Psicologia Para Leigos

Adam Cash · Capítulo 4 de 4 · parte 11/16

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Psicologia Para Leigos

01 Psicologia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.

� Suposições erradas e esquemas do outro próprios: As suposições

e os esquemas do outro (as crenças sobre quem eu sou na relação com os outros) que eu suponho como sendo verdadeiros, assim como minhas visões do mundo, de mim mesmo e do futuro, influenciarão muito o modo como me movimento no mundo. Beck introduziu a tríade cognitiva, como a seguir:

Cada ponto no triângulo contém um conjunto de crenças que refletem

uma avaliação negativa de si mesmo, uma visão sem esperança do

futuro e uma visão do mundo como sendo excessivamente cruel. Um

componente final da visão cognitiva é a natureza cíclica do pensamento

depressivo.

Um exemplo ilustra isso melhor. Eu posso ter a crença de que não

posso fazer nada. Essa crença não irá precisamente me acionar,

portanto, minha motivação é afetada. Então, obviamente não farei

nada por causa de minha falta de motivação e, por sua vez, “provarei”

para mim mesmo que eu realmente não posso fazer nada. Esta

inclinação distorcida e autoconfirmadora no pensamento,

provavelmente levará à depressão.

 

Tratando a depressão

Existem várias abordagens eficientes de tratamento para a depressão. A medicação antidepressiva tem sido vista como eficiente. Este procedimento inclui medicamentos famosos, tais como, Prozac e Paxil. A psicoterapia, especialmente a terapia comportamental cognitiva e a psicoterapia interpessoal, tem sido vista como sendo eficiente também. A pesquisa também indica que a “atividade” – ficar muito ativo fisicamente e geralmente ocupado – pode ser um antídoto eficaz para a depressão. Alguns estudos indicam que o exercício físico regular provou ser tão eficiente quanto a medicação ao aliviar os sintomas segundo os autorrelatórios das pessoas. O padrão comum de prática é utilizar medicação e psicoterapia.

 

Desordem bipolar

A desordem bipolar é mais comumente conhecida como depressão maníaca. Pode ser caracterizada como uma desordem de mudanças severas de humor envolvendo depressão e mania. A mania é um estado de humor excessivamente elevado ou irritável que dura aproximadamente uma semana e ocorre junto com os seguintes sintomas:

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 211

� Autoestima aumentada ou grandiosidade (propor uma solução para

acabar com a fome e criar a paz da Terra, tudo durante o jantar).

� Necessidade diminuída do sono (sentir-se descansado com três a

quatro horas de sono por noite).

� Necessidade extrema de pressão para falar.

� Correria e pensamentos rápidos.

� Intervalo de atenção extremamente curto.

� Nível de atividade drasticamente aumentado (engajar-se em muitos

projetos ou aparar a grama às 2:00 da manhã).

� Engajamento excessivo em atividades agradáveis que têm

consequências potencialmente prejudiciais (apostar em jogos de azar o

pagamento de sua casa, gastar em farras, experiências sexuais).

Alguém que mostra sinais e sintomas de desordem bipolar deve ter tido pelo menos um episódio de mania em sua vida e atualmente está tendo um episódio maníaco, deprimido ou misto (depressão e mania). Então, basicamente, para ser diagnosticada como desordem bipolar, a pessoa tem que ter depressão e mania – daí, o conceito de várias mudanças de humor. As pessoas que têm desordem bipolar têm comumente vários episódios recorrentes. Pode ser uma doença devastadora, geralmente por causa do problema que um indivíduo maníaco pode ter. Quando alguém é maníaco, é comum que ele acumule débitos extremamente grandes, incorra em relações interrompidas ou até se engaje em atos ilegais ou criminosos.

Essa desordem é como estar em uma montanha-russa de emoção extrema (algumas vezes triste, outras feliz) fora de todas as proporções. Essas mudanças de humor não ocorrem em um dia ou mesmo em uma semana. A desordem bipolar refere-se às mudanças de humor que ocorrem em um longo período de tempo, como, por exemplo, quatro episódios de humor (depressão, maníaco ou misto) dentro de um período de dez anos. Esses episódios podem durar desde uma semana até anos. Algumas pessoas, porém, têm o que é chamado de ciclo rápido – elas podem ter quatro ou mais episódios dentro do período de um ano. Esses indivíduos têm um prognóstico mais ineficiente por causa do modo interrompido que os episódios podem ocorrer. Não há tempo para retomar sua vida novamente entre os episódios.

 

Revelando as causas da desordem bipolar

As teorias mais populares sobre as causas da desordem bipolar, e mais especificamente a mania, têm sido biológicas. A pesquisa envolveu anomalias neuroquímicas nas partes especificas do cérebro que envolvem os neurotransmissores dopamina e serotonina. Há pouca evidência conclusiva diferente disso.

Contudo, bem antes dos estudos biológicos, os psicanalistas apresentaram sua explicação. Sua proposição em sua forma mais simples é que a mania é uma reação de defesa à depressão. Em vez de se sentir atordoado pela depressão, a mente de uma pessoa faz um tipo de troca, transforma essa tristeza extrema em alegria extrema. O equivalente simbólico dessa ideia é como rir quando alguém que você ama morre. É uma forma severa de

 

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negação. Quando um paciente maníaco é visto na Psicologia orientada à Psicanálise, essa hipótese de defesa é o foco principal.

Considera-se também que o estresse desempenha um papel ao intensificar os episódios de humor dentro da desordem bipolar. O estresse não causa necessariamente a mania ou a depressão, mas pode tornar as coisas piores ou agilizar a chegada de um episódio de humor que se aproxima.

 

Tratando a desordem bipolar

Atualmente, a primeira linha no tratamento da desordem bipolar é a medicação. Uma classe de drogas conhecida como estabilizadores do humor é usada para estabilizar o humor de uma pessoa e reduzir a probabilidade de futuros episódios. Os estabilizadores de humor comuns são Lithium e Depakote. A psicoterapia de apoio pode ser usada para ajudar as pessoas a lidarem com as consequências negativas de seu comportamento maníaco e concordar com a seriedade de sua doença. A terapia comportamental cognitiva tem sido usada cada vez mais nos últimos anos para os objetivos do autogerenciamento comportamental aumentado e a identificação dos primeiros sinais de aviso de um episódio de humor que está por vir.

 

Ficando Assustado

Há muitos eufemismos em relação a esta próxima classe maior de desordens mentais, as desordens da ansiedade. O “estresse”, “preocupação”, “nervos”, “nervosismo” e “medo” são termos que usamos diariamente e parecemos pensar que sabemos o que significam. A ansiedade pode ser definida como um sentimento de medo e apreensão generalizado. Quando estamos ansiosos, geralmente sentimos medo. Medo do quê? Depende. Identificar que alguém está com medo ajuda a determinar qual tipo de desordem da ansiedade ele pode ter.

