Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 1/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

Introdução

 

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Então, você comprou o livro Psicologia para Leigos. Como isso o faz sentir-se? Felizmente, você está sentindo-se muito bem. E por que não deveria? Você irá descobrir todos os tipos de informações interessantes sobre o básico do comportamento humano e processos mentais.

Todos estão interessados em Psicologia. As pessoas são fascinantes e isso inclui você! Geralmente desafiamos a explicação e fugimos da afirmação. Entender as pessoas pode ser muito difícil. Exatamente quando você pensa que entendeu alguém, bang, ela o surpreende. Agora, sei que alguns de vocês podem estar pensando: “Na verdade, sou muito bom em julgar as pessoas. Tenho um modo de lidar com as coisas”. Se este for o caso, ótimo! Alguns parecem ter uma compreensão mais intuitiva das pessoas que outros. Para o resto de nós, porém, há a Psicologia.

 

Sobre Este Livro

O livro Psicologia para Leigos é uma introdução ao campo da Psicologia. Tentei escrever este livro usando um português claro e exemplos cotidianos com a esperança de que seja real e aplicável à vida diária. Sempre achei que lidar com um novo assunto é mais divertido quando ele tem uma importância real. A Psicologia está repleta de jargões, tantos jargões que até tem seu próprio dicionário, convenientemente chamado de Dicionário de Psicologia (Livros de consulta Penguin). Este livro é para aqueles que estão interessados no que as pessoas fazem, pensam, dizem e sentem, mas que desejam as informações apresentadas de um modo claro e facilmente compreensível.

DO! As informações nesta referência não devem substituir o parecer médico

CU IDA especializado ou o tratamento; são para ajudá-lo a fazer escolhas informadas.

Como cada indivíduo é único, um médico deve diagnosticar as condições e supervisionar os tratamentos para cada problema de saúde individual. Se um indivíduo estiver sob cuidados médicos e receber um parecer contrário às informações fornecidas nesta referência, o parecer do médico deve ser seguido, pois está baseado nas características únicas desse indivíduo.

 

Convenções Usadas Neste Livro

A linguagem convencional para os psicólogos pode parecer sem sentido para alguém que nunca teve uma aula de Psicologia. Como disse anteriormente neste capítulo, tento ficar longe dos jargões e da linguagem técnica neste livro. Você pode encontrar uma ou duas tentativas de piada. Tento adotar uma abordagem mais leve para a vida, mas algumas vezes, as pessoas não entendem meu senso de humor. Se eu tentar contar uma piada no texto e

 

psicologia01.indd 1 22/02/2011 16:35:30 2 Psicologia Para Leigos

fracassar, não seja muito cruel. Sou psicólogo, afinal, e não acho que somos conhecidos por nosso senso de humor. Espero não ser compreendido como insensível e nem arrogante – certamente, esta não é minha intenção.

Algumas vezes, falar sobre Psicologia pode ser bem enfadonho, portanto, tento animar as coisas com exemplos e histórias pessoais. Não faço nenhuma referência a pacientes que já tive em terapia. Se parecer uma semelhança, é puramente uma coincidência. Na verdade, tive muito cuidado ao preservar a privacidade e a intimidade das pessoas com as quais trabalhei.

 

Suposições Malucas

Você pode encontrar muitos livros de Psicologia por aí. A maioria deles é técnica e especializada demais ou sobre uma área estreita demais da Psicologia. Aqui estão algumas das razões pelas quais penso que o Psicologia para Leigos é o livro para você:

� Você tem muitas perguntas sobre as pessoas.

� Você tem muitas perguntas sobre si mesmo.

� Você está pensando em entrar no campo da Psicologia.

� Você está estudando Psicologia atualmente ou uma disciplina afim,

como, por exemplo, trabalho social ou orientação psicológica.

� Você está interessado em Psicologia, mas não tem tempo ou dinheiro

para fazer um curso de Psicologia.

� Você compreende todas as pessoas e deseja ver se está no caminho

certo.

 

Como Este Livro Está Organizado

O Psicologia para Leigos está dividido em oito seções separadas; cada uma deve cobrir uma das amplas áreas ou tópicos da Psicologia. Algo bom sobre os livros Para Leigos é que eles são construídos/organizados, de modo amistoso, para os usuários. Você não tem que ler o livro inteiro do início ao fim para encontrar o que está procurando. Simplesmente vá para a seção que o interessa e veja!

 

Parte I: Comportando-se

A Parte I fornece uma definição da Psicologia e uma visão geral do campo. Eu abordo os psicólogos teóricos e apresento o conceito de que todos nós estamos “atuando” como psicólogos, analisando e avaliando o comportamento humano todos os dias.

Esta parte também contém um pequeno resumo da prática profissional da Psicologia. Apresento a natureza científica da Psicologia e as diferentes

 

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Introdução 3

abordagens que os psicólogos usam para investigar e entender as pessoas. Finalmente, vejo rapidamente as diferentes áreas aplicáveis do conhecimento psicológico, desde o tratamento até a Psicologia aplicada.

 

Parte II: Conhecendo o Seu Cérebro

Na Parte II, analiso as estruturas básicas do sistema nervoso e o importante papel que a Biologia desempenha no conhecimento psicológico. Depois de apresentá-lo ao cérebro e às suas partes, “Prazer em conhecê-lo”, apresento o conceito da consciência e o seu importante papel na Psicologia. Finalmente, explico as faculdades que nos permitem ficar em contato com o mundo à nossa volta – os nossos sentidos.

 

Parte III: Pensando e Sentindo

A Parte III abrange o pensamento humano, o que os psicólogos chamam de cognição. Aqui eu analiso o conteúdo do pensamento e o processo do pensamento. Incluo uma análise do conceito de inteligência e as diferentes teorias de “ser inteligente”. Também cubro a emoção e a motivação nesta parte. Definitivamente, verifique essa parte se você estiver interessado no amor. Ou se você preferir ler sobre ódio, também há algo aqui para você.

 

Parte IV: Escolhendo o Caminho Certo da

Aprendizagem

Na Parte IV, apresento as contribuições extremamente importantes que Ivan Pavlov, o “pai” do condicionamento clássico, fez para o campo da Psicologia. Analiso rapidamente seus experimentos clássicos e forneço alguns exemplos bons (pelo menos eu acho que são bons) designados para mostrar os princípios básicos de como os humanos aprendem. Depois de falar um pouco sobre Pavlov e seus cachorros, apresento o segundo advento da teoria da aprendizagem, o condicionamento operante. Forneço algumas definições básicas que cobrem o conceito e mais exemplos interessantes. Bem, talvez eles não sejam tão estimulantes, mas ainda assim são muito bons.

