Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 3/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

 

Tato

O sentido do tato inclui sentir pressão, temperatura e dor. As células especializadas na pele sentem o toque, que enviam um sinal para a medula espinhal e, então, para o cérebro. Neste caso, a transdução no toque é um processo físico ou mecânico; é muito mais simples do que a transdução química no olho para a visão. Quando o calor, frio ou peso estimula os receptores de toque na pele, isso envia um sinal neural para o cérebro, de modo muito parecido como operam as células ciliares no ouvido interno. A pressão leva diretamente a um sinal neural.

A dor é um caso especial para o sentido do toque porque seria difícil evitar ferimentos e sobreviver neste mundo sem nossa sensação de dor. Como sei que o fogo pode provocar uma lesão em minha carne e possivelmente levar à morte? Porque dói quando toco nele. A dor é um sinal importante de que algo está lesando, danificando ou destruindo o corpo.

As fibras delta A e C, duas fibras nervosas específicas localizadas em toda a nossa pele, sinalizam a dor para o cérebro. As fibras delta A carregam as sensações agudas e trabalham rapidamente, enviando sinais rápidos para o cérebro. As fibras C enviam sinais de dor crônica e fraca, e sensações de queimação.

 

psicologia01.indd 49 22/02/2011 16:35:34 50 Parte II: Conhecendo o Seu Cérebro

A Pratiquei esportes durante quase toda a minha vida e uma coisa é certa – a

DIC tolerância à dor sempre é um problema. “Sem dor, sem valor!”, eu ouvia na

prática todos os dias. Eu tinha de jogar com lesão, e realmente dói! Algumas pessoas parecem ter uma tolerância muito grande à dor. A teoria de controle do portão da dor afirma que os sinais de dor devem passar por um portão na medula espinhal que “decide” quais sinais chegarão até o cérebro e quais não. Se um outro sentido estiver usando os caminhos da dor, o sinal da dor poderá não atingir o cérebro. E mais, pode haver sinais competindo, vindo de outra parte do corpo em direção ao portão, assim, inibindo o sinal de dor de viajar até o cérebro. Se você alguma vez coçou a sua coxa enquanto seu tornozelo doía, e isso pareceu ajudar, é porque o sinal de coçar (pressão) da coxa está competindo para acessar o portão com o sinal de dor do tornozelo. É surpreendente! Sempre fico surpreso com a complexidade do corpo humano.

 

Olfato e paladar

Nosso sentido para cheirar é chamado olfato. Algumas vezes, posso sentir o cheiro do churrasco de meu vizinho no final de semana. Tenho essa experiência porque pequenas partículas da comida feita, partículas químicas voláteis, foram transportadas pelo ar e viajaram até os receptores olfativos em meu nariz. Dentro de meu nariz estão milhares de receptores olfativos que podem sentir dezenas de milhares de odores diferentes.

As moléculas das substâncias químicas voláteis causam uma mudança química nos receptores em meu nariz, que coloca o processo de transdução em movimento. A energia química é, então, convertida em energia neural pelas células receptoras e um sinal é enviado para o bulbo olfactório em meu cérebro, onde o sinal é processado. O bulbo olfactório também conecta-se à parte de meu cérebro que envolve a emoção. Alguns pesquisadores acham que essa conexão ocorre devido aos cheiros poderem ativar memórias emocionais de vez em quando.

Tem havido muita conversa sobre os odores de feromônios que os animais enviam como sinais para outros animais, como, por exemplo, durante a época do acasalamento. Algumas empresas têm comercializado produtos com feromônio para os seres humanos, especialmente para os homens desesperados para conseguir um encontro. Os humanos realmente produzem feromônios? O júri da pesquisa ainda está distante, mas algumas descobertas recentes parecem sugerir que produzimos. Algo deve ser considerado: Feromônios ou não, as indústrias de perfume e colônias parecem ter uma ideia que leva a algo importante!

O paladar refere-se ao sentido do sabor. O gosto é um sentido químico possível pelos receptores químicos em nossas línguas, conhecidos como botões de gosto. Todos os sabores são variações sobre quatro temas: doce, azedo, amargo e salgado. Temos aproximadamente dez mil botões de gosto. Os botões de gosto reagem às moléculas da comida, que novamente converte a energia química em energia neural e envia essas informações para a área do cérebro envolvida em analisar as informações do sabor.

 

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Capítulo 5: Vá em Frente, Seja um Pouco Sensível 51

 

Terminando o Produto: Percepção

Obviamente, o mundo com o qual estamos em contato através de nossos sentidos é muito mais complexo do que apenas alguns sons, cheiros, sabores e outras sensações únicas. Ouvimos sinfonias, não apenas notas. Vemos fogos de artifício, não apenas fótons simples de luz. Viciamos nossos botões de gosto com refeições gostosas, não apenas com sabores salgados, azedos, amargos e doces. Podemos agradecer à habilidade da percepção por todos esses prazeres.

A percepção é o processo de organizar, analisar e fornecer significado às várias sensações com as quais somos bombardeados diariamente. Se a

RE-SE sensação nos fornece o material bruto, a percepção é o produto final.

MB

LE Existem duas visões populares deste processo complexo:

� Visão ecológica: Esta ideia afirma que nosso ambiente nos fornece

todas as informações que precisamos para sentir o mundo; muito

pouca interpretação ou construção é necessária. Por exemplo, quando

percebo uma árvore, não é porque construí uma percepção dela em

minha mente. Percebo a árvore porque ela me forneceu todas as

informações necessárias para percebê-la como ela é.

� Visão construcionista: Nesta visão, o processo da percepção está no

conhecimento prévio e nas informações para construir a realidade a

partir dos fragmentos de sensação. Não somos apenas recipientes

passivos das informações sensoriais. Estamos construindo ativamente

o que vemos, ouvimos, saboreamos etc.

Independentemente de você ser um ecologista ou um construcionista, existe alguma base para o processo de perceber. Se a sensação for o processo de detectar tipos específicos de energia em nossos ambientes, como sabemos quais informações valem a pena detectar e quais são apenas ruído de fundo? Afinal, não poderíamos responder possivelmente a toda energia sensorial à nossa volta. Seríamos dominados facilmente com todo o tráfego barulhento, vento uivante, pedestres movimentando-se e outras coisas à nossa volta. A boa notícia é que nossos sistemas de percepção têm um sistema predefinido para determinar quais informações devem ser ou são detectáveis realmente.

