A Caçada dos Elfos

Bernhard Hennen · Capítulo 28 de 34

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A Caçada dos Elfos

A saga de Alfadas Mandredson

 

A primeira viagem

 

Ainda no mesmo inverno, Mandred e Alfadas deixaram lado a lado o reino dos albos. O pai queria se certificar de que o filho era digno de um sucessor seu. Eles partiram com os príncipes elfos Faredred e Nuredred e procuraram aventuras onde elas se ofereciam. Eles jamais fugiam à luta, quem se colocasse em seu caminho se arrependeria antes mesmo de o primeiro golpe ser dado. Alfadas seguiu seu pai por lugares que nenhum habitante dos fiordes já vira antes. Mas o filho de Torgrid preocupava-se demais com o seu rebento. Instruiu-o na luta com o machado, mas só raramente permitia que Alfadas pusesse à prova o seu conhecimento. E sempre que o perigo era grande, o filho de Mandred era incumbido de vigiar os cavalos ou o acampamento.

Um ano se passou, e Alfadas então disse a Mandred: “Pai, como posso aprender a ser como você se sou sempre protegido de qualquer perigo? Se você sempre temer que algo aconteça a mim, então nunca me tornarei o jarl de Firnstayn”.

Mandred reconheceu que até então estava privando sua carne e sangue de qualquer glória. Pediu conselhos aos príncipes elfos. Eles disseram-lhe que deveria submeter seu filho a uma prova. Então, à noite, Mandred saiu furtivamente para subir uma montanha cheia de perigos. Ao chegar ao cume, cravou o seu machado no chão e, sem ele, retornou até o vale. Na manhã seguinte, disse a Alfadas: “Suba aquela montanha e apanhe o que escondi lá em cima”.

Alfadas então partiu. Mandred foi tomado pela preocupação, pois a subida da montanha era repleta de perigos. Alfadas, contudo, esforçou-se e finalmente encontrou uma caverna no cume. Lá havia uma espada no gelo. Apanhou-a e escalou até o topo para desfrutar a vista. Encontrou o machado do pai, mas deixou-o onde estava e retornou ao vale para junto dos outros. Eles ficaram admirados ao ver a espada desconhecida. Somente Mandred se aborreceu: “Filho! Essa não é a arma que escondi lá em cima”.

Alfadas, então, retrucou: “Mas, pai, a única arma escondida lá era esta espada. O seu machado estava exposto, enfiado no gelo do cume. Se eu tivesse a visão de uma águia, certamente poderia vê-lo daqui. Você me indicou o alvo errado, embora tenha me mostrado o caminho correto”.

Então Mandred precisou escalar a montanha mais uma vez para buscar o seu machado e retornou praguejando. Mas, quando Faredred e Nuredred esclareceram ao filho de Torgrid que reconheciam na espada de Alfadas uma nobre espada da Terra dos Albos, a ira de Mandred desapareceu e ele ficou orgulhoso de seu filho, pois a espada era digna de um rei. Alfadas decidiu que seria a sua arma no futuro, porque fora um presente de Luth. Disse ao pai: “O machado é a arma do pai, e a espada, a do filho. Assim pai e filho nunca poderão ser comparados um ao outro”.

Seguiram viagem, mas Mandred ainda tinha dúvidas quanto a seu filho. Pouco depois, cruzaram uma cordilheira. Dizia-se que um troll vivia ali. À noite, ouviram o som de marteladas e pensaram que o troll queria assustá-los. Faredred e Nuredred então decidiram descer para abater o monstro, mas Mandred os deteve. Disse ao filho: “Vá você até o troll! De suas ações tirarei a sua medida”.

Alfadas desceu corajosamente até a caverna do troll. Encontrou-o em pé ao lado de uma bigorna. O troll o viu e ergueu seu martelo. Então Alfadas ameaçou-o com sua espada e disse: “Uma parte de mim vê um inimigo e diz: acabe com ele! Outra parte vê um ferreiro diante dos olhos. Decida o que você quer ser!”.

O troll preferiu ser seu inimigo e atacou-o. Mas Alfadas desviou dos pesados golpes de martelo e o fez sentir sua espada. Então o troll se rendeu e disse: “Meu nome é Glekrel, e se você poupar a minha vida, irei dar-lhe um presente digno de um rei”.

Alfadas não confiou no troll. Mudou de ideia quando a criatura apanhou uma armadura élfica e a entregou a ele. Alfadas, cheio de alegria, despiu a sua para vestir a que ganhara. Mas, antes que estivesse pronto, foi atacado novamente. Então o jovem guerreiro foi tomado por uma fúria tamanha que arrancou uma das pernas do troll. E seguiu seu caminho, levando a armadura élfica no corpo. Até hoje a armadura está em posse do rei e lembra esses dias passados. Mesmo os trolls conhecem o ocorrido, pois Glekrel sobreviveu e narrou o que o filho de Mandred lhe fizera.

Na manhã seguinte, Alfadas retornou para seus companheiros. E, quando Mandred viu o filho, ficou novamente orgulhoso de ser seu pai. Alfadas agora realmente tinha o aspecto de um rei.

A seguir, os companheiros percorreram as campinas do sul, depararam-se com um vasto mar e poderosos reinos. Realizaram grandes feitos, de forma que seus nomes ainda hoje estão na boca de todos. Certa vez, fizeram recuar uma centena de guerreiros de Angnos para salvar uma aldeia que lembrava a jovem Firnstayn. Também libertaram as celebrações de Rileis de seus espíritos. Em numerosos duelos, Alfadas mostrou-se um hábil espadachim, comparável a Faredred e Nuredred. Então já haviam se passado mais dois anos quando Mandred e Alfadas, por amizade aos príncipes elfos, os seguiram até a cidade de Aniscans. Ali os príncipes queriam procurar uma certa criança trocada...

CONFORME NARRATIVA DO BARDO KETIL,

LIVRO 2 DA BIBLIOTECA DO TEMPLO DE FIRNSTAYN, PÁG. 42