Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 5/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

ÇÃ condicionamento clássico por si mesmo. IA

C

SO 1. Reúna algumas pessoas – família, amigos, colegas de trabalho, qualquer

AS um. Pegue alguns pacotes de suco de limão em pó. Isso é realmente

azedo sem açúcar. Dê um pacote a cada participante.

2. Peça às pessoas que você reuniu para colocarem seus dedos na

limonada e lamberem. (Este é o ENC). Peça-lhes para observar se suas

bocas encheram d’água. Elas devem ter enchido. Se não, pegue alguns

babadores melhores.

3. Então, escolha um EC (uma campainha, luz, assobio, qualquer coisa).

Faça o processo de unir a campainha (ou qualquer outro EC escolhido)

com experimentar a limonada (EC -> ENC -> RNC sempre). Depois de 10

a 20 tentativas, realize algumas tentativas onde você apresenta apenas

o EC e pede aos participantes para observarem se suas bocas

encheram d’água. Elas devem ter enchido! Esse é o condicionamento

clássico. Você também pode lidar com a extinção e a recuperação

espontânea se quiser.

Mais um modo de inverter os efeitos do condicionamento clássico vale a pena ser mencionado. Você conduziu o teste da limonada e ensinou com sucesso seus pavlovianos a babarem com o som de uma campainha tocando. Se você quiser inverter o efeito, escolha outro SNC que produza alguma outra resposta (RNC) e condicione classicamente a campainha (EC) ao novo ENC. Este processo é chamado de contracondicionamento.

O contracondicionamento funcionará especialmente bem se o novo ENC produzir uma resposta que seja incompatível com a antiga RC. Se a antiga RC foi uma boca cheia d’água, talvez você possa pegar um novo ENC que produza uma boca seca. Não sei o quê – talvez, comer areia. Garanto que se você condicionar classicamente a campainha a comer areia, a campainha terá muitos problemas, a partir deste momento, para produzir a antiga RC, encher a

 

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boca d’água. A menos, claro, que você inverta o processo todo de novo. Porém, lembre-se de que você precisa dar às pessoas um intervalo de tempos em tempos, e eu não recomendaria a demonstração de comer areia como um jogo de salão.

 

Generalizando e discriminando

Você pode estar pensando: “Grande coisa. Posso ensinar meus cachorros a salivarem com uma campainha, e daí?”. O condicionamento clássico é realmente um fenômeno muito importante em termos de sobrevivência humana. Ajuda-nos a aprender as coisas simplesmente por associação, sem esforço, e isso pode ser muito vantajoso. Depois de termos associado um EC a um ENC a ponto do EC produzir a RC, podemos expandir automaticamente esse aprendizado através de um processo conhecido como generalização.

A generalização ocorre quando respondemos a algo parecido ao EC, o qual irei chamá-lo de EC-2, e uma RC é produzida, mesmo que nunca tenhamos aprendido a associar o EC-2 ao ENC original. Por exemplo, se você aprender a associar certos gestos faciais, como, por exemplo, um resmungo ou um desprezo, à violência final, então, o resmungo ou o desprezo (EC) produzirá medo (RC), apesar de apenas uma mão cerrada ou uma ameaça verbal (ENC) ter provocado medo (RNC) no passado. Então, você pode generalizar a partir do resmungo do EC e ter medo, conectando o contato visual direto e não advertido (EC-2). Essa generalização pode salvar sua pele. A generalização ajuda a nos adaptarmos, pois aplicamos o que aprendemos às novas situações.

Contudo, a generalização pode sair pela culatra. Se, por exemplo, eu fosse atacado por um pit bull preto, então, poderia ficar com medo sempre que visse qualquer tipo de cachorro preto, mesmo um chihuahua. Outro exemplo vem das experiências traumáticas dos veteranos de guerra que sofrem de estresse pós-traumático. Se eles foram expostos a explosões altas e armas de fogo pesadas, e desenvolveram uma forte reação de medo a esses eventos, esses indivíduos poderão reagir igualmente quando ouvirem uma contraexplosão de motor de carro ou algum outro barulho alto. Isso pode tornar a vida bem difícil, considerando que muitas pessoas vivem em áreas urbanas com muitos barulhos altos.

Quando começamos a generalizar com exagero o que aprendemos, nos em um processo conhecido como discriminação. Precisamos saber como discriminar ou dizer a diferença entre os estímulos – entre uma arma de fogo e uma explosão de motor de um carro, por exemplo. A discriminação é aprendida quando um EC-2 (3, 4 etc.) é apresentado bastante vezes sem obter uma resposta. Assim, aprendemos que apenas o EC, e não o EC-2, produzirá necessariamente a RC.

 

Regras de Condicionamento!

Tudo isso parece fácil, não é mesmo? Você associa algumas coisas e uma finalmente começa a fazer o trabalho da outra. Até então, o processo é muito simples, mas algumas regras específicas devem ser obedecidas para impedir que esse procedimento relativamente simples de condicionar acabe tornando-se uma tarefa impossível.

 

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A contiguidade é absolutamente requerida para que o condicionamento clássico ocorra. E se Pavlov tivesse apresentado a campainha (EC) depois de ter apresentado a comida (ENC)? E se ele tivesse apresentado a campainha 15 minutos antes da comida? O EC deve vir antes do ENC para formar a associação.

Cada uma dessas perguntas apresenta um tipo de condicionamento que não é realmente uma técnica de condicionamento muito boa. Se Pavlov apresentasse o ENC antes do EC, um processo conhecido como condicionamento retroativo, os cachorros não teriam feito nenhuma associação ou uma associação extremamente fraca. Se ele apresentasse a campainha bem antes da comida, um processo conhecido como condicionamento do sinal, os cachorros

A novamente teriam formado uma associação fraca, se formassem.

DIC

O melhor modo de assegurar que uma associação forte seja formada é

� Apresentar o EC logo antes do ENC e manter o EC “por perto”, até que o

ENC apareça. Assim, o EC será visto como contínuo ao ENC.

� Conduzir muitas tentativas com o EC e o ENC associados com

frequência. A força da associação é um produto direto da frequência da

correspondência.

� Selecionar um EC forte ou intenso. Uma luz forte condiciona mais

facilmente do que uma indistinta. Uma campainha alta condiciona mais

facilmente que uma fraca. Se você quiser que o seu EC produza a RC,

forneça-lhe alguma energia.

 

Continuando com a Contiguidade

Novamente, não quero levá-lo a pensar, erradamente, que tudo que você tem a fazer é apresentar com frequência um EC antes de um ENC e obterá um condicionamento clássico sem problemas.