 

Parte V: Ficando Íntimo da Psicologia Social

A Parte V apresenta os psicanalistas e o trabalho de Sigmund Freud. Começo com a estrutura básica da psique e continuo com a teoria do desenvolvimento psicossexual de Freud, junto com uma análise dos famosos mecanismos de defesa, tais como, negação e repressão. Também apresento a segunda geração de psicanalistas: Anna Freud, Erik Erikson e outros.

Em seguida, apresento a teoria da personalidade e os tipos de personalidade mais comuns. Essa parte segue abordando tópicos, tais como, conhecer a si mesmo, desenvolver identidades, formar relações e comunicar – coisas

 

psicologia01.indd 3 22/02/2011 16:35:30 4 Psicologia Para Leigos

sociais, como o título da Parte V indica. Também analiso a influência que os outros têm em nosso comportamento e as diferentes maneiras como os indivíduos se comportam em grupos. Finalmente, vejo a Psicologia comportamental e traço rapidamente o desenvolvimento, desde a concepção até a adolescência.

 

Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

A Psicopatologia moderna (o estudo da doença mental e dos processos comportamentais e mentais anormais) começou basicamente no início do século XX com as teorias de Eugene Bleuler e Sigmund Freud. A Parte VI cobre as abordagens contemporâneas da Psicologia anormal, inclusive as explicações neuropsicológicas e cognitivas para os problemas psicológicos. Analiso algumas das desordens psicológicas maiores e mais infames, inclusive desordens de ansiedade, depressão, esquizofrenia e desordem de estresse pós-traumático. Também analiso a Psicologia forense ou Psicologia criminal. Os tópicos relacionados a esse assunto incluem as áreas da responsabilidade criminal e o perfil criminoso, as teorias maiores do comportamento criminoso e as teorias sobre o tratamento e a correção.

 

Parte VII: Ajudando Você a Curar-se

A Parte VII inicia apresentando o teste psicológico e a avaliação. (Sim, é onde o famoso instrumento, o teste dos borrões de Rorschach, é analisado.) Dentro dessa análise, lido com as áreas mais comuns da avaliação psicológica, tais como, a inteligência e a personalidade. Em seguida, apresento as psicoterapias da “fala” tradicionais – psicanálise, terapia do comportamento, terapia cognitiva e outras formas populares do tratamento psicológico. Forneço fatos concretos sobre as diferentes abordagens e objetivos de cada uma dessas terapias, e forneço uma visão sobre como cada uma dessas teorias encontra desdobramentos. Finalmente, falo sobre o estresse e a relação entre as saúdes psicológica e física.

 

Parte VIII: A Parte dos Dez

Nesta parte, primeiro apresento uma nova orientação na Psicologia chamada de Psicologia “positiva”. O foco aqui está na saúde psicológica, em vez do foco tradicional na doença. Dentro dessa análise, forneço uma opinião prática sobre como manter sua saúde psicológica. Depois disso, é hora de ir ao cinema!

 

Ícones Usados Neste Livro

Neste livro, você encontrará ícones nas margens. Eles existem para ajudá-lo a encontrar facilmente os tipos certos de informação. Eis uma lista dos ícones que você verá:

 

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Introdução 5

VOLUNTÁRIA

O Quando você vir isto, estarei pedindo que se comprometa com uma pequena

ÇÃ

IA experimentação psicológica. Em outras palavras, você é a cobaia quando C

SO encontra este ícone.

AS

O que seria da Psicologia sem suas cobaias? Não se preocupe, os experimentos são inofensivos. Sem choques, eu prometo.

 

A

DIC Quando você vir este ícone, estarei tentando enfatizar uma informação que

pode ser útil algum dia.

 

DO!

CU IDA Com esta arte criativa, estou tentando alertá-lo sobre as informações que são

“obrigatórias saber”, caso você vá aprender Psicologia.

 

MB Não se esqueça. Quando você vir este ícone, estarei lembrando-o sobre os RE-SE

LE destaques da seção. Sinaliza o tipo de informação “Se você aprender apenas

uma coisa neste capítulo”, então, preste atenção.

 

Aonde Ir a Partir Daqui

A Psicologia é um campo amplo. Acredito que você achará que a organização deste livro permite que você verifique as coisas do seu interesse e deixe o resto para trás, se quiser. Você não tem que ler do início ao fim. Como em uma cafeteria – pegue o que você gosta e deixe o resto. Mas, hei, se eu posso escrever um livro inteiro sobre Psicologia, acho que você pode ler um livro inteiro sobre isso. E mais, acho que você gostará. A Psicologia é um ótimo assunto. Divirta-se!

 

psicologia01.indd 5 22/02/2011 16:35:31 6 Psicologia Para Leigos

 

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Parte I

 

 

Comportando-se

 

A 5ª Onda Por Rich Tennant

 

“Não toque em Nada. Não pegue Nada do

chão para comer. Não briNque com suas

orelhas. Não seja irrespoNsável com

o empregado de billy maguire. Não puxe

o cabelo de NiNguém. Não se esqueça de

dizer por favor e obrigado. Não coloque

o dedo No Nariz, fale alto ou briNque com

muitos briNquedos. e teNha uma festa

maravilhosa.”

 

psicologia01.indd 7 22/02/2011 16:35:31

AParte I fornece uma definição da Psicologia e uma visão geral do campo. Abordo os psicólogos teóricos e apresento o conceito de que todos nós Nesta parte... estamos “atuando” como psicólogos, analisando e

 

avaliando o comportamento humano todos os dias.

Esta parte também contém um pequeno resumo da

prática profissional da Psicologia. Apresento a

natureza científica da Psicologia e as diferentes

abordagens que os psicólogos usam para investigar e

entender as pessoas. Finalmente, vejo rapidamente

as diferentes áreas aplicáveis do conhecimento

psicológico, desde o tratamento até a Psicologia

aplicada.

 

psicologia01.indd 8 22/02/2011 16:35:31

Capítulo 1

 

 

Por que as Pessoas Fazem

 

o que Fazem?

 

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Neste Capítulo

 Descobrindo a nós mesmos

 Usando um pouco de Psicologia popular

 Clareando as coisas

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A maioria das pessoas que conheço tem uma certa ideia em mente quando pensam sobre Psicologia. Sou psicólogo. Mas, e daí? Obviamente, é alguém que sabe Psicologia. Mas, é só isso? Quando me reúno com minha família e amigos durante as férias, parece que eles ainda não sabem exatamente o que é que eu faço para viver. Alguns de meus pacientes dizem: “Tudo que você faz é falar. Não pode prescrever algum medicamento para mim?” Outras pessoas também me concedem poderes aparentemente sobrenaturais de conhecimento e cura. Escrevi o livro Psicologia para Leigos para clarear as coisas sobre a Psicologia.

