Psicologia Para Leigos
01 Psicologia
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.
necessidades. Talvez, Bill sinta que ninguém ouvirá seus medos e reservas sobre ser pai. Esse medo pode levar à queixa de hipocondria.
� Fingindo: Um outro mecanismo de defesa que Bill está utilizando
é o fingimento – a expressão direta de um impulso inconsciente ou desejo sem ter um sentimento reconhecido conscientemente de uma maneira em particular. Bill pode ter o desejo inconsciente de ser um solteirão de novo, estar livre da responsabilidade de paternidade. Ele pode não estar consciente disso, portanto, finge seu desejo inconsciente indo para bares de topless, como se fosse solteiro de novo.
Os problemas de Bill são resultado de uma luta interna pela expressão, repressão e gerenciamento dos impulsos por suas defesas e medos sobre ter, expressar e satisfazer esses desejos.
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Fazendo Análise
VOLUNTÁRIA E se a Psicanálise fosse um esporte e tivesse seu próprio show na televisão,
O na noite de segunda-feira? Só por diversão, imagine que fosse mais popular
ÇÃ
IA que o futebol de segunda à noite. Espero não ter perdido nenhum fã de C
SO futebol – fique comigo.
AS
“Bem-vindo ao Segunda à Noite na Poltrona. Sou o Dr. Visãoclara e aqui comigo está o meu parceiro Cente Bem. Hoje, temos uma sessão de Psicanálise de John Smith. Se você se lembra Cente, o Sr. Smith sentiu-se mal quando saiu de sua última sessão com o Dr. Freud...”
O que esses apresentadores possivelmente teriam para comentar? Você pode ficar surpreso. Há muita coisa acontecendo na terapia. Na verdade, um dos modos dos terapeutas aprenderem a fazer terapia é observando os outros fazendo e, então, dissecando o que veem. Os terapeutas em treinamento assistem a vídeos de treinamento de terapia e observam a terapia de um outro cômodo.
Como você conheceria a Psicanálise se a visse? Talvez ajude se você considerar a Psicanálise a partir de quatro perspectivas diferentes: aspectos pragmáticos, o que o paciente faz, o que o analista faz e o processo geral da análise.
Sendo prático
A logística é fácil. O paciente marca uma consulta, vai ao consultório e encontra o analista. Eles calculam as taxas e o cronograma. A Psicanálise clássica envolve de quatro a seis sessões de terapia por semana, mas a maioria das pessoas não consegue fazer muitas sessões. Portanto, muitos psicanalistas aprenderam a realizar uma versão reduzida com apenas uma a duas sessões por semana. As sessões duram cerca de cinquenta minutos na versão clássica e na versão mais curta da Psicanálise. Depois de se familiarizarem, o paciente e o analista começam a trabalhar.
RE-SE
MB
LE
Tirando um peso
Naturalmente, nenhuma discussão da Psica- objetivos da terapia em si. Freud usava a pol-nálise estaria completa sem analisar a poltro- trona, mas não exclusivamente, e hoje, a na. A imagem de um paciente na poltrona é maioria dos psicanalistas não é diferente. A uma das imagens mais populares da Psicaná- Psicanálise não tem que acontecer na poltro-lise. O analista senta-se ereto em uma cadei- na, mas para ela ser verdadeiramente “clás-ra, fora da linha de visão do paciente, por ra- sica”, uma poltrona é preferível. zões técnicas relacionadas à tarefa e aos
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Capítulo 19: Ficando Confortável no Sofá 253
O paciente fala; o analista ouve e comenta. Um paciente é encorajado a falar sobre qualquer coisa que venha à mente e a não filtrar ou editar o que surge. O analista permite que ele divague um pouco, mas enfatizará periodicamente algo que o paciente diga para aumentar a sua consciência. A duração típica de uma Psicanálise clássica é de cinco anos ou mais. A maioria das pessoas não vai tão longe porque estão envolvidas em uma variante da Psicanálise verdadeiramente clássica, que analiso na seção “Transferindo para a Nova Escola”, posteriormente neste capítulo.
Sendo (o) paciente
Lembre-se de que a Psicoterapia, em geral, e a Psicanálise, em particular, são definidas pelas relações profissionais com objetivos específicos em mente. Os papéis de cada um dos participantes são especificados para produzir o objetivo desejado de conseguir o melhor. Em outras palavras, há um certo modo de se comportar na Psicanálise. Mas, não é tão rígido quanto pode parecer.
A Pode parecer óbvio, mas o paciente deve chegar para a sua consulta na hora
DIC e pagar a conta devidamente. Essas práticas são importantes para manter o
profissionalismo da relação, pois não são simplesmente dois amigos conversando sobre a vida.
Muitos pacientes vão para a terapia com uma atitude de “corrija-me” ou “dê-me todas as respostas”, como se apenas aparecer e falar passivamente sobre seus problemas fossem suficientes. O trabalho não será feito. Na verdade, muitas pessoas subestimam a quantidade de trabalho que ocorre ao ser um paciente. Algumas vezes, os pacientes deixam a terapia antes da hora no processo porque as coisas ficam difíceis demais ou esforço demais é requerido deles.
Não é que um psicanalista irá pedir para você abaixar e fazer 50 abdominais no meio da sessão. Mas, é que você será solicitado a pensar criticamente sobre as coisas sendo analisadas na análise. Sydney Pulver fornece um bom resumo de algumas das expectativas dos pacientes:
� Observar como surge material inconsciente durante a sessão.
� Querer experimentar fortes emoções e enfrentar lembranças negativas.
� Focar na compreensão do processo de como a relação entre o
terapeuta e o paciente produz mudança.
DO! Deveria haver uma ressalva no início de toda terapia afirmando que a terapia
CU IDA talvez não seja tão divertida, e talvez até seja completamente dolorosa. Se não dói, não cura, eu acho!
Talvez a tarefa mais importante a qual um paciente na Psicanálise seja solicitado a fazer seja a associação voluntária. Quando a análise começa, o terapeuta instrui o paciente a ficar na poltrona e a começar a falar sobre qualquer coisa e tudo que venha à mente, não importando o quanto possa ser absurdo, bobo ou embaraçoso. A ideia é entrar em contato com o material inconsciente não “editado” do que alguém pensa e fala. Este processo pode ser bem difícil e, algumas vezes, demora um pouco para ser entendido. A
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única regra é falar sobre qualquer coisa que venha à mente, contanto que o próprio paciente e o analista acessem os conflitos ocultos e impulsos.
