Psicologia Para Leigos
01 Psicologia
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.
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células gliais. O SNC inclui o nosso cérebro e a medula espinhal. O SNP inclui os nervos fora do SNC aqueles que estão na periferia do corpo.
RE-SE Lembre-se que o sistema nervoso é uma parte viva de nossos corpos e,
LE MB portanto, tem as mesmas necessidades básicas de qualquer outra parte de nosso corpo (como o combustível e a proteção da imunidade). Os
componentes do sistema nervoso são mantidos vivos e saudáveis pelo sistema circulatório e outras funções reguladoras do corpo. As particularidades dos sistemas de apoio de cada divisão do sistema nervoso são analisadas com mais detalhes dentro da seção correspondente de cada divisão neste capítulo.
Se você se lembra um pouco de Física, Química ou Biologia, você pode se lembrar que os blocos de construção da vida começam com os átomos (operando sob as leis da Física); os átomos se agruparam de determinadas maneiras para formar moléculas, que, então, formam compostos, seguem adiante para moléculas, e então formam compostos, depois células, depois tecido, depois eu! Portanto, se realmente quiséssemos ser reducionistas, simplesmente estudaríamos a Física e aboliríamos todos os outros ramos da Ciência. Ou poderíamos ver o comportamento humano e os processos mentais a partir de um nível molecular. Este é o foco do campo da neurobiologia.
Porém, geralmente, a Psicologia biológica começa no nível celular da compreensão. Dois tipos de células aparecem no sistema nervoso: as células de apoio e os neurônios.
Tendo cuidado na periferia
Das duas divisões do sistema nervoso do corpo, pense no sistema nervoso periférico (SNP) como um sistema de conexões que torna possível o cérebro e a medula espinhal se comunicarem com o resto do corpo. Dois conjuntos de nervos estão envolvidos:
� Nervos espinhais: Estes nervos viajam da medula espinhal até os
músculos e outras partes do corpo, carregando os sinais neurais para e
a partir da medula espinhal.
� Nervos cranianos: Estes nervos estão envolvidos nos processos
muscular e sensorial da cabeça e do pescoço.
Além desses dois conjuntos de nervos, o SNP também contém um subsistema do sistema nervoso geral conhecido como sistema nervoso autônomo (SNA). O sistema nervoso autônomo ajuda a regular dois tipos específicos de músculos (liso e cardíaco) e as glândulas em nosso corpo. O SNA está envolvido na ação “automática” ou involuntária. Os órgãos do corpo, as contrações reflexivas do músculo e até a dilatação de nossas pupilas são comportamentos automáticos governados pelo SNA. Existem duas divisões muito importantes do SNA:
� Sistema nervoso automático: O ramo automático do SNA está
envolvido na ativação energética do corpo quando precisamos de uma
energia excessiva. Por exemplo, quando sou confrontado com uma
situação ameaçadora, meu sistema nervoso automático inicia-se e me
dá a energia para enfrentar o desafio ou fugir da situação.
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Capítulo 3: Hardware, Software e Menteware 29
� Sistema nervoso parassimpático: O ramo parassimpático do SNA
desativa o sistema nervoso automático depois de ele ter sido engajado.
Esta ação é chamada algumas vezes de resposta de relaxamento por
causa da atividade do sistema nervoso automático estar relaxada ou
finalizada, e voltamos ao funcionamento normal.
Sentido-se nervoso?
O SNC consiste no cérebro e na medula espinhal. Há três divisões principais do cérebro: cérebro dianteiro, cérebro intermediário e cérebro posterior. Cada uma dessas divisões consiste em muitas subestruturas que estão envolvidas em vários comportamentos e atividade.
Uma coisa importante para se ter em mente sobre o cérebro é que ele é um
LE MB RE-SE sistema complexo e integrado. Todos os seus componentes trabalham juntos para produzir a complexidade dos comportamentos que cada um de nós é
capaz de ter. O conceito de localização refere-se à ideia de que existem partes específicas do cérebro para componentes específicos dos comportamentos. Várias partes do cérebro trabalham juntas para produzir a visão, audição, fala etc. Essas divisões foram descobertas e estabelecidas usando diferentes técnicas neurológicas, tais como o exame do cérebro depois da morte, varreduras TC (tomografia coaxial), varreduras IRM (imagem de ressonância magnética) e varreduras TEP (tomografia de emissão de pósitrons).
Cérebro dianteiro
O cérebro dianteiro humano consiste nestas diferentes subdivisões:
� Córtex cerebral: Se você considera o cérebro como um cogumelo, com
topo e talo, o córtex cerebral é o topo do cogumelo. Ele é dividido em
duas metades, chamadas hemisférios cerebrais (esquerdo e direito
– muito criativo). Essas metades são conectadas por alguns axônios
conhecidos como corpo caloso. Sem o corpo caloso, as metades não
seriam capazes de se comunicarem.
As quatro divisões maiores do córtex cerebral são mostradas na Figura
3-1 e listadas abaixo com as suas funções correspondentes:
� Lobo frontal: Planeja, organiza, coordena e controla os
movimentos, raciocina e monitora totalmente o processo do pensamento.
� Lobo parietal: Sensação.
� Lobo temporal: Audição, fala e outras atividades verbais.
� Lobo occipital: Visão.
� Sistema límbico: Localizado na parte de baixo do topo do cogumelo (o
córtex cerebral), o sistema límbico está envolvido na aprendizagem,
memória, comportamento emocional e acasalamento ou reprodução
(veja Figura 3-2).
� Gânglio basal: Esta subdivisão está envolvida no controle do
movimento.
� Tálamo: Este “painel neural” é uma estação de transmissão para as
diferentes partes do cérebro.
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� Hipotálamo: O hipotálamo faz parte do controle do sistema endócrino
e funciona com o sistema límbico para controlar comportamentos, tais
como, agressão, mastigação, proteção e acasalamento.
Cérebro intermediário e cérebro posterior
O cérebro intermediário consiste nas seguintes divisões e suas respectivas áreas de responsabilidade:
� Parte dorsal: Sistemas auditivo e visual.
� Membrana: Sono, despertar, atenção, tono muscular e reflexos.
O cérebro posterior consiste em duas divisões com suas próprias tarefas atribuídas:
� Cerebelo: Movimento motor e sua coordenação.
� Medula: Funções vitais do corpo, tais como, sistema cardiovascular,
respiração e movimento dos músculos esqueléticos.
Lobo parietal
Lobo frontal
Lobo occipital
Figura 3-1: Lobo temporal
Veja os
lobos.
Corpo
caloso
Faça o lobo Figura 3-2: Cerebelo Tálamo Hipotálamo Gânglio basal
límbico.
