Psicologia Para Leigos
01 Psicologia
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.
� Componencial: A inteligência componencial é basicamente os mesmos
fatores medidos pelos testes de inteligência tradicionais (memória,
fluência verbal etc.). Este é o aspecto da inteligência para a pessoa lidar
com as dificuldades de um livro. Sternberg enfatizou que essas
habilidades geralmente estão desconectadas da vida comum, assuntos
e problemas. Einstein parecia possuir esse componente.
� Experimental: A inteligência experimental engloba a habilidade de lidar
com dois tipos diferentes de problemas: problemas novos e problemas
rotineiros. Requer a habilidade de reconhecer novos problemas, em
oposição aos problemas diários; pesquisa e geração de soluções; e
implementação de soluções.
� Contextual: O último componente de Sternberg é um tipo de
inteligência prática que permite às pessoas cuidarem de suas vidas
diárias sem entrar na frente de carros, nem dizer aos policiais que
ficaram perdidas ou deixar uma pilha de lixo até o teto. Este é o aspecto
da inteligência para a pessoa lidar com as dificuldades de uma cidade
que nós, os psicólogos, parecemos não ter aos olhos de nossos clientes.
Múltiplas inteligências
Alguma vez você já parou para pensar no que torna Michael Jordan um jogador de basquete tão bom? E Mozart? Ele compôs óperas inteiras em uma sessão sem edição. É bem impressionante! Segundo Howard Gardener (1983), cada um desses homens possuía um tipo específico de inteligência que não é
LEMB RE-SE comumente considerada inteligência. Em geral, eles são talentos consideráveis.
Gardener gerou uma teoria conhecida como inteligências múltiplas observando pessoas extremamente talentosas e dotadas. Ele propôs sete
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tipos de inteligência que são normalmente excluídas do pensamento da maioria das pessoas sobre o que, de fato, é inteligência:
� Habilidade cinestética física: Michael Jordan parece possuir muita
dessa habilidade. As pessoas com uma alta habilidade cinestética física
têm uma coordenação entre mãos e olhos superior, um ótimo senso de
equilíbrio e uma compreensão aguçada e controle sobre seus corpos,
quando engajadas em atividades físicas.
� Habilidade musical: Se você puder bater o seu pé e as suas mãos em
uníssono, então tem uma pequena inteligência musical, só um pouco.
As pessoas com uma alta inteligência musical possuem uma habilidade
natural para ler, escrever e tocar música excepcionalmente bem.
� Habilidade espacial: Alguma vez você já ficou perdido em seu próprio
quintal? Se ficou, provavelmente você não tem um nível muito alto de
inteligência espacial. Essa inteligência envolve a habilidade de navegar
e se mover no espaço, e a habilidade de desenhar cenas tridimensionais
em sua mente.
� Habilidade linguística: Esta é a habilidade tradicional para ler, escrever
e falar bem. Pessoas articuladas e que falam bem, junto com poetas,
escritores e oradores dotados, são superiores nessa habilidade.
� Habilidade matemática lógica: Esta inteligência inclui a habilidade de
solucionar problemas matemáticos básicos e complexos.
� Habilidade interpessoal: O dom da fala e a ação do vendedor de carros
usados são bons exemplos de inteligência interpessoal. Uma pessoa
“sociável e comunicativa” que tem boas habilidades para conversar e
que sabe como interagir e relacionar-se bem com as outras é superior
na habilidade interpessoal.
� Habilidade intrapessoal: O quanto você se conhece? A inteligência
intrapessoal envolve a habilidade de entender seus motivos, emoções e
outros aspectos de sua personalidade.
Qualquer um de nós tem graus variáveis das inteligências de Gardener. Eu poderia curtir jogar baseball, cantar, ser um gênio da matemática, mas poderia ficar perdido em meu próprio quintal, não conseguir ter uma conversa e ser o último a perceber se tenho um sentimento ou não.
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Capítulo 7
Como Isso o Faz Sentir-se?
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Neste Capítulo
Descobrindo por que fazemos as coisas que fazemos
Sentindo-se importante
Ficando quente, frio e no meio
Possuindo uma mente própria
Pensando antes de agir
Considerando o amor e a guerra
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Por que as pessoas se levantam e vão trabalhar todos os dias? Por que a minha prima adolescente colocou um piercing em seu umbigo? Por que as pessoas vão para a academia? O quão divertido seria a Psicologia se não tivéssemos que fazer todas essas perguntas interessantes?
Nem sempre há muito mistério por trás do motivo das pessoas fazerem as coisas que fazem. A maioria de nós trabalha para viver. Comemos para ficar vivos. Pagamos nossos impostos para evitar ir para a cadeia. Essas coisas fazem sentido para a maioria de nós e, geralmente, não lhes damos muita importância. Mas quando alguém faz algo extraordinário, extremamente difícil ou terrível, geralmente nos perguntamos: “Por quê?”
Experiências traumáticas geralmente nos levam a perguntar por quê, especialmente se o trauma estiver nas mãos de outra pessoa. O trauma geralmente nos leva a nos sentirmos confusos e precisando de respostas. As respostas podem nos ajudar a aceitar o modo como nos sentimos. Normalmente nos perguntamos por que alguém faria tal coisa com outro ser humano. Mas nossa busca por respostas nem sempre é focada no negativo. Veja madre Teresa, por exemplo. Ela dedicou a maior parte de sua vida ao trabalho com doentes e pobres na Índia. Ela viveu em uma pobreza abjeta, sacrificando todo o conforto para ajudar aos pobres e aos aparentemente esquecidos. Por que ela faria tal coisa? A dedicação de madre Teresa ao seu chamado e obrigação religiosa foi notável. Ela aguentou condições cruéis e continuou. Suas ações eram resultado do amor pelas pessoas para as quais ela trabalhava? Quaisquer que fossem suas motivações, elas eram fortes e inflexíveis.
Neste capítulo, apresento a abordagem psicológica para a motivação. Simplesmente saber as coisas básicas de uma ação deixa uma lacuna em
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nossa compreensão, se não soubermos por que as pessoas fazem o que fazem ou, pelo menos, por que elas pensam que fazem as coisas que fazem.
Além de explorar as várias teorias da motivação, também vejo as emoções, que alguns psicólogos acham que são os fatores motivacionais primários para todos nós. Os psicólogos levam em consideração as emoções por causa de seu papel central no comportamento humano e nos processos mentais. “Por que fazemos o que fazemos” tem muita relação com o modo como sentimos.
