A Origem das Espécies

Charles Darwin · Capítulo 17 de 17 · parte 2/4

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A Origem das Espécies

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

tar o plano da natureza, porque é que, com o o pergunta o professor Weism ann, se não encontram em todas as outras serpentes, onde se não vê o m ais pequeno vestígio? Que se pensaria de um astrônom o que sustentasse que os satélites descrevem , em virtude da sim etria, um a órbita elíptica em torno dos planetas, porque estes as descrevem em volta do Sol? Um fisiólogo em inente explica a presença dos órgãos rudim entares supondo que servem para excretar substâncias em excesso, ou nocivas ao indivíduo; m as podem os nós adm itir que a papila ínfim a que representa m uitas vezes o pistilo em certas flores m asculinas, e que é apenas constituída por tecido celular, possa ter um a ação igual? Podem os nós adm itir que dentes rudim entares, que são ulteriorm ente reabsorvidos, sej am úteis ao em brião da vaca em via de crescim ento rápido, quando em pregam inutilm ente um a m atéria tão preciosa com o o fosfato de cálcio? Têm -se visto, algum as vezes, depois da am putação dos dedos do hom em , unhas im perfeitas form ar-se nos cotos; ora seria tam bém fácil acreditar que estes vestígios de unhas fossem desenvolvidos para excretar m atéria córnea, com o adm itir que as unhas rudim entares que term inam a barbatana do peixe-m ulher, tenham tido o m esm o fim .

Na hipótese da descendência com m odificações, a explicação da origem dos órgãos rudim entares é com parativam ente sim ples. Podem os, além disso, explicar em grau m uito grande as leis que presidem ao seu desenvolvim ento im perfeito. Tem os exem plos num erosos de órgãos rudim entares nas nossas produções dom ésticas, tais com o, por exem plo, o troço de cauda que persiste nas raças sem cauda, os vestígios de pavilhão nas raças ovinas que são privadas deste órgão, a reaparição de pequenos chifres pendentes nas raças de gado bovino sem chifres, e sobretudo, segundo Youatt, nos anim ais novos, e o estado da flor com pleta na couve-flor. Encontram os m uitas vezes nos m onstros os rudim entos de diversas partes. Duvido que qualquer destes exem plos possa explicar a origem dos órgãos rudim entares no estado de natureza, e som ente provam que tais órgãos se podem reproduzir; porque tudo parece indicar que as espécies no estado de natureza j am ais sofreram grandes e bruscas alterações. Mas o estudo das nossas produções dom ésticas ensina-nos com o o não uso das partes arrasta a sua dim inuição, e isto de um a

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m aneira hereditária. Parece-m e provável que a falta de uso foi a causa principal destes fenôm enos de atrofia, que esta falta de uso, num a palavra, devia ter determ inado a princípio m uito lentam ente e m uito gradualm ente a dim inuição cada vez m ais com pleta de um órgão até que se tornou rudim entar. Poderiam citar-se com o exem plos os olhos dos anim ais que vivem em cavernas escuras, e as asas das aves habitando as ilhas oceânicas, aves que, raram ente forçadas a elevar-se nos ares para escapar aos anim ais ferozes, acabaram por perder a faculdade de voar. Além disso, um órgão, útil em certas condições, pode tornar-se nocivo em condições diferentes, com o as asas dos coleópteros vivendo nas pequenas ilhas varridas pelos ventos; neste caso, a seleção natural deve tender lentam ente a reduzir o órgão, até que cesse de ser nocivo tornando-se rudim entar. Toda a m odificação de conform ação e função, desde que possa efetuar-se por graus insensíveis, é do dom ínio da seleção natural; de m odo que um órgão que, por m udanças sucessivas nas condições de existência, se torna nocivo ou inútil, pode, a certos respeitos, m odificar-se de m aneira a servir a qualquer outro uso. Um órgão pode tam bém conservar apenas um a só das funções que fora cham ado precedentem ente a desem penhar. Um órgão prim itivam ente form ado por seleção natural, tornado inútil, pode então tornar-se variável, não sendo estas variações m ais im pedidas pela seleção natural. Tudo isto concorda perfeitam ente com o que vem os na natureza. Dem ais, em qualquer período da vida que a falta de uso ou a seleção tendam a reduzir um órgão, o que sucede geralm ente quando o indivíduo tenha atingido a sua m aturidade e deva fazer uso de todas as suas faculdades, o princípio da hereditariedade na idade correspondente tende a reproduzir, nos descendentes deste indivíduo, o m esm o órgão no seu estado reduzido, exatam ente na m esm a idade, m as afetando som ente em raros casos o em brião. Assim se explica porque os órgãos rudim entares são relativam ente m aiores no em brião que no adulto. Se, por exem plo, o dedo de um anim al adulto serve cada vez m enos, durante num erosas gerações, por algum as alterações sucessivas nos seus hábitos, ou se um órgão ou um a glândula exercia m enos funções, poderia concluirse que se reduziriam em tam anho nos descendentes adultos deste anim al, m as que conservariam quase o tipo original do seu desenvolvim ento no em brião.

