Psicologia Para Leigos
01 Psicologia
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 16 partes.
desconhecidos de si mesmos.
Os terapeutas Gestalts esperam que o paciente fique no aqui e agora, não gastando tempo demais relembrando o passado ou preocupando-se com o futuro. Perls era famoso por desafiar agressivamente seus pacientes a ficarem no momento e terem sua experiência. Os terapeutas Gestalts podem repetir algo várias vezes até o paciente encarar o problema ou podem exagerar um ponto para aumentar a energia de uma sessão.
E por fim, os pacientes da terapia Gestalt deixam a terapia com um sentimento renovado de energia e finalidade. Eles são capazes de satisfazer com eficiência suas necessidades e adotar uma abordagem mais experimental
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da vida. Em grande parte, eles ficam mais conscientes – o segredo Gestalt para a boa vida!
Ficando em Paz com o Seu Ser:
Terapia Existencial
Nos anos 60, o Livro Tibetano da Morte tornou-se realmente popular entre os membros da contracultura (você sabe, os hippies). O livro é um manual de instrução budista para o que fazer quando morrer – ir para a luz, não ir para a luz, esse tipo de coisa. O livro e seu tema capturaram as imaginações de muitas pessoas, como a morte sempre parece fazer. A morte parece ter um efeito profundo na qualidade de nossas vidas. Se estamos encarando nós mesmos a morte ou lidando com a perda de alguém importante para nós, a presença pairante da morte quase provoca, invariavelmente, fortes emoções.
A
DIC
Entrando no nada
Se você já quis fazer uma viagem na obscuri- Nothingness (Ser e o Nada) de Jean Paul Sar-dade filosófica explícita concernente ao pro- tre. É como um manual de instrução de com-blema do ser ou não ser, leia On Being and putador para a filosofia existencial.
Um grupo de psicólogos da escola da psicologia existencial coloca o estágio central da morte entre os problemas mais importantes a discutir na psicoterapia. Além da morte, eles veem alguns problemas (ansiedade, liberdade e escolha) como muito básicos para nossa existência e no centro de muito do que chamamos de psicopatologia (problemas psicológicos). Assim, os existencialistas vão diretamente ao assunto relacionado à terapia colocando uma importância máxima em profundas questões filosóficas, tais como:
� Ansiedade.
� Morte.
� Culpa.
� Tempo.
� Transcendência.
Por que toda esta fascinação impertinente? Os terapeutas existenciais, tais como, Rollo May e Irvin Yalom, compartilhavam uma perspectiva filosófica que estava profundamente insatisfeita com o foco de muitos psicanalistas e outras formas de terapia. Eles acreditavam que nossos problemas mais importantes eram ignorados ou, no mínimo, eram indiretamente enfocados pelas formas de terapia, tais como, a Psicanálise e a terapia comportamental cognitiva. Especificamente, eles viam a terapia comportamental (veja o
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Capítulo 21: Ser uma Pessoa É Difícil: Terapias... 291
Capítulo 20 para saber mais sobre a terapia comportamental) como um exercício excessivamente estreito e técnico que não respeitava as lutas que todos nós encaramos em nossas vidas. Eles queriam fazer terapia com uma pessoa real sentando-se à frente de um indivíduo, examinando suas preocupações reais e problemas mais profundos. Parece que eles não queriam ser distraídos por teorias e modelos que desumanizavam a terapia, cujo cerne é um processo humano básico.
RE-SE A terapia existencial é mais uma posição filosófica do que uma técnica
LEMB específica. Porém, faz algumas contribuições únicas para a técnica, como
analiso posteriormente neste capítulo. No núcleo da Filosofia, está a suposição de que todos os seres humanos têm uma experiência central do “eu sou”. Essa experiência é o nosso sentimento básico de estar vivo e lutar para estar.
Expondo suas aflições
Então todos nós estamos lutando para entender o nosso sentimento mais verdadeiro do ser, nosso sentimento mais verdadeiro da existência ontológica. Ontologia é um ramo da Filosofia que se preocupa em determinar o que é real em nosso universo. Sinto-me real. Felizmente, você se sente real também. Se nós dois somos reais, ambos somos capazes de falar sobre nosso sentimento da existência ontológica, nosso sentimento de ser.
Sempre há um porém. Se há o ser, tem que haver o não ser. A experiência máxima de não ser é a morte. Quando encaramos a morte, nossa própria morte ou a morte de alguém, experimentamos ansiedade com o pensamento de não ser, de não existir mais.
RE-SE As terapias existenciais tendem a focar nas diferenças entre a ansiedade
MB normal ou saudável de um paciente e o que chamamos de ansiedade
LE neurótica.
� A ansiedade normal vem da luta para ser e de encarar as ameaças ao
nosso ser. Espere um minuto, ansiedade normal? Antes de eu começar a
aprender sobre a abordagem existencial, eu sempre achei que a
ansiedade era uma coisa muito ruim. É muito ruim e pode atrapalhar a
realização de muitas coisas.
A ansiedade saudável é a ansiedade que é proporcional à situação e não
fora de controle. Portanto, a ansiedade saudável não precisa ser
reprimida porque é gerenciável e realista. Também é construtiva e útil.
Se estou ansioso devidamente com o meu teste, posso sentar-me e
estudar para passar. Minha ansiedade pode motivar-me. Muitos de nós
podemos relacionar a ansiedade como estando no centro de muito do
que fazemos. “Tudo bem”, dizem os existencialistas, contanto que sua
ansiedade esteja trabalhando para você e não seja exagerada.
� A ansiedade neurótica tem duas qualidades que funcionam contra nossa
realização do ser e nos impede de nos engajarmos totalmente no
mundo à nossa volta.
� É desproporcional à situação prestes a acontecer. Tendo medo
de falhar, muitos alunos de faculdade ficam emocionados e
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ansiosos ao fazerem grandes exames. Para muitas pessoas, fracassar em um exame é um grande problema, mas ficar ansioso com o exame é bom, contanto que não exagerem. A ansiedade se torna um problema quando é desproporcional à situação. Se estou tão ansioso a ponto de achar que irei morrer se falhar, a ansiedade definitivamente se tornou um problema e, existencialmente falando, está sem equilíbrio.
� É destrutiva. Continuando com o exemplo do exame, toda essa
ansiedade pode deixar os estudantes doentes fisicamente. Se eles estão doentes, não conseguem estudar. Se eles não estudam, fracassam. Sua ansiedade foi improdutiva. A ansiedade neurótica deve ser tolerada quando aparece, mas deve ser eliminada na medida do possível. Também tendemos a reprimir ou “obstruir” nossa ansiedade neurótica em nossa inconsciência, em uma tentativa de lutar contra ela. A ansiedade é dolorosa e quando algo é doloroso, muitos de nós tentamos esquecer que existe.
