Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 10/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

A habilidade de imitar as pessoas também se desenvolve durante o estágio sensório-motor. Geralmente, os bebês sorriem quando você sorri para eles. Uma das formas mais comuns de imitação é falar com amor. Quando um bebê desenvolve a habilidade de imitar, geralmente ele arrulha para as pessoas que arrulham para ele. É tão engraçadinho.

Um desenvolvimento-chave final nesse estágio é o desenvolvimento de uma habilidade chamada permanência do objeto. Se você esconder algo de um bebê que não desenvolveu ainda a permanência do objeto, ele esquecerá. Mas, quando os bebês alcançam a permanência do objeto, eles se lembram de que o objeto ainda existe, mesmo que não esteja em plena visão – eles tentam procurar o objeto quando você o esconde. Portanto, se você for ocultar coisas de seus filhos, faça-o antes da permanência do objeto se desenvolver.

 

Aprendendo dentro das faixas

Algumas vezes, quando estou brincando com crianças de 1-3 anos, acabo examinando-as e testando os limites de seu conhecimento. Posso ler um livro para elas e pedir que apontem coisas em cada página, “Onde está a bola?”. Esse tipo de dever de casa infantil é muito interessante, contanto que eu não exagere, como é a minha tendência.

Muitos pais começam a ensinar seus filhos alguns fundamentos de conhecimento que servirão como base da futura aprendizagem na escola. Reconhecer objetos e categorias de objetos, tais como, formas, cores, animais, números e letras são habilidades básicas que todas as crianças precisam possuir. Embora um nível de habilidade preexistente esteja presente, a habilidade de uma criança para reconhecer objetos aumenta mais

 

psicologia01.indd 189 22/02/2011 16:35:44 190 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

ou menos nas idades de 18 meses ou 2 anos. As crianças adoram aprender histórias, canções e rimas infantis nesta época de suas vidas.

O jogo é uma parte muito importante da experiência de aprendizagem de uma criança de um a três anos. Na idade de 2 anos e meio, a maioria das crianças pode brincar lado a lado com outras crianças iguais em atividades cooperativas e independentes por um período de tempo prolongado. Antes dessa idade, as crianças podem engajar-se em sessões curtas de jogo independente ou jogo físico interativo (tal como, cantar e bater palmas com rima) com adultos ou crianças mais velhas. As crianças de um a três anos e as do jardim de infância preferem brinquedos mais naturais, como, por exemplo, areia, barro e água. Elas inventam seus próprios jogos, mas ainda não se saem muito bem com regras e regulamentos.

RE-SE Alguns pais esperam que seus filhos aprendam a reconhecer e escrever letras

LE MB antes de entrarem no jardim de infância. Mas, para a maioria das crianças de 1-3 anos e na pré-escola, essas habilidades são avançadas demais e muito

pouca retenção pode ser esperada antes do jardim de infância. Na idade de 5, as crianças começam a formar letras.

Porém, desenhar é uma habilidade afim, na qual as crianças de 1-3 e as do jardim de infância demonstram muita habilidade. Stanley Gardner mostrou que a maioria das crianças com 2 e 3 anos pode rabiscar e no final desse período, elas podem criar facilmente linhas retas, curvas e laços. As crianças de 4 a 5 anos começam a desenhar representações e imagens com desenhos simples. Elas podem colorir facilmente dentro das linhas.

 

Dizendo o que você pensa

Muitos pais lembram das primeiras palavras de seu filho. Quando seu garotinho articula as palavras mamã ou papá, geralmente seus corações se derretem. Geralmente a palavra bola não consegue a mesma reação.

A posição dominante na Psicologia sobre o desenvolvimento do idioma é que a língua é inata e desdobra-se gradualmente quando o cérebro da criança se desenvolve. Isso não significa que as crianças nascem com um idioma, mas que nascem com a capacidade mental inata de aprender e entender as regras da comunidade de linguagem na qual nascem. Os pais podem facilitar o desenvolvimento do idioma fornecendo um ambiente de apoio e estimulante, e pedindo que as crianças usem suas palavras para comunicar suas necessidades e desejos.

Nossos filhos não nascem falando frases ou fazendo discursos. Bem, pelo menos nenhuma das crianças que já encontrei. Todos nós sabemos que as crianças aprendem a falar pouco a pouco. A linguagem se desenvolve em estágios enquanto o pequeno Johnny dá pequenos passos adoráveis no curso de seus dois a três primeiros anos de vida. Eis uma visão geral rápida desses feitos que nos deixam tão orgulhosos como pais:

� A fala do bebê começa com arrulhos. Nos primeiros meses, os bebês

fazem sons que vêm naturalmente dos movimentos da boca

(alimentando, respirando e sugando) e do choro. Fazer um som “de

vibração” ou de sussurro são bons exemplos de sons que vêm dos

movimentos naturais da boca. Os comportamentos vocais associados

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 191

ao choro são experimentados e o uso da voz começa. Esses sons

ocorrem espontaneamente e em resposta à interação com os outros.

Um bebê pode arrulhar em resposta ao arrulho de uma mãe, por

exemplo. Essas interações geralmente servem como uma base para o

futuro desenvolvimento social, assim como o engajamento entre pais e

filho em jogos de fazer sons e ao ter uma ideia do estilo de interação

um do outro.

� Entre o quinto e sétimo mês, as crianças aprimoram um pouco esses

sons básicos. Por volta do sétimo ou oitavo mês, os bebês começam a

formar sons que lembram sílabas. Em português, alguns sons silábicos

são mais fáceis de pronunciar que outros, tais como ma ou ba. É muito

difícil para uma criança de seis meses pronunciar um som rra ou l.

� Por volta da marca de um ano, os bebês começam a usar palavras

monossilábicas simples. Os primeiros sons consonantais e de vogais

são, então, combinados para produzir as primeiras palavras dissílabas,

tais como, mamã, papá ou babá. Este processo continua nos meses

seguintes, quando novas palavras emergem ocasionalmente e as

palavras dominadas servem como uma base a partir da qual

generalizar.

� O desenvolvimento da linguagem explode mais ou menos quando os

bebês atingem seu 18º mês. Segundo Dacey e Travers, as crianças

aprendem novas palavras com uma velocidade aproximada de uma

palavra a cada duas horas. É incrível! Tive aulas de espanhol em

momentos diferentes de minha vida e eu teria sorte se pudesse

aprender uma palavra a cada duas semanas. Muito triste, eu sei. Esta

explosão continua até as crianças terem três anos de idade. Suas

habilidades de linguagem se expandem e elas param de usar uma única

palavra para muitas coisas – bola não é mais todo objeto redondo,

cachorrinho não é mais qualquer coisa com quatro patas etc. Baseando-

se em sua habilidade de generalizar, as crianças começam a formar

frases simples com duas palavras e, então, frases com três palavras etc.