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Capítulo 3: Hardware, Software e Menteware 31
Danificando o cérebro
Como você pode ver nas listas anteriores das divisões do cérebro, há muita coisa acontecendo. Basicamente, tudo que fazemos envolve nossos cérebros. O que acontece, porém, quando alguma parte do cérebro é danificada? O comportamento e os processos mentais associados à parte danificada do cérebro são afetados de modo adverso, também tendo um impacto nas funções afins. Os neuropsicólogos clínicos são particularmente interessados nas consequências comportamentais e mentais de ter um dano no cérebro.
Nossos cérebros podem ser danificados de várias maneiras:
� Danos com a cabeça fechada: Estes danos ocorrem quando alguém leva
um golpe na cabeça sem nenhuma penetração do crânio. Uma forma
comum de dano dentro da cabeça é um contragolpe – o dano ocorre na
parte do cérebro oposta de onde o indivíduo foi golpeado. Se eu atingir a
parte de trás da cabeça, posso ter um dano em meu lobo frontal, assim,
afetando minhas habilidades organizacionais e de planejamento.
� Danos com a cabeça aberta: Estes danos ocorrem quando o crânio é
penetrado ou fraturado e, geralmente, pode levar a um grave dano no
cérebro.
� Outras desordens do cérebro: Doenças degenerativas, tais como,
Alzheimer, podem produzir dano cerebral na forma de tecido
degenerado do cérebro e morte celular. Derrames e outros acidentes
vasculares também podem resultar em dano cerebral impedindo que o
sangue e o oxigênio cheguem ao cérebro, causando morte celular.
Entre no Sistema Endócrino
O sistema endócrino é responsável pelas funções hormonais do corpo. Você deve ter sentido o poder dos hormônios influenciando o comportamento durante os maravilhosos anos que chamados de puberdade. Vamos para a cama como um menino ou uma menina; acordamos como um maníaco. Alterações drásticas no equilíbrio dos hormônios podem geralmente ter efeitos drásticos em nosso comportamento. Também ocorre até nas menores mudanças, como, por exemplo, as flutuações do ciclo menstrual.
Glândulas específicas em todo o corpo produzem hormônios que influenciam o nosso comportamento e funções do corpo. Os ovários e os testículos influenciam muito o comportamento sexual. Os hormônios sexuais podem influenciar quando e a rapidez com a qual uma criança entra na puberdade, por exemplo. Os hormônios produzidos pela glândula suprarrenal influenciam o comportamento agressivo. A glândula pituitária desempenha um papel em nossos níveis de estresse.
Psicofarmacologia Superkalafragalista
O uso de medicações no tratamento da doença mental ganhou destaque nos últimos 50 anos ou mais. Centenas de drogas foram desenvolvidas para o uso
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em sintomas específicos de uma determinada desordem mental com melhora de sua expressão, alívio do sofrimento e melhora no funcionamento geral como objetivos primários da farmacologia.
Muitos sistemas do cérebro envolvidos nos sintomas de doença mental envolvem um determinado neurotransmissor. As dificuldades para dormir e distúrbios do apetite geralmente vistos na desordem depressiva maior são considerados como relacionados ao sistema límbico, por exemplo. As drogas usadas para o tratamento da doença mental são designadas para afetarem o funcionamento dos neurotransmissores nessa região do cérebro. Para esses sintomas em particular, a serotonina do neurotransmissor é visada.
Teoricamente, as diferentes desordens, ou mais especificamente, os diferentes sintomas, implicam em diferentes neurotransmissores. As drogas designadas para tratar esses sintomas são seletivas por seus efeitos no determinado neurotransmissor envolvido.
Aliviando a depressão
As medicações usadas para tratar a depressão são chamadas de antidepressivos. A maioria dos antidepressivos afeta um ou ambos os neurotransmissores: noradrenalina e serotonina. Basicamente, há duas classes diferentes de medicações antidepressivas diferenciadas pelo seu mecanismo de ação.
Os antidepressivos tricíclicos, por exemplo, bloqueiam a reabsorção do neurônio pré-sináptico da maior parte da noradrenalina (ND). Isto permite um “aumento” funcional no nível da ND na sinapse e prolonga a ativação do neurônio pós-sináptico quando estimulado pela ND.
Os inibidores de reabsorção de serotonina seletivos (IRSSs) bloqueiam a reabsorção da serotonina em vez da ND e têm o efeito parecido de prolongar a ativação. Algumas das marcas mais populares de IRSSs são o Prozac, Paxil e Zoloft.
Ouvindo vozes
A experiência de alucinações auditivas ou achar que alguém por aí quer pegá-lo pode ser muito problemática. Estes são os sintomas comuns da desordem mental esquizofrenia. Um dos tratamentos mais poderosos para alguns dos sintomas da esquizofrenia é o uso de medicamentos antipsicóticos.
Os medicamentos antipsicóticos têm um efeito específico na dopamina do neurotransmissor. A hipótese de desordem da dopamina da esquizofrenia acredita que os sintomas da psicose resultam das interrupções na ação da dopamina no cérebro. As medicações antipsicóticas bloqueiam os lugares receptores pós-sináptico da dopamina. Esse bloqueio impede a dopamina de ativar o neurônio pós-sináptico e tem sido julgado como reduzindo muito a presença dos sintomas psicóticos.
Infelizmente, para as medicações antipsicóticas, assim como para todas as medicações, elas não têm efeito apenas nos neurotransmissores nas áreas do
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Capítulo 3: Hardware, Software e Menteware 33
cérebro que, teoricamente, estão implicadas na desordem. Também afetam outras áreas do cérebro e podem levar a efeitos colaterais muito desagradáveis. A experiência desses efeitos colaterais geralmente leva as pessoas a pararem de tomar o seu medicamento, o que pode ter graves consequências negativas. Esta situação mantém os cientistas buscando drogas mais seletivas.
Relaxando
As desordens da ansiedade são as mais comuns nos Estados Unidos. Milhões de pessoas sofrem de uma preocupação intolerável, ataques de pânico e fobias que incapacitam. A boa notícia é que os medicamentos podem ajudar nesses sintomas.
As medicações ansiolíticas são drogas designadas a aliviar os sintomas das desordens da ansiedade. Os psiquiatras e os médicos de família prescrevem uma classe de ansiolíticos, benzodiazepinas, com bastante frequência. As benzodiazepinas afetam o neurotransmissor GABA, que tem um efeito de supressão no sistema nervoso central. Em outras palavras, reduz a velocidade das coisas no cérebro.
