A Paciente Silenciosa
Capítulo 31
Na manhã seguinte, cheguei ao Grove decidido a falar com Alicia sobre o que Barbie havia me contado. Mas, assim que botei o pé na recepção, ouvi uma mulher gritando. Gritos de agonia ecoando pelos corredores.
— O que foi? O que está acontecendo?
O guarda ignorou as minhas perguntas e passou correndo por mim em direção à ala. Fui atrás dele. Os gritos ficavam mais altos à medida que eu me aproximava. Eu esperava que Alicia estivesse bem, que não fosse com ela, mas tive um mau pressentimento.
Ao dobrar à direita no corredor, vi enfermeiras, pacientes e gente da segurança aglomerados em frente ao aquário. No telefone, Diomedes convocava paramédicos. Estava com a camisa salpicada de sangue — mas não era o sangue dele. Duas enfermeiras ajoelhadas no chão socorriam a mulher que gritava. E não era Alicia.
Era Elif.
Elif se contorcia, gritando de dor, as mãos no rosto ensanguentado. De um dos olhos jorrava sangue. Alguma coisa se projetava da cavidade ocular, enfiada na órbita. Parecia um bastão. Mas não era um bastão. Eu imediatamente soube o que era. Um pincel.
Alicia estava de pé junto à parede, contida por Yuri e outro enfermeiro. Mas não era necessário contê-la fisicamente. Ela estava calma, parada, feito uma estátua. Seu rosto me lembrou da pintura — Alceste. Vazio, inexpressivo. Ela olhava nos meus olhos.
Pela primeira vez senti medo.