Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 6/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

 

Tudo é Sexo!

Poderia ser como uma manchete de jornal: “A satisfação sexual abastece o desenvolvimento da personalidade!”. Bem, não exatamente, mas a teoria do desenvolvimento da personalidade psicossexual de Freud era definitivamente sobre prazer. O que torna a sua personalidade tão diferente das outras? A pesquisa de Freud sobre a resposta para essa pergunta o levou à descoberta de que as dicas para entender a exclusividade da personalidade de um indivíduo são encontradas na infância. Eureka, a infância é o destino! A personalidade com a qual você vive hoje, a que encanta para conseguir encontros, faz listas e nunca faz nada, assegura que o banheiro esteja sempre brilhando de limpo, foi forjada e moldada no entusiasmo da infância e nas lutas da infância. Na verdade, segundo Freud, você era um produto final único quando chegou à puberdade.

 

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Mas o que o torna tão único? Alguma vez você já notou como os anúncios na seção “Notícias locais” do jornal são genéricos? “Mulher branca solteira procura não fumante saudável para passear na praia e boa conversa”. Não sei você, mas eu sempre imagino qual é a realidade. Como aquela MBS realmente é? Depois dos primeiros encontros, quando todo o romantismo desaparece, ela ainda será tolerável? Quais são as suas ideias? Ela debocha quando ri? Ela gasta tempo demais falando sobre si mesma? Seu apartamento é mais limpo do que um alojamento do exército? É onde a personalidade começa. Por trás das máscaras genéricas que todos nós apresentamos, estão as coisas que nos destacam, nossas ideias.

Segundo Freud, seu caráter único e ideias são os produtos de como sua personalidade desenvolve-se durante a infância. Quando criança e até mesmo quando adolescente, você passa por uma série de estágios nos quais cresce a amadurece:

� Oral: Nascimento até 18 meses.

� Anal: 18 meses até 3 anos.

� Fálico: 3 anos até 7-8 anos.

� Latência: 7-8 anos até puberdade.

� Genital: Puberdade até maturidade.

É como ter cinco personalidades em miniatura, cada uma durando alguns anos até você atingir a maturidade. Isto me lembra um calouro típico do Ensino Médio que começa a escola com uma personalidade apenas para ter uma personalidade inteiramente nova no final do ano, completa com guarda-roupa e uma linguagem secreta. É o Entendido Von Comedor de Livros um minuto e Joe Esperto no outro. Cada estágio da personalidade apresenta-lhe um desafio único, e se você superar com sucesso esse desafio, irá adquirir uma personalidade totalmente madura. (Este Sr. Joe Esperto é você!) Mas, se você falhar em superar o desafio de um estágio, ficará preso ou fixo nele. É de onde vem muita de sua exclusividade pessoal, sua “adesão” ou fixação em um determinado estágio de desenvolvimento da personalidade.

Dentro de cada estágio, você também se encontra focado em uma determinada parte do corpo conhecida como zona erógena. É como focar em sua barriga de “tanquinho” quando tem 18 anos e em sua gordurinha aos 28; cada um destaca-se em um momento diferente de sua vida. O prazer buscado por seus instintos inatos é focado no desejo sexual e na gratificação, através da devida estimulação de cada zona erógena. Devidamente estimulado, você progride até o topo do pico psicossexual de Freud, a maturidade sexual e física. Se não, fica fixado nessa determinada zona e preso nesse determinado estágio de desenvolvimento da personalidade.

 

Abrindo a sua boca grande

O estágio oral é o primeiro estágio da personalidade de Freud. Desde o nascimento até cerca de 18 meses de idade, a vida de uma criança centraliza-se em sua boca. Eu costumava olhar com nojo quando meu amigo adolescente dava a seu irmãozinho coisas para colocar em sua boca. Lata de

 

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Capítulo 10: Entrando no Clima com Freud 115

Coca-cola: na boca. Chaves do carro: na boca. Parecia nojento, até sujo, mas ele não conseguia parar! Ele colocava tudo em sua boca. A principal tarefa desse estágio é satisfazer o desejo oral estimulando a zona erógena da boca. Note o sugar reflexivo da criança e o modo como sua cabeça e boca viram em direção ao seu rosto quando é gentilmente esfregado. As crianças nascem com o sentido do paladar muito bem desenvolvido e suas bocas são as ferramentas mais sofisticadas que elas têm para explorar seu mundo. Suas bocas superam de longe suas mãos e dedos ao “captar” o mundo à sua volta.

Um dos primeiros objetos “existentes” no mundo que fornecem a uma criança a satisfação oral é o peito de sua mãe. O peito da mãe é uma fonte principal de conexão e satisfação. Mas, isso poderia ser um problema? Quando foi a última vez que você viu alguém com dez anos alimentando-se no peito? Finalmente, todas as crianças têm que ser privadas do peito de sua mãe. O aleitamento apresenta para a criança o primeiro conflito entre seu desejo e a realidade. Se a criança falhar em desmamar ou for desmamada duramente ou de modo incompleto, ela ficará fixada no estágio oral. Ela desenvolverá um caráter oral no qual será dominado por sentimentos de dependência e desamparo. As crianças não são capazes de fornecer a si mesmas uma satisfação autônoma; enquanto estão no estágio oral, elas dependem inteiramente dos outros (mães).

Finalmente, quando superamos com sucesso o desafio de desmamar e ter controle sobre nossa capacidade de satisfazer nossos desejos orais, vamos para o próximo estágio de desenvolvimento da personalidade. Mas para aqueles que permanecem parados nele, você pode ficar preocupado com coisas orais, tais como, falar, comer, fumar e beber. Você nunca cresceu a partir da necessidade de um constante estímulo oral. Assim, aquele cara com a boca grande na festa de Natal do escritório, ele é apenas um bebê supercrescido que nunca superou o fato de que não pode mamar para sempre. Mas, eu não diria isso em sua cara.

 

RE-SE

MB

LE

 

Mãe

Para muitas pessoas, o primeiro ser humano Ela é o centro de seu mundo. As mães são al-que eles encontram é sua mãe, com exceção tamente consideradas na maior parte (se não das enfermeiras e do obstetra. Na sala de em todo) do mundo. Uma vez ouvi dizer que a parto, o rosto da mãe é o primeiro rosto visto. tatuagem mais comum nos Estados Unidos é Você é dependente dela para tudo. Você não “Mãe” dentro de um coração. Ela é a mãe está pronto para ser autossuficiente por um porque não há nenhuma outra. bom período de tempo.