RE-SE A regra da contiguidade afirma que se dois estímulos forem contíguos, uma

LEMB associação irá formar-se. Realmente poderia ser simples assim, se não fosse

um aluno de faculdade irritante chamado Robert Rescorla.

Rescorla questionou se a contiguidade era suficiente. Talvez, ele achasse que tudo parecia simples demais. Ele propôs que outra regra fosse adicionada à lista, a regra da contingência. A ideia de Rescorla era que um EC não tem que ser apenas contíguo a um ENC, também tem que ser um indicador preciso do ENC. Se o EC fosse apresentado aleatoriamente (1 minuto, 7 minutos, 2 minutos etc., por exemplo) com o ENC, o EC não seria um indicador muito bom do ENC. O aprendiz (animal ou humano) não ganharia o poder de prever ao experimentar o EC. O EC tem que ser apresentado com o ENC de um modo que o aprendiz possa antecipar, com um bom grau de certeza, que o ENC logo virá.

Adicionar uma outra regra às necessidades do condicionamento clássico é uma bela façanha para um aluno de faculdade. Mas Rescorla não tinha terminado. Posteriormente, ele e outro psicólogo, Allan Wagner, fizeram outra contribuição enorme para a teoria da aprendizagem. O modelo Rescorla-Wagner (1972) simplesmente estabelece que para um EC ser efetivo ao máximo, ele deve ser inesperado. O processo de aprendizagem depende do elemento surpresa. Se esperarmos o ENC sempre que virmos o EC,

 

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Capítulo 8: Os Cachorros de Pavlov 95

aprenderemos a associá-lo devidamente, mas, com o tempo, a força da associação atingirá um máximo. A força aumentará drasticamente no primeiro momento e, então, estabilizará quando a novidade do EC desaparecer e ficar mais “esperável”. Portanto, o poder ou a força de uma associação é uma função da quantidade de surpresa. Quanto mais desconhecido for o ES, mais forte será a associação.

 

Jogando um Osso para Você:

 

Por que Isto Funciona?

Neste ponto, você sabe como realizar o condicionamento clássico e sabe as regras que devem ser seguidas para fazê-lo. (Se não, verifique as seções anteriores neste capítulo.) Certamente, o condicionamento clássico é útil. Podemos aprender sobre o nosso ambiente de forma que nos tornemos mais adaptáveis e capazes. Mas, por que isso funciona? Por que somos capazes de associar os estímulos não relacionados anteriormente entre si?

Pavlov acreditava que a ativação simultânea de duas áreas distintas no cérebro forma associações entre um EC e um ENC. Essa ativação resulta na formação de um novo “caminho” entre os novos centros, um tipo de fio de telefone sendo esticado entre duas casas desconectadas anteriormente. Quando o EC é ativado, o ENC “obtém uma chamada” que é possível através desta nova conexão.

Clark Hull apresentou uma descrição alternativa. Ele achava que a associação formada é, de fato, entre o EC e a RNC, que, então, torna-se a RC. Os cientistas são mais criativos quando descobrem como fazer duas teorias diferentes competirem entre si ao prever o resultado de um experimento. Sua criatividade é necessária para inventar um teste experimental crítico. Holland e Staub começaram a testar essa teoria. Eles condicionaram ratos usando barulho e bolas de comida.

Segundo Pavlov, os ratos aprenderam a associar o barulho à comida. Mas, Holland e Staub opuseram a ideia de Pavlov à de Hull – eles tentaram tornar a comida um ENC pouco atraente. Eles colocaram os ratos em um prato giratório de discos, girando-os para deixá-los com náuseas. Depois de fazer isso por um tempo, eles apresentaram o barulho de novo e os ratos não responderam a ele.

Pavlov achava que a conexão original era entre o barulho e a comida. Mas, Hull previu que desvalorizar o ENC não faria diferença na resposta dos ratos, uma vez que ele achava que a associação crítica formava-se entre o barulho (EC) e o ato de comer (RNC). Contudo, fez uma diferença. A teoria de Hull estabelecia que a associação era entre o barulho e a resposta, comer. Girar os ratos no prato giratório e tornar a comida menos atraente como resultado não deveria ter feito diferença, segundo Hull. Hull estava errado. Deve haver uma conexão em algum lugar entre o EC e o ENC. Não pode ser excluído do circuito.

Portanto, Pavlov é o astro! Não é apenas uma tradição rígida. Realmente tem um valor de previsão. O aprendizado não para aqui. Verifique o Capítulo 9 para ter novas aventuras ao aprender sobre o aprendizado.

 

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Capítulo 9

 

 

Os Gatos de Thorndike e os

 

Ratos de Skinner

 

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Neste Capítulo

 Pegando condicionamento

 Reforçando o comportamento

 Punindo o culpado

 Lutando contra a extinção

 Agendando recompensas

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Os atletas são algumas das pessoas mais supersticiosas que existem e apenas os apostadores podem superá-los nesta categoria. Quando eu jogava beisebol na faculdade, tinha um membro do time, um arremessador, que vestia a mesma camiseta sem lavar enquanto estivesse ganhando. Alguns de nós esperávamos perder para que ele lavasse a sua camiseta. Outros atletas têm amuletos, fazem rituais ou engajam-se em rotinas elaboradas para se manterem vivos por um período ou continuarem ganhando.

Eu tinha algumas superstições. Não podia tirar a sujeira de apenas uma de minhas travas com o meu bastão. Tinha que tirar das duas, mesmo que a outra estivesse limpa. E quando corria no campo, nunca pisava na linha pintada. Os outros jogadores nunca me questionavam sobre minhas superstições, eles tinham seus próprios hábitos estranhos. Quando comecei a estudar Psicologia, comecei a imaginar de onde vinha isso. Onde aprendi que se pisasse na linha pintada teria uma partida ruim? Em algum momento, devo ter pisado na linha e, então, tive uma partida ruim. Vi uma conexão entre o que fiz (pisado na linha) e o que aconteceu comigo (tive uma partida ruim). Fiz uma conexão entre meu comportamento e uma consequência, neste caso, uma consequência negativa. Os psicólogos chamam isso de aprendizagem supersticiosa.

Quando uma conexão real existe entre o que fazemos e uma determinada consequência que se segue, seja ela positiva ou negativa, um tipo específico de aprendizagem ocorre. Aprendemos que quando fazemos A, a ação é seguida por B. Os psicólogos comportamentais ou da aprendizagem consideram toda a aprendizagem um processo de condicionamento, um tipo de aprendizagem na qual uma associação entre os eventos é feita.