As benzodiazepinas são muito eficientes ao reduzirem a ansiedade. Infelizmente, elas também são altamente viciantes. Elas têm um efeito quase imediato e geralmente produzem sedação e uma sensação de calma geral. Essas sensações são altamente agradáveis e os pacientes, algumas vezes, não querem parar de tomar esses medicamentos mesmo depois de suas desordens de ansiedade terem sido medicadas com sucesso. A Tabela 3-1 dá uma visão geral de algumas medicações prescritas com frequência.
Tabela 3-1: Os principais grupos de medicação
Medicação Problema Exemplo comum
Antidepressivos Depressão Prozac
Desordem do pânico Zoloft
Desordem obsessiva -
compulsiva Paxil
obsessiva
Bulimia
Fobia social
Antiansiedade/Ansiolíticos Insônia Benzodiazepinas
Ansiedade situacional
Desordem generalizada
da ansiedade
Desordem do pânico
continua
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Medicação Problema Exemplo comum
Antipsicótico Esquizofrenia Haldol
Mania Zyprexa
Depressão psicótica
Estabilizadores do humor Mania Lithium
Desordem bipolar Depakote
Estimulantes TDAH Ritalin
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Capítulo 4
Seres Conscientes
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Neste Capítulo
Acendendo a luz
Abrindo caminho para o outro lado
Indo para a cama
Viajando na estrada real
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Talvez, desde o início dos tempos, os seres humanos venham tentando alterar a sua consciência. Para alguns, pode parecer um meio de entrar em contato com uma realidade maior do que a si mesmos. Para outros, pode simplesmente ser um modo de escapar das realidades duras de um lar ruim ou de um trabalho sem sentido. Wallace e Goldstein definiram a consciência como nosso estado atual de percepção de estímulos externo e interno. Um estímulo é qualquer coisa em nosso mundo (um evento, situação ou objeto) que inicializa uma resposta psicológica.
Ser consciente é como ter uma luz em nosso cérebro. Quando a luz está apagada, não temos consciência. A consciência nos permite monitorar a nós mesmos e o nosso ambiente, dando-nos um maior controle sobre nossas ações e comportamentos. Mas, se você ficasse na esquina de uma rua movimentada em uma grande cidade, perceberia que há muita coisa acontecendo à nossa volta em um determinado momento. Apenas temos consciência do que está à nossa volta. A consciência tem seus limites. A quantidade de material em nossa consciência, junto com o conteúdo desse material, define o nível de consciência no qual nos encontramos em determinado momento.
Explorando os Horizontes da Consciência
A consciência é um conceito elusivo. Sabemos que existe, mas é difícil colocar nosso dedo nela. Minha consciência existe em minha voz interna e minha percepção de mim mesmo, meus ambientes e minha experiência. Mas, geralmente, não estou consciente de vários processos mentais, sensações do corpo e coisas que acontecem em minha mente. Por exemplo, geralmente não ouço meu coração batendo quando estou caminhando na rua, mas posso ouvi-lo quando tento. Quando fico consciente de algo sobre o qual estava inconsciente, tenho consciência dele.
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RE-SE
MB
LE
Aviões com rostos; bichinhos com agendas
Acredite se quiser, os desenhos animados mo. A maioria de nós tem muita certeza de das crianças representam um tipo de desafio que as máquinas e as plantas não possuem para nossos conceitos de consciência. Como? consciência, mas e os animais? Conheço Tudo em um desenho animado é um ser cons- muitos donos de animais de estimação que ciente, desde torradeiras até árvores e ani- juram que seu amiguinho tem pensamentos mais. Um de meus desenhos favoritos era profundos próprios. Eles ficam muito chatea-sobre uma família de aviões, papai Avião, ma- dos quando lembro que o pequeno Scruffy é mãe Avião etc. Cada um dos aviões tinha a apenas muitas rotinas e reflexos, agindo sem sua própria e pequena personalidade. A atri- deliberação consciente. “Devo enterrar este buição da consciência humana e feições a osso aqui ou lá perto da garagem?”. objetos não animados é chamada de animis-
Uma das melhores maneiras de considerar a Psicologia da consciência é pensar sobre a ausência de consciência. Uma pessoa em coma está basicamente desconectada do mundo à sua volta. Ela pode estar consciente de sua própria mente e corpo, e pode até saber que está em coma, mas ao que diz respeito aos observadores externos, ela está inconsciente.
Uma vez ouvi que a ideia sobre vampiros e zumbis veio das observações medievais dos corpos mortos. Não sei exatamente por que as pessoas estavam desenterrando os corpos mortos, mas quando desenterravam, achavam que seu cabelo e unhas tinham continuado a crescer. Algumas vezes, os corpos davam um profundo gemido quando alguém os movia. O que estava acontecendo? Cientificamente falando, cabelo e unhas continuam a crescer por um curto período de tempo depois da morte e o som do gemido podia ter sido causado pelo ar restante na cavidade do peito do corpo passando pelas cordas vocais quando o peito era comprimido. Mas os ladrões de sepultura medievais atribuíam vida aos corpos com base nessas observações. Eles atribuíam a causa desses fenômenos à ação consciente e à deliberação da pessoa morta, não aos subprodutos reflexivos da Fisiologia e da Anatomia.
RE-SE
MB
LE A consciência, tão elusiva quanto parece, pode ser especificada pelo menos
de três maneiras:
� Minha experiência subjetiva de minha própria consciência. Alguma
vez você já teve um sonho no qual sabia que estava sonhando?
Realmente, você estava consciente que estava adormecido. Estar
consciente da própria consciência envolve perceber ou estar
consciente de que você está acordado ou adormecido.
� As observações do outro de minhas ações deliberadas. Um dos
recursos mais importantes da consciência é que ela mede o nosso
comportamento. Algumas vezes, agimos com impulso e reflexo; não
pensamos sobre o que estamos fazendo, apenas fazemos. Outras vezes,
há uma etapa de deliberação da consciência, um ato de desejo, antes de
agir. Nesse caso, você está analisando conscientemente o que irá fazer.
Os atos voluntários são um sinal da consciência. Atribuímos
consciência aos atos de deliberação e intenção. Quando alguém faz algo
voluntariamente, supomos que está consciente.
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Capítulo 4: Seres Conscientes 37
� Medida elétrica da atividade elétrica do meu cérebro. A consciência
pode ser observada fisiologicamente, além de comportamentalmente,
através da medida da atividade do cérebro. Diferentes medidas EEG
(eletroencefalograma – uma máquina especial que mede as “ondas
cerebrais” ou a atividade eletrofisiológica do cérebro) da atividade
elétrica no cérebro correspondem aos diferentes níveis da consciência
observável.