 

Reserve um minuto para refletir sobre a sua infância. Pode ser difícil lembrar

VO LUNTÁRIA da infância, mas a maioria de nós pode lembrar de algo nas idades de 2 a 3

O

ÇÃ anos. Você tinha uma chupeta? Por quanto tempo? Você chupava seu dedo? O IA

C quanto “oral” você era? Você mastiga suas canetas agora? Você é muito SO

AS sarcástico? Freud pode ficar tentado a dizer: “Você está fixado!”

 

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Defecar ou não defecar?

Todos os bebês crescem em algum momento, e quando crescem, eles se graduam para o foco erógeno do estágio anal. O segundo estágio de desenvolvimento da personalidade de Freud. Pense em prazer, sua libido implacável lutando pela satisfação. Pense em defecação. O quê? É isso mesmo, Freud enfatizava o controle sobre defecar como o centro do prazer dos dezoito meses aos três anos de idade. O conflito central para os bebês de um a três anos é o controle! As crianças nesse estágio desejam ter a habilidade de fazer cocô sempre que desejam e onde desejam. Como em suas calças! Mas, a realidade que eles têm que se controlar aparece, evocando imagens de longas viagens no carro da família: “Já chegamos? Preciso ir!”

Quem e o quê retêm tal prazer de busca, o desejo de fazer cocô à vontade: nossos pais e os limites da realidade. (Veja “Id, ego e superego”, anteriormente neste capítulo para obter mais informações sobre os limites da realidade.) Na verdade, algumas de suas características adultas podem ser consequência de como seus pais lidaram com o treinamento do vaso sanitário. Sua criatividade e produtividade são indicadores de como você navegou com sucesso pelo estágio anal.

Se você ficou preso no estágio anal, está dominado pela satisfação anal. Essa satisfação pode vir de uma das duas maneiras:

� Se você é bagunceiro, negligente ou sem cuidado, fala de uma rebelião

expulsiva contra o controle parental.

� Se você é limitador, obstinado e obcecado por limpeza, aprendeu o

controle em reação à sua experiência de treinamento do vaso sanitário.

De qualquer modo, você está no controle. A maturidade e o sucesso no estágio anal resultam em sua habilidade de se controlar. Portanto, vamos em frente, mas certifique-se de fazê-lo no lugar certo e na hora certa.

 

Casando com sua mãe

Exatamente quando você pensava que todos os traços de sua personalidade tinham sido descritos, Freud propõe seu terceiro estágio: o estágio fálico. Expliquei ao seu colega de trabalho que masca chicletes fixado oralmente. A pilha de roupas no chão do seu quarto nunca mais será igual depois de aprender o estágio anal. Mas, eu prometi sexo e chegou a hora da entrega, bem, mais ou menos. A criança com três a cinco anos de idade é focada no estímulo erógeno da área genital; o pênis e a vagina especificamente. No estágio fálico, a gratificação começa com o autoerotismo. Isso significa masturbação para o resto de nós. Mas a nossa necessidade de satisfação logo se volta para nossos pais, geralmente o do sexo oposto. Quando nossa satisfação sexual se expande, nos encontramos dentro do reino de uma das contribuições mais controversas e estranhas de Freud para o estudo da personalidade, o complexo de Édipo.

Como adultos, a maioria de nós se encolhe com a ideia de se casar com alguém como nossas mães ou pais, o que dirá ter sexo com eles, mas todos nós conhecemos um garotinho ou uma garotinha que deseja crescer um dia e casar

 

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com seu pai de sua mãe. Há apenas um problema: praticamente todas as culturas no planeta têm um tabu contra o sexo entre pais e filhos. Freud observou que as crianças no estágio fálico de desenvolvimento da personalidade mudaram de autogratificação para buscar gratificação com um de seus pais o do sexo oposto. Mas o tabu não é a única coisa que fica no caminho da criança; o outro pai ou mãe aparece precariamente no caminho, tornando-se um obstáculo. Como seu pai se sentiria se você tentasse fazer um movimento em direção à sua mãe ou vice-versa? Mas a libido não conhece limites e deve ter satisfação. Ela acha que seu pai é seu objeto justo de desejo. Por quê?

 

A

DIC

 

O Rei Édipo

Freud encontrou um antigo suporte para as para ser um adulto saudável. Um dia, ele volta suas ideias sobre o desejo sexual de uma para a cidade para fazer fortuna, mas na es-criança por seus pais na famosa peça grega trada para a cidade, ele encontra o rei, ne-(ou talvez não) Oedipus Rex. A história básica nhum deles sabia de sua relação. Há uma é sobre um rei que tem um menino que os pro- briga e o rei é morto. Quando o filho chega à fetas preveem que um dia matará o rei e se cidade, logo faz fortuna, subindo ao topo da casará com a rainha. Para impedir isso, o rei sociedade cívica. Ele logo atrai o olhar da rai-leva a criança para a floresta e a deixa para nha em luto e, finalmente, casa-se com ela, morrer. Porém, a criança é descoberta por cumprindo assim a profecia. alguns camponeses na floresta e é criada

 

A É onde Freud fica um pouco complexo. Basicamente, todas as crianças são

DIC atraídas inicialmente por suas mães porque ela geralmente é seu cuidado

primário. Ela é a sua fonte primária de prazer e satisfação. Ela é o máximo e toda a satisfação. A partir deste ponto, as crianças dividem-se por sexo (ou gênero, como a maioria das pessoas se refere).

 

Meninos

Para o menino, esta atração pela mãe continua a se desenvolver no que Freud chamou de complexo de Édipo. O pai do menino o bloqueia contra a mãe. Chega a ser realmente frustrante para o menino. É tão ruim que a frustração finalmente explode em ódio total por seu pai. Você pode dizer, como os profetas fizeram em Rex, que seu ódio por seu pai torna-se homicida.

Este complexo está repleto de conflito, pois os meninos se encontram com medo de seus pais porque desejam suas mães somente para si. Freud chamou esse medo de ansiedade de castração. O menino tem medo de pegar uma rota alternativa: se você não pode vencê-los, junte-se a eles. Júnior aprende a identificar-se com seu pai, adotando sua masculinidade e buscando seu próprio tipo de “mãe”. Ele não pode ter sexo com sua mãe, mas pode viver indiretamente através de seu pai. Isso lhe fornece o acesso simbólico à sua mãe e satisfaz seu desejo libidinoso.

