.
2.4.1. Inglês como língua franca: esclarecendo o
conceito
O conceito de língua franca aqui utilizado vislumbra as situações nas quais o inglês é a escolha de falantes de países diferentes com propósitos de aprendizagem linguística e desenvolvimento de competência intercultural mediante backgrounds linguístico-culturais distintos (COGO e PITZL, 2014). Para Schmitz (2012), o inglês como língua franca (English as língua franca- ELF) atende a comunicação entre falantes de diferentes línguas.
Cogo (20--?], n. p., tradução nossa) afirma que:
[o] ‘inglês’, enquanto língua, por algum tempo, foi visto como um fenômeno
global e, portanto, não mais definido por funções territoriais, culturais e sociais
fixas. Ao mesmo tempo, as pessoas que usam o inglês por todo o mundo têm
moldado e adaptado a língua aos seus contextos de uso e a tornado relevante
em suas configurações sócio-culturais. O inglês como língua franca, ILF, é um
campo de interesse de pesquisa que nasceu da tensão entre o global e o local e,
inicialmente, começou como ramificação da estrutura do ‘the World Englishes’ a
fim de remeter à perspectiva internacional ou melhor, transnacional do inglês no
mundo. O campo do ILF rapidamente se caracterizou como forma de abordar a
comunicação, atitudes, ideologias em contextos transnacionais, que vão além
das categorizações nacionais do World Englishes (com as descrições do inglês
nigeriano, malaico e outras variedades14).
Opto por manter “World Englishes” da citação original pois a denominação tem sido amplamente utilizada em português, também, referindo-se às variedades de inglês. Oliveira (2017, n. p.), em sua palestra intitulada World Englishes e Inglês como língua franca: definições e contrastes, esclarece que:
[a] área ‘World Englishes’ está ligada à identificação e à descrição de variedades
de inglês em todo o mundo. O inglês como língua franca, ao contrário, é focado
principalmente em como os falantes de inglês, independentemente de suas
origens, negociam significado no contexto da comunicação.
Para Gimenez et al (2015), o ILF constitui-se campo de pesquisa em ascensão e engloba perspectivas diversas se considerarmos o seu uso.
Consequências e características da língua franca, especialmente da língua inglesa como língua única de comunicação, são apresentadas por El Kadri (2010), como se pode observar, a seguir.
1) as alterações sofridas pela língua conforme é apropriada por diferentes
usuários; 2) sua forte vinculação com o desenvolvimento econômico, 3) o fato de
que 80% das interações em língua inglesa no mundo ocorrem entre falantes não
nativos; 4) a quantidade de pessoas que a utiliza para os mais variados
domínios; 5) a possibilidade de inserção global pelo domínio desta língua; 6) a
grande quantidade de pessoas que desejam adquirir esta língua pelos
benefícios que ela traz; 7) às mudanças no sentido de “propriedade” da língua;
8) sua dissociação dos EUA e Inglaterra e 9) a possibilidade de atendimento às
necessidades globais e locais pelo uso desta língua (EL KADRI 2010, p. 65).
Reforçando a importância de se olhar para as interações que contemplam o inglês como língua franca como aqui descritas, apoio-me em Lopes e Baumgartner (2019, p. 12) que reconhecem a complexidade de questões que circundam a temática e o uso do inglês.
[…] ao usar o ILF, compreendemos que a língua passa a ter identidades
multiculturais e características locais. Além disto, com o propósito da
comunicação em diferentes contextos – apesar de o ensino continuar, em boa
parte, atrelado à necessidade de conformidade a regras de falantes nativos –, o
ILF nos traz uma pedagogia que pressupõe uma prática preocupada em se
reposicionar diante de visões monolíticas e monológicas, isto é, propõe um
movimento de enfrentamento/ruptura diante de um discurso de língua que
perpetue desigualdades. Assim, em vez de aceitarmos um rótulo de deficiência
ou de não nativo, propõe-nos a sermos agentes reflexivos e críticos da mudança
linguística diante das ideologias monolíngues dominantes.
