Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 19 de 35

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Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Capítulo 1912

Comissão de Linhas Telegráficas

Estratégicas de Mato Grosso ao

Amazonas: tabanídeos *

 

A coleção de cerca de setenta exemplares de tabanídeos, reunida pelo Sr. A. M. Ribeiro, oferece interesse especial por ter sido feita em grande parte em terreno inexplorado. Ao lado de espécies conhecidas e na sua maior parte muito espalhadas, contém várias outras que considero novas. Infelizmente as circunstâncias da viagem eram pouco favoráveis para a conservação perfeita, que é o ideal do dipterologista, em vista de tantas espécies semelhantes. Todavia um estudo detalhado e um grande material de comparação me permitiram determinar as espécies conhecidas e descrever as espécies novas, de modo bastante satisfatório, posto que imperfeito.

Dou, em seguida, a lista das espécies encontradas e a descrição das espécies novas:

1° Erephopsis matto-grossensis n. sp. Duas fêmeas.

2° Chrysops leucospilus Wied. Uma fêmea. Espécie espalhada

e bastante comum.

3° Diachlorus bimaculatus Wied. Cinco fêmeas apanhadas em

8.VII.1908 no rio Paraguai, acima de Corumbá. A espécie foi

descrita por Wiedemann, como Chrysops, sem indicação da

proveniência. Conheço-a de São Paulo (Noroeste), Minas

(Norte) e Mato Grosso, onde parece freqüente. Como a maior

parte das espécies deste gênero, ataca o homem.

4° Lepidoselaga curvipes Fabr. Duas fêmeas apanhadas dois e

quatro dias acima de Corumbá. Espécie muito espalhada nas

zonas mais quentes do Brasil e que também ataca o homem.

5° Tabanus mexicanus L. Uma fêmea pequena com as asas

sem manchas. Espécie crepuscular um pouco variável, com

distribuição muito vasta.

6° Tabanus modestus Wied. Uma fêmea que corresponde à

definição de Schiner. Espécie comum e espalhada.

7° Tabanus triangulum Wied. Uma fêmea. Espécie comum e

espalhada, porém de identificação um pouco incerta, vista a

confusão que reina nesse grupo de espécies.

8° Tabanus leucaspis Wied. Dez fêmeas. Espécie comum nas

zonas mais quentes do Brasil.

9° Tabanus importunus Wied. Oito fêmeas. Espécie um tanto

variável, fre-qüente nas regiões quentes do Brasil.

10° Tabanus lineifrono n. sp. Nove fêmeas.

11° Tabanus prunicolor n. sp. Cinco fêmeas.

12° Tabanus glandicolor n. sp. Muitas fêmeas.

13° Tabanus hesperus n. sp. Três fêmeas.

14° Tabanus procallosus n. sp. Três fêmeas.

15° Dicladocera unicolor n. sp. Uma fêmea.

Erephopsis matto-grossensis n. sp. (fig. 1).

Comprimento total, sem a tromba e as antenas, 15-17mm; cor geral ocráceo pardacento.

Fundo da cabeça castanho, mais ou menos avermelhado, com grande calo hemisférico no meio da face. Antenas de ocráceo ferrugíneo; palpos pardo-ocráceos, o segundo artículo bastante curto e largo, sublanceolar. Tromba enegrecida. Partes laterais da face e fronte castanho claro e mate. Olhos escuros, ocelos distintos. Occipício coberto com pó amarelado. Barba esbranquiçada.

Tórax pardo, em cima coberto de pêlos pardo-arruivados; dos lados e em baixo há pêlos esbranquiçados. O escutelo da cor do escudo.

Abdome na sua totalidade da mesma cor que o escudo, em cima com pêlos curtos, pardacentos ou arruivados.

Pernas pardo-ocráceas; as partes acima dos joelhos e os pés um tanto mais escuros.

Asas quase hialinas, com nervuras pardacentas. Terceira nervura a ramo anterior sem apêndice e com ângulo pouco acusado; primeira célula da margem posterior fechada antes da margem; anal também, porém menos.

Halteres com haste castanha e capítulo pardacento, bastante claro.