 

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Meninas

Freud foi totalmente criticado por sua negligência da sexualidade feminina. Portanto, ele consultou os gregos novamente, encontrando uma história de Édipo parecida sobre uma mulher chamada Electra. Electra consegue uma pessoa para matar sua mãe para vingar a morte de seu pai.

Para as meninas, sua atração se transfere para seus pais porque elas se ressentem com suas mães por uma razão muito estranha, inveja do pênis. Segundo Freud, as menininhas param de desejar suas mães porque percebem que elas não têm um pênis como seus pais. Como elas podem ter sexo com suas mães sem um pênis? E a filosofia “não pode vencê-los, junte-se a eles”? Como os menininhos, as menininhas também não podem identificar-se com seus pais porque não têm um pênis. Portanto, o que devem fazer? Passam o resto de suas vidas procurando um pênis. Basicamente, passam o resto de suas vidas procurando um homem para torná-las completas.

Muitas das ideias de Freud sofreram críticas cruéis. Você pode estar sentado

LE MB RE-SE agora dizendo para si mesmo: “Qual é, isso é demais!”. Para se beneficiar das ideias de Freud e superar a natureza absurda de tais coisas como desejar ter

sexo com sua mãe e assassinar seu pai, pense em metáfora; pense em analogia. As ideias de Freud são mais bem compreendidas quando processadas mais simbolicamente. Por exemplo, tente imaginar Édipo como um menininho frustrado que tem que compartilhar a atenção de sua mãe com seu pai. O pai fica no caminho, ele deve ser eliminado. Lembre-se, não atenha-se ao drama!

Eu sei que é muita coisa para compreender e tudo parece um pouco estranho. Eu disse um pouco? Tudo bem, parece realmente estranho! Como se relaciona com a personalidade? Se um menino ou um homem alinha-se com sucesso com seu pai, ele transforma seu conflito em uma luta profunda por sucesso e superioridade na sociedade, conquistando mulheres, conquistando o mundo dos negócios e tornando-se o capitão do time de futebol. Esta é uma resposta bem-sucedida para a ansiedade de castração do macho do estágio fálico. Infelizmente, nem todos os homens chegam a este ponto. Ele se encontra fixado porque falha em juntar forças com o seu pai, ele foi castrado com sucesso. Ele se torna um fracasso na vida, incapaz de lutar pela realização por causa da culpa que o incapacita, gerada a partir da competição com seu pai pela atenção de sua mãe.

Com uma resolução bem-sucedida do complexo de Electra, uma menina encontra-se equipada para lidar com suas relações sexuais e íntimas adultas. Ela transforma a sua inveja do pênis em uma busca saudável por um marido “paternal” bom. Mas se ela falhar, ficará fixada e poderá ser sedutora e paqueradora em excesso. Eu sei, eu sei... mas a liberação das mulheres aconteceu muito depois de Freud!

 

Dando um tempo

Com a resolução bem-sucedida dos conflitos de cada estágio anterior, as crianças entram em um momento mais quieto do desenvolvimento psicossexual chamado latência. A libido alivia seu controle sobre a personalidade e os impulsos param de dominar. As crianças encontram mais

 

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Capítulo 10: Entrando no Clima com Freud 119

liberdade para explorar e expandir as habilidades que conseguiram a partir de cada estágio subsequente. A latência dura de mais ou menos seis anos até a puberdade. As coisas esfriam, por assim dizer. Não há rivalidade com o pai ou a mãe. Não há batalha pelo controle sobre a satisfação. É hora da exploração social básica, como, por exemplo, fazer amigos e formar pequenos grupos sociais. Acho que esse período coincide um pouco melhor com a noção básica de infância que todos temos do que os estágios anteriores de Freud. É menos perverso e o conflito é com certeza dominado.

 

Chegando ao máximo sexualmente

Com o começo da puberdade, o suave percurso da latência começa a aumentar de velocidade novamente. As chamas dos conflitos anteriores são acesas de novo. O desejo começa a dominar a cena novamente, mas desta vez, é diferente. A criança autocentrada e que busca prazer dos estágios anteriores dá lugar a uma forma mais madura de satisfação. Uma preocupação pelo prazer dos outros começa a modelar a direção do desenvolvimento psicossocial e a criança agora está aberta para aprender como se engajar em relações de amor com satisfação mútua. Lembre-se de que Freud nunca afirmou que todas as pessoas buscam este ponto de total maturidade. Esse ponto é mais como um ideal, algo pelo qual se deve lutar, um projeto para toda a vida. Mas se alguém não o fizer (pelo menos uma parte do caminho), poderá facilmente retornar para o falicismo egoísta. Isso parece invocar imagens do amante egoísta que não se importa com o prazer do outro parceiro. Contanto que consiga o que deseja, tudo bem. Mas se você o fizer, vá em frente Don Juan! Você será atencioso e realmente se importará se a outra pessoa na interação está se divertindo.

 

Defensiva? Não Estou na Defensiva!

Então, você está andando sozinho pela sua trilha favorita nas montanhas e um urso salta na sua frente, fica de pé sobre as suas pernas traseiras e parece estar faminto. O que você faz? Fica e luta ou sai correndo? Se esta situação traz uma ameaça, você talvez tenha que se defender. Mas, defender o seu corpo do ferimento físico é o único momento que o faz ficar na defensiva? Eu tive que defender a minha reputação uma ou duas vezes... ou mais. De qualquer modo, algumas vezes temos que nos defender ou nos proteger psicologicamente. É um aspecto importante de nossas personalidades.

Anna Freud (filha de Sigmund) nos trouxe o conceito dos mecanismos de defesa. Podemos ter medo de qualquer coisa: ursos, brigas ou fofoca. Nosso comportamento impulsivo pode nos trazer problemas ou nos forçar a desaprovar alguém que amamos. Alguma vez você já teve medo de si mesmo? Podemos ter medo da fúria de nossa própria consciência ou de sua ferramenta, a culpa. “Pare de ser tão defensivo!”, é algo que provavelmente você ouviu, mas não se preocupe, todos nós somos “defensivos”. Freud acreditava que seus modos característicos de se defender contra suas ansiedades são fortes determinantes de sua personalidade geral. Como você luta? Como se defende psicologicamente? Como se protege dos pensamentos dolorosos, impulsos ou compulsões?