A grande piada sobre ir a um psicólogo é que ele perguntará: Como isso o faz manter-se?”. Qual é o grande problema sobre sentimentos e emoções? Ter fome ou estar cansado pode ser importante. Espere um pouco. Fome é um sentimento? E estar cansado? Parece que algumas pessoas não teriam uma emoção caso ela não fizesse um pouso de emergência na soleira de sua porta. Outras pessoas parecem um pouco “em contato” demais com suas emoções. Fome e cansaço não são considerados emoções. Mas como a comida e o sono, as emoções são igualmente importantes para a nossa sobrevivência psicológica.
Recorrendo a Tony
por Alguma Motivação
Tony Robbins construiu um império de vários milhões de dólares ajudando as pessoas a encontrarem sua motivação. Ele é um orador motivacional. Não estou familiarizado com as particularidades dessa técnica e nem estou certo se sua abordagem para a motivação realmente funciona. Ele conseguiu um exército de celebridades que o apoia. De um ponto de vista comercial, não importa se realmente funciona ou não. A questão é que as pessoas querem ser motivadas. As pessoas precisam ser motivadas. As pessoas estão gastando muito dinheiro para descobrir como se motivarem como Tony Robbins.
É difícil imaginar a vida sem motivação. Sem motivação, posso simplesmente ficar sentado o dia inteiro na poltrona comendo fritas e vendo televisão. Nem todos querem salvar o mundo ou curar o câncer! O que quer que façamos, os psicólogos que estudam a motivação acreditam que algum processo psicológico é responsável por nossa motivação.
Confiando em seus instintos
Uma planta cresce em direção à luz do sol porque quer? Uma plantinha rebelde, a ovelha negra das samambaias, cresce em direção à sombra apenas para ser diferente? Uma planta não poderia realizar esse feito mesmo que quisesse. As plantas crescem em direção à luz do sol porque não podem evitar. Elas precisam da luz do sol para sobreviver. É um instinto.
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 75
RE-SE
MB
LE
Você gostaria de um pouco de adrenalina
com um urso?
Podemos agradecer à evolução por qualquer Se o homem e a mulher que correram decidi-instinto que possamos ter. Com o curso da rem ter uma criança, há uma boa chance de evolução humana, certos comportamentos ela ser uma corredora, quando encontrar ur-foram naturalmente selecionados (seleciona- sos. Os outros casais (os congelados e os lu-dos “para manter”) porque contribuíram para tadores) morreram, portanto, não podem ter a sobrevivência fundamental da espécie. filhos. Isto é uma ilustração grosseira de Imagine que exista um grupo de pessoas que como a evolução seleciona as característi-vivam em uma floresta com lobos, ursos e vá- cas que nos ajudam a sobreviver. Aqueles rios outros animais perigosos. Agora, imagine que sobrevivem, reproduzem. Podemos supor que um grupo de três homens e três mulheres que o casal que fugiu teve melhores instintos desse grupo maior tenha encontrado um urso. do que os outros dois. Seus instintos foram Um homem e uma mulher dispararam assim melhores no sentido de que foram capazes de que viram o urso e fugiram. Um outro homem ficar vivos. Os instintos que nos ajudam a fi-e uma outra mulher ficaram lá, congelados. O car vivos ficam na pool de genes. casal final tentou espantar o urso jogando
paus e pedras. Eles perderam.
RE-SE Um instinto é um comportamento automático, involuntário e não aprendido
LEMB que ocorre em resposta a um disparo específico ou estímulo. Vários exemplos
do que consideramos instintos humanos podem ser encontrados em frases que usamos todos os dias: o instinto maternal, instinto de sobrevivência, instinto assassino, instinto interno etc. Os instintos nos motivam no sentido de que fazemos o que fazemos porque temos que fazer. É algo que fazemos automática e involuntariamente.
James McDougall propôs um modo de classificar alguns de nossos instintos básicos. Os instintos são intencionais, eles guiam o nosso comportamento em direção à satisfação dos objetivos específicos – como, por exemplo, a sobrevivência! McDougall acreditava que um instinto podia ser identificado ao identificar o seu objetivo pretendido. Ele identificou vários instintos, incluindo a paternidade, a busca por comida e o acasalamento. Portanto, não se sinta mal por comer tantos cheeseburgeres, é apenas o seu instinto de curiosidade da busca por comida o guiando.
Muita pesquisa de instinto tem sido feita com animais. Os gansos voam para o sul no inverno. Por quê? Talvez eles gostem das barreiras divisórias da Flórida ou talvez seja instinto. Konrad Lorenz conduziu uma extensa pesquisa explorando os comportamentos instintivos dos animais. A abordagem específica de Lorenz é conhecida como abordagem etológica para a motivação e, segundo Petri, um etólogo, os comportamentos instintivos têm uma energia específica de ação – a ideia é que um gatilho específico coloca um instinto em ação. Todos os comportamentos instintivos têm um gatilho ou gatilhos específicos, chamados estímulos-chave. Passar por uma bela cafeteria é um estímulo-chave para o meu instinto de café. A cafeína deve ter ajudado os meus ancestrais a sobreviverem. Os estímulos-chave vêm do ambiente. Os estímulos-chave que vêm de outros membros de um grupo animal são chamados de liberadores.
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Os estímulos-chave produzem comportamentos que são fixos e automáticos. Esses comportamentos são chamados de padrões de ação fixos. Um dos exemplos populares de um padrão de ação fixo é algo que Konrad Lorenz chamou de imprinting. O imprinting é como um instinto ligado entre um animal jovem e seus pais. Lembra do desenho no qual um pato bebê sai do ovo e começa a seguir o primeiro animal que vê, mesmo não sendo um pato?
Sentindo-se necessitado
A maioria de nós pode relatar estar preocupado com dinheiro e finanças. Estou certo que até os magnatas do software de computador do mundo passaram uma ou duas noites sem dormir contando mentalmente o seu dinheiro. Alguns de nós aprendemos a viver com um orçamento. Reservamos dinheiro para a nossa hipoteca, pagamentos do carro, seguro médico, custos domésticos. Ainda reservamos um pouco de dinheiro para o entretenimento, se houver algum. Quando comecei a viver com um orçamento, algo estranho começou a acontecer. Quando eu ia a uma loja e via algo do qual gostava, como, por exemplo, um novo CD ou um par de sapatos, perguntava a mim mesmo se eu realmente precisava daquele item. Parte do desenvolvimento de um orçamento envolve descobrir o que realmente precisamos e quais são nossas prioridades financeiras.
Eu primeiro gasto o meu dinheiro naquilo que preciso. Minhas necessidades são um determinante poderoso do que faço com o meu dinheiro. Posso até dizer que sou conduzido (ou empurrado) pelas minhas prioridades. Satisfazer minhas necessidades é um dos principais, se não o principal, ímpetos que conduzem a minha vida. As necessidades conduzem o meu comportamento; elas me motivam.
