Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 9/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

Embora a conformidade e a obediência não sejam necessariamente coisas ruins, aprender a resistir a ambos pode ser importante, só para assegurar. O nazismo alemão talvez seja um dos exemplos mais horríveis dos perigos da conformidade. Eu sustento que manter um grau de diversidade individual é importante em qualquer grupo social. O melhor modo de impedir a conformidade pode ser manter um senso e respeito pela exclusividade humana. A liberdade do discurso e a tolerância à religião são também boas proteções contra a conformidade. Contanto que as pessoas se sintam confortáveis em serem elas mesmas e possam expressar livremente suas mentes, a conformidade será um pouco mais difícil.

 

Fazendo melhor com ajuda

“Não existe EU no TIME!”. Muitos treinadores usam esta frase em suas conversas estimulantes, tentando transmitir a ideia de que quanto melhor um time joga junto, melhores serão seus resultados. Os psicólogos descobriram que essa ideia é verdadeira até certo ponto. Quando estamos na presença dos outros, somos mais estimulados e energizados, e os comportamentos dominantes são reforçados. Este fenômeno é chamado de facilitação social.

Robert Zajoncin achava que quando fazemos algo relativamente simples e rotineiro, estar na presença de outras pessoas melhora a nossa performance. Mas, quando uma tarefa é complexa, ter os outros à nossa volta pode atrapalhar a nossa performance. Portanto, pode ser uma boa ideia conduzir o torneio de cálculo em algum lugar diferente do Madison Square Garden. Embora, o cabo de guerra provavelmente seja bom.

 

Recuando

Quando eu estava no Ensino Fundamental, os professores me pediam com frequência para participar de projetos em grupo. Geralmente, era algo assim: quatro alunos menos motivados juntavam-se com o esperto e deixavam o esperto fazer todo o trabalho. Esses alunos desafiados, de modo motivacional, atribuíam então seus nomes ao projeto para ter o crédito. Este é um exemplo de vagabundagem social – a tendência das pessoas colocarem menos energia e esforço quando engajadas em uma tarefa de grupo que ignora o comprometimento individual.

Os psicólogos Latane, Kipling, Williams e Harkins achavam, por exemplo, que quando as pessoas eram colocadas em grupos de seis e instruídas a aplaudirem o mais alto que pudessem, a quantidade de barulho produzida era menor do que uma pessoa aplaudindo sozinha. As pessoas “vagabundeiam” quando engajadas em atividades como grupos. Esses vagabundos são cavaleiros livres que descansam sobre os esforços das outras pessoas no grupo. É como aquelas pessoas que apenas balbuciam palavras no coro da escola. Ei, se eu não estou sendo observado, então, por que devo empenhar-me? Não terei crédito por meu esforço individual.

 

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Capítulo 14: Conforme um Contorcionista: Psicologia Social 171

 

Permanecendo anônimo

Já parou para pensar alguma vez por que os grupos de pessoas que realmente fazem coisas terríveis geralmente usam uniformes? Veja a Ku Klux Klan, por exemplo. O que significam os chapéus pontudos? Os pesquisadores descobriram que a identidade individual diminuída e a responsabilidade individual difundida reduzem as inibições das pessoas. Essa redução das inibições pode resultar nas pessoas fazendo coisas que poderiam não fazer se estivessem sozinhas ou fossem identificáveis mais facilmente. Quando isso acontece, elas se tornam desindividualizadas.

Certa quantidade de liberdade parece acompanhar o ato de misturar-se em uma multidão ou o anonimato. Talvez, tenhamos menos medo de ser pegos. Descobriu-se que as crianças parecem roubar mais quando são desindividualizadas. Parece que o anonimato e a falta de uma identificação única facilitam o comportamento antissocial – algo que penso quando considero como a sociedade americana é realmente anônima. Alguns de nós nem conhecem os vizinhos ao lado.

 

Pensando como um

Os grupos podem ter efeitos positivos e negativos sobre o comportamento individual. Podemos realizar algumas tarefas melhor quando trabalhamos dentro de um grupo e ser mais lentos ao realizar outras. Em 1971, Janis introduziu outro efeito potencialmente adverso de participação do grupo, um fenômeno conhecido como identidade de grupo. Quando os grupos trabalham para anular o desacordo e a discórdia para manter sua harmonia, eles se engajam na identidade de grupo.

Algumas vezes, a discórdia pode ameaçar a coesão de um grupo. Quando as pessoas começam a expressar ideias contrárias às visões do grupo, às vezes o grupo reage negativamente. Galileu foi uma das famosas vítimas da identidade de grupo na história. Ele descobriu uma evidência relacionada ao sistema solar que desafiava o pensamento comum da época. Ele recebeu altos elogios e honras? Não exatamente! Ele foi trancado na prisão por ser um herege, um dissidente.

Os grupos trabalham muito, consciente e inconscientemente, para impedir a discórdia. Janis identificou oito sintomas de identidade de grupo que podem ser apresentados em um grupo:

� Ilusão da invulnerabilidade: Quando os grupos pensam que são

intocáveis, muito provavelmente eles esmagam a discórdia.

� Crença na superioridade moral do grupo: Quando um grupo acha que

é essencialmente moral, irá ignorar sua própria imoralidade.

� Racionalização: Um grupo fica mais limitado quando justifica

coletivamente suas ações.

� Estereótipo do oponente: Quando um oponente é exibido em termos

tendenciosos ou preconceituosos, as afirmações que contradizem as

visões do grupo são ignoradas.

 

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� Pressão da conformidade: Há uma forte pressão sobre os indivíduos

para seguirem a vontade do grupo e não discordarem; do contrário,

eles serão expulsos.

� Autocensura: Os membros do grupo mantêm suas opiniões de

discórdia para si mesmos em vez de perturbarem o equilíbrio.

� Ilusão da unanimidade: A discórdia interna é mantida fora da vista e

longe da visão do grupo; portanto, a discórdia parece não existir.

� Guardas da mente: Alguns membros do grupo assumem um papel ativo

ao protegerem o grupo contra a discórdia ou informações contrárias.

São como a “polícia do pensamento” no livro de George Orwell, 1984.

A identidade de grupo pode causar muitos problemas. As alternativas para o status quo podem ficar sem um exame, assim, impedindo uma análise completa de qualquer problema em mãos. Os riscos podem ser ignorados.

A Em geral, as decisões que um grupo toma podem ficar comprometidas.