E quando você se dá conta, já está respondendo a mais perguntas do

tipo “por que” do que achou um dia ser possível.

A maioria das crianças aprendeu a maior parte (as estruturas, regras e muito vocabulário) de seu idioma nativo por volta de 4 anos. Quando estão prontas para entrar no jardim de infância, as crianças adquiriram aproximadamente 8.000 palavras e aprenderam a usar o idioma em várias situações sociais. Elas podem também usar perguntas e fazer frases negativas. Nesse ponto, os fundamentos da linguagem estão bem solidificados e é simplesmente uma questão de continuar a aprendizagem e aumentar a sofisticação, baseando-se nos fundamentos existentes.

 

Florescendo borboletas sociais

As primeiras relações que os bebês têm são com as primeiras pessoas que cuidam deles. Os pais e um bebê geralmente se engajam em jogos visuais e de toque simples entre si. Os bebês também fazem gestos faciais para os estranhos. As interações entre um bebê e a primeira pessoa que cuida deles foram comparadas a uma dança, na qual cada parceiro obtém dicas com o

 

psicologia01.indd 191 22/02/2011 16:35:44 192 Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

outro em uma cena que quase parece coreografada. Este processo de usar o retorno do outro para avaliar a interação social foi chamado de interação recíproca e, geralmente, depende da habilidade da primeira pessoa que cuida ao responder às dicas dadas pela criança.

Uma boa conexão entre um bebê e quem cuida é geralmente resultado de algo chamado de bondade de ajuste – o ajuste entre os temperamentos e os estilos de uma criança e de quem cuida dela. Geralmente, ouço pais dizendo que cada um de seus filhos tinha um temperamento diferente e que aprender a responder de modo diferente a cada criança às vezes era um desafio. Algumas crianças podem ser muito sociáveis e buscam estímulo social, mas outras podem ser tímidas e podem requerer um estilo de interação reservado. Acho que parte da arte de ser pai é saber como combinar com o temperamento de uma criança – geralmente, representa um desafio significativo na terapia com crianças.

O círculo social de um bebê expande-se gradualmente para incluir irmãos e ele começa a dar sinais da ansiedade da separação (medo de ser deixado pela pessoa que cuida) entre as idades de sete e nove meses. A partir dos 16 até 24 meses, os bebês são capazes de passar um tempo jogando e interagindo com os outros sem muito envolvimento significativo das pessoas que cuidam deles. Do início dos três anos até os quatro anos, os mundos sociais das crianças continuam a se expandir. Algumas vezes, ocorrem brigas quando eles encontram os limites de lidar com outras crianças. Compartilhar e trocar se tornam mais importante e as amizades e as afeições simples com crianças específicas também começam a surgir.

 

Entrando no Grande Ônibus Escolar

A maioria das crianças entra no jardim de infância na idade de cinco anos. Isso marca um ponto crucial importante em seu desenvolvimento – as habilidades de aprendizagem, cognitivas e sociais ficam cada vez mais importantes. As crianças deixam seus pais e o ambiente protetor e facilitador da casa para começarem a interagir com um mundo maior e mais complexo. As habilidades relacionadas à escola, tais como, escrever, ler, soletrar e a matemática simples, começam a ocupar grande parte de sua energia mental e tempo.

 

Dominando o lápis de cor

Durante o jardim de infância, as crianças aprendem a usar ferramentas e materiais relacionados à escrita com mais habilidade. Algumas crianças podem não ter sido expostas a objetos como a tesoura, cola ou tinta antes do jardim de infância. Espera-se que elas aprendam a escrever letras, seus nomes e algumas palavras simples. Elas também começam a adquirir o básico da leitura, inclusive o reconhecimento de letras e a fonética inicial. Quando as crianças avançam na escola, espera-se que essas habilidades se expandam com a capacidade de ler e escrever partes maiores de informação.

As habilidades matemáticas começam com as contas. Nas idades de 4 ou 5 anos, as crianças podem contar com a correspondência de um a um. A correspondência de um a um é quando uma criança pode contar cada objeto

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 193

apresentado. Portanto, se eu colocar cinco maçãs, as crianças nessa idade contarão (“Um, dois, três” etc.) para cada maçã. Quando as crianças passam do jardim de infância para o sistema escolar, elas desenvolvem os conceitos da adição e da subtração, e finalmente desenvolvem operações mais sofisticadas que se estendem até a multiplicação, divisão avançadas e, algumas vezes, até frações.

 

Ser pré-operacional não significa

que você está sendo operado

O estágio sensório-motor do desenvolvimento cognitivo é seguido dos estágios pré-operacionais e operacionais. O pensamento continua a se tornar mais sofisticado ao usar os ganhos dos estágios anteriores e aplicá-los em problemas mais difíceis.

O estágio pré-operacional (idades de dois a sete) marca o desenvolvimento do pensamento simbólico. Neste momento, uma criança possui a capacidade de permitir que um objeto, um símbolo, represente outro objeto. Um marco disso é o jogo do faz-de-conta. Como uma vareta pode ser usada como uma espada, ou uma toalha de banheiro pode ser a capa de um super-herói? Representação simbólica!

Os recursos mais impressionantes dos processos do pensamento das crianças pré-operacionais são as habilidades que elas não possuem. Elas têm problemas para classificar os objetos em duas ou mais categorias. Por exemplo, se você perguntar se existem mais bolas totais ou mais bolas vermelhas em uma coleção de quatro bolas vermelhas e três bolas verdes, geralmente elas responderão “bolas vermelhas”. Elas estão presas em uma característica destacada importante da coleção de bolas e não conseguem pensar de modo abstrato para resolver o problema. Quanto pesa cinquenta gramas de pena? Uma criança pré-operacional pode dar algum valor, inferior a cinquenta gramas em sua resposta.

RE-SE Um desenvolvimento clássico que marca claramente a diferença entre uma

LEMB criança pré-operacional e uma criança operacional concreta é chamado de

conservação (a habilidade de entender que algo permanece igual, mesmo que sua aparência ou propriedades da superfície possam mudar). Pegue um copo grande com água e um copo pequeno vazio. Com a criança presente, coloque a água do copo grande no copo pequeno menor. Agora, pergunte à criança qual copo tinha mais água. A criança sempre dirá o grande – é porque ele é maior. Contudo, depois de a criança ficar mais velha e ter progredido para o estágio operacional concreto, ela poderá resolver esse problema.