O conceito de um limiar absoluto refere-se à quantidade mínima de energia no ambiente que um sistema sensorial pode detectar. Cada sistema sensorial tem um limiar absoluto abaixo do qual a energia não assegura ou coleta a atenção perceptual.

Outro determinante para um estímulo ser detectado ou não vem da lei de Weber, que dá a ideia da diferença apenas notável (DAN). Cada sistema sensorial determina uma fração constante de intensidade de cada forma de energia que representa a menor diferença detectável entre as intensidades de energia. A ideia é que um estímulo tem que exceder a DAN para ser detectável; do contrário, passará despercebido porque a diferença é pequena demais.

E mais, outra teoria conhecida como teoria de detecção do sinal tem uma visão um pouco mais complicada do problema. Uma quantidade impressionante de energia ambiental à nossa volta é considerada ruído de fundo. Quando encontramos um estímulo, chamado de sinal, ele é analisado

 

psicologia01.indd 51 22/02/2011 16:35:34 52 Parte II: Conhecendo o Seu Cérebro

com base em nossa sensibilidade individual e critério de resposta. Com base na sensibilidade e no critério de resposta de seus sistemas sensoriais individuais, as pessoas podem detectar corretamente um estímulo (acerto), falhar em detectar um sinal quando há um (perda), detectar um sinal quando não há um (alarme falso) ou informar nenhum sinal quando não há um (rejeição correta).

Nossas tendências individuais e motivações determinam nosso critério de resposta e desempenham um papel ao fazermos uma detecção precisa ou não. Portanto, quando as pessoas pensam que não as estou ouvindo, não é falha minha. Eu não estou detectando seus sinais porque meu critério de resposta está definido para não responder a qualquer pessoa que fale comigo naquele momento. Sou uma vítima inocente de meus processos perceptuais.

 

Organizando-se por Princípios

O sistema perceptual é composto de muitas regras arbitrárias e processos aleatórios. Os psicólogos e outros pesquisadores descobriram ao longo dos anos vários princípios que guiam o modo como nossos sistemas perceptuais organizam todas as informações que recebemos de nossos sistemas sensoriais:

� Figura-fundo: As informações são divididas automaticamente em figura

e fundo ou imediato e segundo plano. As informações que são figurais

são mais óbvias e o fundo é menos significativo.

Se você focar, ou tornar figural, na área branca, tudo que verá é um vaso

simétrico. Se focar nas áreas pretas, tornando-as figurais, poderá ver

dois rostos olhando um para o outro.

� Agrupamento: Esta categoria grande contém os princípios que são

usados para determinar se os estímulos pertencem a um grupo com

estímulos parecidos.

� Proximidade: Os estímulos que estão próximos no espaço são

percebidos como estando juntos.

� Destino em comum: Os estímulos que se movem na mesma

direção e na mesma velocidade são agrupados juntos.

� Continuidade: Os estímulos que criam uma forma contínua são

agrupados juntos.

� Semelhança: As coisas parecidas são agrupadas juntas.

� Fechamento: Este princípio é a tendência de preencher as informações

para completar um estímulo.

Atualmente, a maioria dos psicólogos está no campo construcionista. (Veja a seção “Terminando o produto: Percepção”, anteriormente neste capítulo.) Eles veem a percepção como um processo de construir as coisas que percebemos da realidade a partir dos fragmentos de informação. Nascemos com algumas regras para organizar as informações, mas alguns outros fatores podem influenciar o modo como percebemos as coisas.

 

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Capítulo 5: Vá em Frente, Seja um Pouco Sensível 53

Nossas experiências têm um impacto poderoso no modo como percebemos as coisas. O conceito do conjunto perceptual tenta capturar essa ideia, uma expectativa do que perceberei. Usamos dicas do contexto e da experiência para nos ajudar a entender o que estamos vendo. Por exemplo, se eu estiver dirigindo na rua e vir alguém em um uniforme de polícia perto da janela do carro de alguém, irei supor que ele está fazendo uma detenção. Eu poderia estar vendo realmente uma pessoa em um uniforme de polícia pedindo orientação, mas minha experiência me diz o contrário.

 

Ilusões e mágica

As ilusões perceptuais são uma consequên- sas regras de organização perceptual contra cia dos princípios organizacionais de nossos nós. Eles têm uma compreensão aguçada de sistemas perceptuais. Podemos ver coisas como nossos sistemas perceptuais funcio-que não existem realmente ou ver coisas nam e tiram vantagem desse conhecimento movendo-se quando não têm movimento. Os para realizar seus truques. ilusionistas, tais como, os mágicos, usam es-

 

Uma outra influência poderosa sobre como percebemos as coisas é a cultura na qual vivemos. Um bom exemplo do papel que as influências culturais desempenham em nossas percepções envolve entender um enredo da história com base em uma série de imagens. Considere que eu tenha cinco imagens, cada uma contendo uma parte diferente de um quebra-cabeça que, quando vistas em sequência, podem contar uma história. A história que acho que as imagens estão contando pode ser diferente, caso eu seja de uma cultura diferente. Por exemplo, estou vendo uma série de imagens que mostram uma mulher carregando uma bolsa, uma imagem dela chorando, um homem aproximando-se dela e uma imagem sem sua bolsa. O que está acontecendo aqui? Posso ver uma mulher que está triste porque deixou cair sua bolsa e um homem que está vindo ajudá-la. Dependendo da minha cultura ou subcultura, sem mencionar a minha experiência, eu poderia ver duas histórias muito diferentes.

 

psicologia01.indd 53 22/02/2011 16:35:34 54 Parte II: Conhecendo o Seu Cérebro

 

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Parte III

 

 

Pensando e Sentindo

 

A 5ª Onda Por Rich Tennant

 

“Não sei, mona. algumas vezes, sinto que você

tem medo de ficar perto.”

 

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Aparte III abrange o pensamento humano, o que os psicólogos chamam de cognição. Aqui eu analiso o conteúdo do pensamento e o processo do pensamento. Nesta parte... Incluo uma análise do conceito de inteligência e as

 

diferentes teorias de “ser inteligente”. Também cubro a

emoção e a motivação nesta parte. Definitivamente,

verifique essa parte se você estiver interessado no

amor. Ou se você preferir ler sobre ódio, também há

algo aqui para você.