DIC

Alguns modos de evitar a identidade de grupo são:

� Encorajar que todos expressem suas opiniões e pontos de vista

� Convidar que pessoas externas deem pontos de vista alternativos

� Atribuir aos membros individuais do grupo o papel de advogado do

diabo

 

Persuadindo

O poder da persuasão é algo que eu acho que todos queremos ter um pouco mais. O maior exemplo desse poder vem da série Guerra nas Estrelas. Os guerreiros Jedi possuíam a habilidade de influenciar os pensamentos dos outros usando “a força”. Era chamado de “truque da mente Jedi”. Acho que o vendedor de carros que me vendeu meu último carro usou em mim o truque da mente Jedi. Ele usou o lado obscuro da força, eu acho.

A persuasão é uma força poderosa em todas as interações e organizações sociais. As pessoas não a utilizam para vender produtos apenas. A persuasão é usada em uma grande variedade de aplicações, desde a formal até a informal. Existem dois caminhos para a persuasão:

� Rota central: A rota central ocorre quando o “persuadido” processa

ativamente a informação de persuasão em potencial. Verplanken, em

1991, percebeu que quando as pessoas pensam profundamente sobre

algo, qualquer mudança associada à atitude ou à opinião tem mais

probabilidade de ficar alterada.

� Rota periférica: Esta comunicação é menos direta do que a rota central

e envolve associar a mensagem pretendida a outras imagens, algumas

vezes positivas, outras negativas. Os exemplos clássicos são usar Fabio

para vender um substituto da manteiga ou modelos com corpos rijos

para vender mensalidades de academias. A rota periférica não é direta

e requer muito menos pensamento. Aqueles que convencem estão

 

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Capítulo 14: Conforme um Contorcionista: Psicologia Social 173

contando com a habilidade natural de nossas mentes ao associar

coisas. Lembra-se do condicionamento clássico? (Se não, verifique o

Capítulo 8.)

A Os psicólogos Petty e Caccioppo advertem que se você for tentar persuadir

DIC as pessoas, não as informe sobre o que está acontecendo. O ato de distraí-las

ajuda porque elas não serão capazes de montar um contra-argumento para as suas reivindicações. E mais, quatro componentes-chave compõem qualquer argumento persuasivo:

� Características do comunicador: Uma mensagem tem mais

probabilidade de ser persuasiva se alguém que é visto como aceitável a

fornece.

� A qualificação geralmente é um indicador poderoso da

credibilidade. Ouvimos os especialistas. Porém, lembre-se de uma coisa: só porque alguém diz que é um especialista, não significa que seja necessariamente. Na dúvida, sempre verifique as credenciais, educação, treinamento e experiência.

� Há mais probabilidade de sermos persuadidos por alguém que

vemos como confiável. Eu compro a minha aveia da empresa que tem o velho vovô confiável nos comerciais. Ele mentiria?

� A maioria de nós ainda acha as mensagens das pessoas atraentes

mais persuasivas. As pessoas atraentes podem ser atraentes fisicamente ou ter uma personalidade interessante.

� A semelhança desempenha um papel. Quanto mais se parecem

conosco, melhor.

� Características da mensagem: Quem persuade deve apelar para a

emoção de alguém ou para a sua razão e pensamento crítico? Eis uma

análise destas e de outras características da mensagem:

� Abordagem raciocinada: Em 1983, Caccioppo e outros

perceberam que ao tentar persuadir pessoas altamente educadas ou analíticas, uma abordagem raciocinada é melhor. Esses indivíduos parecem gostar de refletir sobre as coisas e de analisar as informações antes de tomar uma decisão. Eles não são necessariamente mais espertos, mas geralmente estão mais envolvidos nas informações mais recentes.

� Abordagem emocional: Aqueles que não têm tempo ou inclinação

para ler cada crítica de consumidor quando vão comprar um carro novo confiam nas outras pessoas e são mais influenciados pelos apelos emocionais. “Minha irmã disse que adorou seu carro novo. Acho que comprarei um.”

� Fator medo: Muitas pessoas persuasivas usam o medo para

afastar as pessoas de comportamentos nocivos ou doentios (como você pode ver no Capítulo 23 sobre estresse e saúde). Essas mensagens funcionam. Os anúncios que evocam medo estão à nossa volta – antifumo, prevenção de abuso de drogas, campanhas políticas, por exemplo. Há apenas uma condição. Se você for assustar as pessoas para persuadi-las, terá que fornecer

informações concretas sobre como lidar ou como mudar seu comportamento; do contrário, elas podem renunciar a si mesmas diante do medo.

 

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� Argumento com dois lados: Esta é uma outra tática útil a utilizar

em sua busca por persuasão. Um argumento com dois lados é aquele que reconhece a outra posição, dando a impressão de lealdade e objetividade. Os anunciantes têm usado essa técnica por anos, conduzindo “testes de paladar” e outros desafios comparativos com seus rivais. Sabemos o que eles querem!

� Modo de comunicação da mensagem: A forma como uma mensagem é

apresentada é importante. O melhor modo de apresentar informações

persuasivas é fazer o persuadido assumir uma parte ativa no

processamento do argumento. Os argumentos ativos capturam a

atenção do observador e transmitem uma expectativa de que o

observador compreenderá a mensagem, lembrará dela e, então, tomará

uma ação. Quando aumentamos a energia que investimos ao processar

mentalmente uma mensagem, aumentamos a probabilidade de que ela

permanecerá. A recepção passiva de uma mensagem, como, por

exemplo, ouvir uma palestra, tem menos probabilidade de ter um

impacto. As pessoas têm que estar envolvidas na mensagem.

� Características do público: Sears, em 1986, percebeu que as pessoas

mais velhas têm menos probabilidade de mudar suas atitudes e

opiniões do que as mais jovens. Aos vintes anos, somos

particularmente vulneráveis à persuasão. É uma época nas vidas de

muitas pessoas quando as escolhas abundam e as informações estão

sendo trocadas rapidamente. As pessoas estão na faculdade, entrando

em empresas e expandindo suas redes sociais. Elas estão expostas a um

mundo novo de informações e isso pode tornar a resistência à

persuasão mais difícil.

A Finalmente, eis uma pequena dica sobre como resistir à persuasão. Com cada

DIC um de nós sendo bombardeado por mensagens persuasivas todos os dias,

ajuda saber como ficar comprometido com nossas próprias crenças e atitudes. Em 1970, Kiesler notou que um bom modo de resistir à persuasão é através do processo de vacinação da atitude. A vacinação da atitude envolve expor as pessoas a argumentos fracos, ou mais fracos, contra sua posição para vacinar ou solidificar sua resistência aos contra-argumentos. Esse processo lhes dá prática e confiança na refutação. É como um aquecimento antes do grande jogo. Se eu quiser reforçar a posição de alguém sobre aumentar a regulamentação de arma de fogo, por exemplo, posso apresentar argumentos fracos contra a regulamentação aumentada.