O estágio operacional concreto marca o desenvolvimento da habilidade de uma criança em representar mentalmente uma série complexa de ações e realizar a lógica relacional. Nesse estágio, a criança usa uma habilidade chamada serialidade, que lhe permite organizar os objetos em uma série de dimensões que mudam, tais como, maior no menor, menor no maior, mais alto no mais baixo etc. Acredite se quiser, a maioria das crianças não pode fazer isso até que tenha sete anos de idade. Contudo, uma criança operacional concreta ainda fica preocupada com problemas mais abstratos ou problemas que são hipotéticos. Se um problema não tiver qualquer base na realidade, a criança

 

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operacional concreta terá muita dificuldade para responder a pergunta. Elas hesitam nas perguntas “e se” porque elas requerem um conhecimento concreto abstrato das situações que nunca aconteceram. Felizmente, elas chegam ao estágio das operações formais, que vem na adolescência.

 

Quer brincar no balanço?

As questões primárias do desenvolvimento social para as crianças em idade escolar são os relacionamentos entre os colegas e a função social fora de casa. Quando as crianças entram na escola, suas relações com seus pais estão muito sólidas. Essas relações continuam a se desenvolver, mas as relações fora de casa são o foco primário entre as idades de cinco e doze anos.

Durante esses anos, nossas expectativas em relação à habilidade social de uma criança crescem drasticamente. Não toleramos mais ataques de raiva e técnicas de solução de problemas sociais menos sofisticadas, tais como, bater em outras crianças. Esperamos que as crianças sigam regras e instruções, especialmente na sala de aula. Suas relações sociais com outras crianças aumentam e elas começam a desenvolver um pequeno grupo central de amigos.

Se uma criança tiver dificuldades sociais, esses problemas aparecerão quando ela entrar na escola. Os problemas que envolvem conviver com outras crianças, participar de jogos e cooperar nas rotinas que são esperadas delas quando estão longe de seus pais, algumas vezes, podem levar à rejeição dos colegas, dificuldades emocionais ou fracasso escolar.

 

Agonizando na Adolescência

Talvez um dos eventos mais significativos na vida de uma criança seja sua experiência com a puberdade. A puberdade é marcada por um aumento nos hormônios sexuais da progesterona, testosterona e andrógenos. O desenvolvimento de características sexuais secundárias, tais como, cabelo púbico, amadurecimento das genitais e desenvolvimento de seio para as meninas, acompanha a puberdade. O interesse por sexo é notavelmente aumentado quando os meninos começam a ter interesse nas meninas e vice-versa. Os adolescentes não pensam mais que os membros do sexo oposto têm piolhos.

Junto com essas mudanças físicas maravilhosas, vêm algumas mudanças bem profundas no pensamento. Quando temos mais ou menos 11 ou 12 anos, podemos resolver os problemas “e se” que enfrentamos porque atingimos o pico do desenvolvimento cognitivo das operações formais. Esse período é chamado de operações formais porque os processos do pensamento concreto da infância são combinados em conceitos mais avançados, tais como, abstrações. As crianças e os adolescentes agora podem raciocinar com base em perguntas hipotéticas. Eles não precisam de exemplos concretos ou demonstrações como precisavam durante os primeiros estágios do desenvolvimento cognitivo. Eles se tornaram pequenos cientistas, capazes de conduzir miniexperimentos mentais em vez de terem que lidar com problemas usando tentativa e erro.

 

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Capítulo 15: Crescendo com a Psicologia 195

RE-SE Lembre-se de que só porque as crianças e os adolescentes podem perguntar

LEMB e responder essas perguntas não significa que eles realmente façam isso.

Quando eu era adolescente, fracassei repetidamente em me perguntar: “E se eu for pego mentindo para meus pais?”. Eu deveria ter usado um pouco mais o meu pensamento operacional formal.

 

Lamentando a puberdade

Exatamente quando a puberdade começa é algo questionável. Pode vir em momentos diferentes para crianças diferentes. Mas, os pesquisadores notaram que a idade do começo da puberdade vem diminuindo gradualmente. Em média, as crianças estão entrando na puberdade cada vez mais jovens. Esse desenvolvimento tem sido chamado de tendência secular e os pesquisadores acreditam que é devido a uma nutrição melhor da infância. Segundo Dacey e Travers, a idade média do começo da puberdade nos países ocidentais está mostrando um declínio de três meses por década.

O momento da puberdade pode ter graves repercussões, dependendo de quando chega. Os meninos que se desenvolvem mais tarde que outros, algumas vezes sofrem com os golpes ridículos e sociais dos colegas relacionados à popularidade e ao namoro. As meninas que se desenvolvem cedo demais, algumas vezes se encontram em situações nas quais não estão preparadas mentalmente porque seus corpos as fazem parecer mais velhas do que realmente são.

E o sexo? Existe muita variação nas normas sexuais nas sociedades, mas se uma sociedade coloca ou não limites rígidos no comportamento sexual do adolescente, o desejo sexual é uma questão primária para os membros desse grupo de idade. Na maioria das vezes, os adolescentes aprendem sobre sexo com seus amigos e com a mídia. O velho papo dos pássaros e das abelhas não aparece com tanta frequência quanto se pode imaginar.

 

Pais? Não precisamos de pais miseráveis!

Uma diferença impressionante entre a infância e a adolescência é a importância diminuída dos pais na vida de um adolescente. Antes da adolescência, os pais e a casa ocupam o estágio central da vida de uma criança. Durante os anos da adolescência, os adolescentes começam a expressar sua independência e autonomia tornando as amizades sua grande prioridade.

As funções sociais que envolvem os pais ficam em segundo plano em relação às funções exclusivas da adolescência, tais como, danças, festas (sem acompanhantes para tomar conta) e saídas. Sair para passear, falar ao telefone e passar à noite nas casas dos amigos são comuns.

Os colegas são uma fonte maior de autoestima e adequar-se é geralmente mais importante do que a aceitação parental. Os adolescentes experimentam os papéis da identidade e social. As habilidades de relacionamento e os padrões estabelecidos na infância crescem em sofisticação. As relações românticas ficam extremamente importantes. Ser a estrela da família dá lugar aos desejos de ser popular ou bem aceito.

 

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Parte VI

 

 

Reconhecendo se

 

Você É Louco

 

A 5ª Onda Por Rich Tennant

 

balcãofobia – o medo

de fazer seleções iNadequadas

em uma fila de self-service

 

geleia de lima, purê de

batata e binóculos de

teatro. No que eu estava

pensando...?