 

psicologia01.indd 119 22/02/2011 16:35:40 120 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

Os Freuds propuseram vários mecanismos de defesa importantes:

� Repressão: Manter um pensamento, sentimento ou memória de uma

experiência fora da consciência. “Esqueça isto!”. Muitas coisas podem

ser objetos de repressão, impulsos proibidos ou desejos, ou uma

situação dolorosa e emocionalmente difícil. Você está duvidando?

“Certamente não sou reprimido assim!”. Bem, experimente imaginar

seus pais fazendo sexo. Não é fácil? O que você faz quando está em uma

festa ou reunião familiar e alguém traz à tona uma situação embaraçosa

de seu passado? “Lembra quando...?”

 

A

DIC

 

A garotinha de Freud

Anna Freud era filha de Sigmund Freud. Ela se- gunta sobre id, ego e superego? Talvez, ela guiu os passos de seu pai e fez algumas contri- estivesse ocupada demais pensando nos me-buições substanciais para sua teoria da perso- canismos de defesa! Anna pegou muito do que nalidade. Por alguma razão, os Freuds seu pai criou, aplicou nos problemas das crian-enfatizavam a ansiedade e a proteção em seu ças e as ajudou na terapia. Seus acréscimos trabalho sobre a personalidade. Um tipo de às teorias de Sigmund apoiaram e expandiram modelo no qual você imagina que Anna tenha seu trabalho anterior. A maioria das pessoas crescido. Posso ver isso agora. Ela traz para nunca ouviu falar sobre ela, mas não se enga-casa uma nota C- em seu exame final de Psico- ne. Anna pareceu herdar o dom de seu pai logia. Como ela poderia ter esquecido a per- para compreender a personalidade humana.

 

� Negação: Recusar em aceitar que algo existe ou aconteceu. Também

pode envolver alterar o significado de um evento para que o seu

impacto seja desviado. Se algo importante para você dá errado, você

pode simplesmente dizer para si mesmo: “Isso não é tão importante

afinal”. Esta é a resposta “azeda” comum. Eu posso ver as imagens do

meu primeiro ano na faculdade de quando eu convidava as veteranas

para sair de forma lamentável e sem sucesso: “Não gosto mesmo dela”.

Eu chorava em vez de enfrentar a depressão. A repressão teria sido boa,

mas na dúvida, negue-a! A negação é um mecanismo de defesa que a

maioria das pessoas pode relatar e usar comumente. Não tente negá-la!

� Projeção: Atribuir uma compulsão de ameaça, impulso ou aspecto de si

mesmo a outra pessoa. A consciência culpada se transformou em

defesa do amante ciumento! Qualquer impulso inaceitável pode ser

projetado. Esse tipo de melhor ofensa é uma boa defesa. Em vez de

reconhecer que você é mau com alguém, você pode acusá-lo de ser mau

com você. Quando alguém sente impulsos agressivos, geralmente usa a

projeção. O indivíduo atribui sua agressão a outra pessoa e, assim, a

pessoa agressiva fica temerosa dos ataques potenciais dos outros.

Portanto, na próxima vez em que alguém lhe disser que você está

sendo paranoico, pense sobre de quem você talvez esteja com raiva.

� Racionalização: Criar uma explicação aceitável, mas incorreta de uma

situação. Uma vez conheci um ladrão comum que roubava apenas de

grandes empresas. Ele nunca pensaria em roubar os Silva, mas as

 

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Capítulo 10: Entrando no Clima com Freud 121

superlojas que tomassem cuidado! Ele explicou que os grandes ganham

dinheiro “roubando” as pessoas, portanto, ele só estava tentando

igualar o jogo. Um tipo de Robin Hood moderno, eu acho. Infelizmente

para ele, o juiz que ele teve que encarar por causa de seus crimes não

acreditava em contos de fada.

� Intelectualização: Pensar sobre algo “lógica” ou friamente e sem

emoção.

Terapeuta: “Sr. Jones, sua esposa o deixou e você perdeu o seu trabalho

recentemente. Como isso o faz sentir-se?”

Paciente: “Achei que a organização em minha casa ficou muito melhor,

está menos confuso agora; suas coisas ocupavam espaço demais.

Quanto ao trabalho, a economia vinha diminuindo o ritmo há algum

tempo. Eu podia sentir que isso iria acontecer.”

� Formação da reação: Fazer o oposto do que você realmente gostaria de

fazer. Você alguma vez já saiu do seu caminho para ser legal com

alguém que você realmente desgosta? Eu sei, eu sei, ame teu inimigo.

Mas, se ser amigável é apenas uma formação da reação, talvez eu possa

encontrar um outro mecanismo de defesa que me deixe um pouco

menos sobrepujado. Acho que prefiro projetar a adular alguém de quem

eu realmente não gosto.

� Regressão: Retornar a uma forma anterior ou mais infantil de defesa. O

estresse físico e psicológico algumas vezes podem nos levar a

abandonar nossos mecanismos de defesa mais maduros. Se você tem

recorrido à lamúria quando pede um aumento ao seu chefe, considere a

regressão.

Nossas interações com o mundo à nossa volta podem ser forjadas com conflito e ansiedade. Compartilhar o espaço do escritório, ter um colega de quarto e lidar com um colecionador de notas persistente são apenas alguns exemplos dos conflitos diários que enfrentamos. Os Freuds fizeram contribuições sem paralelo para a compreensão de como nossos modos característicos de lutar compõem nossa personalidade básica. Seria um erro supor que nos defender psicologicamente é um comportamento negativo; é básico para a nossa sobrevivência. Nossas defesas nos protegem e nos impedem de ficarmos dominados. Sem elas, poderíamos acabar tendo um colapso nervoso.

 

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Capítulo 11

 

 

Desenvolvendo uma

 

Personalidade Premiada

 

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Neste Capítulo

 Reconhecendo o poder do ego

 Cumprimentando pessoas e objetos à nossa volta

 Explorando as possibilidades da própria pessoa

 Definindo o termostato da personalidade

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Uma personalidade é um sistema estável de tendências para agir, pensar e sentir de um modo em particular. Descrever a personalidade de alguém é, essencialmente, desenvolver uma imagem das várias partes de informações disponíveis sobre essa pessoa. Descrever a personalidade de alguém quase sempre significa pegar um monte de características comportamentais e reduzi-las a um conjunto mais restrito de qualidades e atributos.