 

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Capítulo 6

 

 

Observe-se ao Pensar

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Neste Capítulo

 Pensando sobre o pensamento

 Ligando o computador de sua mente

 Processando ideias

 Raciocinando como Spock

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Antes de falar sobre a área psicológica complexa do pensamento, eis um pequeno experimento mental. Para pano de fundo, imagine-se em sua cama tendo acabado de acordar de uma boa noite de sono. Você trava o despertador, afasta as cobertas para o lado e vai para o banheiro. Agora, esta é a parte do experimento. Quando você chega ao banheiro, esquece por que está lá. A resposta pode parecer óbvia porque você acabou de sair da cama e foi diretamente para o banheiro, mas esqueceu. Você olha em volta e não consegue entender onde está. Nada parece familiar e você está cercado por um mundo estranho de formas, figuras, objetos, sons e luzes. Você procura um objeto que reflita uma imagem de alguma outra coisa atrás de você, mas não sabe o que é. Está confuso, desorientado e basicamente perdido. Sua mente está completamente em branco. Você não consegue nem mesmo pensar em nada para dizer para pedir ajuda. Fica parado lá. O que irá fazer?

Se o exemplo parece um pouco estranho ou pelo menos um pouco abstrato, é por uma razão. A situação seria muito estranha. Como seria se você não tivesse nenhuma habilidade para pensar? O exemplo do banheiro pode ser assim. Você não consegue reconhecer os objetos. Você não consegue resolver nenhum problema. Não consegue comunicar-se. Realmente teria problemas. Nem mesmo é capaz de descobrir como sair do banheiro. Você já ouviu o ditado: “Você não pode abrir caminho em um saquinho de papel molhado”? Neste caso, você não consegue pensar em uma saída de um saquinho de papel molhado ou do banheiro também.

Raramente notamos nosso pensamento. É como uma música de fundo, sempre existe, mas nunca é óbvia. O pensamento parece ser tão automático e sem esforço. Eu costumava ter a minha “mente” como algo certo e raramente prestava atenção a ela. A única vez em que realmente me sentei e prestei atenção em minha mente foi quando ela entrou de férias. Acho que eu realmente não sabia o que tinha até ela fazer greve. Mas, como eu saberia se minha mente entrou em greve, se não tinha mais uma? Esse assunto fica melhor para as sessões de Filosofia tarde da noite no café local. Para este

 

psicologia01.indd 57 22/02/2011 16:35:35 58 Parte III: Pensando e Sentindo

capítulo, você pode supor que todos temos uma mente e que todos nós possuímos a habilidade de pensar.

 

O que Há em Sua Mente?

O que é exatamente o pensamento? Um pouco depois neste capítulo, peço para você analisar os seus próprios processos do pensamento, portanto, ajudaria se você soubesse o que está analisando. Na Psicologia, o pensamento ou processos do pensamento são chamados de cognição ou processos cognitivos, o processo mental da informação, inclusive a memorização, raciocínio, solução de problemas, conceituação e imagem.

Estudar o pensamento é muito difícil. Por quê? É difícil de ver! Se eu abrisse seu crânio e olhasse dentro, veria o pensamento? Não, veria uma coisa cinzenta e rosa parecendo ondulada (em outras palavras, seu cérebro). No início da pesquisa psicológica sobre o pensamento, os psicólogos pediam às pessoas participando dos estudos para pensarem em se engajar em algo chamado introspecção. Introspecção é a observação e o relato da própria experiência interna de si mesmos. Os psicólogos davam aos participantes um problema matemático simples para ser resolvido e pediam que falassem em voz alta enquanto faziam os cálculos. Esses exercícios eram para capturar as etapas envolvidas no processo do pensamento.

VOLUNTÁRIA Experimente! Pegue um pedaço de papel em branco e um lápis. Suas

O

ÇÃ instruções são para resolver o seguinte problema matemático e escrever cada IA

C

SO etapa realizada, uma por uma:

AS

47.876 + 23.989

A resposta proposta por você deve ter sido 71.865. Se não, não se preocupe; todos nós temos nossas fraquezas. Na verdade, se você conseguiu uma resposta errada, a técnica da introspecção pode ser capaz de mostrar o que fez de errado. Reserve um segundo para revisar cada uma das etapas feitas para resolver o problema.

Você acabou de participar de um experimento psicológico e não doeu nada, doeu? A técnica da introspecção deve ter sido capaz de capturar os processos de seu pensamento relacionados a uma tarefa de solução de problemas relativamente simples.

Agora, imagine como seria difícil usar a introspecção para analisar todos os seus pensamentos. Seria muito difícil, se não impossível. Parte da razão para os psicólogos não usarem mais a introspecção é que ela é simples demais. Não pode capturar os processos sofisticados do pensamento. Atualmente, os psicólogos usam o modelo do computador e outros meios complexos de pesquisa do pensamento. Outra razão para a introspecção ter perdido popularidade é que alguns aspectos mais importantes do pensamento – aqueles que temos a tendência de admitir como certos – não estão prontamente disponíveis para nossa avaliação. Não importa a distância dentro de nossa mente na qual vemos, ainda não podemos descobrir seus blocos de construção; apenas experimentamos seus produtos finais.

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 59

 

Conectando Sua Memória a um PC

Com o advento do computador moderno, os psicólogos e os investigadores afins começaram a ver as operações realizadas pelos computadores, chamadas computação, como modelos potenciais para o pensamento humano. Isso foi um avanço importante. Usar o computador como um modelo para como ocorre o pensamento é chamado de modelo computacional da mente (e pensamento). A ideia é profunda e simples ao mesmo tempo: A mente e todos os seus processos complexos, tais como, perceber, pensar, resolver problemas e todo o resto, são um procedimento de processamento de informações, uma computação. A mente é uma máquina de processamento de informações.

 

Processando informações

Sua mente passa por quatro etapas básicas ao processar as informações:

1. As informações de estímulo de seus sentidos atingem seu cérebro.

(Você vê Michael Jackson andando para trás pela primeira vez.)

2. O significado desta informação é analisado. (Seu cérebro pensa: “Puxa!

São movimentos de dança legais.”)

3. Possíveis respostas diferentes são geradas. (Seu cérebro tenta entender

como ele está fazendo essa dança.)

4. Uma resposta é executada e monitorada para um retorno. (Você tira

seus sapatos e experimenta no chão da cozinha.)