 

Moleza

Há um ótimo vídeo de roque de uma banda cio do que se o homem apenas andasse com chamada Cake que demonstra perfeitamente uma placa informando “Veja a nova canção a influência da participação do persuadido. do Cake. Nas lojas agora!”. Os persuadidos No vídeo, um homem caminha em uma praia, estão participando de sua própria manipula-pedindo às pessoas reais para colocarem fo- ção. É bonito. Não sei se as pessoas que fize-nes de ouvido e ouvir a nova canção. Elas são ram o vídeo estavam pensando assim, mas se encorajadas a comentar sobre a música. Esta estavam, conseguiram uma ótima técnica de é uma técnica muito mais poderosa de anún- persuasão!

 

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Capítulo 14: Conforme um Contorcionista: Psicologia Social 175

 

Sendo Vil

Embora a maioria de nós pense que é civilizada, é difícil ignorar toda a violência e agressão à nossa volta. Alguns dos atos mais horríveis de agressão foram cometidos no século XX, não em alguma sociedade selvagem em nosso passado remoto. Os exemplos são muitos – o genocídio cambojano de Pol Pot, o Holocausto, o assassinato de 26 milhões de pessoas de Mao Tse-tung e, nos últimos anos, a guerra civil de Ruanda. São atrocidades em massa, mas todos os dias, somos confrontados com atos menores, mas igualmente horríveis, de violência e agressão. A violência doméstica, abuso infantil, assassinado, estupro e assalto estão à nossa volta. Infelizmente, a maioria de nós já teve alguma experiência com pelo menos uma dessas formas de violência e agressão. Por que agimos assim? Por que somos violentos com o outro? Os psicólogos têm procurado respostas para essas perguntas estudando a agressão, uma forma de violência. A agressão pode ser definida como qualquer comportamento que é direcionado e pretendido para ferir outra pessoa ou pessoas. Existem dois subtipos:

� Agressão hostil: Conduzida pela raiva e existe por si só.

� Agressão instrumental: Usada para servir a alguma outra finalidade, tal

como intimidação ou extorsão.

A maioria das teorias sobre a agressão questiona por que cometemos uma agressão hostil. E se eu não puder evitar? Existem várias teorias.

Talvez, eu tenha nascido com um instinto violento e uma predisposição genérica para agir agressivamente. Parece que algumas crianças nascem mais agressivas que outras. Freud achava que nascemos com instintos agressivos e estudos genéricos mostraram que gêmeos idênticos têm mais probabilidade de ser mais igualmente agressivos do que gêmeos fraternos (Rushion et al, 1986).

Uma pesquisa também mostra níveis mais altos do hormônio testosterona em homens e mulheres condenados por crimes violentos, em comparação com os condenados por crimes não violentos (Dabbs, 1988).

 

Culpando a televisão

Assisti à televisão violenta toda minha vida e agressivo leva a um comportamento agressi-não me considero uma pessoa violenta. Po- vo. Minha pergunta é: por que há tanta violên-rém, a pesquisa é clara, quanto mais violenta cia na televisão? Tiramos algo disso? É uma é a televisão que um criança assiste, mais técnica de persuasão estimulante emocional-agressiva ela é (Eron, 1987). Há pouca coisa mente usada pelas empresas para vender que nega isso. Hearold, em 1986, conduziu seus produtos? Não sei, mas acho que deve-uma revisão completa de mais de 230 estudos mos ver as razões por trás da inclusão de tan-e concluiu que assistir a um comportamento ta violência na TV.

 

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Nossos cérebros realmente podem ter alguma relação com isso também. Centros específicos no cérebro podem estar implicados na produção e na inibição de comportamentos agressivos. Os indivíduos com danos graves nos lobos frontais do cérebro têm sido observados como tendo mais dificuldade para controlar seus impulsos agressivos porque essa inibição é vista como uma das funções do lobo frontal. Essa dificuldade de controlar a agressão é um processo de desinibição.

Talvez eu esteja apenas frustrado? Sou um daqueles motoristas que ficam com raiva quando presos no trânsito. Agora, eu não amaldiçoo as pessoas pela janela ou entro em brigas, mas com certeza fico frustrado. Em 1989, Berkowitz percebeu que algumas vezes a frustração leva à agressão, e outras, não. Quando ficamos frustrados, ficamos com raiva, e quando sentimos raiva, estamos predispostos a agir agressivamente. É como se nossos corpos e mentes ficassem envenenados ou em alerta para agirem com agressão. O gatilho vem quando fazemos uma avaliação cognitiva de uma situação e concluímos que a pessoa que está nos aborrecendo, fez isso de propósito. Esta situação provavelmente produzirá uma resposta agressiva (Weiner, 1981). Portanto, se você pisar nos meus calos, prefiro achar que foi por acaso.

Talvez, eu seja apenas um produto do meu ambiente? Posso ter aprendido a agir agressivamente vendo outras pessoas agindo assim. Albert Bandura concordaria. A teoria da aprendizagem social estabelece que o comportamento agressivo é aprendido observando os outros e vendo-os recompensados por tal comportamento. Os meninos geralmente são recompensados por serem durões. Pagamos aos boxeadores milhões de dólares por baterem nas pessoas. Recompensamos atos agressivos regularmente em nossa sociedade. Qual criança não veria as vantagens da agressão em tal ambiente?

A violência da televisão ficou sob fogo nos últimos anos por causa do aumento drástico da violência nos jovens. Os americanos assistem muito à televisão. Em 1972, as pesquisas Gallup relatavam que os americanos assistiam em média sete horas de TV por dia. Estou certo que o número é maior atualmente. Independentemente de nossas opiniões sobre violência e televisão, o fato é que há muita violência na TV. Em 1990, Gerbner notou que sete entre dez programas continham cenas violentas, com a programação nobre contendo cinco atos violentos por hora. Não há dúvidas, temos uma dose pesada de imagens violentas na televisão.

 

Dando uma Ajuda

Sempre fiquei admirado com pessoas como madre Teresa que dedicam suas vidas inteiras para ajudar os outros. Seu sacrifício foi inquestionável. O que leva as pessoas a ajudarem assim? Certamente não é o dinheiro. Nunca vi madre Teresa dirigindo um Rolls Royce. Altruísmo, preocupar-se e ajudar as outras pessoas sem pedir nada de volta parece ter sido um tópico favorito entre os psicólogos sociais. Talvez, eles tenham estudado o altruísmo com tal empenho pelo fato de ser parte integral de nossas vidas diárias. Praticamente todos os dias, vemos uma situação na qual alguém precisa de nossa ajuda, mesmo que sejam aqueles comerciais tristes noturnos mostrando crianças famintas nas nações em desenvolvimento.