 

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APsicopatologia moderna começou basicamente no início do século XX com as teorias de Eugene Bleuler e Sigmund Freud. A Parte VI cobre as Nesta parte... abordagens contemporâneas da Psicologia anormal,

 

inclusive as explicações neuropsicológicas e

cognitivas para os problemas psicológicos. Analiso

algumas das desordens psicológicas maiores e mais

infames, inclusive desordens de ansiedade,

depressão, esquizofrenia e desordem de estresse

pós-traumático. Também analiso a Psicologia forense

ou Psicologia criminal. Os tópicos relacionados a

esse assunto incluem as áreas da responsabilidade

criminal e o perfil criminoso, as teorias maiores do

comportamento criminoso e as teorias sobre o

tratamento e a correção.

 

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Capítulo 16

 

 

Psicologia Moderna

 

do Anormal

 

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Neste Capítulo

 Definindo a anormalidade

 Encontrando a realidade

 Sentindo-se deprimido

 Vivendo com medo

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A seguinte vinheta é baseada em uma pessoa fictícia. O Sr. Smith não é real e qualquer semelhança com uma pessoa real é pura coincidência. O Sr. Smith é um homem casado com trinta anos de idade, dois filhos, que vive em um bairro calmo do subúrbio. Ele trabalha como gerente de remessas de uma empresa de transportes local. O Sr. Smith tem uma saúde relativamente boa e é considerado pela maioria das pessoas como sendo um cara bonito. Cerca de três meses atrás, o Sr. Smith se aproximou de sua esposa com a ideia de ter um sistema de segurança doméstico. Ela concordou e eles instalaram um sistema de alarme. O Sr. Smith, então, disse para ela que queria instalar câmeras no perímetro de sua casa. Ela concordou relutante. De vez em quando, a Sra. Smith começou a acordar no meio da noite para encontrar o Sr. Smith olhando com binóculo através das cortinas do quarto. Ele ficou muito agitado quando ela questionou sobre seu comportamento.

As ações do Sr. Smith continuaram por várias semanas e ele continuou sem falar para sua esposa o que estava acontecendo. Então, um dia, ela encontrou uma arma quando estava limpando seu armário. Ela nunca soube que ele possuía uma arma, portanto, confrontou-o sobre a falta de preocupação pela segurança das crianças. Quando ela se aproximou dele, ele disse que tinha comprado a arma para protegê-los do vizinho ao lado. O Sr. Smith disse que ele vinha observando o vizinho por alguns meses e estava convencido de que ele estava envolvido em um esquema do setor imobiliário para pegar a sua casa. A trama envolvia o vizinho contratando criminosos para invadir sua casa e roubá-los, para assustá-los e levá-los a se mudar e vender a casa por um preço realmente baixo. Então, o vizinho compraria a casa por quase nada, a destruiria e expandiria sua própria casa na propriedade.

 

psicologia01.indd 199 22/02/2011 16:35:45 200 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

Há algo errado ou estranho com o comportamento do Sr. Smith? Sua esposa deve ficar preocupada? Ele está apenas sendo protetor? As respostas para essas perguntas fazem parte do campo da Psicologia anormal – o estudo psicológico do comportamento anormal e dos processos mentais. Mas, o que é “comportamento anormal”?

 

Decidindo Quem É Normal

Obviamente, com anormal quero dizer não normal – algo além do usual e costumeiro. Nunca dei um curso de Psicologia sem, pelo menos, um aluno fazendo um protesto contra o conceito do comportamento anormal. “Quem decide o que é normal e o que não é?”, ele geralmente pergunta. Esta é uma excelente pergunta. Quem decide o que é normal e o que não é? E como um padrão de normalidade é determinado?

Todas as sociedades no mundo têm padrões de comportamento e conduta que delineiam quais são os comportamentos aceitáveis e não aceitáveis. Quando as pessoas agem fora dessas normas, a sociedade rotula o comportamento e a pessoa em si como “anormal”. Há, pelo menos, cinco maneiras diferentes ou critérios para definir o comportamento normal versus anormal:

� Critério normativo: As pessoas que fazem coisas contrárias ao que a

maioria das pessoas faz ou que agem de modo muito diferente do que é

esperado estão agindo de modo anormal. Devemos conviver com as

normas sociais; suspeitamos que algo está fora de ordem quando não

convivemos. Algumas vezes, usamos estatísticas para descobrir quem

está fora da norma. Se nove entre dez pessoas agem de certo modo, o

comportamento de uma pessoa que não está de acordo é anormal

estatisticamente. O comportamento de não conformidade é

considerado raro.

� Critério subjetivo: Algumas vezes, sentimos que nossos sentimentos

podem ser diferentes daqueles da maioria das outras pessoas ou

podemos estar fazendo algo diferente do modo como os outros fazem.

Neste sentido muito limitado, somos anormais. E mais, se eu achar que

algo está errado comigo por causa da minha consciência de ser

diferente, então posso considerar-me uma pessoa adequada da

Psicologia anormal. Este é um caso de julgar o próprio comportamento

como anormal.

� Critério que não se adapta: Meu comportamento me ajuda a sobreviver

e a funcionar com sucesso em minha sociedade? Se não, segundo esse

critério, o comportamento que não se adapta é anormal. Se eu tenho

dificuldades para me adaptar e ajustar às demandas da vida, meu

comportamento não se adapta.

� Critério injustificável ou inexplicável: Algumas vezes, as pessoas

agem de modos e fazem coisas que não podem ser explicadas.

Normalmente, supomos que deve sempre haver uma razão para

alguém agir de certo modo. Se não pudermos sugerir uma explicação

razoável para essas ações, podemos rotular seu comportamento como

sendo anormal.

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 201

RE-SE Não importa qual definição usamos, é muito difícil argumentar que tudo é

LEMB normal. Percebo que algumas pessoas pensam que nossas vidas são uma

grande luta, mas na realidade, toda sociedade requer um grau de ordem. Seja uma família, tribo, ou nação, costumes e leis são necessários para reforçar/ manter a estrutura e a ordem. Defino comportamento anormal como um comportamento que não se adapta e processos mentais em detrimento ao bem-estar físico e psicológico de um indivíduo.

Portanto, se alguém age de modo anormal, isso significa que ele tem uma doença mental ou desordem psicológica? Não necessariamente. Uma pessoa pode agir de modo anormal por qualquer razão. Na verdade, em um momento na história, as pessoas acreditavam (e algumas ainda acreditam) que o comportamento anormal era causado pela possessão do demônio ou fraqueza moral. E ao cometer um assassinato? Isso não é anormal? Na verdade, o assassino satisfaz todos os cinco dos critérios que estabelecemos anteriormente para definir o comportamento anormal.