Alterando Sua Consciência
As pessoas vêm tentando alterar deliberadamente sua consciência desde o início da história humana. Os seres humanos têm usado a meditação, rituais religiosos, privação do sono e vários outros meios para alterar os níveis da consciência diária.
Stanley Krippner identificou mais de vinte estados de consciência alterada. Um dos estados mais comuns é o sonho (veja a seção “Chegando ao trabalho nu: Sonhos”, posteriormente neste capítulo). Alguns dos estados de consciência alterados mais intrigantes identificados por Krippner são:
Êxtase: Uma intensa sensação de emoção dominadora, experimentada como agradável e positiva. As pessoas relataram que experimentaram êxtase depois do sexo, dança ritualista, rituais religiosos e uso de substâncias psicoativas.
� Estados de meditação: Atividade mental mínima que inclui reduções no
imaginário mental (as imagens “dentro” da sua cabeça) causada pela
meditação, ioga ou até reza.
� Estados de transe: Um estado de alerta, mas muito sugestionável. Um
indivíduo em transe é focado em um único estímulo e fica inconsciente
a tudo mais que acontece à sua volta. As pessoas em transe algumas
vezes relatam que se sentiram “ligadas” ao mundo. Os rituais religiosos,
cantos, hipnose, lavagem cerebral e até música podem induzir aos
estados de transe.
� Devaneio: Pensamento rápido não relacionado ao ambiente atual de
um indivíduo. O devaneio geralmente pode resultar do tédio, privação
de sentidos e privação do sono.
� Consciência expandida: Consciência aumentada que é atípica da
consciência e experiência diária. As pessoas tentam todas as maneiras
de “expandir” sua consciência, desde usar drogas até a privação de
sentidos. Há quatro níveis de consciência expandida.
� De sentidos: Uma experiência alterada do espaço, tempo e outro
fenômeno sensorial.
� Reconhecível-analítica: Uma experiência na qual os indivíduos
desenvolvem ideias e revelações novas sobre si mesmos, o mundo e
seu papel no mundo.
� Simbólica: Identificação com uma figura histórica ou pessoa famosa
acompanhada por símbolos místicos, tais como, ter uma visão de um
crucifixo ou de um anjo.
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� Integral: Uma experiência religiosa e/ou mística geralmente envolvendo
Deus ou algum outro ser sobrenatural ou força. A pessoa geralmente se
sente mesclada com ou ligada ao Universo. Esse estado algumas vezes
tem sido chamado de consciência cósmica. Krippner e outros
especialistas acreditam que poucas pessoas são realmente capazes de
atingir esse nível de consciência.
Ficando em transe na vida consciente
Talvez, um dos métodos mais comuns para alterar a consciência seja o uso de drogas. O uso de drogas é um fenômeno histórico, assim como contemporâneo. Os arqueólogos já encontraram sinais de cocaína em corpos mumificados do antigo Egito. Algumas pessoas afirmam que uma das finalidades de tomar drogas é ter uma percepção extra do conceito da consciência em si. A maioria das pessoas que usou drogas relatou que fez isso para ficar “alta” ou intoxicada.
O estado de estar “alto” realmente representa uma mudança na consciência, talvez indo de um nível de consciência que induz sentimentos negativos a um nível diferente de consciência, onde um indivíduo não mais se sente “mau”. A ideia de que as drogas são um escape parece verdadeira, se você considera que muitas drogas que alteram a mente e o humor criam um “escape” de um estado de consciência para outro.
Nem todas as drogas têm necessariamente um impacto na consciência. Não me recordo da última vez em que me senti “alterado” quando tomei uma aspirina ou um antibiótico. As drogas cujo principal efeito é a alteração da consciência são chamadas de drogas psicoativas. As drogas psicoativas comuns e as substâncias incluem o LSD, PCP, maconha, cocaína, anfetaminas, barbitúricos, ecstasy e álcool.
DO! Embora muitas pessoas aleguem que o uso de drogas com a finalidade de
CU IDA expandir suas consciências seja algo bom, como um profissional de saúde, sou obrigado a avisá-lo dos muitos efeitos negativos do uso e do abuso da
substância psicoativa. Dependência, danos cerebrais, doença mental, sofrimento psicológico e problemas social e legal são consequências comuns do uso de drogas psicoativas. Com isso em mente, aviso contra a consideração do uso de drogas e argumentaria com veemência buscar os estados mais altos de consciência sem o uso de substâncias.
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Capítulo 4: Seres Conscientes 39
A
DIC
Uma elevação natural
Stanley Krippner define um estado alterado de ria explicar por que o LSD parecia ter tal efeito consciência como um estado mental que é profundo na consciência.
psicológico a partir do estado normal, de aler- e respeitado guru. Ram Das perguntou ao guru se ele podia explicar os efeitos do LSD. ta e acordado de um indivíduo. A importância O guru pediu um pouco de LSD e Ram Das sentando uma diferença no funcionamento Um dia, Ram Das encontrou um grande sábio subjetivamente experimentado como repre-
por Baba Ram Das em seu livro Das já tinha visto um ser humano usar, mas Be Here Now ele pareceu não ser afetado em nada! Ele não (Fique aqui agora) (Crown Publishing Group). teve uma “viagem ácida”. Não houve nenhu-pode ser ilustrada por uma história contada concordou. O guru usou mais LSD do que Ram da diferença experimentada subjetivamente
Harvard nos anos 60, onde ele e Timothy Leary ência – ele não teve um estado alterado de consciência quando usou o LSD. Isso signifi-fizeram experimentos com LSD. Eles conse-ca que o guru já estava em um tipo de “via-Alpert. Alpert foi professor de Psicologia em ma mudança em seu estado atual de consci-O nome original de Baba Ram Das era Richard
jou para a Índia para buscar o caminho da gem da realidade” ou “LSD espiritual?”. quentemente foram despedidos. Ram Das via-sabedoria hindu e descobrir se alguém pode-
Seus olhos estão ficando muito pesados...
Feche seus olhos e relaxe. Você está muuuuito relaxado. Sua respiração está lenta. Você está começando a sentir sono. Você está muuuuito relaxado.
Bem, funcionou? Olá? Você está sob meu encanto hipnótico? Provavelmente, não. Nem mesmo sou treinado em hipnose. É uma habilidade especial e nem todos os terapeutas ou psicólogos são treinados para tanto. A hipnose é um procedimento no qual uma pessoa chamada hipnotizador sugere a alguém mudanças nas sensações, sentimentos, pensamentos ou comportamentos. Alguns psicólogos acham que a hipnose é simplesmente um aumento no sugestionamento que permite o hipnotizador “controlar” o comportamento da pessoa. Outros psicólogos propõem que a hipnose seja realmente um estado alterado de consciência no qual uma pessoa desassocia-se (separa-se) de seu estado normal ou regular de consciência.