RE-SE Clark Hull propôs uma teoria de motivação que enfatizava a satisfação da
LE MB necessidade. As necessidades são geradas a partir de duas coisas: homeostasia e restauração do equilíbrio . Experimento a homeostasia quando
minhas necessidades são atendidas e sinto-me equilibrado. Quando minhas necessidades não estão sendo atendidas, sinto-me sem equilíbrio e, então, sou motivado a restaurar o equilíbrio através da satisfação de minhas necessidades.
A teoria de Hull é chamada de teoria de redução da condução, pois sou guiado a satisfazer minhas necessidades. As conduções são motivações para a satisfação e a homeostasia. Existem dois tipos de conduções:
� Minhas necessidades biológicas necessárias para a sobrevivência são
chamadas de conduções primárias. Fome, cansaço e sede são exemplos
de conduções primárias. Se você pensar, as conduções primárias
desempenham um grande papel em nossa rotina diária. Uma grande
parte de nossas vidas gira em torno de satisfazer a fome e conseguir
abrigo.
� Qualquer necessidade diferente de uma condução primária é chamada
de condução secundária. Muito disso é aprendido com nossas famílias,
grupos sociais e com a cultura maior na qual vivemos. Essas conduções
secundárias obtém sua importância quando associadas às conduções
primárias. Somos conduzidos a ir para a escola e tirar boas notas para
termos uma vida melhor e sermos capazes de prover subsistência para
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 77
nossas futuras famílias e para nós mesmos. As conduções secundárias
não têm valor inerente em si mesmas ou de si mesmas, elas apenas
importam quando se relacionam às conduções primárias.
Uma das limitações da teoria de redução da condução é que ela não deixa espaço para as necessidades que parecem apenas relacionadas perifericamente à nossa sobrevivência biológica. Ir surfar restaura meu equilíbrio homeostático? Qual necessidade básica o surfe satisfaz? Posso ser capaz de estender um pouco e dizer que se eu não for surfar, ficarei deprimido e, então, não serei capaz de ir trabalhar e não serei capaz de comer. Isso torna o surfe uma condução secundária na parte inferior de uma longa cadeia de outras conduções secundárias. A maioria de nós provavelmente não reduz, conscientemente, nossa atividade ao denominador mais comum da sobrevivência biológica.
Embora não seja tecnicamente uma teoria de instinto, a teoria motivacional de Abraham Maslow afirma que nossas motivações se originam de um conjunto básico de necessidades que lutamos naturalmente para satisfazer. Maslow acreditava que algumas necessidades são mais básicas que outras. Comer é mais básico do que tirar A em nosso teste de inglês final. Ambos são necessidades (para algumas pessoas), mas um é mais fundamental que o
RE-SE outro.
MB
LE Maslow criou uma lista de prioridade das necessidades que ele organizou em
um triângulo chamado de hierarquia das necessidades:
� No nível mais baixo e mais fundamental estão nossas necessidades
físicas básicas para comida, água e sono. Essas necessidades
direcionam o nosso comportamento até que sejam satisfeitas.
� O próximo nível do triângulo contém nossas necessidades de segurança
e proteção. Precisamos do devido abrigo e proteção.
� Amor e propriedades são o próximo nível de necessidade.
� O quarto nível de necessidade é a autoestima. Esforçamo-nos nas
situações que melhoram nosso senso de autoestima.
� Autorrealização – a necessidade de atender o nosso principal potencial
e viver em um alto estágio de consciência de nós mesmos e de nosso
desejo – é o nível superior. Quando atingimos a parte mais alta do
triângulo/hierarquia, temos uma experiência de auge ou um sentimento
que sinaliza nossa chegada ao nível mais alto de motivação.
Despertando interesse na costela
de primeira
O nível máximo da teoria do despertar é considerado uma versão mais refinada da teoria de redução da condução. Ao invés de simplesmente ser conduzido para satisfazer as nossas necessidades biológicas básicas em um nível mínimo, somos motivados a atingir o nível mais alto de satisfação possível. O que quero dizer com “nível mais alto de satisfação?”. Pense nisso como a “teoria da costela de primeira” do despertar. Quando meu corpo
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precisa de energia, fico com fome e desenvolvo uma condução primária ou motivação para comer algo. Agora, se essa teoria fosse a “teoria do hambúrguer” do despertar ou o “ nível mínimo da teoria do despertar”, eu simplesmente pegaria um cheeseburguer gorduroso e pronto. Mas, por que eu comeria um hambúrguer se posso comer bife? Posso satisfazer a minha necessidade primária de fome e apreciar o sabor ao mesmo tempo.
RE-SE Um outro componente do nível máximo da teoria do despertar é que somos
LE MB conduzidos a buscar o melhor (máximo) nível do despertar para maximizar a nossa performance. Em um exemplo de como o nível máximo da teoria do
despertar pode funcionar, Yerkes e Dodson descobriram que fazemos melhor as atividades quando estamos despertados moderadamente – não relaxados demais, não tensos demais. Isso é chamado de lei de Yerkes-Dodson. Acho que torna o nível máximo da teoria do despertar mais a “teoria do bife de frango” do despertar em vez da “teoria da costela de primeira”.
O VO Alguma vez você já teve que fazer uma apresentação na frente de uma sala ou LUNTÁRIA
ÇÃ de um grupo grande? Ficou nervoso? Quanto? Vomitando e desmaiando de IA nervoso? Ficar nervoso dessa forma constitui um nível extremo de despertar C
SO e, como as pessoas que passaram por isso sabem, não contribui para uma
AS
performance de alto nível. Contudo, se alguém está relaxado demais, pode não fazer o esforço suficiente para preparar devidamente a apresentação e, então, pode ter uma performance igualmente ruim. O melhor lugar para estar é no meio.
Conseguir uma ligação interurbana
mais em conta é gratificante
Pelo menos uma vez na semana, eu chego à minha casa e encontro a luz vermelha de minha secretária eletrônica piscando e fico imaginando quem ligou. Foi um amigo com o qual não tenho falado? Um parente sumido há tempos? Não, foi uma daquelas empresas de telefonia de ligações interurbanas chatas tentando fazer com que eu mude de operadora.
Muitos esforços de marketing são baseados em uma teoria motivacional chamada teoria da expectativa. A teoria da expectativa sustenta que nossas motivações são o produto de uma análise das recompensas potenciais associadas a um determinado comportamento e a probabilidade com a qual conseguimos essas recompensas. As empresas de telefonia de ligações interurbanas contam comigo ao associar uma troca a uma expectativa de recompensa. Este é um meio simples, mas poderoso, de motivar as pessoas, especialmente se você pode levá-las a pensar que as recompensas provavelmente virão casualmente!
