Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 7/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

� Prática (dez a dezesseis meses): Este estágio é onde o pequeno Johnny

fica entusiasmado com sua independência. As crianças são totalmente

conscientes de seu distanciamento e experimentam sua independência.

Alguns psicólogos pensam que as crianças passam por esse estágio

novamente quando chegam à adolescência. Alguma vez você já ouviu uma

criança nessa idade usar a palavra não? Aposto que sim! O uso repetido do

não é um ótimo exemplo de independência da “prática”. Portanto, da

próxima vez em que alguma criança com quinze meses de idade gritar

“Não!” para você, tenha paciência. Logo ela perceberá que está neste

grande mundo assustador sozinha. Parece um pouco cruel, não é?

� Reaproximação (16 a 24 meses): Exatamente quando Júnior acha que

está dirigindo o show, algo começa a acontecer com sua confiança – ele

percebe que está sozinho. Isso pode assustar muito qualquer um, o que

dirá uma criança de 1 ano e meio. A solução? Engajar-se de novo com a

mamãe! É como correr de volta para casa depois de não ser capaz de

pagar o aluguel em seu primeiro apartamento, embora eu não esteja

certo sobre o quanto embaraçoso é aos vinte anos de idade.

� Constância do objeto (24 a 36 meses): Depois de uma criança ter

retornado para casa, por assim dizer, finalmente ela é capaz de

desenvolver uma sensação bem forte de si e segurança para seguir em

seu eu psicológico novamente. Este sentimento estável de si é

desenvolvido em parte pela criança percebendo que existe alguma

consistência entre seus humores flutuantes e seus estados mentais.

Pode parecer estranho pensar que só porque há uma mudança no

humor, uma criança com constância do pré-objeto experimentaria um

sentimento menos estável de si mesma, mas experimenta. Antes desse

 

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Capítulo 11: Desenvolvendo uma Personalidade Premiada 133

estágio, com cada humor transitório e pensamento, as crianças

experimentam incerteza sobre sua identidade. Mas quando esse estágio

começa, elas desenvolvem um senso mais seguro de si mesmas.

 

Reunindo Sua Inconsciência com Jung

Já imaginou de onde vêm os impulsos secretos de alguém? Algumas vezes, você sente como se não fosse você mesmo, que está vivendo a vida de outra pessoa? Se sim, então chame Shirley Maclain. Ela irá convencê-lo de que você está sentindo-se assim porque é realmente o rei Henry XIII reencarnado. Contudo, antes de se entusiasmar muito, gostaria de incomodar vossa alteza com uma explicação alternativa.

Um psicólogo chamado Carl Jung (iang) apresenta uma das teorias da personalidade mais metafísicas e esotéricas. Contudo, é popular porque é quase como que falar de coisas que sabemos que existem pessoalmente, mas não podemos tocar. Jung era convencional de certa forma, ele também falava sobre o Ego e a inconsciência. Mas ele desafiou o pensamento de muitas pessoas com o seu outro componente maior da teoria da personalidade, a inconsciência coletiva.

O Ego de Jung era visto como o centro da consciência. Já houve muita conversa de outros teóricos sobre o papel do Ego na adaptação. Jung não era diferente. Seu Ego é o centro de toda consciência e tentativas voluntárias na adaptação, e o Ego pode trabalhar apenas com as coisas que uma pessoa tem consciência atualmente. Ele lida apenas com o conhecido, portanto, o que

RE-SE mais existe de diferente?

MB

LE A inconsciência pessoal e a inconsciência coletiva representam as partes

desconhecidas da personalidade de uma pessoa para Jung.

� Inconsciência pessoal: Consiste na informação esquecida e em outras

memórias que não são atualmente conscientes para o Ego. A

inconsciência pessoal é composta das informações diárias e de nossas

próprias histórias pessoais rotineiras. Lembra-se do dia que você fugiu

da escola e decidiu ir para a praia? Não? Bem, não se preocupe. Todas

as suas memórias esquecidas estão sendo mantidas em segurança em

sua inconsciência pessoal. Que sorte!

� Inconsciência coletiva: Se a inconsciência pessoal contém informações de

sua história pessoal, o que o inconsciente coletivo contém? Contém a

história da humanidade herdada na estrutura de nossas mentes. Todos os

temas comuns e lutas, desde os tempos quando caçávamos mamutes cheios

de lã e grunhíamos, em vez de falarmos, são mantidos lá, influenciando

nosso comportamento de maneira que geralmente não percebemos. O

inconsciente coletivo está indisponível para a consciência normal. Na

verdade, apenas os artistas e os visionários têm acesso a ela. Jung achava

que eles estavam chegando a algo muito mais profundo e mais importante

do que as tentativas pessoais e tribulações de um indivíduo.

Dentro da inconsciência coletiva existem imagens primitivas e símbolos que se originam nos contos de fadas, mitos e outras histórias passadas de geração

 

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em geração. Jung chamava essas imagens e símbolos de arquétipos. Jung passou muito tempo enfatizando três em particular: sombra, anima e animus.

� A sombra representa o lado mais sombrio da humanidade. Ela desafia a

concepção moral típica de uma pessoa de si mesma. A sombra pode ou

não representar o “demônio interno”, mas desafia definitivamente a

visão de si mesmo de qualquer pessoa como sendo basicamente boa.

Os psicoterapeutas junguianos geralmente trabalharão para colocar

seus pacientes em contato com esta parte de si mesmo. Portanto, se

você não está pronto para a tarefa, evite ver um terapeuta junguiano!

� A anima representa a energia feminina essencial e os aspectos de um

indivíduo. É como o yin do yin e yang. (Ou é o contrário? Sempre fico

confuso.) De qualquer modo, a anima produz humor e guia nossas

ações com base na emoção. A anima dentro de nós permite-nos ser

mais sociais e conscientes de nossas relações com as coisas e as

pessoas. Homens e mulheres têm anima. Portanto, para vocês, caras

durões, não se oponham a entrar em contato com o seu lado feminino.

� Portanto, se a anima representa o lado feminino de nossa inconsciência,

o animus deve representar o lado masculino. O animus é a força

racional ou o guia em nossas vidas. Um homem ou uma mulher que é

puro animus é exigente, crítico e é um “sabe-tudo”. Lembre-se, todos

nós temos anima e animus em nosso inconsciente coletivo,

complementando-se e trabalhando juntos para nos guiar em uma

abordagem equilibrada para a vida.