A Algumas vezes, é difícil lembrar todas as coisas analisadas na terapia. Leve
DIC uma caneta e um papel! Muitas informações boas aparecem durante a terapia
e é uma vergonha esquecê-las. Anote-as. Faça as suas próprias anotações. Isso poderá ajudar a manter as conquistas fora da sala de terapia.
Concentrando-se na análise
Então, deixe-me esclarecer – irei pagar a um psicanalista e eu sou a pessoa que irá fazer todo o esforço. Qual é o sentido disso? Estou certo que os recrutas militares pensam a mesma coisa quando entram pela primeira vez no campo de treinamento e há aquele instrutor militar durão, que fica encarando, os colocando para baixo e os desafiando em seu comprometimento. Os instrutores militares dirão que é para o bem dos recrutas. A Psicanálise está longe de ser um campo de treinamento, mas você é solicitado a acreditar que é tudo para o seu bem. Felizmente, os analistas desempenham um papel maior no processo do que apenas afirmar: “É para o seu próprio bem”. Os
LEMB RE-SE pacientes e os analistas têm, igualmente, tarefas na terapia.
O analista deve:
� Ser empático e transmitir um certo nível de cuidado pelo paciente, um
nível profissional de preocupação.
� Ter consciência de seus próprios conflitos internos também. Assim, o
foco na sessão de terapia pode ser nos problemas do paciente e não
nas dificuldades do analista. Se os problemas do analista começarem a
dominar a sessão, ele deverá buscar uma consulta imediata com o seu
próprio terapeuta, colega ou supervisor.
� Permanecer objetivo e neutro moralmente em relação aos problemas do
paciente. Antigamente, esperava-se que os psicanalistas clássicos
fossem uma “tela em branco” e introduzissem o menos possível de suas
próprias personalidades no processo. Assim, qualquer coisa que o
paciente associasse livremente estaria relacionada aos conflitos internos
do paciente e não a uma reação à pessoa real do analista. Esta é uma
abordagem “pura” e a maioria dos analistas atualmente sente que ela
não precisa ser seguida de forma absoluta. Não há problema em ser um
pouco mais interativo com o paciente para facilitar a mudança e dar um
pouco mais de conexão pessoal do que uma tela em branco daria.
� Trabalhar com respeito em relação à ansiedade do paciente, sem
atordoar ou superestimular o paciente. Quando um paciente vem para a
terapia, ele pode ter muito medo sobre o que irá acontecer durante as
sessões. O analista não deve pressionar demais o paciente, ou de forma
muito rápida, para que ele fale sobre coisas que ele pode não estar
pronto para falar. Há uma razão para as pessoas não estarem
conscientes de seus conflitos internos e um bom analista respeita isso,
ritmando seus comentários.
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Capítulo 19: Ficando Confortável no Sofá 255
T. Reik, em 1948, afirmou que um bom analista aprende a ouvir com o seu “terceiro ouvido”, tentando encontrar o conflito inconsciente dentro de cada afirmação do paciente. O conflito inconsciente também pode ser observado no material dos sonhos, piadas e lapsos verbais. (Leia mais sobre esses lapsos no Capítulo 10.) O analista deve notar esses sinais de conflito inconsciente e fazer os devidos comentários quando for o momento certo. Os analistas tentam entender o que está acontecendo em todos os três níveis da consciência do paciente de uma só vez: a inconsciência, a pré-consciência e a consciência. Para saber mais sobre esses níveis de consciência, veja o Capítulo 10.
O que o analista de fato escolhe comentar e quando comentar depende dos conflitos específicos do paciente. O analista faz interpretações, explicações que adicionam ao conhecimento e à consciência dos pacientes sobre eles mesmos e sobre as conexões entre seus conflitos internos e problemas reais. A interpretação é a ferramenta primária na caixa de ferramentas do analista. É o seu melhor meio de aumentar a consciência de um paciente e, para muitos psicanalistas, a interpretação é sinônimo da Psicanálise em si.
RE-SE Os analistas não interpretam todas as mínimas coisas na terapia - “Notei que
LEMB você dobrou o tecido que eu lhe dei em quatro e não em três...”. Poderia ficar
bem ridículo se esse fosse o caso. Existem coisas específicas que o analista acha necessário interpretar e comentar. Como o objetivo da interpretação é a consciência aumentada, o analista faz interpretações sobre o material inconsciente que simplesmente está sob a superfície da consciência. Em vez de apenas fazer afirmações que parecem vir do nada, o analista tenta levar o paciente em direção à consciência, deixando-o chegar à visão do seu “eu”, com um pouco de direção gentil. Não seria tão divertido se o analista lhe desse todas as respostas.
Sydney Pulver identifica pelo menos cinco tipos de interpretação:
� Interpretações de resistência: Apontar as coisas que o paciente está
fazendo para resistir ao processo de análise e mudança.
� Interpretações de transferência: Apontar quando o paciente se
relaciona com o analista de um modo parecido com as relações
anteriores que o paciente tinha.
� Interpretações de extratransferência: Apontar quando o paciente está
se relacionando com outras pessoas de um modo parecido com as
relações anteriores que o paciente tinha.
� Reconstruções: Apontar os pensamentos, emoções e comportamentos
do paciente que podem “preencher” memórias incompletas que o
paciente possa ter.
� Interpretações do caráter: Apontar um comportamento inadaptado
que parece ser um aspecto central da personalidade do paciente.
É impossível fazer justiça ao processo de interpretação sem uma análise completa do processo geral da terapia psicanalítica e uma análise mais detalhada de problemas, tais como, resistência e relação terapêutica.
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O processo geral
A pragmática foi negociada (por exemplo, calcular taxas e cronograma) e o terapeuta está pronto com sua sacola de truques. A terapia começa. Em um mundo ideal, a terapia psicanalítica deve progredir através de uma série de estágios. Os pacientes e os terapeutas, igualmente, nem sempre são tão complacentes. Se as coisas vão bem, a análise progride através destes estágios:
� Resistência.
� Desenvolvendo a transferência.
� Conquistando obstáculos.
� Término.
Início
O terapeuta reúne informações concernentes à história do paciente, enfatizando as relações e as interações familiares durante a infância. O paciente passa pelo processo de discutir seus problemas com o analista, uma tarefa que pode parecer mais fácil do que realmente é.