RE-SE A culpa é um outro fenômeno existencial principal. A culpa é um conceito
LEMB importante em nossa sociedade e, acho, na maioria das outras também. Os
existencialistas não são padres que buscam absolver seus pacientes da culpa, mas ajudam seus pacientes a focarem nos problemas da culpa quando se relacionam à experiência completa do ser. Há dois tipos de culpa:
� A culpa normal surge de duas situações:
� Falhar em se engajar devidamente no comportamento ético. Este
tipo de culpa aparece quando você realmente faz algo errado segundo seus próprios padrões éticos e morais e de seu grupo social.
� Falhar em conviver com nossas próprias expectativas. Acho que
esta geralmente é subestimada na psicoterapia. Os indivíduos geralmente falam sobre deixar os outros mal. Muitas pessoas realmente vêm para a terapia porque deixaram alguém mal com a infidelidade, o abuso físico etc. Mas e os meus próprios padrões para mim mesmo? Como devo sentir-me quando me sinto mal? Culpado!
� A culpa neurótica é a culpa que vem de nossas fantasias temerosas de
ter feito mal a alguém quando realmente não fizemos. Você tem medo
de dizer a alguém o que realmente pensa por medo de magoar seus
sentimentos? Isso é ótimo. Mas, você tem medo de que magoou os
sentimentos de alguém mesmo quando tem certeza de que não
magoou? Isso é uma transgressão fantasiada – uma infração criada ou
imaginada que nunca ocorreu.
Estando no aqui e agora
Até o momento, muitas pessoas ansiosas e culpadas estão por aí, entrando em contato com o seu ser. Isso parece existencial, não parece? Quando penso no conceito do “ser”, sempre penso nas cafeterias cheias de fumaça com poetas pacifistas, ostentando cavanhaques, chapéus e óculos, e recitando poesias sobre a nobreza de uma barata. “Elas estão vivas, cara! Suas pernas são tão curtas que não conseguem nada, exceto ficar na terra. Elas correm com prazer,
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nunca se preocupam com dinheiro ou orgulho; elas estão apenas procurando sua próxima refeição, cara”. Desculpe-me, não pude evitar, mas meu pequeno poema existencial mostra a ideia de que há uma originalidade na simplicidade da barata. Elas parecem focadas no que realmente importa; para elas, é a comida. Elas não são distraídas pela culpa neurótica ou pela ansiedade. Elas são o que os terapeutas existenciais chamam de estar no mundo.
Olá, Dali!
Há uma famosa pintura de Salvador Dali cha- pintura vem da representação de Dali do tem-mada A Persistência do Tempo. Uma história po usando um relógio fino dobrado sobre di-rápida: Minha esposa e eu fomos a Paris, ferentes objetos, assim como você dobra as França, para ver algumas pinturas. Fomos ao roupas sujas sobre as costas de uma cadeira. Museu Salvador Dali para ver essa pintura e Não sou um crítico de arte, mas peguei isso alguns de seus outros trabalhos. Quando che- para simbolizar a flexibilidade do tempo – gamos, não estava lá! Estava em uma galeria não é frágil; não quebra; apenas se dobra. O em St. Petersburgo, Flórida. Não pudemos tempo se dobra sobre tudo e nada escapa acreditar. St. Petersburgo? Sem essa! De dele. Bem, Sr. Dali, provavelmente os existen-qualquer modo, a minha fascinação por essa cialistas teriam concordado.
Os terapeutas existenciais tentam entender a experiência de seus pacientes e como eles “estão no mundo”. Há três níveis importantes deste ser:
� Umwelt: Estar no meio ou dentro do ambiente de alguém e do mundo
externo dos objetos e das coisas
� Mitwelt: Estar dentro do mundo social de alguém
� Eigenwelt: Relacionar-se consigo mesmo
O ser é maximizado quando estamos em contato com cada um desses níveis em um grau suficiente, engajando-se em cada nível sem a experiência da ansiedade neurótica ou culpa. Lembre-se da barata – ela não é culpada, cara!
Estar no mundo inclui nossa experiência do tempo. O tempo é um fato absoluto em nossas vidas. É um dado existencial. O tempo continua independente se tentamos ou não resistir a ele. O segredo para os existencialistas é cada um de nós aprender a viver no presente e no futuro imediato. Não devemos perder nosso tempo nos preocupando com o passado. Devemos nos comprometer com o presente, percebendo que o tempo apenas nos move para mais perto de nossas mortes inevitáveis e que a vida é o que se faz dela. Faça a vida ou ela fará você, eu acho.
Uma questão existencial final importante que serve como fundo para a prática real da psicoterapia existencial é o conceito da transcendência. Se você não estava deprimido antes de começar a ler este capítulo, pode estar agora. Toda essa conversa sobre morte, tempo, ansiedade e culpa não é muito divertida. Contudo, nem tudo está perdido. Os existencialistas veem uma saída. A transcendência envolve tentar perceber o nosso ser. É o ato de viver a vida sem estar demasiadamente ansioso ou doente, e lutar para transcender o passado e crescer em direção ao futuro.
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A A imaginação humana e a nossa habilidade de pensar abstratamente são
DIC ferramentas poderosas nesta luta cósmica. “Abstrair” algo é removê-lo ou
extraí-lo. Podemos ir para além dos limites de nossa situação imediata com a habilidade de pensar ou nos imaginar como fora desses limites. Nossa habilidade de nos separar pensando criativamente cria um tipo de espaço psicológico. Podemos prever possibilidades. Contanto que sejamos capazes de imaginar alternativas e outras possibilidades, podemos continuar a lutar para ser. Este poder é crucial para o conceito existencial de liberdade. Também me parece ser esperança.
Além de enfocar a ansiedade e a culpa, no núcleo de toda a terapia existencial está a luta do paciente com estes quatros problemas existenciais:
� Morte
� Liberdade
� Isolamento
� Falta de sentido
Exatamente quando você pensa que se livrou de uma discussão sobre a morte, ela volta novamente. Eu fico, com frequência, me perguntando se os existencialistas eram obcecados pela morte. Na terapia, eles enfatizam que a psicopatologia e os problemas de viver são resultado da incapacidade de um paciente em transcender a ideia da morte. Não há escapatória. Estamos em conflito – queremos viver, mas sabemos que iremos morrer. Saber que irei morrer pode levar-me ao desespero. Posso pensar: “Se vou morrer, por que devo tentar?”. A terapia existencial ajuda os pacientes a encararem o fato da morte sem desespero.