A chave para entender o mecanismo da hipnose é a sugestão. Uma sugestão é uma diretiva dada ao sujeito para agir, sentir ou pensar de uma determinada maneira. Um hipnotizador começa o processo com algumas sugestões agradáveis e progride para solicitações mais sofisticadas. Este processo é chamado de indução hipnótica e é considerado um leve transe hipnótico.
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RE-SE
MB
LE
Lembranças falsas?
Quanto a recuperar as lembranças da infân- e que um terapeuta deveria ser muito cuida-cia, um sujeito participando em um estudo de doso ao conduzir esse tipo de trabalho. A Fromm começou a falar espontaneamente o pesquisa mostrou que os pacientes sob hip-idioma esquecido de sua infância sob hipno- nose podem ser facilmente levados a acredi-se. Tem havido centenas, se não milhares, de tar que sofreram abuso quando podem, de declarações de lembranças recuperadas da fato, não ter sofrido. Novamente, a questão infância, inclusive muitas lembranças de abu- da comprovação é difícil. Resumindo, ainda so sexual ou físico. As coisas ficam um pouco não sabemos o bastante sobre os efeitos da delicadas neste ponto. Elizabeth Loftus argu- melhora da memória pelos hipnotizadores mentou veementemente que tais lembranças para fornecer uma resposta definitiva. eram questionáveis na melhor das hipóteses
A hipnose tem sido usada para muitas finalidades diferentes, variando desde o entretenimento até a ajudar as pessoas a pararem de fumar. As aplicações mais controversas da hipnose envolvem regressão à vida passada e a recuperação de lembranças reprimidas. Há pouca evidência científica apoiando a legitimidade da regressão a vidas passadas através da hipnose. Realmente é impossível provar. Por quê? Qualquer coisa que alguém relate pode apenas ser verificado através de registros históricos e se eu puder pesquisar a verificação, o indivíduo em questão pode ter consultado para falsificar uma regressão.
Tendo alguns zzzzs
O sono representa uma mudança na consciência. Quando estamos adormecidos, estamos inconscientes. O sono é caracterizado por uma mudança em nossa atividade eletrofisiológica – nossa atividade de “onda cerebral”. O sono, como um nível da consciência, pode ser diferençado dos outros níveis de consciência medindo essa energia eletrofisiológica do cérebro com um EEG. Quando estamos acordados e em alerta, nossos cérebros emitem uma onda com uma frequência de 13 a 30 hertz (Hz), chamada de atividade beta. Quando estamos acordados, mas relaxados, apenas ativos, nossos cérebros mostram uma atividade alfa – uma frequência de 8 a 12 Hz.
Carlson distinguiu quatro estágios de sono com um subestágio, que é caracterizado pela atividade cerebral que se esperaria de um cérebro acordado e em alerta.
� Estágio 1: Quando um dorminhoco em potencial fecha seus olhos e
começa a relaxar, entrando no modo adormecido, suas ondas
cerebrais estão em uma frequência alfa. Quando ele entra mais
profundamente no Estágio 1, suas ondas cerebrais ficam menos
regulares e têm uma amplitude mais alta. Esta é a atividade teta, 3,5 a
7,5 Hz. Carlson identifica esse estágio como um período de transição
entre estar acordado e adormecido, e ele dura aproximadamente dez
minutos.
No caso de você estar pensando por que as ondas de amplitude mais
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Capítulo 4: Seres Conscientes 41
A altas estão associadas às medidas hertz menores, é porque hertz é uma
DIC medida de frequência. A amplitude é uma medida da altura da onda. Se
uma onda for realmente alta, ela levará mais tempo para chegar a algum
lugar e, assim, tem uma frequência mais baixa.
� Estágio 2: Durante o sono do Estágio 2, a atividade da onda cerebral é
irregular e contém picos de ondas EEG com amplitude muito baixa,
chamadas de K complexos. Há também explosões curtas de ondas de 12
a 14 Hz, chamadas de fusos. Estamos profundamente adormecidos neste
estágio, mas podemos achar que realmente não estamos dormindo.
Minha esposa me acorda enquanto estou dormindo na frente da
televisão sempre para me dizer que estou roncando, mas sempre lhe
digo que eu não estava dormindo. Devo ter roncado enquanto estava
acordado. Não sei o que é pior – roncar enquanto adormecido ou
acordado.
� Estágio 3: No Estágio 3, emitimos ondas de alta amplitude (3,5 Hz), que
são um sinal EEG da atividade delta. Passamos cerca de uma hora e
meia no Estágio 3.
� Estágio 4: Este estágio é sinalizado pela presença de mais ondas teta
interrompendo as ondas suaves do delta. Durante o Estágio 4, nossos
olhos começam a se mover muito rapidamente, o que é chamado de
movimento rápido dos olhos (MRO). Agora, estamos no sono MRO,
caracterizado pela presença da atividade beta. O sono MRO é o
subestágio no qual o cérebro está ativo, mas estamos adormecidos.
Sonhamos durante o sono MRO. Depois de atingirmos o sono MRO,
cerca de uma hora e meia no processo inteiro do sono, o resto da noite
é caracterizado por períodos alternados de sono MRO e não MRO (a
atividade vista nos Estágios 1, 2 e 3).
Por que dormimos? Não sei necessariamente por que as outras pessoas dormem, mas eu geralmente durmo porque estou cansado. Na maior parte, os pesquisadores ainda não sabem por que dormimos, mas alguns acreditam que o sono tem uma função restauradora. A pesquisa que vê os efeitos da falta de sono ou privação do sono sugere que entramos no sono para que nosso corpo possa restaurar o que foi perdido ou danificado durante nossas horas acordados.
Chegando ao Trabalho Nu: Sonhos
Sigmund Freud recebeu o crédito ao dizer que os sonhos são a “estrada real para nossa inconsciência”. Acho que se você perguntasse à maioria das pessoas, elas diriam que acreditam que os sonhos têm importância simbólica ou profética. Os sonhos representam outro estado alterado da consciência.
Com base na teoria restauradora do sono (veja a seção “Tendo alguns zzzzs”, anteriormente neste capítulo), os sonhos são o subproduto da reorganização cerebral e do armazenamento das informações reunidas durante um dia acordado. Esta explicação realmente permite a possibilidade dos sonhos poderem ser interpretados porque eles se relacionam aos eventos reais e às
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situações; portanto, podem ter significado.