Um paciente, irei chamá-lo de Bernie, pode aparecer para as suas sessões de terapia e discutir como seu chefe está forçando-o a fazer terapia, ameaçando constantemente demiti-lo e, em geral, fazendo-o passar por momentos difíceis. Ele pode discutir sobre a atitude ruim de seu chefe e o aumento que ele pensa merecer. Ele pode falar sobre qualquer coisa, exceto a razão “real” de ele estar em análise – sua carreira está em perigo – ,sem falar dos conflitos mais profundos que estão no núcleo das dificuldades da carreira de Bernie.
Conforme um paciente continua a falar e a associar livremente, os conflitos começam a emergir. O analista fica atento aos conflitos mais profundos. Quanto mais os conflitos do paciente começam a borbulhar na superfície, mais ele trabalhará para mantê-los fora da consciência e se defender de seu conteúdo perturbador. Essa defesa psicológica é feita, em parte, por um processo conhecido como resistência – uma forma de não obediência do processo psicanalítico de aumentar a consciência e tornar a inconsciência consciente. Todos os pacientes resistem pelo menos um pouco, alguns mais que outros, dependendo do quanto estão defensivos. Quanto mais ameaçador for o material inconsciente, mais forte será a resistência.
O comportamento de resistência pode ser tão simples quanto esquecer as consultas para evitar discutir os seus problemas, ou tão complicados quanto desenvolver novos sintomas para manter o analista distante do material mais profundo. A resistência geralmente é o primeiro obstáculo na cura analítica. Um analista pode contar com a resistência de um paciente. Isso ocorre pelo fato de a teoria inteira da Psicanálise depender da ideia de que a resistência das pessoas de estarem conscientes de seus problemas está no centro de seus problemas. Geralmente, o analista lida com a resistência através do processo de interpretação ou comentando a resistência. Por exemplo:
Analista: Sr. Smith, você passou boa parte da sessão de hoje olhando
seu relógio e preocupado com a hora. Você tem que ir a outro lugar ou
tem outro compromisso?
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Capítulo 19: Ficando Confortável no Sofá 257
Paciente: Desculpe-me doutor, mas eu disse para a minha consultora
financeira que ligaria para ela esta tarde, mas estou preocupado por
não conseguir. Você acha que podemos terminar a sessão de hoje um
pouco mais cedo?
Analista: Bem, o que for melhor para você, mas estou pensando por
que você disse para ela tal coisa quando temos nossas sessões todos
os dias na mesma hora há vários meses já. Você não poderia ter feito
outro acordo?
Paciente (agindo perturbado): Não achei que seria um grande
problema!
Analista: Pode, de fato, não ser um grande problema, mas estou
imaginando se você está procurando alguma razão para evitar a sua
sessão de hoje ou procurar um modo de sair dela. Na última sessão
começamos a discutir...
É assim que uma interpretação de resistência poderia ser feita. O analista tenta gentilmente chamar a atenção do paciente para a ideia de que ele agendou convenientemente uma ligação durante o seu horário regular de terapia e a possibilidade de uma razão mais profunda e inconsciente para a sua ação. Ele estava evitando algo na terapia? Isso pode ser um momento decisivo na análise, dependendo de como o paciente responde à pergunta. Ele pode ficar na defensiva e insistir que o analista está procurando ou chegando a conclusões. Ele pode admitir a tentativa de fuga. Ou ele pode ficar com raiva do terapeuta e acusá-lo de ser pedante demais. De qualquer modo, os comentários do analista são uma tentativa de chegar a algo mais profundo do que uma ligação para um consultor financeiro.
Quando a análise avança e a resistência é gradualmente superada, o paciente começa a se organizar no processo, associando-se livremente com mais facilidade e regressando aos níveis iniciais do desenvolvimento psicológico. O paciente começa a agir de determinada forma e a falar sobre coisas de sua vida inicial, deixando os conflitos da infância e os impulsos emergirem de forma mais completa em resposta às interpretações do analista e à definição da análise em si (como, por exemplo, o treinador). Mais e mais é revelado quando o analista e o paciente entram mais profundamente em sua escavação arqueológica da mente do paciente.
Desenvolvendo a transferência
Algumas vezes, os pacientes ficam com raiva quando seu analista aponta certas coisas. Eles podem parar de falar ou acusar o analista de ser crítico ou pedante em excesso. Por que o paciente faz isto? Afinal, não é tarefa do analista apontar as coisas que ele pensa que podem estar relacionadas ao material inconsciente? Se o paciente reage acusando o analista de ser crítico em excesso, a reação pode ser algo um pouco mais complexo do que apenas um simples ato de resistência. O paciente pode estar engajando-se na transferência.
A transferência ocorre quando o paciente começa a se relacionar com o analisa de um modo que é refletivo de outra relação geralmente inicial do paciente. É uma distorção da relação real e da interação entre o paciente e o analista.
A maioria de nós já teve alguma experiência com o conceito de transferência. Já ouviu o termo “bagagem”? No uso de hoje, refere-se comumente a trazer problemas da relação e questões das relações anteriores para as novas.
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Digamos que você saia para um primeiro encontro e encontre uma colega em um restaurante. Ela para ao lado da mesa e diz olá, você apresenta sua namorada a sua colega de trabalho e, então, diz que a verá amanhã no trabalho. A sua namorada pergunta sobre quem era essa pessoa e se você foi íntimo dela. Geralmente, ela age com ciúme e insegurança sobre sua interação amistosa com essa pessoa.
Fica muito claro que sua namorada está reagindo de forma exagerada e, como é o seu primeiro encontro, provavelmente você fica um pouco confuso sobre de onde todo esse comportamento ciumento está vindo. Felizmente para a sua namorada, você acabou de ler o Psicologia para Leigos e entende que seu comportamento provavelmente é um tipo de transferência de uma relação anterior. Porém, você está em um encontro, não em uma sessão de terapia, portanto, faz uma anotação mental para perder o número de telefone dessa pessoa na primeira oportunidade que tiver.
Quando um paciente começa a agir com um analista de modo parecido, o analista interpreta o comportamento como representando um tipo de fantasia de alguma outra relação. O analista aponta a distorção, ajudando o paciente a ter consciência de quando acontece e como influencia suas percepções da pessoa. Este processo é para ajudar os pacientes a ficarem totalmente conscientes de suas distorções, como eles se relacionam com as pessoas com base não nas pessoas em si, mas em sua própria “bagagem”.