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Todavia, subsiste ainda um a dificuldade. Depois que um órgão deixou de servir e que tem , por isso, dim inuído em grandes proporções, com o pode ainda sofrer um a dim inuição ulterior até não deixar m ais que vestígios im perceptíveis e por fim desaparecer? Não é possível que a falta de uso possa continuar a produzir novos efeitos sobre um órgão que cessou de desem penhar todas as suas funções. Seria indispensável poder dar aqui algum as explicações, nas quais não posso infelizm ente entrar.

Se pudesse provar-se, por exem plo, que todas as variações das partes tendem à dim inuição tanto com o ao aum ento do volum e dessas partes, seria fácil com preender que um órgão inútil se tornaria rudim entar, independentem ente dos efeitos da falta de uso, e seria em seguida com pletam ente suprim ido, porque todas as variações tendendo a um a dim inuição de volum e cessariam de ser com batidas pela seleção natural. O princípio de econom ia de crescim ento explicado num capítulo precedente, em virtude do qual os m ateriais destinados à form ação de um órgão são econom izados tanto quanto possível, se este órgão se torna inútil para o seu possuidor, tem talvez contribuído a tornar rudim entar um a parte inútil do corpo. Mas os efeitos deste princípio deviam ter necessariam ente influenciado apenas as prim eiras fases da m archa da dim inuição; porque não podem os adm itir que um a pequena papila representando, por exem plo, num a flor m asculina o pistilo da flor fem inina, e form ada unicam ente de tecido celular, possa ser reduzida cada vez m ais ou reabsorvida com pletam ente para econom izar qualquer alim ento. Enfim , quaisquer que sej am as fases que haj am percorrido para chegarem a este estado atual que os torna inúteis, os órgãos rudim entares, conservados com o têm sido apenas pela hereditariedade, dão-nos a idéia de um estado prim itivo das coisas. Podem os, pois, com preender, no ponto de vista genealógico da classificação, com o é que os sistem atistas, procurando colocar os organism os no seu verdadeiro lugar no sistem a natural, têm m uitas vezes notado que as partes rudim entares são de um a utilidade bastante grande e por vezes m esm o m aior que outras partes tendo um a alta im portância fisiológica. Podem com parar-se os órgãos rudim entares às letras que, conservadas na ortografia de um a palavra, se bem que inúteis para a sua pronúncia, servem para lhe definir a origem e filiação. Podem os, pois,

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concluir que, pela doutrina da descendência com m odificações, a existência de órgãos que o estado rudim entar e im perfeito torna inúteis, longe de constituir um a dificuldade em baraçadora, com o é seguram ente o caso na hipótese ordinária da criação, devia, ao contrário, ser prevista com o um a conseqüência dos princípios que tem os desenvolvido.

RESUMO

Tentei dem onstrar neste capítulo que a coordenação de todos os seres organizados que viveram em todos os tem pos em grupos subordinados a outros grupos; que a natureza das relações que ligassem num pequeno núm ero de grandes classes todos os organism os vivos e extintos, por linhas de afinidade com plexas, divergentes e tortuosas; que as dificuldades que encontram e as regras que seguem os naturalistas nas suas classificações; que o valor que se ligue aos caracteres quando são constantes e gerais, que tenham um a im portância considerável ou que não tenham m esm o algum a, com o nos casos de órgãos rudim entares; que a grande diferença de valor existindo entre os caracteres de adaptação ou análogos e de afinidades verdadeiras; tentei dem onstrar, digo eu, que todas estas regras, e ainda outras sem elhantes, são a conseqüência natural da hipótese do parentesco com um das form as aliadas e das suas m odificações pela seleção natural, j unta às circunstâncias de extinção e de divergência de caracteres que determ ina. Exam inando este princípio de classificação, é necessário não esquecer que o elem ento genealógico tem sido universalm ente adm itido e em pregado para classificar em conj unto na m esm a espécie os dois sexos, as diversas idades, as form as dim orfas, e as variedades reconhecidas, sej a qual for, além disso, a sua conform ação. Se se estende a aplicação deste elem ento genealógico, única causa conhecida das sem elhanças que se verificam entre os seres organizados, com preender-se-á o que é necessário entender por sistem a natural; é tudo um sim ples ensaio de coordenação genealógica em que os diversos graus de diferenças adquiridas se exprim em pelos term os variedades, espécies, gêneros, fam ílias, ordens e classes. Partindo deste m esm o princípio da descendência com m odifica- 522