A teoria do incentivo, que é muito relacionada à teoria da expectativa, simplesmente afirma que somos motivados a buscar recompensas e evitar experiências negativas, tais como, a dor. Minha experiência com empresas de telefonia levaram-me a esperar a dor ao mudar os planos de ligações interurbanas dia sim, dia não, o que ofusca a recompensa esperada de economizar alguns reais. O que espero, realmente sendo o caso ou não, finalmente tem um efeito poderoso em meu comportamento. Quando tenho uma mensagem em minha secretária de uma empresa de telefonia de ligações interurbanas, simplesmente apago.
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 79
Encarando a sua teoria
do processo oposto
Algumas vezes, somos motivados a fazer coisas que não são muito divertidas, como, por exemplo, ir à academia. Bem, pelo menos eu não acho muito divertido. Muitos de nós nos engajamos em comportamentos que parecem mais dolorosos do que prazerosos na superfície. Isso não significa que temos uma necessidade ou instinto masoquista. As motivações que podem parecer exteriormente dolorosas e não tão agradáveis podem ser explicadas com a teoria do processo oposto da motivação
Muitas pessoas gostam de comer comidas apimentadas e picantes. Pessoalmente, gosto de saborear a minha comida em vez de ficar sentindo-a por 20 minutos após ter dado uma mordida, mas epa, cada um com seu cada um. A teoria do processo oposto afirma que somos motivados não pela resposta inicial ou incentivo que recebemos, tal como a dor das comidas apimentadas, mas pela reação que ocorre depois da resposta inicial.
Para toda resposta que ocorre, há uma reação oposta chamada processo oposto. Depois de ser exposta a um determinado estímulo por um período de tempo, a resposta inicial diminui e a resposta oposta fica mais forte. Qual é a resposta oposta, o processo oposto, das comidas apimentadas? Endorfinas – os analgésicos naturais liberados pelo corpo para combater a dor. Comidas picantes, de fato, queimam quimicamente as nossas línguas e os nossos copos combatem essas queimações com os analgésicos naturais. É bom quando os analgésicos de endorfina começam a aliviar a queimação. As pessoas que gostam de comidas apimentadas acham que comem comidas picantes pelo condimento, mas segundo a teoria do processo oposto, são apenas um monte de viciados em endorfina, pois eles estão queimando suas línguas para se beneficiarem da reação oposta da liberação de endorfina.
Iniciando Poesias Ruins Incontáveis:
Emoções
Até o momento, nenhuma das teorias sobre motivação enfocou o poder da emoção em nos estimular ou iniciar a ação. A emoção e a motivação estão intimamente relacionadas. Quando precisamos de algo ou quando uma necessidade não está sendo satisfeita, somos motivados a satisfazer essa necessidade. Quando nossos estômagos roncam, sabemos que estamos com fome.
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A
DIC
Os sentimentos nos ajudam a funcionar
Além de servir como sinais para saber se ções nos tornam companhias mais atraentes conseguimos ou não nossos objetivos, Frijda e nos permite uma conexão social.
identifica algumas outras funções das emo- Uma outra teoria das emoções que ganhou ções. As emoções podem nos preparar e mais apoio nos últimos anos vem da Psicolo-alertar para situações potencialmente peri-gia evolucionária . Os psicólogos que apoiam gosas. Gavin De Becker faz altos elogios a esta perspectiva veem os comportamentos essa função das emoções em seu livro, The específicos e os processos mentais como Gift of Fear (O Dom do Medo) (Dell Publishing). respostas adaptáveis desenvolvidas através Resumindo, o medo salva nossas vidas. Algu-da seleção natural. As emoções devem fazer ma vez você já esteve em uma situação na parte desse processo de adaptação. qual teve a sensação de que algo simples-Cosmides e Tooby propõem que possuímos mente não estava certo? Esse “sentimento” um conjunto extenso de programas compor-foi suas emoções alertando-o para a possível tamentais e mentais (pense nos programas presença de perigo que você pode não ter de computador) que nos ajudam a enfrentar observado conscientemente ou ter notado. os desafios da sobrevivência. Cada programa De Becker defende que devemos escutar funciona independentemente, criando um pe-esta voz com mais frequência e ficar mais sadelo logístico. Se você pensa que ficar sintonizado com ela – é uma ferramenta de pronto para uma viagem de acampamento é sobrevivência poderosa. difícil logisticamente, experimente coordenar As emoções positivas podem nos fornecer todos os comportamentos e processos men-ajuda nas experiências e nas atribulações tais que possuímos. É quando nossas emo-que todos nós enfrentamos. A felicidade é ções entram em cena. Cosmides e Tooby boa. Como seria a vida se nunca sentíssemos veem nossas emoções como um tipo de “pro-alegria? Obviamente, muito miserável! É mais grama mestre”, trabalhando para organizar e fácil ter uma boa relação com alguém que integrar todos esses comportamentos e pen-está feliz. A felicidade leva à socialização, samentos. A partir desta perspectiva, nossas que pode levar ao romance, que pode levar a emoções servem como uma função regulado-filhos, que pode levar a transmitir qualquer ra. Elas nos ajudam a entender o que precisa-gene trabalhado para produzir esse procria- mos fazer em determinada situação e se con-dor de felicidade em primeiro lugar. As emo- seguimos ou não um objetivo desejado.
Mas, como sabemos quando outras necessidades psicológicas não estão sendo satisfeitas, como, por exemplo, a necessidade de autoestima? Quando tais necessidades não estão sendo satisfeitas, nossas emoções nos permitem saber. Nossas emoções nos dizem que não estamos atendendo nossos objetivos motivacionais (na forma de desapontamento, por exemplo) ou que estamos atendendo nossos objetivos motivacionais (talvez, na forma de
RE-SE felicidade).
MB
LE Uma emoção é um fenômeno complexo com três componentes inter-
relacionados:
� Experiência subjetiva: Quando tenho determinada emoção, chamo isso
de sentimento. Minha experiência de tristeza pode consistir em querer
chorar e não ter energia ou motivação. Essa é a minha experiência de
tristeza. É subjetiva.
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 81
� Resposta psicológica: Todas as emoções são compostas por respostas
que envolvem as atividades do cérebro e do sistema nervoso. Quando
estamos com raiva, nossos corações batem rapidamente e nossa
respiração acelera. Quando estamos tristes, podemos nos sentir
cansados.