Uma coisa interessante também pode acontecer do outro lado da poltrona. Um analista também pode ser culpado de transferência para o paciente, relacionando-se com ele de um modo distorcido com base nas relações anteriores do analista – contratransferência. Quando um paciente fica com raiva de seu analista, acusando-o de ser pedante demais, o analista pode ficar com raiva também, acusando-o de ser um estúpido que foge. O analista pode ter tido um pai ou uma esposa que evitava responsabilidade e, então, chamava-o de chato quando lhe lembrava sobre as coisas que ele/ela precisava fazer. Ou pode ter testemunhado sua mãe fazendo isso com seu pai e seu pai acusando-a do mesmo. De qualquer modo, o analista está fora de contato com a realidade da relação analítica atual e deve buscar orientação para ter essa situação sob controle. Afinal, os pacientes não estão pagando a seus analistas um bom dinheiro para eles desenvolverem seus próprios problemas de relação à custa do paciente.
Conquistando obstáculos
A transferência e a interpretação do analista compõem o centro da terapia psicanalítica. Este processo ocorre repetidamente e, todas as vezes, o analista o interpreta com o objetivo da consciência em mente. Como os episódios da transferência ocorrem e voltam a ocorrer, o analista e o paciente os desenvolvem em um estágio da terapia conhecido como conquistando obstáculos. Os antigos conflitos são trazidos à luz e resolvidos pelo paciente que aprende a reconhecer esses incidentes e a se relacionar com o analista de um modo mais real e não distorcido. A realidade da relação entre paciente e analista não é interferida pela transferência e o paciente estará a caminho de terminar sua análise.
Terminando o tratamento
Quando as distorções diminuem, a consciência aumenta e os sintomas diminuem, uma data para terminar a terapia é decidida. Isso envolve uma
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Capítulo 19: Ficando Confortável no Sofá 259
outra camada de trabalho que foca na abordagem dos pensamentos, sentimentos e distorções relacionadas à separação nas relações. Dizer adeus é difícil para algumas pessoas, mas é ainda mais difícil para outras. Se um paciente tem um conflito significativo ao ser separado de seus pais ou outras relações importantes, pode haver mais resistência, transferência e trabalho antes da análise finalmente poder terminar.
Transferindo para a Nova Escola
RE-SE Muito do que falamos neste capítulo aplica-se à Psicanálise clássica. Porém,
LE MB muito poucas pessoas praticam a Psicanálise hoje. Várias revisões e
adaptações foram feitas nessa forma clássica, mesmo que o processo básico e os mecanismos permaneçam no centro da condução da terapia psicanalítica. A principal diferença entre as formas mais recentes da terapia psicanalítica e a forma clássica é a ênfase na relação e na interpretação da transferência.
Harry Stack-Sullivan introduziu um foco interpessoal na Psicanálise nos anos 20 que enfatizava a dinâmica da relação real entre o paciente e o analista. Freud enfatizava o que estava ocorrendo dentro do inconsciente profundo do paciente, mas a análise orientada de modo interpessoal começou a focar no que acontecia na relação. Eles viam e interpretavam os incidentes da transferência como derivando da interação, não unicamente de dentro do paciente. O analista pode realmente agir de certa forma que lembre o paciente das relações iniciais e de conflito, dessa forma, colocando as rodas da transferência em movimento.
O segredo para os psicanalistas mais recentes é a relação entre o terapeuta e o analista, e como o paciente interage com os outros nas relações – fantasiando os conflitos iniciais em seus estilos de se relacionar com as outras pessoas. Alexander introduziu o conceito da experiência emocional corretiva para apresentar uma situação na qual o analista se relaciona com o paciente de uma maneira que o paciente não experimentou ao crescer, ajudando o paciente a superar o seu impasse de desenvolvimento. Se os conflitos de um paciente são consequência de uma paternidade ruim, o trabalho do analista é, em certo sentido, “recriar a paternidade” do paciente. A terapia, então, é um novo tipo de relação, uma que o paciente nunca teve e uma que irá ajudá-lo ou relacioná-lo às pessoas de uma maneira mais saudável e madura.
As versões mais curtas da terapia psicanalítica, conhecidas como terapias dinâmicas breves, também existem. O processo é muito mais ativo e o terapeuta tenta promover o processo sendo mais visado em seu trabalho. Os objetivos mais específicos são estabelecidos focando o terapeuta e o paciente em um problema interpessoal específico e praticamente mudando as circunstâncias problemáticas nas quais um paciente se encontra. Em vez de falar sobre as relações em geral, eles visam uma relação específica, tal como, marido com mulher ou pais com filho.
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Já Chegamos Lá?
Os psicanalistas realmente funcionam? As pessoas ficam melhores ou elas acabam indo para a sua análise indefinidamente? Um grande estudo conduzido pelo Consumer Reports em 1996 descobriu que as pessoas que vão para qualquer forma de psicoterapia relatam estarem se sentido geralmente melhores com o resultado, independentemente do tipo de terapia. Mas a Psicanálise geralmente é uma forma longa de terapia e, atualmente, muitas pessoas não têm tempo e nem dinheiro para investir em tal empreendimento longo e caro. Alguns estudos mostram que as pessoas ficam melhores com a Psicanálise quando comparadas com pessoas que não têm ajuda.
DO! No entanto, a Psicanálise não é recomendada para certos problemas, tais
CU IDA como, a esquizofrenia, e pacientes, tais como, os indivíduos que estão atrasados no desenvolvimento ou que têm dificuldades de linguagem
significativas. Contudo, há formas de terapia para as pessoas com esquizofrenia, pessoas com limitações cognitivas ou aquelas que têm um capital limitado ou uma cobertura de seguro inadequada. Essa terapia geralmente é mais curta e, assim, mais barata, como, por exemplo, a terapia cognitiva. (Veja o Capítulo 20 para saber mais sobre a terapia cognitiva.) Acho que o que deve ser lembrado é quanto tempo e dinheiro você tem à sua disposição.