ções, a m aior parte dos grandes fatos da m orfologia tornam -se inteligíveis, quer considerados o m esm o plano apresentado pelos órgãos hom ólogos das diferentes espécies da m esm a classe, quaisquer que sej am , além disso, as suas funções; quer os considerem os nos órgãos hom ólogos do m esm o indivíduo, anim al ou vegetal. Por este princípio, de que as variações ligeiras e sucessivas não surgem necessariam ente ou m esm o geralm ente num período m uito precoce da existência, e se tornam hereditárias na idade correspondente, podem explicar-se os fatos principais da em briologia, isto é, a sem elhança estreita no em brião entre as partes hom ólogas, que, desenvolvidas em seguida, se tornam m uito diferentes tanto pela conform ação com o pela função, e a sem elhança nas espécies aliadas, ainda que distintas, das partes ou órgãos hom ólogos, se bem que no estado adulto estas partes ou estes órgãos devem adaptar-se a funções tão sem elhantes quão possível. As larvas são em briões ativos que foram m ais ou m enos m odificados segundo o seu m odo de existência, e de que as m odificações se tornaram hereditárias na idade correspondente. Se nos recordarm os que, quando quaisquer órgãos se atrofiam , quer por falta de uso, quer por seleção natural, o que só pode dar-se, em geral, num período da existência em que o indivíduo deve prover às próprias necessidades; se refletirm os, por outro lado, na força do princípio da hereditariedade, podem os prever, em virtude destes m esm os princípios, a form ação de órgãos rudim entares. Partindo deste ponto de vista - a im portância dos caracteres em briológicos assim com o da dos rudim entares - é fácil de conceber que um a classificação, para ser natural, deve ser genealógica. Em resum o, as diversas classes de fatos que acabam os de estudar neste capítulo parecem -m e estabelecer tão claram ente que as inúm eras espécies, os gêneros e as fam ílias que povoam o Globo são todas descendentes, cada um a na sua própria classe, de pais com uns, e todas têm sido m odificadas nas gerações sucessivas, que eu teria adotado esta teoria sem nenhum a hesitação, quando m esm o outros fatos e outros argum entos a não apoiassem .

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CAPÍTULO XV

Recapitulações e Conclusões

-Recapitulação das objeções levantadas contra a teoria da seleção natural.

-Recapitulação dos fatos gerais e particulares que lhe são favoráveis

-Causas da crença geral da imutabilidade das espécies.

-Até que ponto se pode levar a teoria da seleção natural

-Efeitos da sua adoção no estudo da história natural

-Últimas notas.

Sendo este volum e inteiro apenas um a longa argum entação, creio dever apresentar ao leitor um a recapitulação sum ária dos fatos principais e suas ilações. Não penso em negar que podem opor-se à teoria da descendência, m odificada pela variação e pela seleção natural, num erosas e sérias obj eções que procurei expor em toda a sua força. Em prim eiro lugar, nada m e parece m ais difícil do que acreditar no aperfeiçoam ento dos órgãos e dos m ais com plexos instintos, não por m eios superiores, posto que análogos à razão hum ana, m as por acum ulação de inúm eras e ligeiras variações, todas vantaj osas ao seu possuidor individual. Contudo, esta dificuldade, ainda que parecendo insuperável à nossa im aginação, não poderia ser considerada com o válida, se se adm itirem as proposições seguintes: todas as partes do organism o e todos os instintos oferecem pelo m enos diferenças individuais; a luta constante pela existência determ ina a conservação dos desvios de estrutura ou de instinto que podem ser vantaj osos; e, enfim , gradações no estado de perfeição de cada órgão, todas boas per si m esm o, poderá ter existido. Não creio que se possa contestar a verdade destas proposições. É, sem dúvida, dificílim o conj ecturar m esm o por que graus sucessivos têm passado m uitas das conform ações para se aperfeiçoarem , sobretudo nos grupos de seres organizados que, tendo sofrido enorm es extinções, estão atualm ente rom pidos e apresentam grandes lacunas; m as notam os na natureza gradações tão estranhas, que devem os ser m uito circunspectos antes de afirm ar que um órgão, ou um instinto, ou m esm o a conform ação inteira, não pode ter atingido o seu estado atual percorrendo um grande núm ero de fases interm ediárias. Há, deve reconhecer-se, casos particularm ente difíceis que parecem contrários à teoria da

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seleção natural; um dos m ais curiosos é, sem contradita, a existência, no m esm o form igueiro, de duas ou três castas definidas de obreiras ou fêm eas estéreis. Procurei fazer com preender com o se pode chegar a explicar este gênero de dificuldades. Quanto à esterilidade quase geral que apresentam as espécies quando de um prim eiro cruzam ento, esterilidade que contrasta de um a m aneira bem m arcante com a fecundidade quase universal das variedades cruzadas um as com as outras, devo enviar o leitor para a recapitulação, dada no fim do nono capítulo, dos fatos que m e parecem provar de um a m aneira concludente que esta esterilidade não é m ais um a propriedade especial, que o não é igualm ente a inaptidão que apresentam duas árvores distintas a enxertar-se um a na outra, m as que depende de diferenças lim itadas ao sistem a reprodutor das espécies que se podem entrecruzar. A grande diferença entre os resultados que dão os cruzam entos recíprocos de duas m esm as espécies, isto é, quando um a das espécies é em pregada a princípio com o pai e em seguida com o m ãe, prova-nos que esta conclusão é bem fundada. Som os levados à m esm a conclusão pelo exam e das plantas dim orfas e trim orfas, de que as form as unidas ilegitim am ente dão apenas poucas sem entes e por vezes nenhum as, e de que a posteridade é m ais ou m enos estéril; ora, estas plantas pertencem incontestavelm ente à m esm a espécie, e não diferem um as das outras a não ser com relação aos órgãos reprodutores e suas funções. Posto que um grande núm ero de sábios tenham afirm ado que a fecundidade das variedades cruzadas e dos seus descendentes m estiços é universal, esta asserção não pode ser considerada com o absoluta, devido aos fatos que citei com a autoridade de Gärtner e de Kölreuter.