 

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Capítulo 14: Conforme um Contorcionista: Psicologia Social 177

Acho que a maioria de nós gosta de se ver como pessoas úteis. Se não somos particularmente úteis, então, pelo menos estamos querendo ajudar em certas situações ou quando a necessidade é grave. Centenas, senão milhares, de estudos conduzidos por psicólogos sociais têm investigado por quê, quando e quem realmente ajudamos. Alguns resultados são surpreendentes e até chocantes.

Em Nova Iorque, 1964, uma mulher chamada Kitty Genovese foi brutalmente assassinada do lado de fora de seu apartamento por um homem com uma faca. Ela lutou com o agressor e gritou por ajuda por quase 35 minutos. Ninguém a ajudou. Houve depois relatos de 38 de seus vizinhos afirmando que tinham testemunhado o crime e ouvido seus gritos, mas eles nada fizeram para ajudá-la.

O que aconteceu? Por que ninguém a ajudou? Estou certo que quando você está lendo isto está dizendo para si mesmo que teria ajudado. Quando ouvi esta descrição pela primeira vez, pensei: “O que estava errado com aquelas pessoas?”. Pense. Quais são as chances de que todas as 38 pessoas fossem indivíduos frios e insensíveis que não se importavam com uma mulher sendo assassinada dentro do alcance da voz? As chances não são boas. A história de Kitty Genovese mostra o principal ponto da Psicologia social – o poder da situação foi um fator maior ao determinar o comportamento de cada indivíduo.

 

Por que ajudamos?

Antes de eu apresentar algumas das teorias principais sobre por que realizamos atos altruístas, quero conduzir um miniexperimento.

VO LUNTÁRIA

O Da próxima vez em que você estiver em um lugar público, experimente isto:

ÇÃ

IA

C

SO AS � Experimento #1: Deixe cair cinco moedas no chão perto de um grupo

de pessoas e aja como se não tivesse notado. Veja quanto tempo leva

para alguém ajudá-lo. Tente lembrar o máximo que puder sobre ele.

� Experimento #2: Finja tropeçar e caia no mesmo lugar público. Faça as

mesmas observações.

Se você realizou esses experimentos, o que aconteceu? Quem ajudou? Quanto tempo levou? Você sabe por que foi ajudado? Eu sei – provavelmente foi por causa de sua aparência maravilhosa. Acredite se quiser, como falarei posteriormente nesta seção, a atração faz diferença.

As teorias sobre por que realmente ajudamos abrangem uma grande faixa:

� Teoria da troca social: Ajudar como um tipo de processo de troca.

� Teoria do egoísmo: Ajudamos para conseguir algo.

� Teoria genética: Ajudar faz parte de nossa constituição genética.

Foa e Foa introduziram a teoria da troca social, a ideia de que ajudar faz parte de um processo recíproco de dar e receber “bens” sociais, tais como, amor, apoio e serviços. Cada um de nós tenta minimizar nossos custos e maximizar nossas vantagens, exatamente como qualquer bom negociante faria. Nas

 

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situações de ajuda, se a vantagem de ajudar for mais alta do que o custo de não ajudar, provavelmente iremos ajudar. Esse tipo fará sentido se você considerar que algumas vezes ajudar as pessoas envolve nos colocar em risco físico ou em uma séria inconveniência.

Nos anos 1950, Ayn Rand escreveu o Atlas Shrugged, um romance filosófico famoso que promovia a “virtude do egoísmo”. Se cada um de nós se preocupar com o número uno, tudo estará bem. Rand não era o único a pensar que o egoísmo não era tão ruim assim. Parecida com a teoria da troca social, outros psicólogos sociais, inclusive Carlsmith e Gross, argumentaram que o comportamento de ajuda é conduzido por nossos próprios interesses egoístas. Damos para receber. Algumas recompensas são externas, tais como, elogio e notoriedade, e outras são internas, como, por exemplo, reduzir sentimentos negativos, tais como a culpa.

Essas teorias parecem bem cínicas, não é? Estou certo que o dinheiro que coloco na lata de doação do Exército da Salvação na esquina vem do meu coração. Mas, a pesquisa dá um crédito a essas teorias egoístas. Krebsin achava que os homens que mostravam o sofrimento mais fisiológico (batimento cardíaco aumentado, respiração rápida etc.) tinham mais probabilidade de ajudar alguém do que aqueles que eram menos sofridos. Se não somos perturbados, acho que não nos incomodamos em ajudar. Tudo bem, admito. Apenas coloco dinheiro na lata do Exército da Salvação para que a pessoa chata que toca a campainha pare de falar!

Em 1991, Daniel Batson veio ao resgate de nosso sentimento de bondade com sua teoria de que ajudamos as pessoas porque cada um de nós tem uma empatia natural pelas outras pessoas, especialmente aquelas com as quais nos conectamos.

Hoffman achava que até as crianças parecem possuir a habilidade natural de “sentir” pelos outros. Elas choram quando ouvem outro bebê chorar. Elas estão chorando porque o choro do outro bebê está machucando seus ouvidos? Não, é porque elas estão em contato com a dor do outro bebê. Muitos de nós podemos nos sentir angustiados ao ver a desgraça de outra pessoa. Essa empatia natural pode nos encorajar a ajudar.

 

RE-SE

MB

LE

 

Identifico-me com a sua simpatia

Algumas pessoas ficam confusas com empa- É como se imaginar no lugar da outra pessoa tia e simpatia. A empatia envolve uma com- (empatia) versus sentir-se triste pela pessoa preensão mais pessoal do sofrimento de al- que realmente está naquela situação (simpa-guém e a simpatia é mais distante e impessoal. tia).

 

Mas se a empatia não cuidar disso, sempre teremos nossas normas sociais para ajudar. A norma da reciprocidade de Gouldner estabelece que devemos retornar a ajuda para aqueles que nos ajudam. Você coça as minhas costas e eu coçarei as suas. Sucessivamente, não ferimos aqueles que nos ajudam. Nunca morda a mão que o alimenta! Há apenas uma armadilha nessa teoria:

 

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Capítulo 14: Conforme um Contorcionista: Psicologia Social 179

Algumas vezes, as pessoas podem ficar ofendidas, caso você lhes ofereça ajuda. Se elas não puderem retornar o favor, poderão sentir-se humilhadas pela oferta. A reciprocidade funciona melhor quando é entre iguais.