As teorias da personalidade supõem que algumas características gerais podem servir como um resumo de como é uma pessoa. As qualidades que vêm primeiro à mente quando penso em uma pessoa geralmente são as qualidades que são mais centrais para ela. Quanto mais central for uma qualidade, mais útil esse aspecto será ao prever seu comportamento e distingui-la das outras pessoas.

As teorias e as ideias tratadas neste capítulo têm pelo menos uma coisa em comum: todas enfatizam a adaptação como um componente maior da personalidade. Na verdade, a função da personalidade é a adaptação e o ajuste máximo no mundo. A partir desta perspectiva, a personalidade é vista como uma ferramenta de sobrevivência. Os animais desenvolvem pelo para mantê-los aquecidos e as garras afiadas para se defenderem contra as ameaças em seu ambiente. Nós humanos desenvolvemos personalidades!

Uma coisa importante a lembrar quando você lê sobre essas teorias da

RE-SE personalidade é que ninguém se encaixa perfeitamente nas categorias

MB apresentadas. Um conceito importante na Psicologia é o princípio das

LE diferenças individuais. Ninguém é uma teoria da personalidade: As teorias são

ferramentas para entender a complexidade do comportamento humano, pensamento e emoção.

 

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Reconhecendo Quem É um Nerd

Se percebemos ou não, cada um de nós tem uma teoria da personalidade que usamos como nosso próprio modo de classificar as pessoas para que possamos diferenciá-las. Quando eu estava no Ensino Médio, as pessoas eram classificadas como nerds, atletas ou festeiros. Um esquema simples, mas útil de vez em quando.

Portanto, cada um de nós é um pequeno teórico da personalidade, mas muitos grupos específicos de teóricos da personalidade também estão por aí. Astrólogos, físicos, teólogos, poetas e muitos outros vêm tentando classificar as pessoas por séculos, cada um usando seus próprios critérios na personalidade para desenvolver teorias.

Veja a seguinte descrição da personalidade:

Você tem muita capacidade não usada a qual não transformou a seu

favor.

Algumas vezes você tem dúvidas se tomou a decisão certa ou fez a

coisa certa.

Às vezes, você é sociável; outras, fica sozinho.

A segurança é um de seus objetivos na vida.

A Estas características descrevem você? Se descrevem, um chip de

DIC computador de análise da personalidade secreto está embutido na

encadernação deste livro? Ou as descrições acima são tão vagas e gerais que se aplicariam a qualquer pessoa que as lê? Voto no último. O efeito Barnum é quando as teorias da personalidade são tão gerais que poderiam aplicar-se à maioria das pessoas e dizer informações muito pouco específicas sobre um determinado indivíduo. É chamado pelo nome de P.T. Barnum por causa do famoso dono de circo que supostamente aperfeiçoou esta técnica em seus espetáculos de adivinhação. Depois de aprender sobre o efeito Barnum, espero que você nunca mais veja da mesma forma um biscoito da sorte ou o horóscopo.

 

Rebatendo o Ego de Freud

Lembra-se do ego? Você sabe, aquele símbolo da liberdade americana e dos Correios dos Estados Unidos? Não, aquilo é uma “eagle” (eagle, águia em inglês). O ego é o principal negociador de Freud entre o desejo e a moralidade. (Veja o Capítulo 10 para saber mais sobre Freud.) Lembra-se agora? Mesmo que muitas pessoas tenham ficado e permaneçam muito impressionadas com as ideias de Sigmund, muitos colegas e contemporâneos de Freud decidiram seguir o seu próprio caminho e desenvolver suas próprias teorias da personalidade. Muitos desses indivíduos achavam que Freud não deu ao ego crédito suficiente ao modelar nossas personalidades. A maioria deles achou que era mais do que apenas um mediador. Para outros, o ego se tornou sinônimo da personalidade em si.

 

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Capítulo 11: Desenvolvendo uma Personalidade Premiada 125

 

H. Hartmann

H. Hartmann foi um seguidor de Freud que liderou a discórdia e a marcha em direção a enfatizar o Ego na personalidade. Para Hartmann, o Ego desempenhava dois papéis-chave ao modelar a personalidade:

� Reduzir o conflito.

� Promover a adaptação.

Sigmund Freud falou muito sobre o conflito entre o id, ego e superego. Basicamente, existe muita tensão entre o desejo de uma pessoa e a realidade de satisfazer esse desejo de uma maneira socialmente aceitável e apropriada. O Ego de Hartmann era parecido com o de Freud no sentido de que ajudava a satisfazer o desejo do Id e a acalmar as regras do Superego. Mas o seu Ego existia por si só, de um modo que Freud nunca mencionou.

O Ego de Hartmann é uma parte central da personalidade que tem seu próprio desejo ou necessidade de satisfação, ao passo que o Ego de Freud era mais como um juiz sem uma agenda real própria. O que satisfaz o Ego segundo Hartmann? O pensamento, planejamento, imaginação e integração são coisas sexuais do Ego de Hartmann. A satisfação predefinida ocorre quando os humanos se engajam nesses processos e esse feito nos empurra em direção a uma maior independência e autonomia. Ser independente e autossuficiente é um sentimento de satisfação. As crianças ficam muito contentes com a perspectiva de serem vistas como um “menino crescido” em vez de um bebê. Pouco sabem o que está aguardando por elas quando realmente crescerem... coitadas.

 

Sentindo-se frenológico?

Nos séculos XVIII e XIX, um cientista chama- seram teorias relativamente inúteis para a do Franz Joseph Gall tentou classificar as personalidade. Uma boa teoria da personali-personalidades das pessoas com base nas dade nos permite descrever com precisão os formas de seus crânios e padrões únicos dos indivíduos e distingui-los uns dos outros. As pedaços de suas cabeças. Não se preocupe, teorias da personalidade ruins geralmente ninguém está usando mais essa técnica – são culpadas de algo chamado efeito Barnum aparentemente, as partes nos dizem muito (veja a seção “Sabendo quem é um nerd”, an-pouco. Muitos pensadores que fizeram con- teriormente neste capítulo). tribuições legítimas em outras áreas propu-

 

psicologia01.indd 125 22/02/2011 16:35:40 126 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

RE-SE

MB

LE

Equilíbrio é a chave

Minha habilidade em controlar meus impul- mente trabalho e nenhuma diversão tornam sos e adaptar-me às demandas da situação é Johnny um garoto muito chato. (Sempre fi-chamada de controle do ego. De qualquer quei imaginando de onde vem esse ditado. forma, é importante não se entusiasmar de- Não acho que veio dos psicólogos.) O equilí-mais com o controle do ego, de modo que se brio entre a total falta de controle e ser rígido transforme em um controle exagerado. So- demais é importante. Flexibilidade é a chave!