A m aior parte das variedades em que se tem experim entado foram produzidas no estado dom éstico; e, com o a dom esticidade (e eu não a com preendo com o sim ples cativeiro), tende m uito certam ente a elim inar esta esterilidade que, a j ulgar por analogia, teria afetado o entrecruzam ento das espécies-pai, não devem os prender-nos a que a dom esticação provoque igualm ente a esterilidade dos seus descendentes m odificados, quando se cruzem uns com os outros. Esta elim inação de esterilidade parece resultar da m esm a causa que perm ite aos nossos anim ais

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dom ésticos reproduzir-se livrem ente em m eios m uito diferentes; o que parece resultar de que eles foram habituados gradualm ente às freqüentes alterações das condições de existência.

Um a dupla série de fatos paralelos parece lançar m uita luz sobre a esterilidade das espécies cruzadas pela prim eira vez e sobre a da sua posteridade híbrida. De um lado, há excelentes razões para acreditar que ligeiras m udanças nas condições de existência dão a todos os seres organizados um acréscim o de vigor e fecundidade. Sabem os tam bém que um cruzam ento entre indivíduos distintos da m esm a variedade, e entre indivíduos pertencendo a variedades diferentes, aum enta o núm ero dos descendentes, assim com o certam ente aum entam o tam anho e força. Isto resulta principalm ente do fato de as form as que se cruzam terem sido expostas a condições de existência um tanto diferentes; porque tenho podido assegurar-m e, por um a série de longas experiências, que, se se subm etem , durante m uitas gerações, todos os indivíduos de um a m esm a variedade às m esm as condições, o bem resultante do cruzam ento é m uitas vezes dim inuído ou desaparece por com pleto. É um dos lados da questão. Por outra parte, sabem os que as espécies de há m uito expostas a condições quase uniform es m orrem , ou, se sobrevivem , tornam -se estéreis, posto que conservando um a saúde perfeita, quando subm etidas a condições novas e m uito diferentes, ao estado de cativas por exem plo. Este fato não se observa ou, se se observa, é som ente em m uito fraco grau nos nossos produtos dom ésticos, que desde m uito longe foram subm etidos a condições variáveis. Por conseguinte, quando verificam os que os híbridos produzidos pelo cruzam ento de duas espécies distintas são pouco num erosos por causa da m ortalidade desde a concepção ou em idade m uito precoce, ou então por causa do estado m ais ou m enos estéril dos sobreviventes, parece m uito provável que este resultado dependa do fato de, estando com postos de dois organism os diferentes, serem subm etidos a grandes m udanças nas condições da existência. Quem puder explicar de um a m aneira absoluta a causa de o elefante ou a raposa, por exem plo, se não reproduzirem j am ais em cativeiro, m esm o no seu país natal, enquanto que o porco e o cão dom ésticos dão num erosos produtos nas m ais diversas condições de existência, poderá ao m esm o tem po responder de um m odo

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satisfatório à seguinte pergunta: porque são geralm ente m ais ou m enos estéreis duas espécies distintas cruzadas, bem com o os seus descendentes híbridos, enquanto que duas variedades dom ésticas cruzadas, e bem assim os seus descendentes m estiços, são perfeitam ente fecundos?

Quanto à distribuição geográfica, as dificuldades que encontra a teoria da descendência com m odificações são bastante sérias. Todos os indivíduos de um a m esm a espécie e todas as espécies de um m esm o gênero, m esm o nos grupos superiores, descendem de pais com uns; por isso, por m ais distantes e isolados que estej am atualm ente os pontos do Globo em que se encontram , é necessário que, no decurso de gerações sucessivas, estas form as partindo de um só ponto tenham irradiado para todos os outros. É-nos m uitas vezes im possível conj ecturar m esm o porque m eios estas m igrações se têm podido realizar. Contudo, com o tem os ocasião de crer que algum as espécies conservaram a m esm a form a específica durante períodos m uito longos, enorm em ente longos m esm o, se os contarm os por anos, não devem os ligar m uita im portância à grande difusão ocasional de um a espécie qualquer; porque, durante o decorrer destes longos períodos, devem encontrar ocasiões favoráveis para efetuar vastas m igrações por m eios diversos. Pode m uitas vezes explicar-se um a extensão descontínua pela extinção da espécie nas regiões interm ediárias. É necessário, além disso, reconhecer-se que sabem os m uito pouco sobre a im portância real das diversas alterações clim atéricas e geográficas que o Globo sofreu durante os períodos recentes, alterações que têm certam ente podido facilitar as m igrações. Procurei, com o exem plo, fazer com preender a ação poderosa que devia exercer o período glaciário sobre a distribuição de um a espécie e espécies ligadas em todo o m undo. Ignoram os ainda absolutam ente quais pudessem ser os m eios ocasionais de transporte. Quanto às espécies distintas de um m esm o gênero, habitando regiões afastadas e isoladas, devendo a m archa da sua m odificação ter sido necessariam ente lenta, todos os m odos de m igração poderão ter sido possíveis durante um m uito longo período, o que atenua até certo ponto a dificuldade de explicar a dispersão im ensa das espécies de um m esm o gênero. Im plicando a teoria da seleção natural a existência anterior de um conj unto inum e- 527