RE-SE O conceito de doença mental vem basicamente da Psiquiatria. A Psiquiatria é

LEMB um ramo da Medicina que lida com as desordens mentais. Durante o século

XIX, as pessoas que agiam de modo anormal tornavam-se a ocupação dos médicos. Essas pessoas “malucas” eram vistas como doentes em vez de ineptas moralmente ou possuídas pelo demônio. Esse modo de ver o comportamento anormal era realmente um grande avanço no cuidado dessas pessoas. Quando os médicos começaram a ser responsáveis pelo cuidado daqueles que se comportam de modo anormal, o comportamento anormal foi visto como um problema médico e foi considerado uma doença, a ser diagnosticada e tratada como qualquer outra doença e enfermidade. Isso é conhecido como modelo médico da doença mental.

Comparados aos doutores da Medicina, os psicólogos são novatos relativos no campo da doença mental, conforme definido pela Psiquiatria. Quando os médicos tentaram descobrir modos de ajudar as pessoas a partir de uma perspectiva do modelo médico, os psicólogos finalmente se juntaram, trazendo seu conhecimento do comportamento humano e processos mentais para a pesquisa, diagnóstico e tratamento do comportamento anormal, que era determinado sendo devido a uma doença mental.

RE-SE É importante fazer uma distinção entre o comportamento anormal, que é

LEMB devido a uma doença mental, e o comportamento anormal que não é. Muitos

comportamentos anormais não são devidos à presença de uma doença mental. Veja, por exemplo, a dança na qual as pessoas pulam e se chocam umas com as outras, do tipo “heavy metal”. É muito anormal encontrar diversão ao se chocar com as pessoas e saltar em volta de uma plateia de pinos humanos. Sim, acho que é anormal, mas eu acho que esse comportamento é resultado de doença mental? Depende, mas na maior parte, não! Novamente, lembre-se de que existem tantas causas potenciais de comportamento anormal por aí quanto pessoas.

 

Classificando Sintomas e Desordens

Durante anos, psiquiatras e psicólogos trabalharam para delinear quais comportamentos anormais constituem a presença de doença mental e quais não. Este processo é chamado taxonomia – a ciência da classificação. Hoje, o

 

psicologia01.indd 201 22/02/2011 16:35:45 202 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

sistema de classificação mais usado para determinar a presença de uma desordem mental é o Manual Diagnóstico e Estatístico, 4ª edição (DSM-IV), publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, em 1984. A definição de uma desordem mental apresentada no DSM-IV é “uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico significativo clinicamente que ocorre em um indivíduo e está associada ao sofrimento presente (por exemplo, um sintoma de dor), deficiência (ou seja, debilitação em uma ou mais áreas importantes de funcionamento) ou a um risco muito aumentado de morte, dor, deficiência ou perda importante de liberdade”.

Algumas palavras-chave nesta definição precisam de atenção extra:

� Sintoma: Um comportamento ou processo mental que é um sinal ou

indício de uma desordem em potencial. Os sintomas são geralmente

encontrados dentro das seguintes categorias:

� Pensamento ou processos do pensamento.

� Humor ou afeto (referindo-se a como alguém se sente

emocionalmente, como, por exemplo, deprimido, com raiva ou com medo) e sintomas vegetativos (relativos a comer, dormir e nível de energia).

� Comportamento (tal como, violência, compulsão por jogo ou uso

de drogas).

� Sinais físicos (tais como, dor muscular ou dor nas articulações,

dores de cabeça, suor em excesso).

� * Desordem: Uma coleção de sintomas que indicam a presença de uma

síndrome (grupos de sintomas coexistentes). Ao desenvolver a

taxonomia das desordens psicológicas anormais, os psiquiatras e os

psicólogos procuram grupos específicos de sintomas que tendem a

ocorrer juntos, distinguindo um conjunto de sintomas coexistentes que

são distintos dos outros conjuntos de sintomas coexistentes.

Quero fazer algumas observações finais antes de entrarmos nas desordens mentais específicas mais comumente observadas pelos profissionais de saúde mental hoje. Primeiro, é importante perceber que todo comportamento é visto em uma sequência de normal até anormal. Por exemplo, chorar é um comportamento normal, mas chorar todos os dias, o dia inteiro por mais de duas semanas, é considerado anormal. Segundo, todos já experimentaram um sintoma de desordem mental uma vez ou outra. Mas, simplesmente ter um sintoma de desordem mental não significa que uma pessoa tem uma desordem real. Lembre-se, as desordens consistem em grupos específicos de sintomas que definem uma determinada síndrome. As regras para determinar quais sintomas constituem uma desordem são complexas e incluem intervalos de tempo específicos e graus de gravidade.

DO! Então, não se entusiasme além da conta e comece a diagnosticar todos que

CU IDA você conhece só porque vê um sintoma ou dois. Não é tão simples assim: um

sintoma não gera uma desordem!

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 203

 

Compreendendo a Realidade

Um dos exemplos mais conhecidos de desordem mental é quando alguém parece ter perdido o contato com a realidade. O estranho sobre o Sr. Smith na vinheta no início deste capítulo é que parece que o plano do vizinho está todo em sua imaginação. Quando alguém perde o contato com a realidade objetiva, imaginando coisas e agindo sobre essas coisas imaginadas, dizemos que está sofrendo de uma classe de desordens conhecidas como desordens psicóticas.

As desordens psicóticas são consideradas possivelmente as mais graves de todas as desordens mentais. Além de perder o contato com a realidade, as pessoas que sofrem de uma psicose têm graves déficits funcionais relacionados ao autocuidado (comer, proteger-se e higiene pessoal), funcionamento social e ocupacional, e pensamento.

 

Esquizofrenia

A forma mais comum de psicose é a esquizofrenia. O psiquiatra Eugene Bleuler usava o termo esquizofrenia para descrever as pessoas que mostravam sinais de processos desorganizados do pensamento, uma falta de coerência entre o pensamento e a emoção, um estado de desconexão da realidade. Hoje, os critérios do DSM-IV para a esquizofrenia incluem:

� Delírios: Um delírio é uma crença firme que é mantida, apesar da

evidência ao contrário. Um tipo comum de delírio é um delírio

paranoico ou de perseguição, que envolve um medo intenso de que

alguém está sendo seguido, ouvido ou ameaçado por alguém ou algo.

