Unison: A Rede Social do Futuro
7 - Fuga das crianças das nuvens
M istletoe mordeu a lateral da língua quando o ribombar do Horror fez seus dentes baterem. Sentiu o gosto metálico do sangue.
Corra, pensou. Mas as vibrações na sala em sua cabeça e na barriga a mantiveram tão enraizada ao piso quanto o tronco de fios que prendia Ambrose. Saber o que estava por vir não tornava o som nem um pouco mais suportável. Fechou bem fechados os olhos, rilhou os dentes e lutou contra a tremenda vontade de enfiar os dedos no ouvido até chegar nos miolos. Em vez disso, tapou as orelhas com as mãos até a última reverberação se dissipar e o silêncio voltar aos túneis de metrô. Abriu os olhos.
Os dois irmãos estavam parados, esperando que ela se recuperasse. Casualmente, como se passasse o bastão para outro corredor numa corrida, Ivor ergueu o atordoador de polícia e apontou para ela. Nelson estava em algum ponto atrás dela. A que distância? O Horror a desorientara. Os olhos dela se fixaram no minúsculo prisma na ponta do atordoador, depois na verruga marrom no nariz de Ivor e por fim nos olhos baixos de seu irmão, que pareceu encolher diante do olhar furioso.
Ela cuspiu sangue, e os olhos de Ivor observaram-no bater no chão entre os dois. O cachorro preto trotou até a mancha vermelha, baixou a cabeça e cheirou. Mistletoe olhou para Ambrose, cujos olhos vidrados lembravam a velha boneca Repolhinho que havia nos fundos da loja de Jiri.
– O que fizeram com ele?
– Parece mais dramático do que é, Anna – disse Magnus, ressuscitando de repente o sorriso de velho bonzinho.
Ela cerrou a mão direita, involuntariamente.
– Apaguei a ID antiga dele – informou Ivor. – Novos implantes, novo código fixo, pacote básico de novo usuário. Não poderá ser reconhecido como Ambrose no Unison. Agora, queira ter a gentileza de vir até aqui.
Ivor apontou com o bastão para a fileira de teclados.
– Me devolve ele.
Ivor sacudiu a cabeça.
– Receio que ele não lhe pertença.
– Eu encontrei ele.
– E eu participei da fase inicial do projeto dele.
– Ivor, essa criança passou por tanta coisa – protestou Magnus. E você ficar aí assim...
A mão erguida de Ivor calou o irmão. Um sorriso tenso surgiu em seu rosto.
– Meu irmão está preocupado com nossa imagem – explicou. – Infelizmente, para ele é mais importante como as pessoas nos veem do que descobrir, antes que Martin Truax venha atrás de nós, para que você e seu amigo educadinho foram criados.
– Não sou criação de vocês – ela retrucou. Dava-lhe náuseas pensar nas mãos enrugadas daqueles sujeitos manuseando-a quando era bebê.
Ivor deu de ombros. Não parecia ligar para o que ela achava. E com certeza não se importava se a situação era difícil ou dolorosa para ela. Magnus ao menos havia tentado suavizar a transição. Mas teria sido amável só para que ela caísse na armadilha?
– Sua outra metade está esperando – disse Ivor.
– O que meu irmão quer dizer – intrometeu-se Magnus – é que, sem você e Ambrose juntos em Unison, pensamos que nosso... – ele olhou para Ivor – ... que seu processo de autodescoberta será impossível.
– Ah, que dó – disse Mistletoe.
Ivor apontou o bastão para o rosto dela.
Magnus suspirou.
– Meu irmão e eu, nós não somos... – Soltou uma risadinha nervosa. Indicou os panos sujos de sangue, o atordoador. – Nós não somos assim.
– É, isto aqui na verdade é um bandejão para pobres – ironizou Ivor.
Ele cerrou a mandíbula e apertou os olhos, num blefe de jogador amador de holodados, e Mistletoe percebeu sua pouca intimidade com as armas. Os instintos de rua da garota gritaram Abaixa!