RE-SE Com exceção da preocupação normal, as desordens da ansiedade

MB provavelmente, são o tipo mais comum de desordem mental. Mas, a

LE preocupação é realmente uma desordem mental? Lembre-se, todo

comportamento e processos mentais existem em continuidade da normalidade. A preocupação pode ser tão intensa ou chata para quem está preocupado que pode atingir o nível de uma desordem que precisa de atenção profissional. Ainda preocupado em ser uma pessoa preocupada patológica? Relaxe, respire fundo e leia. Há mais para ser abordado antes de você chegar a conclusões e buscar ajuda.

Algumas das desordens da ansiedade mais comuns incluem:

� Desordem da ansiedade generalizada: Preocupação excessiva e

persistente sobre muitas coisas diferentes.

� Desordem do estresse pós-traumático: Experimentar novamente

eventos traumáticos que ameaçaram a vida, inclusive sintomas de alta

excitação e fuga de lugares e pessoas relacionados ao trauma.

� Desordem obsessivo-compulsiva: Obsessões (pensamentos

recorrentes) e comportamento compulsivo (levado a repetir uma

atividade como, por exemplo, lavar as mãos).

 

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Capítulo 16: Psicologia Moderna do Anormal 213

Neste capítulo, foco em uma das desordens da ansiedade mais comuns conhecida como desordem do pânico.

Algumas pessoas têm medo de sair de casa, e não é porque elas vivem em uma vizinhança ruim. As pessoas às quais estou me referindo sofrem de fobia de lugares grandes e abertos, chamada de agorafobia. A agorafobia é geralmente associada a uma desordem da ansiedade maior conhecida como desordem do pânico – uma condição na qual uma pessoa tem ataques de pânico ou ansiedade recorrentes e um medo de futuros ataques.

 

Sem suéter e com medo

As pessoas podem preocupar-se ou ter medo mas centenas de fobias estão por aí. Eis algu-de todo tipo de coisas. Quando alguém tem mas notáveis:

 

um medo extremo de uma determinada coisa � * Acrofobia: Medo de alturas ou situação, mesmo que ela saiba que não há � * Claustrofobia: Medo de lugares fechados qualquer perigo real, chamamos isso de fo-* Nictofobia: bia . Há diferentes tipos de fobias. A fobia so-� Medo do escuro cial é o medo de pessoas. Agorafobia é o � * Misofobia: Medo de contaminação por

 

com muitas pessoas. Angorafobia é o medo � * Zoofobia: Medo de animais ou de um de suéteres e de casacos de inverno pesa-animal específico medo de estar em lugares abertos ou lugares germens dos. Eu estou brincando sobre este último,

 

A definição do DSM-IV para um ataque de pânico é: “Um período distinto de medo intenso ou desconforto, no qual, quatro (ou mais) dos seguintes sintomas desenvolveu-se abruptamente ou atingiu um pico em um período de dez minutos.”

� Palpitações, coração batendo forte ou ritmo cardíaco acelerado.

� Suor, tremor ou agitação.

� Respiração curta, sentimento de choque ou dor no peito.

� Náusea, vertigem ou delírio.

� Sentimentos de irrealidade ou estar desligado de si mesmo.

� Medo de perder o controle, ficar maluco ou morrer.

� Enfraquecimento, formigamento, arrepios ou ondas de calor.

Uma pessoa que tem ataques de pânico recorrentes pode sofrer de desordem do pânico caso se preocupe incessantemente em ter mais ataques, tenha medos irreais das implicações do ataque ou mude muito seu comportamento como resultado dos ataques. Um marco da desordem do pânico é o medo de que os ataques de pânico sejam um sinal de alguma doença maior, tal como, ataque do coração, perda da consciência ou morrer. Esse sintoma pode ser muito grave porque pode levar a um estresse excessivo. Preocupar-se em morrer pode ser muito estressante e pode bem ser um fator nas doenças ativamente temidas.

A mudança mais comum no comportamento de uma pessoa é o desenvolvimento da agorafobia. Este estado envolve um medo intenso de

 

psicologia01.indd 213 22/02/2011 16:35:46 214 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

estar em lugares ou situações nas quais pode ser difícil escapar ou conseguir ajuda caso seja necessário. Os exemplos comuns das situações associadas à agorafobia são andar de elevador, ficar no meio de uma grande multidão, viajar em um metrô lotado ou até dirigir em um trânsito pesado.

Esta é apenas a primeira metade da agorafobia. A outra parte envolve a pessoa evitando situações potencialmente de armadilha e, geralmente, confinando-se em suas casas. Este sintoma pode ser extremamente estressante para a pessoa que tem a desordem do pânico e para os membros de sua família também. Que tipo de vida você pode ter se sua esposa ou pai não sai de casa? Uma séria tensão conjugal é comum nesses pacientes.

 

Revelando as causas da desordem do pânico

Existem pelo menos duas excelentes explicações da desordem do pânico, a abordagem biopsicossocial de David Barlow e o modelo cognitivo.

A principal ideia de Barlow é que os ataques de pânico são resultado de uma resposta de medo com reação exagerada dentro do cérebro sob estresse. Certos indivíduos possuem uma vulnerabilidade fisiológica, na qual, seus sistemas nervosos algumas vezes reagem em excesso. Essa vulnerabilidade biológica é igualada à vulnerabilidade psicológica causada pelas crenças exageradas em relação a certas sensações do corpo e do mundo, em geral, como perigosas e a percepção errada (espera-se) em relação ao perigo no mundo todo.

O modelo cognitivo (Beck, Emery & Greenberg, 1985) é muito parecido com o modelo de Barlow, mas enfatiza mais as crenças da pessoa. A ideia básica é que os ataques de pânico são resultado de uma atribuição ruim das sensações normais do corpo que leva ao medo aumentado, que por sua vez, exacerba as sensações, que, por sua vez, leva a mais atribuição ruim. É como um círculo vicioso. Uma pessoa interpreta algo que sente como ameaçando a vida ou sendo perigoso, o que a faz ficar preocupada e intensifica o sentimento e o seu medo.

 

Tratando a desordem do pânico

A desordem do pânico é tratada com medicações e várias formas de psicoterapia. Medicamentos antidepressivos conhecidos como tricíclicos têm sido usados com sucesso para reduzir a ocorrência do pânico. Benzodiazepinas, uma classe de drogas “relaxantes”, também têm sido usadas com sucesso.

A terapia do comportamento tem tido muito sucesso com os pacientes de pânico. Parece um pouco cruel, mas a terapia do comportamento basicamente envolve ensinar técnicas de relaxamento e, então, aos poucos, expor os pacientes às situações que primeiramente iniciaram o pânico e ensiná-los a aguentar o ataque de pânico até ele diminuir. Parece tortura, mas funciona. A terapia cognitiva também tem sido usada para ensinar aos sofredores a mudar seus pensamentos de modo que reduzam sua tendência de perceber ou interpretar mal as sensações de seu corpo e de exagerá-las. A intenção é mudar o “pensamento e se” para “então” através da educação relacionada aos processos psicológicos e às fontes disponíveis de ajuda, caso seja necessário.