� Componente expressivo: Cada emoção é expressa e comunicada de
uma maneira única. As expressões faciais, linguagem corporal, postura,
palavras, frases, gestos e vários outros meios de expressão
acompanham e comunicam a experiência de uma emoção.
O que vem primeiro, o corpo ou a mente?
Se as emoções consistem em três componentes – experiência subjetiva, respostas psicológicas e componente expressivo – qual vem primeiro? Eu penso e sinto-me com raiva antes de meus músculos ficarem tensos? Digo que estou com raiva antes de saber que estou? Entender este processo pode ficar bem confuso – é como o argumento da galinha ou do ovo para as emoções. Mas não se preocupe; o fazendeiro Cash está aqui para colocar todos os ovos nas devidas cestas. Existem três teorias principais que abordam qual componente da emoção vem primeiro.
RE-SE � A teoria James-Lange tenta entender esta confusão. Quando
MB encontramos uma situação ou um estímulo que leva a uma reação
LE emocional, nossos corpos reagem primeiro. Todos nós possuímos um
conjunto de reações físicas automáticas aos estímulos emocionais.
Nossos sistemas sensoriais respondem enviando sinais para os centros
emocionais de nossos cérebros, criando um estado de despertar.
Depois de nossa reação psicológica, nossos cérebros analisam o que
está ocorrendo. Finalmente, depois do despertar e da avaliação, a
experiência subjetiva da emoção ocorre. Então, nossos cérebros
reconhecem o medo, por exemplo, depois de interpretar esta longa
cadeia de reações psicológicas. Depois de termos reconhecido nossa
experiência da emoção, somos capazes de expressar essa experiência.
Primeiro, vemos o urso. Então, nossos corações começam a bater
rapidamente e ocorrem outras reações psicológicas relacionadas ao
medo. A análise pode ser: “Meu coração está batendo forte e estou
fugindo do urso. Devo estar com medo”. Apenas depois da análise, você
é capaz de comunicar: “Estou com medo”.
� A teoria Cannon-Bard da emoção é uma variação da teoria James-Lange.
Essa teoria também propõe que reagimos psicologicamente aos
estímulos antes de experimentar subjetivamente uma emoção, mas há
uma pequena mudança. Cannon-Bard não apoia a ideia de que as
atividades complexas da ativação muscular e das ações subsequentes
(tais como correr de um urso) sejam os primeiros processos
fisiológicos envolvidos.
Partes específicas do cérebro, que são consideradas menos
sofisticadas, são ativadas primeiro. Então, essas partes “inferiores” do
cérebro enviam simultaneamente sinais para as três áreas do cérebro
no “nível mais alto”: a área da avaliação, a área do despertar e a área da
experiência. A principal diferença de James-Lange é que a avaliação, a
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análise, a experiência e a expressão ocorrem ao mesmo tempo, mas
apenas depois das áreas mais básicas do cérebro serem marcadas ou
ativadas. Assim, eu encontro o urso, minhas áreas inferiores do cérebro
ativam-se e, então, corro, analiso minha corrida, percebo que estou
com medo e grito: “Socorro, vou morrer”, tudo ao mesmo tempo. Você
pode ler mais sobre o cérebro no Capítulo 3.
� Como se as coisas já não estivessem bastante confusas, Schacter e
Singer propuseram uma terceira variação sobre o processo emocional.
Sua teoria com dois fatores pega os elementos de James-Lange e Cannon-
Bard, porém muda as coisas apenas um pouco. Em vez de ter uma
reação inicial do corpo ou das áreas inferiores do cérebro seguidas do
processo de avaliação, a teoria com dois fatores estabelece que as
reações fisiológicas e a avaliação cognitiva ocorrem juntas, criando
uma realimentação e coprodução da experiência subjetiva de uma
emoção. As informações da situação e do ambiente são usadas no
processo de avaliação. O despertar emocional é visto como genérico
(não específico de uma determinada emoção) até uma avaliação ser
conduzida.
Expressando-se
Quando alguém está sorrindo, está feliz? E alguém que olha furiosamente para você, infla o peito e fica com o rosto vermelho? Você pode adivinhar qual emoção ele está tendo? Claro que pode. Todas as emoções têm um componente expressivo e comunicativo que consiste em sinais verbais, expressões faciais, contato visual e outros movimentos do corpo e expressões não verbais.
Algumas pessoas acreditam que os componentes expressivos das emoções são inatos ou congênitos. O mesmo ocorre para a nossa capacidade de discernir o que alguém está sentindo ao observarmos essas expressões. Algumas expressões emocionais parecem ser universais, tais como, sorrir quando contente e franzir a testa quando triste.
A cultura na qual vivemos também tem muita relação com como e quando expressamos as emoções, inclusive quais emoções são adequadas para sentir e expressar. Certas situações colocam restrições nesses aspectos das emoções também. Geralmente, não aplaudimos e rimos em funerais e não gritamos com raiva para as pessoas quando elas não nos cumprimentam ou
RE-SE dão um presente.
MB
LE Nossa fala expressa como nos sentimos de várias maneiras:
� Velocidade da fala: A velocidade de nossa fala pode aumentar ou
diminuir dependendo de como nos sentimos.
� Tom de voz: Nosso tom de voz diz muito sobre as emoções que
estamos tendo.
� Volume: O volume de nossa voz pode dizer muito. Quando estamos
com raiva ou nervosos, falamos mais alto, por exemplo.
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 83
Injetando um pouco de diversão
Considere o seguinte experimento apresen- Ambos os grupos receberam a mesma droga, tado em Wallace e Goldstein. As cobaias da portanto, seus corpos produziram a mesma pesquisa recebem uma dose de epinefrina reação fisiológica e o mesmo tipo de desper-que ativa seu sistema nervoso simpático e tar. Mas, eles tiveram esse despertar com a
gumas cobaias foram informadas sobre o baias no grupo com raiva disseram que se sentiram com raiva e as cobaias no grupo engaja sua resposta de luta ou de fuga! Al- mesma emoção? O que você acha? As co-
das sobre algo equivocado ou não foram in- com euforia disseram que estavam conten-que faria a injeção e outras foram informa-
foram colocadas em dois grupos: um grupo sua emoção experimentada estava baseada em situação de raiva ou um grupo em situa-nas informações fornecidas a elas pelos tra-ção de euforia. O grupo com raiva tinha de formadas sobre a injeção. Então, as cobaias ram o mesmo despertar fisiológico, portanto, tes. Lembre-se de que ambos os grupos tive-
tamentos ambientais aplicados na experiên-
preencher um questionário ofensivo desig- cia genérica do despertar do sistema nervoso nado a deixá-las com raiva. O grupo com eu- autônomo. Exatamente como a teoria com foria foi colocado em um cômodo com um dois fatores previa, as cobaias rotularam apa-pesquisador que estava rindo, sorrindo e di- rentemente seu despertar fisiológico avalian-vertindo-se! do a situação ou o contexto.
