Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 10 de 35

Páginas do PDF

Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Beiträge zur Kenntnis der brasilianischen Tabaniden. Zweite Mittheilung

Contribuições para o conhecimento

dos tabanídeos brasileiros por Dr.

Adolpho Lutz

 

Segunda Comunicação

Desde a publicação da minha primeira comunicação nesta revista, tendo por objeto as pangoninas, tive a oportunidade de ampliar consideravelmente o meu conhecimento sobre o assunto. Durante uma viagem à Europa, consegui submeter o material dos museus de Paris, Londres, Hamburgo, Berlim e Viena a um exame minucioso, de modo que cheguei a conhecer a maioria dos tipos ainda existentes.

Obtive muitas informações valiosas sobre a procedência dos referidos exemplares, através dos diversos curadores.

Além do mais, obtive inúmeros tipos sul-americanos por meio de trocas ou de empréstimos, e, finalmente, consegui ler uma parte da literatura não disponível em outros lugares, e copiar algo delas.

Dessa literatura, devo mencionar ainda uma série de artigos da Srta. Gertrude Ricardo sobre os tabanídeos da coleção do British Museum, e que foram publicados em Annals and Magazine of

Natural History 1 . Ali se acham descritas algumas das espécies disponíveis ainda não determinadas, a maior parte das quais de boas espécies, mas uma parte já tendo sido nomeada.

Através desses diversos novos recursos, me foi possível identificar e denominar mais uma parte das minhas espécies ainda não determinadas, cuja lista darei a seguir. Algumas, também indeterminadas, encontrei na coleção do Museu.

Na maioria das espécies, a concordância das determinações realizadas foi total. Alguns enganos, ocasionados por descrições sumárias demais, foram corrigidos. Apesar das inúmeras espécies semelhantes, consegui esclarecer quase que completamente a determinação correta das espécies de pangoninas. Pior é o caso dos tabanídeos, num grupo dos quais, qualquer tentativa para averiguar o significado original dos nomes parece impossível.

No que se refere ao meu último trabalho, tenho as seguintes retificações e acrécimos a fazer:

Parece que a espécie indicada como P. fulvithorax ainda não foi descrita. A espécie autêntica de Wiedemann possui uma cor semelhante, porém é muito maior e, bem como P. venosa, parente próxima de nigripennis Guérin; talvez corresponda a P. thoracica desse último autor. Ambas as espécies foram encontradas nas cercanias do Rio de Janeiro. Nos museus europeus só vi a forma com asas muito escuras da P. venosa, a qual, com toda a certeza, deve ser muito mais freqüente do que a variedade fenestrada, como também é o caso de nigripennis.

A espécie designada como marginalis provém de um exemplar de

Sello, de Caçapava, 2 nitidamente diferente apesar do parentesco próximo.

Os exemplares de Itapetininga e da província de Entre Rios correspondem a D. ardens Macquart, de São Leopoldo (Rio Grande), e são o testemunho da vasta região de disseminação dessa espécie aparentemente rara.

Os exemplares muito caducos do Rio Grande poderiam pertencer a uma terceira espécie, semelhante a marginalis, uma vez que a estria manchada do dorso abdominal é inexistente.

Muitas vezes observei 3 Pangonia (Mycteromyia) erythronotata Bigot, na Serra da Cantareira, perto de São Paulo. Também ocorre em Petrópolis (Rio de Janeiro B). O período de vôo é de II – IV.

Pangonia (Mycteromyia) albipectus Bigot foi descoberta em março na Serra de Santos.

Pangonia longipennis Ricardo (do Espírito Santo) assemelha-se ao gênero Diclisa Schiner, mas a sua célula marginal posterior é aberta. Possuo dois exemplares de procedência desconhecida, provavelmente do estado de São Paulo.

P. (Dyspangonia) incisuralis Macqt. (Brasil) concorda muito bem com um exemplar de Entre Rios (Argentina).

P. auripes Ricardo (do Amazonas) concorda com outro exemplar da mesma região.

P. fulvotibialis Ricardo, do Espírito Santo, também é uma boa espécie, bem semelhante a winthemi Wied. Em compensação, P. (Erephrosis) fuscus(a) e P. (Diatomineura) seminigra Ricardo parecem idênticas a P. tabanipennis Macquart.

Das espécies não determinadas, restam-me uma Dyspangonia do interior de São Paulo e nove Pangonia do mesmo estado ou do estado do Rio de Janeiro. Além disso, ainda tenho duas espécies não determinadas do estado do Espírito Santo.

Quanto ao gênero Silvius, devo assinalar que Silvius vulpes é uma Dyspangonia, e é idêntica a Pangonia flavescens Ricardo. Silvius esenbeckii é sinônimo de Pangonia fasciata Macquart, e Esenbeckia pangonina Rondani. Silvius sylveirii (texto) ou marginatus (tabela) Macquart não pertence a esse gênero, mas a Acanthocera, conforme pode ser identificado já na figura com nitidez. O original em Paris, ao qual, no entanto, faltam as antenas, não deixa dúvidas sobre o assunto. Da descrição desta pequena espécie não se pode depreender se Silvius rufipes Macquart realmente pertence a este gênero.

Miss Ricardo menciona catorze espécies de Chrysops do Brasil, sem contar C. costatus. Ela considera Chrysops varipes Walker igual a Diachlorus curvipes F.; Chrysops inornatus Walker igual a Diachlorus bivittatus; convergens e approximans Walker são ambos exemplares de D. ferrugatus. Ambos os gêneros são próximos, e talvez outros autores não os tenham distinguido. É provável que haja sinônimos entre as espécies de Chrysops. Uma boa espécie, provavelmente ainda não descrita, é Chrysops brasiliensis Ricardo, que parece ser freqüente na região amazônica.

 

1 1) Jan. 1900 2) Fev. 1900 (Série 7, v.V) 3) Set. 1900 (v.VI) 4) Out. 1901 (v.VIII) 5) Jun. 1902 (v.IX) 6) Nov. 1904 (v.XIV) 7) Ago. 1905. [N.A.]

2 Continua incerto se do Rio Grande ou de São Paulo, contudo, suponho que seja do primeiro.[N.A.]

3 Além das espécies citadas, Bigot (Mém. Soc. Zool. France, v.V, p.709-612 [sic]) acrescenta mais duas espécies do Brasil (nitens e pencillata) ao gênero Mycteromyia Philippi. Não creio que as espécies brasileiras pertençam a ele, já que, nos meus exemplares, os olhos, “pelo menos nas zonas marginais”, são pilosos. [N.A.]