RE-SE Depois de trabalhar em cadeias e prisões, comecei a gostar realmente de uma
LE MB coisa – a minha liberdade. Os psicólogos existenciais enfatizam a importância do conceito de liberdade na vida de um paciente. Eles não acreditam que uma
estrutura absoluta para o universo está esperando para ser descoberta. Todos nós compomos a estrutura quando prosseguimos. Para alguns de nós, a liberdade parece um fardo. A liberdade requer que tenhamos responsabilidade por todas as nossas ações e significa que não temos ninguém, exceto a nós mesmos, para culpar quando as coisas dão errado. A parte boa: podemos ter o crédito total quando as coisas dão certo.
Para o caso de você pensar que pode achar uma brecha nos existencialistas e não ter que encarar cada fato sórdido da vida, eles inserem o isolamento para uma boa medida. Muitas pessoas acham que a proteção contra a hostilidade do mundo é o companheirismo. Em nosso íntimo, percebemos que estamos essencialmente sozinhos e que morreremos sozinhos. Tentamos superar esse fato tentando nos mesclar com os outros. Quando buscamos uma fusão no extremo, engajamo-nos na relação insincera, usando as outras pessoas como um meio para nosso fim (terminar com o isolamento). Quando nossas identidades são muito dependentes dos outros, podemos acabar sentindo como se não existíssemos sem a outra pessoa. Ansiamos pelo reconhecimento. Supere isso! Você está sozinho e não há nada que possa fazer quanto a isso!
Qual é o significado da vida? Não vá até um psicólogo existencial para obter a resposta para essa pergunta. Cada um de nós deve criar nossos próprios significados, construir algo dessa massa de confusão sem sentido. Quando
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Capítulo 21: Ser uma Pessoa É Difícil: Terapias... 295
usamos de modo adaptativo e criativo nossos desejos para construir significado para nós mesmos, estamos no caminho certo.
Paciente: Há algum tempo que quero ter um novo trabalho, mas parece
que não consigo encontrar nada.
Terapeuta: Você está procurando?
Paciente: Não exatamente.
Terapeuta: Então, como você pode dizer que não consegue encontrar
nada quando não está procurando? Você quer de verdade um outro
trabalho para realmente procurar um?
Paciente: Não sei. Acho que apenas quero ser tratado com mais
respeito no trabalho.
Terapeuta: Então, o que você realmente quer é respeito, e não um outro
trabalho.
Paciente: Respeito é importante.
Terapeuta: Para quem?
Paciente: Respeito é importante para mim. Eu quero.
Depois de o paciente ficar consciente do que deseja, o terapeuta o ajuda a remover qualquer obstáculo ou bloqueio para a ação. O terapeuta também salienta que o paciente toma decisões todos os dias, mesmo quando não percebe. Se você está fazendo seu próprio caminho, abra caminho. Eis uma expressão existencial: Sou uma máquina de tomada de decisão insípida, má e que encara os fatos existenciais.
Quando começamos a usar mecanismos de defesa para nos proteger do que podemos, algumas vezes, ao sentirmo-nos como sendo um abismo de verdade existencial, podemos ter problemas. Algumas vezes, temos que:
� Desenvolver um sentimento inconsciente de ser especial ou onipotente
para evitar o desconhecido. Irvin Yalom salienta que esse
desenvolvimento pode levar a ser egoísta e até paranoico. Já conheci
um homem que achava que era Jesus Cristo. Disse-lhe que eu tinha
acabado de encontrar Jesus Cristo em uma sessão de terapia anterior
com outro paciente e estava muito seguro de que poderia haver apenas
um. Ele insistiu que era ele. Deve ter havido muito vazio ou falta de
sentido na vida desse paciente.
� Acreditar em um “salvador” máximo. Indulgência demais neste tipo de
pensamento pode levar à dependência. Esta é uma impossibilidade na
terapia existencial. É fugir do problema e serve como uma desculpa
ruim para enfrentar os fatos existenciais. Cara, os existencialistas nem
mesmo me deixarão carregar meu ursinho todo-poderoso. Abraços.
Acho que teremos que seguir sozinhos. Os existencialistas tiram a
diversão de tudo.
Reivindicando responsabilidade
Com toda esta conversa sobre ser, você pode começar a se perguntar se os terapeutas existenciais fazem alguma coisa além de filosofar. A terapia
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existencial incorpora as questões centrais na terapia e as usa para guiar o foco do terapeuta no tratamento. Os terapeutas existenciais :
� Ajudam seus pacientes a agirem intencionalmente e com
responsabilidade diante dos fatos existenciais
� Ouvem os temas existenciais e os apontam para os pacientes quando
acham que o paciente está se espreitando sob algum dilema trivial ou
sintoma psicológico
� Exploram esses temas existenciais e apontam os modos
comprometedores e inadaptados dos pacientes de lutar com eles.
� Preparam-se para ajudar os pacientes a desenvolverem
comportamentos de luta mais adaptados
� Esperam que os pacientes criem suas próprias vidas e mundos através
da ação e da escolha
� Esperam que os pacientes exercitem sua vontade ao tomarem decisões
sem serem impulsivos ou compulsivos demais.
Agir impulsiva e compulsivamente não são abordagens ativas para
viver em um sentido existencial. As abordagens ativas são ações
pensadas, deliberadas e responsáveis, e as abordagens ativas são o
que os existencialistas procuram. Os existencialistas enfatizam uma
ação responsável sem a necessidade de acatar alguém à nossa volta
para tomar as nossas decisões. Por isso, os terapeutas existenciais
podem, algumas vezes, ser frustrantes para um paciente porque o
terapeuta se recusa a entrar em uma interação do tipo receptor e
emissor de cuidados.
A Se você tem problemas para “confessar” as circunstâncias de sua vida e
DIC aceitar a responsabilidade por elas, a terapia existencial poderá ajudar. Ela
inclui uma expectativa de ser dono das experiências, incluindo sentimentos, pensamentos e comportamentos. Um modo de demonstrar essa posse é os pacientes aprenderem a dizer eu em vez de você, ao falarem sobre suas experiências. Veja este exemplo:
Paciente: Há pessoas em sua vida que você ama, e quando elas te
magoam, isso fica em você.