A Se você quiser parecer calmo quando estiver com raiva, faça um esforço para
DIC falar lentamente, use tons suaves e mantenha o volume baixo. Se você estiver
querendo intimidar alguém, fale rapidamente, em tons duros e muito alto. Isso enviará o sinal de que você está com raiva.
Os seres humanos têm muitas emoções diferentes: medo, tristeza, elação e
VO LUNTÁRIA desgosto, para citar apenas algumas. Reserve um segundo e pense em sua
O vida: Quais emoções você experimenta com mais frequência? Como
ÇÃ
IA terapeuta, vi uma grande variedade, mas amor e ódio são dois sentimentos C
SO
AS que ocorrem sempre – talvez mais do que qualquer outro. As pessoas
desejam falar sobre querer amor, não ter amor, dar amor etc. Elas também querem expressar sua raiva em um lugar seguro, onde sabem que não sofrerão retaliação.
Próximo e pessoal com dois
favoritos: Amor e ódio
O amor faz o mundo girar. Ou é o dinheiro? Seja o amor que faz o mundo girar ou não, isso não diminui o poder que ele parece exercer sobre muitos de nós. A maioria deseja amor, mesmo que não queiramos admitir às vezes. Faz bem sentir-se amado e amar outra pessoa. Acho que a maioria das pessoas teria problemas ao questionar se há amor demais no mundo.
Para aqueles que pensam que o amor é mágico, espero não acabar com a sua alegria com uma análise psicológica dele. Hatfield e Rapson identificam dois tipos específicos de amor:
psicologia01.indd 83 22/02/2011 16:35:37 84 Parte III: Pensando e Sentindo
� Amor passional: Amor intenso com uma qualidade sexual ou
romântica. É o tipo de amor que Romeu e Julieta tinham um pelo outro.
É o tipo de amor que você não tem por sua avó!
� Amor companheiro: O amor que temos pelos amigos e membros da
família. Não há muita paixão nele, mas há altos níveis de ligação,
comprometimento e intimidade.
Robert Sternberg criou sua teoria do amor que descreve seis formas de amor. Cada forma é diferenciada por graus variáveis de paixão, um desejo forte por outra pessoa e a esperança de que o sexo com ela será recompensado; comprometimento, a convicção de que uma pessoa estará por perto, não importando o que aconteça; e intimidade, a capacidade de compartilhar nossos sentimentos e pensamentos mais profundos e secretos com outra pessoa.
RE-SE As seis formas de amor de Sternberg baseadas nos níveis variáveis de paixão,
LE MB comprometimento e intimidade são:
� Ligação: Há intimidade, mas nenhuma paixão ou comprometimento
nela. Uma relação com um terapeuta é um bom exemplo dessa forma de
amor. Posso contar para meu terapeuta meus pensamentos e
sentimentos, mas não necessariamente sinto paixão ou
comprometimento por ele.
� Paixão cega: Aqui, há paixão, mas nenhuma intimidade ou
comprometimento. Esta forma de amor é como a luxúria. É a versão
colegial ou de aventura do amor.
� Amor vazio: Esta forma é quando você está comprometido, mas não há
nenhuma paixão ou intimidade. Alguns casais casados estão
comprometidos um com o outro por necessidade ou conveniência, e
ficam juntos apesar da falta de paixão ou intimidade.
� Amor ilusório: Aqui, temos um alto nível de comprometimento e
paixão, mas baixos níveis de intimidade. Romeu e Julieta pareciam estar
sob o feitiço do amor ilusório. Não vejo como eles poderiam ficar
íntimos quando nunca realmente tiveram uma chance de conversar.
� Amor companheiro: Esta forma de amor é quando você está
comprometido e íntimo, mas sem paixão. Ela resume uma amizade
realmente boa.
� Amor consumado: Acho que Sternberg usava consumado para
descrever esta forma de amor porque é o pacote total: grande paixão,
forte comprometimento e profunda intimidade. Isso tem que ser
“consumado”.
As bases do amor são formadas na infância? Alguns psicólogos acham que nossas relações de amor como adultos são extensões de nossas ligações da infância. As crianças que têm ligações saudáveis, têm relações adultas mais maduras com níveis mais altos de intimidade e confiança, sentem-se confortáveis com os níveis mais altos de interdependência. As crianças que têm ligações ansiosas ou ambivalentes com as primeiras pessoas que cuidam delas podem “apaixonar-se” muito facilmente, buscando uma proximidade extrema imediatamente e reagindo intensamente a qualquer sugestão de abandono. O personagem de Glenn Close em Atração Fatal deve ter tido
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Capítulo 7: Como Isso o Faz Sentir-se? 85
problemas com ligações quando era criança. As crianças que evitam interação social tendem a ficar desconfortáveis com a proximidade e têm problemas ao serem dependentes dos outros em suas relações adultas.
Hatfield e Rappon propuseram que cada um de nós possui modelos de amor na forma de esquemas ou roteiros mentais. Os modelos são formados no início da vida e são revisados e solidificados com os anos quando experimentamos várias relações com as pessoas. Esses modelos formam os modos como pensamos sobre as relações e determinam quais são nossas expectativas quando entramos nas relações. Parece que muitas pessoas nos programas de namoro na TV têm alguns esquemas de amor muito interessantes por causa de algumas de suas expectativas, digamos assim, interessantes.
RE-SE Existem seis esquemas de amor que se aplicam às relações românticas. Cada
LEMB esquema é diferenciado pelo nível de conforto de uma pessoa com
proximidade e independência, e o quanto ansiosa ela deve estar em uma relação romântica.
� Casual: Sem comentários. Interessada em uma relação sem problemas.
Sonhe!
� Pegajosa: Busca proximidade (um pouco demais) e tem medo da
independência. Alguém tem uma espátula?
� Instável: Desconfortável com a proximidade e a independência. Não
consegue decidir-se. Mude o lado da moeda!
� Segura: Confortável com a proximidade e a independência e não
apressa as coisas.
� Leviana: Hesitante demais com a proximidade e perfeitamente
confortável com a independência. Não corra!
� Desinteressada: Simplesmente não está na relação.
Todos têm uma opinião sobre cada um desses esquemas de amor. É difícil julgar as pessoas que podem usar um tipo de esquema sobre outro. Diferentes esquemas parecem aplicar-se a diferentes períodos da vida, mas a maioria de nós luta para ter um esquema seguro. Se alguém achar que seu esquema está causando problemas em sua vida, a terapia é um bom lugar para trabalhar nesses casos.