Portanto, o pensamento é um processo que envolve a análise das informações. Mas, quais “informações”? Para começar, considere que o pensamento é sempre sobre alguma coisa ou coisas. Quando estou pensando, estou pensando sobre algo ou algum objeto, carro, pessoa, evento etc. Quais tipos de “coisas” ou objetos um computador usa em seus cálculos? Considere uma calculadora, um dos tipos mais comuns de processadores de informação. Quais tipos de objetos uma calculadora usa em suas operações? Números ou símbolos, certo? O pensamento envolve o processamento de símbolos mentais ou do pensamento. Os símbolos do pensamento são representações mentais dos objetos em nosso mundo. O seguinte parágrafo mostra este ponto.

 

Desafio de Turing

Alan Turing propôs algo chamado de teste de postas para as perguntas de sua escolha. Tu-Turing. Um jogo de salão popular na época ring propôs que a comparação fosse modifi-envolvia colocar um homem e uma mulher cada para um computador e um ser humano atrás de duas portas diferentes; os convida- – e se os convidados fossem incapazes de dos tinham que se comunicar com eles por determinar se o computador ou o ser humano notas datilografadas. O propósito era adivi- estava respondendo às perguntas, o compu-nhar corretamente quem era o homem e quem tador teria que ser considerado inteligente. era a mulher com base apenas em suas res-

 

psicologia01.indd 59 22/02/2011 16:35:35 60 Parte III: Pensando e Sentindo

VOLUNTÁRIA Sente-se por um segundo, fique confortável e imagine a imagem de uma rosa

O em sua mente. Concentre-se para que a imagem fique clara, o caule verde e as

ÇÃ

IA folhas, as pétalas rosas, os espinhos etc. Tente imaginar a rosa em detalhes. C

SO Se alguém entrasse no cômodo enquanto você estivesse fazendo isto e AS

perguntasse se há uma rosa no cômodo, o que você diria? Se realmente não houvesse uma rosa no cômodo, então você diria “não”. Mas, considere a ideia de que há realmente uma rosa no cômodo ou, pelo menos, está no cômodo porque há uma dentro de sua mente, a rosa que você está pensando. Portanto, se eu abrisse seu crânio e visse sua cabeça, veria uma rosa, certo? Naturalmente que não! A rosa apenas “existe” na forma simbólica ou representacional dentro da sua mente. Quando você lê a palavra “porta” nesta página, tem a imagem de uma porta em sua mente. Você tem o pensamento de “porta”. Como isto é possível? Representação simbólica! A palavra “porta” é um símbolo mental linguístico para essa coisa retangular de madeira (em geral) anexada à frente de sua casa.

O pensamento consiste em símbolos que representam informações sobre nosso mundo e os objetos dentro dele, e a manipulação desses símbolos. A manipulação mental desses símbolos é baseada na combinação, divisão e recombinação dos símbolos em sequências mais complexas ou sistemas de símbolos que têm significado. Pegue a palavra “porta”. Ela consiste em partes mais simples chamadas letras e a combinação específica dessas letras dá origem à palavra específica e à imagem do objeto chamado “porta”. As letras poderiam ser reorganizadas para significar “trapo”, que é algo inteiramente diferente e, assim, um pensamento inteiramente diferente. Felizmente, você pode ver que até um sistema simples como o alfabeto pode dar origem a um conjunto quase infinito de símbolos ou representações maiores e mais significativas.

De onde vêm todos esses símbolos? Os símbolos são gerados pelas coisas sensoriais no mundo. Quando vejo uma rosa, há uma representação simbólica correspondente dessa rosa em minha mente quando penso nela.

 

Conceituando

Quando foi a última vez em que você saiu com um amigo apenas para conversar? Vocês foram para uma cafeteria? Falaram sobre romances recentes e relações frustrantes em suas vidas? Falaram sobre política ou tempo? Não importa sobre o que vocês falaram, estavam falando sobre um conceito.

Um conceito é um pensamento ou ideia que representa um conjunto de ideias afins. “Romance” é um conceito. “Relação” é um conceito. “Política” é um conceito. “Tempo” é um conceito. Lembre-se, esses conceitos são representados como símbolos em seus sistemas de processamento de informações do pensamento. Como eles chegam lá? Nós os aprendemos. Os conceitos são derivados e gerados; eles são formados. Quando os objetos compartilham características, eles representam o mesmo conceito. Alguns

VOLUNTÁRIA conceitos são bem definidos, outros não.

O

ÇÃ

IA Considere as seguintes palavras: C

SO

AS

Cauda, pelo, dentes, quatro pernas

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 61

O que essas palavras descrevem? Poderia ser um gato, cachorro, leão ou urso. O fato é, você realmente não pode dizer apenas a partir dessas quatro palavras. Um detalhe crucial está faltando, alguma parte da informação que define claramente o conceito e o separa dos outros.

Agora, considere esta lista de palavras:

Cauda, pelo, dentes, quatro pernas, late

O que está sendo descrito agora? Tem que ser um cachorro. Por quê? Gatos, leões e ursos não latem. A característica “late” define com exclusividade o conceito de “cão”. “Latir” é a característica de definição do conceito. É um atributo que deve estar presente para o objeto ser classificado como um exemplo de um determinado conceito.

Penas, bico, ovos, voa

O que elas descrevem? Uma ave? Espere um pouco. Não existem pelo menos duas aves que não voam? E os pinguins e avestruzes? Eles não voam, mas ainda são aves. Portanto, voar não é uma característica de definição para ser uma ave porque os animais não têm que ter esse atributo para serem considerados uma ave. Contudo, a maioria das aves voa, portanto, “voar” é o que chamamos de característica ou atributo. É um atributo que a maioria dos membros de um grupo de conceito, mas não todos, possui.

Pense em uma cadeira. Tente imaginar e desenhar uma cadeira. Agora, descreva-a. (Descreva-a para outra pessoa ou você parecerá engraçado descrevendo uma cadeira imaginária para si mesmo.) Provavelmente, sua cadeira imaginada consiste em madeira, quatro pernas, um assento retangular ou quadrado e costas construídas com dois suportes verticais em cada lateral do assento conectados por algumas ripas horizontais.

Esta é uma cadeira típica. É comum. Na verdade, poderia ser considerada como uma cadeira prototípica. Um protótipo é o exemplo mais típico de um objeto ou evento dentro de uma determinada categoria. É o exemplo mais complexo do conceito sendo representado.

No início de nosso desenvolvimento, os atributos de categoria são

RE-SE combinados de forma progressiva, baseando-se em características simples,

LEMB combinando-as em unidades maiores, até a sua rede conceitual de

informações sobre os objetos em seu mundo crescer com uma capacidade imensa. Mas, todos sabemos que nosso pensamento é muito mais complexo do que uma simples compreensão de uma palavra. Após algum tempo, combinamos os conceitos de uma palavra em conceitos de longas frases, conceitos de longas frases em conceitos de longos parágrafos etc. Verifique este processo, o qual se constrói sobre si mesmo continuamente.