RE-SE
MB
LE
O seguro pode deixá-lo louco
As empresas de seguro e os programas de seja ineficiente, mas esperar mudar com duas assistência aos funcionários (PAFs) geral- a seis sessões, com qualquer forma de tera-mente não pagam pela terapia de longo pra- pia, é ridículo. A terapia de curto prazo geral-zo, mas oferecem uma versão em pequena mente fica entre 12 e 18 sessões. Os proble-escala que, em minha opinião profissional, mas mentais sérios não podem ser tratados raramente consegue realizar o trabalho. Isso em tal formato cortado. não quer dizer que a terapia de curto prazo
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Capítulo 20
Mudando o Comportamento,
Mudando o Pensamento
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Neste Capítulo
Aprendendo comportamentos melhores
Pensando melhor
Combinando duas abordagens
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Há poucas coisas na vida que odeio mais do que comprar um carro. Não seria tão ruim se eu pudesse andar pelo pátio de carros, procurar por algo do qual eu gosto em minha faixa de preços e falar de negócios. Infelizmente, os vendedores parecem ter algo a mais em mente. Se estou procurando uma pick-up compacta de duas portas e azul, eles mostram um modelo de quatro portas e branco. Se quero um carro esporte com tração dianteira, eles mostram o utilitário esporte com tração nas quatro rodas melhor e mais recente. É como andar no pátio pensando que sei o que quero, mas de algum modo saio de lá pensando que agora desejo algo que originalmente não tinha em mente. “Eu não sabia que queria um utilitário esporte branco de quatro portas com tração nas quatro rodas”.
Agora, imagine uma experiência parecida no contexto de ir a um terapeuta. O Sr. Ramirez está tendo problemas conjugais e um de seus filhos está comportando-se mal na escola. Ele sabe que deseja ajuda com seu casamento e seu filho. Mas, quando o Sr. Ramirez encontra o terapeuta, algo estranho acontece. Ele deseja falar sobre seu casamento e o terapeuta deseja falar sobre sua infância. Ele deseja falar sobre seu filho e o terapeuta quer falar sobre seus sonhos. Esse cara pode sair da consulta com a “desordem de desorientação da compra do carro”, sem saber qual caminho seguir e para que realmente veio à terapia.
Jay Haley criticou as abordagens da terapia que ignoram as preocupações reais de um paciente e insiste que seu problema real seja outra coisa relacionada a algum problema subjacente ou oculto esperando para ser descoberto e analisado. Os psicanalistas, por exemplo, podem ser criticados quando veem o inconsciente como a causa de qualquer problema, mesmo se for medo de voar. “O poder do avião e seu medo de voar representam seu pai e um complexo de Édipo mal resolvido”. Dizer o quê? Realmente preciso de
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sete anos de terapia psicanalítica para superar o meu medo de voar? Eu preferiria pegar ônibus.
As abordagens da terapia analisadas neste capítulo provavelmente podem passar no “teste Haley”. A terapia comportamental e a terapia cognitiva são duas formas muito usadas de terapia que têm uma visão mais simples dos problemas psicológicos. A terapia comportamental foca no comportamento. Muito simples, hein? Portanto, se o Sr. Ramirez fosse para um terapeuta comportamental, o foco estaria nos comportamentos que ocorrem dentro de seu casamento. A terapia cognitiva foca nos pensamentos, portanto, um terapeuta cognitivo focaria nos pensamentos que o Sr. Ramirez está tendo sobre seu casamento e seu filho. Ambas as abordagens têm uma abordagem mais simples e menos misteriosa das dificuldades dos pacientes do que a psicanálise, por exemplo.
Eliminando o Comportamento Ruim
com a Terapia Comportamental
A terapia comportamental enfatiza as condições atuais que mantêm um comportamento, as condições que o mantêm prosseguindo. Essa forma de terapia foca no problema, não na pessoa. Uma professora de Psicologia que já tive, Elizabeth Klonoff, gostava da terapia comportamental para um processo de eliminação. Os psicanalistas tentam arrancar a erva daninha pela raiz de modo que ela nunca mais volte, mas os terapeutas comportamentais puxam a erva de cima e se ela cresce de novo, eles puxam novamente. As origens de um problema não são tão importantes quanto as condições que o mantêm prosseguindo. Quem se importa com como você começou a fumar? O importante são os fatores que o mantêm fumando.
RE-SE A terapia comportamental é baseada nas teorias de aprendizagem do
LE MB condicionamento clássico de Ivan Pavlov, no condicionamento operante de B.F. Skinner e na teoria de aprendizagem social de Albert Bandura. Todo
comportamento é aprendido, seja ele saudável ou anormal. Aprendizagem, no sentido de condicionamento operante, refere-se ao processo de aumentar a probabilidade de um comportamento ocorrer ou não ocorrer com base em suas consequências. “Aprendizagem” no sentido da teoria da aprendizagem social refere-se a aprender coisas observando outras pessoas. Para saber mais sobre as teorias da aprendizagem, veja os Capítulo 8 e 9.
Atualmente, é muito difícil argumentar que fumar não é ruim para a saúde de uma pessoa. Acho que a maioria das pessoas aceita agora os aspectos não saudáveis do fumo como fato, mas algumas simplesmente escolhem ignorar essa informação. O fumo é um bom exemplo de comportamento não saudável que é aprendido. Os anúncios de cigarro associam pessoas sexys e diversão com o fumo (condicionamento clássico). A nicotina dá uma sensação estimulante agradável (condicionamento operante). Algumas vezes, os adolescentes aprendem a fumar vendo seus pais, irmãos mais velhos ou colegas fumarem (teoria da aprendizagem social).
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Capítulo 20: Mudando o Comportamento, Mudando o Pensamento 263
Condicionamento clássico e terapia
comportamental
A terapia comportamental trata o comportamento anormal (veja o Capítulo 16 para saber mais sobre o comportamento anormal) como comportamento aprendido e qualquer coisa que tenha sido aprendida pode ser desaprendida, teoricamente. O caso clássico citado pelos proponentes da terapia comportamental para apoiar essa abordagem é o caso do Pequeno Hans.
O pequeno Hans era um menino que morria de medo de cavalos. Muitas crianças gostam de cavalos, portanto, seu medo parecida, no mínimo, um pouco estranho. Por que Hans tinha medo de cavalos? Segundo os psicanalistas, o medo de cavalos de Hans era um medo deslocado de seu pai poderoso. Os behavioristas tinham uma explicação mais simples.
Hans tinha testemunhado recentemente vários eventos extremamente assustadores envolvendo cavalos. Em uma ocasião, ele viu um cavalo morrer em um acidente com carroça. Esse evento deixou Hans muito angustiado e o assustou. Os behavioristas propuseram que o medo que Hans desenvolveu foi devida a ver o cavalo morrer e testemunhando outros eventos assustadores relacionados a cavalo. Ele tinha associado medo a cavalos.
RE-SE Lembra como o condicionamento clássico funciona? Eis uma pequena
MB revisão, mas verifique o Capítulo 8 para ver todos os detalhes.