Com que frequência você ajuda as pessoas que ficam na rua segurando placas, tais como, “Trabalharei por comida”? Você sente responsabilidade em ajudá-las? Elas estão esperando que você sinta. Outra norma (veja a seção “Fazendo sua parte” no início do capítulo), a norma da responsabilidade social afirma que as pessoas devem ajudar os outros que precisam. Porém, Weiner, em 1980, achava que geralmente aplicamos essa norma apenas nas situações onde percebemos a pessoa que precisa de ajuda como não tendo causado a situação devido à sua própria negligência ou falha. Se pensarmos que a pessoa precisa apenas de ajuda porque ela “se colocou naquela situação”, provavelmente não usaremos a norma da responsabilidade social. Você acha que o cara com a placa na rua fez algumas escolhas ruins ou fracassou de algum modo? Pergunte a ele: você nunca saberá até perguntar. Você pode estar evitando sua responsabilidade social.

Richard Dawkins escreveu o The Selfish Gene (O gene egoísta), em 1976, e propôs que as pessoas são altruístas porque seus genes as compelem a ser. A ideia da proteção consanguínea afirma que os genes promovem o comportamento altruísta na família ou entre parentes para assegurar a sobrevivência da constituição genética do grupo. Seguindo essa linha de raciocínio, tenho menos probabilidade de ajudar alguém que não conheço. Por que teria? As pessoas não compartilham meus genes. Quanto mais material genético eu compartilhar com alguém, mais provavelmente irei ajudá-lo. É isso. Nada em especial.

 

Quando ajudamos?

Um dos resultados mais notáveis na pesquisa altruísta é a ideia de que as pessoas têm menos probabilidade de ajudar quando estão na presença de outras pessoas do que quando estão sozinhas. Isso parece estranho, não parece? Eu teria pensado que o medo de parecer frio ou indiferente na frente dos outros pode encorajar as pessoas a ajudarem mais. A pesquisa mostra o contrário. Quando estamos na multidão, realmente temos menos probabilidade de notar que as outras pessoas precisam de ajuda. Em Nova Iorque, por exemplo, as pessoas estão sempre cercadas de outras pessoas. É um lugar cheio de gente e a maioria das pessoas não tem tempo para notar tudo e todos à sua volta. É mais fácil desaparecer na multidão.

De modo bem estranho, quando os outros estão cercados, também temos menos probabilidade de interpretar o comportamento de alguém como sendo indicativo da necessidade de ajuda. Buscamos nos outros um sinal sobre como devemos responder em uma situação e se eles não agem alarmados, geralmente não agimos também. Se a situação é ambígua, não é uma situação de ajuda bem definida, nossa interpretação do evento na presença dos outros provavelmente será que a intervenção não é requerida. Isso será especialmente verdadeiro se as outras pessoas forem estranhos.

Um problema final ao ajudar na presença dos outros é chamado de difusão da responsabilidade. Sempre pensamos em outra pessoa para fazer algo. Se ninguém mais está por perto, vamos ajudar. Mas, se os outros estão por perto,

 

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supomos que “eles ajudarão”. O que acontece quando todos supõem que o outro irá oferecer assistência? A ajuda não é oferecida. É exatamente isso que dois pesquisadores, Latane e Darley, acharam em um estudo de 1968.

Não é totalmente ruim quando é em relação aos grupos. O teste em 1967 realmente notou que quando alguém em um grupo toma uma ação, muito provavelmente os outros tomam. Essas pessoas servem como modelos pró-sociais e são uma forte influência sobre o comportamento altruísta. O problema é alguém fazer o primeiro movimento. Até alguém fazer, as forças negativas do efeito espectador estão ativas. O efeito espectador é quando não nos envolvemos em uma situação quando há pessoas demais por perto; apenas ficamos lá. Portanto, vá em frente e seja um herói. Faça o primeiro movimento – alguém tem que fazer.

E os sentimentos? Eu sempre me perguntei qual seria a origem da tradição de comprar charutos para os amigos quando um menino nasce. E eu ainda não sei de onde vem, mas a pesquisa do altruísmo mostrou que as pessoas contentes tendem a ser pessoas mais prestativas. Isso significa que as pessoas tristes não são prestativas? Na verdade, depende do quanto recompensador a ajuda dos outros é para a pessoa que tem a tristeza. Se elas não são autoabsorvidas e autofocadas, os atos altruístas podem ser muito recompensadores para aqueles que são tristes. Sentir-se bom, fazer o bem! Sentir-se mau, fazer o bem! Parece bom, especialmente se estou sentido-me mau.

Os religiosos entre nós são geralmente vistos como prestativos. Muitas organizações sem fins lucrativos são operadas por organizações religiosas. Mas, as pessoas religiosas realmente são mais prestativas? Quando as pessoas indicam que a religião é muito importante em suas vidas, elas recebem 2,5 vezes tanto dinheiro para a caridade quanto aquelas que indicam que a religião não é importante. O veredicto é – os indivíduos religiosos são definitivamente generosos e, pelo menos em um estudo, são mais generosos do que os não religiosos.

 

Quem é ajudado?

Crowley, em 1986, percebeu que as mulheres são ajudadas com mais frequência que os homens e que as mulheres atraentes são ajudadas com mais frequência que as não atraentes. Acho que os homens feios por aí não têm sorte. Felizmente para eles, a semelhança para quem ajuda parece ser um fator. Emswiller, em 1971, notou que quanto mais alguém se parece ou se veste como nós, mais provavelmente iremos ajudá-lo. Portanto, se o cara feio puder encontrar outro cara feio quando precisar de ajuda, está tudo bem!

 

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Capítulo 15

 

 

Crescendo com a Psicologia

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Neste Capítulo

 Iniciando

 Explorando e dominando

 Expandindo

 Experimentando

 Construindo

 Consolidando

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Já pensou em como seria ter um psicólogo como pai? E se os dois pais fossem psicólogos? Seria algo bom ou ruim? A conversa comum na mesa de jantar seria algo como o seguinte diálogo?

Pai: Como foi o seu dia hoje?

Filho: Bom.

Pai: Bom, hein? É engraçado; alguém não parece ter tido um dia muito

bom. O que foi meu amor? Como realmente foi o seu dia?

Filho: Briguei com aquele brigão, grandalhão e estúpido, na escola de

novo. Bem, eu não briguei exatamente. Ele pegou o meu almoço e jogou

na lata de lixo.

Pai: Como você se sentiu? Frustrado? Com raiva? Qual papel você

assumiu na situação?

Filho: Sabe, ao menos uma vez eu gostaria de ouvir você dizer que fará

algo ou me protegerá de algum modo. Talvez, você possa ensinar-me a

me defender. Estou cansado de ter terapia na mesa de jantar. Vou para o

meu quarto.

Pai: Bem, acho que estraguei tudo. Como isso me faz sentir?