Isso nos leva a um ponto final sobre a contribuição de Jung para o reino da Psicologia da personalidade, sua teoria da introversão e da extroversão. Você é cauteloso, contemplativo e hesitante? Você fica agitado diante do desconhecido e simplesmente começa as coisas sem muita consideração, atirando primeiro e fazendo perguntas depois?

Os introvertidos são ponderados e cautelosos. Eles não gostam de se arriscar e algumas vezes têm problemas em se adaptarem ao nosso mundo rapidamente porque ficam parados analisando as coisas em excesso. Os extrovertidos, por outro lado, são espontâneos e algumas vezes imprudentes, o que pode algumas vezes trazer problemas. Geralmente, eles são bons em novas situações, mas em outras vezes cometem erros desnecessários.

A boa notícia é que Jung achava que cada um de nós tem uma mistura relativa de ambos. Não é uma coisa do tipo ou/ou. É como os meus alunos dizem quando pergunto se eles concordam com algumas das teorias psicológicas que estou revisando: “Depende”. Ou quando pergunto se eles teriam uma aula interna ou um trabalho de casa final: “Depende”. Eis uma dica: “Depende” é uma resposta bem segura porque os trabalhos finais em casa podem ser enganosamente difíceis. Eles são “capciosamente difíceis”.

 

Aprendendo com os Outros

O assunto sobre televisão e violência tem causado muita controvérsia nos últimos anos. Muitas pessoas acham que o bombardeio constante de imagens violentas está criando um caráter mais violento para a nossa sociedade. Não

 

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Capítulo 11: Desenvolvendo uma Personalidade Premiada 135

há muitos argumentos sobre o fato de que a violência em nossas escolas é maior hoje do que antes, mas por quê? É uma questão complexa e muitas causas e explicações têm existido por aí. Algumas explicações já foram sugeridas para o fato de que simplesmente existem mais personalidades violentas no mundo. Depois de todas as teorias da personalidade analisadas até então, o que você acha sobre o conceito de uma personalidade “violenta”?

Em 1977, Albert Bandura conduziu um estudo, agora famoso, ao investigar o conceito de uma personalidade “violenta” e transformou sua teoria em uma teoria da personalidade mais ampla em geral. O experimento é agora chamado de estudo João Bobo. João Bobo são aqueles bonecos inflados de plástico com um fundo pesado que balançam quando você bate ou chuta. O experimento consistia em um adulto batendo e chutando um João Bobo enquanto uma criança jovem assistia. Então, a criança era colocada no quarto com o João Bobo sozinha. Você pode adivinhar o que acontecia? O pequeno Johnny se transforma no Pequeno Rocky. Ele esmurrava e chutava o João bobo exatamente como viu o adulto fazer.

A teoria da aprendizagem social de Bandura explica este fenômeno. Basicamente, as pessoas podem aprender algo só olhando e observando. Esta é uma daquelas teorias “sem surpresas!” na Psicologia. Mas ei, nenhuma outra pessoa publicou a teoria como Bandura fez. A teoria da aprendizagem social tornou-se uma teoria poderosa da personalidade e de seu desenvolvimento. Nossas personalidades são um produto de nossas experiências de aprendizagem observacionais a partir daqueles à nossa volta. Somos apenas um bando de macacos de imitação. Se você viu seus pais sendo agressivos, você seria agressivo também.

RE-SE Bandura continuou a acrescentar sua teoria de cópia da personalidade

LEMB endereçando a pergunta de por que fazemos o que fazemos. Em outras

palavras, o que nos motiva a agir como agimos? Ele introduziu dois conceitos muito importantes para abordar isto:

� Autoeficácia é uma crença pessoal na habilidade de alguém para realizar

com sucesso um comportamento. Essa crença é baseada no que

Bandura chamava de processo de autoavaliação. Esse processo é

simplesmente uma análise das ações de alguém e da avaliação dos

sucessos e falhas. Um senso das capacidades de alguém surge disto:

Como um determinado comportamento desenvolve-se e uma crença se

forma? Somos motivados por essas crenças e inibidos por nossas falhas

esperadas. Fazemos o que pensamos que podemos fazer e vice-versa.

� Autorreforço é tão simples quanto dar a si mesmo recompensas por

fazer coisas. Alguns pais dão a seus filhos recompensas ou reforços por

fazerem seu trabalho de casa ou limparem seu quarto. Bandura

acreditava que fazemos isso por nós mesmos. Portanto, da próxima vez

em que você fizer algo, dê a si mesmo uma pequena recompensa.

Ajudará à sua autoeficácia.

 

Representando a Nós Mesmos

Alguns psicólogos enfatizam o modo como as pessoas representam a si mesmas e suas experiências do mundo como os aspectos essenciais de suas

 

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personalidades e o modo como agem. A maioria de nós foi a uma festa do escritório ou festa de férias na escola onde algum gênio tenta ser útil dando a todos um crachá.

Sempre tentei colocar algo idiota no meu ou usar o nome de outra pessoa. A etiqueta é uma forma de representação grosseira, ou apresentação, de nosso eu para as outras pessoas. Algumas vezes, coloco um apelido no meu – tive alguns. Os apelidos são bons exemplos de “etiqueta” que nos diz um pouco mais sobre uma pessoa do que seu nome comum. Quando você encontra alguém apelidado como “Fedorento”, “Psicótico”, você tem uma impressão diferente do que teria com “Sinistro” ou “Magrelo”.

Os crachás, apelidos e nomes comuns são todos exemplos de representações de quem somos. São maneiras convenientes e curtas de organizar muitas informações sobre alguém. Você já teve uma conversa sobre um filme e esqueceu o nome do ator principal? “Você sabe, aquele cara que estava naquele filme com aquela mulher?”. Apenas dizer “Brad Pitt” é muito mais fácil do que explicar as características da pessoa sempre que deseja falar sobre ela. Este modo de organizar as informações sobre as pessoas e o mundo é um produto da tendência da mente humana de impor ordem e estrutura em nossas experiências.

 

Esquemas

A representação estruturada da experiência é baseada nas recorrências das qualidades similares de uma pessoa ou na experiência nos eventos repetidos. Essa ordem assume a forma de esquemas ou construções mentais para “Joe”, “Brad Pitt” ou “eu”. Joe é meu vizinho que toca música alta. Brad Pitt é um ator famoso que todo homem inveja. Eu? Eu sou aquele cara que inveja Brad Pitt. Depois dessas representações estruturadas das pessoas, inclusive de mim mesmo, serem desenvolvidas, elas são usadas para reconhecer e entender as informações recém-encontradas.