Falando em casos, a raiva é um caso que merece muita atenção. Por um lado, geralmente não expressamos nossa raiva de forma saudável. Mas por outro lado, a raiva é expressa de forma inadequada e extrema todos os dias. De qualquer modo, a raiva é uma emoção natural e é tão importante em nossas relações quanto o amor.
Alguma vez você já viu uma camiseta com a frase “Não sou preconceituoso; odeio todo mundo”? Não é uma mensagem maravilhosa? Isso é o máximo dos adesivos de carro com o personagem de desenho animado, Calvin, de Calvin e Hobbes fazendo xixi em tudo, desde os símbolos de diferentes fabricantes de carro até o Serviço da Receita Federal. Algumas vezes, parece que vivemos em uma sociedade com muita raiva.
De onde vem a raiva? Existem muitas teorias. Uma é que a raiva é consequência de experimentar sentimentos negativos ou dolorosos. Todos os
psicologia01.indd 85 22/02/2011 16:35:37 86 Parte III: Pensando e Sentindo
tipos de coisas podem levar a sentimentos negativos: condições físicas desagradáveis, dor física, limites em nosso movimento e até barulhos altos. Gosto de me referir a essa teoria como “fator do mal-humor”. Os médicos teorizam que ficamos com raiva quando:
� Ficamos deprimidos. As pessoas deprimidas têm mais risco de sentirem
raiva. Até a tristeza e o sofrimento podem gerar sentimentos de raiva. É
comum que as pessoas fiquem com extrema raiva quando alguém
próximo morre.
� Somos impedidos de nos engajar em algo que queremos fazer. Sroufe
propôs a existência de um sistema de raiva. Um tipo de sistema que
funciona como uma panela de pressão. Ficamos mais frustrados quando
somos impedidos o tempo todo, o que finalmente leva a experimentar a
raiva com mais um bloqueio. Não há diretrizes nessa teoria sobre onde
está cada um de nossos pontos de ruptura.
� Somos separados de nossa(s) figura(s) de ligação. Uma figura de ligação
é alguém a quem nos ligamos ou com a qual formamos um forte laço
emocional. A teoria é baseada na observação das reações de crianças
ao serem separadas de suas mães. Essa teoria parece fazer sentido
mesmo para os adultos. Alguma vez você já viu alguém ficar enfurecido
quando seu parceiro deseja romper?
RE-SE Embora possa ser bem destrutiva, a raiva é uma emoção válida e importante,
LE MB e há alguns pontos positivos nela. A raiva pode ser bem adaptável. Pode ajudar na autodefesa e, algumas vezes, impede que alguém aja
agressivamente conosco. Se alguém quiser nos magoar, algumas vezes uma demonstração de raiva de nossa parte pode fazer com que ele pense duas vezes. Lembre-se que algumas pessoas reagem à raiva com mais raiva, portanto, tenha cuidado. A raiva pode mobilizar muita energia física em um curto período de tempo. Também pode abastecer nossas ambições.
A A raiva não precisa ser destrutiva, contanto que seja expressa devidamente e
DIC de modo construtivo. A pesquisa mostra que as crianças que expressam
devidamente sua raiva têm menos problemas emocionais e sociais ao crescerem. Os bebês e as crianças de um a três anos, algumas vezes, usam a raiva como um sinal de que estão frustrados e de que precisam de ajuda com algo, como, por exemplo, comer.
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Parte IV
Escolhendo o Caminho
Certo da Aprendizagem
A 5ª Onda Por Rich Tennant
“dizem que colocar sua cama no fogo foi um
pedido de ajuda; empurrar meu carro para
o lago foi um pedido de ajuda e suas notas
baixas são um pedido de ajuda. Na próxima
vez em que pedir ajuda, você se importaria em
simplesmente pedir ajuda?”
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N a Parte IV, apresento as contribuições extremamente importantes que Ivan Pavlov, o “pai” do condicionamento clássico, fez para o campo Nesta parte... da Psicologia. Analiso rapidamente seus
experimentos clássicos e forneço alguns exemplos
bons (pelo menos eu acho que são bons) designados
para mostrar os princípios básicos de como os
humanos aprendem. Depois de falar um pouco sobre
Pavlov e seus cachorros, apresento o segundo
advento da teoria da aprendizagem, o
condicionamento operante. Forneço algumas
definições básicas que cobrem o conceito e mais
exemplos interessantes. Bem, talvez eles não sejam
tão estimulantes, mas ainda assim são muito bons.
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Capítulo 8
Os Cachorros de Pavlov
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Neste Capítulo
Condicionamento facilitado
Ensinando novos truques a um velho cachorro
Fazendo conexões
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Você alguma vezes já pensou por que fica com vontade de comer pizza quando a campainha da porta toca? Se não, uma empresa de pizza gastou muito dinheiro em uma campanha publicitária que não parece estar funcionando. Por que você teria vontade de comer pizza quando a campainha toca? O comercial apresenta ao telespectador imagens de uma pizza, com queijo derretido e um pepperoni esplêndido. Isso deve estimular seu apetite pelo menos um pouco. Então, uma campainha toca e o entregador de pizza está à sua porta. A pessoa da pizza deseja que você pense em pizza quando ouve sua campainha tocar! Como eles estão tentando fazer isso?
Mudar o foco da pizza para a Filosofia por um segundo pode revelar o gênio dos fabricantes de pizza em questão. Há centenas de anos, um grupo de filósofos britânicos tentava entender a natureza do pensamento. Eles consideravam o pensamento como sendo uma sucessão de ideias integradas que se reúnem através da experiência. Duas experiências sensoriais quaisquer que ocorrem juntas ficarão associadas uma à outra. Quando uma experiência ou um evento ocorre, o outro ocorre automaticamente. Esses filósofos britânicos chamaram esse processo de aprendizagem associativa porque os eventos são associados entre si simplesmente por ocorrerem um com o outro. Sempre que entro na autoestrada, pego tráfego. Autoestrada -> tráfego. Eles ocorrem juntos. Estão associados!
RE-SE
LEMB Para as associações se formarem, elas devem seguir duas regras muito
importantes:
� Contiguidade: As associações são formadas apenas quando os eventos
ocorrem juntos. Por exemplo, fico deprimido quando acordo na
segunda-feira de manhã e penso em voltar a trabalhar. Portanto, para
mim, o trabalho e acordar na segunda ficaram associados.