Terapeuta: Quero que você pratique dizer eu em vez de você. Por
exemplo, em vez de dizer: “Há pessoas em sua vida”, tente dizer: “Há
pessoas em minha vida que eu amo e quando elas me magoam, isso fica
em mim”.
Paciente: Há pessoas em minha vida...
Terapeuta: Bom. Como você se sente?
Paciente: Isso te deixa triste.
Terapeuta: Isso me deixa triste?
Paciente: Não, isso me deixa triste.
Terapeuta: Você se sente triste.
Paciente: Sim.
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Capítulo 21: Ser uma Pessoa É Difícil: Terapias... 297
Espero não ter pintado um quadro frio demais da terapia existencial. A verdade é que a terapia existencial é uma das terapias mais otimistas por aí. Ela não parece à primeira vista porque funciona ao inverso. Em vez de usar a esperança nas coisas externas, tais como, outras pessoas e forças sobrenaturais, ela leva os pacientes para dentro, em direção a eles mesmos, ajudando-os a gerar esperança a partir das mínimas ações. Com cada etapa que realizamos, estamos exercitando nossa esperança de que o chão não cairá abaixo de nós. É um salto de fé facilitado através de uma ação voluntária. Tirando os pacientes da base da existência, os existencialistas mostram como todo pensamento, sentimento e comportamento é um ato de vontade que demonstra a presença do seu ser – sua luta para existir, sobreviver e ser.
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Capítulo 22
Lutando com o Estresse
e a Doença
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Neste Capítulo
Vivendo sob pressão
Mantendo junto
Ficando doente
Ficando saudável
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Todo ano, mais ou menos na mesma época, eu fico doente. Nunca falha. Chega outubro, e eu fico resfriado. É o tempo? É uma maldição cósmica? Em algum lugar no tempo, fiz uma conexão entre ficar doente e estresse. Quando eu estava na escola, era o estresse da metade do trimestre. Agora, é o estresse das férias. Algo diferente estressa cada um de nós e alguns de nós podem até ficar doentes fisicamente como resultado.
Os psicólogos vêm trabalhando muito ao longo dos anos tentando descobrir o que estressa as pessoas. Nos últimos vinte anos ou mais, eles começaram a usar seu conhecimento do comportamento humano e processos mentais para aprender mais sobre o que deixa as pessoas doentes e como elas lutam com a doença. Neste capítulo, apresento os conceitos do estresse e da luta, e o campo crescente da Psicologia da Saúde.
Enfatizando as Definições
O que é estresse? Quando a maioria das pessoas fala em estresse, elas falam sobre coisas ou eventos que as estressam – trabalho, dinheiro, contas, chefes etc. O mundo ocidental é um lugar muito estressante. As tensões e o ritmo da vida moderna parecem afetar a todos em um momento ou outro. Algumas vezes, até as máquinas que temos para tornar nossas vidas mais fáceis complicam as coisas. Alguém me deu um pequeno computador de mão para organizar a minha vida. Passei mais tempo tentando descobrir como operar a coisa do que organizando a minha agenda. Parece ser mais rápido simplesmente escrever as coisas em uma agenda do que se meter com um
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computador. O problema é que quando eu tinha uma agenda, eu nunca realmente escrevi nada nela.
Todos nós temos estresse. As definições de estresse têm variado de descrições das reações corporais até o nosso modo de ver o estresse. Em 1997, Lavallo definiu o estresse como uma tensão corporal ou mental para algo que nos tira o equilíbrio, física ou mentalmente. Quando temos equilíbrio, estamos mantendo uma estabilidade entre nossos mundos e nós mesmos. Walter Cannon, em 1939, chamou esse conceito de homeostasia. Sentimo-nos estressados quando estamos fora do equilíbrio homeostático. Basicamente, o estresse é uma mudança.
Hans Selye nos deu uma das teorias mais famosas do estresse. Sua teoria foi baseada em algo que ele chamou de síndrome da adaptação geral (SAG). A ideia é que quando somos confrontados com algo que ameaça nosso equilíbrio físico ou mental, passamos por uma série de mudanças:
� Estágio de alarme: Nossa reação inicial a qualquer coisa que esteja nos
estressando, é chamada de pressionador. Nossos cérebros e hormônios
são ativados para fornecer a nossos corpos a energia que precisamos
para responder ao pressionador.
� Estágio de resistência: A ativação do sistema do corpo mais adequado
para lidar com o pressionador. Se o pressionador requerer que eu corra,
como se eu estivesse sendo caçado por uma matilha de cães selvagens,
meu sistema nervoso e hormônios asseguram que eu tenha sangue
suficiente bombeando em minhas pernas para realizar a tarefa. E mais,
uma energia extra é fornecida ao meu coração, de modo que ele possa
bombear o sangue mais rapidamente. É um belo sistema – que design!
� Exaustão: O estágio final. Se o sistema corporal ativado no estágio de
resistência realizar a tarefa, nossa viagem na SAG termina, mas se o
pressionador continuar, entraremos neste estágio final. Quando
estamos cansados, nossos corpos não são mais capazes de resistir ao
estresse e eles ficam vulneráveis à doença e ao colapso.
Nossos corpos não são as únicas coisas que trabalham quando estamos estressados. Várias respostas cognitivas (pensamento) e emocionais também estão em atividade. Arnold Lazarus afirmava que durante os momentos de estresse, passamos por um processo de análise emocional. É como ter um pequeno psicólogo dentro de nossas cabeças. Nós nos perguntamos para determinar a importância atual do problema e sua importância para o futuro. Como este estresse funciona? Fazemos duas verificações ou avaliações importantes – verificações primárias e secundárias.
RE-SE Nas situações mais estressantes, algo importante está em jogo; do contrário,
LE MB não estaríamos estressados. A avaliação “do que está em jogo” é a nossa
verificação primária da situação. Neste estágio, as situações são classificadas em uma das três categorias:
� Ameaça: Um exemplo de uma situação ameaçadora é uma situação que
requer uma resposta. Se eu estou na fila da mercearia e alguém entra na
minha frente, não sou forçado a responder. Mas se o cara me pega pela
camisa e ameaça me chutar no traseiro se eu não deixá-lo ficar na
minha frente, tenho que responder de um modo ou de outro. Como, por
exemplo, correr!
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Capítulo 22: Lutando com o Estresse e a Doença 301
� Dano-perda: Uma situação de dano e perda pode envolver ficar
machucado de algum modo - física, mental ou emocionalmente. Um golpe
em meu orgulho pode ser visto como uma situação de dano e perda.