 

Robert White

Robert White, um outro psicanalista, acrescentou às ideias de Hartmann sobre o Ego. Este esforço pela autossuficiência e a satisfação que vem com ele origina-se de uma iniciativa que White chamou de motivação de efectância – o motivo ou a necessidade de sentir que podemos ter um impacto ou um efeito em nosso ambiente. É como ter um pequeno ativista comunitário dentro de todos nós, empurrando-nos para “fazer uma diferença”, mas de uma maneira mais pessoal e individual.

White acrescentou outra necessidade a essa ideia, o motivo de competência – a necessidade de fazer um impacto eficaz no mundo à nossa volta. Portanto, ter um impacto não é bom o suficiente, é mais satisfatório ter um impacto eficaz. Isso é mais do que a motivação de efectância; temos que ter um efeito competente. Algumas vezes, penso se os adolescentes que fazem grafite não existem apenas para satisfazer esse motivo de efectância sem muita relação com o motivo de competência. Chame-me de louco, mas rabiscar seu nome em uma parede não é muito artístico. De qualquer forma, para não ser injusto, vi uma arte em grafite muito impressionante; fico pensando naqueles “pichadores”.

Nossas necessidades para a efectância e a competência nos empurram para o domínio, um desejo de ser uma pessoa eficaz. Os jogos de crianças, tais como, Rei do Pedaço e Siga o Líder parecem refletir nossa necessidade de estar no comando. De qualquer forma, saiba que Hartmann e White não estavam dizendo que todos nós temos necessidade de ser líderes dos outros, apenas uma necessidade de ser líderes de nós mesmos – ter um autocontrole. Buscamos ativamente informações e estímulo para dominar o nosso mundo e a nós mesmos. É um tipo de Destino Manifesto da personalidade. O domínio não é a questão também. A satisfação saudável desses motivos é a adaptação requerida através do devido controle do impulso e da flexibilidade quando enfrentados os ajustes necessários e os desafios. Posso sentir-me como um mestre se sujeito as outras pessoas ao meu desejo, mas isto não seria uma satisfação saudável da necessidade de domínio.

 

Alfred Adler

Alfred Adler, um outro psicanalista, tentou abordar a ideia de onde essa necessidade de domínio realmente vem. A necessidade de domínio e a nossa

 

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iniciativa para conseguir são resultado de um processo complexo de autoavaliação.

Basicamente, Adler achava que todos nós temos certas imagens ideais de nós mesmos e que todos possuímos aspirações nas quais nos empenhamos. Essas necessidades são manifestações específicas de uma necessidade geral de conseguir com esforço um nicho para nós mesmos em um mundo grande, ambíguo e anônimo. Quando existe uma discrepância entre nossa autoimagem ideal e o que realmente estamos fazendo, surgem sentimentos de inferioridade e formamos um complexo de inferioridade. Esse complexo nos empurra em direção a realizar nossos ideais e a uma necessidade de domínio. Portanto, o que realmente estamos dominando não é realmente o mundo, mas a nossa habilidade de conviver com as nossas próprias expectativas. Acho que estou de acordo com Adler. Tive muito poucas aspirações – um domínio facilmente conseguido, acho.

 

Teoria Psicossocial de Erikson

Erik Erikson aproximou-se muito da teoria psicanalítica/freudiana da personalidade. Mas, assim como os outros que desertaram, ele teve algumas ideias muito poderosas sozinho. Erikson não passou muito tempo falando sobre o Id ambicioso ou o Superego crítico. Ele focou no Ego, mas de um modo diferente de Freud.

RE-SE Erikson via a personalidade como um produto de interações sociais e das

LE MB escolhas que fazemos na vida. Ele apresentava o Ego “em desenvolvimento” como uma identidade pessoal, modelada e moldada por nossas experiências.

Quando nos relacionamos com outras pessoas, passamos por uma série de estágios, nos quais o objetivo é desenvolver um senso coerente do eu, de quem somos. Cada estágio apresenta-nos um desafio ou uma crise na qual seguimos em uma ou outra direção. Quando uma personalidade do tipo “bifurcada” existe, nossas escolhas têm um forte efeito sobre quem somos. A seguir, estão os estágios do desenvolvimento psicossocial de Erikson.

 

Confiança básica versus desconfiança

Como sabemos que o sol irá nascer amanhã de manhã? A experiência nos diz isso. Como você sabe se pode confiar que suas necessidades serão cuidadas? A experiência nos diz isso. A experiência básica que temos de interagir com alguém atento e confiável que cuida de nós no início da vida transforma-se em uma confiança básica do mundo. (O estágio de desenvolvimento da confiança básica versus desconfiança engloba o primeiro ano de vida de um bebê.) Uma sensação de previsibilidade e continuação naqueles que cuidam de nós desenvolve-se, pois a pessoa cuida de nossas necessidades básicas e complexas. Essa confiança básica também inclui confiar em si mesmo, saber que, quando quem cuida não está disponível, você pode cuidar de si mesmo.

 

DIC A Mas e se a mãe e o pai deixarem a bola cair? Se houver uma carência constante de cuidado responsivo e as necessidades de uma criança não

forem atendidas adequadamente, ela pode nunca aprender a confiar em seu ambiente. O cuidado inconsistente ou intermitente também pode levar a uma

 

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falta de confiança. De qualquer modo, quando o sentimento de confiança básica de uma criança é minado, ele pode levar a um recuo e algumas vezes até a um completo fechamento das relações.

 

Autonomia versus vergonha e dúvida

Quando os bebês atingem a idade de um a três anos, suas habilidades (de linguagem, social, física e cognitiva) expandem-se rapidamente. Eles começam a andar, falar e tornam-se máquinas de perguntas. Eles se interessam por tudo! É difícil mantê-los presos. Esta barulheira e persistência são uma expressão da independência de uma criança. Quando seus corpos e mentes crescem, eles ganham confiança e exploram seus mundos.