Os psicólogos da personalidade cognitiva enfatizam a representação baseada em esquemas da experiência como a construção de organização central da personalidade humana. Dois tipos básicos de esquemas desempenham um papel ao estabelecer regularidades e padrões da personalidade: autoesquemas e esquemas relevantes socialmente.

Os autoesquemas são as unidades organizadas de informação sobre si mesmo; algumas vezes, são chamados de autoconceitos. Qual é o conceito de “você” ou “eu”? Uma análise profunda de como a identidade de uma pessoa é desenvolvida está além do alcance desta seção, mas não importa quais são os detalhes exatos, nossas identidades são representadas na forma de esquemas. Esses autoesquemas são redes conceituais integradas que incorporam nossas próprias opiniões e dos outros sobre nós. Eles fornecem informações detalhadas sobre nós, desde a demografia (como a nossa idade) até nossos valores e podem ser atualizados automaticamente através da experiência ou revistos através da atenção consciente e do esforço.

 

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Roteiros

O outro componente-chave ao estabelecer a personalidade, os esquemas relevantes socialmente, envolve a representação das categorias de outras pessoas, ambientes, comportamento social e expectativas estereotipadas. São algumas vezes chamados de roteiros. Um ator em um filme está apresentando a sua personalidade que possui fora da tela ou está simplesmente atuando em um roteiro que lhe informa como agir, quando falar, quando chorar etc.? É um roteiro, claro. Agora imagine que estamos todos atuando com um roteiro de “personalidade” próprio, escrito pelo autor da experiência e do desenvolvimento. Esses roteiros determinam como agimos.

Pode parecer que nossas personalidades são muito simples. Mas todos temos alguma sensação de que somos mais complexos do que isso. Walter Mischel (1980) tentou adicionar sabor a esta versão bem seca da personalidade. Ele introduziu cinco classes específicas de roteiros para dar forma a esta conceitualização robótica: competências, estratégias de codificação, expectativas, valores subjetivos e mecanismos autorreguladores.

Há muito mais na personalidade do que podemos ver, e um aspecto importante de sua personalidade é a sua coleção pessoal de habilidades e capacidades para resolver problemas e analisar o mundo. Mischel chamou isso de competências. Como nos engajamos e superamos os desafios em nossas vidas define em parte a nossa personalidade. Você é um “empreendedor” ou um “analista”? Alguma vez você já construiu algo como um quarto extra, uma casa de brinquedos ou talvez uma casa de cachorro? Como você começou a fazer isso? Algumas pessoas sentam e descobrem tudo de antemão, desenhando um projeto com medidas precisas e especificações. Outras simplesmente pegam os materiais que pensam que poderão precisar e descobrem no decorrer. Um bom modo de se testar é algo que chamo de “Teste de Instruções”. Quando você compra algo que precisa ser montado, você olha as instruções ou as joga para o lado?

Como a teoria da personalidade cognitiva coloca muita ênfase nas informações e em como elas são armazenadas e interpretadas, um aspecto importante da personalidade envolve as estratégias e as construções que usamos para organizar as informações. Este é o processo de construir os esquemas complexos e os roteiros que finalmente guiarão o nosso comportamento. As estratégias de codificação são uma maneira única de cuidar e interpretar o mundo da pessoa. É muito fácil duas pessoas testemunharem o mesmo evento e proporem duas interpretações inteiramente diferentes. Qualquer pessoa que tenha discutido com a esposa, marido ou outra pessoa importante pode atestar isso.

Você é tão especial quanto suas expectativas de uma situação. Você é um eterno otimista ou pessimista? As expectativas consistem em esperanças ou previsões de que um evento se seguirá necessariamente a outro. Essas expectativas configuram as regras para o que fazer e como lidar com situações específicas. Se as regras coincidirem com a realidade de uma situação, então, o comportamento será eficaz e um sentimento de domínio se desenvolverá. Se não, acho que a única opção é continuar tentando.

Você trabalha de graça? Poucos de nós trabalham. A maioria trabalha pelo incentivo de receber pagamento. Os incentivos agem como motivadores em direção a certo comportamento. Não somos tentados pelas mesmas coisas.

 

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Nossos valores subjetivos representam quais coisas são importantes para nós como indivíduos e determinam o que estamos querendo fazer para consegui-las. Ei, se você gosta de ter estrelinhas douradas em seu cheque-salário, em vez de aumento por um trabalho bem feito, bata em si mesmo. É isso que o torna tão único.

Quais são os seus objetivos na vida? Você tem um plano mestre ou um projeto? Você pode não perceber, mas segundo Mischel, todos nós temos o que ele chamou de sistemas e planos autorreguladores. Você define um objetivo, busca-o, analisa se consegue esse objetivo ou não e faz os ajustes necessários. Cada um de nós tem um modo único de fazer isso, o que caracteriza o nosso estilo pessoal.

Finalmente, segundo esta visão representacional da personalidade, como vemos a nós mesmos e vemos o mundo, e como essas visões são planejadas na forma de planos comportamentais representam a personalidade.

 

Regulando a Nós Mesmos

Parece que você está sendo conduzido por algum poder ou força maior? E se eu fosse realmente apenas um robô complexo enviado aqui por outro plano para pesquisar a Terra e relatar a meus superiores alienígenas? Parece um pouco um absurdo? Alguns psicólogos da personalidade cognitiva parecem achar que esta visão não é tão distante afinal. Não, eles não estão propondo que eu seja um robô ou que qualquer um de nós seja (bem, talvez não a maioria), mas sugerem que somos guiados por um sistema complexo de processos mentais autorreguladores que formam nossas personalidades.

Pense nisso como um termostato da personalidade. O bom de um termostato é que ele é regulado internamente. Quando você define o termostato de sua casa para uma certa temperatura e seleciona “Auto”, os sistemas de aquecimento e resfriamento são ativados quando necessário para manter a definição desejada. Se a temperatura ficar abaixo da definição, o aquecedor inicia. Se ficar acima, o ar-condicionado começa. Os psicólogos Ajzen e Fishbein (1998) propuseram que a personalidade humana funciona do mesmo jeito.

Os “atos” da personalidade consistem em formar intenções comportamentais que são, então, empregadas para atingir uma definição em particular. Aqui, uma forma de álgebra mental é realizada na qual vários tipos de informações são integradas, resultando em uma possibilidade ou uma probabilidade de um determinado comportamento sendo executado. Se a probabilidade for grande o suficiente, uma intenção será formada e o comportamento será realizado. Um comportamento se torna importante o suficiente para realizar através da análise cognitiva e da formação da intenção.