rável de form as interm ediárias, ligando-se um as às outras, por cam biantes tão delicadas com o são as nossas variedades atuais, todas as espécies de cada grupo, pode perguntar-se porque não vem os em redor de nós todas essas form as interm ediárias, e porque todos os seres organizados não estão confundidos num inextricável caos. A respeito das form as existentes, devem os recordar que não tem os razão algum a, salvo em casos m uito raros, para esperar encontrar form as interm ediárias ligando-as diretam ente um as às outras, m as som ente aquelas que ligam cada um a delas a algum a form a suplantada e extinta. Mesm o num a vasta superfície, que ficou contínua durante um longo período, e cuj o clim a e outras condições de existência m udam insensivelm ente, passando de um ponto habitado por um a espécie a outro habitado por um a espécie estreitam ente ligada, quase sem pre nos é vedado encontrar variedades interm ediárias nas zonas interm ediárias. Há sem pre o direito de acreditar, com efeito, que, num gênero, algum as espécies som ente sofrem m odificações, e outras se extinguem sem deixar posteridade variável. Quanto às espécies que se m odificam , há poucas que o façam ao m esm o tem po na m esm a região, e todas as m odificações são lentas. Dem onstrei tam bém que as variedades interm ediárias, que têm provavelm ente ocupado a princípio zonas interm ediárias, devem ter sido suplantadas por form as aliadas existindo de um a parte e de outra; porque estas últim as, sendo as m ais num erosas, tendem , por esta razão m esm o, a m odificar-se e a aperfeiçoar-se m ais rapidam ente que as espécies interm ediárias m enos abundantes; de m odo que estas devem ter sido, há m uito, exterm inadas e substituídas.

Se a hipótese do exterm ínio de um núm ero infinito de fuzis ligando os habitantes atuais com os habitantes extintos do Globo, e, em cada período sucessivo, ligando as espécies que viveram com as form as m ais antigas, é fundada, porque não encontram os, em todas as form ações geológicas, um a grande abundância destas form as interm ediárias? Porque é que as nossas coleções de restos fósseis nos não fornecem a prova evidente da gradação e das m utações das form as viventes? Posto que as pesquisas geológicas haj am incontestavelm ente revelado a existência passada de um grande núm ero de fuzis que têm j á aproxim ado um as às outras m uitas form as da vida, não apresentam , contudo, entre as espécies atu-528

ais e as espécies passadas, todas as gradações infinitas e insensíveis que reclam a a m inha teoria, e é esta, sem contradita, a obj eção m ais séria que pode oporse-lhe. Porque se vêem ainda grupos inteiros de espécies aliadas que parecem (aparência, em verdade, m uitas vezes enganosa), surgir subitam ente nas cam adas geológicas sucessivas? Posto que saibam os agora que os seres organizados têm habitado o Globo desde um a época cuj a antiguidade é incalculável, m uito tem po antes do depósito das cam adas m ais antigas do sistem a cam briano, porque não encontram os nós, debaixo deste últim o sistem a, poderosas m assas de sedim ento encerrando os restos dos antecessores dos fósseis cam brianos? Porque a m inha teoria im plica que sem elhantes cam adas foram depositadas em algum a parte, desde essas épocas afastadas e tão com pletam ente ignoradas da história do Globo.