Observar o conceito de língua franca e o contexto em que este tem sido empregado ampara a compreensão do cenário aqui compartilhado e possíveis formas de incrementar a educação. Em seguida, explicito questões relativas à organização e logística.
2.4.2. Um pouco da logística da colaboração on-line
língua franca
Reconhecendo que foi desbravador e fundamental para assimilar o cenário, as necessidades e o formato de modo a atingir, de forma satisfatória, os objetivos de comunicação transcultural aos quais nos propusemos ao realizar as parcerias, compartilho um pouco do percurso inicial.
Ao visitar o Brasil, o professor estrangeiro tomou ciência da proposta do Projeto Teletandem Brasil e, também, comunicou-se com uma professora leitora de sua própria instituição que havia se dedicado à prática de teletandem em anos anteriores. Assim, conhecendo a proposta e observando a necessidade de internacionalização, expansão, educação transnacional e cenários colaborativos, a parceria com a UNESP foi vislumbrada como forma de incrementar a experiência do estudante que, vindo de outro país, matriculava-se em instituição de ensino superior na Inglaterra.
Depois de intensa troca de mensagens e realização de reunião online para alinhar perspectivas, propusemo-nos a realizar um ‘teletandem’ entre estudantes brasileiros que são aprendizes de inglês e estudantes estrangeiros no Reino Unido, falantes (não nativos e, algumas vezes, não proficientes) de inglês. Dessa forma, o professor estrangeiro estabeleceu os seguintes objetivos: (a) oferecer um espaço extracurricular para os estudantes das duas instituições desenvolverem as habilidades linguísticas em inglês e refletir sobre a própria experiência como estudantes; (b) consolidar algumas áreas de estudos dos estudantes estrangeiros; (c) promover conhecimento e compreensão da cultura acadêmica e, em geral, do Reino Unido e do Brasil; e (d) oportunizar, para os estudantes, uma ampliação de sua exposição internacional.
Logo após apresentação da proposta aos estudantes estrangeiros, o referido professor elaborou uma página que foi alocada no site da universidade. Constituía-se em um tipo de portfólio digital de aprendizagem com interação entre os usuários, visando estabelecer um ponto de apoio e orientação. Foram disponibilizadas informações referentes (a) ao projeto, (b) ao uso do inglês como língua franca, (c) à definição e o link do site do Projeto Teletandem, (d) às vagas, datas e duração das sessões, (e) às instituições (Brasil e Reino Unido) incluindo o mapa dos países, (f) ao comprometimento para tais sessões e (g) ao contato do professor, em caso de necessidade. Uma agenda, também, foi disponibilizada para cada um dos seis encontros, incluindo
as atividades e o tempo dedicado a cada uma delas. O quadro 18 ilustra o conteúdo proposto para o quinto encontro, como forma de exemplificação, aqui.
Quadro 18 - Conteúdo disponibilizado para o 5º encontro de
colaboração on-line
Session 5 - 6th September
1. How does going to university differ between the UK, Brazil and other countries? Think about: -student life; -relationships with academics; -teaching and learning; - assessment; -organisational structure. [Suggested Time: 15 minutes]
Fonte: Portfólio digital (2017).
2. Discuss ‘how universities around the world are changing’ Article: “Five ways universities have already changed in the 21st century”
In the article above Paul Ashwin from the Lancaster University in the UK discusses how universities has changed since the begining of the 21st century. Discuss with your Teletandem partner whether you have noticed these changes in your own countries and in the UK. [Suggested Time: 15 minutes]
3. Foreign students explain their state-of-the-art presentation to their Teletandem partners. UNESP ask questions and provide feedback. [Suggested Time: 15 minutes]
4. Grammar Error Spot 4
What is wrong with the words in bold? Discuss with your Teletandem partner.