RE-SE As intenções são formadas com base na análise de dois tipos específicos de

LEMB informação: a possibilidade de um resultado e a conveniência desse

resultado. Nesta visão, nossas personalidades são um tipo de preguiça inerente, geralmente formando intenções com base nos comportamentos com mais probabilidade de ter sucesso. Seguimos o caminho da menor resistência. A conveniência do comportamento é baseada em seu significado pessoal e se as pessoas que são importantes para você desejam que você faça o comportamento. É pouco provável que eu forme uma intenção de comportamento para alguém que eu não me importo que deseja que eu faça.

 

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Capítulo 12

 

 

Pegando o Primeiro Barco da

 

Ilha do Isolamento

 

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Neste Capítulo

 Conhecendo o seu eu

 Conectando-se com os outros

 Divertindo-se com a família

 Passando um tempo com os amigos

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Uma das coisas que distinguem a Psicologia dos outros serviços sociais é o foco de suas investigações e aplicações. Embora os psicólogos foquem nos grupos, às vezes, eles focam a maior parte de seu trabalho nos indivíduos. A terapia, por exemplo, é geralmente um assunto individual, mesmo que seja uma terapia de grupo.

Os americanos adoram o indivíduo clássico. John Wayne seguiu sozinho e independente por anos. Rambo enfrentou sozinho divisões inteiras de soldados inimigos. Esses caras seguiram sozinhos. Eles eram indivíduos que resistiram à pressão de acompanhar a multidão. Eles pareciam saber quem eram e nunca estavam querendo comprometer-se com essa questão. Algumas vezes, isso é chamado de integridade. Um dos significados da palavra integridade é totalidade ou inteireza, e esses caras eram indivíduos completos. Eles tinham um caráter forte e personalidades dominantes. Eles sabiam quem eram e ninguém podia dizer-lhes o contrário.

Porém, no caso de você não ter notado, os psicólogos não têm nenhuma certeza. Se eu tivesse John Wayne em terapia e ele chegasse com sua atitude viril “Sei quem sou e não irei mudar”, eu morderia a isca. Eu diria: “Tudo bem, quem é você?”. É fácil saber quem você é com certeza. Até alguém perguntar, a maioria de nós segue supondo que sabe quem somos. Esta é a velha pergunta do eu. O que é um eu e como sei se tenho um? Qual é a minha identidade? Quem sou eu?

 

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Sentindo-se Autoconsciente

Alguma vez você já viu um cachorro na frente de um espelho? Algumas vezes, eles latem para si mesmos ou ficam lá com uma cara surpresa. Acredite se quiser, a capacidade de reconhecer a si mesmo no espelho é muito avançada e os cachorros ainda têm que demonstrar que podem tê-la. Alguns psicólogos argumentam que é uma capacidade exclusivamente humana, embora pelo menos um estudo tenha mostrado que os chimpanzés adolescentes podem reconhecer-se em um espelho.

Quando desenvolvemos um senso de autoconsciência, conseguimos um estado de autopercepção. Por que eu digo “desenvolvemos”? Não somos conscientes de nós mesmos no nascimento? Na verdade, pode levar cinco ou seis meses para uma criança desenvolver qualquer coisa, até uma autoconsciência remotamente parecida.

A técnica do espelho é uma das ferramentas que os psicólogos têm usado para testar os níveis de autoconsciência dos bebês e das crianças de 1 a 3 anos. A forma mais simples desse teste envolve apenas sentar uma criança na frente de um espelho e observar sua resposta. Alguns pesquisadores mostraram que bebês entre 5 e 6 meses alcançaram e tocaram a imagem no espelho, sugerindo que pensam ser outro bebê ou pelo menos diferente deles.

Em 1979, Michael Lewis e Jeanne Brooks-Gunn conduziram uma versão sofisticada do teste do espelho. Eles aplicaram blush nos narizes de dois grupos de crianças – de 15 a 17 meses e de 18 a 24 meses. A ideia: se as crianças olharem o espelho e virem o blush em seu nariz, elas tocarão ou tentarão removê-lo de alguma maneira. Mas, isso requer que a criança perceba que a pessoa no espelho é ela mesma. Então, o que aconteceu? Apenas algumas das crianças de 15 a 17 meses realmente alcançaram e tocaram seus narizes, mas a grande maioria das crianças de 18 a 24 meses fez isso. Assim, essas crianças devem ter se reconhecido no espelho.

 

Aparecendo completamente pelado

Eu costumava ter um sonho recorrente no nas era um exibicionista? Eu fiquei contente qual eu me encontrava pelado em algum lu- em descobrir que esses sonhos eram prova-gar público. Em um dos sonhos, eu estava de velmente sobre a autoconsciência. Cada um novo no Ensino Fundamental e a única coisa de nós tem situações diferentes que exempli-que eu tinha era um casaco de pele, com ficam o sentimento de extrema autopercep-nada por baixo. Eu estava muito preocupado ção e exposição. Para algumas pessoas, a com o que esses sonhos significavam. Eu ti- situação é falar em público e para outras, é nha um fetiche por casacos de pele ou ape- dançar em uma boate.

 

A autopercepção e a autoconsciência são a mesma coisa. Ser autoconsciente significa apenas ser consciente de si mesmo. Mas, muito de qualquer coisa pode ser ruim. Geralmente, quando alguém diz que é “autoconsciente” significa que tem consciência de alguma falha. Este não é o tipo de autoconsciência da qual estou falando nesta seção.

 

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Capítulo 12: Pegando o Primeiro Barco da Ilha do Isolamento 141

� Consciência do corpo.

� Autoconsciência privada.

� Autoconsciência pública.

 

Ficando consciente de seu corpo

A consciência do corpo começa com uma pergunta simples: onde eu começo fisicamente e onde termino fisicamente? Lembra-se do filme Malícia, com Bill Pullman, Nicole Kidman e Alec Baldwin? Em uma cena, Bill e Alec estão sentados em um bar e Alec pede a Bill para nomear a parte de seu corpo que é mais expansível. Em outras palavras, Alec deseja que Bill escolha a parte de seu corpo que ele poderia perder sem dar um grave golpe ao seu sentido do eu. Se você viu o filme, sabe por que ele faz essa pergunta sinistra – é um presságio.

Qual parte de seu corpo é mais importante para seu sentido do eu? Pode parecer estranho, mas ser capaz de dizer a diferença entre seu corpo e o corpo de outra pessoa é crucial para a autoconsciência. Pense nos recém-nascidos. A conexão física entre uma criança e o peito da mãe é inegável e a concretização de uma criança de um sentido de diferença ou separação da mãe apenas se desenvolve com o tempo.