“A guerra é um inferno” é um exemplo de dois conceitos: “guerra” e “inferno” sendo relacionados.

� Você constrói modelos mentais agrupando muitas proposições para

ajudá-lo a entender como as coisas se relacionam entre si. Eis um

exemplo:

A guerra é um inferno.

A Segunda Guerra Mundial foi uma guerra.

A Segunda Guerra Mundial foi um inferno.

 

psicologia01.indd 61 22/02/2011 16:35:35 62 Parte III: Pensando e Sentindo

� Os esquemas são unidades básicas de compreensão que representam o

mundo e são resultado da organização dos modelos mentais em grupos

maiores. Um exemplo poderia ser: “Alguns soldados que lutaram na

Segunda Guerra Mundial tiveram trauma psicológico. Algumas pessoas

acreditam que isso foi devido à natureza extrema da guerra. Outras

pessoas até disseram que a guerra é um inferno.”

Os atributos são combinados em conceitos. Os conceitos são combinados em proposições. Diversas proposições são combinadas em modelos mentais. Finalmente, os modelos mentais são combinados em esquemas, que são usados como unidades básicas de compreensão e representação do mundo em nossa linguagem do pensamento.

Um exemplo pode ser considerar o conceito de “livro”. Combine o conceito de livro com um outro, como, por exemplo, leitura. Então, conecte esses conceitos com um outro, tal como, biblioteca. Agora, você tem três conceitos relacionados entre si: livro, leitura e biblioteca. Esses três conceitos podem dar origem à proposição de estudar (em oposição a ler por prazer). Estudar, então, pode ser incorporado em divisões maiores, ou esquema, da escola ou ir para a escola.

 

Movendo as Engrenagens

O pensamento humano depende de uma compreensão conceitual e representação do mundo no qual vivemos. Portanto, depois de ter todos esses conceitos em nossas mentes, o que fazemos com eles?

Considere isto: A cada dois ou três meses, em todas as universidades do país, algo muito estranho acontece. O evento é tão previsível quanto as marés, ciclos da lua ou dívida estudantil. Com cada novo curso que um aluno faz, e um professor ensina, ocorre um fenômeno previsível. John Smith, um aluno, vai para a sala de aula ou sala de conferências, olha para frente, pega uma agenda e um utensílio de escrita, e espera que o professor comece a falar sobre coisas que o aluno tomará nota. Este processo repetitivo ou sequência de eventos é um exemplo perfeito de roteiro, representando um tipo de esquema que demonstra o conhecimento de um aluno dos conceitos de “estar na aula” ou “ser um estudante”.

Como o pensamento emprega os conceitos (como “ser um estudante”) para navegar em nosso mundo e resolver os problemas que enfrentamos todos os dias? Se o pensamento é uma forma de computação e nossas mentes são computadores muito poderosos, então, como exatamente esses cálculos são realizados? Sabemos que a substância de nossa linguagem mental consiste em conceitos, proposições, modelos mentais e esquemas, mas como essas partes ou conjuntos organizados de conceitos realmente guiam nosso pensamento e comportamento?

Em grande parte, o pensamento é organizado e direcionado a um objetivo. Alguns até diriam que é lógico e racional. O pensamento organizado é determinado por regras e baseado no objetivo de resolver os vários problemas que cada um de nós enfrenta todos os dias. Qual o problema número um que enfrentamos todos os dias? Sobrevivência. O pensamento tem um propósito e direciona nossas ações para que alcancemos nossos objetivos, os objetivos de ficarmos vivos!

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 63

Pegue um bebê, por exemplo. (Bem, não o pegue realmente. Apenas o contemple.) Se sou um bebê e estou ficando com fome, irei chorar instintiva e automaticamente. Finalmente, alguém larga o controle remoto por tempo suficiente para vir e me dar uma mamadeira. Nesse ponto, meu pensamento fica muito importante. Felizmente, estabeleço uma compreensão de uma relação entre o comportamento de chorar e a consequência de ser alimentado por uma mamadeira. Basicamente, gero o pensamento: “Quando choro, alguém me dá uma mamadeira”. Agora, esta é uma “regra” para mim. Ela é baseada na simples lógica: “Se A, então B; se A e B, então C.

A (chorar) + B (alguém me dá uma mamadeira) = C (fome saciada)

Nas seções a seguir, apresento os mecanismos básicos do pensamento,

MB algumas vezes chamado de RE-SEarquitetura do pensamento. São as regras do

LE pensamento. Além da representação do conhecimento do mundo na forma de

conceitos, o pensamento requer todos os seguintes componentes básicos:

� Entrada: Informações sensoriais vindas de nosso mundo ou de dentro

de nossas próprias mentes.

� Memória: O sistema necessário para o armazenamento do

conhecimento. As informações sobre o mundo são armazenadas em

nossas mentes e memórias. Aniversários, nomes e outras informações

são armazenados em nossa memória.

� Operações: Regras que determinam como as informações no sistema

da memória são utilizadas (raciocínio, solução de problemas e análise

lógica). Pegue a matemática como exemplo: Se eu tiver 100 números

armazenados em minha memória e for confrontado com um problema

matemático, essas operações determinarão como resolver esse

problema.

� Saída: Os “programas” de ação que envolvem dizer ao resto da mente e

ao corpo o que fazer depois das operações do pensamento terem sido

feitas.

 

Entrada

O componente de entrada do processamento cognitivo não é realmente parte do processo do pensamento. Na verdade, estou falando aqui sobre a percepção. O estágio da entrada é o lugar onde as informações sobre o mundo à nossa volta são “colocadas” em nossos cérebros. Basicamente, todas essas informações “por aí” têm que entrar em nossas mentes para que possamos pensar sobre elas. Como elas entram? Nossos sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar inserem todas as informações. Nossos sentidos servem como a entrada para o pensamento. Tudo que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e provamos sobre o mundo torna-se parte de nossos processos do pensamento. Você pode ler mais sobre a percepção no Capítulo 5.

 

Dizem que isso ocorre primeiro: Memória

O pensamento envolve a manipulação dos símbolos mentais que são armazenados como conceitos, representações dos objetos que encontramos

 

psicologia01.indd 63 22/02/2011 16:35:35 64 Parte III: Pensando e Sentindo

em nossos mundos. Como esses símbolos mentais são armazenados? A memória!