 

psicologia01.indd 97 22/02/2011 16:35:38 98 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem

No Capítulo 8, apresento o condicionamento clássico, um tipo de aprendizagem na qual dois eventos ficam associados entre si. Neste capítulo, analiso o condicionamento operante, a aprendizagem na qual um evento importante segue necessariamente uma resposta específica. Eu sei, eu sei – isso parece jargão. Tente pensar sobre isso da seguinte forma:

RE-SE Todo mês sou pago pelo meu trabalho. Sou pago apenas para me sentar e

LE MB ocupar espaço? Não, sou pago para realizar as tarefas do meu trabalho, para

trabalhar. Faço algo e alguma coisa acontece. Trabalho e sou pago. Eu trabalharia se não fosse pago? Provavelmente não, por duas razões. Primeiro, tenho coisas melhores a fazer com meu tempo do que trabalhar de graça. (Os devedores do meu cartão de crédito não ficariam muito contentes comigo também.) Segundo, de acordo com a teoria do condicionamento operante, trabalho porque sou pago. O “algo” que segue meu comportamento de trabalho é uma recompensa, uma consequência positiva. David Lieberman, em 1993, afirmou que o condicionamento operante tem esse nome porque as respostas operam no ambiente de um modo que produz uma consequência.

O condicionamento operante ocorre à nossa volta, em nossas casas, assim como no local de trabalho. Os pais usam recompensas ou o condicionamento operante para que seus filhos façam seu trabalho de casa. As seguintes seções veem de perto como funciona o condicionamento operante.

 

Abraçando os Gatinhos

 

Sensacionais de Thorndike

A partir da introdução, você pode ver que quando faço algo, alguma coisa acontece. Então, o que acontece? Continuo trabalhando todo mês, de modo que o salário que tenho deve estar tendo um efeito sobre mim. Voltando a 1911, Edward Thorndike criou uma teoria conhecida como lei do efeito, que abordava a ideia de uma consequência tendo um efeito sobre o comportamento.

Thorndike decidiu investigar este fenômeno fazendo uma pesquisa com gatos. Ele construiu uma caixa-problema feita de um caixote de madeira com ripas espaçadas e uma porta que podia ser aberta por um mecanismo especial. Ele colocou um gato faminto dentro da caixa e fechou a porta. Então, colocou um pouco de comida em um prato fora da caixa, o qual o gato podia ver através das ripas do caixote. Parece cruel, não é? O gato tentava pegar a comida através das ripas, mas a comida estava fora do seu alcance. O único modo de o gato pegar a comida era através de Thorndike ou abrindo a porta.

Sabemos que Thorndike não iria abrir a porta; ele estava conduzindo um experimento. O gato tinha que descobrir como abrir a porta sozinho. Não sei quanto a você, mas não vejo muitos gatos por aí abrindo portas. O que ele fez? É um suspense, não é? O que nosso gatinho herói fará? Ele abrirá a porta e se alimentará vorazmente da comida que está além de seu alcance? Ou encontrará a morte nas mãos de um psicólogo perverso? Fique ligado...

De qualquer modo, o gato tinha que descobrir sozinho e Thorndike era um homem paciente. Ele esperou e observou, esperou e observou. O gato andava pela caixa, esticava sua patinha, miava, saltava nas paredes e agia de várias

 

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Capítulo 9: Os Gatos de Thorndike e os Ratos de Skinner 99

maneiras aleatórias dentro da caixa. Mas, então, algo notável aconteceu. O gato, sem querer, alcançou a trava que estava mantendo a porta fechada e ela se abriu milagrosamente! O gato foi comer e todos viveram felizes para sempre.

O que Thorndike aprendeu com o seu pequeno experimento? Nada, ele não tinha acabado ainda. Ele colocou o pobre gato de novo na caixa para agir de novo. Tudo bem, certo? O gato sabia o que fazer – só atingir a trava. Mas quando voltou para a caixa, o gato agiu como se não soubesse que tinha alcançado a trava para abrir a porta. Ele começou a agir da mesma maneira aleatória novamente.

Não tenha medo, nosso gato dedicado finalmente apertou a trava sem querer de novo e foi recompensado mais uma vez tendo acesso à comida. Thorndike continuou realizando esse experimento várias vezes e fez uma observação notável. O tempo que o gato levava para descobrir que a trava era a chave ficou cada vez mais curto com cada experimento subsequente. Por que o gato estava ficando mais rápido? Thorndike sugeriu que a comida ajudava o gato a aprender a associação entre apertar a trava e escapar.

Sua lei do efeito estabelece: “Das várias respostas dadas na mesma situação, aquelas que são acompanhadas ou seguidas de perto pela satisfação do animal serão, com outras coisas sendo iguais, mais firmemente conectadas à situação, de modo que, quando ela (a satisfação) ocorrer, elas (as respostas) muito provavelmente retornarão... Quanto maior a satisfação... maior a força... da ligação”. Basicamente, a consequência de conseguir comida serviu como uma recompensa para aprender a abrir a caixa. O comportamento de abertura da caixa era como o meu serviço e a comida era como o meu salário.

Voltando à minha pergunta original sobre o fato de meu salário ter um efeito sobre mim ou não – eu continuo trabalhando, exatamente como os gatos de Thorndike continuam abrindo a caixa para conseguirem comida. Portanto, a consequência de minha ação realmente me leva a realizar essa ação de novo.

 

Conduzindo os Ratos com Reforços

Quando uma consequência de uma ação ou evento aumenta a probabilidade de que o evento ou a ação ocorra de novo, chamamos essa consequência de reforço. É como uma recompensa e sabemos que quando somos recompensados, geralmente fazemos aquilo para o qual recebemos a recompensa de novo. O condicionamento operante é sobre os efeitos que os reforços têm no comportamento.

B. F. Skinner, um dos psicólogos comportamentais mais famosos, seguiu os passos de Thorndike ao usar animais para investigar o condicionamento operante. Ele construiu uma caixa com uma alavanca dentro, chamada caixa Skinner. Quando um animal pressionava a alavanca, uma bolinha de comida caía de um alimentador dentro da caixa. Skinner queria ver se os ratos colocados na caixa podiam aprender a pressionar a alavanca para receber comida.

Esta tarefa era muito mais difícil do que se pode pensar. Os ratos não estão acostumados a pressionar alavancas para conseguirem comida. Skinner teve que facilitar um pouco o processo com um procedimento conhecido como modelagem, recompensando as aproximações bem-sucedidas do objetivo.