 

Mantendo-o privado

O quão bem você se conhece? Você está sempre tentando entender a si mesmo? O foco interno em seus pensamentos, sentimentos, motivações e senso geral do eu é chamado de sua autoconsciência privada. Quando você “olha dentro”, está autoconsciente privadamente. Mas, se você “olha dentro” muito pouco, você é “desorientado privadamente”.

 

Mostrando-se

Um dia, eu estava indo para o trabalho de manhã e, quando saí do meu carro, percebi que tinha esquecido algo. Então, fiz o “grande estalar de dedo” e o “olho torto” se fez em meu rosto e entrei de novo. O que são essas coisas? Parece algo de um episódio de Seinfield, mas todos nós sabemos o que são – aqueles comportamentos que você faz quando esquece algo. Por que fiz esses gestos? Se não fiz, pareceria um idiota por seguir de carro e, então, voltar por nenhuma razão aparente. Por que precisei de uma razão? Alguém estava me observando!

Este é o fenômeno do público invisível – um sentimento de que estamos “no palco” quando estamos em público e que as pessoas estão nos assistindo. Os adolescentes sempre parecem estar “no palco”. Eles pulam uma rachadura na calçada, ficam vermelhos e saem correndo rindo. Este é um exemplo de nossa autoconsciência pública – nosso sentido de nós mesmos na presença dos outros, nossa imagem pública.

 

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O aspecto mais notável de nossa autoconsciência pública é nossa percepção e o foco nas aparências. Não gastamos bilhões de dólares por ano em roupas bonitas, mensalidades na academia e dietas para nada. Nossa autoconsciência pública é uma parte grande de quem somos e como nos vemos.

 

Identificando-se

Uma maneira fácil de descobrir quem somos é perguntar a outras pessoas. Nossa identidade está ligada profundamente ao modo como as outras pessoas nos veem. Quando você se olha no espelho, o que vê? Alguma vez você já imaginou como você é para as outras pessoas? Elas veem a mesma pessoa que você vê no espelho? Quando sua compreensão de seu autoconceito consiste nas reações e nas visões das outras pessoas em relação a você, isso é chamado de eu do espelho, um dos conceitos mais básicos do eu. Nós somos, afinal, criaturas sociais e seria difícil argumentar contra a ideia de que pelo menos parte de nosso autoconceito depende das visões dos outros.

A teoria de Daniel Stern do autoconceito nos dá uma boa visão de como começamos primeiro a nos identificar como um “eu” único. A partir de seus estudos sobre bebês, ele propôs que todos nós nascemos com uma habilidade inata de consciência de nós mesmos através de uma série de experiências.

 

Você é o que faz

O aspecto mais interessante sobre a identida- modo como se definem. Elas usam conceitos de é que, quando ficamos mais velhos, muda- mais psicológicos, tais como, crenças, motiva-mos o modo como nos definimos. As crianças ções, desejos e sentimentos. “Quero ir dan-do Ensino Fundamental definem quem são pe- çar” ou “Sinto-me triste hoje”. Como os adul-las coisas que fazem. As crianças muito jovens tos se definem? Provavelmente, combinando podem identificar-se dizendo: “Eu corro, jogo, ambos os tipos de atividade de autodefinição e ando de bicicleta”. Quando essas crianças se conceitos psicológicos. “Sou um psicólogo tornam adolescentes, há outra mudança no triste que não consegue jogar golfe”.

 

RE-SE Nosso eu emergente está conosco desde o nascimento e consiste

LE MB basicamente em nossas experiências subjetivas de alegria, agonia, raiva e surpresa. Sentimentos! Nosso eu central começa a surgir entre as idades de

2 e 4 meses, quando nossas memórias começam a se formar e desenvolvemos um senso de nossas capacidades físicas. Em seguida, vem o eu subjetivo, que emerge quando um bebê percebe que pode compartilhar suas experiências com outras pessoas. Um bom exemplo disto é quando um bebê tenta lhe dar uma bebida de sua garrafa antes de beber. E, por último, mas não menos importante, o nosso eu verbal desenvolve-se quando usamos nossa habilidade de linguagem para organizar nosso senso de quem somos.

 

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Capítulo 12: Pegando o Primeiro Barco da Ilha do Isolamento 143

Arnold Buss novamente nos dá uma boa visão do que é identidade. Dois aspectos compõem nossa identidade:

� Identidade pessoal.

� Identidade social.

 

Inventando uma identidade pessoal

Minha identidade pessoal consiste nas coisas que me fazem sobressair em uma multidão – como meus bíceps grandes e físico de Adonis. Na verdade, estou pensado em algo um pouco mais psicológico, mesmo que nossas aparências físicas componham parte de nossa identidade. Segundo Buss, nossas identidades pessoais são compostas por um eu público e um eu privado, cada um com seus próprios componentes. Três aspectos importantes compõem o nosso eu público: Aparência, Estilo, Personalidade.

� Aparência: Conforme mencionei anteriormente neste capítulo na seção

“Mostrando-se”, estar consciente de nossa aparência é muito mais uma

parte de nossa identidade. Isto não é uma perspectiva unicamente

ocidental – as culturas no mundo se engajam em tentativas elaboradas

e sofisticadas de melhorar as aparências e aperfeiçoar a beleza pessoal,

conforme definido por cada cultura em particular. Alguns filósofos

afirmam que um senso de estética é essencial para uma boa vida –

central para nossos autoconceitos.

� Estilo: James Dean tinha estilo! O modo como falava, sua linguagem

corporal e suas expressões faciais eram inegavelmente “Dean”. Todos

nós temos um modo peculiar de falar e mover. Nossa escrita é única.

Essas coisas nos dão um estilo. Porém, não fique confuso com o

exemplo de James Dean, estilo não é ser “legal”. Meu estilo é único para

mim, seja ele legal ou não. É o estilo “Dr. Cash” e não importa o que as

outras pessoas possam dizer, acho que é muito legal.

� Personalidade: As teorias da personalidade tentam levar em conta a

individualidade com base nas diferenças entre nossas personalidades.

Se alguém colocasse a minha personalidade dentro do corpo de outra

pessoa, as pessoas me reconheceriam? Talvez não à primeira vista, mas

com o tempo poderiam começar a notar algo. As pessoas podem notar

que algo existe porque nossas personalidades nos tornam únicos; elas

nos tornam identificáveis como “eu”. Nossas personalidades são

duradouras e não mudam facilmente. Por causa de sua consistência e

estabilidade, nossas personalidades são boas representações de quem

somos, mesmo se agirmos de modo diferente de vez em quando. Os

Capítulos 11 e 12 são sobre personalidade.

