A Origem das Espécies

Charles Darwin · Capítulo 11 de 17 · parte 2/3

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A Origem das Espécies

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

que qualquer m em bro do grupo não tenha adquirido um a longa trom ba? A explicação é fácil no que respeita à África Meridional que foi todavia povoada de num erosos rebanhos de girafas e o m elhor será citar um exem plo à m aneira de resposta. Em todas as cam pinas da Inglaterra contendo árvores, vem os que todos os ram os inferiores são m ondados a um a altura horizontal correspondendo exatam ente ao nível que podem atingir os cavalos ou o gado que com e de cabeça levantada; ora, que vantagem teriam os carneiros que aí se tratam , se o pescoço se alongasse um pouco? Em toda a região, um a espécie com e certam ente m ais alto do que as outras, e é quase igualm ente certo que essa espécie som ente pode adquirir tam bém com este fim um pescoço alongado, em virtude da seleção natural, e pelos efeitos do aum ento do uso. Na África Meridional, a concorrência no ponto de vista do consum o dos altos ram os das acácias e de diversas outras árvores pode existir apenas entre as girafas, e não entre estes e outros anim ais ungulados. Não saberia dizer-se positivam ente por que, em outras partes do Globo, diversos anim ais pertencendo à m esm a ordem não adquirem nem pescoço nem trom ba; m as esperar um a resposta satisfatória para um a questão deste gênero seria tão im pertinente com o perguntar o m otivo por que um acontecim ento da história da hum anidade falta num país, enquanto que se produziu em outro. Ignoram os as condições determ inantes do núm ero e da distribuição de um a espécie, e

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não podem os m esm o conj ecturar quais sej am as alterações de conform ação próprias para favorecer o seu desenvolvim ento num novo país. Contudo, podem os entrever de um a m aneira geral que causas diversas podem ter im pedido o desenvolvim ento de um pescoço alongado ou de um a trom ba. Para poder atingir a folhagem situada m uito alto (sem ter necessidade de subir, o que a conform ação dos ungulados torna im possível), é necessário que o volum e do corpo tom e um desenvolvim ento considerável; ora, há países que apenas apresentam m uito poucos dos grandes m am íferos, a Am érica do Sul, por exem plo, não obstante a exuberante riqueza do país, enquanto que são abundantes num grau sem igual na África Meridional. Não sabem os de form a algum a porque assim é nem por que os últim os períodos terciários têm sido, m uito m elhores do que a época atual, apropriados à existência dos grandes m am íferos. Sej am quais forem estas causas, podem os reconhecer que certas regiões e certos períodos têm sido m ais favoráveis do que outros ao desenvolvim ento de um m am ífero tão volum oso com o a girafa.

Para que um anim al possa adquirir um a conform ação especial bem desenvolvida, é quase indispensável que algum as outras partes do organism o se m odifiquem e se adaptem a esta conform ação. Posto que todas as partes do corpo variem ligeiram ente, não resulta sem pre que as partes necessárias o façam na direção exata e no grau exigido. Sabem os que as partes variam m uito diferentem ente em caráter e em grau nos diferentes anim ais dom ésticos, e que algum as espécies são m ais variáveis do que outras. Não resulta m esm o da aparição de variações apropriadas, que a seleção natural possa atuar sobre elas e determ inar um a conform ação em aparência vantaj osa para a espécie. Por exem plo, se o núm ero dos indivíduos assistentes num país depende principalm ente da destruição operada pelos anim ais de presa - pelos parasitas externos ou internos, etc.-casos que parecem apresentar-se m uitas vezes, a seleção natural só pode m odificar m uito lentam ente um a conform ação em especial destinada a conseguir os alim entos; porque, neste caso, a sua intervenção é quase insensível. Enfim , a seleção natural tem um a m archa m uito lenta, e exige, para produzir efeitos um pouco pronunciados, um a longa duração das m esm as condições favoráveis. É unicam ente invo- 243

cando razões tão gerais e tão vagas que podem os explicar porque, em m uitas partes do Globo, os m am íferos ungulados não adquirem pescoços alongados ou outros m eios para com er os ram os das árvores colocados a um a certa altura. Muitos autores têm levantado obj eções análogas às que precedem . Em cada caso, fora das causas gerais que acabam os de indicar, há diversas outras que têm provavelm ente im pedido e em baraçado a ação da seleção natural, com respeito às conform ações que se consideram com o vantaj osas para certas espécies. Um destes escritores pergunta porque é que o avestruz não adquiriu a faculdade de voar. Mas um instante de reflexão dem onstra que enorm e quantidade de nutrição seria necessária para dar a esta ave do deserto a força para m over o seu enorm e corpo através do ar. As ilhas oceânicas são habitadas por m orcegos e focas, m as não por m am íferos terrestres; alguns m orcegos, representando espécies particulares, devem ter repousado por m uito tem po no seu habitat atual. Sir C. Ly ell pergunta pois (posto que respondendo por certas razões) porque é que as focas e os m orcegos não têm dado origem , em tais ilhas, a form as adaptadas à