 

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Capítulo 17

 

 

Compreendendo os Criminosos

 

com a Psicologia Forense

 

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Neste Capítulo

 Chamando todos os especialistas

 Ficando teórico

 Investigando a mente criminosa

 Estabelecendo a competência

 Dando ajuda atrás das grades

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Muitos de nós parecemos bem fascinados com os crimes e os criminosos. Não estou baseando essa afirmação em nenhuma evidência científica, mas você já esteve na locadora recentemente? Filmes sobre crimes e aqueles que os cometem dominam as prateleiras. O noticiário da noite, shows de televisão no horário nobre e praticamente toda forma de mídia popular foca intensamente as lentes de suas câmeras no crime.

Não sei por que é assim. Talvez, foquemos no crime por causa de seu impacto poderoso nas vidas de todos os envolvidos, desde a vítima até o criminoso. Talvez, seja apenas uma curiosidade mórbida. Uma coisa é certa, se somos fascinados ou não, o crime afeta a todos. As estatísticas mostram que uma em três pessoas será vítima de crime pelo menos uma vez este ano. O crime tem sido um assunto em alta para políticos por causa dessas taxas de crime espantosas nos Estados Unidos.

Na verdade, muitos de nós somos criminosos. Você não acha? Quando foi a última vez em que você ultrapassou o limite de velocidade? Sim, eu sei, grande coisa. Os crimes que têm muito de nossa fascinação são um pouco mais excitantes, horríveis ou assustadores do que ir em alta velocidade na autoestrada. Estou pensando em assassinato, roubo de banco, tráfico de drogas e muitos outros crimes geralmente considerados felonias. Felonia é um crime maior, tal como assassinato, incêndio culposo ou estupro, que geralmente recebe a punição da prisão por um ano ou mais. Os psicólogos também parecem ter sido fisgados por essa curiosidade pelo crime. Na verdade, um ramo inteiro da Psicologia é dedicado a investigar crimes e criminosos. A Psicologia forense é a aplicação do conhecimento psicológico e

 

psicologia01.indd 215 22/02/2011 16:35:46 216 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

da ciência à lei e às questões legais. Neste capítulo, apresento os aspectos básicos da Psicologia forense e abordo algumas das áreas mais intrigantes bem detalhadamente.

 

Consultando os Especialistas

Os psicólogos parecem ser a escolha lógica para fornecer respostas para as perguntas em torno da complexidade do crime e do comportamento criminoso. Eles são treinados para entender e até mudar o comportamento humano e processos mentais. O crime pode ser visto como um tipo de “doença da sociedade”. Com muita frequência, a “cura” para essa doença é o nosso sistema legal, a polícia, os promotores públicos, os juízes, os advogados de defesa, as cadeias e as prisões. O código penal de cada estado é como o DSM-IV, para essas desordens sociais. Sem dúvida alguma, gastamos muito dinheiro para impedir o crime, prender e reformar aqueles que cometem atos criminosos. Cada profissional no processo desempenha um papel importante e os psicólogos forenses entram em cena com as ferramentas de sua ocupação, seu conhecimento.

Os psicólogos forenses geralmente possuem doutorado, tal como um doutorado em Filosofia, doutorado em Educação ou doutorado em Psicologia, e têm treinamento especial e/ou experiência em Psicologia forense. A lista de atividades nas quais os psicólogos forenses se engajam pode ficar bem longa. Algumas atividades parecem empolgantes e outras podem dar sono na maioria das pessoas. Eis apenas algumas:

� Prever o perigo ou a dependência de narcóticos (adequação para o

tratamento de abuso de substâncias decretado pelo tribunal). Algumas

pessoas representam um perigo para a sociedade devido a uma doença

mental. Os psicólogos geralmente são solicitados a avaliar o nível de

risco que um indivíduo representa como consequência de uma

desordem mental.

� Competência para fazer avaliações experimentais.

� Avaliações de pedidos de insanidade (veja “Declarando a insanidade”,

posteriormente neste capítulo.)

� Seleção de júri e preparação de testemunhas. Geralmente, os advogados

consultam os psicólogos ao selecionar jurados potencialmente úteis.

Quando a testemunha tem um papel-chave em um caso, algumas vezes,

os advogados pedem aos psicólogos para a ajudarem a lidar com o

estresse e a complexidade do testemunho. O testemunho no tribunal

pode ser especialmente estressante para as crianças.

� Perfil criminoso e orientação com a imposição da lei. (Veja “Traçando o

perfil”, posteriormente neste capítulo.)

Algumas dessas tarefas envolvem o tribunal chamando um psicólogo como uma testemunha especializada. Outras vezes, um promotor ou advogado de defesa contrata o psicólogo. Para ter o status de “especialista”, um psicólogo forense geralmente tem que ser reconhecido pelo tribunal (um juiz, na verdade) como sendo um especialista. Normalmente, os especialistas

 

psicologia01.indd 216 22/02/2011 16:35:46 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 217

forenses possuem uma licença como psicólogo no estado no qual trabalham, nos Estados Unidos tiveram alguma educação formal ou treinamento forense e aprenderam a usar ferramentas e técnicas especializadas para trabalhar nessa área. Basicamente, tudo se resume a um juiz achar que um possível psicólogo é qualificado e cabe ao júri determinar se ele acredita no testemunho especializado do psicólogo.

 

Determinando Por que o Bom Fica Mau

As perspectivas relativas à causa do comportamento criminoso variam desde a criminalidade como um produto da corrupção inerente da natureza de uma pessoa até a criminalidade resultante das poderosas influências de um grupo ou da sociedade. Crime é um conceito legal que define um erro legal que pode ser enfocado seguido dos procedimentos criminosos, o que pode resultar em punição. Lei criminal é o corpo de leis que definem os crimes e como os criminosos devem ser tratados.

RE-SE

LE Um ponto interessante a ser lembrado é que nem todas as sociedades ou MB

indivíduos que compõem a sociedade têm as mesmas visões de como os criminosos devem ser tratados. As filosofias penais são pontos de vista sobre por que e como os criminosos devem ser punidos.

RE-SE

LEMB Três posições filosóficas básicas são:

� Retribuição: Justiça e responsabilidade pessoal pelas ações de alguém

são esperadas e reforçadas pela sociedade maior e não pelas vítimas

individuais. A punição é institucionalizada na forma de polícia, tribunais

e cadeias. Se meu vizinho roubar meu carro, eu não tenho que

confrontá-lo pessoalmente; posso simplesmente ligar para a polícia.