A descrição baseia-se em duas fêmeas que se acham bastante estragadas e diferem um pouco na cor. À primeira vista podiam ser confundidas com E. leucopogon Wied.; distinguem-se, porém, facilmente pelos palpos que têm o segundo artículo mais curto e mais largo.

Dicladocera unicolor n. sp. (fig. 2)

Cor geral pardo-ferruginoso. Comprimento pouco acima de 15mm.

Tromba preta, palpos pardo-ferruginosos, o segundo artículo bastante estreito, comprido e curvado; antenas da mesma cor, o terceiro artículo com a ponta curvada e dente curvo na base; face e fronte com fundo pardo-ferruginoso, esta com calo claviforme pardo. Olhos escuros (no estado seco).

Tórax pardo-ferruginoso, no escudo com traços indistintos de faixas longitudinais mais escuras.

Abdome pardo-ferrugíneo, com faixa dorsal mais escura, apenas indicada, no ventre a cor um tanto mais clara; margens posteriores dos segmentos com tarja clara estreita.

Pernas pardo-ferruginosas, apenas as tíbias um pouco mais claras do que o resto. Não se percebem cílios nas tíbias.

Asas tingidas de pardacento muito diluído, com estigma e nervura castanhas e célula costal cor de mel. Porção apical da segunda nervura mais espessa e escura; o mesmo se vê no ramo anterior da nervura III, que não apresenta ângulo distinto nem apêndice na base. Primeira célula posterior largamente aberta, anal fechada na margem. Escamas pardacentas, halteres castanhos com o capítulo claro na extremidade.

Descrição tirada de uma fêmea um tanto rapada.

Tabanus glandicolor n. sp. (fig. 3)

Comprimento, sem as antenas, cerca de um centímetro, cor geral de bolotas secas, mais clara ou mais escura.

Fundo da cabeça cor de bolotas, coberto de pó ou pêlos esbranquiçados; Antenas com os artículos basais ocráceos, terceiro ferruginoso, com a base muito larga e ângulo dorsal muito acusado; palpos ferrugíneos, com pêlos claros; tromba castanho-escura. Calo frontal comprido, linear, um tanto alargado na frente. Tubérculo ocelar escuro, triangular, mais ou menos coberto pelo pó esbranquiçado que cobre a fronte e o occipício. Olhos brilhantes, de cor chocolate.

Tórax: o fundo cor de bolotas clara, no escudo e escutelo coberto por pruína esbranquiçada e penugem pardacenta; pleuras e esterno com algumas manchas enegrecidas, cobertas, com todo o fundo, por pólen claro.

Abdome cor de bolotas, ora mais escura, ora mais clara, com indicação de faixa longitudinal clara no dorso; as margens dos segmentos geralmente mais claras. Pernas da cor do abdome; as quatro tíbias anteriores mais claras do que o resto das pernas.

Asas hialinas, com as nervuras pardacentas. A costal, entre o estigma e o ápice, a terminação da segunda e do ramo anterior da terceira nervura, como também a parte horizontal na base desta, tarjadas de pardo e rodeadas, às vezes, de uma nuvem pardacenta; primeira célula da margem posterior largamente aberta, anal fechada antes da margem. No ramo anterior da terceira nervura há geralmente um apêndice curto, mas não é constante.

Halteres cor de bolota.

Desta espécie há muitas fêmeas, porém geralmente mal conservadas. Todavia, a cor uniforme de bolotas secas é bastante característica e, em conjunto com os caracteres da asa e a faixa dorsal do abdome, permite distinguir a espécie de todas as outras já descritas.

Tabanus procallosus n. sp (fig. 4)

Cor geral pardo-ocráceo, asas hialinas. Comprimento cerca de 1cm.

Tromba preta; palpos ocráceos, com pruína branca e pêlos enegrecidos; antenas pardas com pêlos em parte pretos; o terceiro artículo curto, em cima com ângulo saliente no primeiro segmento, que tem mais do que a metade do comprimento do artículo; os outros quatro segmentos bastante grossos. Face enegrecida, mas coberta de pruína clara e pêlos brancos. Toda a fronte entre a base das antenas e o calo frontal formando um pró-calo glabro e saliente de castanho-claro luzidio. Espaço interocular com calo frontal assaz pequeno, claviforme, da mesma cor castanha; no resto o fundo castanho é coberto de pó amarelado. Do triângulo ocelar só se percebe o rudimento bastante nítido do ocelo anterior. No occipício o fundo enegrecido é coberto de pó branco. Olhos glabros, pretos em estado seco.