vida terrestre? Mas as focas tornar-se-iam necessariam ente a princípio em anim ais carnívoros terrestres, de um com prim ento considerável, e os m orcegos em insetívoros terrestres. Não haveria presa para os prim eiros; os m orcegos encontrariam apenas com o nutrição insetos terrestres; ora, estes últim os são j á perseguidos pelos répteis e pelas aves que têm , em prim eiro lugar, colonizado as ilhas oceânicas e que aí abundam . As m odificações de estrutura, de que cada grau é

vantaj oso para a espécie variável, são apenas favorecidos em certas condições particulares. Um anim al estritam ente terrestre, caçando algum as vezes na baixam ar, depois nos ribeiros e nos lagos, pode chegar a converter-se num anim al assaz aquático para lutar com o Oceano. Mas não é nas ilhas oceânicas que as focas encontrariam condições favoráveis a um regresso gradual das form as terrestres. Os m orcegos, com o j á dem onstram os, adquiriram provavelm ente as asas deslizando prim itivam ente no ar para se transportarem de um a árvore para outra, com o os supostos esquilos voantes, quer para escapar aos inim igos, quer para evitar as quedas; m as a aptidão ao verdadeiro vôo, um a vez desenvolvida, j am ais se reduziria, pelo m enos no que diz respeito aos fins citados, de m aneira a tornar

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m enos eficaz a aptidão de pairar no ar. As asas dos m orcegos poderiam , é verdade, com o as de m uitas aves, dim inuir de tam anho ou m esm o desaParecer com pletam ente por causa da falta de uso; m as seria necessário, neste caso, que estes anim ais tivessem adquirido de com eço a faculdade de correr com rapidez sobre o solo por m eio som ente dos m em bros Posteriores, de form a a poderem lutar com as aves e com os outros anim ais terrestres; ora, é esta um a m odificação para a qual o m orcego parece m uito m al apropriado. Enunciam os estas conj ecturas unicam ente para dem onstrar que um a transição de estrutura de que cada grau constitui um a vantagem é um a coisa m uito com plexa e que não há, por conseqüência, nada de extraordinário em que, num caso particular, qualquer transição não sej a produzida.

Enfim , m ais do que um autor tem perguntado porque, em certos anim ais m ais do que em outros, o poder m ental adquiriu um m ais elevado grau de desenvolvim ento, quando o desenvolvim ento era vantaj oso para todos. Por que é que os m acacos não adquirem as aptidões intelectuais do hom em ? Poder-se-iam indicar diversas causas; m as é inútil expô-las, porque são sim ples conj ecturas; além de que, não podem os apreciar a sua probabilidade relativa. Não se poderia esperar resposta determ inante à segunda questão, porque ninguém é capaz de resolver este problem a bem m ais sim ples: porque, sendo dadas duas raças de selvagens, um a atingiu um grau m uito m ais elevado que a outra na escala da civilização; fato este que parece envolver um aum ento de forças cerebrais. Voltando às outras obj eções de M. Mivart. Os insetos, para escapar aos ataques dos seus inim igos, sem elham algum as vezes obj etos diversos tais com o folhas verdes ou secas, m usgos secos, fragm entos de líquenes, flores, espinhos, excrem entos de aves, e m esm o outros insetos vivos; terei de voltar a este ponto. A sem elhança é algum as vezes adm irável; não se lim ita à cor, m as atende-se à form a e m esm o à postura. As larvas que se sustentam im óveis sobre os ram os, onde se nutrem , têm o aspecto de ram os m ortos, e fornecem assim um excelente exem plo de um a sem elhança deste gênero. Os casos de sem elhança com certos obj etos, tais com o os excrem entos de aves, são raros e excepcionais. Sobre este ponto, diz M. Mivart: « Com o, segundo a teoria de M. Darwin, há um a tendência constante