Os psicanalistas provavelmente nos deram a visão mais completa da importância psicológica dos sonhos e de sonhar. Freud e outros psicanalistas chegaram a um ponto: os sonhos têm significados mais profundos do que sugere o conteúdo de sua superfície. Se eu tiver um sonho sobre ter um carro novo, significa mais do que simplesmente que quero um carro novo. Poderia significar muitas coisas, mas o significado é algo único para minha composição psicológica, algo idiossincrático. O carro pode representar um desejo reprimido de ser livre e o carro é um símbolo de movimento.
Os psicanalistas acreditam que o conteúdo e os processos de nossos sonhos
RE-SE representam os conflitos profundos e inconscientes, desejos e questões. Os
MB sonhos são difíceis de decifrar; geralmente, eles são complicados e não fazem
LE muito sentido. No livro A interpretação dos sonhos, Freud afirma que os
sonhos geralmente representam nossas tentativas de satisfazer os desejos dos quais não temos consciência. Através da técnica de interpretação do sonho, um psicanalista ajuda um paciente a chegar ao fundo do significado de seus sonhos.
Novamente, como muitos outros tópicos neste capítulo, o “verdadeiro” significado de um sonho é extremamente difícil, se não impossível, de descobrir. Os sonhos e seus significados são fenômenos muito pessoais e subjetivos. Mesmo que os sonhos e seus significados simbólicos sejam difíceis de analisar cientificamente, não se deve afastar a crença de ninguém de que seus sonhos têm algum significado mais profundo. O processo de descobrir o significado dos sonhos na terapia, sendo realmente correto ou não, pode ser uma experiência excitante e geralmente útil.
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Capítulo 5
Vá em Frente, Seja
um Pouco Sensível
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Neste Capítulo
Sentindo o mundo
Vendo as coisas um pouco mais claramente
Sentindo o calor
Construindo suas percepções
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Ver é acreditar! Não tenho ideia de onde essa frase veio, mas nos diz algo importante sobre nós mesmos. Temos facilidade para entender ou compreender as coisas que podemos ver, tocar, ouvir, etc. Por que nem todos acreditam em fantasmas, OVNIs ou outras coisas que a maioria das pessoas não experimentou? Este é precisamente o ponto e a maioria das pessoas não experimentou esses fenômenos com seus próprios sentidos, portanto, não acreditam neles. Como sabemos se algo faz parte do mundo no qual vivemos ou não e se é real?
Um ramo da Filosofia, conhecido como ontologia, lida com a pergunta: “O que é real?”. Os psicólogos também pesquisaram a resposta para essa pergunta seguindo sua própria filosofia conhecida como materialismo, a crença de que tudo no mundo é feito de matéria, de material. Antes de eu começar a entrar demais no caminho filosófico e colocá-lo para dormir, deixe-me dizer por que este tema é importante em um livro sobre Psicologia.
Como você pode ver olhando o índice remissivo deste livro, o assunto da Psicologia é composto por várias áreas diferentes de estudo que apontam para as perguntas fundamentais de por que e como nós humanos fazemos o que fazemos. Este capítulo é sobre o porquê e o motivo de algo que todos fazemos: sentido e percepção do mundo à nossa volta. São tão óbvios quanto o nariz em nossos rostos, mas geralmente não percebemos a importância de nossos sentidos para nós. Vemos, ouvimos, provamos, tocamos, sentimos, etc. A Psicologia, como o estudo do comportamento e dos processos mentais, inclui dar uma olhada em como nossos sentidos realmente funcionam.
Não somos apenas pequenos cérebros flutuando dentro de um corpo sem contato com o mundo externo. É bem o contrário; geralmente, estamos em
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total contato com o mundo à nossa volta, absorvendo as informações que o mundo nos fornece, processando-as e usando essas informações para navegar pelo vasto oceano de possibilidades. Portanto, por que compreender o materialismo é importante? Porque o modo como realmente mantemos contato com essas informações é através de materiais físicos nos quais ela consiste.
A sensação é o processo básico de receber energia/informação bruta a partir de nosso ambiente. A percepção é o processo de organizar e entender essa energia bruta. Nas seções a seguir, veremos mais de perto os modos como entendemos e percebemos nosso mundo.
Blocos de Construção: Nossos Sentidos
Os físicos e os químicos salientaram há algum tempo que o nosso mundo é composto de coisas materiais: partículas, átomos, moléculas e várias formas de energia. Basicamente, o Universo é uma grande bola de energia. Tudo consiste em uma determinada configuração de energia. Uma definição útil de sensação é o processo pelo qual adquirimos mentalmente informações sobre o mundo através da recepção de várias formas de energia.
As formas de energia no mundo que os humanos estão comumente em contato são a luz (energia eletromagnética), som (energia acústica ou ondas sonoras), calor (energia termal), pressão (energia mecânica ou física) e energia química. Alguns organismos estão em contato com os mesmos tipos de energia dos humanos, mas são sensíveis às diferentes faixas deles. Os tubarões podem sentir o cheiro de partículas químicas (de sangue, por exemplo) em quantidades bem menores do que podemos e os cães podem ouvir frequências muito mais altas de sons.
LE MB Para cada forma de energia que sentimos, um sistema orgânico específico ou RE-SE
“dispositivo” é usado para recebê-la. Os humanos têm cinco sentidos básicos, cada um receptivo a uma forma específica de energia:
� Visão: Recebe a energia da luz.
� Audição: Recebe energia sonora ou ondas sonoras.
� Tato: Recebe energia mecânica.
� Olfato: Recebe energia química transportada pelo ar.
� Paladar: Recebe energia química.
O processo de sentir
Quando a luz viaja de uma lâmpada ou as ondas sonoras viajam de um alto-falante de rádio, nossos dispositivos sensoriais, ou estruturas acessórias, os interceptam. Nossos olhos, orelhas, peles, narizes e bocas são chamados de estruturas acessórias porque nos fornecem “acesso” ao nosso ambiente. Depois da energia atingir nossas estruturas sensoriais, tem que entrar em nosso cérebro de algum modo. Não temos luz, ondas sonoras e ondas de
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Capítulo 5: Vá em Frente, Seja um Pouco Sensível 45
calor saltitando dentro de nossas cabeças. Bem, pelo menos eu não. Portanto, como elas entram?
Primeiro, tenha em mente que nossos cérebros usam sua própria forma de energia. No Capítulo 3, analiso o tipo específico de energia em nossos cérebros, chamada energia eletroquímica. Essa energia é como os nossos neurônios se comunicam e operam. Portanto, para que os nossos cérebros entendam as várias formas de energia que nossos órgãos do sentido recebem, cada forma de energia tem que passar por um processo de transformação chamado transdução, que a transforma em energia eletroquímica ou neural.