Portanto, quais são as ideias que vêm à mente quando as pessoas pensam sobre o tópico da Psicologia? Tudo depende de a quem você pergunta. Algumas vezes, imagino a mim mesmo como um convidado em uma entrevista na televisão, tal como, a Oprah. Sou bombardeado por perguntas do público que não consigo responder. Meu coração começa a bater pesadamente. Começo a suar. Começo a ficar de pé para que possa sair correndo, mas, então, algo vem até mim que me mantém em meu lugar. Perguntarei ao público sobre o que ele acha que é Psicologia e porque acha que um psicólogo pode responder perguntas sobre Psicologia.

VO LUNTÁRIA Antes de eu fornecer uma definição de Psicologia, quero que você reserve

O uns minutos para anotar algumas de suas ideias sobre o que é Psicologia. Por

ÇÃ

IA que este livro chamou sua atenção? Procurando resposta? Procurando C

SO conselho? Qual é a pergunta que você deseja ter respondida? AS

“Por que fazemos o que fazemos?” é a pergunta que fica sob muitas outras perguntas que as pessoas fazem aos psicólogos. Seja você um psicólogo profissional, pesquisador, seja um leigo, essa pergunta simples parece ser a raiz da questão.

 

psicologia01.indd 9 22/02/2011 16:35:31 10 Parte I: Comportando-se

Por que aquele tiroteio aconteceu?

Por que não consigo parar de me sentir triste?

Por que ela rompeu comigo?

Por que as pessoas são tão mesquinhas?

Estes são exemplos das perguntas motivadoras que conduzem a disciplina da Psicologia. Em um nível muito básico, a Psicologia é um ramo do conhecimento. Mas essa explicação apenas toca na superfície. O principal tópico da Psicologia é as pessoas, como indivíduos ou em grupos. É por isso que o título deste capítulo não é “Por que os elefantes-marinhos fazem o que fazem?”. Contudo, alguns psicólogos realmente estudam o comportamento animal e eles realmente podem responder a essa pergunta.

Neste ponto do capítulo, Psicologia é uma disciplina preocupada com o motivo pelo qual as pessoas fazem o que fazem. Outra pergunta fundamental da Psicologia é a pergunta “como”:

Como posso tirar uma nota melhor em meus exames finais?

Como posso impedir que meu filho de dois anos pare de ter acessos de

raiva?

Como funciona a mente?

Ainda outra pergunta é a pergunta “o que”:

O que são emoções?

O que é doença mental?

O que é inteligência?

Essas perguntas “por quê”, “como” e “o que” compõem o núcleo intelectual e filosófico da Psicologia. Portanto, Psicologia pode ser definida como o estudo científico do comportamento humano e dos processos mentais. A Psicologia tenta descobrir o que fazemos, por que e como fazemos.

 

Brincando de Psicólogo Teórico

De certo modo, cada um de nós é um tipo de psicólogo amador. Os psicólogos profissionais não são os únicos que tentam entender as pessoas. Quando comecei a fazer cursos de Psicologia, tinha minhas próprias ideias sobre as pessoas. Algumas vezes, eu concordava com as teorias de Freud e de outros, e outras, discordava sinceramente. Estou certo de que não sou o único. A maioria de nós parece ter ideias próprias sobre o que faz os outros funcionarem.

Uma das melhores coisas da Psicologia é que ela cobre um tópico no qual todos temos experiência – as pessoas. É muito difícil dizer o mesmo sobre a Química e a Astronomia. Naturalmente, todos nós encontramos químicos todos os dias, mas não consigo me lembrar da última vez em que perguntei: “Como eles conseguiram que aquele produto de higiene bucal tivesse o sabor de menta?”.

 

psicologia01.indd 10 22/02/2011 16:35:31

Capítulo 1: Por que as Pessoas Fazem o que Fazem? 11

Um dos melhores lugares para ver os psicólogos teóricos em ação é a cafeteria local. As mesas estão repletas de pessoas falando sobre os porquês e os motivos do comportamento dos outros. “Então, eu disse...”, “Você não deve dizer a ele...”. Às vezes é como uma grande sessão de terapia em grupo. Todos nos empenhamos para entender as pessoas.

RE-SE Algumas vezes, os psicólogos chamam essa Psicologia teórica de Psicologia

LEMB popular – uma estrutura de princípios usada por pessoas comuns para

entender, explicar e prever o seu próprio comportamento e os das outras pessoas, e os estados mentais. Na prática, usamos várias noções psicológicas ou conceitos para explicar os estados mentais, personalidades ou circunstâncias dos indivíduos. Dois conceitos que muitos de nós usamos para essa finalidade são as crenças e os desejos. Todos acreditamos que as pessoas têm crenças e que elas agem segundo essas crenças. Por que as pessoas fazem o que fazem? Por causa de suas crenças.

Quando praticamos a Psicologia popular, supomos que as pessoas fazem o que fazem por causa de seus pensamentos e processos mentais – suas crenças e seus desejos. A Psicologia popular não é a única ferramenta que os psicólogos teóricos usam. É comum as pessoas explicarem o comportamento dos outros em termos de sorte, desgraça, bênção, carma, destino ou quaisquer outros termos não psicológicos. Não quero fazer com que essas explicações pareçam algo ruim. É muito difícil explicar por que alguém ganha na loteria a partir de uma perspectiva psicológica. Explicar por que alguém continua a comprar bilhetes mesmo quando continua perdendo? Agora isso pode ser explicado usando a Psicologia.

 

Uma Entre as Ciências

Vários campos de estudo tentam usar suas próprias perspectivas para responder às mesmas perguntas centrais que a Psicologia tenta responder. De um modo ou de outro, a Física, Biologia, Química, História, Economia, Ciência Política, Sociologia, Medicina e Antropologia se preocupam com as pessoas. A perspectiva psicológica é apenas uma voz neste coro de disciplinas que luta pela validade com base na aceitação do método científico como a abordagem mais válida e útil para entender a realidade.

A Psicologia existe e interage com as outras disciplinas. Como cada um de nós vive em uma comunidade, a Psicologia faz parte de uma comunidade de conhecimento e dá uma contribuição única para essa comunidade. É uma ferramenta para entender as pessoas. Algumas vezes, suas teorias e pesquisa são as ferramentas certas, e outras, não. Nem tudo é conversível a uma compreensão psicológica, mas precisamos das ferramentas para entender o caos do comportamento humano e dos processos mentais.

Com os anos, centenas de milhares de psicólogos têm proposto um conjunto básico de metateorias ou “grandes teorias” para guiar nosso trabalho. Essas teorias são usadas para lançar uma estrutura no mundo rápido e confuso do comportamento humano e dos processos mentais para começar a entendê-lo. Um comentário que recebo dos alunos de tempos em tempos é: “O que o faz pensar que essa Psicologia tem todas as respostas?”. Minha resposta: “Os psicólogos estão apenas tentando fornecer uma peça do quebra-cabeça, não todas as respostas”.