Existem três sistemas de armazenamento separados na memória: memória sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo.

Uma metáfora útil aqui torna um pouco mais fácil compreender a memória. Imagine um banco, você sabe, aquela coisa na qual mantemos nosso dinheiro. De qualquer modo, pense em seu banco. A maioria de nós tem uma conta corrente, mas todos sabemos que há outros tipos de contas também. Cada uma dessas contas faz algo um pouco diferente com o nosso dinheiro. Basicamente, o banco guarda nosso dinheiro e o mantém em segurança de diferentes maneiras usando contas diferentes. As contas correntes são geralmente para o uso diário e de curto prazo. As poupanças são para depósito a longo prazo. Nossas memórias também guardam as informações de modo diferente.

 

Armazenamento sensorial

A memória sensorial é um sistema de memória com fração de segundo que armazena informações que chegam através de seus sentidos. Alguma vez você já viu o sol e, então, fechou seus olhos e desviou o olhar? O que acontece? Você ainda pode ver um tipo de sol em sua mente.

 

Memória de curto prazo

A memória de curto prazo (MCP) consiste nas informações que estão ativas em sua consciência exatamente agora; as coisas das quais você tem consciência. A luz na página do livro, as palavras sendo lidas, a reclamação de seu estômago e o som do tráfego fora de sua janela são partes de sua consciência e estão sendo armazenadas em sua MCP. As coisas das quais você não tem consciência podem ser enviadas para o armazenamento de longo prazo ou simplesmente ser esquecidas.

Quanta informação sua MCP pode armazenar? O consenso comum é que ela pode armazenar sete itens de informação. Isso é algo chamado de “número sete mágico” da capacidade MCP. Alguma vez você já parou para pensar por que os números de telefone têm sete dígitos? O número sete mágico é a razão!

Isso significa que posso armazenar apenas sete palavras, sete números ou outros sete itens em minha MCP? Não, graças a um processo chamado amostras. Posso armazenar muito mais informações que isso. Um exemplo clássico de amostra é o uso da mnemônica, onde você pega um bloco de informações e o fragmenta em uma pequena frase, para que seja mais fácil de lembrar.

A Eis um modo fácil de formar uma mnemônica. Se você tiver uma lista de algo

DIC que tenha que memorizar, pegue a primeira letra de cada palavra na lista e

crie uma frase sugestiva com ela. Eis uma que nunca esqueci e aprendi na 8ª série: Os reis fantásticos correm ordenadamente fazendo grande estardalhaço. Você sabe o que isso significa? Significa o modo como os biólogos classificam os diferentes organismos na Terra: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.

A duração da memória para o sistema MCP é de aproximadamente 18 segundos. Você pode estender a duração do tempo que as informações podem ser mantidas na MCP apenas engajando-se em algo chamado de

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 65

ensaio. O ensaio é o processo de repetir algo continuamente em sua mente ou em voz alta para que você não se esqueça.

 

Memória de longo prazo

Se as informações na MCP forem repetidas por tempo suficiente, elas finalmente acabarão em seu sistema de armazenamento de longo prazo. Existem basicamente dois modos diferentes de depositar informações em seus bancos de memória de longo prazo.

� Ensaio de manutenção: Transfere as informações, de sua MCP, pela

repetição, até que sejam enviadas para o armazenamento de longo

prazo.

� Ensaio de elaboração: Sua mente elabora sobre as informações,

integrando-as em suas memórias existentes. Quando as informações

são significativas e se referem a algo que já sabemos, fica mais fácil

lembrar e mais difícil esquecer.

Nossa MLP é fragmentada em três divisões básicas:

� Memória episódica: Eventos e situações únicos para as suas

experiências (casamentos, nascimentos, graduações, acidentes de

carro etc.).

� Memória semântica: Informações factuais, tais como, férias

importantes, o nome do primeiro presidente dos Estados Unidos e o

número do seguro social.

� Memória procedural: Informações sobre como fazer as coisas, como,

por exemplo, andar de bicicleta, resolver um problema de matemática

ou amarrar os seus sapatos.

Teoricamente, a capacidade de tamanho e tempo da MLP é infinita porque os pesquisadores não encontraram um modo de testar a sua capacidade. Apenas lembre-se de que ela tem capacidade suficiente para fazer o trabalho. Parece um pouco estranho, quando você considera quanta informação parecemos esquecer. Se as informações estão “lá” em algum lugar, por que esquecemos?

Esquecer a informação armazenada na MLP é mais um processo de não ser capaz de acessá-la do que a informação não estar lá. Duas formas de falha de acesso nos atormentam quando falhamos em recuperar algo na memória. Essas falhas de acesso envolvem a incapacidade de acessar uma memória porque outra informação está no caminho.

� Interferência retroativa: Ter problemas para lembrar as informações

mais antigas porque as informações mais recentes estão no caminho.

� Interferência proativa: Ter problemas para lembrar as informações

mais recentes porque as informações mais antigas estão no caminho.

Na próxima vez em que você vir uma comédia na televisão, tente lembrar os detalhes dos primeiros dez a doze minutos, os dez a doze minutos do meio e os dez a doze minutos finais do programa. Ou ouça uma palestra e tente lembrar o que foi dito durante o início, meio e fim da apresentação. Você pode notar algo que os psicólogos chamam de efeito da posição serial. As

 

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informações do início e do final do show ou da palestra são mais fáceis de serem lembradas do que as do meio. Por que é assim?

VOLUNTÁRIA

O

ÇÃ

IA

C Esqueça! SO

AS

 

Alguma vez foi dito a você para esquecer está pensando sobre algo, é impossível es-algo? Tente isto: Esqueça o queijo. Funcionou? quecê-lo. Esquecer é um conselho muito fal-Você esqueceu o queijo ou realmente pensou so. Se a pessoa quisesse que você realmente sobre o queijo? A ironia de alguém dizendo esquecesse, não deveria mencionar. para você esquecer algo é que enquanto você

 

O efeito da posição serial ocorre porque as informações no início do show ou da palestra geralmente são enviadas para a memória de longo prazo por causa da quantidade de tempo que decorre. As informações no final do show estão sendo mantidas em sua memória de curto prazo porque estão frescas em sua mente. E o meio? Simplesmente sumiu.

