Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

Daniela Nogueira de Moraes Garcia · Capítulo 3 de 15

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Perspectivas educacionais e novas demandas: a telecolaboração

Capítulo 1 – Sociedade tecnologizada e educação: novos cenários

Capítulo 1 – Sociedade

 

tecnologizada e educação: novos

 

cenários

 

O advento das novas tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) tem articulado contextos inovadores em toda a sociedade. Capazes de robustecer setores diversos, mostram-se em ascendente processo de desenvolvimento, sinalizando promissores caminhos com vistas a ações globalizadoras.

Segundo Behrens (2013, p. 73):

 

[a]s perspectivas para o século XXI indicam a educação como pilar para

alicerçar os ideais de justiça, paz, solidariedade e liberdade. As transformações

econômicas, políticas e sociais pelas quais o mundo vem passando são reais e

irreversíveis. A humanidade tem sido desafiada a testemunhar duas transições

importantes que afetam profundamente a sociedade: o advento da sociedade do

conhecimento e a globalização

 

As referidas transformações passam a articular contextos pouco explorados e nos impelem a uma reconfiguração de postura e pensamentos. Vetromille-Castro e Ferreira (2016, p. 157) reconhecem proporções “epidêmicas”, no que diz respeito ao alcance das tecnologias na sociedade. Para eles, “[n]os mais diversos recantos, os indivíduos procuram ou são impelidos a utilizar recursos tecnológicos para desempenhar práticas sociais variadas, como fazer compras, movimentar contas bancárias, telefonar e ‘até’ aprender”. Tarefas corriqueiras, incluindo serviços bancários, como o depósito de cheques, por exemplo, passam a ser realizados de forma virtual, mediante escaneamento do referido documento com a utilização de um smartphone. A presença física, dessa forma, adquire novos significados que, dia a dia, passam a ser desmitificados graças às tecnologias.

As conexões à internet, a aplicativos e a mídias digitais empreendem novos ritmos à vida cotidiana. Redes fixas e móveis articulam cenários, estabelecem vínculos, abortam distâncias e horário e projetam perspectivas inovantes.

Temos, a cada dia, visto mudanças significativas que perpassam inclusão mas, também, exclusão. O que tanto auxilia os mais conectados pode, da mesma forma, acirrar abismos já percebidos em nossa sociedade. Tal desigualdade constitui-se fonte de grande preocupação e inspira ações em variados setores. Araújo e Vilaça (2016) utilizam o termo “infoinclusão” para abordar a inclusão de indivíduos na sociedade da informação, indivíduos estes marginalizados nas práticas sociais originadas pelos meios digitais. Os autores entendem que a infoinclusão possa fomentar sua cidadania nas sociedades contemporâneas.

Araújo e Vilaça (2016, p. 17-18) afirmam que

 

[a] popularização das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs)

recria as experiências na sociedade, proporcionando diferentes práticas sociais

e meios de comunicação. As mídias digitais, principalmente a Internet, deixam

de ser exclusivas do computador desktop e passam a ocupar outros espaços,

como ruas, praças, bancos, restaurantes etc. Passam a contribuir, portanto, para

a organização do cotidiano da vida urbana e seus espaços públicos.

 

Para Moran (2013, p. 68), “[n]a sociedade conectada, todos estamos reaprendendo a conhecer, a nos comunicar, a ensinar; reaprendendo a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social”. Reconhece-se, assim, uma nova era de redescobertas e reinvenções em prol de uma construção significativa de conhecimento.

Certamente que não podem passar despercebidas no ambiente escolar, local de promoção de conhecimento, de intercâmbio de saberes, de estabelecimento de conexões e de formação de indivíduos para atuação nas diversas esferas do mundo que nos cerca. Em consonância com Souza e Santos (2019, p. 43), compreendemos que “[…] o espaço escolar deve e pode se utilizar das TDICS para transformar, acompanhar o avanço da sociedade da informação e preparar os alunos para atuação no contexto social de maneira crítica e participativa”.

De acordo com Buzato (2016, p. 7):

 

[m]ais do que novos suportes ou portadores de textos, as assim chamadas

tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDIC, doravante) são

importantes mediadores da vida social contemporânea, no sentido de que

passam a enredar nossas práticas e formas de significação em circuitos

informacionais vinculados a um globalismo econômico e midiático interveniente