Nossos eu privados consistem nas coisas que são mais difíceis para as outras pessoas verem e observarem. Quando o paciente vem para a psicoterapia, um psicólogo terá problemas para ajudá-lo se ele se recusar a falar sobre o seu eu privado – seus pensamentos, sentimentos, devaneios e fantasias.

 

psicologia01.indd 143 22/02/2011 16:35:41 144 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

� Pensamentos: Saber o que alguém está pensando é difícil, a menos que

ele diga. Algumas pessoas são melhores do que outras para descobrir o

que as pessoas estão pensando, mas isso realmente não é nada mais do

que um processo de adivinhação sofisticado. Meus pensamentos são

únicos para mim.

� Sentimentos: Os profissionais de saúde mental geralmente avaliam os

novos pacientes em hospitais psiquiátricos com algo chamado de

exame do status mental. O profissional observa o paciente em parte

para descobrir como ele se sente. Este aspecto observável de como

alguém se sente é o afeto. Mas e o que a pessoa diz? Não vejo com

frequência a depressão de uma pessoa mesmo quando ela me diz que

está extremamente triste. Isso é chamado de ânimo, a própria

experiência privada do sentimento de uma pessoa. Quando os

pacientes me dizem como se sentem, tenho que acreditar em sua

palavra. É muito difícil dizer para alguém que ele não está triste quando

ele diz que está.

� Devaneios/fantasias: Quem você seria sem seus devaneios e fantasias?

Novamente, nossas fantasias são geralmente privadas, em especial as

sexuais. Elas são únicas para nós; elas nos definem.

 

Cavando uma identidade social

Qual é o seu nome? De onde você é? Qual é a sua religião? Cada uma dessas perguntas é um componente de um aspecto de sua identidade social – aquelas coisas que o identificam com uma determinada categoria social. A afiliação do grupo, consistindo na vocação de uma pessoa, as coisas que ela faz por recreação e panelinhas. Nossas identidades sociais são compostas dos seguintes fatores que, quando tomados juntos, são iguais ao “você” social. Parentesco, Etnia, Nacionalidade, Afiliações religiosas e de grupo.

 

Parentesco

A maioria de nós tem consciência de como o parentesco é central para a nossa identidade social. Nossos parentes são nossa “família” e geralmente nos dão o sobrenome. Nos Estados Unidos, os sobrenomes são os nomes legais e um modo bem confiável de identificar as pessoas. Embora muitas pessoas tenham o mesmo nome, muitas outras não têm. Na cultura árabe, o sobrenome não é o modo primário de identificar a família de alguém. Legalmente, os sobrenomes são geralmente usados para a identificação, mas uma pessoa é identificada socialmente por quem é seu pai e um pai é identificado por quem é seu filho mais velho. Em vez de ser o “Sr. Josef Khoury”, um indivíduo seria o “Pai de Josef” ou “Abu Josef”. O filho, “Josef Khoury”, seria “Filho de Josef (o pai)”, “Bin Josef” ou “Josef Josef”. Para saber mais sobre a família, veja “Brincando com a família e os amigos”, posteriormente no capítulo.

 

Etnia e nacionalidade

A etnia é um outro aspecto importante de nossa identidade social. Você é branco, afro-americano, americano nativo, latino, outro? Geralmente, você pode encontrar essas categorias comuns nas solicitações de emprego e inscrição da escola. As categorias são bem arbitrárias no nome, mas incluem

 

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Capítulo 12: Pegando o Primeiro Barco da Ilha do Isolamento 145

muitas informações. Algumas pessoas ficam mais confortáveis ao não identificarem as diferenças étnicas entre as pessoas porque sentem medo da discriminação. Mas, a etnia é uma grande parte de quem são as pessoas e a cultura que usam para estruturar suas vidas.

RE-SE Nacionalidade não é igual a etnia. Eu poderia ser um cidadão canadense

LE MB nascido e criado com a etnia japonesa. A etnia e a nacionalidade são peças importantes da informação porque um cidadão peruano de descendência

japonesa pode ser uma pessoa muito diferente de um cidadão canadense de descendência japonesa.

 

Afiliações religiosas e de grupo

A afiliação religiosa é um aspecto muito importante da identidade de alguém. Em Israel, por exemplo, a maioria dos habitantes da cidade de Nazaré tem etnia árabe, mas existem dois grupos religiosos distintos. Mulçumanos e cristãos. Sua identidade religiosa é um aspecto central ao determinar quem eles são. Os americanos geralmente também se identificam pela denominação religiosa: católico romano, presbiteriano, luterano, mulçumano, judeu, hindu etc.

A afiliação de grupo refere-se a coisas, tais como nossas vocações e clubes sociais. Muitas pessoas se identificam pelo tipo de ocupação que têm. “Sou bombeiro!”, “Sou policial!”. Sou psicólogo. Ainda uma outra dimensão importante de nossa identidade são os tipos de clubes sociais e panelinhas com as quais nos afiliamos. Alguém poderia ser bem pressionado a negar a forte identificação que muitos alunos de faculdade têm com as suas fraternidades. Outras pessoas se veem como “caubóis” porque amarram com correia as botas, usam jeans, chapéu de caubói e vão dançar na discoteca local de caubóis. Não importa onde você esteja, geralmente dá a você um sentimento de exclusividade que vai além dos outros aspectos da identidade pessoal.

 

Reunindo alguma autoestima

Infelizmente, algumas vezes ter um eu de espelho pode ser algo ruim. (Veja “Identificando-se”, anteriormente neste capítulo.) Contanto que as outras pessoas nos vejam sob uma boa luz, tudo estará bem. Mas, geralmente este não é o caso. As crianças algumas vezes são depreciadas ou abusadas verbalmente por seus pais. Outros não as têm na mais alta estima, portanto, por sua vez, elas geralmente não os têm também.

Desculpe-me pela introdução deprimente, mas a maioria de nós tem que entender o conceito da autoestima, a avaliação de um indivíduo de seu autovalor, através de sua ausência. Muitos de nós somos bem rápidos em apontar se alguém que conhecemos tem baixa autoestima. Você já viu a seção “Autoajuda” na livraria local? Geralmente é muito grande, e eu ainda tenho

RE-SE que encontrar a seção “Você já é uma grande pessoa!” em minha livraria local.