Só posso responder a estas questões e resolver estas dificuldades, supondo que os arquivos geológicos são bem m ais incom pletos do que o adm item geralm ente os geólogos. O núm ero dos especím enes que encerram todos os nossos m useus não é absolutam ente nada a par de inúm eras gerações de espécies que têm certam ente existido. A form a-fonte de duas ou m uitas espécies não seria m ais diretam ente interm ediária em todos os seus caracteres entre os descendentes m odificados, do que o torcaz é diretam ente interm ediário pelo seu papo e pela cauda entre os seus descendentes, o pom bo de papo e o pom bo-pavão. Ser-nosia im possível reconhecer um a espécie com o a form a origem de um a outra espécie m odificada, tão atentam ente quanto as pudéssem os exam inar, a não ser que possuíssem os a m aior parte dos fuzis interm ediários, e em razão da im perfeição dos docum entos geológicos não devem os esperar encontrá-los em grande núm ero. Se m esm o se descobrissem dois, três ou m esm o um grande núm ero destas form as interm ediárias, considerar-se-iam sim plesm ente com o espécies novas, por m ais leves que pudessem ser as suas diferenças, sobretudo se fossem encontradas em diferentes cam adas geológicas. Poderiam citar-se inúm eras form as duvidosas, que são provavelm ente apenas variedades; m as quem nos assevera que se descobrirá no futuro um núm ero assaz grande de form as fósseis interm ediárias, para que os naturalistas cheguem a decidir se estas variedades duvidosas m erecem ou

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não a qualificação de variedades? Não se tem explorado geologicam ente m ais que um a bem pequena parte do Globo. Dem ais, os seres organizados pertencentes a certas classes podem por si conservar-se no estado de fósseis, pelo m enos em quantidades um pouco consideráveis. Muitas espécies um a vez form adas sem nunca sofrer m odificações subseqüentes, extinguem -se sem deixar descendentes; os períodos durante os quais outras espécies sofreram m odificações, ainda que enorm es, avaliados em anos, têm provavelm ente sido curtos, com parados com aqueles durante os quais conservaram a m esm a form a. São as espécies dom inantes e as m ais espalhadas que variam m ais e m ais vezes, e as variedades são quase sem pre locais; ora, são estas duas circunstâncias que tornam m uito pouco provável a descoberta de fuzis interm ediários num a form a qualquer. As variedades locais não se dissem inam noutras regiões afastadas antes de estarem consideravelm ente m odificadas e aperfeiçoadas; quando em igram e as encontram os num a form ação geológica, parecem ter sido criadas subitam ente aí, e consideram -se sim plesm ente com o espécies novas. A m aior parte das form ações deviam acum ular-se de um a m aneira interm itente, e a sua duração foi provavelm ente m ais curta que a duração m édia das form as específicas. As form ações sucessivas são, no m aior núm ero dos casos, separadas um as das outras por lacunas correspondendo a longos períodos; porque form ações fossilíferas bastante espessas para resistir às degradações futuras só têm podido, em regra geral, acum ular-se onde abundantes sedim entos foram depostos sobre o fundo de um a área m arinha em via de abaixam ento. Durante os períodos alternantes de levantam ento e de nível estacionário, o testem unho geológico é geralm ente nulo. No decurso destes últim os períodos, houve provavelm ente m ais variabilidade nas form as da vida, e, durante os períodos de abaixam ento, m ais extinções.

Quanto à ausência de ricas cam adas fossilíferas por baixo da form ação cam briana, posso apenas repetir a hipótese que desenvolvi j á no capítulo nono, a saber que, posto que os nossos continentes e os nossos oceanos tenham ocupado, desde um enorm e período, as suas posições relativam ente atuais, não nos é

lícito afirm ar que tenha sido sem pre assim ; por conseguinte, pode supor-se que haj a por baixo dos grandes oceanos disposições m uito m ais antigas que aquelas

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que conhecem os no presente. Quanto à obj eção levantada por sir William Thom pson, um a das m ais graves de todas, que, desde a consolidação do nosso planeta, o lapso de tem po decorrido foi insuficiente para perm itir a som a das alterações orgânicas que se adm ite, eu respondo que, prim eiram ente, não podem os precisar de form a algum a, m edida em anos, a rapidez das m odificações da espécie, e, secundariam ente, que m uitos sábios estão dispostos a adm itir que não tem os bastante conhecim ento da constituição do universo e do interior do Globo para raciocinar com precisão sobre a sua idade. Ninguém contesta a im perfeição dos docum entos geológicos; m as que são incom pletos para o que a m inha teoria exige, pouca gente convirá de boa vontade. Se considerarm os períodos suficientem ente longos, a geologia prova claram ente que todas as espécies têm m udado, e que têm m udado conform e a m inha teoria, isto é, ao m esm o tem po lenta e gradualm ente. Este fato ressalta com evidência de que os restos fósseis que contêm as form ações consecutivas são invariavelm ente m uito m ais estreitam ente ligados uns aos outros do que o são os de form ações separadas por m aiores intervalos.