 

psicologia01.indd 11 22/02/2011 16:35:31 12 Parte I: Comportando-se

 

Planejando com Metateorias

Cada uma das grandes teorias a seguir fornece uma estrutura de cobertura dentro da qual grande parte da pesquisa psicológica é conduzida. (Há outras perspectivas que representam abordagens híbridas, tais como, a Neuropsicologia e a Ciência Cognitiva. Mas, agora, estou ficando apenas com o básico.) Cada uma dessas metateorias tem um ponto de ênfase diferente ao abordar as perguntas psicológicas essenciais do porquê, como e o que. Muitas pesquisas e teorias são baseadas em uma ou mais dessas grandes teorias. Quando um psicólogo encontra um comportamento ou processo mental, ele está interessado na pesquisa, ele geralmente começa a trabalhar de dentro de uma dessas teorias.

� Biológica: Foca nos fundamentos biológicos do comportamento e nos

efeitos da evolução e da genética. A promessa é que o comportamento

e os processos mentais podem ser explicados entendendo a psicologia

humana e a anatomia. Os psicólogos biológicos focam, em grande

parte, no cérebro e no sistema nervoso. (Para saber mais sobre a

Psicologia biológica, veja o Capítulo 3.)

Temos visto pessoas agindo de modo diferente quando estão sob a

influência do álcool. As festas do escritório são bons laboratórios para

aplicar a perspectiva biológica. Imagine entrar em uma festa e ver Bob,

o cara relativamente quieto da Contabilidade, destruindo os cubículos

com algum tipo de disco infernal que poderia fazer John Travolta suar.

Ele é o terror das mulheres. É divertido. Está bêbado. Você acha que

Bob lembrará?

� Psicanalítica: Enfatiza a importância dos processos mentais

inconscientes e as questões iniciais do desenvolvimento da criança,

como se relacionam com os impulsos infantis, desejos infantis, desejos

imaturos e as demandas da realidade na qual vivemos. Sigmund Freud

fundou a Psicanálise e desde então, centenas de teóricos contribuíram

com esse trabalho. As teorias mais recentes são geralmente rotuladas

como Psicodinâmica porque enfatizam a interação dinâmica entre os

vários componentes da personalidade. (Para saber mais sobre a

Psicanálise, veja os Capítulos 10, 11 e 19).

Uma vez li um artigo sobre a importância de uma criança vencendo seu

pai em um jogo ou atividade esportiva. Os pais devem deixar que seus

filhos vençam? Os psicanalistas acreditam muito que a competição é

inerente entre pai e filho, e que a aceitação eventual dessa competição

é essencial para o ajuste psicológico saudável da criança na vida.

� Behaviorismo: Enfatiza o papel das experiências de aprendizagem

anteriores ao modelar o comportamento. Os behavioristas não focam

tradicionalmente nos processos mentais porque acreditam que eles são

difíceis demais de observar e medir objetivamente.

Uma das influências comportamentais mais poderosas em nosso

comportamento vem da observação das outras pessoas. O macaco vê –

o macaco faz! Os psicólogos chamam esse processo de aprendizagem

observacional. Nos últimos anos surgiu muita controvérsia sobre a

influência da televisão e da violência do videogame nas crianças.

A pesquisa foi muito consistente. As crianças que assistem programas

 

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Capítulo 1: Por que as Pessoas Fazem o que Fazem? 13

violentos na televisão e jogam videogames violentos muito

provavelmente vale comportamento violento.

� Cognitiva: Foca no processo mental da informação, inclusive nas

funções específicas do raciocínio, solução de problemas e memória. Os

psicólogos cognitivos estão interessados nos planos mentais e nos

pensamentos que guiam e causam o comportamento.

Sempre que alguém me diz para ver o lado bom, ele está vindo de uma

perspectiva cognitiva. Quando algo ruim acontece comigo, posso sentir-

me melhor se o problema é resolvido ou a questão é resolvida. Mas como

devo sentir-me se nada muda? Se minhas circunstâncias não mudam,

tenho que me sentir mal para sempre? Claro que não – posso mudar o

modo como penso sobre a situação. Posso considerar o lado bom!

� Humanista e existencial: Enfatiza a singularidade de cada pessoa

individual e nossa habilidade e responsabilidade em fazer escolhas em

nossas vidas. Não sou uma vítima das circunstâncias! Tenho escolhas

em minha vida. Os humanistas acreditam que o livre arbítrio de uma

pessoa, os seus desejos e a compreensão do significado dos eventos e a

sua vida são as coisas mais importantes a serem estudadas.

Alguma vez você se sentiu como apenas um rosto sem nome na

multidão? Alguma vez sua vida pareceu como se fosse controlada pelo

acaso? Como foi? Provavelmente, não muito bom. Sentir que temos

escolhas e fazer boas escolhas nos dá uma sensação de realmente

sermos alguém e afirma a nossa existência.

� Sociocultural: Foca nos fatores sociais e culturais que afetam o nosso

comportamento.

Nunca subestime o poder dos grupos ou a cultura de investigar o

porquê, como e o que do comportamento e dos processos mentais. O

fenômeno da tatuagem dos anos 1990 é um bom exemplo desse poder.

Antes dos anos 1990, as pessoas tatuadas eram vistas como agindo fora

do status quo, portanto, as pessoas “status quo” não faziam fila fora do

estúdio de tatuagem. Atualmente, as tatuagens são muito aceitas e até o

Sr. Status Quo pode ter uma, duas ou três tatuagens.

� Feminismo: Foca nos direitos políticos, econômicos e sociais das

mulheres e como essas forças influenciam o comportamento de

homens e mulheres. A perspectiva feminista originou-se no movimento

das mulheres dos anos 1960.

Uma questão em particular tem chamado a atenção dos pesquisadores

e clínicos feministas – as desordens alimentares. De sua perspectiva, as

desordens alimentares nas jovens são, em grande parte, consequência

das pressões excessivas para serem magras que a mídia e a cultura

colocam sobre elas. As feministas chamam a nossa atenção para as

revistas de moda e os modelos do papel feminino na cultura popular.

� Pós-modernismo: Questiona o centro da Ciência Psicológica,

desafiando sua abordagem para a verdade e seu foco no indivíduo. Os

pós-modernistas propõem, por exemplo, que para entender o

pensamento humano e a razão, precisamos ver os processos sociais e

populares envolvidos no pensamento e na razão.

 

psicologia01.indd 13 22/02/2011 16:35:31 14 Parte I: Comportando-se

Eles argumentam que as pessoas em posições poderosas têm muito a

dizer sobre o que é “real” e “verdade” na Psicologia. Eles defendem uma

visão construcionista social da realidade, determinando que os

conceitos da “realidade” e da “verdade” são definidos, ou construídos,

pela sociedade. Esses conceitos não têm nenhum significado, com

exceção dos significados que a sociedade e seus “especialistas”

atribuem a eles.