Não sei se ter um psicólogo como pai é necessariamente bom ou ruim. Algumas pessoas parecem achar que tudo que a criança fizer será superanalisado. Em alguns aspectos, isso não é totalmente justo. Se um pai fosse pediatra, as pessoas esperariam que ele deixasse seu conhecimento médico do lado de fora da porta e não tratasse seus próprios filhos se eles ficassem doentes? Naturalmente que não. Contudo, qualquer coisa pode ser feita em excesso.

 

psicologia01.indd 181 22/02/2011 16:35:44 182 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

Uma das maiores áreas do estudo psicológico é o desenvolvimento psicológico. Embora a maioria das pessoas apenas pense em crianças quando ouvem o termo, a Psicologia comportamental cobre toda a extensão da vida humana. Essa abordagem é chamada de Psicologia da expectativa de vida – o estudo do desenvolvimento psicológico humano desde a concepção até a morte.

Algumas áreas abordadas tradicionalmente na Psicologia da expectativa de vida são tratadas em outros capítulos neste livro. O desenvolvimento da personalidade, por exemplo, é tratado nos Capítulos 11 e 12. O autodesenvolvimento e o desenvolvimento das relações são tratados no Capítulo 13. Portanto, este capítulo foca no desenvolvimento físico e motor, desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento social. E mais, apenas abordo os períodos do desenvolvimento desde a concepção até a adolescência porque parecem ser as áreas mais enfatizadas na pesquisa do desenvolvimento.

 

Da Concepção ao Nascimento

O processo do desenvolvimento psicológico começa com a concepção. Os processos genéticos, que desempenham uma grande parte no desenvolvimento futuro dos comportamentos e dos processos mentais, originam-se com a união do óvulo da mulher e do espermatozoide do homem. Cada casal cria uma nova combinação genética chamada genótipo – a constituição genética de cada indivíduo. Através de um processo complexo que é mais bem compreendido pelos geneticistas e biólogos, nossos genes se expressam no que é chamado de nosso fenótipo – a manifestação real dos códigos genéticos nos processos biológicos e psicológicos observáveis como modelados e impactados por nosso ambiente. Portanto, posso ter o genótipo de ser alto e musculoso, mas se eu sofrer de desnutrição e nunca levantar pesos, poderei desapontar meu genótipo.

 

X + Y = É um menino!

O esperma e o óvulo são células especializadas no corpo que contêm metade do material genético necessário para fazer uma pessoa inteira e são chamados de gametas porque estão envolvidos na reprodução sexual. Os seres humanos contêm 46 cromossomos. Temos 23 cromossomos de nossas mães e 23 de nossos pais. As células diferentes do gameta contêm um conjunto completo de material genético com 46 cromossomos. Nossos cromossomos determinam os aspectos únicos de nossa constituição biológica e psicológica. São os blocos de construção genéticos de nossa construção celular.

O 23º par de cromossomos, os cromossomos sexuais, determina o sexo da criança. Os cromossomos sexuais podem ser cromossomos X ou cromossomos Y. Os espermatozoides podem ter um cromossomo X ou Y, mas um óvulo pode apenas ter um X. Quando o espermatozoide e o óvulo se unem, sua combinação única determina o sexo da criança. Os meninos têm um 23º par de cromossomo que contém um cromossomo X e um Y (XY). As meninas têm dois Xs (XX). Como a mãe pode apenas fornecer um cromossomo X e o pai pode fornecer um X ou Y, a contribuição do cromossomo sexual do pai desempenha um papel decisivo.

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 183

O papel da genética no comportamento humano e nos processos mentais tem sido parte de um longo debate conhecido como debate da natureza versus criação. Os proponentes do argumento da natureza acreditam que nosso comportamento é geneticamente determinado. A biologia é o destino, por assim dizer. Os defensores do aprendizado acreditam que os ambientes nos quais crescemos determinam nossa constituição psicológica. Esse debate tem sido basicamente esmagado nos últimos 25 anos pela posição de que os fatores biológicos e ambientais estão envolvidos, com diferente peso sendo dado a um ou a outro, dependendo do processo psicológico em questão.

 

Unindo e dividindo tudo em uma noite

Nosso desenvolvimento biológico começa com o processo da reprodução sexual. Portanto, acontece que o nosso desenvolvimento psicológico começa assim que o nosso comportamento e os processos mentais são intrinsecamente ligados ao nosso desenvolvimento biológico. Para saber mais sobre a relação entre a Psicologia e a Biologia, veja o Capítulo 3.

O processo começa depois de um homem e uma mulher terem tido uma relação sexual:

 

Estágio germinal (concepção até 2 semanas)

1. O espermatozoide e o óvulo se encontram, combinando suas metades

de cromossomos.

Esta é a fertilização e ocorre nas trompas de falópio. O processo de

fertilização é delicado e muitas coisas podem dar errado.

2. Vinte e quatro a trinta horas se passam quando o zigoto com uma

célula (o óvulo fertilizado) começa a se dividir.

Isto ocorre na trompa de falópio também. Através de um processo

chamado mitose, cada cromossomo faz uma cópia de si mesmo e

contribui com a cópia para a formação de uma segunda célula. As

células continuam a se dividir e a multiplicar, repetindo esse processo

em todo o desenvolvimento fetal. O desenvolvimento fetal está a

caminho.

3. Três a quatro dias se passam enquanto o óvulo fertilizado viaja até o

útero.

Após atingir o útero, ocorre a implantação. Durante a implantação, o

óvulo fertilizado repousa na parede do útero e, finalmente, mescla-se e

fica implantado no revestimento interno do útero.

4. Começa o período embriônico.

Isto ocorre cerca de 14 dias após o estágio pré-embriônico ou o período

germinal iniciar. O período embriônico dura até o final da oitava semana

de gravidez.

 

Estágio embriônico (3ª semana até 8ª semana)

5. As células continuam a se dividir.

 

psicologia01.indd 183 22/02/2011 16:35:44 184 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

O início de um humano reconhecível toma forma. Os rudimentos do

sistema nervoso e outros sistemas do corpo estão começando a ter

forma.

 

Estágio fetal (9ª semana até nascimento)

6. O período fetal começa e dura até o nascimento.

Isto começa no terceiro mês de gravidez. Este estágio final é um

processo extremamente delicado. As dificuldades psicológicas algumas

vezes podem ser associadas aos problemas no cérebro fetal e no

desenvolvimento do sistema nervoso. O retardamento mental, as

deficiências de aprendizagem e outras desordens cognitivas algumas

vezes estão ligados às dificuldades fetais.

RE-SE É extremamente importante para as mães grávidas manterem a devida

LE MB nutrição, evitar doenças infecciosas e eliminar o uso de drogas, álcool e

tabaco. Essas mudanças comportamentais não irão assegurar o

nascimento de uma criança saudável, mas certamente aumentarão as

chances.