� Desafio: Também posso olhar uma pessoa ameaçadora diretamente nos
olhos e ver sua ameaça como um desafio. Em vez de ver a situação em
termos de perigo, posso vê-la como uma oportunidade para
experimentar as lições de judô que venho tendo.
Depois de eu descobrir o que está em jogo, avalio os recursos que tenho disponíveis para lidar com a situação. Esta é a verificação secundária. Posso dar uma olhada em minha experiência anterior com esse tipo de situação. O que eu fiz quando isso aconteceu antes? Também vejo como me sinto comigo mesmo. Se eu me vir como um cara capaz, provavelmente ficarei menos estressado.
Hamilton via o estresse como algo mais que a situação real. A filosofia de Hamilton era que tudo depende de como você vê. O estresse não é uma situação. É uma consequência de como uma situação e a resposta de uma pessoa a essa situação interagem. Se eu for chamado para fazer o lançamento na base do nono ataque nas finais de beisebol e me sair bem, provavelmente ficarei menos estressado. Mas, e se eu desperdiçar? Se eu desistir de vencer a rebatida, você pode apostar que sentirei estresse, sem mencionar temer a fila de desemprego. Se sou deficiente em minhas respostas de competição, muito provavelmente me sinto estressado.
O estresse pode também ser um produto de quanto controle penso que tenho sobre os eventos e as situações. Sells propôs que o estresse surge quando as pessoas não têm uma resposta adequada a uma situação e as consequências da falha são importantes. Ver a nós mesmos como tendo pouco ou nenhum controle pode ter consequências psicológicas e físicas negativas.
Você é o “mestre do seu domínio”? Lembro de um desenho animado de minha infância chamado He-Man e o He-Man tinha uma frase que ele gritava quando estava pronto para vencer: “Eu tenho a força!”. Não seria ótimo se eu pudesse simplesmente gritar que estou pronto para enfrentar o mundo e os caras ? Em 1982, Mandler definiu o domínio como o pensamento ou a percepção de que as coisas no ambiente de um indivíduo podem ser colocadas sob seu controle. Parece o He-Man para mim.
Enfatizando os tipos
Então, o estresse não é apenas uma situação. É como lutamos, pensamos e nos sentimos sobre uma situação. Isso explica por que algumas coisas nos estressam e outras não, e por que alguns de nós ficamos estressados com algumas coisas e as outras pessoas não. Contudo, algumas situações são bem estressantes para a maioria das pessoas. Algumas coisas que a maioria de nós acha estressantes são:
� Pressionadores extremos: Os eventos que ocorrem raramente e que
são extremamente estressantes, tais como, desastres naturais,
desastres provocados pelo homem (como, por exemplo, um vazamento
de óleo), guerra, terrorismo, migração e observar outras pessoas
ficarem machucadas.
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� Pressionadores de desenvolvimento e psicossociais: Os eventos que
ocorrem quando você cresce e muda – casamento, nascimento de
criança, criação dos filhos, cuidar de uma pessoa doente e ser
adolescente.
� Pressionadores comuns: As coisas com as quais você lida na vida
diariamente – vida urbana, perder um trabalho, aborrecimentos diários
(como, por exemplo, dirigir para o trabalho), pressão no trabalho e
tarefas domésticas.
Os psicólogos Holmes e Rahe criaram uma lista de eventos estressantes chamada de escala de classificação de reajuste social. Eles viram diferentes eventos estressantes e atribuíram um valor de pontuação a cada um deles – quanto mais alto for o valor de pontuação, mais estressante é o evento. Eis os cinco principais:
Evento Valor em pontos
Morte de um cônjuge 100
Divórcio 73
Separação marital 65
Sentença de prisão 63
Morte de um membro próximo da família 63
Se você está se perguntando quais são os cinco eventos menos estressantes, eles são (em ordem decrescente): mudar a quantidade de encontros familiares, mudar os hábitos de alimentação, férias, Natal e violações menores da lei.
Ficando doente por estar preocupado
Ouvi pessoas dizerem que prosperam com o estresse ou que fazem seu melhor trabalho quando estão sob pressão. A pesquisa mostra que provavelmente isso não é muito verdadeiro. O estresse pode ter muitos efeitos graves em nós e, geralmente, se trabalhamos bem sob pressão, faremos ainda melhor quando não estamos sob estresse.
RE-SE Conforme os pesquisadores aprendem mais sobre o estresse, um fenômeno
LE MB psicológico e biológico, a conexão entre o estresse e a doença, psicológica e
física, tornou-se impossível de ser negada.
Psicológica
Um dos resultados psicológicos mais conhecidos da exposição ao estresse extremo é a desordem de estresse pós-traumática (DEPT). A DEPT pode ocorrer quando uma pessoa é exposta a uma situação que ameaça a vida ou uma situação que pode envolver um dano sério. Guerra, acidentes de carro, colisões de avião, estupro e assalto físico são exemplos de situações que podem causar a DEPT. Os sintomas incluem adormecimento emocional, culpa, insônia, concentração debilitada, fuga de eventos e lembranças relacionados ao trauma, e despertar psicológico excessivo (hiperatividade devido ao medo). Muitos veteranos da guerra do Vietnã retornaram para a
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Capítulo 22: Lutando com o Estresse e a Doença 303
casa com DEPT. Durante a Segunda Guerra Mundial, a DEPT era chamada de neurose de guerra.
Você já parou para pensar sobre como deve ser a profissão de um bombeiro, policial ou médico de emergência? A quantidade de mortes e destruição que eles veem todos os dias deve ser estressante. Segundo a pesquisa, é. As pessoas em ocupações muito estressantes têm um risco aumentado de desordem traumática do estresse secundária (DTES). Os sintomas da DTES são exatamente como os da DEPT, mas em vez de os portadores encararem pessoalmente um estresse nocivo e uma ameaça a suas vidas, eles recebem uma “exposição indireta” a esses estresses. Em outras palavras, estão em volta de pessoas que estão expostas às situações nocivas e que ameaçam a vida o tempo todo, e isso tem o seu preço. As pessoas que testemunham um evento e sentem medo, horror ou desamparo, podem correr o risco de desenvolver a DTES.
Física
Hans Selye observou as conexões entre estresse, problemas mentais, dificuldades de ajuste, problemas de saúde físicos e doença. Ele achava que as mesmas coisas que nos ajudam a lutar contra o estresse, algumas vezes, também podem levar à doença. Quando nossos corpos e mentes reagem ao estresse, as reações não diminuem imediatamente. Na verdade, quando Selye executou os experimentos com pombos estressados, ele descobriu que muitos pombos morreram depois de seus experimentos de estresse, mesmo que eles “lutassem” bem. Ele identificou várias condições que ele chamou de “doenças da adaptação”, inclusive úlceras digestivas, pressão alta, acidentes do coração e “distúrbios do nervo”.