 

psicologia01.indd 99 22/02/2011 16:35:38 100 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem

Skinner recompensava os ratos com comida por realizarem um comportamento que estava próximo, mas não exatamente, da resposta requerida. A modelagem foi feita gradualmente para que os ratos finalmente atingissem o ponto onde pressionassem a barra e recebessem seus reforços de comida. Depois dos ratos entenderem, eles aprenderam a pressionar a barra para terem comida, do mesmo modo que os gatos de Thorndike aprenderam a abrir a porta. A ideia por trás das ações era a mesma também. Os ratos aprenderam porque a recompensa da comida “ensinou-lhes” a pressionar a barra.

Os gatos de Thorndike e os ratos de Skinner aprenderam porque foram recompensados com comida. A comida é uma recompensa poderosa para os animais, mas é apenas um tipo de reforço. Qualquer coisa que aumenta a probabilidade de que um comportamento ocorra de novo pode ser usada como uma recompensa ou um reforço. Poderia ser comida, dinheiro, recesso ou férias.

 

Tipos de reforços

Existem dois tipos básicos de reforço:

� Reforço positivo é o uso de qualquer reforço que aumente a

probabilidade de que um comportamento ocorrerá de novo.

� Reforço negativo ocorre quando a remoção dos estímulos nocivos leva

a uma probabilidade aumentada de que um comportamento ocorrerá

de novo.

Novamente, a ideia básica do condicionamento operante é que os comportamentos que são reforçados (positiva ou negativamente) têm mais probabilidade de ocorrer de novo. Mas isso é verdadeiro para todos os reforços? Todos os reforços criados são iguais? Se Skinner desse aos ratos cinco dólares sempre que eles pressionassem a alavanca, eles ainda teriam aprendido a resposta? Provavelmente não. Existem diferenças entre os reforços e elas determinam o impacto que os reforços têm nas respostas.

RE-SE Nem todas as consequências são recompensadoras ou reforçam.

MB

LE Dois tipos de reforços positivos são eficazes:

� Reforços primários são recompensas que não requerem modelagem ou

treinamento prévio para serem eficazes. A comida ou sensações físicas

de prazer podem ser exemplos. David Premack, em 1971, propôs a ideia

interessante de que os reforços primários podem ser identificados

vendo o que as pessoas mais fazem com o seu tempo. Se elas passam

muito tempo vendo televisão, andando de bicicleta ou dormindo, essas

atividades podem ser consideradas reforços primários. Seu princípio

Premack estabelece que as respostas de alta probabilidade podem ser

usadas para reforçar as respostas com probabilidade inferior. É como

usar sorvete para fazer seu filho comer seus legumes. Se eles quiserem

sorvete (resposta com alta probabilidade), comerão seus legumes

(resposta com baixa probabilidade).

� Reforços secundários são coisas que se tornam reforços através da

experiência e da aprendizagem. Este resultado acontece associando o

 

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Capítulo 9: Os Gatos de Thorndike e os Ratos de Skinner 101

� reforço secundário a um reforço primário, usando os mesmos princípios

do condicionamento clássico (veja o Capítulo 8). Os treinadores de

golfinhos apitam quando recompensam os golfinhos com peixe. Com o

tempo, os golfinhos associam o apito à comida e o apito é o reforço por

si só. No entanto, segundo David Lieberman, algumas pessoas

questionam que o apito é apenas um sinal e não um substituto da

comida. A pesquisa ainda não é conclusiva sobre este assunto.

Depois de entender o que alguém ou algo considera como reforço, podemos começar a influenciar seu comportamento recompensando-o pelo desempenho das devidas respostas. Por exemplo, considere um gerente de escritório que está tendo problemas para fazer com que seus funcionários voltem do almoço na hora certa. O que ele pode fazer? Primeiro, ele tem que descobrir qual é o reforço deste grupo ou de cada indivíduo. Então, tem que começar a recompensar qualquer pessoa que realize o comportamento desejado, voltando do almoço na hora. Ele poderia dar-lhes pequenos presentes, dinheiro ou adesivos com uma carinha sorridente.

Volte ao reforço negativo por um segundo. Ele confunde muitas pessoas. Como pode a retirada ou a remoção de um estímulo nocivo aumentar a probabilidade de um comportamento? Alguma vez você já teve um novo bichinho de estimação em sua casa ou apartamento que não parava de choramingar enquanto você estava tentando dormir? Se você o manteve em outro cômodo ou na garagem, provavelmente levantou e saiu para ver qual era o problema. O que aconteceu quando foi até o bichinho? Ele parou de chorar. Então, você voltou para a cama e aposto que o choro o acordou dez minutos depois.

O problema é que o seu comportamento está sob controle do reforço negativo. O choro do bichinho é um estímulo nocivo (e chato). Quando você vai para a garagem, o choro para, aumentando a probabilidade de que você continuará indo até a garagem sempre que o bichinho chorar. Você está sendo reforçado negativamente por ir à garagem – sem mencionar que seu bichinho conseguiu um reforço positivo pelo choro! Quem está no controle da situação, o bichinho ou você?

No exemplo do gerente de escritório, se o chefe gritar com os funcionários sempre que eles retornarem tarde do almoço, eles poderão começar a voltar na hora só para tirar o gerente de seus pés. Este é outro exemplo de reforço negativo.

 

Hora do reforço

E se o gerente de escritório esperar até o final do ano na festa de Natal para reforçar os trabalhadores pontuais? Existe a possibilidade de eles já terem esquecido sobre todos os incidentes e aceitarem o presente, sem experimentarem qualquer efeito do reforço.

A pesquisa de G.R. Grice e K.W. Spence mostrou que o reforço deve ocorrer imediatamente ou o mais rapidamente possível, resultando na resposta desejada. Se você esperar demais, a conexão entre a resposta e a consequência do reforço será perdida. Os gatos de Thorndike nunca teriam saído de suas caixas se tivessem recebido um voucher de comida para serem compensados por sua próxima visita à Comida para Gatos Deluxe.

 

psicologia01.indd 101 22/02/2011 16:35:38 102 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem

 

Rato mau! Muito mau!

Os reforços positivos e negativos são consequências que mais provavelmente aumentarão o comportamento. Mas, e a outra consequência, a punição? A punição é qualquer consequência que diminui a probabilidade de uma resposta. Um tipo de punição é a direta – a introdução de algo nocivo ou aversivo. Outro tipo de punição, punição negativa, envolve remover algo do reforço, como tirar a bicicleta de uma criança.