A presença dos tipos específicos de células, receptores, em cada sistema sensorial torna possível a transdução. Cada sistema sensorial tem seu próprio tipo de célula receptora. Depois das células receptoras fazerem a transdução ou conversão da energia ambiental, um sinal neural viaja em um nervo sensorial, levando a informação para a parte do cérebro que está envolvida no processamento e na análise da informação.
A música que ouvimos ou as vozes humanas têm apenas um tom? A luz que vemos tem apenas uma cor? Naturalmente que não! Cada uma dessas experiências sensoriais ou estímulo é composta de um conjunto completo de comprimentos de onda de luz, frequências de som, intensidades de cheiros e gostos, etc. No entanto, não se preocupe, nossos sistemas sensoriais estão atentos a seu trabalho. Através do processo de codificação e representação, nossos cérebros são capazes de capturar a complexidade dos estímulos ambientais que encontramos.
A complexidade de um estímulo é capturada pela tradução de seus diferentes recursos em um padrão específico de atividade neural. A teoria das energias do nervo específicas afirma que cada sistema sensorial fornece informações para apenas um sentido, não importando como os nervos são estimulados. Em outras palavras, há partes específicas do cérebro que sempre irão rotular o estímulo recebido como luz ou som.
Os psicólogos têm trabalhado com neurocirurgiões para conduzir experimentos com pacientes que, por outras razões, precisavam de ter parte de seus crânios removidos, expondo seus cérebros. Então, eles pegavam um eletrodo e aplicavam em partes específicas desses cérebros expostos um pequeno choque de eletricidade. Quando eles aplicavam esse choque, algo estranho acontecia. As pessoas no experimento diziam: “Posso ouvir galinhas cacarejando”. Se eles aplicassem na parte do cérebro que envolvia o paladar, a pessoa podia dizer: “Posso sentir o gosto de sopa de tomate. Mmm, é bom!”. Como isto é possível? Quando uma determinada parte do cérebro é estimulada, ele pensa que está recebendo informações de som ou de sabor do órgão do sentido, mesmo que não esteja. Portanto, os sistemas sensoriais específicos estão conectados a regiões específicas do cérebro permitindo-lhe saber a diferença entre ouvir um som e ver uma luz.
Diferentes aspectos de um estímulo são codificados no cérebro dependendo de quais neurônios são ativados e o padrão de ativação do neurônio. Se os neurônios no sistema visual forem ativados, o cérebro sentirá a luz. Se o padrão da ativação neural diferir, o cérebro sentirá diferentes comprimentos de onda ou intensidades de luz, tal como a luz do sol versus a luz de vela. O final da trilha sensorial leva a uma representação neural da sensação em uma região específica do cérebro, onde finalmente ouvimos a música e vemos as cores.
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Visão
A visão é um dos sentidos mais importantes que temos. Embora os outros sentidos sejam também importantes, nossa habilidade de ver é extremamente crítica para nos relacionarmos em nosso mundo. Nesta seção, registro uma pequena jornada – a jornada que a luz faz pelo olho e entra no cérebro, completando nossa sensação de luz.
Nossa jornada começa com a radiação eletromagnética, mais comumente conhecida como luz. A luz visível ocupa comprimentos de onda entre 400 e 750 nanômetros. Lembro-me da aula de Física que a luz viaja em ondas. A intensidade da luz é calculada medindo o tamanho das ondas e sua frequência é medida pela quantidade de picos que uma onda passa em um determinado ponto dentro de um período de tempo específico. O comprimento da onda é importante porque diferentes comprimentos de onda nos permite experimentar cores diferentes.
1. A luz entra em nosso olho através da córnea.
2. A luz passa pela pupila.
3. O cristalino foca a luz na retina.
4. A energia da luz é convertida em energia neural – transdução da luz.
Para entender o processo de transdução da luz, é necessário ver de perto a retina. A retina está localizada na linha de trás do globo ocular e contém algumas células especiais chamadas fotorreceptores, que são responsáveis pela transdução. Essas células contêm substâncias químicas chamadas fotopigmentos, que são divididos quando os fótons de luz, que viajam na onda de luz, fazem contato com elas. Esse acontecimento inicia uma reação química que informa à célula para fazer um sinal para o nervo ótico. Então, o sinal viaja até o córtex visual do cérebro, a parte do cérebro responsável por analisar os estímulos visuais.
Sinestesia
Algumas pessoas afirmam ouvir a luz e ver os duto de alguma conexão cruzada do cérebro. sons. Outras pessoas dizem que podem sentir Baron-Cohen tinham a hipótese de que isto é as cores, sinestesia é o nome de uma habili- possível pela presença de conexões extras dade que certas pessoas têm em sentir uma no cérebro que permitem que outros sistemas (ou mais) forma de energia com um sistema sensoriais separados no cérebro interajam. sensorial diferente do geralmente usado. Seja qual for a causa, parece bem legal! Eu Esse fenômeno é estimado por afetar cerca adoraria ser capaz de ver a música quando de uma em cada 2.000 pessoas. Os cientistas danço porque estou certo de que não posso suspeitam que esta experiência seja um pro- senti-la!
Assim, a luz é transformada em energia neural ao quebrar literalmente as substâncias químicas na retina, que, então, tem o efeito de fazer que um sinal neural ocorra. Em seguida, tenho que apresentar uma importante
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“peculiaridade” neste processo inteiro. São dois tipos de fotorreceptores: bastonetes e cones.
� Os bastonetes contêm uma substância química, chamada rodopsina,
que é muito sensível à luz. Esta reação química reage à luz com uma
intensidade muito baixa e ajuda em nossa visão periférica.
� Os cones contêm uma substância química diferente, chamada
iodopsina, que responde aos diferentes comprimentos de onda de luz e
está envolvida na visão da cor.
Vendo as cores
Algumas pessoas são daltônicas para determinadas tonalidades de azul, verde e vermelho. Essa condição significa que elas têm dificuldades para sentir os comprimentos específicos de onda de luz associados a essas cores. Elas não têm um fotopigmento que é sensível a esses comprimentos de onda. Felizmente, a maioria de nós não é daltônica. Conseguimos ver o mundo em toda a sua glória colorida.