[Suggested Time: 15 minutes] The dominance image of the UK campus experience is of students in their late teens or early 20s living and socialising in the campus of a long-established university. However, figures from the Higher Education Statistics Agency (HESA) paint a differencepicture. In 2013-14, around one-third of full-time students lived at their own or their parent’shome and one-third of all students were aged 25 or over. Around 15% of the student populationwas distance learners, with around one-third of these based wholly overseas. While technological developments have changed the experiences of students study at a distance, for other students it seems that it has been integrated into their experiences without changing them fundamentally. This is similarity to what happened with television in the 1970s, which was thought to have signalled the end of the traditional lecture. While it did offer higher education in a new form to students engaging with the programs made by the Open University, the experience of most students did not great change.
5. Plenary -Foreign Students
Follow-up Reflect on the differences between university life in different parts of the world.
Fonte: Portfólio digital (2017).
Os mecanismos de inscrição seguem os protocolos já apresentados anteriormente como o preenchimento das fichas contendo informações como datas, horários dos encontros, informações dos participantes e endereços de Facebook. Após recebimento desses dados, iniciam-se, no Brasil, a divulgação e a abertura das inscrições que são realizadas mediante número de vagas disponibilizadas. Apesar de a proficiência linguística para esse tipo de colaboração on-line ser um pouco maior, já que o participante irá interagir apenas em língua inglesa, a procura pelas vagas tem sido satisfatória.
O intercâmbio virtual entre a UNESP e a Inglaterra basearam-se em um formato muito semelhante ao do teletandem para iniciar as sessões, contexto acerca do qual ambos professores já possuíam conhecimento. Todavia, aos poucos, algumas questões foram emergindo e a prática se mostrou distanciar do teletandem, em vários momentos, como quando (a) do uso de apenas uma língua, (b) do tempo de uso da língua e (c) do exercício da autonomia que começou a ser negligenciada mediante a organização de um guia de
atividades/tópicos e tempo de execução, como descrito no quadro 18.
Conforme já explanado, a autonomia é exercitada entre os pares que, segundo seus objetivos, entram em processos de negociação para tomada de decisões. Em algumas situações, a sugestão de temas, em consonância com conteúdos abordados durante as aulas ou questões da atualidade, pode auxiliar as parcerias.
O quadro 19 retoma a questão e ilustra temas apontados para interações em teletandem. Considerando que a dinâmica seria a mesma, objetivou-se oferecer um ponto de partida para as sessões de interação. É interessante observar que a organização é proposta pela instituição estrangeira, como sugestão para os alunos de português. É possível pensar que as temáticas perpassem as aulas presenciais e, além disso, que a proficiência esteja alinhada ao nível da turma de modo que os estudantes tenham condições linguísticas para abordá-las nas interações.
Quadro 19 - Teletandem Cronograma- Temas para alunos de
Português
Date Assignment Temas para alunos de Português Temas
para
alunos
de
Inglês Date Assignment Temas para alunos de Português Temas
para
alunos
de
Inglês
22 de 1ª sessão Apresentação pessoal março Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
24 de 2ª sessão Copa do Mundo/estação do ano março Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
29 de 3ª sessão Tradições/festas/feriado/comemorações março Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
Fonte: Equipe Teletandem Brasil.
Date Assignment Temas para alunos de Português Temas
para
alunos
de
Inglês
31 de 4ª sessão Profissões março Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
5 de 5ª sessão Supermercado/mesa/compras abril Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
7 de 6ª sessão Corpo/sistema de saúde abril Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
Fonte: Equipe Teletandem Brasil.
Date Assignment Temas para alunos de Português Temas
para
alunos
de
Inglês
12 de 7ª sessão Transporte/viagem/hotel/correio abril Teletandem
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
14 de 8ª sessão Reciclagem/globalização/meio abril Teletandem ambiente
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
19 de 9ª sessão mulher/sociedade brasileira/sociedade abril Teletandem portuguesa/contemporaneidade
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
Fonte: Equipe Teletandem Brasil.