 

O Modelo Biopsicossocial

Como alguém começa a classificar e escolher entre as metateorias listadas acima? Há um modo mais simples de entender as pessoas. Ao longo dos anos, cada uma dessas metateorias teve seu lugar ao sol, apenas para serem colocadas na prateleira ao lado da outra grande teoria. Um modo de lidar com esta porta giratória das estruturas explicativas é adotar uma abordagem integracionista. O modelo biopsicossocial da Psicologia representa uma tentativa popular de integração.

A ideia básica sob este modelo é que o comportamento humano e os processos mentais são produtos das influências biológicas, psicológicas e sociais, e como essas influências interagem. Qualquer explicação do comportamento e dos processos mentais que não considere todos os três fatores é relativamente incompleta.

 

O papel do corpo

Somos seres materiais. Somos feitos de carne e osso. Qualquer análise dos pensamentos, sentimentos ou qualquer outro conceito psicológico que não considera o corpo, especialmente o cérebro e o sistema nervoso, ignora os fatos de nossa existência. Pegue a “mente”, por exemplo. A maioria de nós pensa que temos uma “mente” e que os outros (bem, a maioria dos outros) têm uma também. Mas, onde essa “mente” existe? Atualmente, os psicólogos aceitam que a “mente” existe no, ou é sinônimo do cérebro – aquela massa dentro de nossas cabeças. A metateoria biológica é integrada no modelo biopsicossocial por causa desse componente.

 

O papel da mente

Acho que a maioria das pessoas tem este aspecto do modelo biopsicossocial em mente (sem trocadilhos) quando pensa em Psicologia. Os pensamentos, sentimentos, desejos, crenças e vários outros conceitos mentais são endereçados através deste aspecto do modelo, o papel da mente. E se este livro fosse sobre Botânica? O modelo biopsicossocial ainda seria útil? Apenas se você acreditasse que as plantas têm mentes e o componente “social” do modelo se referisse mais ao nicho ecológico no qual elas existem. Em outras palavras, seria um esforço!

Esta é uma boa ilustração da singularidade do modelo biopsicossocial da Psicologia. A mente é central para compreender o comportamento humano e

 

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Capítulo 1: Por que as Pessoas Fazem o que Fazem? 15

os processos mentais. Os behavioristas negligenciam a mente. Os psicólogos biológicos estudam a mente como o cérebro. E os psicólogos sociais basicamente focam no terceiro aspecto do modelo biopsicossocial.

 

O papel das pessoas

Nossos cérebros e mentes seriam muito solitários sem o terceiro componente do modelo, o aspecto social do comportamento humano e dos processos mentais. Os cérebros não funcionam e as mentes não pensam em um vácuo. O comportamento e os processos mentais estão incorporados em um contexto que inclui outras pessoas e o ambiente material em torno de nós. O aspecto social do modelo também inclui os aspectos não humanos de nosso ambiente, tais como, natureza e tecnologia.

É importante não subestimar o poder das outras pessoas ao modelarem e determinarem nosso comportamento e processos mentais. A maioria de nós tem consciência dos efeitos nocivos que os eventos sociais negativos e experiências, como, por exemplo, abuso físico ou sexual, podem ter em nós. Negligenciar o social é negligenciar a realidade.

 

Não se esqueça da cultura

Os comportamentos e os processos mentais variam entre as culturas? Deixe-me fazer a pergunta assim: Se eu apenas conduzisse a pesquisa com alunos brancos, de classe média e de faculdade, eu poderia afirmar que meus resultados se aplicam a todas as pessoas? Definitivamente não. Esse assunto tem sido um tópico de destaque na Psicologia nos últimos 30 anos ou mais. Como os avanços tecnológicos ajudam a tornar o nosso mundo um lugar menor e as diferentes culturas entram em contato entre si com mais frequência, entender o papel da cultura na Psicologia torna-se cada vez mais importante.

A influência cultural precisa ser endereçada na Psicologia por pelo menos duas razões: uma é científica e a outra é humanista. A ciência busca a objetividade e a verdade. Todos nós somos vulneráveis ao preconceito cultural; portanto, a Psicologia deve tentar entender a influência da cultura para fornecer a imagem mais objetiva e completa da realidade possível. Se não, tudo que teremos é um monte de “psicologias regionais” que são inúteis e imprecisas fora das culturas nas quais foram desenvolvidas.

Finalmente, de uma perspectiva humanista, muitas pessoas geralmente concordam que é errado impor a marca da verdade de sua cultura nas outras culturas. E se a minha pesquisa americana mostrar que usar o baby-talk para se comunicar com as crianças impede o crescimento da fala madura e eu for para uma outra cultura e designar um programa de educação pública com base nessas descobertas? Embora sejam verdadeiros para os Estados Unidos, esses resultados da pesquisa podem não ser aplicáveis a outra cultura. Meu programa de educação estaria impondo uma “verdade” que não é realmente uma “verdade” nessa cultura. Sempre devemos ter cuidado quanto à relatividade da verdade nos limites culturais.

 

psicologia01.indd 15 22/02/2011 16:35:31 16 Parte I: Comportando-se

 

Ramificando

Existem três tipos principais de psicólogos:

� Os psicólogos experimentais passam grande parte de seu tempo

conduzindo pesquisas e geralmente trabalham em cenários

acadêmicos. A psicologia experimental cobre uma grande faixa de

tópicos, mas os pesquisadores individuais geralmente têm uma

especialidade.

� Os psicólogos aplicados aplicam diretamente as descobertas da

pesquisa e a teoria psicológica nos cenários e problemas diários. Os

psicólogos aplicados trabalham em uma grande variedade de cenários,

tais como, negócios, governo, educação e até esportes.

� Os psicólogos clínicos estudam, diagnosticam e tratam os problemas

psicológicos. A Associação Psicológica Americana estabelece que para

um indivíduo ser considerado psicólogo, ele deve ter um doutorado

(doutor em Filosofia, Psicologia, Educação, por exemplo). E

praticamente todos os estados nos Estados Unidos requerem que o

indivíduo tenha uma licença para praticar a Psicologia, que geralmente

envolve fazer um exame de licença intensivo. No Brasil, porém, não é

necessário um doutorado para praticar a psicologia clínica.