Na vinheta de abertura do capítulo, o Sr. Smith parece estar

experimentando um delírio paranoico. Ele “sabia” que o vizinho estava

disposto a pegar sua casa! Uma outra forma comum de delírio é o

delírio grandioso, na qual, uma pessoa tem um sentimento

extremamente exagerado do valor, poder, conhecimento, identidade ou

relacionamento. Alguém que é grandioso pode acreditar que pode falar

com seres sobrenaturais ou que ele próprio é um ser sobrenatural. Ou

ele pode simplesmente achar que é o presidente dos Estados Unidos.

� Alucinações: O DSM-IV define uma alucinação como uma “percepção

que tem um senso incontrolável da realidade de uma percepção

verdadeira, mas que ocorre sem o estímulo externo do órgão sensorial

relevante”. As alucinações podem ser auditivas (ouvir vozes ou sons),

visuais (ver demônios ou pessoas mortas), olfativas (cheiros),

gustativas (gostos) ou somáticas (experimentar sensações físicas

dentro do corpo). A maioria das alucinações é auditiva e, geralmente,

envolve alguém ouvindo uma voz ou vozes comentando sobre seu

comportamento.

Se o Sr. Smith tivesse alucinações, ele poderia ter ouvido vozes dizendo:

“Ele vai pegar você!”. As alucinações de comando são uma forma

potencialmente perigosa de alucinação auditiva porque envolvem uma

voz ou vozes dizendo ao sofredor para fazer algo, geralmente

envolvendo um comportamento violento ou suicida. “Mate-se!”

 

psicologia01.indd 203 22/02/2011 16:35:45 204 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

� Fala e pensamento desorganizados: Você já teve uma conversa com

alguém na qual você não tinha ideia do que ele estava falando? Eram

coisas sem sentido? A fala desorganizada e o pensamento são

caracterizados por verbalizações que são extremamente tangenciais

(em grande parte irrelevantes), circunstanciais (usando rodeios) ou

vagamente associadas (pulando de um pensamento não relacionado a

outro). Estes estilos anormais de comunicação podem ser uma

evidência da desordem do pensamento. Uma forma extrema de

desordem do pensamento é chamada de sopa de letrinhas – quando a

fala de uma pessoa é tão incoerente que parece ser outra língua ou sem

sentido.

Se o Sr. Smith mostrasse desordem de pensamento, ele se pareceria

assim: “Acho que o porcaria passou e escapou, mas ele conhece a

imposição da lei, o distintivo, olhando”. Algumas vezes, as pessoas até

criam palavras que não existem, chamadas de neologismos. “Acho que o

porcalhão conseguiu e desescapou quadros desacionados de mim”.

� Comportamento excessivamente desorganizado ou catatônico:

Quando uma pessoa se comporta de maneira desorganizada, ela pode

agir de modo extremamente bobo ou infantil, ficar facilmente perdida

ou confusa, parar de cuidar de si mesma e de suas necessidades

básicas, fazer coisas estranhas ou bizarras, tais como, falar consigo

mesma, ou ser extremamente inadequada socialmente. O

comportamento catatônico envolve uma completa imobilidade, uma

absoluta falta de consciência dos ambientes de alguém e, algumas

vezes, ficar mudo.

� Sintomas negativos: Um sintoma negativo refere-se à ausência de um

comportamento usual ou esperado. A ausência do comportamento é o

que é anormal. Três sintomas negativos são vistos com frequência na

esquizofrenia:

� Afeição plana: Quando uma pessoa não mostra qualquer tipo de

emoção por ninguém.

� Alogia: Descreve uma condição na qual os processos do

pensamento de uma pessoa são tolos, bloqueados ou geralmente pobres.

� Volição: Quando uma pessoa não tem habilidade para persistir em

uma atividade; parece uma extrema falta de motivação.

Quando uma pessoa tem estes sintomas, ela pode estar sofrendo de esquizofrenia. Por que digo “pode”? Alguém pode mostrar estes sinais por muitas razões: drogas, privação do sono ou alguma doença física. Fazer o diagnóstico da esquizofrenia é uma tarefa complexa e muito séria. Intervalos de tempo específicos e rejeições estão envolvidos. As rejeições envolvem eliminar outras explicações possíveis ou plausíveis.

A esquizofrenia atinge cerca de uma pessoa em cada dez mil. Geralmente, é diagnosticada nos indivíduos entre as idades de 18 a 35. Outras vezes, mas raramente, é diagnosticada na infância. Normalmente, começa no final da adolescência e no início dos vinte anos, e está totalmente presente no meio ou no final dos 20 anos. Pode desenvolver-se rápida ou gradualmente, e pode haver períodos de sintomas menos graves. Outros doentes podem ser doentes crônicos e persistentes. Os períodos da doença podem ser

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 205

caracterizados por uma inabilidade marcada e capacidade diminuída nas funções da vida diária, geralmente levando ao insucesso na escola, perda do trabalho e dificuldades de relacionamento.

RE-SE Não se engane com a facilidade de listar os sintomas e descrevê-los. Eles são

LEMB muito graves. Os indivíduos com esquizofrenia geralmente enfrentam desafios

enormes na sociedade e, algumas vezes, acabam na cadeia, em hospitais ou instituições parecidas, ou vivem nas ruas por causa de sua doença.

 

Revelando as causas da esquizofrenia

Isto costumava ser um debate que focava na antiga questão da natureza versus criação. As causas da esquizofrenia são orgânicas (bioquímica/ fisiológica) ou funcionais (resultando da experiência)? No momento, talvez por causa do status elevado da ciência, as explicações orgânicas sejam bem mais acreditadas, mas a melhor resposta pode estar em uma síntese dos dois pontos de vista. Ainda é muito difícil lidar com ela porque existem várias teorias para a causa da esquizofrenia, cada uma com graus variáveis de apoio científico. A teoria predominante na prática hoje é realmente uma síntese de duas áreas diferentes de pesquisa; é chamado de modelo diátese-estresse.

Primeiro, algumas definições. Uma diátese é uma predisposição para uma determinada doença. O estresse pode ser definido como qualquer fator psicológico e social. Portanto, o modelo diátese-estresse afirma que a esquizofrenia é a consequência de uma diátese ativada pelo estresse ou pela predisposição.

Uma diátese biológica proposta para a esquizofrenia é um problema subjacente na química do cérebro. Outros pesquisadores acharam partes mal formadas do cérebro. Essas anomalias biológicas podem levar a problemas no pensamento, na fala, no comportamento e ao ficar em contato com a realidade. Para o componente do estresse, os fatores psicológicos abrangem a questão da distorção da realidade associada à esquizofrenia. Por que os esquizofrênicos fazem uma ruptura com a realidade? Geralmente, há uma crença de que o mundo é experimentado como sendo tão duro e seus conflitos tão intensos que umas férias dele são necessárias. A pesquisa mostrou que o trauma psíquico, tal como, abuso infantil, pode estar relacionado às interrupções psicóticas. Esse tipo de trauma certamente constitui um mundo duro precisando de escape. Porém, a pesquisa não afirma que o abuso infantil causa a esquizofrenia em todos ou na maioria dos casos, mas ela tem sido vista como um fator de estresse potencialmente devastador. Esse estresse pode interagir com a diátese, a predisposição e levar a sintomas psicóticos.