Os desenvolvimentos biológicos de cada período são destacados na Tabela 15-1.

 

RE-SE

MB

LE

Conseguindo uma ajuda

A infertilidade pode ser causada por qualquer de um homem próximo ao óvulo expectante complicação, inclusive idade avançada, en- para ajudar a facilitar o encontro do esper-dometriose e inflamação pélvica. A fertiliza- matozóide com o óvulo. Alguns homens têm ção é capciosa; casais saudáveis aos vinte um espermatozoide que não consegue alcan-anos podem levar, em média, até um ano para çar o óvulo dentro da trompa de falópio e pre-engravidar. Mas a Medicina moderna pode cisam de ajuda para fazer a jornada. A fertili-realizar alguns procedimentos bem impres- zação in vitro é um processo no qual um sionantes para ajudar a natureza a seguir seu médico realmente coloca um espermatozoide curso. A inseminação artificial é um processo dentro de um óvulo, sem deixar que seu en-no qual um médico injeta o espermatozoide contro fique ao acaso.

 

Tabela 15-1 Desenvolvimento fetal por estágio de gravidez

Germinal (Semanas 0-2): O que acontece?

Saco amniótico Placenta

Embrião Cordão umbilical

Embriônico (Semanas 3-8): O que acontece?

Brotos (braços e pernas) Batimento cardíaco

Olhos e orelhas Sistema nervoso

Dedos dos pés e das mãos Medula espinhal

continua

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 185

Fetal (Semanas 9-36): O que acontece?

Sistemas orgânicos funcionando Órgãos sexuais

Células vermelhas do sangue Células brancas do sangue

Fetal: O que ocorre?

O feto está muito ativo O feto está dormindo como um recém-nascido

 

Indo das Fraldas à Baba

Após 36 semanas uma mulher sortuda acabou de dar a luz à uma criança saudável. A infância é uma época empolgante na qual os desenvolvimentos físicos e psicológicos ocorrem em uma velocidade sem precedentes. Em um minuto, as crianças não fazem nada, exceto dormir, e no outro minuto elas estão brincando de pique-esconde.

 

Baby disco: I will survive

Por aproximadamente nove meses como um feto, o recém-nascido contava quase exclusivamente com sua mãe para sobreviver. Essa dependência não termina com o nascimento. Embora os sistemas biológicos básicos do bebê estejam funcionando por si só, a manutenção desses sistemas requer o cuidado atento de uma mãe ou de qualquer pessoa que cuida. Algumas vezes, os pais novos podem ficar sobrecarregados com a responsabilidade de cuidar de um bebê. A boa notícia é que os bebês nascem com um conjunto bem impressionante de habilidades básicas para ajudá-los a sobreviver.

Na verdade, praticamente todas as habilidades de sobrevivência humana mais básicas estão presentes no nascimento. Quando digo básicas, realmente quero dizer básicas – respirar, sugar, engolir e eliminar. Os bebês precisam respirar para ter oxigênio. Eles precisam engolir e sugar para comer. Precisam eliminar para limpar seu sistema. Os pais nervosos por aí podem descansar, certos de que não terão que ensinar a seus filhos como sugar uma mamadeira ou peito. É natural e automático. É reflexivo.

Essas habilidades fazem parte de uma lista mais ampla de reflexos inatos, com os quais os bebês nascem, que ajudam em sua sobrevivência. Eis mais alguns:

� Reflexo de fixação: Virar suas cabeças na direção de uma bochecha

tocada em uma tentativa de sugar.

� Reflexo de moro (surpresa): Estender seus braços e pernas, e chorar

em resposta a um barulho algo ou um movimento de queda repentina.

� Reflexo para segurar: Pegar coisas, tais como o dedo de alguém.

 

psicologia01.indd 185 22/02/2011 16:35:44 186 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

 

Construindo um motor

Uma das áreas mais esperadas do desenvolvimento do bebê por muitos pais é o desenvolvimento motor de sua criança. Os pais mal podem esperar para ver seu filho ganhar cada vez mais perícia em suas habilidades físicas. Os bebês têm muito pouco controle sobre seus membros e cabeça quando nascem. Leva tempo para o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico coordenarem as coisas. A progressão do controle começa com o controle dos movimentos da cabeça e, então, vai para o controle dos membros e torso. Finalmente, começa um maior controle motor. Por exemplo, as crianças podem começar a pegar coisas com apenas dois dedos. A Tabela 15-2 mostra esta progressão.

 

Tabela 15-2 Sinopse do desenvolvimento motor na infância

Idade em meses Habilidades presentes

1-3 Eleva a cabeça e senta-se com apoio.

4-8 Mantém a cabeça parada e a equilibra; olha em volta; usa

o polegar para pegar; senta-se rapidamente sem apoio.

8-12 Coordena atividades com as mãos; controla o tronco e

senta-se sem apoio; engatinha; começa a favorecer o uso

de uma mão sobre a outra; senta-se a partir da posição

de pé enquanto segura algo; anda com ajuda, dando

passos simples.

14 Fica em pé sozinho e anda sozinho sem dificuldade.

18 Corre e cai.

 

Descobrindo o desenvolvimento completo

A Tabela 15-2 não é uma lista completa do de- Your Child’s Emotional and Behavioral Develo-senvolvimento das habilidades motoras na in- pment (Pontos palpáveis: O desenvolvimento fância. Para ter uma análise mais completa emocional e comportamental de seu filho) de T. dessas habilidades e a maioria dos outros as- Berry Brazelton (Perseus Press). O Dr. Brazel-pectos do desenvolvimento que menciono nes- ton é um pediatra respeitado com muitas ideias te capítulo, recomendo o livro Touchpoints: ótimas e observações a respeito das crianças.

 

Quando os bebês se tornam crianças de um a três anos, seu comportamento motor fica mais sofisticado. Elas podem correr, chutar, jogar, andar de triciclos e realizar várias outras sequências complexas de comportamento motor. As habilidades motoras excelentes, destreza aumentada e controle sobre o uso de seus dedos e mãos continuam a se desenvolver quando elas aprendem a manipular pequenos objetos, tais como, xícaras, lápis de cor e pequenos brinquedos.