� Utilitarismo: O foco aqui está na prevenção. O ponto moral de utilidade

estabelece que uma grande felicidade para o maior número de pessoas

é o ideal. Os criminosos interrompem esse processo e devem ser

tratados para que voltem a ficar alinhados com essa filosofia.

� Reforma: Reabilitação e mudança são o resultado final desejado desta

posição. A suposição é que os crimes resultam das deficiências

pessoais e da inadaptação.

RE-SE Os psicólogos são apenas um grupo de profissionais trabalhando no

LEMB problema do crime. Crime é um fenômeno complexo e seria uma

simplificação exagerada afirmar que todos os aspectos do crime podem ser completamente entendidos a partir de um ponto de vista psicológico.

 

Teorias sociológicas

Uma visão sociológica poderosa do comportamento criminoso vem da teoria da associação diferencial. As teorias sociológicas abordam os problemas humanos a partir de um grupo e do nível social, ao passo que as teorias psicológicas tendem a focar nas pessoas individuais. A teoria da associação diferencial não é complexa. Simplesmente estabelece que o comportamento criminoso é aprendido. Os próprios criminosos dirão que eles aprenderam

 

psicologia01.indd 217 22/02/2011 16:35:46 218 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

seu “negócio” observando as outras pessoas a cometer crimes. Alguns críticos das prisões têm argumentado que as prisões são apenas escolas para aprender a cometer crimes maiores e melhores. Veja o filme Profissão de Risco ; ele fala sobre essa ideia.

Na teoria da associação diferencial, o comportamento criminoso é um comportamento aprendido usado para atender as necessidades que não estão sendo satisfeitas por meios não criminosos. Se eu não posso sustentar minha família, por exemplo, venderei drogas ou roubarei uma loja de conveniência. Como o comportamento criminoso é aprendido? Os criminosos vão a escolas vocacionais especiais para as quais a maioria de nós não foi convidada? Imagino qual teria sido sua pontuação no vestibular para entrar nessa escola. Na verdade, o comportamento criminoso é aprendido através de interações sociais com grupos de iguais. Algumas vezes, é até aprendido na mídia. Os jovens que cometeram assassinatos horríveis na Escola Columbine no Colorado em 1999 alegaram que tiveram a ideia de seus crimes com um filme.

Se um grupo de iguais vir mais valor em transgredir a lei do que obedecê-la, ele endossará o crime, ou seja, ele dará apoio à transgressão da lei. As técnicas criminosas, motivos, impulsos, racionalizações e atitudes são parte do currículo do crime, por assim dizer. Os tipos específicos de crime que um grupo endossa dependem, em parte, de sua visão da lei em geral e de suas visões de leis específicas também. Por exemplo, alguns subgrupos endossam vender drogas, mas não permitem roubos com armas.

Em 1986, Hirshci desenvolveu uma teoria que coloca o controle dos impulsos criminosos e os motivos no centro da compreensão dos atos criminosos. A teoria do controle atribui um papel crucial ao autocontrole neste processo. Os atos criminosos geralmente são impulsivos e realizados no calor do momento. Se eu não posso adiar minha necessidade de gratificação, posso simplesmente sair e pegar o que preciso agora, de qualquer maneira que eu achar adequada. Um impedimento crucial para o comportamento criminoso é a ligação entre um indivíduo e a sociedade. Quando essa ligação é enfraquecida ou cortada, a delinquência ou a criminalidade é provável. A ligação entre um indivíduo e a sociedade depende de alguns fatores:

� O grau no qual um indivíduo internalizou as normas da sociedade na

forma de uma consciência. Sempre devo dirigir no limite de velocidade

ou apenas quando um policial estiver por perto? Se eu acreditar na

importância da lei de velocidade para a segurança, obedecerei. Se não,

não internalizei essa norma e provavelmente apenas reduzirei a

velocidade quando um policial estiver por perto.

� O grau no qual um indivíduo realmente se importa com o que a outra

pessoa pensa. Se eu não me importo com o que você pensa, farei o que

quiser.

� O grau no qual um indivíduo está comprometido com as buscas

normais e os objetivos convencionais na vida. Posso não querer

graduar-me no Ensino Médio, ir para a faculdade, ter um serviço de 9h

às 18h e viajar duas horas por dia para trabalhar e voltar por um salário

miserável. Posso querer ter meu dinheiro do modo mais fácil –

roubando!

 

psicologia01.indd 218 22/02/2011 16:35:46 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 219

Aprendendo teorias

Uma das teorias mais poderosas em toda Psicologia é a teoria do condicionamento operante. Quando realizo um comportamento, ele é seguido de alguma consequência, tal como, uma recompensa ou uma punição. O aprendizado ocorre quando aprendi que quando faço A, recebo B como consequência.

Jeffrey (1965) tentou explicar o comportamento criminoso vendo o que os criminosos conseguem cometendo crimes. Qual é o pagamento? Quais recompensas seguem um ato criminoso que podem aumentar a probabilidade de que o criminoso o fará novamente? Se eu roubo, tenho algum dinheiro e dinheiro é uma recompensa muito boa. Outras recompensas incluem a aprovação dos iguais e o estímulo de cometer o ato em si. Não importa o que eu consigo, o fato de que recebo alguma recompensa é suficiente para manter o comportamento ocorrendo. Lembra do condicionamento operante anteriormente no livro? (Se não, verifique o Capítulo 9.) Os ratos pressionam as barras para conseguirem bolotas de açúcar. Os criminosos cometem crimes para conseguirem qualquer “bolota de açúcar” que puderem com o ato criminoso.

Uma outra versão de uma teoria da aprendizagem vem da perspectiva da aprendizagem social. Bandura e Walters (1963) e Bandura (1986) enfatizam o papel da preocupação com ser punido socialmente pelos crimes como um impedimento poderoso para o comportamento criminoso. Essa teoria sobrepõe-se à teoria do controle (veja a seção “Teorias sociológicas”, anteriormente neste capítulo), porém, se apoia mais no papel da aprendizagem em termos de observar as outras pessoas serem punidas ou punidas socialmente por seu comportamento criminoso. Algumas vezes, ser afastado pode ser a pior punição de todas. Essa teoria parece um pouco com a teoria “Os meninos maus cometem crimes, você quer ser um menino mau?”. Contudo, algumas pesquisas apoiam essa ideia. Grasmick e Green achavam que quando os adolescentes se preocupam em ser punidos socialmente, eles têm menos probabilidade de cometer crimes.

