A Caçada dos Elfos

Bernhard Hennen · Capítulo 33 de 34

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A Caçada dos Elfos

Os escritos sagrados de Tjured

 

Livro 7 — O Profeta

 

O sucedido deu-se no mesmo dia em que um anjo surgiu para o rei Cabezan. Tinha asas prateadas e portava uma espada de prata. Mas nada nele brilhava como os seus olhos, de um azul muito claro e límpido. E o anjo disse a Cabezan: “Envie os seus guerreiros, pois o perigo reina em Aniscans. O profeta Guillaume teme por sua vida, pois os filhos dos albos a põem em perigo. E isso somente porque um deles chegou tarde demais a suas mãos curadoras”. Então Cabezan ordenou que seus melhores guerreiros montassem seus cavalos e enviou-os a Aniscans sob o comando de Elgiot.

Ainda não havia muralhas cercando Aniscans. Assim, os filhos dos albos entraram na cidade sem serem vistos. Eram seis elfos e um troll. Procuraram Guillaume no templo, mas encontraram somente os demais sacerdotes de Tjured. Então, levaram-nos até o grande carvalho diante do templo e os mataram.

O profeta ouviu o que ocorria lá fora na cidade. Deixou sua casa e, vejam, entregou-se aos filhos dos albos! Foi até eles, curvou-se e disse: “Façam o que quiserem comigo. Tjured os julgará por seus atos”. Então os elfos o abateram e o troll pendurou-o no grande carvalho. O profeta, porém, ainda estava vivo e rezava para Tjured quando uma elfa empunhou seu arco e acertou-o.

Enquanto isso, Elgiot e os guerreiros do rei chegaram e lutaram pela vida do profeta. Mas a elfa arremessou suas flechas em chamas contra o carvalho, que se incendiou totalmente. Os guerreiros de Cabezan pagaram-na com a mesma moeda, assassinando-a. E, por Guillaume, puseram os elfos restantes e o troll para correr. Pois esperavam que o profeta ainda estivesse vivo, de forma que o tiraram do carvalho e das chamas. Ao jogarem água no fogo e o apagarem, viram que o carvalho estava totalmente negro. Retiraram o profeta da árvore. Ele também estava queimado e sem vida. Mas vejam! A água que escorria da árvore caiu sobre seu rosto e lavou a fuligem. O claro semblante de Guillaume ressurgiu. Então os guerreiros lavaram o corpo do profeta e constataram que as pontas de ferro das flechas atravessavam seu corpo, mas as chamas o haviam poupado. E ele abriu os olhos, segurou a mão de Elgiot, o líder, e disse: “Vocês escolheram o seu caminho. Que Tjured conceda-lhes a graça que merecem”. Assim o profeta morreu sob a árvore escurecida. E, com esse ato, os filhos dos albos puseram uma maldição sobre seus ombros. Assim foi dito.

 

CITAÇÃO DA EDIÇÃO DE SCHOFFENBURG

VOLUME 5, FÓLIO 43 R.