DO! Com base no trabalho de Selye e outros, descobrimos que o estresse pode
CU IDA levar a problemas de saúde físicos ou à doença de várias maneiras. Uma ligação indireta entre o estresse e os problemas de saúde físicos pode
envolver pessoas que se engajam em comportamentos fisicamente nocivos em potencial como um meio de lutar contra o estresse. Muitas pessoas bebem álcool quando estão estressadas. Beber álcool pode ser prejudicial para sua saúde, especialmente se você beber e dirigir. Um outro comportamento perigoso geralmente associado ao estresse é o fumo aumentado. Ouvi dizer que muitos pacientes falam sobre fumar como um modo de relaxar. Mas é tão prejudicial à saúde!
Uma outra ligação entre o estresse e a doença física vem do novo e excitante campo da psiconeuroimunologia, o estudo da conexão entre a Psicologia e o sistema imunológico. Os pesquisadores suspeitam, já há algum tempo, que há uma conexão entre os dois, e realmente há. Os altos níveis de estresse e emoções intensas foram descobertos como suprimindo o funcionamento de nossos sistemas nervosos. Realmente, não há um diagnóstico bem definido de todos os prós e os contras, mas a suspeita é que as reações de luta de nosso corpo ao estresse têm um custo no departamento da imunidade.
Já ouviu falar sobre a resposta lute ou corra? Walter Cannon mostrou que a exposição ao estresse extremo faz com que decidamos se iremos sair correndo ou aguentar e lutar. Parece animal, mas você também pode ver como uma escolha entre se afastar ou gritar com alguém. De qualquer modo, essas ações de proteção requerem energia. Correr de alguém pode ser cansativo! Portanto, o cérebro envia sinais para o coração e o sistema hormonal que faz com que nossa pressão sanguínea aumente. Nossos
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corações disparam, respiramos mais rapidamente e os níveis de açúcar aumentam em nosso sangue. Quando essas mudanças ocorrem, todos os recursos vitais do corpo são dedicados ao momento. Os recursos das outras áreas são usados para a finalidade imediata de lutar ou fugir.
Voltando ao sistema imunológico. Os hormônios que iniciam quando estamos no modo ‘lute ou corra’ são a epinefrina e o cortisol. Ambos os hormônios mostraram-se como tendo efeitos imunossupressivos. Se níveis mais altos de epinefrina e cortisol estiverem presentes no fluxo sanguíneo, o sistema imunológico não funcionará também. Se você pensar, faz sentido. Se um urso está caçando você, a última coisa que passa pela sua mente é pegar uma gripe. Esqueça a gripe – você não pode ficar gripado se o urso arrancar a sua cabeça! Salve a sua cabeça e você poderá lidar com a gripe depois.
Provavelmente, você está dizendo: “Sim, mas não fui caçado por um urso nos últimos cinco anos, portanto, por que parece que ainda fico doente com o estresse?”. Você fica doente pela mesma razão pela qual eu costumava ficar doente durante toda semana de exame da metade do trimestre na faculdade. Vivemos em uma época estressante, mas não é o mesmo tipo de estresse que correr de ursos todo dia produziria. O estresse moderno geralmente é crônico e inferior. Sempre está lá, constantemente corroendo nossos sistemas imunológicos porque nossos sistemas ‘lute ou corra’ estão em alerta médio na maioria das vezes. Portanto, em vez de irmos de nenhum alerta (relaxado) ao alerta alto (ataque do urso), a maioria de nós está no alerta médio (discussões diárias, trabalho, contas, crianças etc.) o tempo inteiro. Ele está lentamente cobrando o seu preço de nossas funções do sistema imunológico.
Além da conexão entre nossos sistemas imunológicos e o estresse, relações entre o estresse e doenças específicas foram descobertas. As fortes emoções negativas, tais como, raiva, hostilidade crônica e ansiedade, foram conectadas à hipertensão, úlceras, artrites reumatoides, dores de cabeça e asma.
RE-SE Um ponto final que vale a pena mencionar lida com algo chamado de
LE MB personalidade Tipo A – um padrão de personalidade caracterizado por uma luta agressiva e persistente para conseguir cada vez mais, em cada vez menos
tempo. Essas pessoas são os “reais empreendedores”. Elas são os executivos das empresas que constroem uma empresa do tipo Fortune 500 do zero, os workaholics milionários e os alunos de faculdade hipercompetitivos conduzidos pela perfeição. Elas são muito impacientes e veem tudo como sendo urgente. E daí? Essas pessoas podem ser muito bem-sucedidas, certo? Sim, mas podem também ter um risco mais alto de sofrer de uma doença coronária – enrijecimento das artérias, angina ou ataques do coração. Antes de você desistir da escola e fazer das caminhadas relaxantes na praia o seu trabalho de tempo integral, lembre-se de algo. A relação entre as personalidades do tipo A e o desenvolvimento da doença coronária não é uma para uma. A pesquisa mostra que há um aumento no risco; o desenvolvimento desses problemas de saúde não é inevitável.
CU IDA DO! O risco significa que essas pessoas precisam ter cuidado e estar conscientes dos fatores que contribuem e dos sinais de aviso. Leia sobre doença coronária se você estiver preocupado (verifique o livro Coração Saudável
para leigos de Hungry Minds, Inc.), e se estiver realmente preocupado, vá ver seu médico de família.
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Lutar não É um Jogo
Estresse, estresse, estresse – todos nós entendemos. Portanto, o que podemos fazer sobre isso? Essa pergunta nos leva ao conceito de luta – nossas reações para as situações estressantes e angustiantes. Algumas vezes, nossas estratégias de luta podem tornar as coisas piores (tais como, estourar o nosso salário em um cassino). Todos nós temos modos diferentes de lutar contra o estresse, alguns deles bons e outros ruins. Mesmo que as habilidades de luta ruins possam levar a problemas, não ter nenhuma habilidade de luta pode levar à vulnerabilidade e, algumas vezes, a mais problemas do que você tinha anteriormente. Outras vezes, usar técnicas de luta ruins é melhor do que não lutar.