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a um a variação indefinida, e com o as variações nascentes que daí resultam devem produzir-se em todas as direções, devem tender a neutralizar-se reciprocam ente e a form ar m odificações tão instáveis, que é difícil, senão im possível, ver com o estas oscilações indefinidas de princípios infinitesim ais podem chegar a produzir sem elhanças apreciáveis com folhas, bam bus, ou outros obj etos, sem elhanças de que a seleção natural deve apoderar-se para as perpetuar» . É provável que, em todos os casos citados, os insetos, no seu estado prim itivo, tivessem qualquer sem elhança grosseira e acidental com certos obj etos com uns em todas as estações que habitavam . Dem ais, não há nada de im provável, se se considera o núm ero infinito de obj etos circunvizinhos e a diversidade de form a e de cor das m iríades de insetos. A necessidade de um a im itação grosseira para ponto de partida perm ite-nos com preender por que os anim ais m aiores e m ais elevados (há um a exceção, a única que conheço, um peixe) não sem elham , com o m eio defensivo, obj etos especiais, m as som ente a superfície da região que habitam , e esta sobretudo pela cor. Adm itam os que um inseto se tenha tornado parecido prim itivam ente, até certo ponto, a um ram úsculo m orto ou a um a folha seca, e que tenha variado ligeiram ente em diversas direções; toda a variação que aum entasse a sem elhança, e favorecesse, por conseqüência, a conservação do inseto, devia conservar-se, enquanto que as outras variações desprezadas term inam por perder-se inteiram ente; ou m elhor, deviam ser elim inadas se dim inuíssem a sem elhança com o obj eto im itado. A obj eção de M. Mivart teria, com efeito, algum valor se procurássem os explicar estas im itações, por um a sim ples variabilidade vacilante, sem o concurso da seleção natural, o que não é o caso. Não com preendo tam pouco o alcance da obj eção que M. Mivart apresenta relativam ente aos « últim os graus de perfeição da im itação ou da m ím ica» , com o no exem plo citado por M. Wallace, relativo a um inseto Ceroxy lus laceratus que se assem elha a um a varinha coberta de m usgo, a ponto que um Diak indígena sustentava que as excrescências foliáceas eram na realidade do m usgo. Os insetos são a presa das aves e de outros inim igos dotados de um a vista provavelm ente m ais penetrante do que a nossa; toda a im itação podendo contribuir para dissim ular o inseto tende pois a assegurar tanto m ais a sua conservação quanto esta se- 246

m elhança é m ais perfeita. Se se considera a natureza das diferenças que existem entre as espécies do grupo que com preende o Ceroxy lus, não há im probabilidade algum a para que este inseto haj a variado pelas irregularidades da sua superfície, que têm tom ado um a coloração m ais ou m enos verde; porque, em cada grupo, os caracteres que diferem nas diversas espécies estão m ais suj eitos a variar, enquanto que os da ordem genérica ou com uns a todas as espécies são m ais constantes. A baleia da Groenlândia é, entre todos os anim ais, um dos m ais adm iráveis, e as barbas que lhe revestem a m axila, um dos m ais singulares caracteres. As barbas consistem , de cada lado da m axila superior, em um a fila de pouco m ais ou m enos trezentas placas ou lâm inas aproxim adas, colocadas transversalm ente ao eixo m ais longo da boca. Há, no interior da fila principal, algum as outras subsidiárias. As extrem idades e os bordos internos de todas as placas cindem -se em espinhos rígidos, que cobrem o palatino gigantesco, e servem para tam izar ou filtrar a água e recolher assim os pequenos seres que servem de nutrição a estes grandes anim ais. A lâm ina m ediana, a m ais com prida da baleia groenlandêsa, tem dez, doze ou quinze pés de com prim ento; m as há nas diferentes espécies de cetáceos gradações de com prim ento; a lâm ina m ediana tem em um a, segundo de Scoresby, quatro pés, três em duas outras, dezoito polegadas num a quarta e pouco m ais ou m enos nove polegadas de com prim ento no Balaenoptera rostrata. As qualidades das barbas diferem tam bém nas diferentes espécies. M. Mivart faz a propósito a observação seguinte: « Desde que a barba atinge um desenvolvim ento que a torna útil, a seleção natural bastaria sOm ente, sem dúvida, para assegurar a sua conservação e o seu aum ento em convenientes lim ites. Mas com o explicar o princípio de um desenvolvim ento tão útil?» Pode, com o resposta, perguntar-se: porque é que os antepassados prim itivos das baleias com barba não tinham a boca construída no gênero do bico lam elar do ganso? Os gansos, com o as baleias, nutrem -se filtrando a água e o lodo, o que faz dar algum as vezes à fam ília o nom e de Criblatores. Espero que ninguém se servirá destas observações para m e fazer dizer que os antepassados das baleias eram realm ente providos de bocas lam elares sem elhantes ao bico do ganso. Quero som ente fazer