LE
Estímulo não condicionado (Acidente) → Resposta não condicionada
(Medo)
Estímulo condicionado (Cavalo) → Estímulo não condicionado
(Acidente) → Resposta não condicionada (Medo)
Estímulo condicionado (Cavalo) → Resposta condicionada (Medo)
O que temos? Medo de cavalos à la condicionamento clássico. A beleza desta explicação vem de suas implicações para tratar a fobia por cavalos do pequeno Hans. Segundo os terapeutas comportamentais, se ele aprendeu a ter medo de cavalos, ele pode aprender a não ter medo deles. Esse tipo de resultado pode ser conseguido com uma técnica da terapia comportamental chamada dessensibilização sistemática, sobre a qual falo com mais detalhes na seção “Terapias baseadas na exposição”, posteriormente neste capítulo.
Condicionamento operante e terapia
comportamental
E o condicionamento operante? Qual papel ele desempenha na terapia comportamental? Veja a raiva, por exemplo. Se eu fizer o que quiser sempre que fico com raiva, estarei sendo reforçado positivamente para esse comportamento; portanto, é mais provável que eu continue usando a raiva desse modo. Esta é uma explicação comum para os problemas comportamentais de uma criança. Se uma criança se comporta de um modo que não é aceitável, seus pais podem reforçar esse comportamento ao darem
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atenção a ela, coisa que eles talvez não façam de outro forma. Um exemplo de comportamento reforçado negativamente é visto quando um indivíduo cede à pressão de um colega. O ridículo que um adolescente aguenta por não seguir a multidão pode ser prejudicial. Ele pode ceder à pressão dos colegas apenas para por um fim ao ridículo (a remoção de um estímulo doloroso).
Ter problemas em ser assertivo é um ótimo exemplo de comportamento ou a falta desse comportamento que é mantido através da punição. Se eu vivo em uma casa onde sou ridicularizado ou punido por ser assertivo e falar o que penso, é menos provável que eu seja assertivo em outras situações. Fui punido por ser assertivo. A falta de assertividade pode ser um problema sério e geralmente leva a sentimentos de vitimização e raiva.
Teoria da aprendizagem social e
terapia comportamental
Muito do que aprendemos, aprendemos vendo as outras pessoas. Um problema comum em casamentos envolve brigar por dinheiro. É algumas vezes uma consequência de observar nossos pais brigarem por dinheiro. O modelo é uma forma de terapia comportamental usada para ensinar às pessoas novos pensamentos mostrando-lhes como se comportar de uma maneira mais saudável. Posso pedir que o marido inicie uma conversa comigo sobre dinheiro e posso modelar ou mostrar ao casal como discutir sobre dinheiro de uma maneira mais saudável. Porém, isso funcionará apenas se o terapeuta souber modelar o comportamento mais saudável!
Não pegue nenhuma moeda de madeira
Uma das formas mais avançadas de terapia víduos ou os grupos sigam um determinado baseada em reforço é a criação de uma eco- conjunto de instruções ou regras. Os pacien-nomia de fichas. Uma economia de fichas é um tes em um hospital psiquiátrico, por exemplo, sistema estruturado de reforço que usa fichas, geralmente recebem pontos ou outras fichas reforços simbólicos que representam reforços por seguirem as regras da instituição ou exe-mais tangíveis, para aumentar a probabilidade cutarem um dos comportamentos-alvo espe-de um comportamento-alvo ocorrer. O melhor cíficos do paciente. Em muitos casos, essas exemplo de uma ficha é o dinheiro. O dinheiro fichas podem ser pagas uma vez por semana é por si só inútil, exceto, talvez, pelo papel no em um lanche ou troca de presente. Alguns qual é impresso. (O papel pode iniciar um belo sistemas usam fichas para ajudar os pacien-fogo ou ser usado como enchimento de traves- tes a deixarem o hospital em pequenas via-seiro.) O poder do dinheiro vem do que ele gens ou excursões com o eventual objetivo pode nos dar ou o que ele representa – a ca- de descarregar a mente. Essa forma de tera-pacidade de comprar produtos tangíveis. pia é um excelente exemplo de modelagem.
As economias de ficha geralmente são usa-
das nas situações que requerem que os indi-
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Capítulo 20: Mudando o Comportamento, Mudando o Pensamento 265
Avaliando o problema
RE-SE A simplicidade da abordagem comportamental para os problemas
LE MB psicológicos é possível com um conjunto de práticas igualmente simplificadas (mas não fáceis!). Os terapeutas comportamentais colocam
muita ênfase no método científico e no seu foco na quantificação e nas mudanças observáveis. As técnicas da terapia e as atividades são bem planejadas, altamente estruturadas e sistemáticas. O terapeuta é menos visto como um proprietário de alguma verdade divina e mais como um parceiro colaborador no processo de mudança do comportamento. Espera-se que o paciente faça a sua parte fora da terapia, assim como, na sessão de terapia em si, ao completar as atribuições do dever de casa designadas para mudar o comportamento no mundo real e promover o progresso feito durante cada sessão.
RE-SE Ao seguirem com uma abordagem sistemática e baseada cientificamente para
MB a perturbação psicológica, os terapeutas comportamentais começam
LE conduzindo uma avaliação completa do problema do paciente. Eis um resumo
simples das etapas básicas da avaliação comportamental:
1. Identificar o comportamento-alvo. A etapa um envolve ter uma visão
completa do comportamento-alvo – o problema que o paciente
apresenta originalmente para o terapeuta. Os terapeutas
comportamentais usam uma técnica especial para analisar o problema
inicial chamada análise ABC.
Análise ABC: Os terapeutas comportamentais usam um modelo
simples chamado análise ABC para abordar a análise da reclamação
inicial do paciente. Spiegler e Guevremont descrevem a análise ABC
como uma avaliação dos eventos que ocorrem antes, durante e depois
de um comportamento-alvo (o comportamento problemático do
paciente).
A. Significa os antecedentes de um determinado comportamento, as
coisas ou os eventos que ocorrem logo antes do comportamento-alvo. Um problema comum que os terapeutas comportamentais encontram envolve casais que discutem excessivamente, portanto, serve como um bom exemplo. Os antecedentes específicos de interesse no caso de tal casal podem ser a hora, o lugar e as circunstâncias em volta que precedem imediatamente cada argumento.