Eis, em resum o, as respostas e explicações que podem dar-se às obj eções e às diversas dificuldades que tentam levantar-se contra a m inha teoria, dificuldades de que eu m esm o por m uito tem po senti o peso para duvidar da sua im portância. Mas é necessário notar, com cuidado, que as obj eções m ais sérias se referem às questões a respeito das quais a nossa ignorância é tal que nem de leve lhe supom os sequer a extensão. Não conhecem os todas as gradações possíveis entre os órgãos m ais sim ples e os m ais perfeitos; não podem os pretender conhecer todos os m eios diversos de distribuição que têm podido agir durante longos períodos do passado, nem a extensão da im perfeição dos docum entos geológicos. Por m ais sérias que sej am estas diversas obj eções, não são, contudo, quanto a m im , de m olde a rebater a teoria da descendência com m odificações subseqüentes. Exam inem os agora outro lado da questão. Observam os, no estado dom éstico, que as alterações das condições de existência causam , ou pelo m enos excitam , um a variabilidade considerável, m as m uitas vezes de um a m aneira tão obscura que som os dispostos a considerar as variações com o espontâneas. A variabi- 531

lidade obedece a leis com plexas, tais com o a correlação, o uso e não uso, e a ação definida das condições exteriores. É difícil saber até que ponto as nossas produções dom ésticas foram m odificadas; m as podem os certam ente adm itir que o foram m uito, e que as m odificações ficam hereditárias durante longos períodos. Desde que as condições exteriores ficaram as m esm as, podem os crer que um a m odificação, hereditária desde num erosas gerações, pode continuar a sê-lo ainda durante um núm ero de gerações quase ilim itado. Dem ais, tem os a prova de que, quando a variabilidade tem um a vez com eçado a m anifestar-se, continua a agir durante m uito tem po no estado dom éstico, porque vem os ainda aparecer ocasionalm ente variedades novas nas nossas produções dom ésticas m ais antigas. O hom em não tem influência algum a im ediata sobre a produção da variedade; expõe som ente, sem desígnio, os seres m elhor organizados a novas condições de existência; a natureza atua, pois, sobre a organização e a faz variar. Mas o hom em pode escolher as variações que a natureza lhe fornece, e acum ulá-las com o entenda; adapta tam bém os anim ais e as plantas ao seu uso e aos seus desej os. Pode operar esta seleção m etodicam ente, ou som ente de um a m aneira inconsciente, conservando os indivíduos que lhe são m ais úteis, ou que lhe agradam m ais, sem qualquer intenção preconcebida de m odificar a raça. É certo que pode largam ente influenciar sobre os caracteres de um a raça separando, em cada geração sucessiva, diferenças individuais assaz ligeiras para escapar a olhos inexperientes. Este processo inconsciente de seleção tem sido o agente principal da form ação das raças dom ésticas m ais distintas e m ais úteis. As dúvidas inextricáveis que tem os sobre a questão de saber se certas raças produzidas pelo hom em são variedades ou espécies prim itivam ente distintas, provam que possuem em larga escala os caracteres das espécies naturais.

Não há razão algum a evidente para que os princípios cuj a ação tem sido tão eficaz no estado dom éstico, não tenham atuado no estado de natureza. A persistência das raças e dos indivíduos favorecidos durante a luta incessante pela existência constitui um a form a poderosa e perpétua de seleção. A luta pela existência é um a conseqüência inevitável da m ultiplicação em razão geom étrica de todos os seres organizados. A rapidez desta progressão é provada pelo cálculo e

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pela m ultiplicação rápida de m uitas plantas e anim ais durante um a série de estações particularm ente favoráveis, e da sua introdução em novo país. Nascem m ais indivíduos do que os que podem sobreviver. Um átom o num a balança pode decidir dos indivíduos que devem viver e dos que devem m orrer, ou determ inar que espécies ou que variedades aum entam ou dim inuem em núm ero, ou se extinguem totalm ente. Com o os indivíduos de um a espécie entram a todos os respeitos na m ais estrita concorrência uns com os outros, é entre eles que a luta pela existência é m ais viva; é quase tão ativa entre as variedades da m esm a espécie, com o entre as espécies de um m esm o gênero. A luta deve, além disso, ser quase sem pre m uito rigorosa entre seres m uito afastados na escala natural. A m enor superioridade que certos indivíduos, em certa idade ou durante um a época qualquer, podem ter sobre aqueles com os quais se encontram em concorrência, ou a adaptação m ais perfeita às condições am bientes, fazem , no decurso do tem po, pender a balança em seu favor.

Nos anim ais de sexos separados, observa-se, na m aior parte dos casos, um a luta entre os m achos para a posse das fêm eas, em seguida à qual os m ais vigorosos, e os que têm tido m ais sucesso em relação às condições de existência, são tam bém aqueles que, em geral, deixam m ais descendentes. O sucesso deve depender, contudo, m uitas vezes de que os m achos possuem m eios especiais de ataque ou de defesa, ou grandes encantos; porque toda a vantagem , m esm o ligeira, basta para assegurar a vitória. O estudo da geologia m ostra claram ente que todos os países sofreram grandes alterações físicas; podem os, pois, supor que os seres organizados deviam , no estado livre, variar da m esm a m aneira que no estado dom éstico. Ora, se houve na natureza variabilidade, por m enor que fosse, seria incrível que a seleção natural não desem penhasse tam bém o seu papel. Tem -se sustentado m uitas vezes, m as é im possível provar esta asserção, que, no estado livre, a som a das variações é rigorosam ente lim itada. Ainda que atuando som ente sobre os caracteres exteriores, e m uitas vezes caprichosam ente, o hom em pode, contudo, obter em pouco tem po grandes resultados nas suas produções dom ésticas, acum ulando sem pre diferenças individuais; ora, cada um adm ite que as espécies apresentam