 

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Capítulo 2

 

 

Criando Teorias a Partir do Caos

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Neste Capítulo

 Ficando científico

 Propondo uma hipótese

 Realizando a pesquisa

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Parece que eu sempre estive procurando a verdade. Quando eu estava na faculdade, frequentava uma pequena livraria perto do campus especializada em livros espirituais, filosóficos e de Psicologia popular. Pelo menos uma vez por semana, eu examinava as prateleiras para conseguir algo interessante. Os livros eram organizados por tópicos: metafísica, sabedoria oriental, sabedoria ocidental, budismo, taoísmo, judaísmo, islamismo, cristianismo, nova era, mediunidade etc. Eu lia livros de cada seção. Eu estava procurando por algum tipo de verdade suprema, algum tipo de resposta.

Um dia, percebi que tinha trabalhos de amostra de cada seção nesta livraria, mas ainda não estava satisfeito. Então, tive um pensamento estranho – essa livraria estava repleta de opiniões! Como eu deveria encontrar as “respostas” ou a “verdade” quando estava conseguindo apenas opiniões? Muitos desses livros continham testemunhos, argumentos lógicos e histórias, mas muito pouca, se alguma, evidência ou prova. Simplesmente, eu tinha que aceitar a palavra de todos. Como eles poderiam estar certos? Alguns dos autores até contradiziam ou criticavam os outros. Quem estava certo?

Suponho que sou uma daquelas pessoas que precisam de prova. Seria um exagero dizer que encontrei todas as respostas na Psicologia, mas posso dizer, com confiança, que encontrei um campo que faz um sério esforço para estabelecer a verdade de suas reivindicações com prova, que é referido como evidência empírica. O método empírico é uma abordagem para a verdade que usa a observação e o experimento. A Psicologia, como estudo científico do comportamento humano e dos processos mentais, usa o método empírico. Ela conta com a pesquisa em uma tentativa de evidenciar suas reivindicações. Como sabemos que as reivindicações dos psicólogos sobre o comportamento e os processos mentais são verdadeiros ou precisos, certos ou errados? Por que vale a pena pagar pelos serviços de um psicólogo ao tratar a depressão ou uma fobia, por exemplo?

O que o torna especialista? Os especialistas e os profissionais devem possuir um conhecimento específico e a verdade sobre seus respectivos assuntos. A

 

psicologia01.indd 17 22/02/2011 16:35:32 18 Parte I: Comportando-se

autoridade desses especialistas é mantida através das maneiras como eles conhecem e investigam o assunto.

Palavras como conhecimento e verdade podem ser um pouco capciosas às vezes. Compreender de onde vem o conhecimento dos psicólogos é uma primeira etapa importante ao aprender a Psicologia. Neste capítulo, exploro os diferentes modos, tais como a pesquisa científica e a teoria, que os psicólogos tentam evidenciar a verdade de suas reivindicações e o conhecimento, e estabelecem sua especialização no comportamento humano e processos mentais.

 

Aplicando o Método Científico

 

sem um Bico de Bunsen

Todos nós temos uma opinião sobre o comportamento e os processos mentais dos outros e de nós mesmos. “Ela o deixou porque você não estava disponível emocionalmente”, “Se você não se expressar, isso ficará preso dentro de você”. Estamos cheios de respostas para as perguntas por que, como e o que em relação às pessoas. Mas, como realmente sabemos que não falar sobre os sentimentos leva a refreá-los? Posso pensar que não expressar os sentimentos dissipa-os como nuvens em um dia de vento. Quem está certo? Você pode estar pensando que não importa, mas temos este grupo inteiro de psicólogos que afirmam ser especialistas nessas questões. Mas em quais bases eles podem fazer esta afirmação de especialização?

Os psicólogos lutam para manter sua especialização e conhecimento através do uso de três formas de aquisição de conhecimento ou modos de saber:

� Autoridade: Utilizada para transmitir informação, geralmente em um

cenário de terapia ou processo de educação e treinamento. Os

pacientes e os alunos não têm tempo de sair e pesquisar tudo que

ouvem. Eles têm que aceitar a palavra de alguém em algum ponto.

� Racionalismo/lógica: Usado para criar teorias e hipóteses. Se as coisas

não fizerem um sentido lógico, provavelmente não farão sentido

quando os pesquisadores usarem o método científico para investigá-las.

� Método científico: Usado como o método preferido de obter

informações e investigar o comportamento e os processos mentais. Os

psicólogos implementam o método científico por meio de várias

técnicas diferentes.

RE-SE Deixe-me ser muito claro: Nem tudo que os psicólogos fazem, falam sobre e

LE MB acreditam é baseado na pesquisa científica! Muitas coisas são baseadas na autoridade de personalidades muito conhecidas no campo. Outro

conhecimento é baseado na experiência clínica sem nenhuma investigação sistemática. Finalmente, muita informação boa por aí é puramente teórica, mas faz sentido nos campos racionais/lógicos.

A grande maioria dos psicólogos prefere usar o método científico quando busca a verdade porque é visto como um processo justo e imparcial. Quando faço um estudo de pesquisa, espero descrever exatamente o que estou fazendo

 

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Capítulo 2: Criando Teorias a Partir do Caos 19

e o que reivindico estar procurando. Assim, se as pessoas quiserem tentar provar que estou errado, elas podem repetir meu trabalho, passo a passo, e ver se conseguem os mesmos resultados. Se o conhecimento for baseado na autoridade apenas, nunca poderei estar certo de que as informações recebidas são imparciais e confiáveis. Quando o método científico é usado, uma teoria que não coincide com os resultados empíricos “experimentados” em um estudo de pesquisa é rotulada como imprecisa. É hora, então, de uma nova teoria! Os cientistas nunca devem mudar seus dados experimentais para coincidirem com a teoria original – isso é uma fraude!

 

Desenvolvendo uma Boa Teoria

Como uma boa quantidade de conhecimento psicológico é baseada na teoria, pode ser útil saber o que é exatamente uma teoria. Se você já tem uma ideia do que é uma teoria, perdoe-me por um momento. Teoria é um conjunto de instruções afins sobre um conjunto de objetos ou eventos (os sendo estudados) que explica como esses objetos ou eventos são relacionados.

As teorias e as hipóteses são parecidas, mas não exatamente a mesma coisa. Os psicólogos testam as teorias estudando suas implicações lógicas. As hipóteses são previsões específicas baseadas nessas implicações. Podemos acrescentar novas informações às teorias e podemos usar as teorias existentes para gerar novas.

RE-SE

LEMB Nem toda teoria é boa. Para uma teoria ser boa, ela deve atender a três

critérios:

� Parcimônia: Deve ser a explicação mais simples possível que ainda

explica a observação disponível.

� Precisão: Deve fazer afirmações precisas, não excessivamente grandes

ou vagas, sobre a realidade.

� Passível de teste: Deve prestar-se à investigação científica.

 

Pesquisando a Verdade

Os psicólogos usam duas categorias amplas de pesquisa quando desejam avaliar cientificamente uma teoria:

� Pesquisa descritiva: Consiste na observação e na coleta de dados sem

tentar manipular nenhuma condição ou circunstância sendo observada.