As teorias psicanalíticas vêm da escola determinista e psíquica do pensamento. Todos os nossos comportamentos são uma consequência direta ou são determinados pelo o que está ocorrendo dentro de nossas psiques ou mentes. Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, via todos os seres humanos como inerentemente egoístas e em um estado de conflito social. (Você pode ler mais sobre Freud no Capítulo 10.) Todos nós nascemos com necessidades que sentimos que devem ser satisfeitas quando e onde sentimos que devem! Há apenas um problema com este estado de coisas; existem forças poderosas trabalhando contra nós, a saber, outras pessoas. Basicamente, aprendemos a controlar esses desejos e a canalizá-los em meios de satisfação mais aceitos socialmente. Desenvolvemos uma consciência na forma de nosso superego para ajudar a manter o nosso comportamento de acordo com os padrões morais mais aceitos. Para Freud e outros psicanalistas, o comportamento criminoso é resultado de um superego prejudicado ou deficiente e, talvez, uma resolução ruim do que Freud chamava de conflitos básicos do desenvolvimento: independência versus dependência, agressão versus seu controle e sensualidade versus sua negação.

Segundo Stott, uma outra visão do comportamento criminoso é que é um modo de conseguir gratificação e um sentimento de poder pessoal na presença de um superego exigente em excesso. Algumas vezes, o superego

 

psicologia01.indd 219 22/02/2011 16:35:46 220 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

pode ser duro demais, exigindo e esperando uma moralidade perfeita. Essas demandas podem levar a sentimentos de ansiedade crônica e insegurança porque o indivíduo se sente continuamente culpado por coisas que não fez. Freud achava que um comportamento criminoso era o resultado físico de um conflito entre nossas necessidades genuínas e nossos superegos cruéis. Sentimo-nos culpados o tempo todo, portanto, buscamos a punição de nossa consciência fazendo coisas ruins. É quase como dizer para si mesmo: “Bem, se vou sentir-me culpado, talvez eu deva ter algo para sentir culpa”.

Outros teóricos psicanalistas veem a criminalidade menos como uma consequência de um superego cruel em excesso e mais como resultado de um fraco. Neste caso, o superego falha em fornecer bastante pressão através de nossa consciência para suprimir nossa rebeldia e desejos egoístas. Levando as pessoas a fazerem o que quiserem para atender suas necessidades. Esse controle insuficiente sobre os impulsos de alguém é devido a falhas no desenvolvimento infantil. Essa teoria se encaixa em uma noção de bom senso de que o comportamento criminoso ou deliquente é resultado de um controle parental fraco e uma falha em instilar valores morais bons nas crianças.

A visão psicanalítica final é uma teoria “tal pai, tal filho”. Se você for casado com um criminoso profissional, seus filhos poderão ser. “Quero crescer para ser como o papai”. Esta afirmação o preocuparia se você acreditasse na teoria de que o comportamento criminoso é uma consequência da identificação de uma criança com um modelo criminoso, desejando imitar quando ficar mais velha. Alguns psicanalistas acreditam nisso. Neste caso, há uma ausência de culpa associada aos atos criminosos porque “Papai faz isso”. Nenhum controle parental ou superego proíbe o comportamento criminoso. De muitas maneiras, é como ter um superego que diz: “Vá em frente, tudo bem!”

 

Teorias do desenvolvimento

As teorias do desenvolvimento tentam levar em conta o comportamento e os processos mentais analisando como eles se desenvolveram durante a vida de uma pessoa. Lawrence Kohlberg desenvolveu uma teoria de desenvolvimento do desenvolvimento moral. Para muitas pessoas, o comportamento criminoso e a imoralidade são a mesma coisa. Percebo que este nem sempre é o caso e há vezes em que o sistema moral de uma pessoa pode ou não estar de acordo com a lei. Algumas pessoas defendem a infração da lei para patrocinar o que elas consideram ser princípios morais mais altos. Martin Luther King Jr., e muitos outros antes dele, defendia a desobediência civil, que resultava em violações da lei em nome de um Deus maior. A moralidade e a criminalidade nem sempre são iguais, mas há uma sobreposição considerável.

A teoria de Kohlberg é sobre o pensamento moral ou o raciocínio. A ideia é que as pessoas que cometem crimes são subdesenvolvidas moralmente. Seu crescimento moral é atrofiado. Quanto mais sofisticado é o sistema moral de uma pessoa, menos provavelmente ela cometerá crimes. Os estágios da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg são os seguintes:

 

psicologia01.indd 220 22/02/2011 16:35:46 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 221

RE-SE � Nível 1 – Pré-convencional: As morais e as regras são vistas como

LEMB externas a alguém.

� Estágio 1: Orientação à obediência e à punição. O comportamento

moral é cumprido por causa do medo da punição. A ação certa é apenas engajada para evitar a punição.

� Estágio 2: Finalidade instrumental e troca. Se ser bom serve à

minha finalidade imediata, serei. Se não, esquece. Também sou motivado para ter o que desejo, contanto que não prejudique ninguém. Esse argumento é geralmente usado para promover a legalização de drogas ilícitas nos Estados Unidos (estou apenas prejudicando a mim mesmo etc.).

� Nível 2 – Convencional: O comportamento moral é uma consequência

de aceitar as normas sociais e as expectativas dos outros.

� Estágio 3: Acordo interpessoal. Farei o certo porque devo fazer; é

minha obrigação!

� Estágio 4: Acordo social ou manutenção do sistema. Fazer o certo

é o melhor para a sociedade.

� Nível 3 – Pós-convencional: A moralidade social é diferenciada dos

padrões absolutos ou universais.

� Estágio 5: Contrato social. Farei o certo porque tenho um contrato

não escrito com a sociedade para ser assim. Nenhuma quebra de contrato é o princípio direcionador.

� Estágio 6: Princípios éticos universais. A moralidade é definida

pela realização individual dos princípios universais do certo e do errado. Só porque a sociedade vê algo como certo, não o torna necessariamente certo. Contanto que as regras da sociedade sejam consistentes com esses princípios universais, farei o certo. Se não, seguirei os princípios universais.

A pesquisa parece sugerir que os criminosos jovens ou delinquentes demonstram níveis pré-convencionais do raciocínio moral. Não se preocupe com o Estágio 6. Kohlberg reservava essa categoria para pessoas, tais como Martin Luther King Jr. e Gandhi. Você obedece ao limite de velocidade porque é a coisa universalmente certa a fazer? Ou é por causa da multa de velocidade que você teve semana passada? Parece pré-convencional para mim!

 

Teorias da personalidade

Talvez, cometamos crimes porque é simplesmente uma parte de quem somos. Algumas pessoas têm a personalidade de um líder nato. Outras podem ter feito graduação em sua aula no jardim de infância intitulada: “Nascido para Roubar”.