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com preender que a suposição nada tem de im possível, e que as vastas barbas da baleia groenlandêsa poderiam provir do desenvolvim ento de lam elas sem elhantes, devido a um a série de graus insensíveis todos úteis aos seus descendentes. O bico do lavanco (Spatula clypeata) oferece um a conform ação m uito m ais bela e m ais com plexa do que a boca da baleia. Em um espécim e que exam inei, a m axila superior tem de cada lado um a fila ou um pente de lam elas delgadas, elásticas, em núm ero de cento e oitenta e oito, talhadas obliquam ente em bisel, de form a a term inar em ponta, e colocadas transversalm ente sobre o eixo alongado da boca. Elevam -se sobre o palatino e são presas aos lados da m axila por um a m em brana flexível. As m ais com pridas são as do m eio; têm pouco m ais ou m enos um terço de polegada de com prim ento e excedem o rebordo cerca de 0,14 da polegada. Observa-se na sua base um a curta fiada auxiliar de lam elas transversais oblíquas. Sob estas diversas relações, assem elham -se às barbas da boca da baleia; m as diferem m uito para a extrem idade do bico, porque se dirigem para a garganta em lugar de descer verticalm ente. Toda a cabeça do lavanco é incom paravelm ente m enos volum osa do que a do Balaenoptera rostrata de tam anho m édio, espécie em que as barbas têm apenas nove polegadas de com prim ento, porque representa pouco m ais ou m enos uns dezoito avos da cabeça deste últim o; de m odo que, se déssem os à cabeça do lavanco o com prim ento da do Balaenoptera, as lam elas teriam seis polegadas de com prim ento - isto é, os dois terços do com prim ento das barbas desta espécie de baleias. A m axila inferior do ganso lavanco está provida de lam elas que igualam em com prim ento as da m axila superior, são, porém , m ais finas, e diferem assim de um a m aneira m uito notável da m axila inferior da baleia, que é desprovida de barbas. Além disso, as extrem idades destas lam elas inferiores são divididas em pontas finam ente erriçadas, e parecem -se assim curiosam ente às barbas. No gênero Prion, m em bro da distinta fam ília dos alcatrazes, só a m andíbula superior é provida de lam elas bem desenvolvidas e passando além dos bordos, de m aneira que o bico da ave parece-se, neste ponto de vista, com a boca da baleia.

Da estrutura altam ente desenvolvida do lavanco, pode-se, sem que o intervalo sej a m uito considerável (com o aprendi pelas particularidades e pelos especí- 248

m enes que recebi de M. Salvin) com respeito à aptidão para a filtração, passar do bico do Merganetta arm ata, e sob algum as relações do Aix sponsa, para o bico do pato com um . Nesta últim a espécie, as lam elas são m ais grosseiras do que no lavanco, e são firm em ente ligadas aos lados da m axila; não há m ais do que cerca de cinqüenta de cada lado, e não fazem saliência por baixo dos bordos. Term inam em quadrado, são revestidas de um tecido resistente e translúcido, e parecem destinadas à trituração dos alim entos. Os bordos da m andíbula inferior são cruzados por num erosas arestas finas, m as pouco salientes. Posto que, com o tam is (peneira), este bico sej a m uito inferior ao do lavanco, serve, com o todos sabem , constantem ente para este uso. M. Salvin ensinou-m e que há outras espécies nas quais as lam elas são consideravelm ente m enos desenvolvidas do que no pato com um ; m as não sei se estas espécies se servem do bico para filtrar a água. Passem os a um outro grupo da m esm a fam ília. O bico do pato egípcio (Chenalopex) parece-se m uito com o do ganso com um ; m as as lam elas são m enos num erosas, m enos distintas e fazem m enos saliência no interior; todavia, com o m e ensina M. E. Bartlett, este pato « serve-se do bico com o o ganso, e deita a água para fora pelos cantos» . A sua nutrição principal é todavia a erva que com e com o o ganso com um , em que as lam elas quase confluentes da m axila superior são m uito m ais grosseiras do que no pato com um ; há vinte e sete de cada lado e term inam por cim a em protuberâncias dentiform es. O palatino é tam bém coberto de botões duros e redondos. Os bordos da m axila inferior são guarnecidos de dentes proem inentes, m ais grosseiros e m ais agudos do que no pato. O ganso com um não filtra a água; serve-se exclusivam ente do bico para arrancar e cortar as ervas, a cuj o uso está tão bem adaptado que a ave pode segar a erva de m uito m ais perto do que qualquer outro anim al. Há outras espécies de gansos, com o m e refere M. Bartlett, em que as lam elas são m enos desenvolvidas do que no ganso com um .

Vem os assim que um m em bro da fam ília dos patos com um bico construído com o o do ganso com um , adaptado unicam ente para pastar, ou apresentando apenas lam elas pouco desenvolvidas, poderia, por ligeiras alterações, transform ar-se num a espécie tendo um bico sem elhante ao do ganso do Egito -este por

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seu turno num a outra tendo um bico sem elhante ao do pato com um - e enfim num a form a análoga ao lavanco, provida de um bico quase exclusivam ente adaptado à filtração da água, e não podendo ser em pregado para agarrar e dilacerar os alim entos sólidos a não ser com a extrem idade em form a de gancho. Posso j untar que o bico do pato poderia, com pequenas alterações, transform ar-se tam bém em um outro provido de dentes recurvados, salientes, com o os do m ergulhão (da m esm a fam ília), servindo para o fim m uito diferente de apanhar e assegurar a presa do peixe vivo. Tornem os às baleias. O Hy pergdon bidens é desprovido de verdadeiros dentes podendo servir eficazm ente, m as o seu palatino, segundo Lacépède, é endurecido pela presença de pequenas pontas de chifre desiguais e duras. Nada há, pois, de im provável para que qualquer form a cetácea prim itiva tenha tido o palatino provido de pontas córneas sem elhantes, m ais regularm ente situadas, e que, com o as protuberâncias do bico do pato, lhes servissem para apanhar ou dilacerar a presa. Sendo assim , pode-se apenas negar que a variação e a seleção natural tenham conseguido converter estas pontas em lam elas tão desenvolvidas com o o são no ganso egípcio, servindo tanto para prender os obj etos com o para filtrar a água, depois em lam elas com o as do pato dom éstico, e progredindo sem pre até