MB

LE Buss fornece uma boa revisão de seis fontes principais de autoestima:

� Aparência: Geralmente nos sentimos melhor com nós mesmos quando

nos sentimos atraentes. Muita pesquisa da Psicologia social tem

demonstrado que as pessoas consideradas atraentes recebem mais

favores e são preferidas para a interação social do que aquelas que não

são. Se você parece bem, sente-se bem!

 

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� Habilidade e performance: Sentimo-nos melhores com nós mesmos

quando tiramos boas notas, fazemos bem um trabalho e geralmente

somos capazes de fazer coisas com sucesso. Quanto mais uma pessoa é

capaz de conseguir isso para si mesma, mais provavelmente ela irá

sentir-se bem consigo mesma.

� Poder: Quando sentimos que estamos no controle de nossas vidas, é

mais provável que nos sintamos bem com nós mesmos. Há pelo menos

três subfontes de sensação de poder – domínio, status e dinheiro. O

domínio pode ser conseguido por coerção, competição ou liderança. O

status e o dinheiro falam muito por si só. Não estou dizendo que as

pessoas desconhecidas e pobres sintam-se mal consigo mesmas, mas

elas poderão sentir-se melhor se tiverem algum status e uma conta

bancária maior.

� Recompensas sociais: Três tipos de recompensas sociais nos fazem nos

sentir bem sobre quem somos:

� Afeição: Quando as pessoas gostam de nós;

� Elogio: Quando alguém nos diz que estamos fazendo um bom

trabalho;

� Respeito: Quando os outros valorizam nossas opiniões,

pensamentos e ações.

� Fontes indiretas: Esta fonte de autoestima é como se sentir bem consigo

mesmo por causa de coisas “externas” em vez de “internas”. A glória

refletida nos faz sentir bem quando temos um incentivo por estarmos

por perto ou estarmos associados a pessoas bem-sucedidas, poderosas

ou populares. É a forma “conheço pessoas famosas” da autoestima. Ter

boas posses materiais pode também nos fazer sentir melhor.

� Moralidade: A moralidade envolve ser uma boa pessoa e viver de

acordo com os padrões e as regras da conduta social. Ser uma boa

pessoa nunca prejudica a autoestima. Na maior parte, a moralidade é

um termo relativo. Mas, quando alguém sente que tem uma alta base

moral (qualquer que seja a definição) em uma situação, provavelmente

tem uma autoestima mais positiva.

Além dessas fontes de autoestima, uma pesquisa também sugere que alguns aspectos da personalidade podem ter um impacto na autoestima. A timidez e o isolamento social foram encontrados como associados a um senso de valor próprio inferior. Por outro lado, as pessoas que são mais otimistas e sociáveis geralmente relatam sentirem-se melhor consigo mesmas. Parece, então, que ser sociável e ter boas relações são fatores importantes para se sentir bem consigo mesmo. Isso me leva ao tópico das relações, portanto, deixo o reino do eu isolado para trás.

 

Ficando Junto

Os humanos são criaturas indiscutivelmente sociais. Alguns de nós são bem sociais, ao passo que outros são menos, mas a maioria tem um desejo de socializar pelo menos um pouco. Na verdade, se uma pessoa tem um

 

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Capítulo 12: Pegando o Primeiro Barco da Ilha do Isolamento 147

desinteresse extremo pelas interações sociais, ela pode ter uma forma de doença mental chamada desordem de personalidade esquizoide. As desordens de personalidade são abordadas com profundidade no Capítulo 16.

A relação mais básica é entre duas pessoas – marido e mulher, irmão e irmã, amigo e amigo. Como cruzamos a divisão entre os nossos eus isolados e as pessoas no mundo à nossa volta? Os psicólogos abordaram este problema ao verem qual é normalmente a nossa primeira relação, mãe e filho. Eu entendo que esta não é a primeira relação para todos. Algumas pessoas são criadas por avós ou por pais adotivos. Portanto, na verdade, as primeiras relações que todos nós temos são entre as primeiras pessoas que cuidam de nós e nós mesmos, e essas pessoas podem ou não ser nossas mães.

 

Até os macacos ficam tristes

Os pesquisadores geralmente analisam a relação primária entre quem cuida e uma criança usando um conceito chamado apego. John Bowlby é considerado a figura dominante na pesquisa do apego. (Isso significa que ele tem uma autoestima?) A visão de Bowlby é que os bebês são basicamente dependentes de quem cuida deles por fornecerem as necessidades da vida (comida, proteção, estímulo, amor etc.). Na maior parte, os bebês são indefesos, exceto por sua habilidade em se “apegar” e formar uma relação com a primeira pessoa que cuida deles. Esta conexão ou apego assegura que as necessidades do bebê sejam atendidas. Quando um bebê se acha em uma situação ameaçadora, ele tenta reconectar-se à pessoa que cuida dele. Isso é chamado de comportamento de apego – qualquer coisa que um bebê faz para conseguir ou manter proximidade com alguém visto como sendo mais capaz de lutar com o mundo. A primeira pessoa que cuida é vista como uma figura de apego. Se soubermos que nossas figuras de apego estão disponíveis quando precisamos delas, sentimo-nos mais seguros.

Bowlby via o apego como um aspecto essencial de condução a uma vida produtiva e psicologicamente saudável. Na verdade, quando falta apego, geralmente os bebês sofrem de depressão, ansiedade e, geralmente, um bem-estar psicologicamente ruim. Nos anos 1950, por exemplo, os profissionais da saúde mental começaram a investigar os efeitos da hospitalização e da institucionalização a longo prazo nos bebês e eles documentaram problemas graves. Os efeitos contrários do cuidado inadequado ou ausente durante a infância e a primeira infância foram inegáveis. As crianças precisam de acesso às pessoas conhecidas que cuidam delas e a quem estão conectadas.

Em 1959, H. Harlow conduziu um experimento interessante com macacos. Ele colocou os bebês macacos em uma gaiola com duas versões diferentes falsas de mães macacos. Uma das mães falsas era feita de tecido suave e não tinha comida; a outra era feita de arame, mas tinha comida para os bebês comerem. Os bebês preferiram o contato com a mãe macia à mãe de arame, apesar da presença da comida. Harlow conduziu outro experimento no qual privou os macacos bebês do contato de outros macacos por seis meses. Quando esses macacos foram soltos para ficarem com os outros, seu comportamento lembrava o de um humano deprimido e ansioso com graves níveis de afastamento (tais como, morder a si mesmos) e nervosismo.