Não seja tolo; aprenda a lutar
A maioria dos psicólogos classifica os comportamentos de luta em duas grandes categorias, processos de abordagem e processos de fuga. A luta de abordagem é mais ativa e lembra mais um tipo de resposta ‘assumir o
A controle’ para o estresse:
DIC
As respostas comuns da luta de abordagem incluem:
� Análise lógica: Ver uma situação em termos reais o máximo possível.
� Reavaliação e recomposição: Ver uma situação de uma perspectiva
diferente e tentar ver o lado positivo das coisas.
� Aceitação da responsabilidade: Assumir a responsabilidade de minha
parte nas coisas.
� Busca de guia e suporte: Pedir ajuda (veja a seção “Tudo, exceto a pia
da cozinha: Recursos à sua disposição”, posteriormente neste capítulo).
� Solução de problemas: Propor alternativas, fazer uma escolha e avaliar
os resultados.
� Reunião de informações: Reunir informações adicionais sobre o
pressionador para que se possa lutar mais facilmente.
DO!
IDA As estratégias de luta da fuga são menos ativas e envolvem lutar de maneira
CU menos direta. As estratégias comuns de luta da fuga são:
� Negação: Recusar-se em admitir que o problema existe.
� Escape: Escapar das possíveis fontes de estresse.
� Distração ou busca por recompensas alternativas: Tentar ter
satisfação em outro lugar, como, por exemplo, assistir a um filme
engraçado quando se sentir triste, ou divertir-se com atividades de
recreação no final de semana para lutar contra o fato de ter um
emprego ruim.
� Expressão ou descarga emocional: Gritar, ficar deprimido, preocupar-se.
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� Tranquilização: Paralisar a si mesmo contra o estresse através de
drogas, álcool, sexo, comer com voracidade etc.
Tudo, exceto a pia da cozinha:
Recursos à sua disposição
A luta é mais do que apenas as ações que tomamos em resposta ao estresse. O modo como lutamos também depende dos recursos disponíveis para nós. Um bilionário que perde seu emprego pode experimentar muito menos estresse do que um diarista desempregado repentinamente que ganha $30 ao dia. Nossas respostas ao estresse são reações complexas que dependem de nossas habilidades de luta, recursos ambientais e recursos pessoais. Qualquer evento da vida que uma pessoa encontra é influenciado pela interação dos pressionadores contínuos de sua vida, recursos de luta sociais, características demográficas e recursos de luta pessoais. E mais, as verificações cognitivas da influência do pressionador feitas pela pessoa influenciam sua saúde e bem-estar de maneira positiva e negativa. Todas essas abordagens juntas representam uma abordagem integrativa, que leva em consideração os recursos que um indivíduo possui anterior a um pressionador ou evento estressante, o evento em si, e a verificação do evento em uma tentativa de prever o resultado da saúde diante do pressionador.
A A habilidade de um indivíduo de resistir ao estresse é chamada de resiliência.
DIC Nossa resiliência é o resultado da interação entre nossos recursos pessoais e
sociais, e nossos esforços de luta. Os recursos de luta pessoais incluem os traços estáveis da personalidade, crenças e abordagens da vida que nos ajudam a lutar:
� Autoeficácia: Minha crença em mim mesmo de que eu posso lidar com
uma situação com base em minha experiência.
� Otimismo: Ter uma visão positiva do futuro e esperar resultados
positivos.
� Lugar interno de controle: Minha crença de que certas coisas estão
dentro, não fora, de meu controle.
Um tipo de recurso ambiental que é útil na luta são os nossos recursos sociais.
LE MB RE-SE Eles ajudam na luta ao fornecer suporte, informação e sugestões de solução de problemas. Segundo Holohan, Moos e Schaefer, alguns recursos sociais
bons são a família, amigos, pessoas importantes, organizações religiosas e espirituais, e algumas vezes, até colegas de trabalho e supervisores. Outros recursos ambientais incluem dinheiro, proteção, serviços de saúde e transporte. Essas coisas podem fazer toda a diferença do mundo quando tentamos lutar contra o estresse.
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Indo Além do Estresse:
A Psicologia da Saúde
A esta altura, a conexão entre estresse, luta e problemas de saúde é bem clara. Mas, os psicólogos não pararam aí. Eles estão tentando aplicar sua especialidade no comportamento humano e nos processos mentais nos problemas da saúde em geral. Eles estão procurando formas de manter as pessoas bem fisicamente e as maneiras como o comportamento das pessoas contribui para a doença. Esses pesquisadores trabalham no campo da Psicologia da Saúde – o estudo psicológico da saúde e da doença.
Os psicólogos da saúde trabalham em todos os tipos de ambientes, variando desde universidade (conduzindo a pesquisa) até clínicas e hospitais, que envolve o cuidado direto dos pacientes. Suas principais atividades incluem ajudar as pessoas e as famílias a lutarem contra a doença e desenvolver programas para se engajar na mudança de comportamento relacionada à saúde, mantendo um estilo de vida saudável e prevenção.
Prevenindo
Os psicólogos da saúde se engajam em três tipos de prevenção:
� Primária: Prevenir que uma doença ocorra em pessoas saudáveis antes
de a doença se desenvolver. Exemplos de programas de prevenção
primária são imunização na infância, uso de preservativos e campanhas
de conscientização da AIDS.
� Secundária: Focar na identificação e no tratamento inicial de uma
doença em desenvolvimento ou enfermidade. Os programas de
prevenção secundários incluem campanhas de conscientização do
câncer de mama e a promoção do autoexame para o câncer de
testículo.
� Terciária: Ajudar as pessoas a lutarem com doenças já desenvolvidas e
impedi-las de ficar piores. Os programas de prevenção terciários
incluem ajudar as pessoas a reduzirem a pressão alta ou a pararem de
fumar, e tratamento da obesidade.
Fazendo mudanças relacionadas à saúde
Você já fez uma resolução de Ano Novo para começar a fazer algo saudável –
VO LUNTÁRIA exercitar-se mais, fazer aula de ioga, comer melhor, ficar mais descansado,
O
ÇÃ usar cinto de segurança? Você já manteve essa resolução? Por que não? Qual IA
C é, seja honesto consigo mesmo: Foi mais difícil do que você pensou, não foi? SO
AS Reserve um minuto para pensar sobre o que o impede de fazer o que é
saudável.
Este é um problema comum no comportamento relacionado à saúde – não ficamos nele. Parte desse problema está na obediência – seguir ou não as
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recomendações de um médico ou tratamento, ou os nossos próprios planos relacionados à saúde. Mas, o que determina se nos engajamos ou não no comportamento que promove a saúde? Algumas pessoas fazem com que pareça muito fácil. Elas vão para a academia. Elas comem corretamente. Não fumam. Há várias razões para que alguns de nós façam mais coisas saudáveis do que os outros.