Usamos a punição para influenciar o comportamento das pessoas o tempo todo. O gerente de escritório do exemplo de reforço podia ter simplesmente punido seus funcionários por chegarem atrasados. Os pais punem os filhos. O tribunal pune os criminosos culpados. As empresas de cartão de crédito punem as pessoas por pagamentos atrasados. A punição está à nossa volta.

Sei que muitos de nós usamos a punição. Também sei que as pessoas criticam muito os pais jovens por nunca punirem seus filhos como uma explicação para o comportamento ruim. “O que essa criança precisa é de uma boa surra”. Algumas vezes, os pais modernos refutam com uma afirmativa de que a punição não funciona. Será?

RE-SE

LE A punição, de fato, pode ser um meio muito forte e eficaz para conter um MB

comportamento, mas lembre-se de algumas coisas.

� A punição deve ser a forma menos intensa necessária para produzir a

resposta desejada. Contudo, a punição não deve ser suave demais, pois,

se você tentar aumentá-la gradualmente, o recipiente poderá ficar

acostumado com cada aumento subsequente. A punição intensa é

problemática também. Para a punição ser eficaz por um longo período

de tempo, você deve aumentar sua intensidade.

� Para ser eficaz, a punição tem que ocorrer o mais próximo possível da

resposta sendo punida. Se eu esperar três semanas para punir meus

filhos por quebrarem a lâmpada, eles ficarão totalmente sem pista do

motivo de eu os estar punindo e não terá absolutamente nenhum efeito.

� A punição também deve ser firme, consistente e acompanhada de

explicações claras do motivo da punição estar sendo administrada.

DO! Naturalmente, muitas pessoas ficam desconfortáveis com a ideia de infligir

CU IDA dor ou sofrimento a outra pessoa para alterar o seu comportamento. O uso da punição pode ter algumas consequências negativas.

� O medo pode dar resultado. Quando as pessoas são punidas com

eficiência, elas podem aprender a antecipar uma futura punição e

podem desenvolver uma grave ansiedade enquanto esperam que a

próxima coisa ruim aconteça. Isso pode ter um efeito destruidor em

suas vidas, algumas vezes levando à fuga e à apatia.

� A agressão pode ser outra consequência infeliz da punição. Trabalhei

com cadeias e prisões, e vi homens se tornando mais furiosos, mais

agressivos e até com medo como resultado das condições cruéis que

eles enfrentam quando encarcerados. Quando chega o momento de eles

serem soltos e enfrentarem o mundo de uma maneira regenerada, eles

ficam incapazes e institucionalizados, geralmente incapazes de fazer a

transição para o mundo externo.

 

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Capítulo 9: Os Gatos de Thorndike e os Ratos de Skinner 103

 

Desaparecendo da face do comportamento

O que aconteceria se de repente eu parasse de dar reforço depois do aumento bem-sucedido da ocorrência de um comportamento? O comportamento finalmente cessaria, dependendo da frequência com a qual foi reforçado. Asseguro que se eu parasse de ser pago pelo trabalho, meu comportamento de trabalho cessaria e provavelmente não duraria muito tempo também. Este fenômeno é chamado de extinção, a cessação de um comportamento depois da remoção de um reforço. Exatamente como a punição, a extinção é usada como um método para impedir que um comportamento ocorra de novo. O Capítulo 8 tem mais informações sobre a extinção.

 

Agendando o reforço

Alguma vez você já pensou sobre o motivo das pessoas continuarem voltando a lugares como Las Vegas e Atlantic City o tempo todo para doarem seu dinheiro ao fundo de expansão dos cassinos? O ponto principal do jogo é que o grande vencedor é a casa, o cassino. Mas, as pessoas não conseguem ficar longe. A última vez que estive em Vegas, realmente aproveitei os cassinos e os resorts de vários milhões de dólares. Acho que os apostadores agradecem por isso.

As pessoas continuam voltando por causa de algo chamado programa de reforço, um programa ou uma determinação para quais respostas reforçar e quando reforçá-las. Existem quatro programas diferentes de reforço, cada um com diferentes efeitos na resposta em questão.

� Proporção fixa

� Proporção variável

� Intervalo fixo

� Intervalo variável

Talvez, a forma mais comum de reforço seja chamada de reforço contínuo. Isto envolve reforçar um comportamento sempre que ele ocorre. Sempre que puxo a alavanca da máquina, venço! Sim, está certo, eu quero. O reforço contínuo é bom para a fase de modelagem da aprendizagem ou para o que é chamado de fase de aquisição. Sempre que estou aprendendo um novo comportamento, irei levar um tempo para aprendê-lo. O reforço contínuo ajuda-me a aprender mais rapidamente. O problema com o reforço contínuo, porém, é que ele acaba rapidamente. Se eu sou reforçado sempre que volto a trabalhar na hora depois do almoço, no minuto em que meu chefe parar de me reforçar, irei parar de voltar na hora.

Contudo, a maioria dos reforços em nosso mundo é mais intermitente e esporádica. Naturalmente, não vencemos sempre que puxamos a alavanca na máquina caça-níqueis. B.F. Skinner não projetava caça-níqueis; B.A. Loser, o psicólogo comportamental de cassinos, sim. O reforço em uma base menos frequente é chamado de reforço parcial. Existem dois tipos de programas de reforço parcial, cada um sendo dividido mais detalhadamente pela previsão e pelo caráter aleatório nos quais os reforços ocorrem.

 

psicologia01.indd 103 22/02/2011 16:35:38 104 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem

� O primeiro tipo de reforço parcial é chamado de programa de

proporção. Com um programa de proporção, o reforço é dado apenas

depois de um número específico de respostas terem sido dadas. Se um

pai estava usando esse programa com seus filhos, ele pode apenas dar

uma recompensa para um certo número de notas A que seu filho tira ou

depois de um certo número de vezes em que seu filho limpa o seu

quarto.

� Os programas de proporção podem, então, variar com base se um

número fixo de respostas ou um número de variável de respostas for requerido. Um programa de reforço com proporção fixa (veja Figura 9-1) envolve sempre reforçar o mesmo número de respostas dadas. Se eu for recompensar meu filho sempre a cada duas notas A que ele tira, isso nunca mudará, o reforço seguirá a cada duas notas A.

� Um programa de reforço com proporção variável (veja Figura 9-2)

envolve dar o reforço em um número variado de respostas fornecidas. Eu posso reforçar meu filho por duas notas A agora, mas posso depois reforçar por uma nota A, três notas A ou dez notas A. O segredo é manter o recipiente adivinhando. Essa abordagem tem um efeito poderoso na persistência de uma resposta porque as pessoas continuarão fazendo o

comportamento necessário porque não sabem quando o reforço ocorrerá. É muito mais resistente à extinção do que o reforço contínuo.