O bastão se estendeu em segmentos que faiscaram logo acima da cabeça dela. Sua mão direita escorregou na pocinha de seu próprio sangue. Os segmentos se retraíram de volta ao bastão.
– Ivor!
Ela olhou a tempo de ver Magnus atirar-se na frente do irmão quando o atordoador disparou pela segunda vez. Magnus caiu instantaneamente de joelhos, cabeça abaixada, mãos cruzadas às costas, à espera das algemas de um policial antitumulto da cidade de cima. Ivor baixou o atordoador, perplexo.
– Magnus...
Olhou para o atordoador, confuso, como se houvesse um botão para reverter o efeito. Mistletoe sabia que ele só precisaria esperar, talvez horas se o bastão fosse de boa qualidade. Ela se ergueu de um salto e correu para Ivor, que tentou apontar-lhe o bastão.
Tarde demais.
Ela apoiou o pé esquerdo no chão e com o direito desferiu na canela de Ivor um daqueles chutes de dar partida em Nelson. No último instante, lembrou que estava calçando botas vintage com ponteira de aço, da loja de Jiri, e sentiu uma ponta de remorso. Pela primeira vez Ivor pareceu um homem velho, frágil, alquebrado. Ele rodopiou com a força do golpe, e Mistletoe ainda conseguiu ver seu olhar chocado. O atordoador caiu ao chão. Ela o chutou para trás dos tubos de escaneamento.
– Foi mal – gritou por cima do ombro enquanto corria até Nelson.
Estava a meio caminho do veículo quando o cão-cabra preto emergiu de trás de uma maçaroca de fios e se plantou em seu caminho, as unhas batendo contra o chão duro, o atordoador firme em suas mandíbulas. Um fio de baba pendia de uma ponta.
Mistletoe estacou. O cachorro agora parecia maior, mostrando uma fileira de dentes que parecia não ter fim. Virou a cabeça para um lado, olhando a garota de forma enigmática. Ela engoliu em seco. Os únicos cachorros que conhecia eram os vira-latas esquálidos que percorriam as ruas da subcúpula, que tinham mais medo dela do que ela deles. Isso aqui era outra coisa; ela nem tinha certeza se era mesmo um cachorro.
Atrás dela, Ivor gemeu de dor.
O cão-cabra deixou o bastão cair entre as patas dianteiras. Estremeceu uma, duas vezes – e rosnou. O cabelo da nuca de Mistletoe arrepiou-se e ela engoliu em seco. O animal avançou devagar, preparando-se para saltar, e ela olhou ansiosa para Nelson, tão próximo. O pelo do cão-cabra ficou arrepiado, criando uma crista pontiaguda ao longo do dorso. Mistletoe imaginou se ele pularia direto em sua garganta e qual seria a sensação.
– Patrícia! – soou, cortante, a voz de Ivor. – Sentada!
No mesmo instante, as orelhas da criatura se ergueram como periscópios.
Patrícia? surpreendeu-se Mistletoe. A cadela sentou-se e ficou na expectativa, a língua para fora.
– Quieta!
Mistletoe se virou. Ivor estava sentado no chão, a perna encolhida junto ao peito, olhando duro para ela. A seu lado, Magnus estava de joelhos, totalmente inerte.
Ela não sabia o que dizer. Obrigada parecia totalmente fora de propósito. Indicou Ambrose com a cabeça.
– Vou levar ele comigo. Como o tiro dali?
– Não tira – Ivor disse, com amargura, esfregando a canela. – Você pode fazer o que bem entender, claro, não tenho como detê-la. Mas se perturbar externamente o login dele, com o código fixo novo ainda cru e exposto, não garanto a segurança do garoto.
Mistletoe mordeu o lábio. Olhou através dos dados externalizados flutuantes, blocos de texto sobre campos de cores, para os olhos arregalados de boneca Repolhinho de Ambrose. Havia a possibilidade de Ivor estar blefando e de que, ao arrancar Ambrose de dentro do tronco, ele acordasse bem e pudessem escapar juntos.
