A Civilização Inca
5. A metalurgia
Se os Incas eram vistos com o grandes aos olhos das populações sul-am ericanas que os cercavam , isso foi antes de tudo porque pareciam , aos olhos destes últim os, “m estres dos m etais”. Eles ignoravam o uso do ferro, m as tinham adquirido grande experiência no trabalho do ouro, da prata e do cobre, que sabiam ligar ao estanho para obter o bronze. Utilizavam até m esm o a platina, que a Europa não chegou a conhecer senão bem m ais tarde, por volta de 1730. Os obj etos feitos com esses m etais, transportados dos Andes até a Am azônia, o Chaco e m esm o os Pam pas, levavam a todo continente sul-am ericano, ainda lim itado a talhar ou polir a pedra, o testem unho de seu poderio.
Os Andes eram o m ais im portante centro m etalúrgico da Am érica pré-colom biana. Nascida verdadeiram ente entre o Panam á e o Equador, na atual Colôm bia, a m etalurgia atingiu seu m ais alto desenvolvim ento no Peru. O artesanato do ouro difundiu-se a partir do extrem o norte para a costa setentrional, de onde penetrou nas terras altas, desde antes do advento do cristianism o até a época Chavin. As pepitas de ouro, obtidas principalm ente no leito dos rios, por aluvião, eram m arteladas em finas lâm inas e em seguida buriladas a frio em relevo. A essa técnica, denom inada em purram ento, acrescentou-se, na época Mochica, a da fusão no interior de fornos de m adeira. Os fornos eram alim entados pelo ar, que neles penetrava por dois longos tubos soprados por m uitas pessoas ou, m ais sim plesm ente, pelo vento que varria as encostas sobre as quais eram norm alm ente construídos. A tem peratura era suficiente para provocar a fusão dos m inérios de prata, cobre e estanho, assim com o para operar soldaduras e ligas diversas. Os m inérios desses m etais eram extraídos de filões de alto teor, tanto a céu aberto com o em galerias curtas, perfuradas por m eio de picaretas rudim entares feitas com galhadas de cervos.
As ligas m ais usuais eram obtidas à base de ouro e cobre, de ouro e prata, de cobre e prata, de cobre e estanho, bem com o de cobre, ouro e prata fundidos em proporções variáveis. Entretanto, a percentagem de estanho ligada ao cobre para produzir o bronze parece ter sido sem pre inferior a 12%. Essa percentagem era fraca dem ais para dar ao bronze um a dureza considerável. De fato, a liga freqüentem ente resultava m enos dura que o cobre tem perado por m artelagem a frio. Tal singularidade do bronze inca suscitou, por vezes, a dúvida de que fosse ele intencionalm ente obtido.
O processo de, fabricação m ais freqüentem ente utilizado era o de cera perdida, que consistia em m odelar na cera o obj eto que se desej asse produzir. O m odelo era em seguida recoberto por um a espessa cam ada de argila. Quando a argila tivesse endurecido, expunham -na ao calor do fogo. A cera, que se fundia e escorria através de um orifício feito no revestim ento, era substituída por m etal em fusão. Um a vez resfriado o m etal, bastava quebrar a argila e retirar o obj eto, cuj as asperezas eram então polidas. Esse processo, conhecido por todos os m etalúrgicos do Velho Mundo, não perm itia a produção em série.
Os obj etos de m etal eram com freqüência incrustados de pedras preciosas ou sem ipreciosas. Às vezes eram coloridos com um ácido natural que escurecia o cobre ou lhe dissolvia a superfície, fazendo assim sobressair o brilho do ouro ou da prata com que estivesse libado. Entretanto, apesar de seu notável desenvolvim ento, o artesanato de m etais conservou-se m ais orientado para fins ornam entais do que utilitários. As oficinas produziam grandes placas trabalhadas que recobriam os m uros dos tem plos e palácios, e que os espanhóis se apressaram em fundir em lingotes. Eles elaboravam , para o soberano, a corte im perial e os dignitários de Estado, ornam entos corporais com o peitorais, braceletes, colares e brincos, que m arcavam as diferenças de status. Confeccionavam tam bém num erosos obj etos rituais, dentre os quais figuram os fam osos tumi, espécie de facas-m achados, característicos da época inca.
A produção m etalúrgica, porém , desenvolvia-se precariam ente nas com unidades provinciais. À exceção do chicote, cuj a ponta era às vezes em cobre, e dos bastões em estrela que tam bém serviam de m aças na guerra, os utensílios agrícolas foram sem pre feitos em pedra. Cinzéis, facas e foices j am ais deixaram de ser produzidos localm ente pelo artesanato lítico, do qual o cam pesinato conservou um a tradição im em orial na m aioria das regiões andinas, pelo m enos até fins do século XVII.