 

Figura 9-1: Um Proporção fixa

programa de

reforço com R1, R2, R3, R4, R5, R6, R7, R8, R , R10, 9

proporção

fixa é

metódico. Reforço Reforço

 

Figura 9-2: Um Proporção variável

programa de

reforço com R1, R2, R3, R4, R5, R6, R7, R8, R9, R10,

proporção

variável é

aleatório. Reforço Reforço

 

� O outro tipo de programa de reforço parcial, um programa de intervalo,

é baseado na quantidade de tempo que passou entre os reforços.

� Sou pago uma vez ao mês. O tempo determina quando sou pago.

Meu programa de pagamento é um exemplo de programa de reforço com intervalo fixo (veja Figura 9-3). O intervalo de tempo nunca varia.

 

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Capítulo 9: Os Gatos de Thorndike e os Ratos de Skinner 105

� O outro tipo de programa de intervalo é um programa de reforço

com intervalo variável (veja Figura 9-4). Aqui, as respostas são reforçadas em uma quantidade variável de tempo passado desde o último reforço. Seria como ser pago no final do mês e, depois, ser pago dois dias depois, e depois, ser pago três semanas mais tarde etc. Os programas com intervalo variável também são muito resistentes à extinção pela mesma razão dos programas com proporção variável. Quem responde nunca sabe quando será reforçado, portanto, tem que continuar respondendo para descobrir.

 

Intervalo fixo

 

Chamá-lo de Figura 9-3: R1, R2, R3, R4, R5, R6, R7, R8, R9, R10, programa de

intervalo fixo reforço com T1 T2 T3

 

neutralizado. que ele seja Tempo não significa 1 2 3 4 5 6 7 8 Minutos

 

Intervalo variável

R1, R2, R3, R4, R5, R6, R7, R8, R9, R10,

Figura 9-4:

Um

programa de T1 T2 T3 T4 reforço com

 

intervalo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 variável Tempo Minutos muda.

 

O reforço com intervalo variável é aquilo no qual o jogo está baseado. Os cassinos programam as máquinas para pagarem em um programa com intervalo variável para que continuemos a colocar dinheiro, esperando pelo grande pagamento. Você não poderá vencer se não jogar. Portanto, da próxima vez em que você pensar que está “obrigado” ou limitado a vencer porque está sentado diante de uma máquina por três dias (sem uma ducha, sem dormir ou comer nada), lembre-se de que tudo é variável. Você nunca sabe quando a máquina terá êxito. E não fique chateado se você finalmente desistir e a próxima pessoa que sentar vencer! É por isso que eles chamam de jogo de azar.

 

psicologia01.indd 105 22/02/2011 16:35:39 106 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem

 

Evitando Multas com Generalização

Alguma vez você já notou como as pessoas diminuem a velocidade na autoestrada quando veem um guarda estadual? Provavelmente é porque já foram multadas por eles. O que acontece quando o bom e velho policial da cidade está na estrada? Ninguém diminui a velocidade. As pessoas simplesmente o ignoram. Este é um exemplo de desrespeito flagrante à lei? Não. É um exemplo de controle do estímulo, a ideia de que uma resposta pode variar como uma função do estímulo presente no momento do reforço ou da punição. Embora ambas as autoridades de reforço da lei possam multar por velocidade, a maioria de nós sabe que os policiais da cidade geralmente não multam nas autoestradas. Os estímulos têm diferentes efeitos em nosso comportamento porque eles levam a consequências diferentes. A punição apenas vem do guarda.

A Algumas vezes, quando aprendemos a resposta devido ao reforço, podemos

DIC generalizar automaticamente essa resposta para outros estímulos parecidos.

Se eu generalizasse minha experiência com multas do guarda estadual para os policiais da cidade, diminuiria a velocidade para os policiais da cidade também. Ou se eu estou reforçado a voltar do almoço na hora, também posso generalizar o comportamento de voltar a trabalhar pela manhã na hora. A generalização ajuda a agilizar o processo de aprendizagem porque não temos tempo para receber reforço para cada resposta que obtemos. (Para ter mais informações sobre a generalização, verifique o Capítulo 8).

 

Discriminando

Algumas vezes, as pessoas podem aprender em excesso uma resposta ou um comportamento. Então, elas se engajam na resposta quando não deveriam, pois generalizaram demais. Acho que isso acontece algumas vezes com os psicoterapeutas. Podemos estar em uma situação social, não trabalhando, quando alguém começa a falar sobre como foi difícil seu dia. “Diga-me como isso o faz sentir-se”, posso falar sem querer. Todos veem o psicoterapeuta em questão como um curandeiro. Talvez, seja hora de umas férias.

A Também vi este fenômeno em filmes. Um ex-policial reage exageradamente ao

DIC ver seu neto apontar uma arma de água para ele e derruba a criança para

“remover a ameaça”. Estes são problemas de discriminação, respondendo a apenas um dos dois ou mais estímulos em particular. O problema é remediado apresentando a alguém ambos os estímulos e apenas reforçando a resposta para o correto. Coloque o vovô no meio de um assalto e jogue seu neto com uma arma de água na confusão. Apenas reforce o Detetive Vovô por ele neutralizar com sucesso a ameaça do ladrão (estímulo 1) e não por derrubar seu neto (estímulo 2). Ele aprendeu a discriminar entre uma ameaça real e uma benigna.

 

psicologia01.indd 106 22/02/2011 16:35:39

Parte V

 

 

Ficando Íntimo da

 

Psicologia Social

 

A 5ª Onda Por Rich Tennant

 

“como você não se sente confiante? você está

usando óculos de sol versace, um suéter tommy

hilfiger, jeans calvin Klein e tênis michael jordan.

agora, vá lá fora e seja você mesmo.”

 

psicologia01.indd 107 22/02/2011 16:35:39

AParte V apresenta os psicanalistas e o trabalho de Sigmund Freud. Começo com a estrutura básica da psique e continuo com a teoria do Nesta parte... desenvolvimento psicossexual de Freud, junto com

 

uma análise dos famosos mecanismos de defesa, tais

como, negação e repressão. Também apresento a

segunda geração de psicanalistas: Anna Freud, Erik

Erikson e outros.

Em seguida, apresento a teoria da personalidade e os

tipos de personalidade mais comuns. Essa parte

segue abordando tópicos, tais como, conhecer a si

mesmo, desenvolver identidades, formar relações e

comunicar – coisas sociais, como o título da Parte V

indica. Também analiso a influência que os outros

têm em nosso comportamento e as diferentes

maneiras como os indivíduos se comportam em

grupos. Finalmente, vejo a Psicologia

comportamental e traço rapidamente o

desenvolvimento, desde a concepção até a

adolescência.