Hans Eysenck, um psicólogo, propôs que a criminalidade é devido a uma disposição inata para realizar atos criminosos. Uma disposição é uma inclinação ou uma tendência para fazer algo. A teoria do “nascido mau” de Eysenck é bem complexa. Ele argumenta que os fatores ambientais (tais como, pobreza, modelos criminosos e histórico de abuso infantil) sozinhos, não podem levar em conta possivelmente o comportamento criminoso porque nem todos em um ambiente ruim cometem atos criminosos. Viajei por

 

psicologia01.indd 221 22/02/2011 16:35:46 222 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

uma das nações mais pobres do mundo, Jordânia, e fiquei surpreso ao descobrir que havia pouco crime lá. Não fiz nenhuma pesquisa, mas as pessoas deixavam suas casas destrancadas, por exemplo, e não pareciam nada preocupadas em serem roubadas.

� Contribuições próximas: Consiste nos aspectos biológicos da

personalidade, tais como, taxas metabólicas, hormônios e atividade do

sistema nervoso. Eysenck acredita que as pessoas com anormalidades

específicas nessas áreas podem ser predispostas à criminalidade. Uma

descoberta popular de Eysenck e Zuckerman é que as pessoas que

estão pouco estimuladas e facilmente entediadas, engajam-se no

comportamento de busca de sensações que podem geralmente incluir

engajar-se em atos criminosos estimulantes.

� Contribuições distantes: Vem dos determinantes genéticos de nossas

personalidades, nosso DNA. Há a ideia de que existe um gene-chave

herdado ou diversos genes herdados responsáveis pela semelhança

das características da personalidade que levam ao comportamento

criminoso entre pais e descendentes. Essas causas da criminalidade

estão menos próximas da expressão visível da propensão criminosa.

Eysenck também identifica três tipos de personalidade ou características, que ele relaciona como atuando de uma maneira criminosa:

� Psicotismo: Os indivíduos com esse tipo de personalidade elevada têm

uma maior chance de dar o golpe criminoso. Eles tendem a ser mais

antissociais, antipáticos, criativos e obtusos. Todos esses traços são

consistentes com muitos comportamentos criminosos.

� Extroversão: As pessoas que são tranquilas, dominantes, assertivas e

ousadas possuem esta característica de personalidade implicada.

� Neurose: Esta dimensão inclui as pessoas que são irracionais, tímidas,

mal humoradas e emocionais. Elas podem tender também a um

comportamento criminoso.

 

PNB Alto = Crime Elevado?

Uma parte interessante do suporte casual do duto nacional bruto (PNB) de um país, mais desafio de Hans Eysenck para a causa am- alta era a taxa de crimes. Vai entender! Tal-biental do conceito de criminalidade é que o vez, haja apenas mais coisa para roubar em crime é diretamente relacionado à riqueza. um país rico. O que irei roubar em uma nação Ellis e Peterson descobriram que em 13 na- pobre e carente? Ninguém tem nada. ções industrializadas, quanto maior era o pro-

 

Eysenck não chega ao ponto de dizer que esses aspectos da personalidade realmente causam a criminalidade, mas ele afirma que são colaboradores poderosos para o risco de desenvolver comportamentos criminosos.

 

psicologia01.indd 222 22/02/2011 16:35:46 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 223

 

Teorias biológicas e neuropsicológicas

Há uma boa quantidade de pesquisa biológica e neuropsicológica sobre a criminalidade. Ou seja, muitos cientistas já tentaram encontrar a origem do comportamento criminoso nos genes ou nos cérebros das pessoas que cometem esses atos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que muitas das pesquisas ainda não são conclusivas e são muito difíceis de serem interpretadas.

Os estudos da Biologia e da Neuropsicologia da criminalidade já viram tópicos tão variados, tais como, a genética, hormônios, neurotransmissores, ondas cerebrais, tipo físico, dano cerebral e deficiências de aprendizagem. Irei estreitar um pouco as coisas neste capítulo e apenas focar na genética e nas anormalidades psicológicas, dois tópicos sobre os quais achamos que temos uma boa compreensão.

 

Genes

Hans Eysenck menciona a genética e outras funções biológicas em sua teoria da personalidade da criminalidade. Eysenck acredita que nossas personalidades são determinadas geneticamente. Existe alguma evidência para apoiar sua reivindicação de que a genética desempenha sua parte ao determinar quem provavelmente pode estar para se engajar nos atos criminosos e quem não pode.

As contribuições genéticas para a criminalidade foram investigadas tradicionalmente usando o método de adoção de gêmeos popular de pesquisa. A lógica é que se você vir gêmeos idênticos que não cresceram juntos, eles agirão do mesmo modo, seus comportamentos provavelmente serão devido à genética. Por quê? Se eles não cresceram juntos, a probabilidade de que tenham tido exatamente as mesmas influências ambientais é quase nula. Portanto, as únicas coisas que eles têm em comum são seus genes (porque seus genes são idênticos) e seus comportamentos.

Há um “gene do crime”? Isso seria simples demais. Vários estudos mostram comportamentos criminosos comuns em gêmeos educados juntos. Langein achava que 71 por cento dos gêmeos idênticos educados separadamente tinham taxas de convicção criminosa comparáveis. Os gêmeos dizigóticos ou fraternais, no mesmo estudo, tiveram apenas uma taxa de acerto de 12 por cento. A maioria dos outros estudos tem taxas parecidas, mas todos encontraram a mesma taxa mais alta nos gêmeos idênticos quando comparados com os gêmeos fraternais. O único problema é que esses gêmeos cresceram nos mesmos ambientes ou muito parecidos. Os estudos de adoção foram menos conclusivos. Crowein descobriu que 15 por cento dos gêmeos idênticos adotados de mulheres presas tinham um registro de prisão criminosa parecido, em comparação com 3 por cento dos gêmeos fraternos. Cadoretin descobriu taxas de prisão comparáveis de 12 por cento para gêmeos idênticos versus 0 por cento para gêmeos fraternos.

Uma qualificação interessante para a maioria das descobertas da pesquisa nessa área é que as porcentagens mantiveram-se para os crimes de propriedade, mas não para os crimes violentos. E mais, a tendência para cometer crimes em geral parece ter alguma relação com nossos genes. As relações estão longe de serem perfeitas, 15 por cento e 22 por cento são indicadores dificilmente explícitos. Isso ainda deixa 81,5 por cento, aproximadamente, de diferenças no comportamento criminoso, sem contar a

 

psicologia01.indd 223 22/02/2011 16:35:46 224 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

genética. É bom que tenhamos todas essas outras teorias. Se contássemos apenas com as teorias genéticas, saberíamos muito pouco.

 

Anomalias neuropsicológicas

Há uma parte “criminosa” do cérebro? Bem, se há uma, ninguém encontrou ainda. A pesquisa sobre os papéis das partes específicas do cérebro é mais indireta do que direta. Na verdade, grande parte das pesquisas sobre as anomalias neuropsicológicas nas pessoas que habitualmente cometem crimes não é conclusiva.