Um fator social relacionado à esquizofrenia que apresentou potencial em uma pesquisa recente é um fenômeno conhecido como emoção expressa. A emoção expressa (EE) refere-se à comunicação negativa pelos membros da família direcionados à pessoa que sofre de esquizofrenia. A EE geralmente consiste na crítica excessiva. Os membros da família podem comentar sobre o comportamento do paciente. “Você é louco!”, por exemplo. A EE também inclui o superenvolvimento emocional dos membros da família, o que pode atordoar o paciente. Deixe-me esclarecer perfeitamente: Não estou dizendo que a crítica e o superenvolvimento causam a esquizofrenia, mas apenas que podem contribuir para o componente de estresse do modelo diátese-estresse, como muitos outros fatores de estresse podem.

 

psicologia01.indd 205 22/02/2011 16:35:45 206 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

DO! Você pode achar que desenvolveu esquizofrenia depois de ler sobre as suas

CU IDA causas. Não se envolva demais com os detalhes. O resultado final é que

muita pesquisa por aí não é conclusiva. O que sabemos é que existem algumas anormalidades subjacentes do cérebro nos esquizofrênicos que podem interagir com certos tipos de estresse, de um modo que produza a desordem. Os efeitos devastadores dessa desordem fazem com que os pesquisadores continuem trabalhando com muito empenho para chegarem à base das coisas. Já percorremos um longo caminho, mas ainda há muito a se fazer.

 

Tratando a esquizofrenia

A esquizofrenia é uma das desordens mentais mais difíceis de tratar. Seus efeitos geralmente são debilitantes para o indivíduo com a doença e para sua família. Existem várias abordagens para tratar essa doença, variando desde o uso de medicação até a ajudar os indivíduos a desenvolver habilidades funcionais importantes, tais como, gerenciamento de dinheiro ou habilidades sociais.

� Medicações antipsicóticas, tais como, Haldol e Zyprexa são geralmente

a primeira linha de tratamento para as pessoas que sofrem de

esquizofrenia ou desordens psicóticas afins. Embora sejam

extremamente benéficas, essas medicações são conhecidas como

paliativos porque não curam a doença, apenas reduzem a intensidade

dos sintomas.

� As áreas do tratamento psicossocial e da reabilitação também

mostraram alguma promessa. Os pacientes aprendem habilidades

sociais e de autocuidado que podem ajudar a reduzir o número de

fatores estressantes que enfrentam.

� Embora aparentemente fora de moda nos últimos anos (trabalho

intensivo demais e, portanto, caro demais), a psicoterapia,

especialmente a terapia cognitiva, tem sido usada ultimamente para

ensinar os pacientes a desafiar seus sistemas de crenças de delírio e

tornar-se melhores “consumidores” da realidade.

A maior parte das pesquisas recentes indica uma combinação de medicação e terapia da fala como sendo a intervenção de tratamento mais eficiente. A intervenção inicial e o apoio social sólido são também fatores associados a um diagnóstico favorável. Com medicação, psicoterapia e apoio da família e amigos, muitas pessoas que sofrem de esquizofrenia podem ter vidas

DIC A produtivas. O problema é que seus sintomas geralmente são tão graves que elas podem ter dificuldades para atingir os níveis da consistência emocional

e comportamental necessários para manter os trabalhos e conduzir relações eficazes. E mais, talvez por causa da autoestima danificada, da autoimagem ruim e das atitudes ambivalentes sobre a relação e o sucesso, os esquizofrênicos são famosos por sua tendência à medicação inconsistente.

 

Lutando com outros tipos de psicoses

Duas outras formas de psicoses são a desordem de delírio e a desordem psicótica induzida por substâncias.

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 207

� Desordem de delírio: Caracterizada pela presença de delírios que não

são particularmente bizarros ou fora de contato com a realidade. Um

marido pode ficar obcecado com a ideia de que sua esposa está tendo

um caso, mas ser incapaz de provar ou encontrar qualquer evidência.

Essa crença pode transformar-se em um delírio se persistir por pelo

menos um mês. Alguém pode achar que a água em sua casa está

envenenada, contrário à evidência de que não está. Outro exemplo é

que um colega do escritório está loucamente apaixonado por outra

colega e continua enviando “sinais” dessa afeição. O principal de uma

desordem de delírio é que a pessoa com delírio não tem nenhum

outro sinal de psicose, como, por exemplo, os encontrados na

esquizofrenia.

� Desordem psicótica induzida por substâncias: Existe quando as

alucinações conhecidas ou delírios estão presentes e estão associadas

ao fato de estar sob a influência de uma substância ou afastada de uma

substância. As pessoas sob influência de LSD ou alucinógenos,

geralmente, mostram sintomas psicóticos, e é comum as pessoas que

utilizaram cocaína ou anfetaminas parecerem psicóticas quando

“reduzem” (assemelha-se aos sintomas psicóticos). Este problema pode

ser muito sério e qualquer pessoa que considere usar drogas ou mesmo

álcool neste sentido, deve saber que há uma boa chance de que pode

ter sintomas psicóticos como consequência de seu uso.

 

Sentindo-se Desanimado

Eu fico imaginando se a música blues existiria se todos os músicos fossem pacientes de psicoterapia. Essas músicas não parecem particularmente tristes – elas parecem mais lamentáveis do que qualquer outra coisa. Algumas vezes, pergunto aos meus novos pacientes se eles já ficaram deprimidos e alguns respondem: “Com certeza, não ficamos todos deprimidos?”. Não exatamente.

Tristeza é uma emoção normal humana, geralmente ocorrendo durante as experiências de perda. A perda do trabalho, da amante, da criança ou das chaves do carro pode iniciar a tristeza. Mas, é só isso – é tristeza, não é depressão! Depressão é uma forma extrema de tristeza que também inclui vários outros sintomas. A maioria de nós, bem, talvez alguns de nós, já vivenciou o fim de um namoro uma vez ou outra. Como nos sentimos? Tristes, cansados, desmotivados, insones, sem fome. Mas, todos esses sentimentos em algum momento vão embora. Superamos. O mesmo pode acontecer quando alguém amado ou próximo morre. Chamamos isso de luto ou pesar. Novamente, quando estamos de luto, não estamos deprimidos. Depressão é algo diferente.