 

psicologia01.indd 108 22/02/2011 16:35:39

Capítulo 10

 

 

Entrando no Clima com Freud

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Neste Capítulo

 Construindo a estrutura da personalidade

 Movendo-se dentro da psique

 Crescendo em direção à maturidade sexual

 Defendendo-se

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Poucos nomes são mais famosos na Psicologia do que o de Sigmund Freud. Era porque ele tinha uma personalidade sexy como a de Sean Connery? Bem, não exatamente. Mas suas ideias estão à nossa volta. Elas aparecem em filmes, na arte e até em nossas conversas cotidianas. “Você cometeu um deslize freudiano!” é uma frase que você pode ouvir no escritório, no elevador ou em seu programa de televisão favorito. Todos nós cometemos deslizes freudianos às vezes, alguns menores, outros mais graves. Alguma vez você já chamou alguém pelo nome errado porque estava pensando naquela outra pessoa? (Não recomendo caso você tenha um relacionamento sério ou seja casado.) Embora eu não o coloque à altura da Coca-Cola ou da Nike, Freud pode ser considerado um nome familiar, pelo menos no que se refere à Psicologia. Provavelmente você já viu Woody Allen passeando ansiosamente, demonstrando perfeitamente as ideias de Freud para os mecanismos de defesa psicológica e da ansiedade psíquica. E aposto que você já teve pelo menos um chefe “obsessivo” no trabalho, daqueles que leva o seu nível de estresse lá em cima quando se fixa nos menores detalhes e nos erros mais insignificantes de seu trabalho. O impacto de Freud é claro. Mas sobre o que exatamente ele estava falando?

 

Mostrando Alguma Personalidade

Freud formulou uma das teorias mais completas da personalidade humana já criada até hoje. A profundidade de sua análise e a variedade de ideias são ainda inigualáveis. Mas o que é exatamente uma personalidade? Falamos sobre personalidades o tempo todo. Provavelmente você já ouviu pessoas justificarem o encontro com uma pessoa sem atrativos. “Ele tem uma ótima personalidade!”, dizem. Basicamente, personalidade são os componentes psicológicos e físicos organizados dentro de uma pessoa que criam e determinam as características e comportamentos únicos desse indivíduo.

 

psicologia01.indd 109 22/02/2011 16:35:39 110 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

RE-SE Há vários pontos-chave aqui:

LE � MB

As personalidades são psicológicas e físicas. Elas existem como parte

de nossas mentes e cérebros.

� Todos sabemos que o abuso psicológico ou mental pode ferir

tanto quanto o abuso físico, e tal abuso pode moldar nossas personalidades. Quando nossas mentes ou vida mental são afetadas, nossas personalidades também são.

� Quanto aos aspectos físicos da personalidade, se alguém sofreu

dano cerebral em um acidente de carro, sua personalidade pode ser alterada. A pessoa pode ficar mais nervosa do que o habitual ou mais espontânea e tranquila. De qualquer modo, se seu cérebro é alterado, sua personalidade pode ser afetada.

� Nossas personalidades criam e determinam o que fazemos. O que

ocorre dentro de sua mente e cérebro modela como você age, o que diz,

como se sente e como percebe o mundo.

� Talvez o mais importante,as nossas personalidades, são o que nos

tornam únicos. Dezenas ou centenas de pessoas no mundo podem ter o

mesmo nome que você e podem se parecer com você, mas ninguém

tem a sua personalidade idêntica. Se você for a uma festa depois do

trabalho, você é a mesma pessoa que é no trabalho? É claro que você

pode agir de modo um pouco diferente, mas muito provavelmente

ainda é a mesma pessoa básica. Isso é por causa de sua personalidade,

seu conjunto único de componentes psicológicos e físicos que

determinam quem você é.

Este capítulo explora os pensamentos de Freud sobre memória, instintos e os famosos mecanismos de defesa (na verdade, o trabalho de sua filha, Anna Freud), e como eles contribuem para fazer quem nós somos, possuidores de uma personalidade única. Claro, nenhuma análise de Freud estaria completa sem mencionar a sua teoria do desenvolvimento psicossexual e as ideias sobre Édipo e sexo!

 

Suas Memórias Únicas

Qual tipo de personalidade você teria se alguém apagasse todas as suas memórias? Seu primeiro aniversário? Seu primeiro dia na escola? Seu casamento? Você seria apenas uma imagem inexpressiva de carne que come, dorme e vagueia? Freud achava que nossas memórias e como elas são organizadas em nossas mentes são partes vitais de nossas personalidades. Ele propôs que há três divisões básicas da memória que são diferenciadas pela consciência que cada um de nós tem do material nessas divisões: a consciência, pré-consciência e inconsciência. A inconsciência é a mais famosa das três.

 

A consciência e a pré-consciência

A minha consciência “ativa” constitui meu nível de consciência. Aqui, estou consciente dessas coisas que são atuais e do momento, como, por exemplo, o

 

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Capítulo 10: Entrando no Clima com Freud 111

livro em meu colo, sua capa amarela, os tipos de letras nas linhas horizontais e meu estômago roncando porque não como há seis horas. Minha consciência é dominada pelas coisas que estou ouvindo, vendo, sentindo, e se tenho dor de cabeça, tentando ignorar.

A pré-consciência é composta de memórias usuais, tais como, nascimentos, aniversários e como andar de bicicleta. Raramente estamos conscientes ativamente de nossas memórias na pré-consciência, a menos que sejam deliberadamente invocadas ou ativadas. Mas, ainda desempenham um papel poderoso ao modelar quem somos.

 

A inconsciência

A inconsciência contém as memórias e as experiências das quais não temos consciência. Elas estão dentro de nossas mentes e são difíceis de acessar. Portanto, na próxima vez em que você não puder responder a uma pergunta difícil, simplesmente diga ao indagador que a resposta está bloqueada dentro da sua inconsciência. Milhares ou até milhões de coisas ocorrem dentro de sua mente que você não tem consciência, você está inconsciente delas.

Na realidade, Freud achava que a sua inconsciência está repleta de suas memórias, pensamentos e ideias que são problemáticas, perturbadoras e horríveis demais para manter em sua consciência. É onde você abriga seus sentimentos mais verdadeiros, não filtrados e não editados pelas delicadezas da vida diária. Sua inconsciência não mente! Portanto, da próxima vez em que alguém perguntar se você gosta de seu cabelo, diga-lhe o que sua inconsciência realmente pensa! Sua inconsciência é onde seus desejos e conflitos mais profundos e básicos residem, é o reino de segredos tão obscuros que você nem mesmo tem consciência deles por si só.