A teoria de Moffit talvez seja a teoria mais conhecida da disfunção neuropsicológica naqueles que cometem crimes. A ideia é que há um padrão de disfunção neuropsicológica geral que leva à incapacidade de um indivíduo de selecionar caminhos alternativos ou comportamentos para a criminalidade. Moffit propôs que muitos adolescentes “são provenientes” de suas atividades criminosas, e aqueles que fazem não têm esses déficits. Esses indivíduos teriam problemas com atenção, raciocínio abstrato, flexibilidade cognitiva, planejamento estratégico, uso do feedback ambiental e inibição. Porém, até hoje pouca pesquisa apoia a teoria de Moffit. Ela permanece sendo uma teoria e a pesquisa do cérebro criminoso continua.

 

Definindo os “supercriminosos” – Psicopatas

criminosos

Quando penso no exemplo perfeito de criminoso, algumas imagens vêm rapidamente à mente – o gênio criminoso tramando o crime supremo, o ladrão armado e insensível colocando uma arma no rosto do caixa no banco ou o serial killer esquivando-se inteligentemente da polícia.

Cada uma dessas imagens representa um aspecto do vilão estereotipado – inteligente, mas demente, frio e cruel, violento e destrutivo. Batman lutou contra o Charada, a Mulher Gato e o Coringa. O super-homem lutou contra Lex Luthor. Todos esses vilões representam pessoas que geralmente se engajam no comportamento criminoso extremo e desafiam nosso conceito de moralidade. Tais pessoas têm intrigado os profissionais por anos. Elas estão na primeira página dos jornais e são os destaques nos noticiários da noite. Elas ficam em suas prisões e algumas vezes são executadas por seu comportamento horrível. São os psicopatas.

Há muitas definições de psicopata. Na verdade, alguns profissionais não veem

LE MB RE-SE os psicopatas como necessariamente criminosos, mas como pessoas que sofrem de uma desordem clínica. O título desta seção pode implicar que

todos os psicopatas são criminosos, mas, de fato, pode não ser verdade. É fato, porém, que muitos psicopatas agem criminosamente e quando fazem isso, geralmente representam um nível de severidade sem paralelos dos criminosos não psicopatas. Portanto, para as finalidades deste capítulo, foco nos indivíduos psicopatas que geralmente cometem crimes ou acabam envolvidos com o sistema de justiça criminal.

Robert Hare nos dá uma lista completa dos traços da personalidade psicopata que resumem as principais características dessa personalidade desordenada.

 

psicologia01.indd 224 22/02/2011 16:35:46 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 225

� Charme falastrão e superficial

� Frieza e falta de empatia

� Senso de grandeza e autoestima

� Estilo de vida parasita (vive às custas de outras pessoas)

� Precisa de estímulo, tendência ao tédio

� Controles comportamentais ineficientes

� Mentira patológica

� Comportamento sexual promíscuo

� Engano e manipulação

� Problemas comportamentais precoces (ataques de raiva e

desobediência)

� Falta de remorso ou culpa

� Incapacidade de aceitar a responsabilidade pessoal

� Afeto superficial (nenhum sentimento profundo sobre qualquer coisa

ou qualquer pessoa)

� Rejeição da liberação condicional (retorna para a cadeia depois de

fracassar na reforma)

� Falta de objetivos realistas e de longo prazo

� Muitos casamentos a curto prazo

� Impulsividade

� Delinquência juvenil

� Irresponsabilidade

� Versatilidade criminosa (bom em muitos crimes diferentes)

 

A

DIC

 

Pesquisando os desvios

Se você está interessado em mais informa- atuais, descobertas recentes), editado por ções, verifique os seguintes títulos: Louis B. Schlesinger (CRC Press)

� The Anatomy of Motive (A anatomia do � Sexual Homicide: Patterns and Motives

motivo), de John E. Douglas e Mark Ol- (Homicídio sexual: padrões e motivos), de

 

� E. Douglas e Horace J. Heafner (Simon & Serial Offenders: Current Thoughts, Recent Schuster) Findings shaker (Wheeler Publishing) Robert K. Ressler, Ann W. Burgess, John (Criminosos seriais: pensamentos

 

psicologia01.indd 225 22/02/2011 16:35:46 226 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

RE-SE Puxa, que lista, eu sei. Mas, essa lista se tornou um padrão real para avaliar

LE MB as pessoas nos casos legais, prisões e hospitais forenses. Alguns desses traços parecem mais “repugnantes” do que outros e valem a pena serem

vistos mais de perto.

RE-SE Duas características inconfundíveis dos psicopatas são sua apresentação

LE MB suave e o charme. Eles não ficam facilmente constrangidos ou mesmo

moderadamente autoconscientes. Eles ficam calmos em situações sociais porque não estão nem um pouco interessados no que as outras pessoas pensam deles. Algumas vezes, eles aparecem como se fossem a coisa mais incrível desde a invenção do pão fatiado. Geralmente, estão cheios de si mesmos e veem as outras pessoas como inferiores e presas fáceis. Eles mentem, trapaceiam e manipulam para conseguir o que querem e farão tudo isso com a maior frieza. Os psicopatas não sentem remorso ou culpa por nenhuma de suas transgressões e podem, algumas vezes, ser tão frios que chegam a ser extremamente cruéis, não tendo empatia pelo sofrimento dos outros. Finalmente, muitos crimes pelos quais eles são condenados ou admitiram cometer representam sua versatilidade criminosa. A faixa é impressionante, desde assassinato até fraude, falsificação, sequestro, incêndio culposo, extorsão de impostos... Deu para entender?

 

Diferenciando os serial killers

Dahmer, Bundy, Gacy, Ramirez, Jack o Estripador, Fish, e a lista continua. Os assassinos seriais representam, talvez, a imagem mais séria e fascinantemente mórbida da criminalidade. Eles são os bichos-papões modernos. Eles cometem atos horríveis de violência e entregam-se a atos estranhos e pervertidos com suas vítimas. O conceito de diabólico vem rapidamente à mente ao pensar em seus feitos.

Porém, os psicólogos não são cientistas do mal. São cientistas do comportamento e dos processos mentais. Isso não significa que os comportamentos e as mentes dos assassinos seriais não possam ser estudados a partir de um ponto de vista psicológico. Richard von Krafft-Ebbing é visto por muitos especialistas como tendo fornecido um trabalho original sobre os serial killers, Psychopathia Sexualis (Psicopatologia Sexual), publicado em 1886. Muitos afirmam que grande parte do que é conhecido sobre o homicídio serial está contida nesse trabalho. Antes de entramos em algumas dessas informações, porém, uma rápida definição de assassino serial é necessária.

RE-SE O assassino serial é visto comumente, entre os profissionais, como um

LE MB “subtipo” motivado sexualmente do homicídio sexual. Ou seja, o assassino serial é motivado sexualmente. Grubin afirma que a natureza sexual desses

crimes é vista no modo como o despertar sexual do criminoso é conectado à dor e à humilhação de sua vítima. Os serial killers são diferentes dos assassinos em massa (matar muitas pessoas em um local ao mesmo tempo) e dos assassinos em série (matar várias vítimas em locais diferentes dentro de horas ou dias).