– Ele tanto pode sentir uma leve desorientação... – prosseguiu Ivor –... como sofrer um dano grave no lobo frontal.
Ela não queria correr o risco. Mas se abandonasse Ambrose, para onde iria? Viu o velho examinando a perna. Para não sentir pena dele, lembrou a si mesma que ele lhe dera ordens, como se ela não fosse nada mais que uma engrenagem em sua máquina pessoal de vingança contra Martin Truax. Decidiu que ganharia mais tentando descobrir as coisas por conta própria, mesmo que isso significasse deixar Ambrose... por ora.
Sem uma palavra, foi apressada na direção de Nelson, afagando meio sem jeito o pelo macio entre os chifres da cabeça de Patrícia. Apanhou o bastão babado, fez uma careta, e o segurou entre o polegar e o indicador.
– Você já provou o que queria, Anna! – gritou Ivor. – Agora me escute: você está cometendo um erro!
Ela libertou o guidão da scooter, que estava enganchado em um dos fornos de microondas empilhados, e guardou o atordoador num compartimento diminuto sob o assento.
– Não seja tola, eles irão atrás de você, pode ter certeza – continuou Ivor –, eles vão te caçar. Você acha que Martin Truax vai apenas deixar isso pra lá? Você e Ambrose são seu experimento mais valioso. Ele nunca desistirá.
Ela deu partida na scooter com o pé.
– Está jogando fora sua única chance! Quando ele a encontrar, ele vai...
O motor tossiu e engrenou, engolindo as palavras dele. O colchão de energia se expandiu sob a scooter. Nelson tinha o cheiro de sua velha favela malcuidada, de churrasquinho de rua, de mil encrencas e escapadas por um triz. Nelson tinha cheiro de casa. Ela acelerou passando pelas máquinas pré-Unison enfileiradas, desmontou para abrir a porta de ferro, e lançou uma última olhada para o tronco de fios, atormentada pela vida secreta que compartilhava com o rapaz que estava deixando para trás.
Montada de novo na scooter, deixou o saguão iluminado dos irmãos e ingressou no túnel escuro e malcheiroso. Nelson reagiu aos trilhos com solavancos barulhentos antes de começar a rodar macio. Ela aumentou o brilho do farol e parou, surpresa. O túnel era muito mais largo do que imaginara. Havia vários pares de trilhos que corriam paralelos em alguns trechos e se separavam em outros, perdendo-se na escuridão. Cada par estava separado por uma série de vigas verticais, como os corredores de um prédio por terminar.
Não fazia a menor ideia de como voltar para o zoológico. A Pequena Saigon parecia incrivelmente distante. Estava a ponto de escolher um trilho qualquer, quando um farfalhar crescente chamou sua atenção. Diminuiu a marcha e pôs as mãos em concha sobre as orelhas, para captar melhor o som. O ruído, cada vez mais alto, era de algo que vinha direto para ela. Inclinando-se para diante, ela comprimiu o queixo de encontro à scooter, bem quando um turbilhão saiu da escuridão, numa gritaria.
Morcegos, pensou, mas quando o primeiro bando passou batendo as asas, alucinado, viu que eram avezinhas brancas do tamanho de sua mão. Elas rodopiavam em grupos, enquanto indivíduos solitários orbitavam como elétrons, voando sobre sua cabeça aos milhares. Mistletoe franziu o nariz, sentindo o cheiro de meias sujas que as aves deslocavam nas camadas superiores de ar. Prendeu a respiração e observou, fascinada, quando uma das aves perdeu o controle e desceu numa espiral, cruzando a luz do farol de Nelson para pousar num trilho na frente dela.