Hora: Quando cada um deles chega em casa do trabalho
Lugar: Mesa de jantar
Circunstâncias: Falar sobre o dia de trabalho um do outro
B. Significa behaviorismo (comportamento), como no
comportamento-alvo. No caso do casal que briga, o
comportamento-alvo é o ato de discutir em si.
C. Significa consequências do comportamento ou os eventos e as
circunstâncias gerais que ocorrem depois e são um resultado direto de B. No caso do casal que briga, os Cs podem ser que os dois indivíduos ficam tristes e arrasados, o homem sai para dirigir ou a mulher sai de casa para dar uma volta.
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2. Identificar as condições de preservação presentes. Spiegler e
Guevremont definem as condições de preservação presentes como as
circunstâncias que contribuem para a perpetuação do comportamento.
Eles identificam duas fontes específicas:
Ambiente: As condições do ambiente incluem a hora, o ambiente, as reações dos outros, e qualquer outra circunstância externa. Isso seria o quem, o que, quando, onde e como de nosso casal que briga.
Comportamento do próprio paciente: A contribuição do paciente inclui seus pensamentos, sentimentos e ações. Isso seria o que cada parceiro está pensando, sentindo e fazendo antes, durante e depois das discussões.
3. Estabelecer os objetivos específicos da terapia em termos explícitos.
O objetivo da terapia original pode ser parar de brigar. Porém, esta
descrição é um pouco vaga demais para o gosto de um terapeuta
comportamental. Uma medida mais precisa do comportamento-alvo
pode consistir em identificar os números específicos, ocorrências ou
durações de tempo das discussões. Portanto, em vez de o casal
simplesmente tentar parar de brigar, um comportamento-alvo mais
adequado é reduzir suas brigas para uma vez por semana.
Tentando técnicas diferentes
Duas ótimas coisas sobre a terapia comportamental para o paciente e o terapeuta são sua clareza e a estrutura. Os terapeutas comportamentais podem usar várias técnicas de tratamento altamente estruturadas para abordar os problemas de seus pacientes. Spiegler e Guevremont identificam três classes de técnicas da terapia comportamental: terapia baseada no reforço, terapia de desaceleração e terapia baseada na exposição.
Terapia baseada no reforço
As técnicas baseadas no reforço da terapia comportamental são baseadas nos princípios do condicionamento operante, especificamente o uso do reforço positivo.
Depois de uma avaliação comportamental completa, o terapeuta e o(s) paciente(s) seguem estas regras ao participarem da terapia baseada no reforço:
1. Identificar uma lista de reforços a serem usados na terapia.
Este é um processo crucial. Qualquer coisa que provavelmente aumente
a probabilidade de um comportamento desejado ocorrer de novo pode
ser usada como um reforço.
2. Determinar como e quando administrar os reforços.
Lembra dos agendamentos do reforço no Capítulo 9? O reforço
contínuo é o melhor modo de começar rapidamente a mudar um
comportamento. O reforço contínuo envolve o paciente receber reforço
sempre que realiza o comportamento-alvo. Quando o paciente começa
a realizar consistentemente o novo comportamento, o reforço pode ser
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Capítulo 20: Mudando o Comportamento, Mudando o Pensamento 267
enfraquecido e apenas dado de vez em quando, até aleatoriamente. Este
é o melhor modo de manter a continuidade de um comportamento.
3. Começar a modelar.
A modelagem é um procedimento no qual as aproximações bem-
sucedidas do comportamento-alvo são reforçadas para “modelar”,
mover ou guiar o paciente em direção ao comportamento-alvo.
Se o problema for estudar e o comportamento-alvo tiver sido
identificado como estudar duas horas por noite sem interrupção, o
aluno pode ser reforçado depois de estudar por intervalos cada vez
mais longos, chegando até uma marca de duas horas (vinte minutos,
depois trinta minutos, depois uma hora etc.) durante o processo de
modelagem.
4. Criar um contrato formal que resume todos os recursos acordados do
plano de tratamento e esclarecimento sobre quando, como e onde o
comportamento-alvo irá ocorrer.
5. Conduzir reavaliações periódicas durante o tratamento para
monitorar o progresso do paciente em direção ao objetivo.
6. Terminar a terapia.
Quando o paciente consegue o comportamento-alvo e o mantém pelo
período de tempo desejado, a terapia termina.
A
DIC
Subornando por habilidades básicas da escola
Trabalhei com crianças autistas por alguns tros objetos, portanto, usávamos esses itens anos usando uma abordagem de tratamento também. Se melhorasse seu funcionamento, baseado no reforço e um dos aspectos mais usávamos. Em alguns dias os doces funciona-desafiadores da terapia foi encontrar refor- vam, em outros dias eram os brinquedos. Uma ços. O tratamento consistia em usar o reforço criança gostava quando eu fingia bater minha para aumentar os comportamentos funcio- cabeça na mesa, portanto, eu usava isso nais das crianças, tais como, comunicar, so- como um reforço. Hei, tudo que funcionar, cializar, brincar e aprender as habilidades certo?
tia em ensinar os comportamentos-alvo e re- ce suborno. É de certa maneira. Com certeza, nós “subornamos” as crianças a realizarem forçar as crianças quando elas os realizavam os comportamentos-alvo, mas pense em uma ros e cores, por exemplo). O processo consis- Você pode estar pensado que tudo isso pare-básicas da escola (reconhecer letras, núme-
qualquer valor de reforço, esqueça. alternativa. Se não usássemos o reforço, as com sucesso. Mas se os reforços não tiverem
crianças não teriam aprendido essas habili-
Algumas crianças gostavam de certas comi- dades que têm o poder de melhorar a qualida-das ou doces, portanto, era o que usávamos. de de suas vidas. Eu escolheria o suborno à Outras gostavam de certos brinquedos ou ou- negligência sempre.
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A
DIC
Dicas do castigo
Ouvi falar que muitos pais dizem que o casti- não é recomendado. É como suspender go não funciona, mas geralmente me pergun- da escola uma criança que odeia a esco-to se eles realmente estão fazendo do modo la. Obrigado!
certo. Spiegler e Guevremont indicam quatro � O castigo deve terminar quando a hora condições que ajudam a tornar o castigo mais acaba e a criança está se comportando bem-sucedido: devidamente. Se ela ainda estiver se � Os períodos de castigo devem ser breves comportando mal, estenda o tempo por
(cinco minutos ou menos) e a criança outro período de tempo designado. deve saber por quanto tempo o período � O castigo não deve ser usado por crian-irá durar. Muitos pais deixam seus filhos ças como um escape para deixar de fazer no castigo por tempo demais. As crianças coisas que elas não queriam fazer em pri-mais jovens precisam apenas de mais ou meiro lugar. Requer alguma habilidade menos um minuto de tempo por cada ano determinar quando uma criança está ma-de sua idade – 4 anos de idade, quatro nipulando o uso do castigo para essa fi-minutos. Simples. nalidade. Se as crianças tentarem o tru-
� Nenhum reforço deve estar disponível du- que, faça-as fazer qualquer coisa que
rante o período de castigo. Usar a sala de estavam tentando evitar quando saírem brinquedos como uma área de castigo do castigo.
