Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos
1909-1911
Descrições da coleção de tabanídeos
do Instituto Oswaldo Cruz (1909-1911)
“Coleção de tabânidas” é parte de Instituto Oswaldo Cruz. Em Manguinhos. Rio de Janeiro, Officinas de Kósmos, 1909, p.28-30. Opúsculo ricamente ilustrado, apresentava os soros e vacinas fabricados em Manguinhos, suas coleções biológicas, publicações, laboratórios e outras sofisticadas instalações em construção ou recém-inauguradas. A coleção de tabanídeos tem sua formação explicada em “Contribuição para o conhecimento da fauna indígena de tabânidas”, artigo de Lutz e Neiva publicado em Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, também em 1909, ano em que foi inaugurado este periódico. A coleção inclui os espécimes incorporados por Adolpho Lutz quando se transferiu do Instituto Bacteriológico de São Paulo para o congênere carioca, em 1908. A imagem que encabeça o documento alude à investigação realizada por Lutz em 1907 na ilha de Marajó sobre doença endêmica que causava grandes estragos em seus rebanhos. Concluiu o então diretor do Bacteriológico que o mal-de-cadeiras era causado pelo Trypanosoma equinum, e que os tabanídeos deviam desempenhar importante papel em sua transmissão, como ocorria com a nagana, doença do gado provocada pela picada da mosca do sono (tsé-tsé), comum na África equatorial.
O opúsculo citado acima faz parte do material publicitário produzido por Manguinhos depois que deixou de ser mero Instituto Soroterápico para se transformar, em 1908, em Instituto de Medicina Experimental, no mesmo ano batizado de Instituto Oswaldo Cruz. (Mais informações a esse respeito encontram-se na Biblioteca
Virtual Oswaldo Cruz, em http://www.prossiga.br/oswaldocruz/).
O salto de qualidade deveu-se, em parte, ao sucesso alcançado pelos sanitaristas e pesquisadores chefiados por Oswaldo Cruz no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia realizado em setembro de 1907, em Berlim. Folheto então publicado ainda não fazia referência a coleções entomológicas. Aquele produzido para a Exposição Internacional de Higiene, realizada em Dresden, em junho de 1911, descreve novamente a coleção de tabanídeos de Manguinhos, de maneira parecida com o de 1909, mas com o acréscimo de várias espécies novas descritas por Adolpho Lutz e Arthur Neiva. Por isso, reproduzimos também aqui parte de Internationale Hygiene-Ausstellung Dresden 1911. Rio de Janeiro, Instituto Oswaldo Cruz, 1911, p.33-5.
Nos anos 1950, o entomologista Alexander Graham Bell Fairchild (1906-1994) colaborou na organização e revisão da coleção de tabanídeos de Adolpho Lutz, em sua maior parte depositada no Instituto Oswaldo Cruz, havendo um resíduo no Instituto Butantan.
Na Biblioteca Virtual Adolpho Lutz, em www.bvsalutz.coc.fiocruz.br encontram-se a “Lista dos Tabanídeos existentes na coleção do Instituto Butantan, em 1941”, bem como os dois artigos publicados por Fairchild nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz: “The Adolpho Lutz Collection of Tabanidæ (Diptera). I. The described genera and species, condition of the collection, and selection of lectotypes” (t.59, fasc.2, jul. 1961, p.185-249); e “The Adolpho Lutz Collection of Tabanidæ (Diptera). II. Status of the names published without description” (t.59, fasc.3, set. 1961, p.279-95).