Para começar, muitas pessoas não começam e mantêm um comportamento relacionado à saúde se barreiras substanciais estão no caminho. É fácil demais desistir se algo ou alguém o torna difícil. Não vou à academia porque é caro demais. Não durmo o suficiente porque não tenho um pijama bonito. Dinheiro é uma barreira comumente citada para se engajar no comportamento saudável. Uma outra razão para simplesmente não fazermos isso é que o comportamento relacionado à saúde pode interferir em algo mais divertido ou necessário. Se eu fosse para a academia, perderia meus programas de televisão. Se comesse corretamente, teria que ir à mercearia e, então, teria que cozinhar e, então, nunca terminaria minhas outras tarefas domésticas.
O comprometimento de mudar é produzido com muita frequência quando uma pessoa acredita que pode fazer uma diferença. Muitas pessoas têm uma atitude fatalista de sua saúde física – a filosofia “você vai quando vai”. Elas não veem seu comportamento como contribuindo para sua saúde e, portanto, não se preocupam em mudar. Essa mentalidade também é conhecida como ter um lugar externo de controle – pensando que o controle sobre algo está fora de alguém. Ter a crença de que o poder de mudar uma situação ou evento reside dentro de si mesmo, que está sob seu controle, é chamado de lugar interno de controle. Quando sentimos que podemos controlar algo, muito provavelmente fazemos algo sobre isso.
Depois de ter mudado, por causa das recompensas externas ou por causa de minha crença de que posso fazer uma diferença, como mantenho essas mudanças? É fácil parar de fumar, por exemplo, mas ficar sem fumar é outra história. Depois de ter mergulhado, posso manter meu comprometimento com o comportamento saudável primeiro examinando os prós e os contras de mudar ou não mudar. Isso depende muito de ter informações precisas apresentadas para mim de uma maneira clara. Mensagens de saúde confusas não realizam a tarefa.
Vários fatores influenciam nossas tendências de ouvir e acreditar em uma determinada fonte de informação. A pesquisa sobre persuasão – fazer com que alguém faça algo com o qual ele próprio pode não estar de acordo – forneceu aos psicólogos grande parte de seu conhecimento nesta área da capacidade de compreensão da fonte. Em quem nós acreditamos? Para uma mensagem ser persuasiva, ela deve chamar nossa atenção, ser fácil de entender, ser aceitável e compensadora. Também temos que lembrar dela. Se não lembrarmos da mensagem, quem se importa com o que é dito? Os argumentos persuasivos apresentam os dois lados de uma questão, fazer os argumentos parecerem justos e imparciais. E as mensagens horríveis que induzem ao medo, tais como, algumas campanhas para parar de fumar? Elas parecem melhores quando os passos para melhorar são mencionados junto com a coisa assustadora.
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RE-SE
MB
LE
Era da informação
Muitas pessoas têm dito que vivemos na “Era mos. A esta altura, quase todo mundo sabe da Informação” e eu tenho que concordar que fumar é prejudicial à saúde. Nem sempre que há muitas informações por aí. Às vezes, o soubemos sobre os riscos à saúde associa-mundo parece sofrer com uma sobrecarga de dos a fumar, e quando essa informação final-informação. Com todos esses fatos, valores e mente se tornou de conhecimento público, as opiniões flutuando, quem e em quais informa- taxas de fumo caíram. Mas, muitas pessoas ções tendemos a acreditar? Por exemplo, continuam fumando e muitas realmente ad-aquelas campanhas para parar de fumar real- quiriram o hábito. Então, de novo, muitas pes-mente funcionam? As campanhas da mídia soas acham que a mídia predominante não é geralmente são eficientes apenas quando confiável. Já ouvi pessoas dizerem que a nos informam sobre algo que ainda não sabe- ideia de que fumar causa câncer é falsa.
As decisões para se engajar ou não no comportamento saudável são baseadas em muitos fatores, incluindo suas crenças sobre o comportamento e seu centro de controle. Becker, em 1974, e Rosenthal, em 1988, propuseram o modelo da crença da saúde para demonstrar os processos psicológicos pelos quais passamos ao tomar decisões relacionadas à saúde. O modelo é baseado em nossas crenças sobre o seguinte:
� Severidade: O quão ruim a doença ou a enfermidade pode ficar se eu
não fizer algo em relação a ela?
� Suscetibilidade: Qual é probabilidade de eu ficar doente se não me
engajar no comportamento saudável?
� Vantagens dos custos que sobem: O que tem nela para mim, e vale a
pena?
� Eficácia: O quão eficiente serão minhas tentativas de mudança? Não
quero ter trabalho para nada.
As respostas para essas perguntas desempenham um papel ao determinar a probabilidade com a qual faremos a coisa saudável. Se eu chegar a uma conclusão de alta severidade, alta suscetibilidade, altas vantagens sobre custos e alta eficácia, a probabilidade de que escolherei a opção saudável aumentará. Do contrário, posso precisar de um chute real no traseiro antes de escolher o caminho saudável.
Exercitando-se com caminhadas
Acreditamos em celebridades? Geralmente, em uma máquina para se exercitar promovida sim, mas apenas se elas forem agradáveis, por Chuck Norris? Ele é um policial, é a lei e é entusiasmadas e percebidas como sendo magnífico também! confiantes e confiáveis. Quem não confiaria
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Intervindo
Depois de você decidir fazer algo sobre seu estilo de vida insalubre, o que realmente pode fazer? Quando a decisão de mudar for tomada, você pode fazer algumas coisas para manter as coisas girando. Os psicólogos da saúde ou outros profissionais da saúde podem projetar intervenções que o ajudam a mudar e a manter essa mudança.
A A modificação do comportamento é um método poderoso de mudança do
DIC comportamento. A forma mais básica, porém muito poderosa, de modificação
do comportamento é usar punições e recompensas para não se engajar ou se engajar no comportamento-alvo. Se eu me programo para correr três vezes por semana às 17:30 e não corro, tenho que limpar a cozinha, banheiro e lavar a roupa naquela noite. Se eu cumprir, tenho direito a me tratar em uma bela imersão no spa. O truque com essa técnica é recrutar um parceiro para impedi-lo de trapacear suas recompensas e punições. Posso decidir ir para o spa, mesmo que não corra ou lave a roupa suja na mesma situação. É por isso que um parceiro ajuda; ele pode mantê-lo na honestidade.