É uma observação passiva dos tópicos sendo investigados. Os estudos

descritivos são bons para desenvolver novas teorias e hipóteses, e

geralmente são a primeira etapa para um pesquisador investigar as

coisas que não foram muito estudadas. Porém, não ajudarão muito se

você estiver interessado nas relações de causa e efeito.

Se eu estiver interessado apenas no conteúdo das conversas de pontos

de ônibus, posso gravar as pessoas conversando entre si em um ponto

de ônibus e analisar o vídeo. Mas, se eu quiser saber o que faz as

 

psicologia01.indd 19 22/02/2011 16:35:32 20 Parte I: Comportando-se

pessoas falarem sobre certos assuntos nos pontos de ônibus, devo

conduzir um experimento.

� Pesquisa experimental: Envolve o controle e a manipulação dos

objetos e dos eventos sendo investigados para ter uma ideia melhor

das relações de causa e efeito entre os objetos ou eventos.

Digamos que eu tenha uma teoria das conversas no ponto de ônibus

chamada de “regra dos cinco minutos ou mais” que afirma: “Os estranhos

se engajam na conversa entre si apenas depois de terem estado na

presença uns dos outros por cinco minutos ou mais.” Minha hipótese

seria: “Depois de cinco minutos, os estranhos aparentes irão engajar-se

em uma conversa além das brincadeiras e dos cumprimentos simples

dados aos estranhos.” Ou seja, estou fazendo uma hipótese de que assim

que os estranhos em um ponto de ônibus fiquem por cinco minutos, eles

começariam a ter uma conversa. Como posso testar minha hipótese?

Eu poderia simplesmente ficar em um ponto de ônibus e observar para

ver se acontece. Mas, como eu poderia saber se a minha regra dos

cinco minutos ou mais está por trás das minhas observações? Não

poderia! Poderia ser qualquer coisa. É uma questão problemática na

pesquisa que eu gosto de chamar de fator z. Um fator z é algo que afeta

a hipótese sobre a qual não estou consciente ou não levo em conta. É

uma variável externa que preciso controlar para ter confiança em

minha teoria. Alguns fatores z possíveis no estudo do ponto de ônibus

podem ser cultura, idade e hora do dia. Os bons estudos de pesquisa

tentam eliminar os fatores z ou as variáveis externas, controlando suas

influências e retirando-os da explicação.

Um estudo descritivo ou observacional não levará em conta os fatores z,

portanto, em vez de eu estabelecer um experimento no qual abordo as

pessoas nos pontos de ônibus e tento várias coisas para testar minha

hipótese, posso melhorar e tentar falar com alguém depois de dois

minutos. Posso esperar dez minutos. Posso conduzir estudos durante

um temporal com relâmpagos ou vestido de determinadas maneiras, e

tentaria provar que minhas hipóteses estão erradas! Eu buscaria

descobrir se as pessoas têm conversas nos pontos de ônibus antes de

cinco minutos. Se este for o caso, a regra dos cinco minutos seria

imprecisa. Quanto mais eu falhasse em provar que a minha regra dos

cinco minutos ou mais está errada, mais ela mereceria minha confiança.

Isto o está confundindo? Por que eu tentaria desaprovar minha

hipótese em vez de simplesmente provar que ela está certa? Em

qualquer investigação científica, nunca posso realmente provar que

uma hipótese é verdadeira. Ao contrário, eu tento desaprovar o oposto

de minha hipótese. Por exemplo, já pensamos que a Terra era plana.

Tudo que observávamos naquela época era consistente com essa ideia.

Contudo, alguém veio e forneceu a evidência que questionou essa ideia,

que mostrava a falha nesse pensamento. Se eu tiver uma hipótese e

continuar encontrando evidências para ela, poderei estar cada vez mais

confiante de minha hipótese, mas nunca realmente saber com certeza.

 

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Capítulo 2: Criando Teorias a Partir do Caos 21

Mas se eu puder simplesmente encontrar um exemplo que contradiga

minha hipótese, então, isso colocará dúvida sobre ela. Se eu disser que

todos os cisnes são brancos, o que acontecerá quando eu encontrar um

preto? A noção de que todos os cisnes são brancos é falsa!

O resto deste livro apresentará várias teorias e pesquisas. Há muita coisa aqui! Como a Psicologia é sobre pessoas, algumas podem argumentar que tudo sobre as pessoas é “Psicologia”. Eu não poderia escrever um livro sobre tudo. Este não é um livro Tudo sobre pessoas para leigos. Eu estabeleci um modo de decidir o que colocar no livro e não colocar, portanto, usei uma pesquisa científica e teoria como meu critério. As informações que você encontra neste livro são consideradas parte da ciência psicológica legítima e da teoria. Você está pronto? Aqui vamos nós.

 

psicologia01.indd 21 22/02/2011 16:35:32 22 Parte I: Comportando-se

 

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Parte II

 

 

Conhecendo o Seu

 

Cérebro

 

A 5ª Onda Por Rich Tennant

 

pesquisa do cérebro inicial conduzida

na bell telephone co.

 

ainda estou tendo um

sinal de ocupado.

 

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Na Parte II, analiso as estruturas básicas do sistema nervoso e o importante papel que a Biologia desempenha no conhecimento psicológico. Nesta parte... Depois de apresentá-lo ao cérebro e às suas partes

 

(“Prazer em conhecê-lo”), apresento o conceito da

consciência e o seu importante papel na Psicologia.

Finalmente, explico as faculdades que nos permitem

ficar em contato com o mundo à nossa volta – os

nossos sentidos.

 

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Capítulo 3

 

 

Hardware, Software e

 

Menteware

 

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Neste Capítulo

 Aplicando a Biologia da Psicologia

 Acordando os nervos

 Decompondo e alisando o cérebro

 Abastecendo o comportamento

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Algumas vezes, a Psicologia pode ser muito abstrata, aparentemente tendo mais coisa em comum com a Filosofia do que com a Biologia neste livro. Apresento-lhe todos os tipos de conceitos “psicológicos”, tais como, pensamentos, sentimentos, crenças e personalidades. Mas, alguma vez você já pensou sobre onde todas essas coisas existem? Se eu quisesse encontrar um pensamento ou um sentimento, onde olharia?

Um lugar que parece lógico para procurar esses conceitos psicológicos é dentro da mente humana. Mas, onde posso encontrar uma mente? É fácil – está dentro de meu crânio, em meu cérebro. Portanto, se você pegar uma lanterna e olhar dentro da orelha de alguém, poderá ver todos os tipos de pensamentos, sentimentos e outras coisas psicológicas flutuando lá dentro, certo? Se você alguma vez tentou este procedimento, saiba que é uma técnica de investigação muito ruim. Mas, e se você abrisse o crânio de alguém e expusesse seu cérebro? Encontraria todos esses conceitos psicológicos então?