A Mas e se a mãe e o pai forem dominadores demais? As crianças entre as

DIC idades de 1 e 3 anos precisam ficar sozinhas. Se os pais lhes disserem para

não tocar nas coisas, não andar e não experimentar a sua confiança recém-descoberta, as crianças poderão desenvolver uma sensação de vergonha e duvidar de si mesmas. A vergonha não é o mesmo que culpa. Vergonha é mais um sentimento de autodesgosto ou extremo desgosto de si mesmo. Geralmente a culpa envolve deixar os outros se sentido mal, mas a vergonha é mais uma condenação de si mesmo. As pessoas que cuidam precisam equilibrar segurança e instrução com uma promoção saudável da exploração e da experimentação com independência.

 

Iniciativa versus culpa

Com base nos sucessos dos dois primeiros estágios, uma criança no jardim de infância continua a expandir seu senso de independência, mas agora, de um modo mais refinado. A independência rudimentar é canalizada em um comportamento mais intencional e responsável. As ações contêm menos um sentido de rebelião e mais um sentido de autoiniciativa. A palavra iniciativa implica em iniciar ou originar. Durante esse período, os desejos únicos de uma criança emergem e realmente começam a dar definição às suas pequenas personalidades. Elas podem querer ajudar na casa ou vestir suas roupas favoritas, mesmo que suas roupas favoritas sejam uma fantasia de Halloween.

Tenho que admitir, tenho problemas. Odeio ser chamado de “irresponsável”. Talvez, eu ainda esteja preso nesse estágio, mas de qualquer modo, realmente sinto culpa quando falho em agir com responsabilidade. É o que pode acontecer quando uma criança na pré-escola falha em desenvolver um senso de iniciativa. A culpa pode surgir de se sentirem ansiosas ou enganadas demais em suas ações. É como deixar a si mesmo sentido-se mal. Você não está conseguindo! Você é lento! Você é irresponsável! Socorro, preciso de terapia!

 

Dedicação versus inferioridade

“É hora de crescer!” – é o que você ouve entre a idade de 6 anos e a adolescência. Brincar e experimentar o ambiente não será mais tolerado. Espera-se que uma criança consiga algo quando se engaja em alguma coisa.

 

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Um jogo sem propósito e confuso é visto com uma falta de dedicação. Você deve ser o “capitão da dedicação” do Ensino Fundamental – conseguir, não embromar. Jogar futebol no jardim da frente com as crianças vizinhas não é jogo de criança, é uma demonstração de sua liderança e habilidades de organização, e sua habilidade de conseguir um objetivo. Bem, sei que estes exemplos são um pouco extremos, mas o ponto é que o objetivo desse estágio é focar nas habilidades da infância de alguém para os objetivos específicos e tarefas. Não é mais correto rabiscar... os pais não aplaudem mais isso. Eles querem resultados. Agora, querem que você pinte entre as linhas. E isso é só para começar.

A E se uma criança vê o intervalo como um momento para liberar e relaxar das

DIC pressões do dia na escola? Ela estaria sendo inferior? Não, usar o intervalo

para relaxar é intencional. Mas se houver uma falta aparente de imediatismo do objetivo no comportamento de uma criança, um sentimento de ser um “preguiçoso” ou não ter finalidades poderá levar a um sentimento inferior.

 

Identidade versus confusão de identidade

Quando eu era adolescente, passei por algumas identidades antes de me fixar no “surfista”. Pintei meu cabelo de roxo um mês e me vesti como um bandido no outro. Eu sei, eu sei, eu era um imitador. Mas, segundo Erikson, esse comportamento era uma parte normal do desenvolvimento. Durante a adolescência, os adolescentes experimentam novas identidades e visões de si mesmos. Há um impulso para descobrir quem alguém é realmente e o que é. Erikson chamou isso de crise de identidade. Se um adolescente navegar com sucesso pelas águas abismais da confusão de identidade da adolescência, irá emergir com um senso mais sólido do eu e uma identidade mais clara. Se não...

A confusão da identidade é o estado da crise de identidade não resolvida. Eu costumava achar que o meu amigo de 30 anos que ainda usa camisetas do Duran Duran, espeta a sua franja e enrola as suas calças estava em um estado de confusão de identidade. Mas, na verdade, ele resolveu com sucesso o problema de quem ele é – é o mesmo cara que conheci na oitava série: sem confusões. Algumas vezes, os adolescentes ficam perdidos na busca confusa de uma identidade genuína, outras vezes se afastam e nunca sentem realmente um verdadeiro sentimento do “eu”.

 

Intimidade versus isolamento

Quando um solteirão que vive a vida de festas e encontros envelhece? Para muitas pessoas, é durante os anos do jovem adulto, entre dezoito e trinta e cinco, ou mais. Quando eu estava com vinte anos, lembro-me de ver um cara com quarenta anos na boate local, parado no bar, tentando seduzir as garotas de vinte para tomarem uma bebida. Não sei, mas isso me pareceu muito patético. Este é um julgamento de valor, claro, mas segundo Erikson, há um momento em que a habilidade de alguém para encontrar e desenvolver intimidade é uma tarefa primária do desenvolvimento da personalidade. Depois de alguém saber quem ele é, ele volta a desenvolver relações íntimas com outras pessoas que conhece. O objetivo é a intimidade. Talvez seja por isso que muitas pessoas se casam durante esse período?

 

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DO!

CU IDA Não tenho ideia se o cara da boate era apegado ou distanciado da intimidade

com base em uma observação casual de uma fraca tentativa de bancar o psicólogo teórico. Erikson afirmava, porém, que as pessoas que falham em desenvolver relações de intimidade durante esses anos provavelmente experimentam isolamento social. Considerando meu exemplo da boate, percebo que a intimidade pode parecer romântica por natureza. Porém, este não é o caso: a intimidade é sobre desenvolver relações íntimas, sejam relações com amigos, amantes ou não. De qualquer modo, os indivíduos com dificuldades para desenvolver amizades ou fazer conexões românticas podem encontrar-se isolados.

 

Produtividade versus estagnação

Algo surpreendente geralmente acontece com os presos mais antigos nas prisões. Uma prisão é um ambiente repleto de violência, algumas vezes significa caras que geralmente não se importam com quem ferem quando cometem seus crimes. Mas, muitos presidiários mais antigos assumem o papel de “big brother” para os caras mais novos que entram. No momento, você provavelmente deve estar sentado e dizendo: “Com certeza, eles são big brothers, ensinando as melhores habilidades do crime”. Mas não é isso. Os condenados mais antigos realmente tentam prevenir os mais novos, tentando afastá-los do estilo de vida que viveram por tanto tempo. É uma boa demonstração do que Erikson chamou de produtividade – a necessidade de ser necessário e sentir-se como tal está guiando a “próxima geração”. Um senso de querer deixar uma herança e ter um impacto nos mais jovens desenvolve-se durante a meia idade.