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diferenças desta natureza. Todos os naturalistas reconhecem que além destas diferenças, existem variedades que se consideram com o m uito distintas para ser o obj eto de um a m enção especial nas obras sistem áticas. Jam ais se pode estabelecer distinção bem nítida entre as diferenças individuais e as variedades pouco acentuadas, ou entre as variedades pronunciadas, as subespécies e as espécies. Nos continentes isolados, bem com o nas diversas partes do m esm o continente, separadas por quaisquer barreiras, nas ilhas afastadas, quantas form as se encontram que são classificadas por sábios naturalistas, quer com o variedades, quer com o raças geográficas ou subespécies, e enfim , por outros com o espécies estreitam ente ligadas, m as distintas?

Ora pois, se as plantas e os anim ais variam tão lentam ente e tão pouco, porque colocarem os nós em dúvida que as variações ou as diferenças individuais, que são de qualquer form a proveitosas, não possam ser conservadas e acum uladas pela seleção natural, ou persistência do m ais apto? Se o hom em pode, com paciência, separar as variações que lhe são úteis, porque razão, nas condições com plexas e alteradoras da existência, não hão de surgir variações vantaj osas para as produções vivas da natureza susceptíveis de ser conservadas por seleção? Que lim ite pode fixar-se a esta causa que atua continuam ente durante séculos, e vigiando rigorosam ente e sem descanso a constituição, a conform ação e os hábitos de cada ser vivo, para favorecer o que é bom e rej eitar o que é m au?

Creio que o poder da seleção é ilim itado quando se trata de adaptar lentam ente e adm iravelm ente cada form a às relações m ais com plexas da existência. Sem ir m ais longe, a teoria da seleção natural parece-m e provável no m ais elevado grau. Recapitulei o m elhor que pude as dificuldades e obj eções que lhe têm sido postas; passem os agora aos fatos especiais e aos argum entos que m ilitam em seu favor. Na hipótese de as espécies serem apenas variedades bem acentuadas e perm anentes, e cada um a delas ter existido com a form a de variedade, é fácil com preender porque se não pode tirar qualquer linha de dem arcação entre a espécie que se atribui, ordinariam ente, a atos especiais de criação, e a variedade que se reconhece ter sido produzida em virtude de leis secundárias. É fácil com preender ainda porque, num a região onde existe um a grande cópia de espécies

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de um gênero e estas são atualm ente prósperas, as m esm as espécies apresentem num erosas variedades; com efeito, é aí onde a form ação das espécies foi abundante, que devem os, em geral, esperar vê-las ainda natividade; ora, tal deve ser o caso se as variedades são nascentes. Dem ais, as espécies dos grandes gêneros, que fornecem o m aior núm ero destas espécies nascentes ou destas variedades, conservam num certo grau o caráter de variedades, porque diferem m enos um as das outras do que diferem as espécies dos gêneros m ais pequenos. As espécies estreitam ente ligadas dos grandes gêneros parecem tam bém ter um a distribuição restrita, e, pelas suas afinidades, reúnem -se em pequenos grupos em torno de outras espécies; debaixo destas duas relações, assem elham -se às variedades. Estas relações, m uito estranhas na hipótese da criação independente de cada espécie, tornam -se com preensíveis se se adm itir que todas as espécies existiram no estado de variedades. Com o cada espécie tende, pela seqüência da progressão geom étrica da sua reprodução, a aum entar em núm ero de um a m aneira desm edida, e os descendentes m odificados de cada espécie tendem a m ultiplicar-se tanto m ais quanto m ais diversos hábitos e conform ações apresentarem , de m odo a poderem apoderar-se do m aior núm ero de lugares diferentes na econom ia da natureza, a seleção natural deve tender constantem ente a conservar os descendentes m ais divergentes de um a espécie qualquer. Resulta que, no decurso continuado das m odificações, as ligeiras diferenças que caracterizam as variedades da m esm a espécie tendem a crescer até chegar às diferenças m ais im portantes que caracterizam as espécies do m esm o gênero. As variedades novas e aperfeiçoadas devem substituir e exterm inar, inevitavelm ente, as variedades m ais antigas, interm ediárias e m enos perfeitas, e as espécies tendem a tornar-se assim m ais distintas e m elhor definidas. As espécies dom inantes, que fazem parte dos grupos principais de cada classe, tendem a dar origem a form as novas e dom inantes, e cada grupo principal tende sem pre tam bém a crescer cada vez m ais, e ao m esm o tem po, a apresentar caracteres sem pre m ais divergentes. Mas, com o nem todos os grupos podem assim procurar aum entar em núm ero, porque a Terra não poderia contê-los, os m ais dom inantes avançam sobre os que o são m enos. Esta tendência que têm os gru- 535

Continuar: parte 3 de 4