que a sua conform ação haj a atingido a do lavanco, onde servem tão exclusivam ente de aparelho para filtrar. Gradações, que podem observar-se nos cetáceos ainda vivos, conduzem -nos deste estado em que as lam elas têm adquirido os dois terços do com prim ento das barbas da Balaena rostrata, às enorm es barbas da baleia groenlandêsa. Não há, pois, a m enor razão para duvidar que cada passo dado nesta direção foi tão favorável a certos cetáceos antigos, alterando-se as funções lentam ente durante o progresso do desenvolvim ento, com o são as gradações existentes nos bicos dos diversos m em bros atuais da fam ília dos gansos. Devem os lem brar-nos que cada espécie de gansos está exposta a um a séria luta pela existência, e que a form ação de todas as partes da sua organização deve ser perfeitam ente adaptada às suas condições vitais.

Os pleuronectos, ou peixes chatos, são notáveis pela falta de sim etria do corpo. Repousam sobre um lado -sobre o esquerdo na m aior parte das espécies;

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em algum as outras, sobre o lado direito; encontram -se m esm o algum as vezes exem plos de indivíduos adultos voltados. A superfície inferior, ou superfície de repouso, sem elha-se à prim eira vista à superfície inferior de um peixe ordinário; é

branca; a m uitos respeitos é m enos desenvolvida do que a superfície superior e as barbatanas laterais são m uitas vezes m enores. Os olhos são, todavia, nestes peixes, a particularidade m ais notável; porque ocupam am bos o lado superior da cabeça. Na prim eira idade estão em face um do outro; o corpo é então sim étrico e os dois lados igualm ente corados. Em breve, o olho próprio ao lado inferior transporta-se lentam ente à volta da cabeça para ir estabelecer-se no lado superior, m as não passa através do crânio, com o outrora se j ulgava. É evidente que se este olho inferior não sofresse este transporte, seria inútil para o peixe quando ocupa a posição habitual, isto é, quando está deitado sobre o lado; estaria, dem ais a m ais, exposto a ser ferido por um fundo arenoso. A abundância extrem a de m uitas espécies de linguados, de solhos, etc., prova que a estrutura chata e não sim étrica dos pleuronectos é adm iravelm ente adaptada às suas condições vitais. As principais vantagens que tiram disto parecem ser um a proteção contra os inim igos, e um a grande facilidade para se nutrirem no fundo. Todavia, com o o faz notar Schikj dte, os diferentes m em bros da fam ília atual apresentam « um a longa série de form as passando gradualm ente do Hippoglossus pinguis, que não m uda sensivelm ente de form a desde que deixa o ovo, até aos linguados, que se voltam inteiram ente de um lado» . M. Mivart tom ou este exem plo e faz notar que um a transform ação espontânea e rápida na posição dos olhos é a custo com preensível, ponto em que estou com pletam ente de acordo com ele. Acrescenta então: « Se o transporte do olho para o lado oposto da cabeça fosse gradual, que vantagem podia apresentar para o indivíduo um a m odificação tão insignificante? Parece m esm o que esta transform ação de origem devia em breve ser-lhe nociva» . Mas poderia ter encontrado um a resposta a esta obj eção nas excelentes observações publicadas em 1867 por M. Malm . Os pleuronectos m uito novos e ainda sim étricos, tendo os olhos situados nos lados opostos da cabeça, não podem conservar por m uito tem po a posição vertical, atendendo à altura excessiva do corpo, à pequenez das barbatanas late-251