Quando as pessoas sentem que não fizeram nada ou não podem fazer nada pela próxima geração, elas desenvolvem um sentimento de estagnação em vez de produtividade. É como se ficassem paradas em isolamento sem ninguém para quem passar sua sabedoria. Este processo é estranho de observar, é como um alarme interno que dispara. As pessoas desejam filhos e netos ou desejam treinar uma pequena liga. Se os indivíduos não têm uma habilidade ou oportunidade de satisfazer esse desejo, eles desenvolvem um sentimento de estarem estagnados.

 

Integridade versus desespero

Quando a vida perde o ritmo e a idade avança sobre nós, geralmente sentamos e refletimos sobre as coisas que realizamos e se nossas vidas foram bem vividas ou desperdiçadas. Se um homem tem uma sensação de satisfação com o modo como viveu sua vida, ele sentirá integridade, um sentimento básico de plenitude ou de estar completo. Se não, o desespero provavelmente se seguirá. Alguma vez você já pensou por que os adultos mais velhos gostam de contar histórias de suas vidas? Pode ter alguma relação com o processo de olhar para trás e refletir. Portanto, se você não quiser pessoas mais velhas entrando em desespero, aja com interesse e ria, mesmo que não ache as histórias divertidas.

 

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Relacionando a Objetos

Ao manter o foco social nas teorias da personalidade tratadas nas seções anteriores, outra expansão da teoria de Freud tornou-se uma das forças mais dominantes na teoria da personalidade nos últimos cinquenta anos. É chamada de teoria das relações do objeto. A premissa básica é que as relações interpessoais são os fundamentos base da personalidade. Basicamente, nossas personalidades são produto de nossa representação mental de outras pessoas, de nós mesmos e das relações entre os dois. Ou seja, não são as pessoas reais e nossas relações com elas que são importantes, mas nossos pensamentos e ideias sobre elas. Os “objetos” na teoria são as outras pessoas. As “relações” são os relacionamentos. Bem simples, certo?

A teoria das relações do objeto não é realmente uma teoria, mas uma coleção de teorias de vários pensadores. Os colaboradores mais populares para este corpo de pensamento são Melanie Klein, Ronald Fairbairn e D.W. Winnicott. Uma outra figura de destaque foi Margaret Mahler. Mahler desenvolveu uma bela síntese dos trabalhos de outros e ela é o foco principal desta análise.

RE-SE Todas os colaboradores das relações do objeto basicamente compartilham

LE duas ênfases amplas: MB

� A ideia de que o padrão de uma pessoa de se relacionar com os outros

é estabelecido durante as interações da primeira infância.

� A suposição de que qualquer que seja o padrão formado, ele tende a

ocorrer sempre durante a vida de uma pessoa.

Mahler afirmava que os recém-nascidos nascem sem a habilidade de se distinguirem das coisas que estão “fora do eu”. Os bebês estão em um estado virtual de fusão psicológica com os objetos em seu ambiente.

Para aquelas que são mães e já carregaram um bebê talvez saibam um pouco sobre isto. Na realidade, uma mãe e seu feto estão entrelaçados biologicamente. Eles não estão unidos no quadril, aparentemente apenas em todos os outros lugares. Eles estão conectados fisicamente e quando uma coisa acontece com a mãe, também acontece com o feto e vice-versa.

Mahler estendeu essa ideia em um sentido mais psicológico. Quando um bebê nasce, ele está no estado de fusão da personalidade com sua mãe ou com quem cuida dele. É por causa do amor belo e harmonioso que eles compartilham entre si? Não exatamente. Essa fusão é mais uma função da dependência do bebê e das suas habilidades de sobrevivência não desenvolvidas. Quando crescemos e nossas personalidades se desenvolvem, essa fusão se quebra e um bebê gradualmente desenvolve uma personalidade mais diferenciada, que é separada e distinta da personalidade de sua mãe, e dos outros também. Isso é bom – eu diria: “Comece a viver!”

Com o objetivo de uma personalidade completamente diferenciada em mente, aqui estão os estágios do desenvolvimento da personalidade apresentados por Mahler:

� Estágio autista (nascimento até dois meses): O bebê está em um estado

adormecido de isolamento psicológico, parecido com estar no ventre. É

um momento de total união, onde o bebê não pode dizer a diferença

entre ele mesmo e sua mãe. Na mente do bebê, a mãe, de fato, é apenas

 

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uma extensão dele. O estágio autista é um sistema fechado e toda a

energia emocional permanece referenciada ao próprio corpo do bebê,

não direcionada para fora, para os objetos externos.

� Simbiose (dois a seis meses): Agora, uma consciência indistinta de um

“outro” começa a emergir. Esse outro é experimentado como “algo” que

satisfaz a fome, sede e outros desconfortos. A relação é como se o

outro existisse apenas para servir às necessidades do bebê. (Algumas

vezes, acho que os maridos machistas pensam isso sobre suas

esposas!) Ainda não há uma distinção feita entre “eu” e “você”. Somos

um na mesma pessoa.

� Incubação (seis a dez meses): Neste ponto, o mundo do bebê começa a

se abrir um pouco mais e a expandir. “Incubação” é um sentimento de

diferença entre o bebê e os objetos no mundo em volta dele. Contudo,

isso pode ser algo assustador e o conforto da simbiose não é esquecido

por muito tempo.

Quando os bebês começam a se abrir psicologicamente para o mundo grande e mau, geralmente, eles requerem algo para levar com eles em sua jornada. Esta “coisa” confortante é chamada de objeto transicional. Lembra de Linus do Peanuts? Ele levava seu cobertor, seu objeto transicional, para todos os lugares. Ele o confortava. Pois bem, Linus parecia ter um pouco mais do que 10 meses, portanto, ele tinha alguns problemas ou o quê? Os bebês também desenvolvem uma ansiedade estranha durante a incubação. A ansiedade estranha é quando os bebês ficam cansados e algumas vezes até com medo das pessoas que nunca viram ou encontraram antes.

Continuar: parte 7 de 16