Tórax pardo; em cima o fundo mais alaranjado, com três faixas longitudinais pouco distintas, mostra restos de pêlos esbranquiçados; escutelo pardo, mais ou menos, alaranjado. Pleuras e esterno com pó e pêlos brancos sobre o fundo pardo.

Abdome ocráceo, pardacento nos dois primeiros e últimos segmentos, no resto mais alaranjado; margens posteriores dos anéis com cinta clara, estreita no ventre, mais larga no dorso, com resto de pêlos brancos; no meio do dorso o alaranjado invade também os dois primeiros e o penúltimo segmento.

Pernas pardas, acima do joelho um pouco avermelhadas; a base das tíbias, nos dois primeiros pares até o meio, no último par até perto do último quarto, de branco um tanto amarelado; o resto escuro, sem brilho, apenas os empódios um tanto ocráceos.

Asas hialinas, as nervuras castanhas, o estigma mais amarelado; ramo anterior da terceira nervura sem apêndice; primeira célula da margem posterior largamente aberta, anal fechada perto da margem. Escâmula pardacenta, com margem estreita mais escura. Halteres castanhos, apenas a face terminal do capítulo ocrácea clara.

A descrição baseia-se em três fêmeas bastante bem conservadas com exceção dos pêlos.

Tabanus prunicolor n. sp. (fig. 5)

Coloração geral lembrando as das ameixas. Comprimento cerca de 1cm.

Tromba preta. Palpos ocráceos com pêlos escuros; antenas ferrugíneas, com pêlos escuros, principalmente nos dois segmentos basais; segundo segmento muito curto, principalmente a face superior, o terceiro muito côncavo em cima com ângulo saliente. Fundo da cabeça geralmente coberto de pó branco amarelado; apenas os olhos de pardo arroxeado muito escuro, e o calo frontal variando de castanho avermelhado a preto luzidio. Barba cinzenta. Escudo e escutelo pardo-violáceos com pruína cinérea, os lados e a margem posterior mais avermelhados, como também duas estrias longitudinais submedianas, pouco distintas, no escudo; pleuras e face inferior pardo-violáceos com pruína e pêlos acinzentados.

Abdome pardo-vermelho, mais ou menos arroxeado; na sua totalidade ou apenas a partir do quarto anel muito escuro, quase preto, mas com pruína acinzentada; embaixo como em cima. Margens posteriores dos segmentos com tarjas claras muito estreitas, formadas por cílios e fundo claros.

Pernas pardo-ocráceas; o primeiro par em cima até o joelho, os demais até ao meio do fêmur pardo-arroxeados; na sua totalidade ou apenas a partir do quarto anel muito escuro, quase preto, mas com pruína acinzentada; embaixo como em cima. Margens posteriores dos segmentos com tarjas claras muito estreitas, formadas por cílios e fundo claros.

Pernas pardo-ocráceas; o primeiro par em cima até o joelho, os demais até o meio do fêmur pardo-arroxeados ou avermelhados. No primeiro par a metade apical da tíbia e todo o pé pardacentos, os outros pés também, porém com exceção da base.

Asas quase hialinas; células costais amareladas, a base e o estigma cor de mel ou pardo-amarelo; nervura costal preta, na parte apical mais ou menos tarjada de pardo, como também a parte terminal curvada das duas nervuras esboçando antes do ápice que são um tanto espessadas na margem. Ramo anterior da nervura forqueada com ângulo obtuso, sem apêndice, mas tarjado de pardo na parte transversal da base; primeira célula da margem posterior largamente aberta, anal fechada um tanto antes da margem. Escâmula pardacenta com margem escura. Halteres com a base ocrácea, mais acima pardo de couro, tornando-se claro no ápice.