rais e à falta de bexiga natatória. Fatigam -se, pois, depressa e caem no fundo, sobre o lado. Nesta situação de repouso, segundo a observação de Malm , torcem , por assim dizer, o olho inferior para cim a, para verem nesta direção, e isto com um vigor que arrasta um a forte pressão do olho contra a parte superior da órbita. Torna-se, pois, m uito evidente que a parte da fronte com preendida entre os olhos se contrai tem porariam ente. Malm teve ocasião de ver um peixe novo levantar e baixar o olho inferior num a distância angular de cerca de 70 graus. É necessário lem brar que, nos prim eiros tem pos, o crânio é cartilagíneo e flexível e, por conseguinte, cede facilm ente à ação m uscular. Sabe-se tam bém que, nos anim ais superiores, m esm o após a prim eira idade, o crânio cede e deform a-se quando a pele ou os m úsculos são contraídos de m odo perm anente em seguida a um a doença ou a um acidente. Nos coelhos de grandes orelhas, se um a delas cai e se inclina para diante, o seu peso arrasta no m esm o sentido todos os ossos do crânio pertencentes ao m esm o lado da cabeça, fato de que dei um exem plo. (De La Variation des Anim aux, etc., 1, 127, tradução francesa). Malm verificou que as novas percas, os salm ões novos, e m uitos outros peixes sim étricos, logo que nascem , têm o hábito de repousar algum as vezes sobre o lado no fundo da água; esforçam -se por dirigir o olho inferior para o alto, e o crânio acaba por se deform ar um pouco. Todavia, estes peixes voltando em breve a conservar a posição vertical, não lhes resulta efeito algum perm anente. Quanto m ais velhos se tornam os pleuronectos, pelo contrário, m ais repousam sobre o lado, por causa do achatam ento crescente do corpo, de onde a produção de um efeito perm anente sobre a form a da cabeça e posição dos olhos. Julgando por analogia, a tendência para a torsão aum enta sem dúvida algum a pela hereditariedade. Schiõdte crê, em contrário de alguns naturalistas, que os pleuronectos não são sim étricos m esm o no em brião, o que perm itiria com preender por que certas espécies, na prim eira idade, repousam sobre o lado esquerdo, outras sobre o direito. Malm acrescenta, em confirm ação da opinião precedente, que o Trachy terus arcticus adulto, que não pertence à fam ília dos pleuronectos, repousa sobre o lado esquerdo no fundo da água e nada diagonalm ente; ora, neste peixe, pretende-se que os dois lados da cabeça são um pouco dessem elhantes. A nossa grande autoridade sobre os pei- 252

xes, O Dr. Gunther, conclui a sua análise do trabalho de Malm pela nota: “O autor dá um a explicação m uito sim ples da condição anorm al dos pleuronectos”. Vem os assim que as prim eiras fases do transporte do olho de um lado para o outro da cabeça, que M. Mivart considera com o nocivas, podem ser atribuídas ao hábito, sem dúvida vantaj oso para o indivíduo e para a espécie, de olhar para cim a com os dois olhos, ficando todo deitado no fundo sobre o lado. Podem os tam bém atribuir aos efeitos hereditários do uso, o fato de em alguns gêneros de peixes chatos, a boca ser inclinada para a superfície inferior, com os m axilares m ais fortes e m ais eficazes do lado da cabeça desprovida de olho do que do outro lado, com o fim , com o o supõe o Dr. Traquair, de apanhar m ais facilm ente os alim entos do solo. Por outro lado, a falta de uso pode explicar o estado m enos desenvolvido de toda a m etade inferior do corpo, com preendendo as barbatanas laterais; Yarrell pensa m esm o que a redução destas barbatanas é vantaj osa para o peixe, « porque têm para operar m enos espaço do que as barbatanas superiores» . Pode igualm ente atribuir-se à falta de uso a diferença no núm ero de dentes que existem nas duas m andíbulas da patruça, na proporção de quatro a sete nas m etades superiores, e de vinte e cinco a trinta nas m etades inferiores. O estado incolor do ventre da m aior parte dos peixes e de outros anim ais pode fazer-nos supor razoavelm ente que, nos peixes planos, a m esm a falta de coloração da superfície inferior, quer sej a à direita quer à esquerda, é devida à

ausência de luz. Mas não se atribuiriam à ação da luz as m anchas singulares que se encontram sobre o lado superior do linguado, m anchas que se parecem com o fundo areento do m ar, ou a faculdade que têm algum as espécies, com o o dem onstrou recentem ente Pouchet, de m odificar a cor para se colocarem em relação com a superfície am biente, ou a presença de tubérculos ósseos sobre a superfície superior do rodovalho. A seleção natural tem desem penhado provavelm ente aqui o papel de adaptar às condições vitais a form a geral do corpo e m uitas outras particularidades destes peixes. Com o j á o fiz notar com tanta insistência, é necessário lem brar que a seleção desenvolve os efeitos hereditários de um aum ento de uso das partes, e talvez do não uso. Todas as variações espontâneas em boa direção são, com efeito, conservadas por ela e tendem a persistir, com o os indivíduos que

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recebem por herança no m ais alto grau efeitos de aum ento vantaj oso ao uso de um a parte. Parece, contudo, im possível decidir, em cada caso particular, o que é necessário atribuir por um lado aos efeitos do uso e por outro lado à seleção natural. Posso citar um outro exem plo de um a conform ação que parece dever a sua origem exclusivam ente ao uso e ao hábito. A extrem idade da cauda, em alguns m acacos am ericanos, transform a-se num órgão preênsil de um a perfeição adm irável e serve de quinta m ão. Um autor que está de acordo em todos os pontos com M. Mivart nota, a respeito desta conform ação, que « é im possível acreditar que, sej a qual for o núm ero de séculos decorridos, a prim eira tendência a prender pudesse preservar os indivíduos que a possuem , ou a favorecer a probabilidade de ter e escolher descendentes» . Não há nada que obrigue a um a tal crença. O