 

Depressão maior

Quando alguém está deprimido a ponto de precisar de atenção profissional, a pessoa tem pelo menos grande parte dos seguintes sintomas de desordem depressiva maior:

 

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� Humor deprimido na maior parte do dia e na maioria dos dias.

� Falta de possibilidade de sentir prazer (desinteresse ou prazer suspeito

em todas as atividades ou na maioria delas).

� Perda de peso ou ganho de peso significativo, sem fazer nada, e apetite

diminuído ou aumentado.

� Dificuldade para dormir ou sono excessivo.

� Sentimentos físicos de agitação ou lentidão.

� Fadiga ou falta de energia.

� Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva.

� Dificuldade de concentração e foco.

� Pensamentos repetidos de morte ou suicídio.

RE-SE Felizmente, a maioria das pessoas que pergunta: “Não ficamos todos

LE MB deprimidos?”, não terá essa mesma reação depois de ver todos esses

sintomas. Se você tiver três ou mais, ou se estiver com alguma dúvida, vá a um médico!

 

CU IDA DO! Algumas vezes, a depressão pode ficar tão grave que a pessoa pode pensar em cometer suicídio. Existem muitos mitos sobre o suicídio por aí. Um é que as pessoas que falam sobre o suicídio não o cometem. É falso! Na verdade,

falar sobre suicídio é um dos sinais mais graves de que alguém pode realmente cometê-lo. Toda conversa sobre suicídio ou autoferimento deve ser levada a sério. Se você estiver preocupado com alguém ou até consigo mesmo, contate um profissional de saúde mental ou ligue para um telefone local de ajuda a crises ou suicídio.

RE-SE A depressão é uma das formas mais comuns de desordem mental nos Estados

LE MB Unidos, ocorrendo em média em 15 por cento da população. A desordem

depressiva maior pode ocorrer apenas uma vez na vida de uma pessoa ou várias vezes, durando meses, anos ou até a vida inteira. A maioria das pessoas que tem uma desordem depressiva maior recorrente tem períodos de recuperação nos quais elas não sentem os sintomas ou sentem os sintomas de uma forma menos intensa. A depressão pode ocorrer a qualquer momento na vida de uma pessoa e não discrimina idade, raça ou sexo.

 

Revelando as causas da depressão

Dependendo a quem você pergunta, a pesquisa das causas da depressão pode ser dividida em dois tipos de explicações:

� Biológica: As teorias biológicas da depressão colocam a culpa no

cérebro e no mau funcionamento de alguma química que a inclui.

� Psicológica: As teorias psicológicas focam em grande parte na

experiência de perda.

A hipótese amina biogênica é a explicação teórica mais popular das bases biológicas da depressão. Segundo essa hipótese, a depressão é uma função do desajuste (habilidade debilitada) de dois neurotransmissores no cérebro, noradrenalina e serotonina. Os neurotransmissores são substâncias químicas

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 209

no cérebro que permitem a um neurônio comunicar-se com um outro neurônio através da sinapse (a lacuna entre os neurônios). O cérebro contém muitos neurotransmissores diferentes, cada um tendo concentrações relativas em regiões específicas do cérebro. Neurotransmissores específicos ajudam as regiões localizadas do cérebro em seu monitoramento de determinadas atividades humanas. As partes do cérebro aparentemente mais afetadas na depressão são as envolvidas com o humor, cognição, sono, sexo e apetite.

As teorias psicológicas da depressão vêm de várias fontes:

� Teoria das relações com o objeto: Melanie Klein propôs que a

depressão é o resultado de um processo de desenvolvimento infantil

malsucedido que pode resultar em problemas para enfrentar os

sentimentos de culpa, vergonha e autoestima.

� Teoria da ligação: A teoria de John Bowlby nos dá uma outra visão

sobre a causa da depressão. Todas as nossas relações com as outras

pessoas se originam das ligações iniciais que formamos com as

primeiras pessoas que cuidaram de nós quando bebês. Quando há um

rompimento na relação de ligação e um laço saudável não é formado, a

criança fica vulnerável à depressão quando enfrenta as futuras perdas e

as dificuldades de relacionamento. Na infância, o laço e a ligação podem

ser rompidos por várias razões, variando desde um pai drogado até o

crescimento em um lar adotivo sem amor. As crianças com relações

ruins de ligação geralmente se sentem desprotegidas. O desamparo é

um marco da depressão.

� Desamparo aprendido: Muitas pessoas durante suas vidas

experimentaram o fracasso ou a incapacidade de conseguir o que

desejavam. Sob circunstâncias normais, a maioria de nós apenas

continua tentando. Não desistimos e, geralmente, não desenvolvemos

nenhum sentimento grave de pessimismo sobre a probabilidade de

nossos futuros sucessos. Contudo, algumas pessoas, por causa das

circunstâncias adversas ou por causa de uma tendência geral de ver

seus esforços como inúteis, podem ficar deprimidas diante do que

experimentaram como possibilidades insuperáveis.

 

RE-SE

MB

LE

 

Droga contra a depressão?

A medicação antidepressiva é um dos medica- bém. Porém, lembre-se de que a pesquisa mos-mentos mais prescritos nos Estados Unidos. O trou que certas formas de psicoterapia podem que está acontecendo? Estamos todos depri- ser tão eficientes quanto a medicação a curto midos? Bem, há muita consciência pública so- prazo e, talvez, mais benéficas a longo prazo do bre a depressão, e anunciar essas drogas na que a medicação. A melhor “droga” para a de-televisão provavelmente não prejudica tam- pressão pode não ser uma droga afinal.

 

psicologia01.indd 209 22/02/2011 16:35:45 210 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

RE-SE � Teoria cognitiva da depressão: A teoria de Aaron Beck se tornou

LE MB extremamente popular e é bem apoiada pela pesquisa. Beck propôs que a depressão é um tipo de desordem do pensamento que produz o

resultado emocional dos humores deprimidos e outros sintomas afins.

Várias “distorções” cognitivas podem estar envolvidas:

� Pensamentos automáticos: Os pensamentos automáticos são

afirmações que fazemos para nós mesmos das quais não temos consciência que dizemos, produzindo experiências depressivas. Por exemplo, se eu entrar no meu carro de manhã e ele não pegar, posso dizer conscientemente: “Droga, isso é que é sorte”. Mas, inconscientemente, posso estar tendo o pensamento automático: “Nada dá certo para mim”.

Continuar: parte 11 de 16