Esta espécie se conhece facilmente porque na cor e no aspecto pruinoso lembra as ameixas da Europa. A descrição está baseada em cinco fêmeas, colecionadas no estado de Mato Grosso pelo Sr. A. Miranda Ribeiro.

Tabanus lineifrons n. sp. (fig. 6)

Comprimento, sem as antenas, cerca de 19mm, cor geral ferruginosa e enegrecida, asas pardacentas.

Cabeça com fundo escuro, coberta com pó e pêlos brancos acinzentados ou amarelados. Tromba preta, estiletes pardo-avermelhados; palpos ocráceo-avermelhados com pêlos brancos; antenas pardo-amarelas ou ferruginosas, o terceiro artículo muito côncavo em cima e preto no ápice. Frons muito estreita entre os olhos, alargando-se um tanto para trás, com calo preto quase linear, prolongado em linha elevada muito fina que não excede o último trecho do espaço interocular, onde se percebe o tubérculo ocelar em forma de ponto, estria ou triângulo estreito.

Tórax enegrecido, com pó cinzento. Protórax, região da base das asas e calos em frente destas vermelho-amarelados ou pardacentos; no escutelo vestígios de pêlos amarelados curtos; embaixo há outros, um tanto mais compridos, cinzento amarelados.

Abdome ferrugíneo até ferruginoso, freqüentemente em parte enegrecido, devido a sangue absorvido; os dois segmentos terminais enegrecidos, com pêlos pretos. Encontram-se outros restos de pêlos pretos e amarelados, estes nas margens laterais dos segmentos e na sua margem posterior, onde o fundo é mais claro.

Pernas pretas; tíbias anteriores na metade basal, as outras nos dois terços superiores, amareladas, porém a face dorsal da última tíbia com cílios pretos sobre o fundo enegrecido; empódios amarelados, pés do meio e de trás com alguns cílios ruivos na face ventral.

Asas pardacentas, apenas a célula costal amarela; a raiz, o estigma e as outras células da margem anterior mais escuras, a discoidal, a anal e as duas basais mais claras. Nervuras transversais, parte transversal na base e apêndice do ramo anterior da nervura forqueada mais ou menos distintamente tarjada de pardo; todas as nervuras escuras e bem destacadas. Primeira célula da margem posterior largamente aberta, anal fechada a pequena distância da margem.

Halteres pardacentos, com a face terminal amarelada.

Dos nove exemplares procedendo de Mato Grosso nenhum mostrou indicação de faixas nos olhos, mesmo depois de bastante demora na câmara úmida. Se existisse em estado fresco, o que não acredito, a espécie entraria no meu gênero Macrocormus.

Tabanus hesperus n. sp. (fig. 7)

Comprimento, sem antenas, 19mm. Cor geral parda e ferruginosa.

Fundo da cabeça avermelhado densamente coberto com pó alvacento. Tromba enegrecida, os estiletes pouco mais curtos do que os palpos ocráceos, cobertos de pêlos esbranquiçados. Antenas bastante curtas, os artículos baseados pardos, o terminal, de ferrugíneo claro e vivo, tem a base e o ângulo dorsal muito saliente, mas sem dente. Calo frontal pardo ferruginoso, claviforme; tubérculo ocelar obliterado. Olhos secos bronzeados, as facetas muito finas. Occipício um tanto enegrecido na parte correspondente aos olhos. Barba alvacenta.

Tórax em cima pardo-ferruginoso; margem posterolateral do escudo e anterior do escutelo, duas estrias longitudinais de ocráceo ferrugíneo, tudo coberto de cílios dourados muitos finos e curtos; escutelo na margem anterior com faixas pardo-ferruginosas, metade posterior amarelo-alaranjada. Resto do tórax com fundo pardacento coberto por pó e penugem esbranquiçados.

Dorso do abdome de ocráceo alaranjado e restos de pêlos escuros, as margens posteriores dos segmentos muito mais claras, amareladas, ventre ocráceo pálido coberto com pruína e pêlos esbranquiçados.

Pernas em parte pardo-ocráceas, em parte pardo-ferruginosas, os pés enegrecidos, os pêlos claros e escuros correspondendo ao fundo; no dorso da tíbia do último par há uma fileira de cílios pretos.