hábito, e este quase sem pre com preende um a grande ou pequena vantagem , bastaria provavelm ente para explicar o efeito obtido. Brehm viu os filhos de um m acaco africano (Cercopithecus) segurar-se ao ventre da m ãe pelas m ãos, e, ao m esm o tem po, enroscar as pequenas caudas em volta da dela. O professor Henslow guardou em cativeiro alguns ratos das searas (Musm essorius), cuj a cauda, que pela sua conform ação não pode ser colocada entre as caudas preênseis, servelhes, contudo, m uitas vezes para trepar aos ram os de um arbusto colocado na sua gaiola, enrolando-se à volta dos ram os. O Dr. Günther transm itiu-m e um a observação sem elhante num a rata que viu tam bém suspender-se pela cauda. Se o rato das searas fosse m ais estritam ente conform ado para habitar as árvores, teria talvez tido a cauda m unida de um a estrutura preênsil com o existe em alguns m em bros da m esm a ordem . É difícil dizer, em presença destes hábitos nas prim eiras idades, a razão por que o cercopiteco não adquiriu um a cauda preênsil. É possível, todavia, que a cauda m uito com prida deste m acaco lhe preste m ais serviços com o órgão de equilíbrio nos saltos prodigiosos que dá, do que com o órgão de preensão.

As glândulas m am árias são com uns à classe inteira dos m am íferos, e indispensáveis à sua existência; devem , pois, ter-se desenvolvido desde um a época excessivam ente afastada; m as não sabem os nada de positivo sobre o seu m odo

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de desenvolvim ento. M. Mivart pergunta: « Pode conceber-se que o filho de um anim al qualquer tenha podido j am ais ser salvo da m orte sugando fortuitam ente um a gota de um líquido apenas nutritivo segregado por um a glândula cutânea acidentalm ente hipertrofiada na m ãe? E m esm o se assim fosse, que probabilidade haveria em favor da perpetuidade de um a tal variação?» Mas a questão não está

lealm ente posta. A m aior parte dos transform istas adm item que os m am íferos derivam de um a form a m arsupial; se assim é, as glândulas m am árias devem ter-se desenvolvido a princípio no saco m arsupial. O peixe Hippocam pus choca os ovos e nutre os filhos durante algum tem po num saco deste gênero; um naturalista am ericano, M. Lockwood, concluiu do que tem visto do desenvolvim ento dos filhos, que são nutridos por um a secreção das glândulas cutâneas do saco. Ora, não é

pelo m enos possível que os filhos possam ter sido nutridos sem elhantem ente entre os antepassados prim itivos dos m am íferos antes m esm o que m erecessem este últim o nom e? Neste caso, produzindo os indivíduos um líquido nutritivo, aproxim ando-se da natureza do leite, devem ter, na seqüência do tem po, produzido um m aior núm ero de descendentes bem nutridos, do que os que produzissem um líquido m ais pobre; as glândulas cutâneas que são as hom ólogas das glândulas m am árias, devem ter-se assim aperfeiçoado e tornado m ais ativas. O fato de, num certo ponto do saco, as glândulas se desenvolverem m ais do que noutros, concorda com o princípio tão extenso da especialização; estas glândulas terão constituído então um seio, a princípio desprovido de m am ilo com o o observam os no ornitorrinco no m ais baixo grau da escala dos m am íferos. Não pretendo, de form a algum a, j ulgar da parte que se pode ter prendido à especialização m ais com pleta das glândulas, quer sej a a com pensação do crescim ento, quer os efeitos do uso, quer a seleção natural.

O desenvolvim ento das glândulas m am árias não poderia ter prestado qualquer serviço, e não teria podido, por conseguinte, ser efetuado pela seleção natural, se os filhos ao m esm o tem po não pudessem tirar a sua nutrição das secreções de tais glândulas. Nada m ais difícil de com preender do que com o é que os novos m am íferos aprenderam instintivam ente a sugar um a m am a, e ainda explicar com o os pintinhos, para saírem do ovo, aprenderam a quebrar a casca ferindo-a com o