A plumagem branca da criaturinha era imaculada, exceto por uma manchinha vermelha entre os olhos, que se estendia abaixo do bico branco e terminava numa ponta fina negra. Ela olhou para cima, para Mistletoe (que juraria tê-la visto apertar os olhos com o brilho da luz), sacudiu a cabeça, abriu o bico, soltou um tchiuíppp! miúdo e decolou para se unir às demais.
Mistletoe havia visto aves como essas uma vez, anos antes, ao visitar o Novo Mercado Egípcio. Estavam numa gaiola dourada pendurada na traseira de uma carroça que vendia animais exóticos, absíntio de primeira e celulares recondicionados. Mistletoe e Dita tinham andado por horas, só olhando, ignorando as ofertas dos camelôs e a insistência dos vendedores. Dita usava um longo cachecol amarelo que dava voltas em torno do pescoço e ombros, e Mistletoe segurava a ponta livre do tecido fino, que esfregava distraída entre os dedos, enquanto caminhavam.
– Anna – chamou Dita, apontando para a gaiola.
– O que são?
– Chmura Dité, minha mãe os chamava. Crianças das Nuvens. Está vendo como estão agrupadas? Só avançam voando juntas como se fossem um único bloco.
Anna olhou para Dita, que observava o homenzinho gorducho, responsável pela carroça, barganhar com um casal bamboleante o preço do absíntio. Algo lhe disse que soltasse a ponta do cachecol quando Dita deslizou para trás da gaiola e se colocou entre as aves e o homem de rosto vermelho. Algo brilhou de dentro do bolso de Dita e traçou um arco branco através do ar. Ela olhou para Anna, com um pequeno aceno de cabeça apontou para o outro lado do mercado e depois mergulhou na multidão. Mas Anna ficou no lugar, paralisada, enquanto um lado da gaiola derretia e escorria para o chão, onde endureceu formando um arabesco dourado. As aves fugiram pelo buraco e, como tia Dita, atravessaram o mercado. O homenzinho guinchou. Anna correu. Quando por fim pegou de novo a ponta do cachecol amarelo, Dita lhe disse, séria:
– Algumas coisas nunca deveriam ser vendidas.
No túnel, Mistletoe perguntou-se se estes Chmura Dité descendiam do bando que Dita havia libertado, ou se eram uma criação de Magnus e Ivor. De um jeito ou de outro, pensou, estão indo para a saída. Que ave quer ficar presa debaixo da terra? Ela manobrou Nelson e seguiu as aves num túnel que aos poucos subia.
Depois de algum tempo, percebeu que esfregava o metal quente do guidão entre o polegar e o indicador, como se fosse o cachecol de Dita. Piscou para conter as lágrimas. Vigas de sustentação passavam ligeiras, como umbrais vazios. A lembrança do mercado levou a um pensamento confuso e sombrio: Tia Dita sabia o que Magnus e Ivor sabiam, e guardara segredo durante toda a vida de Mistletoe. Jiri também, e isso significava que havia um lugar perfeito para começar a investigação: a loja dele, abarrotada de relíquias antigas – e talvez algumas pistas do passado dela.
De qualquer modo, ela precisaria de armas melhores.
Quando os Chmura Dité começaram a bater as asas de forma menos errática, os grupos reduziram velocidade e se uniram em uma nuvem densa. Mistletoe sentiu o ar mais fresco. Dos dois lados, as vigas deram lugar a paredes sólidas. A inclinação do túnel aumentou. Os Chmura Dité rumaram direto para duas luzes horizontais na parede onde o túnel terminava. Ela seguiu mais devagar, e ficou perplexa ao ver as luzes engolindo as aves, até perceber que eram saídas. Quando as últimas aves desapareceram, ela avançou para olhar através das aberturas. Não havia muito o que ver: o túnel dava para a parte de baixo de um duto de ventilação. Impossível dizer se estava na Pequena Saigon ou em algum outro bairro, mas ao menos era do lado de fora. E as fendas com certeza eram grandes o bastante para que ela passasse. O problema era que, estando com Nelson, a coisa seria apertada. Mas não podia abandoná-lo.