 

Fazendo Operação(ões)

A terceira etapa no processo do pensamento envolve a implementação das atividades ou operações mentais. Dois tipos comuns de atividades mentais são a solução de problemas e o raciocínio.

 

Resolvendo problemas

A solução de problemas parece muito simples. Você tem um problema e o resolve. Lembra daquele seriado MacGyver? MacGyver podia resolver praticamente qualquer problema que surgisse em seu caminho. Ele podia transformar um palito de dentes em um jet ski ou em um lançador de foguetes. Eu me sentava e assistia com admiração e, então, pegava a minha fiel caixa de ferramentas e desmontava a torradeira, tentando transformá-la em um receptor de satélite – quatro horas depois, tudo o que eu tinha era uma pilha de peças e nenhuma maneira de fazer torradas. Acho que MacGyver tinha mais habilidade para resolver problemas do que eu.

Newell e Simon (1972) são como os padrinhos da Psicologia da solução de problemas. Praticamente quase todos os estudos de pesquisa sobre o assunto citam o estudo deles. Eles nos deram estas etapas básicas do processo de solução de problemas:

1. Reconhecer que um problema existe é como a ideia de que você não

pode lidar com um problema de vício ou de álcool até que admita que

ele existe.

2. Construir uma representação do problema que inclua o estado inicial e

o objetivo final.

3. Gerar e avaliar as possíveis soluções.

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 67

4. Selecionar uma possível solução.

5. Executar a solução e determinar se ela realmente funcionou.

A Estas etapas algumas vezes são identificadas pelo acrônimo IDEAL (Bransford

DIC e Stein, 1993):

“I” identifique o problema

“D” defina e represente o problema

“E” explore as possíveis estratégias

“A” ação

“L” Lembre e avalie os efeitos

Provavelmente existem tantas estratégias de solução de problemas quanto problemas, embora a maioria de nós basicamente use sempre as mesmas. Todos nós sabemos como usar a estratégia de tentativa e erro para resolver um problema. Eu já vi crianças que usam a estratégia de tentativa e erro ao tentarem colocar formas em seus respectivos buracos. Primeiro, ela pega o círculo e o experimenta em cada buraco recortado até que ele caiba, etc. Esta estratégia é muito ineficiente, mas algumas vezes é a única ferramenta que temos. A estratégia de tentativa e o erro pode ser usada se não existir uma definição clara do problema e quando parte do problema for descobrir qual é o problema.

A Eis algumas técnicas mais comuns de solução de problemas:

DIC

� Análise dos meios e fins: Esta estratégia envolve fragmentar o

problema em subproblemas menores a serem resolvidos para se chegar

ao resultado final.

� Trabalhando de trás para frente: Este modo de resolver um problema

é como desmontar algo e montá-lo novamente para entender como o

objeto (ou o problema) é construído.

� Sequência de ideias: Uma técnica que envolve propor muitas soluções

possíveis para o problema sem editá-las de nenhuma forma. Não

importa o quanto são improváveis, impossíveis, idiotas ou ridículas as

soluções; você simplesmente as coloca lá e as elimina depois que não

puder mais pensar em nenhuma solução possível. Até minha ideia de

fazer o Super-homem usar o seu sopro superfrio para impedir o

aquecimento global está incluída nessa técnica.

� Analogias e metáforas: Estas estratégias envolvem usar um problema

paralelo ou parecido que já tenha sido resolvido para resolver um

problema não relacionado anteriormente. A Crise do Míssil cubana foi

como um jogo covarde de energia nuclear, e quem quer que hesitasse,

vacilasse ou recuasse primeiro seria o perdedor. Acho que o presidente

Kennedy foi muito bom no recuo.

 

Raciocínio e lógica

Supostamente, o raciocínio e a habilidade para resolver problemas logicamente são duas habilidades primárias que separam os humanos dos animais. No caso de você estar se perguntando, os humanos podem raciocinar, os animais não. Sei que este fato pode propiciar um debate,

 

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especialmente para todos os donos de animais de estimação que pensam que seu cão Fido pode resolver problemas matemáticos latindo as respostas, mas acredite em mim. Lembra do Dr. Spock no Jornada nas Estrelas? Ele sempre era muito lógico e o Capitão Kirk sempre estava ganhando o dia com soluções entusiasmadas e baseadas na emoção. Chega de lógica e raciocínio. Mas, lembre-se de que o Jornada nas Estrelas era apenas um programa de televisão.

O raciocínio pode ser definido como um processo do pensamento que envolve chegar a conclusões com base na verdade das premissas que precedem a conclusão. As premissas determinam um estado de acontecimento, tal como “Todos os carros de bombeiro são vermelhos”. Outra premissa poderia ser: “Meu pai dirige um carro de bombeiro no trabalho”. Portanto, uma conclusão lógica poderia ser: “Meu pai dirige um carro vermelho no trabalho”. O raciocínio pode nos ajudar a entender se nossas conclusões são válidas e se fazem um sentido lógico.

Quando nossos argumentos fazem um sentido lógico, nosso raciocínio é bom. Faz sentido lógico que meu pai dirige um carro de bombeiro no trabalho porque isto decorre das premissas. Mas, e se fosse assim: Todos os carros de bombeiro são vermelhos. O carro do meu pai é vermelho. Portanto, o carro do meu pai é um carro de bombeiro. Isto não é lógico! A primeira premissa não estabelece que todos os carros são vermelhos, apenas que os carros de bombeiro são vermelhos. Portanto, outros carros podem ser vermelhos, inclusive os carros de bombeiro. Um pai pode dirigir um Toyota vermelho. A lógica é como uma fita métrica para verificar o nosso raciocínio.

Todos os problemas básicos do raciocínio envolvem dois componentes básicos:

� Premissas: São as afirmações sobre algum objeto ou evento que são

usadas para apoiar uma conclusão.

� Conclusões: São os pontos derivados das premissas. São válidos

apenas se puderem ser concluídos com lógica e raciocínio a partir das

premissas.

Há dois tipos básicos de raciocínio:

� Indutivo: No raciocínio indutivo, você começa fazendo observações (as

premissas) para reunir fatos para apoiar ou não confirmar (validar)

algum resultado estabelecido hipoteticamente ou situação (a

conclusão). Considere o seguinte:

Na segunda-feira choveu.

Na terça-feira choveu.

Portanto, concluo que quarta-feira irá chover.

Este é um exemplo de raciocínio indutivo. Duas observações ou

premissas são usadas para prever um terceiro resultado. Acho que o

meu meteorologista local usa a lógica indutiva para fazer suas

previsões, não uma tecnologia de computador de milhões de dólares

que a estação de TV anuncia.