 

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Apego com estilo

Deve ser inegável que o apego representa uma relação essencial para todos nós, mas todos sabemos que o ideal e a realidade são geralmente duas coisas diferentes e a área do apego não é uma exceção. Alguns de nós fazemos terapia hoje por causa das relações que tivemos com as pessoas que primeiro cuidaram de nós. Se Bowlby apresentou-nos o ideal, o que mais existe?

Várias teorias de estilos de apego abordam variações sobre a relação ideal de Bowlby. Foi usada a técnica da situação estranha para determinar a natureza e a extensão do apego das crianças. Na situação estranha, uma criança e a pessoa que primeiro cuida dela são colocadas em uma sala com alguns brinquedos para brincar. Então, a pessoa que cuida se levanta e deixa a sala. Os pesquisadores observam a reação da criança e a registram. Depois de um tempo, um estranho entra na sala e a reação da criança é registrada de novo. Finalmente, a pessoa que cuida volta para a sala e o comportamento da criança é registrado uma última vez.

Os pesquisadores planejaram a situação estranha para responder às seguintes perguntas:

� A criança usa a pessoa que cuida como uma base segura a partir da

qual podem explorar o ambiente? Uma base segura é um lugar seguro

onde uma criança pode iniciar suas explorações do mundo.

� Quando a pessoa que cuida sai, a criança se preocupa ou reage com

protesto?

� Se há um protesto, é porque a criança prefere estar com a pessoa que

cuida ou é porque a criança tem medo da pessoa que cuida não

retornar?

� Quando a pessoa que cuida retorna, a criança a recebe com prazer ou a

criança reage de alguma outra maneira mais ressentida ou distante?

As respostas para essas perguntas levam a três estilos de apego básicos:

� Segurança: As crianças apegadas seguramente exibem o seguinte

comportamento:

� Elas usam a pessoa que primeiro cuida delas como uma base

segura a partir da qual explorar seus ambientes.

� Elas protestam um pouco quando a pessoa que cuida sai, mas

finalmente se acalmam, parecendo confiar que ela voltará.

� Com estranhos ou outros adultos, elas são amistosas, mas não em

excesso.

� No reencontro, elas vão para a primeira pessoa que cuida e buscam

conexão.

� Ansiedade/ambivalente: As crianças apegadas com ansiedade/

ambivalência agem das seguintes maneiras:

� Elas não usam as pessoas que cuidam delas como bases seguras a

partir das quais podem explorar.

 

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Capítulo 12: Pegando o Primeiro Barco da Ilha do Isolamento 149

� Algumas vezes, elas resistem ao contato inicial com a pessoa que

cuida, mas resistem com firmeza a qualquer tentativa de

desligamento depois dele ter sido estabelecido.

� Elas rejeitam ou algumas vezes são agressivas na presença de

estranhos.

� Elas choram excessivamente na separação e são difíceis de

consolar.

� Rejeição: As crianças apegadas com rejeição agem assim:

� Elas parecem precisar de menos contato com a pessoa que cuida

delas.

� Elas são indiferentes quando ficam sozinhas ou choram apenas

porque estão sozinhas e não porque parecem perder a pessoa que cuida.

� No retorno da pessoa que cuida, elas a evitam ou a ignoram.

Antes de qualquer pessoa planejar a sua própria pequena “situação estranha” em casa para ver como seus filhos gostam dela, deixe-me falar sobre o grau de adequação. O grau de adequação refere-se a como a pessoa que cuida e a criança se combinam em termos de temperamento e personalidade. Essa adequação pode ter um efeito no estilo de apego e deve ser considerada antes de qualquer pessoa se descrever como um pai horrível ou a “criança detestável”.

Algumas vezes, as pessoas que cuidam e os bebês podem parecer engajados em uma dança harmoniosa, perfeitamente sincronizados entre si. Outras vezes, eles podem parecer ter dois pés esquerdos. Se uma mãe é muito tensa e enérgica, ela pode não fazer bem para um bebê suave ou vice-versa. Lembre-se de que o estilo de interação e a suavidade como ocorre é um fator poderoso ao estabelecer um apego seguro. Portanto, se você tiver problemas e achar que seu filho é pouco apegado, veja o estilo de interação e se qualquer coisa pode ser feita para suavizá-la.

 

Brincando com a Família e os Amigos

Já pensou por que tantas pessoas ficam deprimidas durante as festividades? Talvez, elas não estejam querendo entrar no débito para financiar todos os presentes. As festividades podem lembrar outras pessoas sobre como elas são solitárias. Tenho um pensamento explicativo alternativo: As festividades são quando muitos de nós se reúnem com a família. As famílias são muito boas ao nos constranger na frente de nossas namoradas apontando o nosso peso, a calvície ou menosprezando os nossos salários. Isso pode deprimir muito! Felizmente, as famílias são boas para algumas coisas.

Uma família consiste em pelo menos duas pessoas relacionadas por sangue, casamento ou adoção. Não parece que as famílias americanas mudaram nos últimos vinte anos? Muitos casamentos americanos terminam em divórcio. As crianças estão aprendendo a ter dois conjuntos de pais, meio irmãos e férias divididas. Até a face moderna da família mudou, mas muitas das funções básicas de uma família, não.

 

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O modelo de funcionamento familiar McMaster divide-se em seis componentes maiores de, você acertou, funcionamento familiar:

� Solução de problemas: A habilidade da família em resolver problemas

e manter o funcionamento familiar.

� Comunicação: A clareza e a franqueza da troca de informações em uma

família. Você sabia que isto estava chegando.

� Papéis: Envolve os diferentes comportamentos e as responsabilidades

entre cada membro da família, inclusive atender as necessidades

básicas, executar as tarefas domésticas e fornecer apoio emocional e

sustento.

� Resposta afetiva: A habilidade de cada membro da família individual de

expressar e experimentar uma grande variedade, intensidade e

qualidade de emoções.

� Controle do comportamento: As regras e os padrões de conduta.

Nunca pudemos arrotar à mesa em minha família.

� Funcionamento familiar geral: Aborda se uma família pode fazer suas

tarefas diárias nas outras cinco áreas. Se você tiver que dar à sua

família uma nota, qual seria?

 

Parentesco com desenvoltura

Recentemente, um bom amigo meu teve um bebê. Exatamente quando eu estava para lhe oferecer um conselho psicológico sobre parentesco, ele começou a falar sobre todos os conselhos que as pessoas tinham dado e como ficou chateado. Mantive minha opinião para mim. “Chorar abre os pulmões”, “Não lhe dê chupeta”. Existem quase tantas opiniões sobre como criar seus filhos quanto pessoas no planeta. Felizmente, os psicólogos vêm tentando simplificar as coisas.

Continuar: parte 8 de 16