O ponto é: dependendo de suas memórias e do quão consciente você esteja delas, você pode ter uma personalidade completamente diferente do que tem agora. Você pode ser o cara sentado ao seu lado na cafeteria, quem sabe? Portanto, relaxe, você não é um robô sem rosto em um mar de anonimato. Suas memórias da consciência, pré-consciência e inconsciência ajudam a torná-lo único, dando-lhe aquela pequena personalidade especial que todos, bem, pelo menos sua mãe adora.

 

Id, Ego e Superego

Freud teria sido um ótimo roteirista de Hollywood. Sua “história” da personalidade é de desejo, poder, controle e liberdade. A trama é complexa e os personagens competem. Nossas personalidades representam um tipo de drama, atuado em nossas mentes. “Você” é um produto de como as forças mentais conflitantes e as estruturas interagem. Os antigos gregos pensavam que todas as pessoas eram atores no drama dos deuses acima. Para Freud, você e eu somos simplesmente atores no drama de nossas mentes, empurrados pelo desejo, puxados pela consciência. Sob a superfície, nossas personalidades representam as lutas de poder que ocorrem dentro de nós. Três atores principais realizam esse drama:

 

psicologia01.indd 111 22/02/2011 16:35:39 112 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

� Id: O lugar de nossos impulsos.

� Ego: Negocia com o id, agrada o superego.

� Superego: Mantém-nos fazendo as coisas certas.

Cada um desses personagens tem suas próprias ideias de como deve ser o resultado da história. Suas lutas são abastecidas por motivos poderosos e cada uma é independente.

 

Eu quero, portanto, eu sou

O componente estrutural inicial e o primeiro personagem no drama da personalidade de Freud é o id. Uma compulsão, um impulso ou um desejo tão forte, que simplesmente tinha que ser satisfeito, já dominou você? Um carro novo, um desejo sexual, um trabalho dos sonhos? Provavelmente a resposta é um sonoro “sim”! De onde vem tal desejo? Segundo Freud, o desejo vem da parte de sua personalidade chamada id, localizada nos espaços de nossa mente. Portanto, olhe em volta e veja profundamente. Veja seus colegas de trabalho, seu chefe, está tudo à nossa volta, até a velha senhora quieta no ponto de ônibus. Sob essa quietude, o comportamento típico de avó espreita um caldeirão fervente de desejo.

O id contém todos os nossos impulsos animais e primitivos mais básicos que demandam satisfação. É o Sr. Hyde emergindo do Dr. Jekyl contido. É aquele pequeno demônio que fica sobre seu ombro, sussurrando tentações e estimulando-o. Quando vejo uma criança egoísta e mimada na mercearia pedindo um brinquedo e tendo um ataque de raiva se não consegue o que quer, sei que é o id em ação!

O id é um tipo de “contêiner” que mantém os nossos desejos. Impulsionado implacavelmente por uma força que Freud chamava de libido, a energia coletiva dos instintos da vida e o desejo de sobrevivência, o id deve ser satisfeito! Todos nós nascemos com o id com força total. Ele não é regulado e é intocado pelos limites do mundo fora de nossas mentes. Quando um bebê fica com fome, realmente com fome, ele fica quieto e espera até que alguém se lembre de alimentá-lo? Qualquer pessoa que já saiu da cama no meio da noite para alimentar um bebê sabe a resposta.

Mas não quero fazer uma acusação injusta ao id. Onde eu estaria sem o desejo? Meu desejo me empurra na vida; ele me leva a buscar as coisas que preciso para sobreviver. Seu id faz o mesmo por você. Sem ele, morreríamos ou, pelo menos, estaríamos realmente chateados! Portanto, lembre-se que uma grande parte de sua personalidade consiste em seus desejos e em suas tentativas de satisfazê-los.

 

Entre no ego

Não seria ótimo se você pudesse ter tudo o que deseja, a qualquer momento e da forma que você deseja? Infelizmente, a maioria de nós conhece o contrário. Todos sabemos como pode ser frustrante quando um desejo não é satisfeito ou é reprimido. Bem, você pode culpar o ego por isso. O ego é o

 

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Capítulo 10: Entrando no Clima com Freud 113

segundo instrumento mental da personalidade. A principal função do ego é mediar entre as demandas do id e do mundo externo à nossa volta – a realidade em outras palavras. A música “You Can’t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones, lembra alguma coisa?

Até o momento, parece que se não fosse a realidade, você e eu estaríamos satisfeitos. Mesmo que o ego esteja em conflito com o id, a satisfação não é abandonada. O ego é como um agente esportivo para um atleta realmente talentoso. Mesmo que o atleta possa demandar um contrato de vários milhões de dólares, o agente lembra-lhe que ele poderia ficar sem trabalho dessa forma. Portanto, o ego negocia com o id para conseguir o que ele deseja sem custar demais a longo prazo. O ego realiza esta importante tarefa convertendo, desviando e transformando as forças poderosas do id em modos mais úteis e reais de satisfação. Ele tenta aproveitar o poder do id, regulando-o para conseguir satisfação, apesar dos limites da realidade.

 

O julgamento final

Como se o trabalho do ego já não fosse difícil o suficiente, bancando o juiz entre o id e a realidade, sua performance está sob constante análise por um juiz rígido, o superego. Embora o ego negocie com o id, tentando impedir um outro ataque de raiva, o superego julga a performance. O superego é um outro nome para a sua consciência. Ele espera que o seu ego seja forte e eficaz em suas lutas contra a força da libido.

Em geral, a nossa consciência vem de nossos pais e de uma figura parental. Quando crescemos, internalizamos seus padrões, aqueles mesmos padrões que nos fazem sentir tão culpados quando contamos uma mentira ou trapaceamos em nossos impostos. Mas, todos têm uma consciência? Existem certas pessoas na história que cometeram atos tão horríveis de violência que, algumas vezes, pensamos se são vazias de consciência. Como os serial killers, tais como Ted Bundy ou Wayne Williams, podem cometer crimes tão horríveis? Uma aposta forte é que eles não têm a capacidade básica de sentir culpa, portanto, nada realmente os impede de agir fora de suas fantasias violentas. Um psiquiatra famoso disse uma vez que os homens maus fazem o que os homens bons apenas sonham.

Continuar: parte 6 de 16