RE-SE

LE MB Krafft-Ebbing identificou três componentes principais do homicídio sexual,

nos quais os especialistas ainda focam hoje:

 

psicologia01.indd 226 22/02/2011 16:35:47 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 227

� Sadismo: O despertar sexual a partir do sofrimento físico, humilhação

ou controle de uma vítima é central para a psicologia do serial killer. Há

uma absoluta necessidade de controlar um outro ser humano mais

fraco e uma grande satisfação sexual é derivada desse ato.

� Fantasia: Beres define uma fantasia como um grupo de símbolos

combinados em uma história. É um fenômeno mental, dentro das

mentes daqueles que fantasiam. Eu fantasio ser rico. Os assassinos

sexuais fantasiam manter e torturar suas vítimas. Seus

comportamentos ritualistas nas cenas do crime são vistos como

resultado de sua vida fantasiosa, um modo de tornar a fantasia real. Os

assassinos seriais jovens começam a se engajar na fantasia

precocemente em sua vida, construindo a complexidade e a intensidade

da fantasia conforme se desenvolvem.

� Compulsão por matar: Muitas pessoas têm desejos sexuais estranhos

e, algumas vezes, até fantasias destrutivas. Couture achava que até os

homens normais podem ter fantasias sexuais envolvendo imagens

violentas e agressivas, inclusive cenas de estupro. Portanto, apenas ser

um sádico e ter uma vida fantasiosa violenta não cria um serial killer.

Pelo menos agora, nesta sociedade, somos responsáveis pelo nível de

nosso comportamento – ainda não há nenhuma “polícia do

pensamento”. Revitch e Schlesinger acreditam que a representação de

fantasias sádicas é possível por uma necessidade compulsiva de fazer

isso. Uma compulsão é como uma necessidade veemente e irresistível,

conduzindo-me a fazer o que quer que eu precise fazer. Quando

finalmente faço, sinto uma sensação intensa e quase orgásmica de

alívio: sadismo -> fantasia -> estado de tensão -> compulsão -> ação. O

ato homicida é, portanto, experimentado como um ato de liberação,

que é agradável e, portanto, reforça a sequência anterior de eventos e

torna a sua repetição provável.

RE-SE Estas informações são poderosas e muito interessantes. Meu único medo é

LE MB que as pessoas saiam e pensem que já compreenderam tudo sobre os serial

killers. Essa análise é uma introdução muito superficial para o tópico do homicida sexual. Alguns profissionais dedicaram suas carreiras inteiras para descobrir como essas pessoas funcionam. Não é tão fácil.

 

Traçando o perfil

Falando em profissionais dedicados em descobrir essas pessoas, a tentativa de compreender esses indivíduos com base em parte nas informações sobre suas personalidades e estados mentais é chamada de perfil psicológico. Keppel e Walter chamam de avaliação da cena do crime. É uma tentativa de apurar informações importantes sobre o criminoso do(s) crime(s), tais como, suas características físicas, comportamentais e demográficas, e descobrir a assinatura do criminoso. Uma assinatura é um componente do crime que é único para esse assassino em particular e pode ser encontrado em diversas cenas de crime.

Keppel afirma que duas características muito importantes para desenvolver um perfil psicológico de um criminoso são sua assinatura e seu modus operandi. Novamente, a assinatura de um assassino é a característica da cena

 

psicologia01.indd 227 22/02/2011 16:35:47 228 Parte VI: Reconhecendo se Você É Louco

do crime que é exclusiva desse criminoso. Pode ser o modo como uma corda é amarrada em torno das mãos de uma vítima ou a forma exclusiva como a vítima é torturada. O modus operandi (MO) refere-se ao determinado método de operação do assassino, inclusive o objeto do crime, os meios, a hora etc. O MO pode mudar, mas a assinatura geralmente não.

Park Dietz é um psiquiatra forense muito conhecido que vê o perfil psicológico como uma atividade de solução de problemas sistemática com cinco etapas básicas:

1. A pessoa que traça o perfil reúne dados, inclusive fotos da cena do

crime, relatórios de autópsia, relatos de testemunhas e relatórios de

laboratório forense.

2. Ela tenta reconstruir a sequência de eventos antes, durante e depois do

assassinato.

3. A pessoa que traça o perfil reconstrói o que o(s) criminoso(s) e a(s)

vítima(s) estava(m) experimentando mental e emocionalmente para

saber o que os levou a agir assim. É uma análise de suas motivações, o

“motivo” de seu crime.

4. Ela usa as informações recolhidas para desenvolver uma impressão

criminosa – uma tentativa de adequar o criminoso a uma categoria

(sadismo sexual ou assassinato premeditado, por exemplo).

5. A pessoa que traça o perfil tenta usar as informações anteriores para

descobrir que tipo de pessoa faria isso – homem, mulher, alta, baixa

etc. Elas até tentam descobrir quais tipos de trabalho ela pode fazer e

em quais outras atividades ela pode se engajar. A partir dessas

informações, o especialista estabelece um perfil e o fornece aos oficiais

da lei para usarem a seu critério.

 

Desculpando-se ou Explicando

Quando alguém é preso e tentou cometer um crime, ele tem várias opções quando vai ao tribunal. Se for competente o suficiente para ir a julgamento, pode alegar inocência, ser culpado ou não culpado por insanidade. Os especialistas forenses geralmente são consultados quando um réu apresenta sua saúde mental como um fator no crime.

 

Competência para ir a julgamento

Você já esteve no tribunal? Já foi réu no tribunal? Se já, pode ter notado como tudo pode ser confuso. Vi juízes darem instruções para os réus tão rapidamente que você acharia que estavam falando outro idioma. Os advogados lhe dão uma análise e dizem para você assinar um documento que você nunca viu antes. Quando você se dá conta, você está livre para ir. Ótimo! Mas, então, você recebe a conta para a restituição pelo correio e não lembra de ter concordado em pagar nenhuma restituição. Toda a experiência no tribunal pode ser muito confusa e atordoante. Até as pessoas sem desordem mental podem ter problemas para entender todo o processo legal. Eles

 

psicologia01.indd 228 22/02/2011 16:35:47 Capítulo 17: Compreendendo os Criminosos com a Psicologia Forense 229

realmente têm escolas inteiras dedicadas para entender o processo legal. São chamadas de escolas de Direito.

Neste país, um réu não consegue, a menos que seja capaz (competente), entender a natureza e a finalidade dos procedimentos sendo feitos contra ele, a menos que um réu também seja capaz de recorrer ao advogado ao apresentar uma defesa. Os especialistas forenses são utilizados para fazer essa determinação (problema mental atual ou doença e a competência para ir

Continuar: parte 12 de 16