Acho que ficaria bem desapontado. Quando você abre o crânio de alguém para ver o seu cérebro, tudo que verá é uma massa enrugada e enrolada de tecido acinzentado, rosado e esbranquiçado. Não há nenhum pensamento visível, sentimento ou crença. Então, onde estão? Todos sabemos que eles existem porque os experimentamos todos os dias.

A pergunta sobre onde a mente, a casa dos conceitos psicológicos, existe é uma antiga questão filosófica. A mente está no cérebro? A mente está em algum outro lugar diferente do cérebro? O cérebro e a mente são a mesma coisa? Hoje, a maioria dos cientistas sustenta a posição de que a mente e o cérebro são a mesma coisa. Os cientistas que assumem esta posição, conhecida como monismo, acreditam que a chave para entender a mente

 

psicologia01.indd 25 22/02/2011 16:35:32 26 Parte II: Conhecendo o Seu Cérebro

humana, com todos os seus conceitos psicológicos, está na compreensão do corpo, especificamente do sistema nervoso. Carlson afirma: “O que chamamos de ‘mente’ é uma consequência do funcionamento do corpo humano e suas interações com o ambiente”. Esta é uma ideia poderosa - a chave para revelar os mistérios de tais conceitos psicológicos, como, por exemplo, o pensamento e o sentimento, está no desenvolvimento de uma compreensão completa da Biologia.

RE-SE A ideia de que toda Psicologia humana pode ser reduzida à Biologia é

LE MB conhecida como reducionismo. Tive muitos alunos protestando contra essa

ideia ao longo dos anos. Parece insultar a nossa sensação de livre arbítrio, autoconhecimento e consciência. Como pode toda essa coisa complexa que se passa dentro de nossas mentes ser reduzida a um pedaço de massa que fica entre nossas orelhas? Se você pensa assim, talvez não seja um monista, aquele que acredita no monismo. Para este capítulo, porém, serei um monista. Foco na compreensão da Biologia humana como a chave para entender a Psicologia humana.

 

Acreditando na Biologia

Nem sempre acreditamos que o comportamento humano e os processos mentais eram consequências da Biologia. Na época dos antigos gregos e romanos, o comportamento humano era visto como consequência de forças sobrenaturais, a saber, caprichos e paixões dos deuses. Mas, em algum ponto, começamos a suspeitar que talvez nossos corpos tivessem alguma relação com isso. De onde tiraríamos tal ideia, que nosso comportamento e processos mentais são consequências de nossa biologia?

A história da pesquisa nesta área é longa e não irei chateá-lo com todos os detalhes. Mas, no centro de toda essa pesquisa, está uma observação muito simples. As mudanças em nossa biologia resultam em mudanças no nosso comportamento e processos mentais.

Peguemos o consumo de álcool, por exemplo. As pessoas agem obviamente de modo diferente quando sob influência do álcool. Elas podem flertar, dançar como um selvagem, ficar emotivas e sentimentais ou até ficar furiosas. O álcool tem um efeito químico no cérebro; ele altera a biologia do cérebro de quem bebe. Ocorre assim:

Consumo de álcool → Efeito químico no cérebro → Pensa que é Don Juan

E as mudanças mais graves em nossa biologia, como o dano cerebral? As pessoas que têm dano cerebral podem mostrar mudanças drásticas em sua personalidade e pensamento. Elas podem ir de muito organizadas até muito bagunceiras. Ou podem ter sido uma pessoa muito relaxada e calma, mas agora, ficam furiosas com a menor frustração.

Acho que a maioria de nós tem uma compreensão intuitiva de que o que ocorre dentro de nossos corpos tem efeito em nosso comportamento e processos mentais. Os psicólogos biológicos são um grupo de psicólogos que estenderam essa crença intuitiva e essas observações casuais usando as técnicas e os métodos da ciência moderna para investigar a ideia de que as mudanças na Biologia levam a mudanças na Psicologia.

 

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Capítulo 3: Hardware, Software e Menteware 27

Embora muito disso pareça lógico, você pode estar pensando: “Ainda penso que há mais do que apenas a Biologia”. Isso é apenas o dualismo agindo em você. Minha sugestão é que você tente não lutar demais com ele, pelo menos enquanto lê este capítulo. Mesmo que eu ache que todos nós sejamos mais do que apenas células e moléculas, posso ainda aproveitar a pesquisa da Psicologia biológica.

A Lembra do modelo biopsicossocial do Capítulo 1? (Se não, você deveria

DIC verificá-lo. Acredite – é um bom capítulo.) Ele ajuda a pensar sobre a

Psicologia humana como uma função destes três níveis de entendimento: o nível biológico, o nível psicológico e o nível social. Cada nível é importante. Este capítulo foca no nível biológico e o resto do livro foca nos outros dois. Para respeitar as contribuições de cada nível para nossa compreensão do comportamento e processos mentais, temos que propor um modo deles interagirem. Ou seja, temos que sugerir um modo de conceitualizar como a Biologia influencia a Psicologia, como a Psicologia influencia a Biologia etc.

Uma metáfora útil para entender como esses diferentes níveis interagem é o computador moderno. A maioria de nós sabe que um computador tem, pelo menos, dois componentes funcionais: o hardware e o software. O hardware consiste nos componentes físicos reais do computador, tais como: processador, disco rígido, fios, CD-ROM e vários outros componentes. O software consiste no sistema operacional, software de edição de texto e vários outros programas que usamos quando realmente trabalhamos em um computador.

Nessa metáfora, o hardware de um computador representa o nível biológico da compreensão. É o nosso corpo físico real, especificamente o nosso sistema nervoso. O software representa o nível psicológico e a interface entre o usuário e o software representa o nível social. O hardware é inútil sem o software e vice-versa. Portanto, mesmo que você não seja um monista, poderá ainda respeitar o papel de que nossa fisiologia (hardware) desempenha na psicologia (software).

A palavra “menteware” no título deste capítulo representa a substância física real do cérebro. Não temos “hardware” em nossos cérebros (fios, plástico, silício etc.); ao contrário, temos “menteware” (neurônios, tecido e substâncias químicas, por exemplo). Para ser consistente com a minha metáfora, realmente foco no nível do menteware da Psicologia neste capítulo.

Neste capítulo, apresento o menteware do sistema nervoso humano e o sistema endócrino. Essas duas áreas de interesse na Psicologia psicológica representam as duas mais importantes para explicar a experiência psicológica.

 

Funcionando Como uma Máquina bem

 

Lubrificada: Sistemas do Corpo

O sistema nervoso humano consiste em duas grandes divisões: o sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). Os blocos de construção básicos do sistema nervoso são os nervos, neurônios, neurotransmissores e

Continuar: parte 2 de 16