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 187

 

Flexionando seus músculos

Enquanto os bebês estão começando a confiar em seus reflexos e desenvolvendo mais controle sobre os movimentos de seus músculos, seus cérebros estão desenvolvendo-se e continuam durante toda a infância e adolescência. A progressão do desenvolvimento do cérebro começa com as áreas motoras do cérebro. Sem o desenvolvimento necessário do cérebro nessas áreas, os bebês não seriam capazes de responder reflexivamente e ter controle sobre seus corpos. A próxima parada no expresso do desenvolvimento do cérebro são as áreas somatossensoriais do cérebro, as áreas envolvidas na sensação e na percepção (as áreas do olfato, paladar, tato, audição e visual). Os bebês nascem com um bom sentido da audição. Eles podem discriminar entre as vozes de suas mães e as vozes de estranhos, por exemplo, o que pode ser resultado de ouvir as vozes de suas mães durante a gravidez. Seus sentidos do olfato e do paladar também são afiados. A acuidade visual é menos desenvolvida no nascimento e desenvolve-se gradualmente no curso de seu primeiro ano de vida.

 

Agendando tempo para o esquema

Como um mapa ou modelo, as crianças usam o que o psicólogo suíço Jean Piaget chamava de esquema ou modos mentais de pensar, representar, organizar e integrar a experiência. O esquema são maneiras básicas de pensar sobre o mundo. Em vez de ficarem sentados passivamente enquanto o mundo apresenta informações, as crianças constroem ativamente uma compreensão e uma representação mental dele. Existem três esquemas básicos:

� Esquema sensório-motor: Estes padrões organizados do pensamento

são gerados a partir da interação direta de uma criança e da

manipulação dos objetos em seu ambiente.

Por exemplo, quando uma criança de um ano tira tudo de seu prato e

joga no chão, ela não está tentando chatear sua mãe e seu pai. Segundo

Piaget, ela está desenvolvendo um esquema sensório-motor para

entender a relação entre causa e efeito. É uma representação simples de

uma relação mecânica básica: “Jogo a comida. Então, mamãe e papai

ficam vermelhos. Isso é divertido!”

� Esquema simbólico: Com o desenvolvimento desses esquemas, uma

criança começa a representar simbolicamente as primeiras relações

sensório-motoras. Ela pode pensar sobre os objetos em seu mundo sem

ter que interagir diretamente com eles.

� Esquema operacional: Estas atividades internas e mentais envolvem a

manipulação das representações simbólicas dos objetos. Os esquemas

operacionais envolvem a habilidade de pensar abstratamente e resolver

problemas sem, de fato, ter que tentar fisicamente uma solução.

Portanto, em vez de pular na frente de um carro para ver se ele

machuca, a criança pode imaginar pular na frente de um carro e decidir

se poderia se machucar.

Basicamente, os três esquemas começam com interações concretas com o mundo e progridem para um processo de pensamento mais simbólico e

 

psicologia01.indd 187 22/02/2011 16:35:44 188 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

abstrato. Este é um marco do trabalho de Piaget; lembre-se de que começamos com o concreto e, então, vamos para o abstrato. Agora que penso sobre o fato, talvez seja por isso que nunca me saí bem na Escola Dominical. Eu não conseguia superar a ideia de que as nuvens não pareciam fortes o bastante para suportar o paraíso. Elas não deixariam cair tudo? Ainda não entendi isso.

 

Refletindo sobre coisas

A teoria do desenvolvimento cognitivo é o es- parte, a como pensamos sobre o mundo.

 

chamado Jean Piaget é o pai e o rei dominan- como sabemos. Um dicionário contém muitas informações, mas pode resolver a equação 2 te da teoria do desenvolvimento cognitivo. + 2? Piaget definia a inteligência como a cole-mento do pensamento. Um psicólogo suíço Piaget enfatizava como pensamos em vez de tudo do desenvolvimento e do amadureci-

 

rem diante dele, analisando seus comporta- organismo a se adaptar. Ele também achava que a inteligência envolve buscar o equilíbrio mentos e teorizando sobre os pensamentos cognitivo quando observou seus próprios filhos cresce- ção de habilidades mentais que ajudam um Piaget começou a pensar sobre as coisas

 

que passavam por suas cabecinhas. Acho – um equilíbrio harmônico entre o pensamento de um indivíduo e o ambiente. que ter um psicólogo como pai realmente Encontramos constantemente novas situa-pode ser um pouco assustador. ções e estímulos em nosso ambiente. Essas Piaget é considerado como sendo um menta- novas experiências desafiam a mente huma-lista porque sua teoria estabelece que nosso na, o que leva a um desequilíbrio. O pensa-comportamento visível é devido, em grande mento é o processo que restaura o equilíbrio.

 

LE MB RE-SE Nós nascemos com dois processos que ajudam a desenvolver o pensamento mais além:

� Organização: A organização envolve combinar os diferentes esquemas

que já desenvolvemos com os esquemas novos e mais complexos. É

como estar mudando constantemente nossa compreensão do mundo à

nossa volta para criar uma imagem melhor e mais completa.

� Adaptação: A adaptação é um processo de ajustar nosso pensamento

às demandas de nossos ambientes. A adaptação é conseguida com dois

subprocessos distintos:

� Assimilação: As crianças usam a assimilação o tempo todo.

Quando o pequeno Jimmy chama um cavalo de “cachorrinho”, isso é a assimilação em progresso. As crianças tentam entender os objetos novos em seu ambiente lembrando e usando o que já sabem e aplicando nos novos objetos e nas situações. É como usar um modelo e a criança tentar adequar tudo nesse modelo. Se a criança conhece apenas um tipo de animal com quatro patas e rabo, até um cavalo é um “cachorrinho”.

� Acomodação: A acomodação é basicamente o processo oposto da

assimilação. Aqui, os esquemas existentes são alterados para caberem nas informações novas. O crescimento cognitivo, então, é o processo contínuo e persistente das crianças aplicando (assimilando) sua compreensão no mundo e fazendo

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 189

acomodações para as novas informações. É o processo geral de adaptação, que permite a manutenção do equilíbrio cognitivo entre o pensamento e o ambiente.

 

Colocando o sensório-motor em movimento

O estágio sensório-motor é o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo e dura do nascimento até os dois anos de idade. Durante o estágio sensório-motor, as habilidades de solução de problemas de uma criança crescem além dos simples reflexos. As crianças estendem os comportamentos reflexivos aos novos objetos em seu ambiente. Um bebê pode sugar um brinquedinho além do bico do seio de sua mãe ou o bico de uma mamadeira. Alguns bebês podem levar algum tempo para se acostumarem a usar uma chupeta até que sejam capazes de aplicar sua habilidade e conhecimento natural de sugar em outros objetos.

Quase por acaso, os bebês descobrem que podem ter um efeito físico nos objetos no mundo. Eles se baseiam gradualmente nessas descobertas acidentais e desenvolvem respostas intencionais e coordenadas em uma escala simples. Consequentemente, os bebês progridem para um tipo de experimentação ou aprendizagem de tentativas e erros, na qual eles fazem coisas nos objetos à sua volta apenas para ver que tipo de impacto eles podem ter nesses objetos.

Continuar: parte 10 de 16