A Paciente Silenciosa
Capítulo 20
Saí do Grove e acendi um cigarro. Uma voz masculina chamou o meu nome. Olhei, esperando que fosse Jean-Felix. Mas não era.
Era Max Berenson. Ele estava saindo de um carro e vinha em minha direção.
— Que merda é essa? — gritou. — O que aconteceu? — Seu rosto estava vermelho, retorcido de raiva. — Acabaram de me ligar falando de Alicia. O que aconteceu com ela?
Recuei um passo.
— Por favor, se acalme, sr. Berenson.
— Me acalmar? Minha cunhada está aí em coma por causa da porra da sua negligência...
Max estava de punho fechado. E o ergueu. Achei que ia me dar um soco.
Mas foi interrompido por Tanya. Ela se aproximou apressada com tanta raiva quanto Max — mas raiva dele, e não de mim.
— Para, Max! Pelo amor de Deus! Quer piorar ainda mais as coisas? Não é culpa do Theo!
Max a ignorou e se voltou para mim. Seus olhos estavam furiosos.
— Alicia estava sob os seus cuidados — gritou. — Como foi que você deixou isso acontecer? Como?
Seus olhos se encheram de lágrimas de raiva. Ele não se esforçava nem um pouco para disfarçar as emoções. E ficou ali chorando. Olhei para Tanya; é claro que ela sabia dos sentimentos dele por Alicia. Tanya estava consternada e exausta. Sem dizer mais nada, virou-se e voltou para o carro.
Eu queria me afastar de Max o mais rápido possível. Continuei andando.
E ele continuou gritando insultos. Achei que ia me seguir, mas não — estava plantado no mesmo lugar, um homem devastado, me chamando,
gritando de forma patética:
— Você é o responsável. Minha pobre Alicia, minha menina... Minha pobre Alicia... Você vai pagar por isso! Está me ouvindo?
Max continuou gritando, mas eu o ignorei. Logo sua voz desapareceu no silêncio. Eu estava sozinho.
Continuei andando.