� Frequência: Quando mais dois (ou mais) eventos ocorrerem juntos,
mais forte é a associação.
psicologia01.indd 89 22/02/2011 16:35:37 90 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem
O gênio por trás dos comerciais de pizza deve ter estudado os associacionistas britânicos. Ou pode ter aprendido sobre a aprendizagem associativa na aula de Psicologia. Os comerciais tentam usar a lei da contiguidade para fazê-lo associar o som de uma campainha com estar com vontade de comer pizza. Assim, sempre que a campainha tocar, você pensará: “Vamos pedir uma pizza” porque estará com vontade de comê-la.
Baba de Cachorrinho
Um título bem nojento, hein? Como você se sentiria se fizesse uma pesquisa sobre os padrões de saliva dos cachorros? Pessoalmente, eu preferiria ir ao dentista. É a minha opinião. Mas um homem corajoso, o psicólogo russo Ivan Pavlov, foi capaz de fazer o serviço. Pavlov realmente estava estudando a digestão dos cachorros quando ficou interessado em como a apresentação da comida ativava automaticamente a resposta de salivação nos cachorros que ele estava estudando. Ele achou que a formação de saliva era automática.
O VO Experimente. Pense em algo realmente saboroso e veja se sua boca enche LUNTÁRIA
ÇÃ d’água automaticamente. Encheu? Deve ter enchido porque a salivação é uma IA resposta reflexiva à comida. É o modo do corpo se preparar para receber C
SO comida. A saliva ajuda a quebrar a comida em partes digestíveis. AS
Pavlov construiu um dispositivo para coletar a saliva diretamente das glândulas salivares dos cachorros quando elas começavam a funcionar. Então, ele pôde medir quanta saliva os cachorros produziam reflexivamente. Imagine um cachorro amarrado em uma gaiola com um tubo anexado às suas glândulas salivares e este cientista louco contando cada gota. Nem mesmo Hollywood poderia ter proposto uma cena mais excêntrica.
Neste ponto, Pavlov provavelmente ficou contente com sua pesquisa, mas, um dia, ele notou algo estranho – os cachorros salivavam algumas vezes mesmo quando a comida não era apresentada. O que estava acontecendo? Alguma outra coisa estava causando a salivação? Pavlov propôs uma explicação associacionista. Os cachorros tinham aprendido a associar outros estímulos à comida. Mas, o quê? Pavlov conduziu uma série inteira de experimentos para descobrir como os cachorros tinham aprendido a associar automaticamente estímulos que não eram comida de um modo que produzisse a salivação. Um experimento típico foi assim:
1. Pavlov colocou seus cachorros em suas gaiolas com tubos de saliva
anexados às suas glândulas salivares.
2. Ele tocou uma campainha e observou se os cachorros salivavam ou não.
Ele descobriu que não.
3. Então, ele tocou a campainha, esperou alguns segundos e, então,
apresentou comida aos cachorros. Eles salivaram.
4. Ele repetiu a campainha junto com a apresentação de comida várias
vezes. Essas correspondências são chamadas de tentativas.
5. Depois de Pavlov ficar satisfeito com várias tentativas, ele apresentou
apenas a campainha, sem comida.
6. Ele então descobriu que a campainha por si só produzia a salivação.
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Capítulo 8: Os Cachorros de Pavlov 91
Condicionando respostas e estímulos
A descoberta de Pavlov ficou conhecida como condicionamento clássico. Depois de conduzir seus experimentos, ele descreveu quatro componentes necessários no condicionamento clássico:
� Respostas não condicionadas (RNC): Os cachorros de Pavlov salivavam
automática ou reflexivamente quando viam comida. Eles não tiveram
que aprender ou ser condicionados a salivarem na presença de comida.
Pavlov chamou essa resposta de resposta não condicionada ou não
aprendida. Aconteceu sem o aprendizado. As empresas de pizza contam
com a imagem de suas pizzas saborosas para automaticamente fazer
com que você sinta vontade de comer pizza. Provavelmente, é uma
aposta bem segura, a menos que você tenha acabado de ter um bom
jantar. É por isso que as empresas de pizza geralmente não mostram
comerciais depois da hora do jantar – geralmente, elas mostram os
comerciais antes ou durante o jantar.
� Estímulos não condicionados (ENC): A comida que Pavlov apresentava
para o seu cachorro é chamada de estímulo não condicionado. O ENC é
a coisa que causa ou produz a resposta não condicionada. Comida ->
Salivação. Fácil!
� Estímulos condicionados (EC): A campainha que Pavlov tocou em um
experimento típico é chamada de estímulo condicionado. Foi
condicionada ou associada à comida através do processo de tentativas
de correspondência. A ideia é que depois de bastante experimentos, o
estímulo condicionado produzirá a resposta desejada por si só.
� Respostas condicionadas (RC): Como o EC produz a RNC por si só, a
resposta desejada é chamada de resposta condicionada. Na forma
simbólica, parece algo como a Tabela 8-1.
Tabela 8-1 Condicionamento clássico
Número de tentativas Estímulos
ENC → RNC (a comida produz automaticamente
salivação)
1 EC + ENC → RNC (campainha + comida produz
salivação)
2 (campainha + comida)
3 (campainha + comida)
... (campainha + comida mais algumas
vezes)
10 EC → RC (somente a campainha produz salivação)
psicologia01.indd 91 22/02/2011 16:35:37 92 Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da Aprendizagem
Ficando extinto
O poder do condicionamento clássico é muito impressionante. Pense – se você unir devidamente dois estímulos juntos, o EC finalmente fará o serviço sozinho. Mas quando a união para e o EC está produzindo a resposta por si só, o poder do EC finalmente desaparece. Se um EC for apresentado bastante vezes sem o ENC, o EC finalmente irá parar de obter a RC. Este fenômeno é chamado de extinção e é um modo de inverter o processo do condicionamento clássico. Por exemplo, os cachorros de Pavlov aprenderam a salivar com o som de uma campainha. Mas, se a campainha continuasse a ser apresentada sem nenhuma entrega de comida, os cachorros finalmente parariam de babar com a campainha.
Mas espere, há mais! Algo ainda mais interessante acontece se o ENC é reintroduzido algum tempo depois da extinção – a recuperação espontânea. Neste ponto, a habilidade do EC em obter a resposta retorna e, mais uma vez, o EC é capaz de obter a RC. Portanto, você pode usar o condicionamento clássico para ensinar novos truques a um velho cachorro e pode inverter o processo através da extinção. Com essa habilidade, você nunca será o cara chato da festa sentado no canto. Poderá surpreender seus novos amigos com truques de condicionamento clássico.
O VO Eis algo a se tentar, só para o caso de você está pensando em testar o LUNTÁRIA