Deu ré e acelerou o motor da scooter.
– Nelson, desculpa.
Com a frente do veículo apontada para baixo, ela acelerou e mirou na fenda inferior. O tempo desacelerou. Acredite, ela pensou. No último instante antes de arrebentar a cabeça na parede, ela jogou o peso para baixo e para trás, puxando o guidão com toda força e apontando os propulsores para a abertura.
O guidão raspou as laterais da fenda, com um guincho atroz.
Ela fechou os olhos.
Quando o túnel os cuspiu, Nelson foi para um lado e ela caiu esparramada sobre o lixo acumulado no chão do túnel de ventilação. Ela se encolheu toda quando Nelson chocou-se contra a parede oposta, sob uma janela fechada com tábuas.
Mistletoe retomou o fôlego e testou braços e pernas: nada quebrado.
Seu coração batia forte enquanto ela avançava, com lixo até os joelhos, para examinar a scooter. O cheiro de fruta podre, adocicado e enjoativo, a fez lacrimejar.
As pontas do guidão estavam arranhadas e ásperas. O cano de descarga tinha entortado e estava meio achatado. No assento havia um corte fino, pelo qual escorria um gel azulado. Entranhas de visco elástico? Fluido de hiperpropulsor? Ela não sabia dizer, e torcia para que não fosse importante.
Endireitou a scooter e sentou-se nela. Procurou se orientar: quatro paredes de tijolos subindo a perder de vista, com varandas improvisadas – tábuas largas se estendendo de uma janela aberta a outra, se entrecruzando e sobrepondo-se a ponto de bloquearem a vista. Lâmpadas pendiam das tábuas, lançando sombras longas e ovais sobre as paredes e iluminando pontos isolados da pilha de lixo.
Ela golpeou a tábua que tampava a janela mais baixa. Estava podre e mole.
– Desculpa outra vez – disse, e deu partida em Nelson com o pé. A scooter deu um solavanco, arremeteu e sua frente arrebentou a tábua.
De novo ela se viu nas fundações desertas de um atmoedifício. Ziguezagueou entre as colunas de aço plástico, saltou com Nelson por outra janela e emergiu na luz difusa da noite na subcúpula. No ar havia cheiro de charuto barato e suor úmido.
Uma hora mais tarde ela deixou a scooter no vão debaixo da varanda de um barraco abandonado. Tirou os óculos de motociclista, pendurando-os no guidão. Odiava deixar Nelson sozinho, mas não queria chegar na loja fazendo um barulhão, pois o local devia estar sendo vigiado. Antes de ir, abriu o compartimento e pegou o atordoador, enfiando-o na manga.
Percorreu uma rua tortuosa que descia, passando uma procissão silenciosa de monges de túnicas negras. A loja de Jiri ficava no fim da quadra, espremida entre um cabeleireiro para senhoras de idade e uma floricultura fechada havia muito, cujo letreiro barato de fibra de vidro exibia o desenho desbotado de um bonsai. Não tinha qualquer identificação, e por fora parecia a casa de um maluco com mania de juntar tralha. As duas janelinhas da frente estavam bloqueadas por montes caóticos de objetos, todos à venda. Ela sorriu, lembrando como Jiri costumava avaliar na hora qualquer objeto da loja e gritar um preço, assustando o cliente. Ela se aproximou de uma janela e olhou por uma fresta entre as coisas empilhadas. Mesmo com a luz principal apagada, os diminutos LEDs verdes e vermelhos iluminavam a loja, como sempre.
Então outra luz se acendeu no meio do recinto – uma lanterna pequena – e dançou sobre as pilhas de laptops, aparelhos de ar condicionado e máquinas de jogos. A solitária boneca Repolhinho. Mistletoe se abaixou quando o facho passou pela brecha da janela.
Isso nunca terá fim, ela pensou; Ivor tinha razão sobre Martin Truax: ele não vai desistir.
Ela retirou o atordoador da manga e se agachou na soleira da porta, à espreita.