Existem duas teorias básicas de visão da cor: a teoria tricromática e a teoria do processo oposto:
� A teoria tricromática é realmente básica. A ideia é que a retina contém
três tipos diferentes de cones (fotorreceptores), com cada um
respondendo aos diferentes comprimentos de onda de luz, que
fornecem nossa experiência para as diferentes cores. Os cones com
comprimento de onda curto respondem à luz em torno de 440
nanômetros, ou a luz azul. Os cones com comprimento de onda médio
respondem à luz em torno de 530 nanômetros, ou a luz verde. Os cones
com comprimento de onda longo respondem à luz em torno de 560
nanômetros, ou a luz vermelha. Quando cada sistema de cores é
parcialmente ativado, vemos variações dessas três cores básicas que
nos fornecem cores, tais como, a água-marinha e o laranja. Mas, a ideia
principal é que a nossa experiência de todas as cores se origine a partir
dessas três entradas básicas de cone.
� A teoria do processo oposto da visão de cores afirma que o cérebro
contém diferentes tipos de neurônios que respondem de modo
diferente a diferentes cores. A ideia é que essas células serão mais
descarregadas – em comparação com seu nível de estímulo da linha de
base ou segundo plano – quando estimuladas por um tipo de luz, e
serão menos descarregadas quando estimuladas por outro. Se eu
estiver vendo o vermelho, as células vermelhas especializadas
aumentarão sua taxa de estímulo. Quando estiver vendo o verde, essas
células vermelhas diminuirão sua taxa de estímulo, enquanto a taxa das
células verdes aumenta. Há também outros “conjuntos de células” para
o amarelo e o azul.
Essa teoria explica algo chamado de imagens com efeito negativo
pós-imagem em seu “olho da mente”, que são cores diferentes da
imagem real. O exemplo mais popular usa uma bandeira dos Estados
Unidos que é colorida com preto onde estão as estrelas brancas, com
verde onde estão as faixas vermelhas e com amarelo onde está o
fundo azul. Depois de ver a imagem por um período de tempo, uma
pessoa pode fechar seus olhos e ver a bandeira com suas cores reais.
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Isto ocorre porque as células sendo estimuladas pelas luzes preta,
verde e amarela agora estão se recuperando a partir desse estímulo e
estão “vendo” luzes branca, vermelha e azul. Experimente. Olhe
fixamente um quadrado amarelo de 1 x 1 por cerca de 30 segundos e,
então, veja uma folha de papel em branco. Você deverá ver um
quadrado azul.
Calculando distâncias
Como podemos dizer a que distância algo está de nós simplesmente olhando? Algumas pessoas são boas em distâncias calculadas somente olhando. Pessoalmente, preciso de uma fita métrica, régua, medida do agrimensor e um satélite de posicionamento global para calcular as distâncias. A profundidade e a distância são calculadas por nossos sistemas visuais usando duas entradas: dicas monoculares e dicas binoculares.
� As dicas monoculares são simples: sabemos que algumas coisas são
maiores que outras. Os cães são maiores que os ratos. Os carros são
maiores que os cães. As casas são maiores que os carros. Como
sabemos essas coisas a partir da experiência, sempre que vemos a
imagem de um rato em nossa retina que é maior que a imagem do cão
na mesma cena, sabemos que o rato está mais próximo de nós que o
cão. A regra é que as coisas que lançam imagens maiores em nossas
retinas devem estar mais próximas. Os artistas usam essa regra sempre
quando querem representar uma cena tridimensional em uma tela
bidimensional.
� As dicas binoculares são interessantes e também um pouco estranhas.
Lembra do ciclope dos filmes de Sinbad? Ele tinha apenas um olho, e de
acordo com as regras da visão binocular, ele teria problemas para
calcular as distâncias. As dicas da distância binocular dependem de ter
dois olhos para fornecer informações ao cérebro.
� Convergência é uma das dicas binoculares que se refere às
informações fornecidas pelos músculos dos olhos ao cérebro para ajudar a calcular as distâncias. Quando seus olhos estão
apontando para dentro, em direção ao nariz, o cérebro sabe que você está olhado para algo perto de você. Quando seus olhos estão apontando para fora, o cérebro sabe que você está vendo um objeto que está distante.
O VO � LUNTÁRIA A visão estereoscópica é o segundo tipo de dica binocular.
ÇÃ Experimente isto rapidamente. Crie uma moldura com suas mãos IA juntando seus polegares nas pontas e estendendo seus C
SO indicadores para cima, enquanto mantém o resto de seus dedos AS
dobrados. Então, feche um olho e foque em um objeto à sua volta. Enquadre o objeto no meio da moldura. Agora, feche esse olho e abra o outro. O que aconteceu? O objeto deve ter se movido. Isso acontece por causa da visão estereoscópica. Cada um de nossos olhos nos fornece um ângulo um pouco diferente da mesma imagem porque estão separados. Nossos cérebros julgam a distância usando esses ângulos diferentes, calculando a diferença entre as duas imagens.
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Capítulo 5: Vá em Frente, Seja um Pouco Sensível 49
Audição
O som viaja em ondas e é medido por sua amplitude ou tamanho de onda e frequência ou número de ondas por unidade de tempo. Cada um se traduz em uma experiência psicológica: amplitude determina o volume (a banda de roque do meu vizinho) e a frequência fornece a altura ou o tom (o cantor que grita na banda de roque do meu vizinho). As estruturas do ouvido são especificamente designadas a fazerem a transdução ou a conversão da energia de ondas sonoras em energia neural.
Primeiro, um som entra no ouvido como se fosse canalizado pelo pavilhão da orelha. Nosso ouvido enrugado externo é designado como uma “concha acústica”. Quando a onda passa pelo canal do ouvido, finalmente atinge o tímpano ou a membrana timpânica. O tímpano que vibra balança três pequenos ossos (malleus, incus e stapes, as palavras em latim para martelo, bigorna e estribo), que amplificam a vibração.
Depois da onda sonora atingir o ouvido interno, o caracol, ocorre a transdução auditiva. O caracol contém o hardware para o processo de transdução. O caracol é preenchido com fluido e seu fundo é alinhado com a membrana basilar. As células ciliares (geralmente se parecem com pelos) são anexadas à membrana basilar. As ondas sonoras que chegam ao ouvido interno mudam a pressão do fluido dentro do caracol e criam ondas fluidas que movem a membrana basilar. O movimento da membrana basilar faz com que as células ciliares inclinem-se, o que inicia o rolamento da transdução. Quando as células ciliares se inclinam, suas propriedades químicas são alteradas, mudando, dessa forma, sua polaridade elétrica. Conforme analiso no Capítulo 3, quando a polaridade de uma célula é alterada, ela está em uma posição de iniciar e enviar um sinal neural. As ondas sonoras, agora transformadas em energia eletroquímica neural, viajam até o córtex auditivo (a parte do cérebro responsável pela audição) para o processamento de percepção.