Asas quase hialinas, a costal e a subcostal pretas; base da asa e célula costal cor de mel, o estigma pardo-amarelo, as nervuras em redor das células basais, o ramo posterior da quinta e a base da anal pardo-escuros e espessados, as outras mais finas, enegrecidas; ramo anterior da terceira nervura com ângulo arredondado sem apêndice; primeira célula da margem posterior largamente aberta, anal fechada um pouco antes da margem. Escâmula parda com margem clara, halteres alaranjados com face terminal esbranquiçada.

A descrição se refere a uma fêmea colecionada em Mato Grosso pelo Sr. A. Miranda Ribeiro. A espécie parece-se, à primeira vista, com o Tabanus aurora de Macquart, mas, além de outros caracteres, tem as antenas totalmente diferentes.

* Commissão de Linhas Telegraphicas Estrategicas de Matto Grosso ao Amazonas, Anexo n. 5, publicação n.14, intitulada História natural. Zoologia. Tabanídeos pelo Dr. Adolpho Lutz. Rio de Janeiro, Papelaria Macedo, 1912, 9p. e uma prancha com gravuras coloridas de espécies novas executadas por Rudolph Fisher e Castro Silva. Neste trabalho, Lutz classifica e descreve tabanídeos coletados por Alípio de Miranda Ribeiro (1874-1939), da seção de zoologia do Museu Nacional. Esse ictiologista, autor de trabalhos relacionados, também, a mamíferos, répteis e aves, participou em 1908-1909 da Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon; depois classificou e catalogou material coletado durante a expedição que Rondon fez à Amazônia, em 1913-1914, com o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt. Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) cursara a Escola Militar da Praia Vermelha (1883-1888) e, em seguida, a Escola Superior de Guerra (até 1890) antes de assumir o posto de adjunto da comissão construtora de linha telegráficas, chefiada por Gomes Carneiro. De 1900 a 1906, o então major Rondon assumiu a chefia desta comissão, levando a cabo a instalação de 1.800km de linhas e dezessete estações telegráficas. Em 1907, o governo Afonso Pena incumbiu-o de estender o sistema ao Amazonas. Três anos depois, Rondon assumiu a direção de um novo órgão, o Serviço de Proteção aos Índios, sem deixar a comissão de linhas telegráficas.

Segundo as instruções baixadas por portaria do ministro da Viação, Miguel Calmon du Pin, em 4.3.1907, a comissão Rondon faria o estudo da região sob diversos pontos de vista, tendo em mira o mapeamento de seus produtos extrativos, principalmente os minerais.

Em 1907 e 1908, os trabalhos de campo em etnografia e geologia ficaram a cargo de Karl Carnier; intensificaram-se no período de 1908 a 1910, cabendo as pesquisas em geologia e mineralogia a Cícero de Campos; em botânica, a Frederico Carlos Hoehne; em zoologia a Alípio de Miranda Ribeiro, e as investigações etnográficas, ao próprio Rondon. Nos anos 1910 a 1912, Moritz assumiu o levantamento geológico e mineralógico, Hoehne permaneceu à frente da botânica, cuidando, também, dos estudos em zoologia com José Geraldo Kuhlmann e seu irmão. Rondon contou com o auxílio de Edgard Roquete-Pinto na frente etnográfica.

De 1913 a 1915, geologia e mineralogia ficaram a cargo de Euzébio de Oliveira; Rondon permaneceu à frente dos estudos etnográficos, e Hoehne liderou a botânica, participando dos estudos em zoologia com Arnaldo Blake Santana, H. Reinisch, E. Stolle, João Geraldo Kuhlman, Serapião dos Santos e Antônio Pirineus de Souza.

Os materiais coletados pela Comissão Rondon foram analisados por especialistas que não faziam parte de seus quadros, como foi o caso de Adolpho Lutz, então no Instituto Oswaldo Cruz. Diversos outros autores assinam publicações numeradas no âmbito do chamado “Anexo n.5”, conforme relação apresentada no Catálogo Geral das Publicações da Comissão Rondon e do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (Departamento de Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 32 p., 1950 – publicação n.96). [N.E.]