Date Assignment Temas para alunos de Português Temas
para
alunos
de
Inglês
21 de 10ª sessão Tecnologia/comunicação/cidade do abril Teletandem futuro e biotecnologia
e-partnering
6:45PM –
7:15PM
(português),
&-7:15PM-
7:45PM
(ingles)
Fonte: Equipe Teletandem Brasil.
Recuperando a questão da telecolaboração e do portfólio retratado
no quadro 18, a intenção da proposta foi muito positiva, mas, para os estudantes brasileiros, já familiarizados com a prática de teletandem e com a autonomia para gerenciar suas interações e engajar-se em processos de negociação (GARCIA, 2010) junto aos parceiros, um certo desconforto pôde ser observado.
Dessa maneira, ao refletirmos acerca da situação, compreendemos que a autonomia atribui um caráter importante na comunicação transcultural e, como tal, deve ser observada. De comum acordo, ambos professores/mediadores optaram por atribuir mais liberdade aos parceiros e permiti-los tomar decisões entre si para, assim, estabelecer seus próprios objetivos de aprendizagem e buscar seus caminhos nas sessões telecolaborativas. O portfólio digital passou, então, a ser instrumento informativo para elucidação da prática, abrigando um vídeo explicativo, produzido pelo professor/mediador estrangeiro como forma de divulgação e recrutamento de novos estudantes voluntários para as interações intercontinentais.
Ainda abordando questões de logística e desenvolvimento das ações, uma outra questão merece destaque: o uso do aplicativo para conferência on-line. O Skype sempre atendeu a todas as demandas de intercâmbio virtual com eficiência. Todavia, com a instituição inglesa da parceria aqui retratada, a versão lá utilizada mostrava-se incompatível com a da UNESP e, assim, após diversas tentativas de conexão, optou-se pelo uso do recurso de bate-papo de vídeo do Facebook. É interessante mencionar que a referida incompatibilidade foi revelada, apenas, no início da primeira sessão, constituindo-se um imprevisto. Dessa forma, reforço que cabe agilidade aos professores/mediadores para buscar alternativas e viabilizar a interação. Esse é um exemplo de imprevistos, mas, certamente, outros podem ocorrer como falta de estudantes, problemas tecnológicos com equipamento ou conexão e, assim por diante e, da mesma forma, professor/mediador deve buscar alternativas para evitar prejuízos à colaboração virtual.
Em relação à utilização dos recursos do Facebook, foi possível observar uma certa aproximação entre os parceiros que, antes ou depois das interações, visitaram e comentaram postagens dos parceiros na referida rede social. Observam-se ligações sendo estabelecidas para além do encontro semanal e considero esse despertar para uma nova cultura de todo benéfica.
No que diz respeito à sessão de mediação, no Brasil, realizamos o encontro presencial após as interações com vistas ao compartilhamento de experiências, desafios, contribuições como forma de maximizar a experiência e promover reflexão. Ainda como forma de acompanhamento, além do encontro presencial, é criado um grupo fechado no Facebook com acesso limitado aos participantes da telecolaboração que opera como um canal de comunicação para lembretes de confirmação/cancelamento de sessões e, também, para mediação, já que é possível, por tal canal, propor questões para reflexão, receber relatos e realizar comentários, constituindo-se, assim, instrumento para orientação e, também, coleta de dados.
É interessante observar que, em cada postagem realizada, o número de visualizações e sua autoria aparecem juntamente. Sendo assim, é possível supervisionar os participantes mais ou menos integrados, solicitar esclarecimentos ou alguma devolutiva de atividades.
Barton e Lee (2015) mencionam a utilização de grupos privados no Facebook como plataforma de comunicação para um curso universitário ministrado. Afirmam que: “[u]m forte senso de comunidade se desenvolveu fora do contexto da sala de aula…” e que “[a] virtualidade de rede social no Facebook também facilitou a aprendizagem colaborativa” (p. 211). Ainda que o foco dos autores não se estabeleça nas ações interculturais, potencialidades do Facebook como ferramenta de suporte podem ser confirmadas.