� Dedutivo: O raciocínio dedutivo usa premissas que afirmam fornecer

uma prova conclusiva da verdade para a conclusão. Uma conclusão

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 69

baseada na lógica dedutiva é, por necessidade, a verdade fornecida que

começa com premissas verdadeiras. A dedução geralmente começa

com generalizações e razões para as particularidades. Considere o

seguinte exemplo do raciocínio dedutivo:

Todos os homens devem ser livres.

Sou um homem.

Portanto, devo ser livre.

A conclusão segue logicamente a partir de duas premissas. Ela tem que

ser assim com base no que é estabelecido nas premissas. Eis o exemplo

de uma conclusão falsa:

Todas as galinhas colocam ovos.

Minha ave colocou um ovo.

Portanto, minha ave deve ser uma galinha.

Por que isto é falso? Porque a primeira premissa refere-se a um

subconjunto da categoria maior, as aves. A segunda premissa inclui

essa categoria maior e, portanto, refere-se a alguns eventos não

cobertos pela primeira premissa. Se virarmos ao contrário as duas

premissas, poderemos criar um silogismo válido logicamente:

Todas as aves colocam ovos.

Minha galinha colocou um ovo.

Portanto, minha galinha deve ser uma ave.

 

Saída

Até o momento o pensamento está assim:

Entrada →→ Memória →→ Operações são realizadas

O que está faltando? A saída do processo do pensamento é a fase de “ação” ou saída. Se eu receber números para resolver um problema de matemática, acessarei minha memória sobre a subtração, executarei as operações mentalmente e, então, meu cérebro dirá para as minhas mãos escreverem a solução no papel. Esta saída é algumas vezes chamada de programa motor porque envolve o movimento dos músculos (como aqueles em minha cabeça). A solução do problema de subtração também é a saída, mas em vez de ser um músculo ou programa motor, é a saída “mental” que pode, então, ser verbalizada usando os músculos de minha boca. Assim, torna-se um programa motor.

 

Pensando que Você É Muito Esperto

Os psicólogos vêm tentando descobrir o que é inteligência há muito tempo. Existem muitos exemplos de falta de inteligência. Dê uma olhada naqueles

 

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programas bobos de vídeo caseiro. O cara que esquece de desligar a eletricidade antes de tentar religar um cômodo. Ou a senhora que tenta alimentar um urso polar e quase se torna o jantar. Talvez nos distraiamos com a infelicidade dos outros, gravada em videoteipe, porque essas pessoas não poderiam ter sido menos inteligentes. Outra possibilidade mais controversa é que nos sentimos eufóricos porque não tivemos seu destino.

RE-SE Todos nós diferimos em nossas habilidades para resolver problemas,

LE MB aprender, pensar logicamente, usar bem a linguagem, entender e adquirir conceitos, lidar com abstrações, integrar ideias, alcançar objetivos etc. Esta

lista impressionante de habilidades representa algumas das ideias do que realmente é a inteligência, estas coisas são a inteligência.

Para ter uma definição mais concreta, inteligência é uma coleção de habilidades que permite a uma pessoa experimentar, aprender, pensar e adaptar-se com sucesso ao mundo. Tal definição ampla nos permite conceitos, tais como, a habilidade de lidar com as dificuldades de uma cidade, algo que muitos pacientes de psicoterapia alegam que os terapeutas não têm.

 

Teoria com dois fatores

Ah, se fosse assim tão simples. Desde que os psicólogos começaram a estudar a inteligência, eles têm contado muito com os testes psicológicos para seus conceitos. A primeira forma, e ainda a mais popular, de inteligência é chamada de teoria com dois fatores. Nela, há (surpresa) dois fatores:

� Fator g: Alguns psicólogos propõem um teste de habilidades mentais

e o aplica em muitas pessoas. Quando um ponto é calculado e

avaliado nas habilidades, um fator de inteligência geral é estabelecido.

Esse é o fator um da teoria com dois fatores, comumente referido

como fator g ou fator de inteligência geral. Ele deve representar o

quanto você é inteligente, em geral, com base em seu desempenho

nesse tipo de teste. Normalmente, isso é chamado de teoria

psicométrica da inteligência. Psico significa psicológico e métrica

significa medido por um teste.

� Fator s: Os pontos individuais em cada um dos subtestes individuais

representam o fator s. Ele representa a habilidade de uma pessoa

dentro de uma determinada área. Reúna todos os fatores s e obterá o

fator g. Os fatores s de inteligência comumente medidos incluem a

memória, atenção e concentração, compreensão verbal, vocabulário,

habilidades espaciais e raciocínio abstrato.

Portanto, a inteligência na teoria psicométrica é a sua pontuação em um teste de inteligência. Como pode ser? Cada teste é composto por um grupo de pequenos testes ou subtestes. Geralmente, as pessoas que pontuam alto em um teste também pontuarão bem nos outros testes. Em outras palavras, há

RE-SE uma relação entre cada uma das habilidades individuais medidas pelos

MB subtestes representados pelo conceito de inteligência geral sob essa relação.

LE

Em uma teoria afim, Thurston propôs uma teoria de inteligência chamada habilidades mentais primárias. É basicamente o mesmo conceito do fator s

 

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Capítulo 6: Observe-se ao Pensar 71

com um pouco mais de detalhe. Para Thurston, a inteligência é representada pelos diferentes níveis de performance de um indivíduo em sete áreas: compreensão verbal, fluência das palavras, número, memória, espaço, velocidade perceptual e raciocínio. Contudo, essa teoria tem alguns problemas. Ela recebeu muito pouco apoio de pesquisa e alguns psicólogos desenvolveram listas com mais de 100 habilidades mentais primárias. Algumas pessoas decidiram que era hora de algo um pouco mais simples.

 

Teoria triárquica da inteligência

de Sternberg

Robert Sternberg desenvolveu a teoria triárquica da inteligência em parte para tratar da controvérsia das habilidades da pessoa em lidar com as dificuldades de uma cidade. Um mito urbano afirma que Albert Einstein era extremamente inteligente e dotado em Matemática e Física, mas não conseguia amarrar seus próprios sapatos. Não sei se isso é verdade ou não, mas Sternberg parece concordar que um aspecto importante de ser inteligente é possuir um bom nível de bom senso ou inteligência prática. Os três componentes da inteligência de sua teoria são:

Continuar: parte 4 de 16