Terapias de desaceleração
Nunca dê alarme falso – a maioria de nós está familiarizada com este antigo aviso. Se eu grito por ajuda diversas vezes em que não preciso, eu não obterei ajuda quando realmente precisar. Mas, quanto tempo leva para as pessoas perceberem que estou cheio disso? Elas não percebem que apenas continuo dando alarme porque elas continuam correndo para ajudar? Basicamente, sua resposta reforça meu comportamento de gritar. É culpa delas! Tudo que têm a fazer é ignorar meus pedidos e parar de correr em meu auxílio. Isso irá fazer-me parar.
O processo de ocultar ou eliminar o reforço, e desse modo eliminando a resposta, é conhecido como extinção. Há muito tempo, os behavioristas descobriram que um comportamento para quando o reforço para.
RE-SE Spiegler e Guevremont classificam os tratamentos que utilizam o fenômeno
LE MB da extinção como terapias de desaceleração. Quando o reforço que mantém um comportamento é retirado ou impedido, finalmente o comportamento se
extingue. A terapia da desaceleração é conduzida do mesmo modo como a terapia baseada no reforço. Os comportamentos-alvo e as condições de reforço são identificados. A principal diferença entre as terapias é que os reforços são retidos em vez de dados.
Um dos exemplos mais conhecidos da terapia de desaceleração é o castigo temido. O castigo tornou-se uma das técnicas disciplinares mais usadas pelos pais. A ideia por trás do castigo é que o comportamento-alvo indesejado de uma criança (ou qualquer um neste sentido) está sendo mantido pelo reforço da atenção social que a criança recebe como um resultado do comportamento ou algum outro reforço inerente na situação em si, tal como, retirar um brinquedo de outra criança.
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Quando o pequeno Johnny realiza o comportamento-alvo, ele é levado para uma área de castigo designada e dessa forma é removido de qualquer reforço presente na situação. E mais, nenhum reforço em potencial deve estar presente na área de castigo que possa dar à criança o reforço enquanto está de castigo.
Terapias baseadas na exposição
Existem vários tipos diferentes de terapia conhecidos como terapias baseadas na exposição que envolvem “expor” um comportamento-alvo às novas condições para reduzir sua ocorrência. A exposição é outra palavra para reassociar ou reaprender um comportamento-alvo com outro comportamento que resulta na interrupção do comportamento-alvo.
A Você já tentou fumar um cigarro enquanto está no chuveiro? É muito difícil.
DIC Uma vez trabalhei com um rapaz que conseguia dar um jeito de fazer isso.
(Interessado? Não apoiarei esse hábito dando os detalhes.) De qualquer modo, eu acho que a maioria de nós acha que fumar e água não se misturam. Essas duas ações são incompatíveis. Achar um comportamento que interfere em um comportamento-alvo é uma boa maneira de impedir que o comportamento-alvo ocorra.
Jacobsen e Wolpe desenvolveram técnicas de terapia que faziam uso deste conceito de incompatibilidade. Quando dois comportamentos ocorrem ao mesmo tempo, o comportamento mais forte prevalece. A água sempre vence os cigarros. O jargão behaviorista para esse conceito é inibição recíproca ou contracondicionamento. A terapia que usa a inibição recíproca ou o contracondicionamento é designada a enfraquecer o comportamento-alvo classicamente condicional e negativo. Quando você “expõe” os cigarros à água, fica difícil fumar! O contracondicionamento é o mecanismo operativo de todas as terapias baseadas na exposição.
RE-SE Talvez, o melhor modo de explicar como o contracondicionamento conduz a
LEMB terapia de exposição é falar sobre uma de suas formas mais populares das
terapias de exposição, a dessensibilização sistemática (DS). A DS é mais usada para tratar fobias, tais como, medo de falar em público, fobia social ou alguma outra fobia específica. Os terapeutas também a usaram para tratar com sucesso a desordem do pânico acompanhada pela agorafobia. Existem vários tipos de terapias baseadas na exposição com base no princípio da dessensibilização sistemática:
� Ocultar a sensibilização (exposição do imaginário): A “aprendizagem”
ou a associação está ocorrendo apenas na mente do paciente e não na
vida real.
Os procedimentos que Wolpe e Jacobsen desenvolveram são muito
parecidos. Os terapeutas ensinam os pacientes a entrarem em um
estado de profundo relaxamento. Então, eles pedem aos pacientes para
se imaginarem na situação de fobia que produz o medo, enquanto
mantêm seu estado de relaxamento. Quando o nível de ansiedade de
um paciente fica alto demais, o terapeuta pede a ele para esquecer a
imagem e continuar a relaxar apenas.
Quando este processo é repetido várias vezes em várias sessões, a
resposta do medo para a situação é diminuída porque o estado do
relaxamento está competindo com o medo original da situação ou do
psicologia01.indd 269 22/02/2011 16:35:49 270 Parte VII: Ajudando Você a Curar-se
objeto. Em vez de medo, agora, o paciente associa o relaxamento à
situação que induz ao medo ou ao objeto de fobia.
� Terapia de exposição graduada: Quando um paciente aprende a
desempenhar o seu comportamento temido em uma situação real, ele
está engajando-se na sensibilização viva. Geralmente, essa forma de
dessensibilização é feita gradualmente e daí vem seu nome. Se estou
com medo de voar, meu terapeuta pode começar exibindo filmes sobre
voos. Depois eu iria ao aeroporto; depois sentaria no terminal, e depois
em um avião. Há um movimento gradual em direção ao objetivo final de
voar, mas não até que eu tenha feito bastante trabalho preparatório e
tenha aprendido a relaxar durante os estágios subsequentes.
� Inundação: Esta forma de terapia envolve expor um paciente à sua
situação que induz ao medo ou objeto por um período de tempo
sustentado e prolongado. A ansiedade do paciente sobe pelas paredes,