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bico adaptado especialm ente a este fim , ou com o, algum as horas depois da eclosão, sabem esgaravatar e apanhar do chão os grãos destinados à sua nutrição. A explicação m ais provável, nestes casos, é que o hábito, adquirido pela prática num a idade m ais avançada, se transm itiu, por hereditariedade, à idade m ais precoce. Diz-se que o canguru novo não sabe sugar e apenas se segura ao m am ilo da m ãe, que tem o poder de inj etar leite na boca do filho im potente e m eio form ado. M. Mivart nota a este respeito: « Sem um a disposição especial, o filho seria infalivelm ente sufocado pela introdução do leite na traquéia. Mas há um a disposição especial. A laringe é bastante alongada para subir até ao orifício posterior da passagem nasal, e poder dar assim livre trânsito ao ar destinado aos pulm ões; o leite passa inofensivam ente de cada lado da laringe prolongada, e chega sem dificuldade ao esôfago que está atrás» . M. Mivart pergunta então com o é que a seleção natural pôde tirar ao canguru adulto (e aos outros m am íferos, na hipótese de derivarem de um a form a m arsupial) esta conform ação pelo m enos com pletam ente inocente e inofensiva. Pode responder-se que a voz, de que a im portância é certam ente m uito grande em m uitos anim ais, não poderia adquirir todo o seu poder se a laringe penetrasse na passagem nasal; o professor Flower fez-m e observar, além disso, que um a conform ação deste gênero causaria grandes obstáculos ao uso de um a nutrição sólida para o anim al.

Exam inem os agora resum idam ente as divisões inferiores do reino anim al. Os equinoderm os (astérias, ouriços-do-m ar, etc.) são providos de órgãos notáveis cham ados pedicelos, que consistem , quando são bem desenvolvidos, num pinça tridáctila, isto é, num a pinça com posta de três braços denticulados bem adaptados entre si e colocados num a haste flexível m ovida por m úsculos. Esta tenaz pode segurar os obj etos com firm eza; Alexandre Agassiz observou um ouriço transportando rapidam ente parcelas de excrem entos de pinça em pinça ao longo de certas linhas do corpo para não suj ar a concha. Mas não há dúvida que, servindo para tirar as im undícies, desem penham outras funções, de que um a parece ter a defesa por obj eto. Com o em m uitas ocasiões precedentes, M. Mivart pergunta com respeito a estes órgãos: « Qual podia ser a utilidade dos prim eiros rudim entos destas conform ações e com o podiam os gom os nascentes preservar a vida de um só

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equinodérida?» Acrescenta: « Mesm o um desenvolvim ento im previsto da faculdade de prender não poderia ser útil sem a haste m óvel, nem esta últim a eficaz sem a adaptação das m axilas próprias para agarrar; ora, coordenadas estas condições de estrutura, de ordem tão com plexa, não podem sim ultaneam ente provir de variações ligeiras e indeterm inadas; seria m ais querer sustentar um paradoxo do que negá-lo» . É certo, contudo, por paradoxal que isto pareça a M. Mivart, que existem em m uitas astérias pinças tridáctilas sem haste, fixadas solidam ente na base, susceptíveis de exercer a ação de prender, e que são, pelo m enos em parte, órgãos defensivos. Sei, devido ao obséquio que M. Agassiz teve em transm itir-m e um conj unto de m inuciosidades sobre este assunto, que há outras astérias nas quais um dos três braços da pinça está reduzido a constituir um suporte para os outros dois, e ainda outros gêneros em que o terceiro braço falta por com pleto. M. Perrier descreve o Echinoneus com o tendo duas espécies de pedicelos, um a sem elhando a do equinodérida e a outra a do espatango; estes casos são interessantes, porque fornecem exem plos de certas transições súbitas resultando do abortam ento de um dos dois estados de um órgão.

M. Agassiz concluiu dos seus próprios estudos e dos de Malar, com respeito à m archa que estes órgãos curiosos deviam ter seguido na sua evolução, que é

necessário, sem dúvida algum a, considerar com o espinhos m odificados os pedicelos das astérias e os ouriços-do-m ar. O m esm o se pode deduzir, tanto do m odo do desenvolvim ento no indivíduo, com o da longa e perfeita série dos graus que se observam nos diferentes gêneros e nas diferentes espécies, desde sim ples granulações até aos pedicelos tridáctilos perfeitos, passando por espinhos ordinários. A gradação estende-se até ao m odo segundo o qual os espinhos e os pedicelos são articulados na concha por varetas calcárias que os suportam . Encontram -se, em alguns gêneros de astérias, « as com binações m ais próprias para dem onstrar que os pedicelos são sim ples m odificações de espinhos ram ificados» . Assim , encontram os espinhos fixos na base dos quais são articulados três ram os eqüidistantes, m óveis e denticulados, e sustentando na parte superior três outras ram ificações igualm ente m óveis. Ora, quando estas últim as sobrepõem o vértice do espinho, form am de fato um pedicelo tridáctilo grosseiro que pode observar-se no m esm o

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espinho ao m esm o tem po em que os três ram os inferiores. Não se pode, neste caso, desconhecer a identidade que existe entre os braços dos pedicelos e os ram os m óveis de um espinho. Adm ite-se geralm ente que os espinhos ordinários servem de arm a defensiva; não há, pois, razão algum a para duvidar que o m esm o se não dê quanto aos ram os m óveis e denticulados, de que a ação é m ais eficaz quando se reúnem para funcionar com o aparelho preênsil. Cada gradação com preendida entre o espinho ordinário fixo e o pedicelo fixo seria, pois, vantaj osa ao anim al.

Continuar: parte 3 de 3